Cinquenta Tons Mais Intensos.
5 Um dossiê cansativo.
Notas iniciais
Por Christian.
Raiva. Era tudo que eu estava sentindo quando cheguei à empresa, mas não era uma raiva comum, porque eu não estava com raiva de Anastásia, pelo contrário, eu estava com raiva de mim mesmo, por ter agido de forma tão estúpida e ridiculamente idiota com ela, era a primeira vez que eu iria falar com ela, a primeira vez que teria uma oportunidade de chegar mais próximo e conseguir algo, e eu coloquei tudo a perder, como eu pude ser tão burro?
É lógico que Anastásia ficou ofendida pelo jeito que cheguei nela, eu deveria ter agido com cautela, indo aos poucos, sendo apenas amigo, mas não, logo a convidei para um encontro, é lógico que ela deve ter achado que eu era um cafajeste de primeira mão que só queria levá-la para cama, bom eu quero levá-la para cama, mas não só por uma noite, e sim por muitas noites, e eu posso sentir, não sei com, mas eu posso sentir que ela é diferente de todas as outras, eu tenho quase certeza que quando eu tê-la pela primeira vez, eu não irei conseguir mais ficar longe dela, eu a quero tanto que chega a me assustar, como ela fez isso? Fazer-me desejá-la como nunca desejei ninguém?
Ah, mas se ela pensa que eu vou desistir ela está muito enganada, eu vou provar para ela que eu não sou como os caras cafajestes que só querem levá-la para um motel barato e descartá-la no dia seguinte, pelo contrário eu vou querer tê-la todos os dias no quarto que será dela quando ela for minha submissa, eu a farei sentir um prazer indiscriminável, eu a farei minha, e jamais irei descartá-la ou rotulá-la como "apenas uma”, pelo contrário era não será "apenas uma", ela será a única, tem algo de especial nela, algo que á três meses me encanta, e eu não consigo saber o que é.
Entro na empresa sem cumprimentar ninguém, meu humor não está muito bem, então acho melhor não mexerem comigo ou tentarem me tirar do sério porque hoje sem brincadeira nenhuma eu posso mandar um!
–Senhor Grey. — Me cumprimentou Andrea. -Você tem duas reuniões nos próximos dez minutos. – Ela me avisou.
–Desmarque, hoje ficarei apenas na minha sala assinando e avaliando contratos e propostas. — Eu aviso.
–Mas senhor... — Protesta ela e eu paro lançando um olhar mortal para ela que se cala e não completa a sua frase.
–Não tem, mas nem menos Andrea, você faz o que eu mando, está me ouvindo?! — Pergunto.
–S- Sim senhor. — Responde ela gaguejando e eu volto a andar em direção da minha sala, tirando o paletó jogando em qualquer canto, afrouxando a gravata e indo na direção das bebidas que á em um canto da sala, colocando um pouco de Whisky no copo e planejando em minha mente o que farei para conquistar Anastásia e tê-la para mim, pois ela é minha, apenas não sabe, mas muito em breve, ela irá saber.
O que eu posso fazer para ela não me rotular como cafajeste? Entregar flores é um ótimo começo, não? Que mulheres não gostam de flores? Mas tem um problema eu não sei o seu endereço, mas nada que Walch não resolva para mim.
Disco número de Walch que atende no segundo toque.
–Sr Grey. — Ele diz no outro lado da linha.
–Walch, preciso que faça um dossiê completo de Anastásia Rose Steele, quero pronto até hoje, lá pelas cinco horas da tarde. — Eu o ordeno.
–Sim senhor. — Diz Walch e eu desligo logo em seguida suspirando frustrado e ainda pensando em Anastásia e de como ela será perfeita para mim tanto na cama quanto com a sua companhia, ela é uma ótima pessoa para se conviver, não somente como uma submissa para dar prazer, mas também, por sua forte personalidade que me assusta algumas vezes, mas nada que eu não goste, pelo contrário eu gosto muito da personalidade de Anastásia, uma personalidade forte e independente, mas ao mesmo tempo meiga abusada e delicada e quando ela se tornar minha eu não quero mudar o jeito dela de ser, o que me surpreende porque com todas as submissas que tive, cerca de quinze, eu sempre ás ensinei como se comportar, a mudar o modo de ver as coisas do meu jeito, mudava a maneira de se vestir, mudava as opiniões de acordo de como eu gostava, mudava até o jeito de falar, e elas como boas submissas que eram se comportavam como eu ordenava.
Pego os relatórios que estão em cima da mesa tentando distrair minha mente, começo a ler um por um para ver se por alguns minutos eu conseguia manter meus pensamentos longe da morena dos olhos azuis.
Por Anastásia.
Eu trabalhava á toda hora, hora limpando mesa, hora decorando os bolinhos, atendendo os clientes e até ajudando Susie na cozinha, apenas para tentar tirar aquele cafajeste da minha mente, que não estava querendo sair.
Como que pode? Eu pensando nele? Ele é só mais um babaca querendo me levar para cama! Eu tentava colocar em minha mente enquanto limpava uma das mesas dos clientes que tinham ido embora.
–Ana! – Chama-me Kate falando mais alto e eu me assusto.
–Que?! – Pergunto.
–Eu te chamei umas três vezes, com o quê, ou quem, você está pensando? – Pergunta ela com um sorriso malicioso.
–Em nada. — Respondo.
–Sei aposto que você estava pensando no tal de Christian. — Diz Kate.
–Claro que não Kate, não viaja, eu não estou pensando nele, aliás, eu nem me lembrava mais que ele existia. — Digo mentindo.
–A ta, sei... Sabe você poderia parar de mentir um pouquinho, você sabe que eu sei quando está. — Diz ela.
–Para de me encher e vai trabalhar. – Digo indo até á mesa de um cliente e o atendendo, torcendo para que eu pudesse deixar Christian de fora da minha mente.
Por Christian.
Ás quatro e trinta e sete da tarde, Walch entra em minha sala com o dossiê de Anastásia na mão.
–Senhor Grey, como vai? – Pergunta ele me cumprimentando.
–Bem Walch e você? – Pergunto para ser educado.
–Estou bem senhor, aqui está o dossiê da senhorita Steele. — Diz ele me entregando um envelope amarelo.
–Obrigada Walch, pode se retirar. — Eu digo e ele assente saindo da sala me deixando sozinho, tiro do envelope amarelo o dossiê de Anastásia e começo á lê-lo.
Sábado Catorze de Maio de Dois Mil e Catorze.
Anastásia Rose Steele.
Nascimento: 10 de setembro de 1993 – Montesano – WA.
Endereço: 1114 SW Green Street, Apartamento 7 Have Heights, Vancouver, WA 98888.
Telefone Celular: 360 959 4352.
Número do seguro social: 987-65-4320.
Detalhes bancários: Banco Wells Fargo, Vancouver, WA 98888. Conta número: 309361: R$ 683,16
Ocupação: Estudante não graduada. WSU Universidade de Artes Literais de Vancouver. Estudante de Inglês.
Média de classificação: 4.0.
Contagem SAT: 2150.
Emprego: Starbucks – Seattle. – (Meio turno– Tarde/Noite)
Pai: Ray A. Steele.
Mãe: Carla May Wilks Adams.
Preferências políticas: Nenhuma encontrada.
Preferências Religiosas: Nenhuma encontrada.
Orientação Sexual: Heterossexual.
Relações: Solteira no momento.
Ela é solteira, perfeito para mim, saber que ela está totalmente livre para mim, não há ninguém nos impedindo, mas eu não posso esperar muito tempo, Anastásia é linda e devem ter muitos caras atrás dela, então eu não posso perder tempo, outro homem que agrade Anastásia e a perco eu não agüentaria perder-la e vê-la com outro, só em pensar em Anastásia e outro homem...
Ahg!
Eu mataria!
E na questão no trabalho, Anastásia trabalha demais e isso me preocupa trabalhar de tarde e de noite é muito, ela deve obviamente estar muito cansada, eu pude notar suas olheiras evidentes, e pior que depois do trabalho provavelmente ela ainda faz faculdade, piorando ainda mais. Ligo para Walch novamente e ele atende no segundo toque.
–Sim senhor Grey. — Atende ele.
–Walch não está constando no relatório da Senhorita Steele o horário da sua faculdade. – Eu o aviso com uma breve irritação na voz.
–Oh, me desculpe senhor Grey, eu me esqueci de constar, mas tenho a informação, achei que não fosse necessário para o senhor. – Explica ele.
–Tudo que se trata da Senhorita Steele é importante e necessário para mim Walch. – Eu digo já irritado.
–Claro senhor Grey, irá passar as informações agora mesmo. — Diz ele.
–Pode falar pelo telefone mesmo. — Eu digo.
–Ok Senhor, a faculdade de administração da senhorita Steele é às dez e meia da noite até as onze e meia da noite, depois da faculdade ela pega um transporte público e chega a sua casa em volta da meia noite ou às vezes até meia noite e quinze, quando o transporte demora mais para chegar. – Diz Walch e minha boca se abre.
–Ok Walch, obrigado. — Eu o agradeço desligando logo em seguida.
Meu Deus, ela trabalha das duas da tarde ás nove da noite, sete horas de trabalho pesado, como garçonete e ás vezes como ela própria disse ajuda na cozinha, depois ás dez da noite tem que ir para faculdade ficar por lá até as onze e meia da noite voltar de ônibus , um transporte horrível, que deve sempre estar lotado, e depois chegar em casa já de madrugada e fazer tudo novamente no dia seguinte.
Ela faz faculdade de administração, ela poderia muito bem trabalhar na minha empresa, ela poderia ser minha secretária, eu não pensaria duas em demitir Andrea e colocar Anastásia no lugar. Mas ela poderia ser minha assistente pessoal e seria muito melhor ter ela sempre ao meu lado, sempre. Em todos os sentidos, apesar de eu ter uma regra clara de não foder o pessoal na empresa, eu com toda certeza abriria uma exceção para Anastásia, mas para Ana, e somente para ela.
É isso, eu a colocaria na minha empresa, primeiro tornaria seu amigo, a colocaria aqui dentro da empresa e começaria meu plano de conquistá-la, eu poderia levar o tempo que quiser, mas eu a teria para mim, e o melhor além de ser minha submissa ela sempre estaria ao meu lado, eu poderia sempre ficar ao seu lado de olho para nenhum urubu pousar em cima do que é meu!
Respiro fundo e olho para o relógio, ainda são quatro e quarenta e cinco, eu não posso novamente ir á Starbucks e encher novamente Anastásia, se eu tenta-se algo novamente ela me expulsaria a ponta pés, isso quer dizer que vou ter que esperar até amanhã, o que me incomoda muito, pois eu simplesmente odeio esperar, a única causa que me faz esperar é porque vale muito á pena.
Porque Anastásia vale muito á pena.
{...}
Lá novamente estava eu, observando Anastásia sair da Starbucks e pegar o ônibus que estava lotado para ir para a faculdade, ela estava cansada e isso claramente em seus olhos.
Ah como eu queria que ela fosse minha para cuidar, para reconfortá-la e principalmente para livrá-la desse emprego cansativo que está fazendo mal á ela. Suspiro frustrado pegando meu paletó e indo embora da empresa.
{...}
No dia seguinte acordei mais tarde para ir trabalhar, eu não podia negar que estava ansioso novamente para ver Anastásia.
O dia todo ocorreu tranquilamente, quando estava perto das duas, eu estava lá na janela observando Anastásia andar com calma e tranqüilidade ao meio das pessoas que corriam desesperados, novamente a expressão de cansada estava em seu rosto, tão nova e já tendo uma vida difícil, hoje ela estava mais linda do que nunca em seu jeans escuro, um All Star preto e blusa de manga comprida com um decote V, e sua habitual mochila preta. Ela não tinha um pingo sequer de maquiagem, seu rosto estava ao natural, de maneira linda como sempre.
Assim que ela desapareceu da minha visão eu sentei novamente na cadeira, esperando assim uns quinze minutos até me levantar pegar meu paletó, minha carteira, e descer em direção da Starbucks, eu iria novamente lá, ela poderia me achar um insistente, mas assim seria então.
Novamente dispensei Taylor e fui a pé, quando cheguei à frente da Starbucks respirei fundo antes de entrar. E assim que entrei senti vários olhares em cima de mim, principalmente o de Anastásia, que me encara com um misto de surpresa e raiva.
Por Anastásia.
Ele voltou! – Gritava o coração.
Para tentar de levar para a cama! – Gritava a razão.
E á quem eu iria escutar?! Ele realmente tinha voltado como Kate disse, mas provavelmente apenas para tomar um café, afinal ele não conseguiu me levar para cama, e até parece que ele iria voltar novamente por minha causa depois de tudo que eu lhe disse, tratei de me recompor, já que seu olhar estava em cima do meu, eu virei ás costas para ele indo atender outro cliente, mas nenhum precisava de atendimento, pelo canto do olho vi que ele se sentou na mesma mesa de ontem, respirei fundo quando ele chamou com os dedos alguém para atender, e todas as garçonetes estavam ocupadas, apenas eu estava livre, mas eu não queria ir até ele, não queria atende-lo, pois se a intenção dele é me ignorar e me humilhar ele está muito enganado.
–Anastásia! – Repreendeu minha chefa que estava atrás de mim. –Não está vendo que tem cliente para atender? Vá lá agora! – Ela me manda e eu infelizmente sem poder correr para qualquer outro lugar, vou atendê-lo.
Caminho devagar em sua direção, não querendo chegar nunca na sua mesa, assim que paro na sua frente, ele sorri para mim, e não me olha de maneira arrogante como achei que iria fazer.
–Olá Anastásia. — Ele cumprimenta.
–Olá Senhor Grey. — Eu o cumprimento secamente. –O que o senhor vai querer? – Pergunto.
–Primeiramente pedir desculpas. — Ele diz com um sorriso um pouco envergonhado. –Me perdoe por ter agido como um babaca com você, só não quero que você pense o pior de mim, eu quero ser seu amigo Anastásia de verdade, não quero forçar a barra de nada, e então, você me perdoa e aceita ser minha amiga? – Pergunta ele me deixando de boca aberta.
Eu respiro com dificuldade e sinto minhas pernas tremerem, eu não faço a menor idéia do que responder ou de como agir, eu apenas queria fugir por um motivo desconhecido esse homem está mexendo comigo de maneira estranha e incorreta, e eu não estou gostando nada disso, afinal para ele provavelmente eu sou só mais uma, não sou?
Continua.
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