Cinquenta Tons De Vermelho
11 Capítulo 11: Plano
Notas iniciais
Como vão seus lindos?
Sentiram saudades?
Mais um capi para vocês, que com certeza estão com raiva de mim por ter demorado!
Vou dar uma dica sobre o próximo capi(12) para vocês: Eu vou ser má.
Muito má.
E não me sinto nem um pouco arrependida por isto.
Integra ainda estava ansiosa, andava quase tropeçando e sem sentir as pernas trêmulas.
Ela adentrou a mansão deixando os paparazzi sozinhos do lado de fora e deu seu casaco marrom ao mordomo.
Subiu as escadas quase que rastejando e quando chegou a seu quarto e fechou a porta com tudo, se jogou na cama e fechou os olhos sem nem tirar seu vestido longo azul e pôr o pijama.
–Bons sonhos, Majestade... – Um par de olhos vermelhos surgiu atrás dela.
–Eu não estou com cabeça para brincar, conde. Deixe-me. – Ela respondeu.
–Eu não quero brincar, eu só quero ver se você está bem. – Ele se abaixou e tirou uma mecha loira que cobria os olhos dela. Pôs a mão na testa de sua mestra, e agora rainha da Inglaterra por tempo indeterminado, e tirou sua temperatura. – Você está com um pouco de febre por causa do sol. Vou trazer um pouco de whisky gelado.
Ele saiu e voltou rapidamente, com o whisky levemente corado na mão. Alucard pegou o copo que trazia consigo e pôs gelo dentro, enchendo até quase pingar no chão.
–Porque está agindo deste jeito? – Ela perguntou enquanto bebericava.
–Deste jeito como?
–Sendo legal comigo.
–Você quer que eu não seja legal?
Ela nem precisou pensar para responder.
–NÃO! Não pare de ser legal!
–Então eu não vou parar de ser legal. – Ele foi para a porta. – Eu vou lá embaixo, procurar um pijama seco para você, Walter lavou quase toda a roupa que pôde achar.
–Espere Alucard. Você raramente é legal com qualquer um a não ser que tenha cometido uma burrada MUITO grande... Alucard, seu cretino, VOCÊ armou esse circo para cima de mim, não foi?
Ele congelou.
–Vampiro insolente, se eu descobrir que foi você quem orquestrou tudo isso...
E então ele se virou.
–Vai fazer o quê? Mandar-me para a Austrália, que era uma prisão? Ou para uma guerra qualquer nas Ilhas Malvinas, ou Falklands, ou qualquer que seja o nome delas? Cresça, Integra! Se você é a rainha, mesmo que provisoriamente, eu, como seu criador e pai das trevas, sou, no mínimo, o rei. E ninguém pode desobedecer ao rei, mesmo que seja para agradar a rainha. Se me der licença, vou pegar o pijama.
Então, era para isso que Alucard tinha arquitetado tudo? Para ser rei novamente? Integra tirou seus óculos com a mão direita e apertou com força, fazendo com que o par de lentes se quebrasse e cortasse a mão dela.
Alucard voltou com um pijama de calça rosa e camisa branca de coelhinho que ele pegou emprestado de Celas Victoria. Porém quando viu a mão ensanguentada de sua mestra, o sorriso que ele tinha estampado no rosto logo desapareceu. Ele pôs o pijama de lado e pegou um paninho limpo que encontrou na gaveta.
Ele pegou a mão de Integra e tirou os caquinhos cuidadosamente.
–Qual é o seu plano? – Ela perguntou.
–Que plano?
–Você mandou a rainha para o outro lado do mundo e transferiu o poder dela para mim. Você tem um plano.
–É mais ou menos.
–Mais ou menos o quê?
–Eu, mais ou menos, tenho um plano.
–E que plano é esse? – Ela merecia saber, se ia fazer parte do plano dele, e ela ia ser muito importante nisso. Se cooperasse, Integra poderia fazer com que o plano, que tinha 50% de chance de dar certo, ter uns 75% de chance.
–Esse vampiro com quem estamos lidando claramente pretende tomar o poder, por isso atacou o palácio de Buckingham. Todavia, não sabemos se ele acabou de despertar ou se ele já planejava tudo isso e a sombra foi uma jogada para nos distrair. Porém podemos virar a mesa, e estamos virando. É um plano com taxa de 50/50 de acerto e de erro. Caso o vampiro tenha acordado agora a pouco, sua mente ainda vai estar ligada ao pensamento medieval de que o monarca exerce todo o poder e apenas o Papa está acima disso. Foi por isso que mandei Elizabeth para a Austrália e transferi seu poder para você. Se cooperar, podemos fazer um acordo com o primeiro-ministro e o Parlamento para transferir o poder restante para você, mas temos te fazer isso rápido, antes que ele descubra que é uma jogada.
–E se for uma jogada dele?
–Então estamos agora com apenas uma parte do poder, mas é a parte que ele tem pouco interesse. Se transferirmos o poder do primeiro-ministro para você, então...
–Então mesmo que ele tenha acordado faz tempo, ele vai cair na armadilha.
–Sim, mas teremos de ser rápidos, senão ele vai conseguir o que quer. Preciso que colabore. – Talvez agora ela entendesse.
–Você realmente não tem ideia de quem seja? Talvez esteja ligado ao jantar.
–Pouco provável. O que ocorreu no jantar foi uma retaliação por causa do Moonlight Club, caso ele já soubesse do endereço da Hellsing teria enviado mais servos e também teria vindo, ou feito um ataque triplo: Hellsing, palácio de Buckingham e a casa do primeiro-ministro. Ele está tentando provar algo... – Alucard terminou de enfaixar a mão de Integra e se levantou extremamente pensativo.
–O quê, Alucard? O que ele está tentando provar? – O servo encostou-se à parede com uma mão e estendeu a calça do pijama para a vampira, que pegou e a vestiu, fazendo o mesmo com a camisa. Depois de dois minutos pensando, ele olhou para ela. Seus olhos estavam completamente negros.
–Quando você mexeu no meu baú e viu aquela tela... Tinha alguma coisa escrita atrás?
–Não lembro. – Ele se fundiu à parede e depois desapareceu, a loira saiu correndo atrás, vestida com o pijama de coelho e chinelos.
Alguns soldados dos Wild Geese estavam no hall de entrada, comendo alguns lanches e bebendo sucos, pois ainda estava no turno, provavelmente tinham planos para beber depois. Quando a jovem mestra passou por eles, quase derrubando Pip no chão, que exclamou um xingamento e depois ironizou o pijama, Integra não podia ouvir nada. Seria ela que tinha liberado algo e, deliberadamente, posto a vida da rainha Elizabeth em risco?
A questão perturbava sua mente, fazendo com que ela não tivesse percepção espacial para se desviar de objetos. Porém, conseguiu chegar à porta do quarto de seu servo inteira e sem manchas no pijama. Abriu a porta com tudo, entretanto foi apenas para ver o vampiro sentado no meio do quarto, com várias telas e vários documentos espalhados por todos os cantos.
Ele olhava fixamente para a tela quase negra que a loira tinha encontrado no baú dele.
–Ele não está mais aqui. –Ele disse.
–Como? Quem não está mais aqui?! –Ela perguntou sem entender.
Ele se virou e abriu a tela para que ela visse.
–Ele!
Na tela, ainda com os cães, cavalos mortos e pessoas agonizando, o céu estava mais escuro do que Integra se lembrava de e alguns personagens finalmente pareciam ter morrido. Porém, o personagem principal, o monstro de Alucard, não estava mais ali. Havia sumido totalmente. Nenhuma parte da tela havia sido arrancada, era como se o homem nunca tivesse estado lá, e sangue e armas ocupavam seu lugar no quadro.
–Mas COMO?!
–Sinceramente não importa muito. Uma hora ou outra ele ia conseguir escapar. O importante é que estaremos preparados para isso, porque você vai treinar comigo a partir de amanhã.
–Como?
–Ele ainda está fraco, por isso sua sombra foi de reconhecimento, ainda acreditando no pensamento medieval. Hoje mesmo terei uma conversa com o primeiro-ministro e transferirei o poder total para você. Por sorte demorar um pouco para ele se regenerar de vez, então teremos uma ou duas semanas até ele atacar de novo.
–Mas porque eu tenho de enfrenta-lo? Você é o monstro que mata monstros, não eu.
–Você é uma monstrinha jovem e frágil, com muito poder nas mãos. É um alvo fácil para quem tem 500 anos e muitas pretensões. Eu o odiava desde o primeiro dia em que o vi, sempre o odiei, mesmo sendo rechaçado por isso, porém, com o passar do tempo, ele foi além do aceitável e tive de condená-lo à prisão no quadro. Todavia, com o passar dos anos, o feitiço foi perdendo o efeito e ele conseguiu se libertar. Provavelmente saiu da Hellsing durante uma troca de turno e te conhece de vista, então não vai dar para enganá-lo. Quando ele for atacar, certamente a terá como alvo, então é preciso fazê-la mais forte.
–Tem certeza que não está com medinho?
–Seria uma boa briga, admito... A melhor briga que já tive em 500 anos, principalmente se todos os selos fossem liberados... –Ele sorriu para o nada. –Porém preciso falar com o primeiro-ministro antes. De qualquer forma, melhor prevenir do que remediar.
Ele saiu, deixando sua mestra sozinha com a tela. Ela olhou mais uma vez só para confirmar o que tinha visto, enrolou cuidadosamente e devolveu ao baú, fechando-o. Então o cansaço bateu e ela mal conseguia manter os olhos abertos e precisou de apoio para manter-se de pé. O horário trocado cobrava seu preço.
Integra cambaleou até o caixão de Alucard, abriu o ataúde, deitou-se lá dentro e fechou a tampa. Já um pouco melhor por causa da escuridão, ela pôde notar um papelzinho, um foto, aliás, que a mostrava quando pequena junto a Walter. Uma fotografia que fora tirada pelo próprio conde na porta da frente da mansão, num dia ensolarado.
–“Como ele consegue?” — Ela se perguntou. –“Ele dormiu de 1945 até 1987, 42 anos. Um tempo muito longo para um humano, mas para ele, deve ter sido a siesta.”
Ela colocou a foto onde estava e se cobriu com um edredom que estava dentro do caixão, e teve a melhor “noite” de sono que jamais tinha tido.
Alucard saiu vestindo um casaco vermelho fino para se deparar com um jardim coberto por neve até o quadril, e uns paparazzi se escondendo atrás de árvores. Ele suspirou. Seria assim de agora em adiante, não é?
Ele entrou na neve em direção à rua, onde os carros oficiais da Hellsing e os da realeza estavam estacionados por conta do frio, caso contrário, iriam patinar no gelo não removido da garagem.
O conde entrou no Rolls Royce e deu uma arrancada em direção ao Parlamento inglês para uma “abdicação em favor da rainha contra ameaças inevitáveis que só ela poderia lidar, com toda a sua experiência”. E se ele não concordasse, bem, algum infeliz acharia o corpo dele em seu apartamento com um bilhete de suicídio explicando o que deveria ser feito. E o vampiro garantiria que realmente ia parecer um suicídio.
Notas finais
Nos vemos no capi 12!
Siesta-Cochilo após o almoço,muito popular na Europa antigamente e até hoje em alguns países.
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