Cinquenta Tons Mais Intensos.
20 Um dia de arrependimentos.
Notas iniciais
Por Anastásia.
Acordei sentindo meu corpo um pouco dolorido, minhas pernas estavam cansadas, e minhas pálpebras não queriam se abrir, mas ainda assim eu me sentia plena e satisfeita, algo do meu corpo estava relaxado me dando uma sensação de conforto impressionante, eu bocejei tomando força e coragem para abrir meus olhos e me levantar, já que acordada eu já estava. Contei mentalmente até dez, e me levantei sentando na cama, abrindo meus olhos logo em seguida, a realidade bateu em mim com força e minha boca se abriu, ao perceber onde eu realmente estava, pois por uma fração de segundo quando eu estava com os olhos fechados, eu me imaginei estar em minha cama, em meu quarto, mas estava claro que ali era bem diferente da minha cama, e do meu quarto, até porque somente o quarto que eu estava, era o tamanho de todo o apartamento que divido com Katherine.
O quarto era enorme, pelo menos em meu ponto de vista, era bem fechado e escuro, não tinha muitos atrativos, a grande cama no qual eu estava deitada ocupava grande espaço daquele lugar, as janelas que estavam fechadas com curtidas pretas pesadas, eram também enormes, e se eu as abrisse uma grande claridade iria iluminar o quarto, e irritar os meus olhos, o tapete cinza de felpudo cinza, dava contraste com as paredes da mesma cor, abajures brancos no lado de cada cama, eram um dos únicos atrativos brancos naquele quarto, combinando com o conjunto branco dos lençóis, ali era tudo tão morto, sem vida, sem cor, sem otimismo, era tudo tão cinza, esse quarto me deprimia olhando agora detalhadamente e á pouco luz do dia.
Eu sempre fui e ainda sou uma pessoa que gosta de cores, muitas cores e atrativos, para que me de animo e felicidade, cores mortas e sem vidas, cores frias, nunca mexeram comigo, elas me causavam um grande desafeto e pessimismo, eu não gosto disso, mas isso é muito a cara de Christian.
Christian!
Olho para o lado direito da cama, vendo toda a beleza de Christian ao meu lado, todo o seu “poder” que agora está adormecido ao meu lado, com um biquinho perfeito e adorável nos lábios, seu corpo está coberto da cintura para baixo, apenas seu peitoral está exposto, seu belo peitoral que infelizmente está cheia de cicatrizes indesejáveis, ele deve ter tido um passado difícil, talvez seja por isso que ele é tão frio e arrogante, mas eu sei que ele pode ser romântico, sensível e um homem perfeito quando quer.
Homem perfeito? Céus! O que merda eu estou pensando, eu não posso, apesar de ter sido perfeita a noite anterior, eu não posso me apegar á ele, e ter sentimentos, não posso, ele me quer somente como sua submissa, e não como uma namorada ou algo á mais, eu não quero ser mais uma de sua lista de prazer, não sou desse tipo, e não posso ser desse tipo, e muito menos não quero ser esse tipo de mulher, e vou deixar claro isso para Christian.
Me levanto pegando as minhas roupas que estão espalhadas pelos cantos dos quartos, com dificuldade eu encontro cada peça, meu sapatos, meu vestido, á única coisa que não acho é a minha calcinha, que resolvi ficar sem, não posso mais perder tempo aqui, tenho que ir embora antes que Christian acorde e tente me convencer do contrário, olho pela última vez seu perfeito corpo adormecido, ele tinha um vasto sorriso nos lábios.
Eu suspiro, seria tudo mais fácil se ele não tivesse esses gostos peculiares, tudo seria mais fácil para mim, e até mesmo para ele, para nós, mas não, ele tem que ter esses gostos diferenciados, e eu tenho que ser a sua “escolhida”, mas ao contrário do que ele pensa, ou acha, eu não vou ser o que ele quer, ele não vai conseguir me convencer de ser isso, porque eu não vou deixar, eu vou me afastar, vou fugir, e fingir que nada nunca aconteceu, e não posso permitir trabalhar junto á ele depois da noite que tivemos ontem, eu me vejo sem saída, vou ter que me demitir com que cara eu olharei para ele todos os dias depois de tudo que fizemos nessa cama? Ele foi o homem que tirou a minha virgindade, o meu chefe!
–Me desculpa Christian, mas com essas condições que você me propôs, não ira poder acontecer nada entre nós dois. – Eu sussurro para ele que ainda dorme, eu passo minha mão com muita delicadeza em seus cabelos que estão revirados. –Adeus Christian. – Eu sussurro em seu ouvido e dou um beijo em sua bochecha, corro para fora do seu quarto, descendo as escadas e me encontrando na espaçosa sala, vejo uma senhora com um pouco de idade sentada lendo um livro, ela me vê e me olha assustada e surpresa, eu coloco uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, mordo os lábios corando envergonhada. – Com licença. – Eu sussurro dando uma corridinha para a porta da saída, e saindo de lá com o coração calado e a razão falando mais alto.
Por Christian.
Acordei me espreguiçando e com um sorriso de lado á lado, felicidade me dominava , era o que eu estava sentindo agora, a noite anterior com Anastásia tinha sido o melhor sexo da minha vida sexual, e o mais incrível é que mesmo sendo sexo baunilha, ele conseguiu ser o melhor sexo, e superar todos os outros que já tive, até mesmo com Elena.
Acontece que com Anastásia tinha algo especial, foi algo muito prazeroso, algo que encheu meu ego, minha felicidade e subiu meus conceitos em relação á ela, ela tinha que aceitar ser minha, ela vai ser a melhor submissa que já tive, eu estou viciado nela, não vou larga-la nunca mais.
Passei a minha mão procurando o corpo macio e quente de Anastásia, mas minhas mãos só encontraram o nada, o vazio, os lençóis frios da cama.
Cadê ela?- Pensei comigo mesmo.
Me levantei da cama em um pulo ficando sentado nela, passei a mão em meus cabelos desconcertado e nervoso, aquela sensação de abandono que eu sentia muito quando era criança tomou conta de mim, era aquela sensação de que ninguém que eu queria me queria, aquela sensação que eu não sou bom suficiente para as pessoas continuarem comigo, aquela sensação que eu sentia muito quando fui adotado por Grace.
Fiquei de pé em um segundo, enrolei o lençol branco na minha cintura, e fui até o banheiro do meu quarto para procurar Ana, entrei e ela não estava lá, passei as mãos novamente em meus cabelos, a sensação se apertou.
Se ela não está aqui, pode ser provável que esteja lá embaixo, uma esperança cresce em mim.
–Ana! – Eu a chamei. –Ana! – A chamei novamente e nenhuma resposta, com o lençol ainda enrolado em minha cintura, eu sai do meu quarto, e comecei a descer as escadas indo para a sala e para cozinha procura-la, na sala ela não estava, e na cozinha estava Gail que me olhou da cabeça aos pés com os olhos arregalados, espantada por eu aparecer na cozinha com aqueles trajes.
–Bom dia senhor Grey. – Ela me cumprimentou.
–Bom dia Gail. –Eu a cumprimentei. –Por acaso a senhorita viu uma moça hoje por aqui? Morena de olhos azuis? – Eu pergunto.
–Sim senhor, era de manhã bem cedo quando eu a vi descendo as escadas e saindo. – Ela respondeu e meu coração se apertou, descendo as escadas e saindo? Assim, sem mais nem menos? Como uma qualquer? Como uma foda qualquer? Como ela mesma havia dito que não queria ser? Porque ela fez isso? A noite ontem foi tão especial, será que só para mim foi tão bom? Para ela não?
–Ela disse algo? – Eu perguntei.
–Bom, ela só disse “com licença” para mim antes de sair praticamente correndo porta á fora. – Ela responde.
–Entendo. – Eu digo comigo mesmo. –Obrigado. — Eu agradeço.
–Não há de que senhor Grey, o que o senhor irá querer para o café da manha? – Ela pergunta.
–Nada Gail, vou direto para a empresa, com licença. – Eu digo voltando para meu quarto para tomar um bom banho, quando eu chegasse à empresa, Anastásia irá me pagar por me dar uma noite de sexo inesquecível e sumir assim dessa maneira no dia seguinte.
{...}
Cheguei á empresa ás pressas eu mandei praticamente Taylor “voar” com o carro, o que ele estranhou mais assim fez, fazendo nós chegarmos rapidamente na empresa, eu não cumprimentei ninguém, eu passei reto indo direto para a minha sala, Andrea falou algo para mim que eu ignorei entrando diretamente na sala, que estava vazia.
Vazia!
Onde está Anastásia?! Ela não pode fazer isso, não comigo, não pode fugir, não depois de ontem, eu não quero sentir aquela sensação de abandono, não por ela, afrouxei minha gravata que parecia que estava me incomodando e fui falar com Andrea, ela tem que saber algo sobre Anastásia, tem! Se ela não souber, eu sou capaz até mesmo de demiti-la da tamanha raiva que estou raiva e confusão nublam a minha mente.
–Andrea. – Eu a chamo que se levanta em um instante.
–Sim senhor? – Ela pergunta.
–Você poderia me dizer onde está Anastásia? Porque ela não veio hoje? – Eu pergunto.
Porque ela está me evitando? Porque eu estou sentindo essa sensação descontável? Porque estou tão mal com isso? Como um simples sexo baunilha conseguiu ser o melhor que já tive? – Eu tinha vontade de perguntar isso, mas duvido que ela saiba me responder.
–Anastásia ligou dizendo que não estava se sentindo bem para trabalhar hoje senhor Grey. – Respondeu Andrea.
Não está se sentindo bem? Ou só um motivo para me evitar? Uma forma de fugir. Fugir como ela sempre fugiu desde o começo do nosso “relacionamento”, só que agora é tudo muito diferente.
A raiva me consumiu como ela pode fazer isso? Fazer isso com o que eu sinto em relação á ela? Evitar-me, fugir como se tivesse apenas transado e pronto, acabo, uma simples transa, é assim que ela vai me tratar? Como o cara que tirou a virgindade dela e pronto, agora vai poder transar com outros caras, simplesmente me dar um fora, largar o emprego, e pronto, está tudo resolvido?
Eu não vou ser qualquer coisa na vida de Anastásia, não vou ser apenas o cara que passou na vida dela como uma foda qualquer, mas não vou mesmo!
A raiva se instalou, e eu precisava desconta-la de alguma forma, acabei batendo com mais força que o normal o braço na mesa de vidro de Andrea, que se assustou e deu um leve “pulo”.
–Cancele todas as reuniões Andrea. – Eu ordeno.
–Sim senhor. – Ela responde.
–Eu irei demorar para voltar. – Eu aviso me recompondo, e indo para o elevador, pego meu Black Berry no bolso, e disco o número de Taylor, ordenando á ele que prepare o Audi, pois estou saindo.
Estou indo para a casa de Anastásia, ela tem a obrigação de me dar explicações, pois eu não vou deixá-la sair da minha vida sem antes ouvir uma explicação da sua boca.
Continua.
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