Cinquenta Tons Mais Intensos.

65 Uma chance de errar novamente.


Notas iniciais
Quero primeiramente agradecer á Lucy, Meneghel, e Soul Sunny por terem recomendado á história. Muito obrigada ♥ O capítulo é dedicado á vocês. Boa Leitura! Perdoem pelo enorme atraso. ♥

Por Christian.

Respirei fundo umas três ou quatro vezes, na verdade, havia perdido a conta de quantas vezes abri a minha boca para começar a falar, mas nada saiu.

Contar a verdade não era fácil, na verdade era uma situação complicada, pois eu não sabia exatamente onde começar.

Era minha irmã na minha frente exigindo saber a verdade.

A verdade que muitos não sabiam.

Inclusive Anastásia.

Apesar de eu achar que ela desconfie que houve alguma coisa entre Elena e eu no passado, ela nunca questionou diretamente e eu nunca a contei, pois realmente não pretendia contar á ela

Eu não quero que ela saiba sobre o meu fodido passado e veja que merece alguém bem melhor em sua vida.

Eu não quero que ela me deixe quando descobrir o grande merda que eu sou.

Mas para Mia eu irei contar a verdade, pois não há saída, e é preciso acabar com esses muros que ela e eu criamos em nossa volta e estabelecer uma relação descente entre irmãos, que há muito tempo havia sido prejudicava e por minha culpa –não que eu antes eu soubesse do porque de sua indiferença a mim- mas se eu tivesse insistido á firme, talvez não estaríamos nessa situação agora e tudo poderia ter sido se resolvido anteriormente.

Mas as coisas não fluíram dessa maneira e cá estamos nós.

Presos na rua sem saída que está interligada diretamente com a verdade.

É como aquele velho ditado.

É agora ou nunca.

—Eu não sei por onde começar... –

—Pelo começo seria uma boa escolha. – Mia me interrompeu sendo irônica.

Revirei os meus olhos.

Eu detestava sua indiferença e esperava que isso acabasse logo, pois queria um relacionamento normal entre nós, por mais que “normal” jamais seria.

Ela nunca teria um relacionamento comigo igual como tem com Elliot, mas eu queria pelo menos algo saudável, que nós não nos olhássemos com indiferença como dois estranhos.

—Ok. Irei começar pelo começo. – Murmurei. –Aos treze anos, eu comecei a mudar a minha maneira de agir, eu entrei na minha época de rebeldia, a época em que tudo me irritava. Começou então as brigas no colégio, as notas baixas, eu me lembro de que toda semana eu me metia em uma briga nova, perdi a conta de quantas vezes Grace ou Carrick foram ao colégio para conversar com os diretores, e perdi a conta também de quantas vezes levei um grande sermão de nossos pais, mas eu não ligava, eu simplesmente ativei o foda-se e eu queria que tudo explodisse. Foi uma época muito difícil da minha adolescência, eu me lembro de ter toda noite pesadelos da minha infância. –

Sobre minha infância, Mia sabia.

Ela sabia da minha infância fodida, da minha mãe prostituta que jamais levantou um dedo para me proteger dos abusos físicos que o seu cafetão me infringia.

Minha infância – assim como parte da minha adolescência – não eram coisas que eu me orgulhava, na verdade, eu sempre tentava pensar pouco sobre isso, pois era algo que me fazia me sentia fraco.

—Foi então que aos quinze anos, por ter sido suspenso do colégio por dias, nosso pai me ordenou que eu fosse fazer algo prestativo como castigo, então ele me mandou para casa dos Lincoln para aparar a grama, e ajudar no jardim para que eu aprendesse uma lição, para que eu soubesse o valor do trabalho, do respeito e essas merdas todas. Lá eu já conhecia Elena, mas fazia tempo que eu não há via. Quando ela me viu, parecia que naquele momento eu já sabia que algo entre nós iria acontecer, eu já havia ficado com mulheres mais velhas antes, então achei que teríamos um lance, mas sem ser algo sério. Umas duas semanas depois acabou acontecendo de ficarmos, mas eu achei que seria somente coisa do momento e que depois cada um iria seguir o seu destino, mas ela acabou me propondo algo. –

Pude ver a respiração de Mia prender.

—Ela me propôs um relacionamento BDSM. – Revelei a Mia que já parecia saber o que era.

—Céus Christian... – Ela colocou as mãos em frente aos lábios.

—No começo eu hesitei, pois não conhecia bem o que ela queria me mostrar, mas acabei aceitando por curiosidade. E foi onde tudo começou. Nós começamos a ter um caso, bem debaixo do nariz de nossa mãe, e acredite isso não é uma coisa da qual eu me orgulho Mia, mas eu sei que foi graças á Elena que eu me tornei o que eu sou hoje, pois com o relacionamento que nós tínhamos, ela me colocou na linha, me fez ser um bom garoto e parar de agir como um rebelde inconsequente. –

Mia negou com a cabeça.

—Isso é doentio Christian, ela não te curou de nada e muito menos te ajudou, ela se aproveitou de você, aproveitou que você era um garoto de quinze anos com uma mente fodida pelo passado fodido e usou isso para te fazer de brinquedinho sexual. –

—Ela teve meu consentimento Mia. – A lembrei.

Elena não era culpada.

O relacionamento que tivemos não era dos melhores, mas foi o que me fez mudar, foi o que me fez parar de ser um rebelde e um garoto sem rumo, ela me colocou na linha, me transformou em um homem, me fez crescer, e eu a agradeço por isso.

Ela não abusou de mim.

—Mas você era apenas um garoto de quinze anos com um passado de merda e com a mente toda detonada Christian, você não tinha noção no que estava realmente se metendo. –

—É claro que eu tinha Mia, eu já não era mais nenhum garotinho bobo. –

—Você era uma criança ingênua que deixou se levar pelas lábias daquela mulher asquerosa. Céus Christian, propor um relacionamento BDSM para um garoto de apenas quinze anos, você acha isso mesmo normal? –

Não, eu não achava, mas não a culpava, eu entrei naquilo por que eu quis, eu tinha a escolha de dizer não.

—Eu não disse não por que eu nãos quis, eu tinha o direito de escolher a qualquer momento abandonar aquele relacionamento. –

—Mas ela te manipulava Christian, ela sabia que você era cheio de traumas e usou o relacionamento abusivo para influenciar a sua mente de que aquilo era uma coisa boa para você, mas não era. –

—Mas foi bom para mim Mia, eu amadureci, parei de ser um garoto rebelde, me concentrei nos estudos e parei de dar trabalho aos nossos pais. –

—Em troca de que? De sexo sadomasoquista? Em troca de humilhação? Em troca de dor? –

—Eu queria aquilo. –

—Christian, isso é muita loucura! E você não está conseguindo ver o quão doentia ela foi, o quão nojenta ela foi e é. Ela te ensinou a foder, uau, que grande coisa, ela merece um Oscar por causa disso, devemos aplaudi-la de pé por ela ter ensinado um garoto de quinze anos a como ter um relacionamento abusivo?! –

—Não fale dessa forma Mia. Elena me salvou! –

—Vai se ferrar Christian, o que ela fez foi transformar você pior do que já estava. Você se concentrou nos estudos, e parou de brigar, tudo bem que ótimo, mas em troca você virou esse homem frio, calculista, arrogante, controlador, que só vem visitar a família no natal e olhe lá, eu nem vi você com outra mulher que não fosse Anastásia, por que creio que você não tem sentimentos. – Suas palavras eram amargas.

Como bofetadas em meu rosto.

—Não diga isso Mia, eu amo Anastásia como jamais amei nenhuma outra mulher. – Confessei.

Mia rio de forma irônica.

—E por acaso você já contou para Anastásia qual é o seu relacionamento com Elena? –

-Eu não tenho mais um relacionamento com Elena, e o que tivemos ficou no passado. –

—Tudo bem, mas você já contou para Anastásia isso que você acabou de contar? –

—Não, não vejo necessidade. –

—Ah, então você não vê necessidade em contar para a mulher que você diz que ama que aquela mulher nojenta lá fora tratando nossa mãe como amiga já foi a sua amante e você a porra de um cachorrinho nas mãos delas? –

—Não fale dessa maneira, por favor. – Pedi com calma.

—Eu falo da maneira que eu bem entender e eu entendo que Anastásia não merece você, ela é boa demais para conviver com esse seu mundo imundo que esconde as verdades dela. Eu acho melhor você mesmo contar isso para Anastásia, por que se não eu conto. – Mia ameaçou.

Meu coração disparou.

—Por que você faria isso? –

—Por que Anastásia merece saber o homem nojento que você é, ela merece saber a verdade e assim decidir se vai ou não querer continuar ao seu lado. –

—Anastásia não precisa saber disso. – Tentei contestar imaginando a possibilidade de Anastásia me deixar assim que souber do meu passado fodido.

—Realmente, ela não merece, ela deve saber disso. Você não pode esconder isso dela enquanto deixa essa mulher asquerosa da Elena andar por ai como se fosse da família, você tem ideia o quão nojento isso é? Anastásia lá fora com Elena sem saber que vocês dois já foderam? Isso é tão sujo Christian, imagina se fosse ao contrário, se fosse Anastásia escondendo isso de você, como você se sentiria? –

Eu não preciso pensar muito para saber que eu me sentiria traído e possesso, eu me sentiria realmente mal e machucado se a situação fosse inversa.

Merda, por que diabos eu fui deixar isso acontecer?

Conte para Anastásia, ou eu mesma conto. – Declarou Mia antes de caminhar em passos firmes em direção da porta, porém parou no ultimo minuto antes de se virar novamente para mim e dizer: — Eu sinto ainda mais nojo de você Christian. – Foi a sua ultima frase antes de sair da sala e me deixar ali... Sozinho.

Continua.

Notas finais
Tentem não odiar o Christian, ele ainda não se tocou do que a Elena realmente fez com ele. Beijos e até o próximo.