Cinquenta Tons De Vermelho
12 Capítulo 12:Mesa em X
Notas iniciais
Integra acordou com o corpo um pouco dolorido de um lado, todavia já esperava por isso. Aquele pijama era bastante confortável, mas muito quente, devagar despiu a calça e a mandou para cima, colocando-a do lado de sua cabeça, aliviando a dor que sentia.
Ela tentou encontrar uma posição mais confortável, contudo foi em vão. Agora ela tentava apenas recobrar o sono, já que seu instinto dizia que eram 14 horas, e ainda faltavam 4 horas para o sol se por. Suspirou, afastando um pânico claustrofóbico que começava a surgir. O caixão de seu servo era muito pequeno, porém, só agora que ela estava calma pôde notar que a tampa tinha muitos riscos.
Riscos estes que pareciam ter sido feitos de propósito, alguns contando talvez os anos ou as horas, já que eram quatro pauzinhos trespassados por um quinto. Todavia alguns eram diferentes, retratavam símbolos estranhos a ela.
Tateando, descobriu alguns nomes e datas gravados bem superficialmente, rabiscados diversas vezes. Eram os nomes de Mina e Elisabeta, datas da Segunda Guerra Mundial, nomes alemães desconhecidos, e mais algumas coisas desinteressantes.
Os dedos, agora mais acostumados com a grafia e com os sulcos, já conseguiam discernir as letras corretamente. Eles percorreram toda a extensão do ataúde até encontrar algo muito diferente. Estava escrito em romeno, um nome, que Integra achava ser masculino, se destacou. Radu. Ela nunca tinha visto ou ouvido falar de alguém com esse nome, se é que fosse realmente um nome e não uma palavra à toa ou simplesmente uma palavra de poder.
Tateou envolta do nome, mas não achou nada que não fosse algum símbolo secreto, apenas caveirinhas e cruzes. No meio disso tudo ela de repente encontrou seu nome e embaixo um frase repetida diversas vezes: Não se apaixone por ela. O servo realmente a amava?
Integra já não suportava mais ficar no caixão, já eram 15 horas e ela teve de sair.
Quando tocou o chão gelado com seus pés pôde perceber o quão suada estava. Decidiu tomar banho após checar as toalhas no banheiro impecável de seu servo, o qual ele só usava para aquilo.
Despiu-se e mergulhou debaixo de uma rajada forte de água morna deixando com que ela relaxasse seu corpo. Pegou o sabonete, fez uma rápida inspeção à procura de pelos ou algo assim, porém não encontrou nada e passou no corpo, massageando-se. A loira tocou seu corpo inteiro, espalhando o cheiro do vampiro por sua pele.
Quando terminou ela puxou uma toalha que estava pendurada no box e se enrolou. Após secar-se ela vestiu uma camisa branca de seu servo, e uma cueca dele.
Integra voltou para o quarto pensando sobre os planos de seu servo.
Sentou no trono de Alucard e tentou relaxar.
Pensou outra vez no plano do conde: Se desse certo, ninguém iria se machucar, se não...
Suspirou.
Só Deus sabia.
Aquelas roupas eram muito confortáveis, a abraçavam, como se fosse a pele fria do servo e o cheiro...
O cheiro era tão...
A porta se abriu de uma vez e revelou um vampiro molhado de água da neve derretida.
Alucard ia dizer algo quando entrou, mas cerrou seus lábios logo que viu a regente.
Ele caminhou pesadamente até ela, agarrou sua cabeça e deu-lhe um beijo profundo, quente que surpreendeu sua mestra. Integra não respondeu se não com um tapa, que marcou a face pálida do vampiro.
Ele se afastou só para encarar uma expressão carrancuda da loira, mas quando ela abriu a boca para fala-lhe, ele meteu sua língua dentro da boca dela.
Alucard segurou as mãos dela que se agitavam no ar, tentando se soltar. Ele abriu as pernas dela com seu joelho direito, e com o outro impediu que que elas se reencontrassem. Ele a levantou e depois a pegou no colo, sentou-se em seu trono com ela em seu colo, abriu a camisa com um dedo e desligou sua boca da dela para percorrer seu corpo com beijos, enquanto ela exclamava impropérios e o ameaçava.
Ele tapou a boca dela com sua mão direita e continuou segurando as mãos dela com a esquerda. Ela tentou mordê-lo, mas ele a jogou no chão, deixando-a atordoada.
O vampiro abriu seu baú e remexeu nele, Integra mal conseguia distinguir os vários sons que saíam dali, parecia ser uma mistura de metal com vidro que lhe soava mal, como um prego arranhando um caco de vidro.
Ela fechou os olhos tentando se afastar daquilo, e acordou amarrada numa mesa em “x”, braços e pernas atados por uma corrente velha, grossa e um pouco enferrujada, além disso, também estava amordaçada. Ela tentou se movimentar e quebrar a corrente, mas não conseguia, tentou escapar escorregando suas mãos, porém não obteve sucesso.
Ela começou a entrar em desespero, até que percebeu que estava completamente nua.
Sentiu uma pluma passando por seu corpo, começando por sua barriga, e seus pelos se eriçaram. Alucard passava uma espécie de espanador com penas bem macias coloridas na ponta no corpo de sua mestra, devagar ele subia, sempre olhando fixamente para ela.
A jovem vampira estremecia com a sensação, gemendo um pouco.
Quando as penas chegaram ao seu rosto, o conde parou e balançou-as perto de seu nariz, ela espirrou e ele sorriu.
Ele tocou seus lábios, molhando um pouco a boca dela, e descendo por seu pescoço.
Ele chegou até a barriga e depois foi até a virilha, desceu um pouco mais e a lambeu.Ela se remexeu e gemeu,o vampiro sorriu e foi até uma mesinha que estava ali perto. Ele demorou um pouco para escolher entre quaisquer que fossem os objetos ali dispostos que Integra se esforçava a ver, até que ele virou-se com uma venda em mãos e a privou de sua visão.
Integra agora não podia mais falar ou ver, mas ainda podia sentir e mexer alguns centímetros. Depois sentiu um objeto,que ela descobriu ser um headphone, pressionando seus ouvidos, e ela não pôde mais ouvir.
Agora ela estava completamente à mercê do ser que, ao mesmo tempo, mais odiava e amava.
Ouviu apenas o que poderia ser uma risada dele ao fundo, ao mesmo tempo pavorosa e sensual que anunciava sua completa submissão momentânea.
Seus pelos se eriçaram de temor, e ao mesmo tempo sentia sua intimidade ficando cada vez mais molhada, até que sentiu uma gota de vontade escorrendo lentamente por toda sua região íntima. De repente algo de borracha, comprido e estreito, circular, lançado à uma velocidade considerável, a atingiu em cheio.
Em meio a um misto de prazer e dor, ela tentou gritar, mas não conseguiu. Ela mordeu o que quer que a impedia de falar com força, tentando amenizar sua dor. Ela gritava em sua mente, berrava por auxílio e, ao mesmo tempo, pedia para ninguém socorrê-la.
Um segundo depois, outro lampejo de dor a atingiu, dessa vez na coxa direita. E, de novo, ela tentou gritar sem sucesso.
Outro lampejo, outro grito. Dessa vez, atingiu a coxa esquerda. Ela estremeceu, chorando de dor, e sentindo que a mesa onde estava deitada estava ficando encharcada.
E depois outro, e mais outro, e mais outro. Sentia a pélvis em fogo, o sangue a toda, circulando por todos os órgãos que ali estavam, deixando-a mais dolorida e com mais vontade, as paredes se apertavam dentro dela, querendo o vampiro.
Integra já estava enlouquecendo com aquilo.
Aquela confusão de sentidos e de percepção a estava levando ao limite.
De seus olhos brotavam lágrimas de dor e extremo prazer, de vontade e de repulsa, de uma vítima de violência e de uma vítima da sedução.
Os lampejos cessaram, mas a dor não e nem o calor.
A mão de seu algoz, nua e gélida, pousou sobre sua barriga. Aquilo foi mais do que suficiente para quase fazê-la chegar ao extremo da dor e do prazer.
Os dedos dele tatearam até as coxas dela, onde passaram por cima dos vergões que ficaram ali. As marcas doíam e faziam o sangue circular mais rápido, fazendo-o fluir por todas as veias, artérias e vasos capilares, e, por consequência, por todos os órgãos.
Ela tentou gritar uma última vez. Se sentindo completamente desiludida da pior forma, ela desistiu de lutar ou de reclamar.
Aquilo alegrou o conde, que se abaixou e beijou a bochecha da mestra.
Ele estava posicionado entre as pernas abertas dela e Integra podia sentir que a próxima etapa ia ser, ao mesmo tempo, maravilhoso e angustiante.
Ela sentiu a pele dele nua em contato com a sua.
Depois, sentiu o membro duro dele encostando nela.
E finalmente, ele estava dentro dela.
Mas daquela vez ele não seria bonzinho.
Massivamente, ele começou os movimentos entre as lágrimas dela. A loira cravou suas unhas na madeira da mesa, entre espasmos de prazer e de dor.
Aquilo estava sendo demais para ela em ambos os sentidos.
Ela se mexia junto com ele, como uma orquestra de violinos tocando a 9ª Sinfonia sob o comando de um mesmo maestro.Se fosse humana,Integra estaria arfando.
O crescendo ia e vinha, como um refrão, embalado pelo movimento dos dois.
Depois de várias frustrações, o crescendo final veio e Alucard teve de se apoiar nas coxas dela durante alguns segundos.
Então ele retirou a venda e o headphone dela, para revelar-se sorrindo, nu e coberto por suor.O sorriso dele se estendia por quase todo o rosto, e mostrava as afiadas presas cobertas pelo próprio sangue dele, e pequenas marcas nos lábios.
Ela olhou para as coxas: Estavam marcadas por vergões grossos cor-de-rosa, com pintinhas vermelhas por onde brotavam gotinhas de sangue.Ele saiu de dentro dela e andou até a cabeça dela, retirando a mordaça.Ela o mordeu de raiva, quase arrancando o dedo mínimo dele.
Alucard apertou um botão na parte de baixo da madeira da mesa, soltando Integra que o socou. Ela tentou investir contra o conde ,mas foi facilmente dominada de novo, suas mãos ficaram presas pela mão direita dele e sua cintura foi agarrada.
Ele se sentou na mesa em “x’, beijando as bochechas cobertas por lágrimas secas dela e a acariciando.
Ela tentou se afastar dele, mas o conde tomou o rosto dela para, invadindo sua boca com a língua e sendo correspondido por um beijo faminto.Ela o agarrou, eliminando o espaço entre eles.
Ficaram assim por cerca de dois minutos, quando foram interrompidos pela sirene de urgência.Por protocolo, eles se vestiram depressa, ele com calça e camisa,com um sapato que estava jogado ali, ela apenas pôs o pijama que vestia e subiram.
A porta de entrada da mansão estava escancarada, pendurada apenas por alguns poucos pregos que a atavam ao batente.Pedaços de corpos humanos estavam espalhados pelo hall de entrada,com pedaços de roupa e cabelo.Uma câmera com lente quebrada estava aos pés de Integra, que a ligou e viu as últimas duas fotos. Elas mostravam uma sobra de um homem entrando na mansão e uma foto desfocada dele da janela, batendo com um vaso num dos Wild Geese.
Passos pesados ecoavam pelo chão da mansão,até que Integra os localizou atrás dela,no alto da escada.
Com um sorriso sádico estampado no rosto,a figura do homem do quadro de Alucard se projetava numa roupa do século XV, banhado de vermelho e vísceras.Ele fechou a cara e desembainhou a espada que carregava nas costas.
Fale com o autor