Cinquenta Tons Mais Intensos.
18 Um jantar de decepções.
Notas iniciais
Por Anastásia.
Eu não deveria ter aberto minha boca para falar uma coisa dessas, tomara que ele não ache que eu sou um algum tipo de mulher oferecida, é que simplesmente escapou de minha boca, eu deixei meu desejo falar mais alto, e ele falou por mim, mas Christian pareceu não se importar, ficou surpreso e com um grande sorriso nos lábios, enquanto eu ainda estava com vergonha e arrependida.
Eu havia me surpreendido quando Christian havia me trazido para seu apartamento, e disse que nós iríamos jantar ali, eu não estava preparada para isso, eu não queria ter nenhuma “recaída” com ele, eu não podia arriscar, eu estava assustada por ter que ficar em um lugar fechado com ele, e não em um lugar público onde eu claramente poderia “fugir” caso me senti-se confusa, ou então quisesse ir embora dessa confusão toda que sempre nos ronda, e pensando bem, acho que Christian já fez isso de propósito.
–Anastásia, prometo que não farei nada. – Repete Christian, e eu sei que ele não fará nada caso eu não queira, mas esse é o problema, e se eu o quiser? Eu não posso fugir, havia prometido para mim mesma que não iria fugir que iria me entregar ao desejo que sinto por ele, mas ainda me sinto insegura, respiro fundo.
Eu não fugir.
Eu não posso fugir.
Eu não quero fugir.
–Então vamos. – Eu respondo sorrindo, e Christian um pouco surpreendido e aliviado, estende a sua mão para mim, e eu a pego, entrelaçando elas, e caminhando para dentro do prédio.
–Você está bem? – Ele pergunta.
–Não tanto. – Eu respondo com sinceridade e seu rosto murcha.
–Você não está bem em estar comigo? – Ele pergunta, e meu coração derrete, ele pensou que eu estava referindo que não estava tanto bem por causa dele? Não é por causa dele, é por causa de mim, e dessa tração que eu sinto por ele, mas eu demorei muito para admitir isso para mim mesma, então muito menos vou admitir para ele.
–Não é isso Christian, eu me sinto muito bem quando estou com você, mas ainda assim é uma situação embaraçosa e diferente, você tem que concorda que quando eu te conheci, eu não imaginei que tanta coisa fosse acontecer. – Eu digo dando uma longa explicação, e respirando fundo no final, Christian dá um meio sorriso.
–Você sente-se muito bem quando está comigo? – Ele pergunta, ele sabe a minha resposta, mas sei que ele faz de propósito para mim responder, eu rio comigo mesma com isso.
–Sim, eu me sinto muito bem. – Eu respondo sendo sincera, e entramos no elevador, Christian aperta o botão do último andar e as portas se fecham.
–Eu me sinto vivo no seu lado, e me sentir bem com você, é pouco para o que eu realmente sinto. – Ele confessa, e eu suspiro, porque ele tem que ser assim? Tão carinhoso, mas ao mesmo tempo e em certos momentos insistente e bruto. –E eu não acho estranho o nosso rápido envolvimento, isso é o que aconteceu quando duas pessoas se atraem. – Ele diz com tranqüilidade e calma, mas eu coro.
Será que ele só sente atração por mim? Não que eu esteja querendo mais que isso, até porque eu também só sinto atração por ele, é quase como uma troca de atrações, mas eu sinto que essa atração para ele funciona de uma maneira diferente, ele é diferente, ele não é como outros caras que eu já me envolvi, e eu nunca me senti tão atraída por qualquer desses caras como eu me sinto com Christian, e eu quero que ele seja meu primeiro, mas tenho medo de quando ele descobrir que sou virgem, ele não aceite querer ficar comigo por conta disso.
–Isso é coisa da sua cabeça– Eu sussurro para mim mesma, mas Christian ouve e me olha arqueando a sobrancelha.
–Como? – Ele pergunta.
–Nada não, eu estava falando sozinha, apenas isso. – Eu respondo corando, e ele ri.
–Eu me pego fazendo isso também. – Ele confessa, e eu sorrio ao descobrir que não sou á única doida e fora do normal ali. –É bom que você pense com você mesma, assim eu posso saber o que passa por sua cabeça, já que para mim é quase impossível te decifrar. – Ele diz, e eu me surpreendo.
–Pensei que você pudesse decifrar á todos. – Eu confesso.
–Eu também pensava que pudesse, até conhecer você. – Ele rebate, e eu não consigo esconder um sorriso, e as portas do elevador se abrem.
E então, ele abre a porta do seu apartamento, revelando a sua grande suíte bem decorada e com amplas paredes de vidros, assim como a sua empresa, dando uma visão esplêndida de toda a Seattle. Desci um mini lance de escada entrando na grande sala, que havia um enorme piano no canto, e uma mesa pequena no centro, com uma poltrona no lado esquerdo, ela era um pouco vazia, mas igualmente linda, assim como a cozinha, com grandes armários brancos, balcão, e várias outras coisas, olharam em toda a volta o grane apartamento, eu estava realmente impressionada de boca aberta.
Me virei procurando Christian, mas não encontrei, segundos depois ele apareceu, não estava mais de terno, bom, não completamente, ele estava sem o paletó que cobria o seu peitoral, e o seu camisão branco estava com os três primeiros botões abertos, revelando um pouco do peito, eu tentei não babar, pois ele estava realmente muito lindo e sensual daquele jeito.
–Vamos jantar? – Ele perguntou.
–Claro. – Respondi e ele pegou na minha mão, me puxando para uma grande sala de estar, onde havia uma enorme mesa. Havia dois pratos na mesa, mas eles estavam muito distantes um do outro, um estava na ponta direita e a outra na esquerda, precisávamos mesmo jantar assim, tão separados?
–Sente-se. – Disse Christian me guiando para a cadeira da ponta esquerda, ele afastou a cadeira para mim sentar, eu sorri em agradecimento, e ele sorriu de volta, ele foi para o seu “canto” da mesa, pegando seu prato, seu talher, e todos os outros mantimentos e colocando na cadeira próxima á mim. –Acho que não há necessidade dessa distancia toda. – Ele disse, e eu sorri concordando, ele então se sentou, no meu lado, bom, não teoricamente em meu lado, mas perto de mim, servindo um pouco de vinho. –Que tal conversamos um pouco? – Ele pergunta.
–Sobre? – Eu pergunto de volta.
–Bom você já me contou sobre o seu passado, sobre sua vinda para cá, agora me diga uma coisa, além daquele tal daquele seu ex – namorado, você já esteve com mais alguém? — Ele pergunta com evidente curiosidade. Então voltamos novamente ao assunto dos meus namorados?
–Não, ele foi meu único namorado. – Eu respondo.
–E você o amou? – Ele perguntou, sua expressão estava séria, suas sobrancelhas juntas e a boca numa linha fina.
–Não. – Respondi com sinceridade.
–Mas gostou? – Ele perguntou.
–Sim, eu gostei dele, mas agora só sinto nojo e raiva. – Eu respondi.
–Pensei que não guarda-se magoa ou rancor. – Ele comenta.
–E eu não guardo, mas traição eu não aceito, e nem perdôo. – Eu digo, ele sorri.
–Nem eu, traição é algo repugnante, infidelidade é a pior coisa que existe. – Ele diz.
–Concordo. – Eu digo. –Mas e você, já namorou? – Eu pergunto.
–Não. – Ele respondeu curto.
–Ok, então eu vou ser direta. – Eu aviso. – O que você quer dizer com relacionamentos diferentes?- Eu pergunto, ele se remexe em seu assento visivelmente desconfortável.
–Eu estou nervoso, eu não sei como dizer isso para você. – Ele confessa.
–Apenas diga. – Eu o encorajo, e ele respira fundo, seu rosto transmite confusão, indecisão e insegurança, as palavras que ele quer dizer parece não sair, pois ele abre a boca, mas nada diz. –Diga, não tenha medo. – Eu digo o encorajando novamente.
–Anastásia. – Ele diz meu nome calmamente. –Eu sou um dominador. – Ele revela, e eu estreito minhas sobrancelhas em choque, sinto meu corpo ficar rígido e o chão por uns segundos some dos meus pés.
Eu posso ser virgem, e não ter experiência nenhuma, mas não sou burra, e sei muito bem como é essa relação de Dominador/Submissa, conhecida como relação BDSM, onde o Dominador controla e usa como prazer sexual a sua submissa, mas sem qualquer compromisso, é uma espécie de contrato.
Meu coração se decepcionou, pois eu pensava que Christian me queria como algo á mais, e não como um objeto para sexo, eu pensava diferente dele, mas ele é igual, igual é todos os outros, me colocou dentro da sua empresa apenas com uma desculpa para ficar próximo á mim, e a me convencer á praticar essa merda que ele vai propor.
–Eu vou embora. – Eu aviso me levantando, e Christian me olha com os olhos arregalados e assustados, a expressão é de dor, mas eu ignoro, quem está com dor e magoada aqui sou eu.
–O que?! Não, por favor, não vai Anastásia, deixe-me explicar. –Ele pede me pegando pelo braço, e me puxando para ele.
–Me solta Christian! Eu sei onde essa merda vai acabar, eu sei o que é essa porra de Dominador, e eu não vou ser a porra da sua submissa, então me larga! – Eu pedi quase gritando.
–Não vou largar antes de você me ouvir Anastásia! – Ele diz me agarrando com força, eu tento empurrá-lo colocando minhas mãos sobre o seu peito, e Christian me olha transtornado e com dor nos olhos, ele se afasta de mim bruscamente e coloca seus braços em volta de si mesmos, e se encolhe eu havia apenas tocado nele, será que havia feito algo de errado? Eu olho para ele que abaixa a cabeça em gesto de vergonha de si mesmo, nesse momento ele nunca pareceu tão frágil, até porque eu nunca tinha visto Christian frágil.
Eu não queria, mas me preocupei com ele.
–Você está bem? – Eu perguntei.
–Apenas não toque em mim, por favor, não toque. – Ele pede com dor nos olhos, e eu me sinto horrível, ele tem algum trauma em ser tocado?
–Eu acho melhor ir embora então. – Eu digo, dando as costas, me preparando para sair, as lágrimas queriam sair, mas eu as segurava.
–Não! – Gritou Christian, e eu me virei e vi Christian ainda com os braços em sua volta, e com o olhar severo, mas ao mesmo tempo atormentado.
–Christian depois disso tudo eu não acho bom... – Eu começo a dizer, mas sou interrompida.
–Não Anastásia, eu sei que agora agi como um louco, é que eu não consigo com que as pessoas me toquem, eu... Não... Consigo. – Ele diz com a voz dolorida no fim. –Mas eu não quero e nem consigo que você vá embora, eu preciso de você perto de mim, eu te quero Anastásia, quero tanto que chega á doer. – Ele diz vindo em minha direção e colocando suas mãos em minha cintura.
–Não posso Christian, eu não posso. – Eu digo.
–Por quê? – Ele pergunta.
–Porque você me quer apenas como uma submissa não é? – Eu pergunto sentindo a dor de pronunciá-la.
–Não é verdade, eu confesso que no começo eu quis você apenas como uma sub, mas agora Anastásia, agora que estou começando á te conhecer, eu quero mais. – Ele diz confessando.
–Mais? –Eu pergunto.
–Sim, mais. – Ele confirma. –Por favor, se entregue á mim, seja a minha, por essa noite, e por todas as outras. – Ele pede e eu não quero negar, mas como contar que eu sou virgem? Eu não encontro minha voz para dizer isso.
–Christian eu não posso. – Eu continuo á dizer.
–Porque Anastásia? Eu te quero, te desejo como nunca desejei ninguém, e eu sei que você também me deseja, o que faz você não poder? – Ele pergunta, e eu respiro fundo, para contar á ele.
–Não posso porque eu não sei fazer isso. – Eu digo de cabeça baixa, olho ele de relance, e vejo-o confuso.
–Como assim, você não sabe? – Ele pergunta confuso, e eu confirmo com a cabeça. –Céus, Anastásia, você é... – Ele começa a dizer, mas eu o interrompo.
–Sim Christian, eu sou virgem. – Eu digo por fim confessando.
Continua.
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