Cinquenta Tons Diferentes
5 ...Flying...
Notas iniciais

Capítulo 3
Flying
Não sei porque ou como, mas eu tinha ficado paralisada ao ver os belos olhos de vários tons de cinza. E eu só sabia disso porque escutava, bem ao fundo, longe dos meus pensamentos principais, a voz de Katherine me chamando repetidas vezes ao mesmo tempo em que balançava levemente meu ombro. Mas mesmo que eu soubesse que tinha que virar e a fitar, dar realmente atenção a ela, afinal era a minha primeira e provavelmente única amiga aqui, eu não conseguia e sinceramente, nem queria mover meus olhos.
Deve ter durado cinco ou menos segundos o tempo em que nos olhamos, e como começou, do nada e sem querer, acabou, do nada e sem querer mesmo.
–Ana!- Olhei para Katherine, ou Katy, e virei levemente a cabeça.
–Sim?- Eu estava lerda em raciocinar. Não sabia o que pensar ou o que fazer, então apenas olhava para seu rosto ainda pensando em segundos atrás quando eu estava no mundo perfeito onde tudo é feito de nuvens e não existe chão. Porque eu me sentia voando.
–”Sim”? Onde você estava? Marte?- Perguntou sorrindo da minha parada abrupta. Me envergonhei por ter parado de a escutar e de ficar, realmente, ao seu lado. Tinha certeza que estava corada da cabeça aos pés.- Ai, ai… Vamos?- Perguntou se virando para tomar a direção a qual irmos. Assenti com a cabeça concordando com sua ideia de sair dali, porque eu não sabia se seria capaz de prestar atenção nela se ficasse no mesmo “lugar” que o desconhecido.
–Então… O que estava dizendo?- Perguntei
–Não!- Olhei para José que estava ao meu lado no momento, estranhando sua reação diante da pergunta que eu fiz.- Droga, Ana!- Ele disse antes de eu olhar para Katherine, Katy, buscando explicação.
–Bem.. Eu estava contando para vocês, antes de você ir para o mundo da Lua, sobre o meu novo namorado. — Minhas sobrancelhas subiram ao mesmo tempo em que minha boca dava uma leve abrida. Eu não estaca chocada por Katy ter um namorado, e sim por eu não ter pensando que ela o tinha. Quer dizer. Ela era uma linda loira com o corpo perfeito e muito animada.
Qualquer sortudo veria que ela era uma menina 100%, ou quase.
–Hm.. Qual é o nome dele?- Perguntei curiosa. Vi quando sua boca ia se abrir, mas antes que pudesse me dar um simples nome, ela fez uma careta e levou sua mão até o bolso traseiro de sua calça jeans. Esperei para que ela terminasse de ver o que estava acontecendo.
–Ohh! Desculpe, Ana!- Pediu e bloqueou a tela do celular, botando-o no bolso novamente.
–Está tudo bem?
–Está. Meu namorado acabou de chegar e quer ajuda para se arrumar nos dormitório, já que ele ficará por aqui.- Disse enquanto começava a andar na outra direção a que íamos- José, termine o tour com a Ana.- Disse e se virou para corre balançando a mão em um tchau.
Continuei olhando para sua imagem até que dobrou a direita e eu a perdi de vista. Esperei que José começasse a falar alguma coisa, mas ele apenas ficou parado e quando me virei para fitá-lo vi que ele tinha um pequeno sorriso no rosto.
–O que?- Perguntei
–Katy é Katy. E quando o namorado de Katy chega…. digamos que ela fica com calor.- Disse.
Demorei um pouco para entender e quando enfim entendi o que significava sua frase, corei. Era impossível alguma adolescente da minha idade ser tão inocente assim, certo? Mas aqui estou eu, provando que mesmo quando a maioria das pessoas vivem falando da palavrinha com “s”, eu demoro a entender duplo sentido.
–Você fica uma fofura quando corada.-José riu e eu fechei meu rosto.
–Para onde vamos agora?- Perguntei
–Vamos continuar andando e ver onde paramos.- Disse e continuamos a andar enquanto ele me explicava.
[...]
Já eram pelo final das quatro aquando acabamos de dar o tuor, eu conheci todas as salas e mesmo que eu ache que amanhã eu não irei lembrar de quase nada que eu vi ou escutei de José, eu tinha gostado.
Parte disso era porquê eu sempre fui uma pessoa curiosa. E as vezes quando eu tenho um surto de querer ver e saber das coisas que eu não deveria me intrometer eu tento me lembrar que meu pobre gatinho tinha morrido de curiosidade quando eu tinha 5 anos de idade, então.. Era melhor eu parar com o que estava prestes a fazer.
Eu estava cansada e faminta.
Eu pegaria um táxi para o meu apartamento de ele não ficasse no final na esquina e eu tivesse dinheiro no bolso. Andei até lá, reparando que a paisagem era interessante.
Não era linda, cheia de árvores ou flores nas ruas, mas algumas pequenas flores cresciam em volta das poucas árvores do local. Tinham bastante casas e eram todas ou a maioria pintadas de uma cor meio chamativa, como azul claro. A rua era calma e tranquila, algumas pessoas passavam por ali com sacos, o que deu para eu deduzir que deveria haver um mercadinho pelo local, eu teria que pesquisar sobre isso, afinal, ainda tinha que comprar muita coisa para o apartamento.
Cheguei em menos de meia hora ao local, subi até o andar e entrei.
Algumas das caixas da mudança ainda estavam fechadas e empilhadas no cantinho, eu não sabia o que tinha dentro de cada uma, mas não importava, descobriria quando fosse arrumar. eu tinha limpado o apê e tinha abastecido com alguma pouca comida, mas olhando bem, tinha um aspecto meio vazio e isso eu iria ter que preencher quando fosse comprar as coisas.
Deixei a mochila no sofá e fui até a cozinha em formato americana que era ligada na sala. Abri a geladeira pegando o pote de uvas e fui em direção ao meu quarto. Não preciso dizer que me joguei com tudo o que tinha na cama, certo? Eu estava cansada.
Peguei o notebook que tinha ao meu lado e liguei. Eu não tinha nada a fazer no momento. Eu separaria, provavelmente, minha roupa para amanhã e faria a uma janta rápida ou apenas pediria pizza mais tarde, então ou eu usava a tecnologia para me tirar do tédio, ou eu ficava rolando para lá e para cá na cama ao mesmo tempo em que colocava uvas na minha boca e fingia ser um cleópatra… Na hora do tédio essas coisas acontecem.
A tela se resumia na imagem de minha mãe e eu quando tínhamos ido a um acampamento de verão na minha nona série. Ela tinha insistido que queria ir para que pudéssemos nos divertir juntas ou ela ficaria em casa sem nada para fazer e ela não queria, mas mesmo que ela dissesse isso e eu soubesse que era verdade, eu não acreditava completamente. Afinal, eu não tinha amigos naquela época, somente Henry que não ficava muito perto de mim nesse tipo de viagem já que tinha os amigos e eles o puxavam sempre para perto deles e não de mim.
Uma coisa que eu não tinha percebido quando eu peguei o notebook era que eu não teria nada para fazer nele também… Não entrava no facebook por motivos anti-sociais, eu não tinha nada a fazer. O email não parecia ser uma coisa que me chamasse a atenção no momento já que com certeza lá teria umas duzentas mensagens de minha mãe querendo saber se eu ainda estava viva ou algo do tipo. A única coisa que me restava era ou ficar jogando paciência ou ficar desenhando no paint.
Paciência ganhou.
[...]
Eu não tinha feito a janta nem tinha pedido pizza e sim pedido em um restaurante japonês por perto que eu nem sabia que tinha o ímã com o número. E agora eu estava sentada no sofá comendo yakisoba enquanto via um filme qualquer sobre uma menina sem sal que caí dentro da sala de um homem magnata lindo que estranhamente se interessa por ela, mesmo ela não sendo… loira…. ?
Não fazia sentido, mas era bom, infelizmente — ou felizmente- o filme drasticamente tomava um rumo erótico sobre dominação no quarto e algemas e contratos e sei lá mais o que que me fez corar muitas vezes e imaginar como seria ser a principal.
Esqueci o nome dela...Annie?
Mudei de canal quando o homem a mandou se ajoelhar no chão de um quarto vermelho, era muita coisa para a cabeça de uma virgem. Muita informação.
Joguei a caixinha na qual a comida tinha vindo no lixo e limpei a mesinha que eu tinha usado como apoio do refri e dos acompanhamentos e do meu pé. Depois de ter limpado e desligado a televisão fui ao meu quarto e separei a roupa para a manhã seguinte quando fosse a escola. Pelo o que eu tinha visto e ouvido de Katy, as aulas só começariam realmente na semana seguinte, amanhã era quarta, só faltavam mais cinco dias…
Provavelmente será legal…
Existem as pessoas espontâneas e as pessoas que planejam cada passo que dão no dia. Essas pessoas, são aquelas que não gostam de surpresas, que querem que tudo esteja sob que planejou, mas as vezes aparece uma coisa que não estava nos planos. As vezes uma surpresa acontece. As vezes as coisas simplesmente acontecem sem explicação. Destino? Talvez. Mas é aí que um ditado popular que diz “Nunca jugue um livro pela capa” entra. É aí que se deve pensar “Talvez essa surpresa seja a melhor cosia da minha vida.” porque pode ser que seja.
E assim pode ser com Anastácia Steele que espera uma vida tranquila e calma agora, mas que sabe, sua vida calculada tenha um erro e uma surpresa que pode ser a melhor coisa da vida dela, apareça? Talvez seja o destino, quem sabe?
50-Tons-Diferentes
Michelle Cipriano
♥
Fale com o autor