Cinquenta Tons De Vermelho
8 Capítulo 8: Memórias II
Notas iniciais
Voltei depois de uma semana de carnaface, combinada com umas doses de festas aqui em casa(detesto festa).Aliás, FELIZ ANO NOVO!
Agora que as aulas de todos,menos as dos baianos voltaram,posso me sentir feliz de novo(as minhas começaram dia 28 de janeiro,uma semana antes do resto das pessoas normais,mas eu não sou normal,então não conto,né?).Se você ainda estiver triste pode:
a)Chorar no meu ombro nos comentários.
b)Ler este capi que prova,DEFINITIVAMENTE,que não sou uma mulher de poucas palavras enquanto come um pote de sorvete.
c)Ficar imaginando o porquê de eu não ter dividido o capi em dois como fiz no outro(e a resposta da vida,do universo e tudo o mais é... PREGUIÇA,afinal são 1:24 da matina de uma quarta).
Uma boa notícia:
O próximo capi já volta com a história normal,sem mais lembranças da Integra narradas por Alucard previstas.Entretanto, mais pra frente farei um ou dois capis para explicar direitinho a história de Nicoleta.Aproveitem o último "filler" previsto para os próximos dias(filler entre aspas porque no final tudo está interligado,e cada capi terá algo muito importante para o final)!
Ah,gostaram da capa nova?Foi uma designer do Anime Spirit que fez para mim(valeu VampQueen!)?Ficou pura "çedussam" esse Alucard,não é?
Sayonara por enquanto e até o próximo capi!
Integra ria e conversava despreocupada com Michael. Já passava das oito, estava escuro e apenas a lua iluminava três seres andando pela noite.
Alucard seguia-os de perto, sempre atrás da adolescente Integra, observando bem e deixando claro que não gostava quando o thrombosis esbarrava “sem querer” em sua mestra.
A rivalidade entre os dois cresceu por debaixo dos panos conforme os anos se passaram e, agora que a disputada Integra ia completar dezesseis anos, a tensão estava quase insuportável. Se um dava uma indireta para moçoila, quase sempre entendida ao pé da letra, o outro lançava uma cantada, se um oferecia uma flor o outro dava uma enorme cesta de café-da-manhã e assim por diante. Claro que eles disfarçavam, mandando em ocasiões especiais, como quando ela tirava dez numa prova, ou quando ela estava triste ou mesmo numa data quase totalmente esquecida, como o dia em que se conheceram, numa “celebração de uma amizade duradoura”.
Assim a jovem recebia os presentes sem desconfiança, colocando-os na “friendzone” sem querer.
Eles caminhavam pelo jardim da mansão Hellsing, trazendo livros, cadernos e uma cesta de piquenique depois de uma tarde de muita brincadeira e pouco estudo. Contudo só estavam voltando ao prédio há essa hora, pois a garota havia dormido depois do chá das cinco e nenhum dos dois trocou uma única palavra nesse meio tempo, nem sobre acordá-la.
O vampiro estava de olho no australiano principalmente por causa do presente de aniversário antecipado que Alucard deu: um anel de ouro branco com um coração vermelho de rubi. A menina abriu a caixa com olhos brilhando e logo pôs o anel no dedo anular direito, o dedo da aliança de noivado.
Claro que ela não sabia disso, e nem que ele fora especialmente feito para caber apenas nos dedos anulares dela, pois o costume difundido pelo mundo é o de que o dedo do anel de casamento, noivado ou namoro é o mesmo. Contudo isso não importava. Integra tinha sido noiva de Alucard por um tempo, mesmo sendo menor de idade.
Ela estava muito animada com sua festa de debutante. Falava sem parar sobre isso, e Alucard não tirava a razão dela. Em um ou dois anos ela não poderia mais se dar a este luxo.
Entretanto ele sabia muito bem o que falariam dela na festa, mas não era a hora de se preocupar com isso. Ainda.
Chegaram à porta e Michael olhou no relógio de pulso que trazia e constatou a hora.
-Desculpem, vou ter de ir embora, minha mãe já deve estar chegando aqui e eu não quero deixá-la esperando. –Ouviram uma buzinada rápida. –É ela, só preciso pegar meus livros e vou embora. Foi muito bom ter passado à tarde com você, senhorita Integra. –Ele fez menção de que entraria para pegar os livros, mas a loira o deteve.
-Jack, você poderia pegar os livros de Michael no segundo andar?
Alucard entrou relutante, provavelmente Michael deveria ter dito alguma coisa para ela enquanto ele fingia que ia ao banheiro e que a deixou curiosa, e ela gostaria de ouvir antes que ele fosse embora.
O Rei da Não-Vida obedeceu, entrou na mansão e subiu ao segundo andar, sempre se mantendo atento ao casal humano no andar debaixo. A janela do segundo andar dava para a entrada da mansão, talvez aquele cretino, como murmurava Alucard para si mesmo sobre o rival loiro, tivesse deixado ali, naquele aparador em específico só para que ele acompanhasse a cena, mas não contava com a habilidade de passar por paredes e portas de Alucard.
Ele olhava fixamente os dois no andar de baixo. Apurou os sentidos e começou a ouvir atentamente a conversa.
Michael engoliu um pouco de saliva, nervoso por causa do que iria dizer. Alucard sabia muito bem, e claro que ele não aprovava, mas o que ele poderia fazer? De uma forma ou de outra ele diria e o máximo que ele poderia fazer seria adiar o que seria dito. Suspirou.
-Desde que nós nos conhecemos... – Ele começou.
Alucard surgiu atrás da porta de entrada e abriu-a de repente, interrompendo o rapaz.
-Aqui estão seus livros. –Ele entregou e deu um sorriso amarelo. –Foi bom passar à tarde com você. –Ele completou. Claro que aquilo foi entendido como uma ironia.
-Ah, sim. Muito obrigado, Jack. Vemo-nos na escola. –Ele deu as costas ao casal, mas depois se voltou. –Não vai voltar para o orfanato hoje?
-Não, vou dormir aqui. O diretor me deu permissão para dormir aqui até a festa de aniversário na sexta-feira.
-Ah, sim. Então até amanhã.
-Até.
-Tchau Michael. –Disse a inocente Integra.
-Tchau, senhorita Integra. –Beijou a mão da moça. –Logo terei de te chamar de lady, não é? Já não será mais considerada uma criança na sexta-feira.
A indireta tinha acertado o sanguessuga bem aonde doía. Ainda era terça-feira, contudo a sexta-feira chegaria rápido e por mais que Alucard pudesse atrasá-la, sua mestra deveria completar dezesseis anos porque os soldados se recusavam muitas vezes a acatar ordens de uma criança. Todavia não era isso que ele desejava. Muito pelo contrário.
A vontade dele era de preservá-la como uma criança para todo o sempre, porém ele só conhecia um único meio. Tinha de acabar com a graça de Michael o mais rápido o possível sem se importar com o que acontecesse com o thrombosis, a não ser que prejudicasse a si mesmo ou à sua mestra.
Naquela noite, como em todas as outras, ele esperou ela dormir, adentrou o quarto quase infantil da moça vestindo apenas seu pijama, já que ela continuava em seu quarto de criança com sua diminuta cama de casal. Ele gostava disso, pois assim ficavam próximos e os batimentos cardíacos e a respiração dela repercutiam em todo o seu ser.
Abraçou pela frente a menina-moça que vestia apenas uma curta camisola e uma calcinha por baixo, ambas brancas. Sentiu o perfume do xampu dos longos cabelos dela, alisando as madeixas enquanto cheirava as mechas que punha próximo ao nariz. Encostou a cabeça platinada em seu ombro, tomando cuidado para que ela não despertasse. Sentiu uma perna possessiva subir em cima da sua e depois se encaixar entre as suas, impedindo-o de se mover sem que fosse notado. Os braços dela o envolveram num abraço aconchegante, retribuindo o carinho dele.
Ficaram assim até que o sol nascesse.
Alucard lentamente, não sem relutância, retirou-a de cima de si quando viu os primeiros sinais do crepúsculo da manhã. Levantou-se dando uma última olhada na jovem e a cobriu melhor. Passou pelas portas e foi deitar-se em seu caixão.
Os dias passaram voando para Alucard, mais rápidos do que um carro de fórmula um disputando racha e logo já era sexta-feira. Integra se arrumou para ir à escola super animada, pensando apenas na sua festa de aniversário.
Ela se vestiu rapidamente, enquanto Alucard demorou o máximo que pôde. Não queria que ela envelhecesse e a esperança e a sogra são as últimas que morrem. Bom, a sogra dele já havia morrido fazia tempo, então o que sobrava era um fino fio de esperança, tão delicado e frágil como um cristal.
Mas havia um rinoceronte na cristaleira.
Um não, dois.
Ela tomou o café apressada, praticamente injetando-o direto na veia, enquanto ele parecia tentar digerir um diamante, a coisa mais dura do mundo.
Integra e seu servo seguiram caminhando para a escola, já que o carro estava na revisão e a instituição não ser tão longe assim. Às vezes ela se voltava para ele, toda animada, revendo os últimos detalhes da festa. Surpreendentemente, ela pediu que ele não fosse em sua forma jovem, mas sim como Girlycard.
-Por quê?
-Porque assim você estará sempre perto de mim, pode me acompanhar até no banheiro. –Até aquele momento ela tinha sua atenção, mas agora ela tinha sua curiosidade. –Não era isso que você tinha proposto?
-Sim. Mas quem será seu príncipe?
-Hmm... Eu não pensei nisso. Mas eu não preciso de um, preciso?
-Todas as debutantes têm um. Não há sentido em dar uma festa de dezesseis anos sem um príncipe. Walter dançará a tradicional dança com pai, isso já está resolvido, contudo achei que gostaria de dançar a dança com o príncipe comigo, seu mais fiel servo.
-Acho melhor não, Alucard, prefiro que possa me acompanhar o tempo todo. Se você for meu príncipe as pessoas vão estranhar muito que você me siga o tempo todo. Não, melhor continuar assim... Será que Michael aceitaria ser meu príncipe?
Uma manada de elefantes desgovernada passou por cima do coração de Alucard. Caso ele não fosse vampiro e, por consequência, muito branco, Integra veria a pele leitosa ficar ainda mais alva e o sangue migrar para as extremidades do corpo dele conforme secretamente apertava a mão fechada.
Durante as aulas ele não conseguiu se concentrar, olhava, muitas vezes esquecendo-se de piscar, para cabeleira que era uma extensão dos raios solares ao seu lado.
Não, ele não iria perder. Nem que tivesse de jogar sujo para isso. Nem que Integra ficasse decepcionada no processo. Nem que ele tivesse de matar alguém, ele não perderia para ninguém. Muito menos para Michael “Thrombosis” “Pé-no-saco” ”Babaca” “Idiota”, e todos os outros apelidos secretos, Chase.
Finalmente o sinal bateu e os dois foram almoçar. E lá estava ele, com suas roupas impecáveis e bem ajustadas, cabelos loiros sem um único fio fora do lugar e seu cheiro de lavanda derivado do amaciante que a empregada usava.
Enquanto isso, um Alucard meio emburrado, com suas roupas mal arrumadas e cabelo curto rebelde, perfume masculino amadeirado, com notas de almíscar (não que ele gostasse de perfumes, só usava porque seu inimigo também o fazia querendo ou não), gravata frouxa e dois botões da camisa abertos, deixando o pescoço exposto, era comido pelos olhos de metade das garotas da escola. A outra metade era obcecada pelo milimetricamente perfeito Michael.
Todavia isso não importava.
Eles não sabiam, porém partilhavam o pensamento de que se alguém tacasse um tijolo na cabeça da diretora da Hellsing escrito “eu te amo e não te quero perto desse filho duma égua” ela entenderia.
Sentaram-se. A pior parte do dia tinha finalmente chegado.
Evitaram-se o tempo todo e quando os seus olhares se cruzavam era como se um raio saísse de seus olhos enquanto se encaravam.
Contudo a pergunta veio.
-Michael, você poderia ser meu príncipe na minha festa de debutante hoje à noite?
Claro que um sutil sorriso vitorioso destinado a Alucard passou por seus lábios.
-Não sei se posso, será que minha roupa é adequada?
-Sabe suas medidas?
-Hmmm, não. Mas minha mãe sabe.
-Então ligue para ela e peça para ela ligar para Walter, ele vai comprar uma roupa para você.
-Mas não seria melhor eu comprar uma?
-Não, ficaria muito em cima da hora, apesar de já estarmos. Se ligar para ela agora Walter deixará tudo pronto apenas alguns minutos antes da festa começar.
-Está bem então, vou ligar.
-Espere aí, vou com você. – Alucard disse de repente, virou-se para a mestra e justificou. –Quero me certificar de que tudo correrá bem na festa, já que não vou poder ir. – Piscou.
O vampiro seguiu o loiro até o jardim isolado e vazio de pessoas, o qual dava para a secretaria que estava fechada. O jardim era cercado por uma cerca de alambrados, recoberta por heras que dificultavam a visão da parte de trás da escola.
-O que você quer, já não basta perder uma vez hoje?
Alucard agarrou o rapaz pela gola da camisa e jogou com força, pelo menos para o humano que ele fingia ser, no alambrado. Michael se levantou rapidamente, fechando os punhos e se colocando em posição de ataque.
-Devo avisar que sou praticante de caratê com faixa roxa, amanhã farei o teste para a marrom, a última antes da preta.
Alucard gargalhou friamente. Como, em sã consciência, um garoto de dezesseis anos poderia desafiar um vampiro de quinhentos anos? Logo ele, o Rei da Não-Vida?
-Você acha que pode me vencer?
Alucard chutou a barriga do garoto, fazendo-o cair outra vez. Deu um soco bem embaixo do nariz do rapaz que o levantou e agarrou sua cabeça.
-Fique longe de Integra e não apareça na festa dela de maneira alguma.
-Ou o quê? Vai me deixar inconsciente bem na frente de todo mundo?
-Depende. Se sobreviver a essa surra.
Alucard deu outro soco no rapaz que o fez cair no chão. A roupa do loiro estava ensopada de sangue, e em volta dele havia respingos vermelhos por todo o lado. O vampiro então pisou na barriga dele e depois se abaixou.
-Bons sonhos, ou melhor, pesadelos, Thrombosis.
Agarrou de novo a cabeça do rapaz e tacou-a no chão com tudo. Desacordado, o rapaz sangrava pela boca aos montes, talvez tivesse uma concussão ou uma fratura craniana, porém aquilo já não era problema do vampiro. Nem que o loiro se afogasse no próprio líquido vital, para o vampiro a questão mais importante já estava resolvida. E se caso Michael sobrevivesse e reaparecesse, tanto no decorrer da vida de sua mestra quanto na festa, ele não hesitaria em matá-lo na frente de todos, sem nem dar explicações de nenhum tipo, nem para sua mestra nem à rainha. E não importava se ele fosse trancafiado dentro do seu caixão ou fosse destruído, se Michael morresse definitivamente já estaria de bom tamanho.
Saiu dali e voltou para a mesa junto a Integra.
-O que aconteceu que ele não voltou?
-Está discutindo com a mãe. Parece que ela ficou enfurecida por ele não ter avisado antes que ele seria o príncipe, está tentando convencê-la de que só foi avisado agora.
-Ah, coitado. A mãe dele deve ser muito exigente. Mesmo ele sendo dois anos mais novo que o resto da sua turma e tendo as melhores notas ele quase não pode sair, tem de estudar no mínimo seis horas quando chega em casa e não pode sair no fim de semana. Se eu tivesse uma mãe assim a primeira coisa que eu faria seria sair escondido no fim de semana.
-Só que não. –Completou Alucard. Integra olhou feio. Ele riu.
O sinal bateu e durante o resto do dia não ouviram nenhuma palavra sobre Michael ou alguém que tinha levado uma surra perto da secretaria.
Já era passava das dez horas da noite e Integra lutava para entrar no seu vestido branco, simples de um ombro só com flores. Quando conseguiu, depois de dez minutos, foi a vez do sapato sem salto, mas um pouco apertado. Ela só tinha escolhido aquele porque era o único que combinava com o vestido, apertava nos dedos e no calcanhar, porém ela aguentaria até a meia-noite.
Passou base, corretivo e pó, além de batom rosa claro e um pouco de rímel. Tudo bem discreto, já que ela só poderia caprichar mesmo perto da meia-noite.
Ela caminhava pelo corredor do segundo andar quando um ser surgiu das paredes, uma sombra negra, que se transformou numa bela menina com cabelos tão escuros quanto a noite e olhos rubros. A figura ficou atrás da loira e agarrou os seios da diretora, fazendo-a congelar.
-ALUCARD! O que está fazendo?!
-Sentindo seus seios? –Ele perguntou descaradamente, enquanto brincava com eles. Ela se virou de repente e deu um tapa forte na “menina”, Alucard sorriu por entre os lábios rosados, obviamente o batom era o mesmo de Integra.
-E porque passou meu batom?
-Eu não sabia que cor era apropriada para uma festa de debutante e nem tinha batom, aí peguei o seu mesmo.
-E nem que roupa é apropriada... –Alucard olhou para si próprio. Usava as mesmas roupas brancas que usou na Segunda Guerra Mundial. –Acho que ainda temos uns cinco minutos, alguns convidados já chegaram, mas acho que consigo dar um jeito em você rapidamente. –Empurrou o vampiro para dentro do quarto, abrindo a porta atrás dele e depois fechando. –Dispa-se.
O vampiro sorriu largamente. Então era disso que Integra gostava? De uma garota? Então ele seria uma!
-Rápido!
As roupas desapareceram. Até as roupas de baixo tinham sumido.
-Não precisava tirar até as roupas de baixo!
-Então me empresta uma calcinha sua?
-Você usa calcinha quando está com esta aparência?! –Ela estranhou.
-Bem, não teria sentido em usar uma cueca porque não há nada pendurado entre as pernas mesmo...
-E você não pode recuperar sua calcinha?
-Não, uma vez que as roupas desaparecem não é possível recuperá-las. –Ele mentiu.
Ela abriu uma gaveta e pegou uma calcinha azul e estendeu para o servo. Ele a pegou e vestiu.
-Que cor será que combina com você? –Ela começou a pensar.
-Isso é importante?
-É claro que é, se vestir algo muito claro vai ficar meio mórbido e esquisito... Já sei!
Ela pegou uma saia verde-claro e uma camisa com babados da mesma cor e deu a Alucard, que as vestiu. Integra ajeitou as roupas nele, colocando cuidadosamente a camisa dentro da saia de maneira que uma peça parecesse uma extensão da outra, formando um vestido. Pegou uma faixa branca de cetim e passou bem por cima da cintura de seu servo, escondendo o fato de que eram duas peças, e não uma.
Integra deu dois passos para trás para admirar sua obra-prima: uma garota de cabelos negros, lisos e compridos, com traços delicados, num falso vestido rosa com um laço branco e descalça.
A “garota” sorriu.
-Você não está esquecendo-se de nada? –Disse o servo.
Só então ela percebeu dois montinhos com um biquinho cada, bem em cima das costelas da “menina”.
Integra suspirou.
Pegou um sutiã branco e estendeu para o vampiro.
-Isso é meu e eu vou querer de volta, pode ficar com a calcinha. –Ele sorriu largamente.
-Devolverei o mais rápido o possível. –Claro que estava mentindo. Ele pegou e desabotoou a camisa, vestiu o sutiã com um sorriso nos lábios e abotoou a camisa de novo.
-Apenas pegue um sapato e desça logo, ou vamos nos atrasar.
Ele pegou um sapato com um salto de cinco centímetros branco, com a parte da frente formada por um tecido fino perolado. Tentou andar, falhando miseravelmente sem nem precisar fingir. Andar de salto era realmente difícil.
A loira pegou as mãos dele e puxou-o devagar na sua direção, fazendo-o caminhar devagar. Quando estava prestes a dominar o sapato Alucard tropeçou nos próprios pés de propósito, caindo em cima de sua mestra. Ela tentou sair debaixo dele, mas o vampiro a agarrou e deu-lhe um beijo casto.
-Está linda assim. Eu estava louco para tirar o batom da sua boca.
-Não adiantou você também está usando o mesmo. Deixe-me ir.
-Não.
Ela tentou empurrá-lo. Não conseguiu. Ameaçou com as unhas, mas não deu certo. Ele apenas se divertia com as tentativas dela.
Ela puxou a arma que estava debaixo da cama dela e apontou para a cabeça dele.
-Saia de cima de mim AGORA!
-Se você atirar vai perder o seu vestido por causa de um beijo.
-E eu vou te culpar o resto da minha vida por isso e nunca vou te perdoar.
Ele levantou e a ajudou a se levantar.
-Se continuar atrevido assim durante a noite, passo Super Bonder nos seus pés e colo o sapato para sempre.
-E vai perder um sapato tão bonito? E até que é confortável.
-Veremos daqui umas duas horas.
Ela se ajeitou e passou um pouco mais de batom. Alucard estava um pouco surpreso que ela não demonstrou estar nem um pouco “animada” com um corpo feminino tão próximo ao dela. Talvez fosse a inexperiência e a timidez falando mais alto do que o desejo.
Depois de recomposta, Integra desceu as escadas para tomar um pouco de suco para acalmar sua frustração. O salão de festas da mansão estava decorado com mesas e cadeiras revestidas por tecidos brancos perolados, com detalhes e contas pregadas nas barras em rosa, com faixas rosa-claro adornando janelas e candelabros prateados.
Alucard a seguia de perto, sempre atento aos convivas, principalmente aos rapazes loiros, às vezes, quando via algum que fosse levemente parecido com o “Thrombosis” distraía sua mestra com qualquer coisa que não o lembrasse, desde outro convidado e sua conversa boba sobre vestidos até coisas importantes, como a Organização.
A meia-noite foi se aproximando e Integra subiu para trocar de vestido.
Alucard procurou Walter e o encontrou preocupado na cozinha, coordenando os outros empregados que faziam as comidas.
-O que foi, John Bull?
-Michael não apareceu ainda, há essa hora é impossível que ele venha. Alucard, você terá de ser o príncipe.
-Eu? Mas Integra disse que queria que eu estivesse de menina.
-Terá de ignorar esta ordem, ou então ela ficará muito mais decepcionada do que descobrir de última hora que Michael não veio e que ela não terá um príncipe. Acho que a roupa que preparei para ele servirá em você, está no quarto ao lado do de Integra.
-Vou me vestir então. –Ele deu as costas para o mordomo.
-Alucard. –O vampiro parou de andar. –Você não acha estranho que Michael, que segundo Integra, estava muito animado para essa festa não aparecer sem nem avisar ou ligar nem que fosse de última hora?
-Ele nem ligou para você, como pôde arrumar a roupa para ele?
-Como você sabe disso?
Com a confusão que estava na cozinha, uma empregada que passava com uma bandeja de doces não viu que outra, mais baixa e que carregava uma pesada caixa de ingredientes, estava bem no caminho e topou com ela. O chão ficou cheio de chocolate e brócolis.
-Acho que você tem coisas mais importantes para lidar agora do que comigo. Vou me vestir.
Alucard desapareceu e reapareceu já como um jovem de 16 anos, no quarto com a roupa de príncipe. Colocou a roupa e tirou a maquiagem rapidamente para logo ultrapassar a porta.
Quando ele saiu a porta do quarto de sua mestra se abriu, e revelou uma garota num vestido tomara-que-caia rosa, combinando com o tom que adornava o salão de festas, que ia até seus pés, com bordados no busto em um tom mais claro da mesma cor. Integra usava maquiagem um pouco mais pesada, brincos e um colar. Para ele, ela estava tão quase linda quanto quando usa um terno.
Ela sentiu sua presença e se virou para ele.
-Por que está vestido assim?
-Michael não virá.
-Como?
-Ele não apareceu, então Walter me pediu para me vestir.
-Sabe valsar?
Ele bufou.
-Eu sou um conde do início da Idade Moderna, conheço danças medievais das quais você nunca ouviu falar, sou fluente em sete línguas, algumas delas mortas, comandei exércitos contra os otomanos e venci muitas batalhas. Acha que eu não sei uma coisa simples como valsar?
-Não precisava ser grosso, era só dizer que sim.
-Grosso ou não estarei esperando por você lá embaixo.
Alucard desceu as escadas com os próprios pés dessa vez, dois degraus de cada vez, um pouco irritado consigo mesmo por ter deixado passar o pequeno detalhe em forma de mordomo. Todavia isso não teria como ter evitado, pois mesmo que apagasse as memórias de Integra sobre o assunto para que ela não comentasse com Walter, o mordomo ou o próprio Alucard tocaria no assunto “príncipe”, e ela se lembraria de Michael.
E ele nem queria imaginar no que se seguiria depois.
Suspirou.
O que estava feito, estava feito.
Entrou no salão e tomou seu lugar, não sem olhares dos convidados que não o tinham visto naquela forma, esperando por sua deixa.
As luzes foram se apagando e todos se voltaram para um pequeno palco que fora montado para a pianista que tocou durante a recepção, a cerimonialista, que estava com um microfone na mão, começou a falar e fazer sua abertura.
Assim que terminou, os Príncipes de Honra começaram a entrar, a maioria filhos de políticos e nobres importantes, seguidos pelas Damas de Honra, todas vestidas de rosa bebê. A tradição dizia que o correto era a família entrar primeiro, contudo Integra era última de seu clã, portanto pôde pular esta etapa.
A debutante, mais que nervosa no interior, parecia a calma em pessoa quando entrou. As luzes estavam todas apagadas, só uma iluminava a diretora enquanto caminhava e um pouco de fumaça cobria os pés da garota, não que ela realmente quisesse fumaça no seu baile, mas a cerimonialista insistiu que ficaria legal no vídeo, ou talvez fosse porque isso deixava o bolso dela mil libras mais cheio. Aplausos dos convidados encobriam a música de fundo e Integra não pôde evitar ficar vermelha. Mesmo nas reuniões da Távola Redonda ela não era diretamente o centro das atenções, era sempre a rainha e suas opiniões e sempre que as duas conversavam era a sós.
Contudo ela teria de se acostumar com isso. Dali para frente seria uma mulher, não mais uma menina, comandante com plenos direitos e deveres de uma das maiores e mais secretas, pelo menos no que faziam, organizações no mundo todo, com tentáculos que se estendiam desde o Canadá até a Austrália.
Integra foi diretamente na direção de Alucard e este recebeu sua mão e beijou os dedos finos e delicados. O servo a levou até em cima do palco, onde estava sua cadeira de espaldar alto, cheia de adornos, e ela sentou-se.
Walter fez um rápido discurso, explicou em poucas palavras que representaria o pai da diretora por motivos óbvios, disse o quanto ela era querida por seu pai e por todos que conviviam com ela e como se sentiam confiantes de que ela seria uma excelente ama e líder. Terminou falando de seu potencial como aluna e como ela era doce, gentil e meiga, além de como era triste vê-la crescer e se transformar numa mulher diante de seus olhos num tom muito paternal, não de quem não gostou disso, mas de quem gostaria que ela fosse inocente e criança por mais tempo.
Então ele entregou um anel de prata, com uma pedra azul, parecido com o anel de noivado da Lady Diana.
Integra segurou o choro, invocado por causa do discurso de Walter, e continuou firme e forte na sua paz e calma exterior.
Walter, que apesar de velho não tinha problemas físicos, continuou representando o papel de pai. Abaixou-se e trocou o sapato da menina-mulher, tirando o desconfortável que ela ainda vestia por um de salto acolchoado, não sem algumas lágrimas que ele tratou de segurar.
Integra sorriu e deu um beijo na testa do mordomo, agradecendo por tudo que ele tinha feito. Ele quase chorou. Ela levantou-se e pegou uma boneca ruiva, com um vestidinho amarelo e sapatos pretos, uma de suas favoritas, que estava do lado de sua cadeira.
Desceu do palco e foi até uma das meninas no meio dos convidados, a pequena segurava uma bíblia que ela trocou pela boneca ruiva. A diretora agradeceu e deu um doce para a menina, além da boneca, ela pegou o pirulito vermelho que ganhou e foi se esconder no jardim para chupá-lo antes que alguma outra criança tentasse roubá-lo.
Os convidados saíram da pista de dança.
Era hora da valsa.
Walter ajeitou suas vestes, enxugou algumas lágrimas que escaparam enquanto os holofotes saíram de cima dele. Alucard desceu do palco, e a cadeira foi retirada para que os músicos pudessem subir e se ajeitarem, com os instrumentos já devidamente afinados.
O servo se posicionou ao lado do palco, esperando impaciente por sua deixa. Naquele momento ele desejava que as duas primeiras valsas pudessem ser puladas, e que a terceira, com o príncipe e as velas, fosse eterna. Ou quase. Talvez, se um dia eles viessem a se casar, ele poderia fazer com que a noite de núpcias durasse desde o fim do jantar até o término do nascer-do-sol. E talvez eles pudessem um, ou dois, ou dez filhos.
Entretanto uma parte dele relembrou um pequeno detalhe: ela deveria ser virgem para ser transformada, portanto eles nunca poderiam ter filhos que não fossem bastardos. Porém isso era algo que ele não poderia se dedicar inteiramente naquele momento, talvez, quando a festa acabasse ele poderia começar a procurar no Livro de Nod uma brecha nisso tudo, encontraria um modo de terem um herdeiro sem que Integra perdesse a virgindade. Naquela noite dedicar-se-ia a fazê-la feliz, já que depois dela não seria mais uma menina, e sim uma mulher.
Os músicos terminaram de se ajeitar, Walter e Integra se posicionaram, deram as mãos e o mordomo colocou uma na cintura dela, enquanto a diretora pôs a outra mão no ombro dele. A música começou, e eles começaram a dançar pela pista. O mordomo era um ótimo dançarino, em momento algum ele sequer ameaçou pisar no pé da diretora, enquanto ela, por causa do nervosismo talvez, esquecia-se de um ou outro passo, mas nada que os fizesse passar vergonha ou que alguém além deles e de Alucard, notasse.
A música terminou e era hora de trocar de parceiro de dança. Integra escolheu Sir Penwood, que cuidava dela nas reuniões da Távola Redonda desde que seu pai faleceu, como o próximo parceiro de dança. Ele teve de praticar durante quatro meses desde que Integra pediu para que ele fosse o parceiro da dança com o padrinho.
Claro que ele não era o pior dançarino de todos, mas certamente também não figurava entre os melhores. Os músicos recomeçaram a tocar assim que os dois se posicionaram. Por duas vezes Sir Penwood quase pisou no pé de Integra, o que ficou evidente para Walter e mais ainda para o vampiro de estimação da Organização Hellsing. O sanguessuga quase pulou em cima do cavaleiro da Távola Redonda, a fim de controlá-lo para que não machucasse sua mestra. Ou poderia fazê-lo mais sutilmente, controlando sua mente. Mas Walter, que estava ao lado do vampiro percebeu as intenções deste para com Sir Penwood, e deu uma pisada forte no dedão do pé de Alucard.
-Minha unha encravada! –Ele protestou baixinho.
-Quieto. –Censurou o Shinigami.
Para a alegria tanto dos servos, quanto da própria ama que já não suportava mais ter de vigiar os pés do parceiro, a valsa terminou. Sir Penwood voltou ao seu lugar, mas deixou cair um papel de dentro do bolso do paletó. Integra se abaixou rapidamente, em meio a confusão dos príncipes e damas de honra, e guardou dentro do corpete do vestido para devolver ao seu dono. Quando ela se levantou Alucard já estava em seu lugar.
-O que está fazendo? –Ele perguntou enquanto ela guardava.
-Guardando esse papel. Sir Penwood deixou cair no chão e não percebeu, devolverei assim que o bolo for cortado. –Alucard soltou um “Hmmm” de entendimento.
Com os casais devidamente posicionados, e as damas com as velas nas mãos, foi a hora de acendê-las. Apesar ter um papel no corpo da vela que evitava que a cera caísse em suas mãos, algumas delas deram chilique e brigaram para ser as primeiras cujas velas seriam apagadas. Não que não fosse de se esperar.
Depois de cinco minutos de picuinha elas se ajeitaram, e definiram a ordem de cada casal.
A música começou a tocar e o queixo dos convidados foi ao chão. Mestra e servo flutuavam na pista de dança, seus corpos pareciam ser etéreos, feitos de pura luz. Alucard podia ser um vampiro, um demônio em forma de gente no campo de batalha, mas durante a dança era um anjo querubim, o mais próximo de Deus.
Integra nem precisava se preocupar com a possibilidade dele pisar no pé dela, e sim com a possibilidade do contrário. “Preocupe-se com as velas, e deixe de lado essa. Deixe-me conduzi-la apenas esta vez”, ele falou em sua mente. Ele estava certo, ela deveria preocupar-se com as velas que deveriam ser apagadas antes da música terminar.
Deixou-se levar por ele, e por um momento não houve chão por debaixo de seus pés. Alucard era o melhor dançarino que a corte já tinha visto. Até a rainha, que havia chegado propositalmente cinco minutos antes da abertura da cerimonialista começar, e estava escondida entre os convivas, estava impressionada.
Mas ele só conseguia dançar assim quando estava muito feliz, e normalmente ele não era tão bom assim. Todavia seu grau de precisão nos passos de dança era proporcional à sua felicidade, e nesse momento ele não poderia estar mais feliz. Estava, na frente de todos, conduzindo a amada mestra. A única pessoa, depois da rainha da Inglaterra, a qual ele se ajoelhava estava se deixando levar por ele, realmente confiando nos passos dele. Era tanto uma questão de orgulho quanto de amor.
Era como se ele disse publica e silenciosamente naquele momento: “Ela é minha e somente minha, e quem quiser se arriscar a tentar roubá-la de mim morre.”. Era uma pena que Michael não estivesse ali, mas se ele estivesse não seria o vampiro que dançaria.
Quando a última vela foi apagada, marcando o finalzinho da música, o vampiro começou a ficar triste, porém, quando viu o olhar de felicidade da mestra ele voltou a ficar feliz de novo. E daí que a dança estava acabando e esse momento de intimidade pública estivesse acabando? Ela estava feliz, não? Então não importava se estava no início ou no fim, só importava a felicidade dos dois.
A música acabou, e todos aplaudiram o casal principal, incluindo a rainha e os casais que dançaram a valsa. De longe, mesmo para Integra, Alucard realmente representava o sonho do príncipe encantado, apesar dele já o ser, mesmo que para o mal. As meninas que tinham a idade dela estavam loucas por ele, e mesmo as matronas também estavam com o estrógeno a mil. Apenas a rainha, por conhecer o segredo dele e também por ter se tornado imune desde que se casou, estava calma.
Alucard sabia disso, e, se fosse livre, com certeza jantaria sangue fresco e teria corpos macios, quentes e delicados ao seu lado quando acordasse na noite seguinte. Integra também estava caída por ele. Mas ele não sabia ao certo se era por isso que seu “amigo” estava feliz também.
O bolo de morango e chocolate, com cobertura de chantilly de cinco andares foi levado até o palco e colocado em cima de uma mesinha com alguns doces. Cantaram o parabéns e Integra, apesar de ser muito desastrada na hora de cortar pedaços de bolos, pegou a faca para corte e passou-a no bolo, dividindo-o. Após o primeiro corte a faca foi dada ao chef que preparou o bolo, para que ele cortasse igualmente e os garçons distribuíssem os pedaços. Integra tentou falar com Sir Penwood, que estava do lado de fora da mansão, mas este estava muito ocupado tratando de assuntos secretos com alguns militares, então ela resolveu não atrapalhar e voltou para ficar alguns minutos ao lado da rainha.
Depois de dez minutos todos tinham o seu pedaço de bolo, Sir Penwood, que voltou ao recinto quase que correndo e parecia um tanto quanto apressado para que tudo terminasse, fez o brinde em homenagem à debutante e todos beberam pelo menos um gole de champanhe.
Então a rainha se levantou e deu um buquê de rosas de diversas cores para Integra. Cada cor das flores do buquê representava um desejo da rainha para com a nova mulher, disso a jovem diretora sabia muito bem. Mas quando a monarca disse-lhe algo ao pé do ouvido, bem baixinho, tanto que nem Alucard pôde ouvir, a jovem respondeu com uma expressão de surpresa, como se tivesse descoberto algo grandioso.
Ela agradeceu o que quer que tenha sido dito, fosse um segredo de Estado conservado há séculos ou um “sua calcinha está aparecendo”. Claro que Alucard e todos os outros ficaram curiosos, mas só o vampiro poderia saber o que tinha sido dito.
Depois de piscar duas vezes ela agradeceu e foi para o último estágio das formalidades: a entrega das lembrancinhas. Integra foi até a mesa das lembrancinhas para os casais de príncipes e damas de honra e começou a distribuir o gloss para as meninas e os bolinhos para os meninos, e, de novo, houve problemas com as damas. Umas queriam o gloss vermelho que outras ganharam, outras queriam o rosa e outras disputavam o único marrom que veio por engano e só foi notado na hora em que a caixinha foi aberta, pois todas elas eram completamente pretas, com uma tampa fosca com o nome da grife que os fabricou.
Usando toda sua diplomacia, e paciência, Integra, que já estava de saco cheio daquelas damas e tinha jurado para si mesma que jamais convidaria nenhuma delas para qualquer festa que ela fosse dar, conseguiu acabar com as brigas e fazer todas felizes.
Só então o baile começou e todos foram dançar, principalmente os jovens que só faltaram queimar as gravatas e os vestidos longos.
Os adultos riam a conversavam despreocupados, e às vezes iam dançar com os jovens na pista. Integra se aproximou de um militar que havia conversado com Sir Penwood fora da mansão, ele estava cercado por uma rodinha de amigos e suas esposas.
-Com licença, por um acaso vocês sabem onde está Sir Penwood?
O militar ia responder, mas uma mulher, que aparentemente era sua esposa o fez.
-E porque você está procurando um velho? Se estiver atrás de algum pretendente para casar, procure um dos meninos aqui!
-Você não é Sir Hellsing? –Disse outra mulher que estava na rodinha. –Diretora da Organização Hellsing? Oh, é sim! Então você nunca encontrará alguém para se casar aqui!
-Hellsing? Não é aquela organização meio que secreta? –Outro emendou. A partir daí as conversas no salão todo foram sobre quando ela ia se casar, sua família que era considerada esquisita e que ela nunca deveria ter sido feita Sir pela rainha, pois nunca seria firme o suficiente para governar além de uma casa.
Integra fugiu correndo do salão, entrou em seu quarto correndo e bateu a porta com tudo. Tirou o vestido, deixando-o escorregar por seu corpo e cair no chão, e desceu do salto, jogando o anel que ganhou contra o vidro de sua penteadeira, rachando-o. Jogou-se na cama de bruços e começou a chorar.
Algo parecido com uma poça negra apareceu, gota a gota, no chão. O estranho fenômeno se transformou numa fonte, cujo pico foi aumentando, até atingir uma altura próxima aos dois metros. Tomou forma humana, com roupa de gala e uma rosa vermelha em suas mãos, gentilmente envolvida numa laço negro.
A menina ergue a cabeça apenas para mirar a sombra do vampiro na parede, sem pôr os olhos nele propriamente dito.
-Suma daqui, Alucard.
-Não.
-Vá embora.
-Não.
-Por favor... –Ela implorou como um carneirinho indo do para o abate.
-Não enquanto você não me contar o que te aflige.
-Para quê? Você já sabe...
O servo se aproximou dela, ficando atrás de sua mestra, passou a mão nas dobras dos joelhos e nas panturrilhas da jovem, deixando a flor ao lado do corpo seminu. Ela se virou com a carícia, ficando deitada de frente para ele, com suas lágrimas marcadas por uma mistura de lápis de olho com rímel desenhadas por toda a face. Dali alguns anos Alucard compararia sua mestra com a cantora Avril Lavigne, sempre debochando da diretora e ganhando algumas balas alvejadas no peito e às vezes na cabeça.
Agarrou os pulsos de Integra e fez com que ela ficasse sentada na cama.
-Agora, isto é interessante. Muito interessante. Você não ficou mais velha só na identidade, seu corpo também amadureceu. –Ele disse se referindo à cintura fina e aos seios quase medianos. Apesar de não ser considerada a garota mais sexy da escola, era com certeza a mais atraente para o sanguessuga e para alguns rapazes da instituição onde ela estudava.
-Quem se importa se eu tenho peitos grandes o suficiente para encher um sutiã tamanho M se todos acreditam que eu não os tenho para enfrentar os desafios de chefiar a Hellsing?
-O que disseram a você?
-Nada de mais, mas o que realmente dói não precisou ser dito. Todos lá embaixo não acreditam que eu cresci, eles pensam que eu sou uma criança.
-Eles estão errados. Acabou de se tornar uma mulher e eles todos presenciaram isso.
Ela mirou fixamente os olhos vermelhos.
-Isso não importa. Para eles eu jamais passarei de uma criança. O meu casamento virou o assunto do baile. Eles estão discutindo com quem eu deveria me casar, para que assim eu virasse apenas uma dona-de-casa e uma genitora de herdeiros de alguma outra família.
Alucard bufou e depois sorriu.
-Eles estão todos errados: para se governar uma casa, é necessário ter noções muito abrangentes de administração, saber quanto se gasta por mês, onde podem ser feitos cortes, onde é necessário investir, se há mantimentos e para quantos dias darão. –Ele se aproximou enquanto falava, encostando a ponta do nariz com o dela. -Para ter um bom casamento, ou pelo menos não se divorciar, é necessário muito mais do que amor. O casamento é uma instituição muito forte e muito poderosa, une não só um casal, mas como acaba unindo duas famílias e formando uma só, e para isso se manter é necessário ter conhecimentos de diplomacia, como fazer acordos, gestão de pessoas e conflitos, fazer com que a coisa toda ande sem abalar a estrutura familiar e pôr cada membro em seu devido lugar sempre que este se rebelar. –Ele caminhava com o rosto pelo corpo da mestra, beijando e lambendo a pele nua, mordendo de leve a clavícula da moça. -E os filhos são apenas uma pequena parcela disso tudo. No começo eles precisam de tudo: que deem banho neles, os alimente, os entretenha e os ponha para dormir. –Ele encaixou o rosto entre os seios dela e os beijou, depois, ainda com o rosto enfiado entre eles voltou a falar. -Quando crescem eles começam a fazer tudo, ou grande parte, sozinhos, entretanto é aí que bate o desespero: Eles caem, choram e imploram por seu colo, todavia você não pode dar o que eles querem, tem de ensiná-los a andar sozinhos e para isso precisa se afastar, os deixar tentarem se virar com o que eles têm. Não vejo o porquê de as pessoas acharem que você não dará conta da Hellsing, pois as mesmas pessoas que te dizem que você não conseguirá te impõe um fardo muito mais pesado nas costas.
-Talvez seja porque eu não tenha poder o suficiente para mostrar que eu posso dirigir esta organização...
-Poder? É a isto que tudo se resume? Mas que tipo de poder você quer dizer? Olhe para mim, o mais poderoso dos vampiros, servo de uma jovem moça que acha não ter poder o suficiente para mandar em alguns soldados que matariam por ela, se assim desejasse. Eu posso ressurgir das minhas próprias cinzas, me alimentar e absorver outras vidas, mesmo de outros vampiros, tenho poderes quase infinitos por causa disso e ainda me curvo a uma jovem que insiste em se chamar de menina, porque os outros sempre o fizeram. Acredite em mim, jovem mestra: eu não o faria caso não fosse mais poderosa do que eu. Mesmo sendo minha mestra e tendo o direito de me matar se quiser, eu não aceitaria ser tratado como um cão por uma menina que não tem ao menos potencial para ser uma grande governante, mesmo que fosse a rainha. Aliás, se a própria rainha te fez Sir na frente de todo mundo isso já prova alguma coisa, não é?
Ele roubou um beijo de língua da loira ante que ela pudesse revidar, o primeiro dela, e para sua surpresa foi correspondido. Afastou-se quando percebeu que ela estava sendo sufocada por seus lábios.
Soltou os pulsos dela, deu-lhe as costas e começou a fazer seu caminhou para a porta.
-Quando te disserem que você é apenas uma menina frágil e que não tem poder e nem força o suficiente para dirigir a Organização, apenas lembre-se: Eu nunca me curvaria para uma criança.
Ela sorriu e pegou a flor que estava ao seu lado.
-Alucard. –Ele parou e virou-se.
-Sim, mestra?
Ela pegou o cabo cheio de espinhos e perfurou a mão, fazendo com que uma gorda gota de sangue brotasse em sua palma direita.
-Lamba. É uma ordem.
O vampiro sorriu, desde que foi despertado ele tinha voltado a se alimentar dela.
Notas finais
Anel de noivado(ou de namoro)-Deve ser de ouro,prata ou aço,e totalmente diferente de um anel de casamento.No caso do de ouro deve ser usado na mão direita,se for de prata ou de aço a noiva escolhe qual mão prefere.Como sou uma pessoa tradicional nessas coisas,preferi que o anel fosse da ouro(mesmo que branco) para que depois ninguém fique reclamando nos comentários que o certo é tudo na mão esquerda.
Festa de 16 anos inglesa-Procurei mas não achei como é uma festa de debutante lá(lembrando que nos países que não tiveram colonização,ou não tem origem latina,essa festa ocorre no 16º aniversário e não no 15º),então me baseei numa festa tradicional brasileira e foi essa a parte que mais me segurou,porque eu não tive uma festa debutante(porque não quis,eu queria o dinheiro mesmo =D) então tive de escrever com base na ordem que estava descrita num site de uma cerimonialista,ou seja,escrevia e depois apagava tudo porquê estava errado.
Se houver algum erro de digitação comentem! =D
Sorte da fic para quem comenta:
Amanhã não é segunda-feira.Nem depois de amanhã.Nem daqui a sete dias. =)
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