Cinquenta Tons De Vermelho
10 Capítulo 10: A Criatura
Notas iniciais
Como vão seus lindjos?
(esse erro foi de propósito)
Demorou,mas chegou!Capítulo 10!The treta has begun!
Então,capi curtinho,mas com uma surpresa,que eu não sei se vocês vão gostar...
Mentira,eu sei que vocês me amam e que amam ainda mais esta fic(só que não).
Então,gostaria de recomendar uma banda que eu ouvi enquanto escrevia,que é MUITO legal principalmente para quem gosta de música erudita e rock.O nome é Gregorian,eles pegam músicas famosas(tipo "Who Wants To Live Forever" do Queen, "Sweet Child of Mine" do Guns N' Roses) e fazem uma versão em estilo canto gregoriano.
Recomendo ouvir a versão deles de "The Sound Of Silence" enquanto leem,pois eu a ouvi enquanto escrevia.
Boa leitura à todos!
Alucard destravou silenciosamente a arma.
Tudo estava num silêncio mortal no palácio de Buckingham. Há esta hora, perto do nascer do sol, talvez fosse comum, mas ele não ouvia nem o ronco dos guardas.
Estava tudo muito escuro até para uma noite fria de inverno. O Natal estava cada vez mais próximo, cerca de uma semana, e não havia luzes decorando o palácio e seus arredores. Isso era realmente estranho. O vampiro normalmente conseguia exalar o cheiro de muitas pessoas, já que o palácio é aberto aos turistas no verão, mas não sentia o cheiro de nenhum humano.
O palácio não era conhecido por sua segurança, já que um louco fora encontrado vagueando por lá, outro já tinha pedido a mão da princesa Ana em casamento, um estudante já havia arrancado um portão de uma tonelada e meia de peso... Para ele não era de se espantar que o palácio fosse invadido por um vampiro. Porém, ainda que fosse mais um museu do que uma residência, aquela era a casa da rainha e mesmo assim a segurança era ridícula. Talvez fosse porque poucos ingleses infringiam a lei naquele lugar, ou talvez porque quem era responsável pela segurança fosse um completo idiota.
Seus passos eram silenciosos e ele estava atento a tudo, mesmo aos ratos que passavam por baixo dele. Os quadros que enfeitavam as paredes, as esculturas protegidas por vidros, tudo estava inteiro e no lugar.
Inspirou e expirou profundamente o ar à sua volta, tentando reconhecer alguma coisa de estranho no ar. Um cheiro de absinto, bem leve, pairava sobre o local.
Ele subiu para o segundo andar.
No canto do último degrau, colada na parede, uma mancha vinho recente. O vampiro absorveu o ar de novo.
Medo.
Não era um medo proveniente do conde, mas da mancha. O cheiro característico tinha se perdido antes mesmo daquela mísera gotinha de líquido vital perder-se, e tinha sido substituído por medo em sua consistência mais pura.
Uma pena preta caiu sobre a cabeça de Alucard. Sua mão extremamente pálida a tocou envolveu e a trouxe para perto de seu rosto. Era tão negra que não tinha sequer relance de tons esverdeados ou azuis, com penugem na base, como uma caneta de uma jovem senhora caprichosa e romântica do século XIX.
Alucard olhou para cima e não havia nada ali, apenas o teto adornado. Alucard voltou-se para o corredor vazio e escuro. Deu um passo audível, para fazer-se presente.
Mas a criatura já sabia que ele estava lá fazia tempo.
Corvos voaram na direção do vampiro, batendo entre si mesmos, e acertando o vampiro às vezes. A visão dele ficou completamente tomada pelos pássaros, porém todos sumiram depois de alguns segundos. Alucard ia dar um passo à frente quando uma mão gigantesca o perfurou e o prendeu à parede.
Ele bateu com tudo, afundando a parede ao seu redor. Alucard olhou para a mão negra que o mantinha lá e tentou identificar do que era, mas não era um corpo físico, pois ele podia ver o chão através dela. O polegar, se é que aquilo podia ser chamado assim, parecia uma garra afiada, pontiaguda, contudo era totalmente translúcida, sem unha ou qualquer lâmina. O vampiro tentou agarrar a mão gigante, porém não obteve sucesso.
O membro não era real. Era feito de uma espécie de fumaça.
Por instinto, ele olhou para frente e viu um par de olhos vermelhos.
Não era um par normal, com as íris vermelhas, mas o olho todo, como um robô ou algo assim. A criatura tinha estatura baixa, de 1,60m, e aparentava ser homem. Usava um sobretudo que ia até os pés, num tom de verde musgo morto, um chapéu negro que lhe ajudava a cobrir boa parte do rosto, um cachecol vermelho escuro e botas militares pretas, de cano alto.
A criatura lentamente se aproximou, e como o cachecol cobria o rosto, Alucard não pôde ver se tinha presas ou não. Mas não importaria se ele pudesse ou não, aquilo não era vampiro. A mão saiu de dentro do conde, que caiu no chão de joelhos, com a mão na barriga. Ele sorriu.
–Quem é seu dono?
A criatura não respondeu.
–Entendo, seu dono não lhe fez uma criatura falante. Só dê este recado a ele então...
Alucard apontou as armas e disparou diversas vezes.
A criatura não se moveu, mas entrou em desespero. Aparentemente não suportava barulho, por isso não havia nada quebrado no andar de baixo. O vampiro rapidamente levantou-se e encarou a criatura.
–Liberando restrição de poder três, dois e um... –As mãos e cabeça do vampiro caíram, como se tivessem sido cortadas, para dar lugar a milhões de olhos. Alucard transformou-se numa mancha que cobria todo o corredor com os olhos mergulhados nela.
A criatura ficou assustada, mas não se moveu. Baskerville surgiu do pescoço do vampiro, abrindo sua boca quase infernal. A criatura pulou para trás, mas o cão conseguiu arrancar uma parte dela, que instantaneamente se transformou em corvos e voou para longe, saindo por uma janela aberta. Baskerville não desistiu, e tentava arrancar mais e mais pedaços da criatura à sua frente, sem sucesso. A criatura dava pulos rápidos para trás, o mais alto o possível.
Ela, então, esticou seus braços de forma a envolver Baskerville, e eles se transformaram em corvos. O cão era bicado pelas aves de tal forma que chegavam a arrancar sua pele e pelos. A criatura abriu o sobretudo um pouco, revelando armas gigantes. Baskerville se livrou dos corvos e os engoliu, mas não à tempo de evitar que algumas balas o perfurassem, o sorriso da criatura se expandiu.
O cão pulou em cima da criatura, mas ela se esquivou e ele bateu num vaso, que caiu e quebrou. A criatura ficou atordoada pelo barulho, e o cão procurou mais coisas para quebrar de propósito. O cachorro infernal se jogou contra um vidro que protegia um quadro, uma estátua, um lustre e tudo mais que fosse frágil. A criatura estava prestes a desmaiar quando encontrou a janela aberta atrás de si. Ela se transformou em corvos e saiu pela abertura.
Alucard voltou ao normal com um sorriso no rosto. O lugar estava coberto pelo sangue do vampiro e por penas da criatura.
–Finalmente... Há um adversário à minha altura...
Alucard subiu para o terceiro andar e encontrou a família real no quarto da rainha. Ele dirigiu-se até ela, as roupas rasgadas revelando o corpo de mandioca descascada em forma, com os guardas paralisados de medo.
Ele se abaixou e seguro as mãos da senhora.
–Deveria demitir seu chefe de segurança.
–Ah, mas ele está há tanto tempo aqui e conhece esse lugar melhor que eu. — A mulher respondeu.
–Escute Elizabeth, preciso vá o mais longe o possível sem chamar a atenção de ninguém. Há um vampiro tão poderoso quanto eu rondando a Inglaterra, cujos planos ainda me são obscuros, porém incluem algo perverso com a sua família e com você.
–Eu não posso abandonar meu país assim...
–Então deixe nas mãos de Integra, ela sabe governar e foi bem instruída para isto, e se tudo der errado, ela terá a mim, que fui rei por mais tempo do que gostaria de ter sido.
–Integra... Tem certeza disso, vampiro?
–Você tinha 25 anos quando foi coroada e eu sempre disse que você tinha talento para governar, estive errado todos esses anos?
Ela sorriu.
–Chamem a mídia e avisem-na de que vou sancionar uma lei provisória. – Ela disse para seus guardas. – Para onde devo ir?
–Austrália, talvez. Você já foi lá várias vezes, e uma viajem a mais, uma viajem a menos não faz diferença. Além disso, é muito longe daqui. O mais importante em si é você ficar longe daqui.
–Está certo então. Preparem as minhas coisas e o avião.
Alucard despediu-se da monarca e saiu do quarto satisfeito. Integra seria rainha provisoriamente, mesmo que não tivesse esse título. Era um título muito importante para o Reino Unido, mesmo em dias de primeiro-ministro. Mais algumas manobras e ela também teria os poderes dele, além de ter um dos exércitos mais poderosos do mundo.
Contudo aquilo não ia ser motivo de comemoração para ninguém.
Um inimigo tão poderoso quanto ele estava se aproximando e ia tentar tomar o poder.
Alucard passou através da entrada do palácio e a loira platinada estava à sua espera, junto com Celas.
–O que aconteceu lá? – Ela perguntou.
–Era uma sombra, algo parecido com o meu Baskerville.
–Então é um vampiro?
–Sim, e tão forte quanto eu. A sorte deles é de que aquela criatura era fraca, talvez porque seu mestre a fez assim para poder ter várias ou só uma fraqueza temporária para averiguar a segurança.
–Então esse vampiro quer tomar o poder?
–Sim, contudo instruí a rainha e toda a sua família para irem viajar para o mais longe o possível por tempo indeterminado.
–E quem vai ficar no trono? Alguém tem substituir a rainha nessas horas, e de preferência, rápido.
–Você. Você vai substituir a rainha a partir do momento em que ela entrar no avião.
Integra, que estava fumando um charuto, deixou ele cair no chão.
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