Cinquenta Tons Mais Intensos.
21 Um diálogo amigável ou quase.
Notas iniciais
Por Christian.
Eu me encontrava nesse exato momento no banco de trás do meu Audi A3, com Taylor dirigindo com certa pressa até o apartamento de Anastásia, eu de vez em quando ria comigo mesmo, eu jamais na noite maravilhosa de ontem me imaginei nessa situação, Anastásia fugir assim de mim, me deixando sozinho, atordoado, frustrado, confuso, larguei todos os meus compromissos desta manhã apenas para ir até o seu apartamento, e tentar entender o porquê de me evitar, o porquê de fugir, de não vir trabalhar, se ela pedir a demissão por conta da noite de ontem, eu jamais darei , farei de tudo, mas não darei a demissão se ela quiser.
Porra!
O que eu fiz de errado na noite de ontem? Não fui bom o suficiente para ela? Falhei completamente? Fui tão mal assim na cama? A ponto dela não querer nem mais olhar na minha cara e fugir de mim? Ela deve estar se remoendo agora arrependida de ter perdido a sua virgindade comigo, eu devo ter sido um fracasso para ela, mas ela gemeu em meus braços, e teve dois intensos orgasmos, será que ela não achou o suficiente? Mas ela nunca foi tocada intimamente para saber se o que eu proporcionei á ela foi melhor ou pior.
Então aonde será que eu errei?
Será que foi no contrato? Foi uma proposta indecente o que eu fiz para ela? Algo que ela jamais faria em sua vida? Ela se sentiu constrangida, ofendida, e resolveu fugir, apesar de termos tido a nossa primeira noite ontem não consta que ela vá realmente ser minha.
Porra!
Se ela não quiser ser minha submissa e não querer nada no contrato, eu não sei como irei reagir, talvez eu me descontrole e faça alguma merda, eu não vou saber me controlar, eu a quero para mim, já deixei bem claro, e se ela não aceitar o acordo, terei que ser obrigado á tomar outras atitudes como conquistar a sua confiança até ela aceitar, ou então fazer outra proposta, algo mais leve, um novo contrato, ou quem sabe ela possa ser a minha namorada e...
Mas que merda eu estou pensando?
Eu sempre deixei bem claro para mim mesmo como uma regra que eu jamais teria namoradas, em hipótese alguma nenhuma submissa iria ter algo á mais comigo, e agora eu estou aqui, pensando seriamente em pedi-la em namoro apenas para tê-la perto de mim, nem que para isso eu precise sobreviver á sexo baunilha.
Céus!
Eu devo estar enlouquecendo, essa é a única explicação que há, pois não á outra, eu deveria agir com coerência e como qualquer outro dominador reagiria, se a submissa não quiser a proposta o dominador simplesmente procura por outra submissa que queira, mas agora que eu tive Anastásia no calor dos meus braços gemendo o meu nome, não é agora que eu irei deixa-la sair da minha vida como se ela fosse uma foda qualquer e pronto.
Sem contar que eu não quero qualquer outra submissa, eu quero Anastásia, e eu vou ter, nem que eu use os argumentos mais baixos, as ameaças mais baixas, nem que eu seja baixo com ela, mas eu vou tê-la para mim.
{...}
Assim que cheguei ao prédio de Anastásia, não esperei Taylor abrir a porta para mim, ao contrário, eu saí disparando como um vulcão para dentro do prédio, o seu porteiro que eu á conhecia, assim que em avistou, arregalou os olhos surpreso, eu podia decifrar bem os seus sentimentos, gente como ele são expressivas demais, são como livros abertos, que eu posso ler sem me preocupar, pois suas expressões definem o que estão pensando, menos com Anastásia, com Anastásia não é assim, Anastásia não é tão expressiva como eu gostaria que ela fosse. Ler Anastásia é difícil.
–Anastásia Steele está? – Eu pergunto sem rodeios.
–Sim senhor, vou avisá-la que o senhor está aqui. – Diz o porteiro.
–Não, não é preciso avisar, eu vou subir direto. – Eu digo já caminhando para o elevador, enquanto o porteiro me encara de boca aberta, eu não quero que Anastásia saiba que estou aqui, pelo contrário, eu farei uma surpresinha á ela.
Por Anastásia.
Quando Kate saiu para trabalhar eu me senti sozinha, ela insistia em dizer que eu estava diferente, ficou preocupada porque eu não fui trabalhar, apenas disse que estava com muita dor de cabeça, e que não havia condições, ela me receitou um remédio, eu agradeci, e ela se despediu indo para o trabalho, e eu sentia o seu olhar desconfiado e curioso em mim, ela sabia que de fato algo de diferente em mim, havia acontecido.
Assim que ela passou por aquela porta a fora, minha mente começou a trabalhar á mil, apenas com pensamentos rondando Christian Grey, a noite de ontem havia sido incrível, realmente sexo era muito bom, e parecia ser ainda melhor por ser com Christian, ele foi carinhoso e atencioso, pois era a minha primeira vez, ele teve calma e paciência que poucos tem, mas na hora que ele já estava dentro de mim, ele mostrou o seu lado animal, que eu meio assustada, descobri que adorei, a sua pegada forte, o seu jeito protetor, insistente e meio bipolar de ser.
Mas nada vai mudar o fato dele me querer apenas como uma submissa, um objeto sexual que ele só tem para saciar o seu prazer, eu não imagino meu primeiro relacionamento dessa maneira, eu sei como são os homens e eu não quero me magoar.
A minha vida toda eu fui fria, e me fechei para todos os homens que eu sabia que apenas me queriam por uma noite, e justamente me deparo com um homem desse porte tentando me ter, mas havia exceções de Christian, ele não me queria apenas uma noite, ele me queria todas as noites, como sua mulher, como seu brinquedinho sexual, ele não podia saber, mas isso doía em mim, eu acreditei que pudéssemos ter algo á mais, e mais uma vez fui ingênua, boba, tonta, é lógico que ele não quer esse mais, e nem vai querer, ele não é homem desse estilo.
Digamos que Christian tem um estilo variado de tratar as mulheres, muito variado, eu apenas gostaria de saber como ele entrou nesse mundo da Dominação e Submissão, eu já deveria ter desconfiado dele, afinal, desde que eu o conheci, eu percebi como ele é sério e controlador.
E é por isso que novamente vou me fechar para os homens, inclusive para Christian Grey, eu preciso vencer esse meu desejo por ele.
{...}
Eu estava lendo o livro Livre (Free) de Cheryl Strayed quando a campainha tocou, eu arquei minha sobrancelha confusa, o interfone não tinha tocado, porque o porteiro não avisou que iria subir alguém?
A campainha tocou de novo, e eu bufei irritada, colocando o livro no sofá e tirando o roupão infantil que eu estava vestindo, ficando apenas de calça de moletom, e uma blusa de mangas preta, eu fui até a porta, pensando que bem que poderia ter olho mágico na porta.
Girei as chaves abrindo a porta, junto com a minha boca, que estava totalmente aberta vendo quem é que estava ali na minha frente, com o rosto sério, a feição fechada e as mãos também fechadas em punhos.
Christian Grey.
Mas que merda, o que ele está fazendo aqui? Ele deveria estar lá, na empresa, e não aqui, e eu podia jurar de pés juntos que ele não iria vir atrás de mim, pois afinal eu para ele, só passei de uma boa foda.
–Olá Anastásia, não vai me convidar para entrar? – Pergunta ele ainda sério, sem nenhum vestígio de sorriso em seu rosto.
–O que você faz aqui? – Eu pergunto ignorando a sua pergunta, ele revira os olhos e entra em meu apartamento me empurrando levemente.
–O que eu faço aqui? Bom, depois da noite que tivemos ontem eu acho que mereço uma explicação por você ter fugido de mim. – Ele diz com evidente ironia em sua voz, eu não conseguia acreditar, ele não havia gostado que eu havia fugido dele? Mas eu sou apenas mais uma foda para ele, não sou? Porque então ele está agindo como se tivesse todo ofendido?
–Eu não fugi. – Eu menti descaradamente.
–Por favor, Anastásia, não minta para mim. – Ele pediu. –Eu sei que você fugiu, e eu não gostei nada disso, você sabe como eu me senti quando acordei de manhã sozinho na cama? Sabe como fiquei furioso imaginando mil coisas por você ter saído sem me dar uma única explicação? Depois da noite maravilhosa de ontem. Diga-me Anastásia, a noite de ontem para você não significou nada? – Ele perguntou, e eu senti certo tom de medo em sua voz, apesar de perceber que ele mantinha ela firme e dura.
Mil coisas se passaram na minha mente novamente, ele então não havia gostado da minha fuga, ele achou a nossa noite maravilhosa, e agora está me perguntando se para mim não significou nada, como ele pode fazer uma coisas dessas? Confundir-me completamente?
–Claro que não Christian, a noite de ontem significou muito para mim, mas eu já deixei bem claro desde ontem á noite que eu não irei ser a sua submissa, a noite de ontem foi perfeita, mas isso não muda o fato que eu não vou ser o que você quer que eu seja então é melhor esquecermos. – Eu digo desabafando de vez o que queria falar, e ele me avaliou, eu podia perceber que seus pensamentos estavam longe.
–Se a noite de ontem significou muito para você, então porque você quer que eu esqueça? – Ele pergunta se aproximando de mim.
–Porque apesar de ter sido maravilhosa a noite de ontem, eu não vou ser a sua submissa Christian, e quero deixar isso claro. – Eu digo afirmando. –Então esqueça que um dia houve algo entre nós, e procure uma pessoa que aceite e queira as suas condições, submissas especializadas e experientes, eu não sou experiente Christian, não posso dar o que você quer. – Eu digo finalizando.
–Entenda uma coisa Anastásia, você é o que eu quero, eu não quero submissas experientes e especializadas eu quero você, e porra não me peça para esquecer á noite de ontem porque não tem como, a noite de ontem foi a melhor noite que já tive como você quer que eu esqueça?! – Ele pergunta elevando a voz e ficando ainda mais perto de mim, eu podia sentir a sua respiração muito próxima.
–Mas Christian eu não posso... — Eu começo a dizer, mas sou interrompida por Christian.
–Anastásia, você pode tentar ser a minha submissa, eu prometo que irei com calma, muita calma, nem que para isso eu passe os primeiros três meses á base de sexo baunilha, porque sexo tradicional com você é a melhor coisa que eu já experimentei, imagine quando experimentarmos outras coisas. – Ele diz, e um gemido inevitável escapa dos meus lábios.
–Mas Christian, submissa tem todo esse esquema de apanhar, eu não quero apanhar Christian. – Eu digo sussurrando.
–Eu não vou bater em você Anastásia, eu não irei encostar um dedo em você, ao menos que você peça. – Ele diz, e eu tento não sorrir.
–Você dessa maneira está modificando todas as regras do contrato. – Eu comento, e Christian dá um meio sorriso.
–Por você Anastásia, apenas por você eu estou modificando o contrato, e me modificando. – Ele diz.
–Não. – Eu sussurro quando ele pega minha cabeça entre as suas mãos. –Eu não quero você mude se modifique por mim. – Eu digo.
–Mas eu vou modificar por você sim Anastásia, eu vou fazer você ser minha! – Ele rosna e eu ando para trás, o sentindo avançar em minha direção, até que sinto minhas costas se chocarem com a parede, eu estou presa.
–Christian, por favor, se afaste, eu não quero. – Eu sussurro.
–Quer sim, assim como eu quero, mas antes de qualquer coisa eu quero a sua permissão, e que você me dê uma à honra de chamá-la de minha namorada. – Diz Christian fazendo meu coração perder uma batida.
Continua.
Fale com o autor