Cinquenta Tons Mais Intensos.

7 Um herói nada romântico.


Notas iniciais
Bom, quero agradecer á Déa Vianna pela linda recomendação, eu amei, quero dedicar esse capítulo á você! Boa Leitura!

Por Anastásia.

Eu estava estática parada, sem qualquer tipo de reação, sem saber o que fazer, Christian Grey estava parado na minha frente com a porta do seu carro preto aberto, me ordenando á entrar, eu estava me sentindo uma daquelas mocinhas nerd's e desorganizadas do século XXI que estão em perigo e são salvas pelo garoto mais lindo e mais popular do colégio. Ele estava agindo como se fosse meu herói dessas histórias modernas, eu me sentia como se estivesse em um livro, eu ri mentalmente com esse pensamento.

–Entra. Agora. Nesse. Carro. Anastásia. — Ordenou Christian mais uma vez, só dessa vez pausadamente. Eu ainda estava um tanto quanto chocada, minha mente estava á mil, pensando em como Christian Grey foi parar na minha frente, eu queria andar até o carro e entrar, mas uma parte do meu cérebro parecia não corresponder, minhas pernas não me obedeciam. -Anastásia! Se você não entrar nessa merda de carro, eu juro que te puxo pelos cabelos. — Rosnou Christian, é talvez meu herói não fosse tão romântico quanto os dos livros que eu costumo ler.

–Porque eu entraria nesse carro com você? – Pergunto sem pensar. Eu estava mesmo o desafiando?

–Por acaso você quer ser estuprada? – Pergunta Christian com ironia pesada.

–Claro que não. – Eu imediatamente respondo.

–Então entra agora nessa porra de carro!Ou se não... – Grita ele e posso ver pela pouca iluminação que tem a raiva contida em seus olhos.

–Ou se não o que? – Eu o desafio novamente sem raciocinar direito.

–Ou se não eu saio desse carro, te puxo pelos cabelos e te dou umas palmadas nessa bunda! – Ele rosna e eu o olho assustada, me dar umas palmadas na bunda? Ele não teria coragem. Quem ele pensa que é meu dono?

–Você não tem coragem. – Eu o desafio pela terceira vez, eu tinha até me esquecido dos quatro jovens que me olhavam sem entender nada.

–Quer pagar para ver? – Pergunta ele com deboche.

Eu olho novamente para os jovens que estavam me perseguindo, que estão agora parados olhando para mim, são quatro, eles estão quase como em posição de correr, realmente eles não devem ser boas pessoas, e não estão me perseguindo para ter uma conversa amigável. Christian me olhava como se eu tivesse problemas mentais, e pior que ele esta certo, até porque quem em sã consciência não iria aceitar ajuda de uma pessoa que apenas queria te salvar de uma rua escura, deserta, com quatro garotos de perseguindo prontos para te atacar? Ah... Eu é claro.

Bem que Kate sempre disse que eu teimosa, nas horas inapropriadas.

Enquanto Christian só tentava me ajudar eu estava agindo como uma verdadeira maluca, ele deve achar que eu não sou normal.

Eu saio do meu transe que estava e entro no carro de Christian, não queria correr o risco de ele levar á serio o fato de “me pegar pelos cabelos e me dar umas palmadas na bunda”, fecho a porta logo em seguida, Christian dá a ré, fazendo um movimento arriscado me seguro com força no banco, Christian faz o carro dar a volta em um círculo e acelerar para cima dos quatro jovens, ele não chegou a atropelar-los, ele apenas passou com o carro em alta velocidade perto deles, quase encostando para assustá-los, eu dei um leve grito quando Christian fez isso, assim como os quatro jovens que gritaram assustados.

Christian então dirigiu para fora daquela escuridão de rua, o que eu mentalmente agradeci, ele dirigia a 180 km por hora, e eu me segurei com as mãos no banco assustada com medo de cair, ele pareci possesso de raiva.

–Coloca o cinto. – Ordenou Christian e eu obedeci colocando o cinto, algo que eu me surpreendi, afinal eu nunca o obedecia, enquanto ele acelerava pelas ruas de Seattle.

Em poucos minutos depois ele freou bruscamente, se eu não tivesse com o cinto, provavelmente teria batido com força no vidro do carro.

Percebi que estávamos na frente de uma casa qualquer, Christian havia parado para respirar fundo e se acalmar, ele passava as mãos pelos cabelos de uma forma nervosa, com certeza estava arrependido de ter me salvado, ele colocou as suas duas mãos no volante apertando com força desnecessária.

–Você está bem? – Eu perguntei um pouco receosa.

–Não. — Responde ele com a voz rouca que me deu arrepios. –O que tem na cabeça Anastásia? Preferia ficar naquela porra de rua com aqueles quatro moleques do que entrar no carro comigo? – Explodiu Christian aos berros, ele estava muito puto, obviamente comigo.

Eu até entendia ele, eu havia agido de maneira infantil, afinal se Christian fosse mesmo pior que aqueles garotos, ele já teria feito algo comigo, como por exemplo, me estuprar, se bem que eu não reclamaria de ser estuprada por ele.

Meu Deus Anastásia! Que pensamentos são esses?! – Perguntou a razão. E novamente eu estava em uma discussão interna.

–Ora Christian, você também é um estranho. – Eu digo e ele aperta mais ainda se possível as mãos no volante. Eu não fazia a menor idéia do que estava acontecendo comigo, eu simplesmente estava desafiando ele.

–Então quer dizer que para você eu ainda sou um estranho?- Pergunta ele com a raiva nítida.

–Eu não quis dizer isso Christian, é que eu sinceramente não sei o que deu em mim por não entrar no carro. – Eu confesso, eu estou completamente perdida nessa confusão, o certo era para mim estar na faculdade a essa hora e não discutindo com Christian Grey em seu carro.

–Você é maluca Anastásia, maluca e absurda! – Ele rosna. –Você é sempre assim, desconfiada das pessoas? – Pergunta ele.

–Na maioria das vezes. – Eu respondo. Pela primeira vez eu via que ele era o certo da história, eu realmente tinha pensando na hipótese de ficar naquela rua do que entrar no carro com ele, eu realmente sou totalmente louca. –Me desculpe eu não queria irritar você, eu deveria ser eternamente grata pelo o que você fez comigo, por ter me salvado. – Eu digo e ele olha para mim com os olhos intensamente cinzas.

–Eu não estou irritado com você, estou irritado com aqueles pirralhos que queriam fazer algo de mal com você. — Ele diz de forma controlada, mas logo repensa. -Mas pensando bem, eu realmente estou com raiva de você não querer aceitar minha ajuda. – Ele diz.

–Obrigada por ter me salvado, e mais uma vez me desculpa por ter agido tão infantilmente. – Eu digo e Christian me surpreende passando o braço em volta do meu ombro.

–Tudo bem, só não sei se me perdoaria se algo de mal tivesse acontecido com você. – Confessa Christian.

–Se algo de mal tivesse acontecido comigo você seria a ultima pessoa a se sentir culpada Christian. – Eu digo o que ele teria a ver por nada em minha vida dar certo? –Vamos esquecer esse assunto. – Eu peço.

–Tudo bem, vamos esquecer. – Diz Christian, mas eu posso jurar que ele não vai se esquecer desse assunto tão fácil. – Posso te levar para casa ou você vai discutir comigo por isso também? – Pergunta Christian de forma debochada e eu rio.

–Não, dessa vez eu aceito que você me leve pra casa, mas só dessa vez. – Eu o aviso e Christian ri.

Teimosa. – Ele diz e eu rio.

Christian liga o carro dando a partida, ele pergunta meu endereço e eu o digo, o silêncio se instala no carro, e então Christian liga o rádio, fazendo o silêncio total se quebrar, o que eu agradeço mentalmente, pois ter duas pessoas no mesmo ambiente e ter um silêncio absoluto é totalmente constrangedor.

Safe and Sound (São e salvos) – Capital Cities.

Eu poderia levantar você

Eu poderia lhe mostrar o que você quer ver

E levar você aonde você quiser estar


Você poderia ser a minha sorte

Mesmo que o céu esteja caindo

Sei que estaremos sãos e salvos

Estamos sãos e salvos


Eu poderia encher o seu copo

Você sabe que o meu rio não vai evaporar

Este mundo que ainda apreciamos

Você poderia ser a minha sorte

Mesmo em um furacão de carrancas

Sei que estaremos sãos e salvos

Eu poderia lhe mostrar o amor

Em uma onda do mar de mistério

Você ainda estará de pé ao meu lado


Você poderia ser a minha sorte

Mesmo que estejamos mortos e enterrados

Sei que estaremos sãos e salvos


Estamos sãos e salvos

Por incrível que pareça a música até que fazia sentindo para o que estava acontecendo agora, o que me surpreendeu claro que tirando toda a parte de “amor” da música, mas a frase “Estamos são e salvos” era perfeito para o momento de agora.

O carro para e percebo que já estamos na frente do meu apartamento, eu olho para Christian que desliga o rádio, fazendo novamente o silêncio se instalar.

–Porque você não foi de ônibus para casa? – Pergunta Christian me surpreendendo.

–Bom, eu trabalhei até mais tarde hoje, e só iria ter ônibus uma hora depois, e eu já estava aborrecida por ter perdido a faculdade e então resolvi ir a pé. – Eu respondo.

–Porque trabalhou até tarde? – Pergunta Christian.

–Bom, digamos que minha chefa não gosta de mim e então ela aproveitou para me “punir” pelo atraso de ontem. – Eu respondo.

–Qual é o nome da sua chefa? – Pergunta Christian. Isso é um interrogatório? Eu tenho vontade de perguntar, mas me controlo.

–Ivone, por quê? – Pergunto.

–Nada. — Responde ele. –Você faz faculdade de que? – Pergunta ele, eu não queria responder todas essas perguntas, mas ele me salvou e de algum modo eu tenho que retribuir.

–Administração. – Eu respondo.

–Se você faz faculdade de administração porque não tenta trabalhar com algo do ramo? – Pergunta ele.

–Bom, eu enviei currículo para uma empresa chamada SIP, mas eles me rejeitaram, pois disseram que eu sou muito inexperiente para o cargo. – Eu respondo me lembrando da rejeição que sofri quando li aquela droga de e-mail.

–Eu estou precisando de uma assistente pessoal Anastásia. – Diz Christian de repente.

–E? –

–E que eu gostaria muito que você fosse trabalhar comigo. — Ele diz e eu paro de respirar literalmente.

–O que? Trabalhar, com você? – Eu pergunto sem acreditar.

–Exatamente. – Responde Christian.

–Eu não posso aceitar Christian, eu quero conseguir um emprego por mérito próprio. – Eu recuso.

–Oh Anastásia, eu tenho certeza que você é muito competente sim, por isso estou pedindo para trabalhar em minha empresa, e já vou avisando que eu não chamo qualquer um para trabalhar na House Grey. – Ele diz e minha boca se abre.

Ele é dono da House Grey? — Pergunto para mim mesma.

Mas é claro que é por isso o sobrenome Grey! – Respondo eu mesma para mim mesma.

Meu Deus que burra que eu fui!

–Você trabalha na empresa da frente da Starbucks? – Pergunto sem acreditar.

–Sim. – Responde ele. Só em pensar que poderíamos ter nos conhecido bem antes eu sorrio comigo mesma.

–Bom, mesmo assim senhor Grey eu não posso aceitar, me desculpe. – Eu digo e ele apenas assente.

–Eu já imaginava que você iria dizer afinal você é muito teimosa. – Diz Christian me fazendo rir.

–É então não vai rolar. – Eu digo e Christian bufa.

–É uma pena, eu iria adorar ter você trabalhando comigo. – Ele diz e eu coro.

–Eu acho melhor ir, já está tarde. – Eu digo.

–É verdade. – Concorda Christian.

–Obrigada por tudo Christian, se não fosse você eu nem sei o que seria de mim, então muito obrigada mesmo. – Eu o agradeço e Christian sorri.

–Não precisa agradecer Ana. – Diz Christian.

–Boa noite Christian. – Eu me despeço abrindo a porta do carro.

–Boa noite Ana, até amanhã. – Ele se despede. Até amanhã? Controlo-me novamente para não perguntar e desço do carro, e fecho a porta, acenando para ele que acena de volta, sorrio o vendo pela última vez, e dou as costas subindo para meu apartamento.

Com os meus pensamentos voltados para Christian.

O meu herói.

Por Christian.

Dei a partida do carro com o destino para voltar ao Escala, essa noite foi um tanto quanto surpreendente, eu salvei Anastásia de quatro moleques irresponsáveis que só Deus sabe que iriam fazer com ela, ah se eu pudesse tê-los na minha frente, eu os matava com as minhas próprias mãos.

Anastásia teimosa como sempre me surpreendeu me desafiando, eu fiquei com raiva, possesso quando constatei que ela preferia ficar naquela merda de rua a entrar no meu carro comigo.

Mas no final, quando eu a ameacei de dar umas palmadas naquela bunda deliciosa, ela pareceu acordar de algum transe e então ela entrou no carro, eu perguntei para elas coisas das quais eu já tinha respostas, mas quando ela me disse que a sua chefa não gosta dela, eu queria saber os motivos, mas evitei perguntar, pois eu já tinha outros planos para ela, quando ela recusou o meu convite de trabalhar na minha empresa, comigo, eu bufei de raiva, mas no fundo já esperava afinal mais teimosa que Anastásia não tem.

Quando ela se despediu de mim, eu quis segura-la pelo braço e pedi-la para ficar mais tempo, mas novamente resisti. E a deixei ir.

Mas de uma coisa eu tenho certeza, eu farei Anastásia trabalhar comigo, nem que para isso eu terei que jogar sujo.

Continua.

Notas finais
Jogar sujo? O que ele quis dizer com isso? Próximo capítulo vai sair da quarta ou na quinta! Comentem! Recomendem! Favoritem! Beijos.