Cinquenta Tons Mais Intensos.

64 Um jantar de bodas de porcelana. - Parte III.


Notas iniciais
Boa Leitura!

Por Christian.

Eu estava em choque, literalmente em choque, eu não sabia o que falar, e minha cabeça naquele momento estava com tantos pensamentos irracionais e confusos, que eu não sabia ao certo o que falar á Mia, se é que eu tinha algo para falar com Mia.

Ela sabia de tudo.

Na verdade, ela sempre soube de tudo, desde... Criança.

Pensar em Mia, ainda uma criança, presenciando a cena de seu irmão mais velho transando com a amiga casada da nossa mãe, me fez sentir nojo de mim mesmo.

Eu não poderia me perdoar jamais por fazê-la presenciar isso.

—Mia... – Eu comecei sem encontrar palavras. –Mia, eu... Por favor, me deixe explicar... –

—Explicar o que? – Mia me interrompeu. –Que você com apenas quinze anos transava com a Elena? Uma mulher vinte anos mais velha e casada?! Casada Christian! E pior, amiga da mamãe, na nossa própria casa, debaixo do nosso teto! Isso é malditamente nojento Christian. – Ela exclamou totalmente horrorizada, com a expressão nublada de nojo.

Eu não tinha muitos argumentos.

Na verdade, eu não tinha argumento nenhum.

Como eu teria?

Ela estava certa, completamente certa, o que eu fiz no passado, é nojento, e repugnante somente em lembrar.

Eu me submeti á Elena com somente quinze anos, por que era cheio de merdas na cabeça, meu passado era fodido, eu sonhava com frequência com a minha mãe biológica que sempre parecia mais preocupada em querer mais drogas do que com o filho debaixo da mesa passando fome, e ainda tinha o seu cafetão que diariamente parecia entretido em me espancar e queimar xepas de cigarro em meu corpo por pura diversão.

O garotinho indefeso que só servia de saco de pancadas, nunca saia da minha mente e nem dos meus pesadelos á noite em minha adolescência, por mais que eu estivesse seguro, em uma casa, com pais que me amavam, as merdas do passado pareciam me assombrar a cada maldito momento que eu fechava os olhos para dormir á noite e aquilo era uma merda.

Foi onde começou a minha rebeldia, as brigas no colégio, as notas baixas, o mau comportamento e o meu jeito desrespeitoso começou aos treze anos, eu não sabia nem o porquê, mas eu sentia raiva de todos, de todo mundo, eles eram como uma ameaça para mim, e eu não conseguia confiar em ninguém, pois eu sentia como se todos fossem a qualquer momento enfiar uma faca no meio de minhas costas quando eu não estava olhando.

Foi aos quinze quando surgiu Elena, amiga da minha mãe, bonita e mais velha, com seu ar de superioridade e dominância, que acabou se impondo em minha vida e me mudando completamente a partir de então.

Eu era adolescente, cheio de hormônios e revoltado com o mundo, e ela era a mulher mais velha, dominante e ansiosa para colocar um adolescente rebelde, como eu, na linha e ensinar bons modos e respeito.

É claro que o seu jeito de ensinar era completamente diferente de um jeito normal, mas funcionou.

Eu mudei.

Eu passei a respeitar as pessoas em minha volta, me distanciei daqueles que me prejudicavam e passei a me esforçar nas aulas e nas matérias para aumentar a minha nota, por que eu queria agradar Elena, e ela queria que eu fosse um bom garoto.

Longe aos olhos de todos, ninguém sabia de nosso caso, ela ainda era uma mulher casada e eu um adolescente menor de idade, tudo sempre teve que ficar em completo segredo, pois se alguém descobrisse, nós dois iriamos sai totalmente prejudicados nessa história, mas nunca em minha mente me passou a ideia de que uma terceira pessoa sabia do que tínhamos e essa pessoa era justamente a minha irmã.

—Mia... – Comecei novamente, mas sem conseguir palavras para elaborar uma frase plausível que servisse como desculpas, por que não havia muitas desculpas. –Como e onde? – Perguntei aquilo que mais temia, mas precisava ouvir.

—Foi na minha festa de aniversário de doze anos. Eu estava brincando com as minhas amigas quando me dei por falta de você e resolvi vir atrás para saber onde você estava. Fui direto para o seu quarto, mas cada vez que eu chegava mais perto, eu escutava gemidos. Eu era uma criança na época, mas não era totalmente burra, eu sabia o que era sexo. Primeiro eu pensei que era você com alguma garota qualquer, mas então eu escutei você gemer o nome dela. Eu não queria acreditar, eu simplesmente não queria acreditar que era a mesma Elena amiga da nossa mãe, eu precisava ter certeza, então abri a porta da maneira mais devagar que pude rezando para que vocês não me escutassem e nem me vissem, e por fim, eu consegui, vocês não me viram, mas eu infelizmente vi vocês Christian, transando no seu quarto, debaixo do nosso próprio teto na minha festa de doze anos, com toda a nossa família lá embaixo, inclusive o marido de Elena, Lincoln. – Mia confessou seu ponto de vista com os olhos marejados e as lágrimas já escorriam. – Você nunca vai fazer ideia o quão nojento foi ver a cena, eu podia sentir que iria vomitar a qualquer momento, e depois daquilo, todos os encontros que ocorram a seguir, eu prestei atenção em vocês dois, nos olhares que trocavam, as vezes bilhetes, ou como saiam sempre na mesma hora dando alguma desculpa e voltavam quase juntos, meu Deus, era difícil acreditar que vocês tinham um caso. – Ela finalizou.

Minha cabeça rodou por alguns instantes, aquilo parecia similar a um inferno, só que um pouco pior.

Eu me sentia sujo.

Sujo por ter feito minha irmã presenciar a merda que ela presenciou, sujo por ter transado com Elena debaixo do próprio teto de minha mãe, Grace, que me adotou, e me acolheu quando eu não tinha ninguém, e o que eu fiz para retribuir tudo o que ela me fez? Comecei a foder sua amiga em um jogo totalmente insano de BDSM.

Eu preciso me livrar dos segredos que me rondam.

Preciso me abrir.

Mia já sabe de metade da verdade.

Falta ela saber da outra metade.

Falta ela saber como a minha relação com Elena funcionava.

Eu preciso contar á ela.

Eu tenho que contar á ela.

Continua.

Notas finais
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