Cinquenta Tons Mais Intensos.
63 Um jantar de bodas de porcelana. - Parte II.
Notas iniciais
Por Christian.
Eu queria esclarecer as coisas de uma vez por todas com Mia, mas ela parecia mostrar relutância para um possível pedido de desculpas –que eu nem sabia por que iria pedir, mas eu iria- para voltar às coisas como eram antes desse clima estranho ficar entre nós, mas minha irmã agia como se quisesse se manter o quanto mais afastada pudesse de mim.
Eu queria poder entender esse afastamento repentino.
Quando crianças, nós erámos como unha e carne.
Eu me lembro de protegê-la dos garotinhos babacas do colégio que queriam aterrorizá-la quando ela era somente uma criança e eu o irmão mais velho protetor.
Eu me lembro de contar histórias para ela dormir em noites de chuva e trovejadas quando a nossa mãe fazia plantão no hospital do centro da cidade de Seattle.
Eu me lembro de termos um relacionamento normal entre irmãos até a minha adolescência.
Na adolescência quando eu tinha por volta de quinze anos – época em que conheci Elena – tudo mudou, quer dizer, Mia mudou comigo.
Ela tinha cerca de doze para treze anos e eu quinze quando o nosso relacionamento desandou completamente e as suas atitudes começaram a se tornar frias e indiferentes em relação á mim.
Por muito tempo achei que fosse por conta da fase rebelde que a maioria dos adolescentes passam, então não dei muita importância para o seu desprezo e sua rispidez perante á mim, mas com o passar dos anos percebi que mesmo com a sua idade avançada, ela ainda me olhava e me tratava do mesmo jeito indiferente.
E com Elliot era o completo oposto.
Ela o tratava e ainda o trata como qualquer outro irmão, mas quando é relacionado á mim, é como se simplesmente minha presença fosse demais para que ela pudesse suportar por muito tempo no mesmo ambiente.
Eu não entendia e ainda não entendo o porquê de tanto ressentimento oculto dentro dela e o porquê de tanta indiferença e acaso quando se trata de mim, mas creio que hoje é um bom dia para deixarmos claro qualquer tipo de duvida que há entre nós.
—Eu já disse que não temos nada para conversar Christian. – Respondeu Mia quando eu perguntei pela terceira vez se podíamos conversar á sós.
—Mia, por favor, não se faça de desentendida, você mais do que ninguém sabe que nós temos muitos assuntos pendentes. – Eu rebati.
—Pois eu não me lembro de ter nenhum assunto pendente com você. – Ela murmurou parecendo muito perto de estar com raiva. –Aliás, nós não temos nenhum assunto mais em comum Christian, então, por favor, me deixe em paz na festa dos nossos pais. – Ela acrescentou pronta para me dar às costas, mas eu fui mais rápido ao segurar o seu pulso entre a minha mão esquerda apertando moderadamente para que ela não pudesse se soltar. –Me solta. – Ela sussurrou exigindo.
—Eu já disse Mia, nós precisamos esclarecer alguns assuntos pendentes, então, por favor, vamos para algum lugar a sós para conversarmos. – Eu insisti.
Mia revirou os olhos.
—Você é como uma mula teimosa Christian. – Ela declarou com a voz mediana, chamando atenção de poucos convidados que estavam ali presentes e perto demais de nós.
—Eu digo o mesmo para você maninha. – O sarcasmo em minha voz era palpável.
Mia caminhou com pressa em minha frente em direção as escadas.
Eu olhei de relance para Anastásia que conversava com duas amigas de minha mãe.
Apesar de eu próprio não gostar do meu mundo de glamour e riqueza, eu gostava de observar Anastásia em seu processo de adaptação á ele.
Eu sabia que ela não gostava desse tipo de festas, assim como eu, era preferível estar em casa tomando um bom vinho e vendo algum programa estupido na TV do que estar aqui.
A programação parecia ainda melhor e muito mais aceitável quando se tinha Anastásia como companhia.
Festas assim são em sua maioria entediantes, porém era um estilo de vida dos meus pais que eu compreendia e respeitava, porém não me igualava.
Eu gostava de saber que Anastásia pensava quase como eu.
Eu gostava de saber que ela também detestava esse tipo de festas.
Era bom saber que nós temos algo em comum, por mínimo que fosse.
Ao chegarmos ao quarto de Mia, a mesma se virou abruptamente em minha frente e a sua expressão não era das melhores.
—O que diabos você quer ouvir de mim?! – Ela perguntou.
—Pensei que estivesse óbvio. – Respondi com o sarcasmo.
—Não para mim. – Ela revidou.
—Mia, eu quero respostas, somente isso, respostas, por favor. -
—Respostas para o que? –
—Eu quero resolver a nossa situação Mia, eu quero salvar o nosso relacionamento de irmãos, eu quero saber por que não temos um relacionamento normal, eu quero saber por que você me trata assim sempre, é isso que eu quero e eu acho que eu mereço uma explicação. – Eu exigi no sentido literal.
—Você não tem direito de exigir porra nenhuma! – Ela respondeu com violência.
Ouvir e ver minha irmã que sempre é tão comportada elegantemente na frente dos outros falar palavrão é cômico.
—Você fala em códigos para mim Mia, por favor, esclareça de uma vez por todas o seu ódio em relação á mim. – Novamente minha voz autoritária estava presente em cada palavra sendo dita.
—Eu não sinto ódio de você Christian. – Ela rebateu e em poucos segundos acrescentou. –Eu sinto nojo de você! – Ela quase gritou.
A olhei estupefato sem entender.
—Nojo?! Por quê?! O que eu fiz para você?! –
—Você tem ideia do quão difícil foi descobrir isso do meu irmão pelos meus próprios olhos, eu era uma criança Christian quando presenciei aquela cena nojenta! — Mia agora gritava.
—Que cena Mia?! –
—De você transando com a vadia da Elena! – Gritou exasperada Mia ao me responder.
Minhas mãos tremeram, e minha boca secou.
Meu coração falhou uma batida e meus joelhos por uma fração, por mais mínima que pareça ser, fraquejaram.
Eu olhava para Mia incrédulo enquanto a mesma ainda me encarava com aquele ódio ressentido e reprimido.
Tudo pareceu um quebra-cabeça.
E tudo, sobre seu comportamento e distanciamento passou a fazer sentido para mim.
Puta merda!
Continua.
Fale com o autor