Cinquenta Tons De Vermelho
7 Capítulo 7: Memórias I (parte II)
Notas iniciais
Apesar de que nada desculpa esse atraso monumental. Eu realmente pretendia escrever bastante nestas férias,mas algumas coisas não puderam ser adiadas e outras me deram a maior dor de cabeça.
Mas chegou o dia^^.
Resolvi postar como capítulo 7 porque lá em cima (na barra de endereços) fica como capítulo 7 não importa o que eu faça, é só ter em mente de que ele é a continuação de "Memórias I (parte I)" (Ah, vá!).
Não posso adiantar nada do próximo capítulo, só que ele será sobre a adolescência da nossa queridíssima e mais do que estressada, diretora da Hellsing.
A propósito,vocês viram o último OVA de "Hellsing"?
Eu sou louca mesmo ou então vocês também ficaram com a expressão de "WTF?" estampada na cara quando o Major atirou nela?
Depois do lanche veio a aula de artes e outra professora assumiu. Era uma italiana de vinte e tantos anos, com um bumbum gigante, de pelo menos um metro e vinte de circunferência, seios médios, um metro e meio de altura, cabelos negros e encaracolados e olhos verdes. Estava metida num vestido branco, de estampa florida, em cores quentes. Bem, ela toda já era quente.
Alucard tirou o casaco que vestia e o amarrou na cintura para disfarçar o que estava acontecendo no meio de suas pernas. A professora se identificou como Francesca e sorriu para o vampiro assim que o viu.
Carregava uma bolsa cheia de coisas que entregou a Alucard. Dentro havia uma pasta cheia de cartolinas, EVA, glitter, purpurina, carimbos, canetinhas, lápis de cor, cola, tesoura sem ponta, fios para pendurar e fita adesiva para grudar no teto.
Ela pediu para que ele escolhesse um animal num atlas que ela trouxe e desenhá-lo na parte de trás, sem cor, da cartolina, depois recortasse e desenhasse no EVA. Ela explicou todo o processo para fazer um móbile de bicho, mas ele só tinha olhos para o decote em v que lhe acentuava o busto.
E em sua boca carnuda pintada de um leve carmim, e seu cheiro de água de colônia, e em seus olhos que emanavam um verde escuro envolvente, e em seu cabelo que parecia ser muito macio e sedoso...
Integra virou-se para trás e começou a falar com ele.
–Você está me ouvindo?
–Hã?
–Não acredito! Primeiro dia de aula e já tá viajando na maionese!
–O que foi?
–Você vai mesmo escolher um morcego para ser o seu móbile?
–Sim.
–Todo mundo vai te zoar por causa disso.
–Eu não me importo. Já estão falando mal de mim sem me conhecer. –Ele indicou alguns meninos baixinhos do outro lado da sala cochichando entre si.
–Eles são assim mesmo, falam mal de todo mundo e se acham “os” caras do fundamental.
Alucard bufou.
–Se a mestra deixasse, daria uma aula de humildade para eles que demoraria mais de vinte anos para esquecer. –Ele sorriu.
–Alu... Jack! Eles são só crianças, como eu, -Ela começou a sussurrar.- como você já foi.
–Desculpe-me, Sir Integra, mas eles não são como eu fui. Ou como você é. Acredite em minhas palavras: é muito especial, jovem mestra, e eu jamais permitiria que comparasse e se ocupasse com a opinião de seres tão baixos. Nos dois sentidos.
Ela riu. Alucard começou a repensar sobre qual animal escolheria. Abriu o atlas e olhou atentamente as características de cada bicho, focando-se nos que, por natureza, habitavam a escuridão e chegou a gostar de alguns, e descobriu uma espécie de morcego, totalmente branco, que se alimentava apenas de frutas e que ele não conhecia.
Mas, mesmo após ter passado dez minutos com o livro, continuou com o morcego. Pegou a cartolina vermelha, a maior que havia em largura, e desenhou o bicho perfeitamente, recortou-o e o colocou em cima do EVA preto. Voltou a fuçar na bolsa à procura de enfeites para seu móbile, pegou duas lantejoulas vermelhas que encontrou no fundo da bolsa, purpurina negra e uma caneta glitter cinza.
Recortou o EVA no formato que queria, espalhou cola a cerca de um centímetro de onde colaria as lantejoulas dos olhos, jogou a purpurina por cima, espalhou-a e devolveu o excesso ao potinho. Colou os olhos rubros no animal e desenhou as articulações nas asas, esfumaçou com o dedo e desenhou veias e vasos capilares com canetinhas verde e vermelha de modo que ficasse visível apenas a quem se aproximasse.
Francesca foi até ele quando terminou de orientar um aluno com deficiência física e mental. Ela elogiou os dons artísticos do “menino” de cabelos negros, apesar de claramente ter sérias dúvidas sobre as escolhas que ele iria tomar dali por diante. Ela furou o móbile com um pequeno estilete bem no meio da cabeça, todavia, por um descuido, deixou a lâmina cair no chão. Ela se abaixou para pegá-la, dando a Alucard uma visão panorâmica dos seios redondos, firmes e joviais.
Definitivamente a mão direita teria um banho e tanto.
Ela subiu numa cadeira e pendurou o morcego logo acima da cabeça de Integra. Alucard sorriu. Ele sempre vigiaria sua mestra mesmo quando ela pensasse que ele não estaria por perto.
Ela escreveu “Jack Sullivan” com uma caneta glitter cinza de secagem rápida. Todos observavam o móbile como se fosse a bandeira da Inglaterra, mas sem cantar o hino e nem ficar emocionados. Estavam quietos, impassíveis.
Alucard sabia que todos os olhariam de forma muito diferente, além do “diferente” que seria considerado normal, mas mesmo assim sorriu. Isso também evitaria futuros problemas com sua mestra, pois o mesmo tratamento se estendia aos que lhe fariam companhia e assim Integra teria menos chances de ser cortejada em anos vindouros.
Quando a professora desceu da cadeira onde estava, olhando ao redor, disse em tom autoritário, para que todos voltassem a recortar as cartolinas enquanto ela orientava Alucard, ou melhor, Jack, sobre a atividade que estavam fazendo. Eram cartões do Dia dos Namorados, algo bastante simples: desenhar e recortar um cartão em formato de coração, escrever uma mensagem e entregar a quem fosse especial. O número de cartões era ilimitado, mas o máximo que cada aluno fez foi quatro.
Integra estava fazendo três: um para Walter, por ter cuidado dela, um para Alucard, por ter-lhe salvo a vida e um, provavelmente, para Michael Chase. Alucard remoía-se de raiva por dentro. Pôs tanta força na cartolina enquanto desenhava que acabou por rasgá-la, recortou o coração e escreveu uma mensagem simples, de cunho ligeiramente amoroso, para sua mestra.
Havia uma espécie de caixinha na frente de cada carteira para que outros alunos colocassem cartões ali. Integra não parecia surpresa quando, depois de meia hora, descobriu que sua caixa estava vazia, mas não pôde esconder sua decepção.
A aula de artes acabou e a professora polivalente retornou às suas atividades, e finalmente veio o almoço, a hora que Alucard tanto desejava. Lembrou-se que primeiro deveria ir à diretoria, e talvez isso lhe tomasse grande parte do tempo.
Integra indicou-lhe o caminho para diretoria e para a lanchonete, onde ela almoçaria junto com o “thrombosis”, apelido australiano para aquele sujeito que não faz nada e ainda atrapalha.
A sala da diretoria era ampla, cheia de quadros de cenas idílicas, paredes em tons de terra, vasos de plantas altas espalhadas por todos os lados, sofás de madeira com almofadas espalhados pelo recinto e uma escrivaninha rústica com uma cadeira de executivo negra. A diretora era alta, magérrima, com cabelos negros, finos e curtos, com alguns fios brancos espalhados por suas madeixas.
Ela estava de costas, olhando por uma janela, atrás da mesa.
Alucard limpou a garganta para indicar que estava ali após fechar a porta.
Ela se virou e ele pôde notar alguns pés-de-galinha nascendo ao redor dos olhos verdes, além de uma marca, quase imperceptível, logo abaixo da boca. Ela caminhou até ele e, quando já estavam próximos, ela fechou a cara e se abaixou.
–Vampiro. –Ela disse.
–Demorou a notar. Quantos anos você tem? Duzentos? Duzentos e cinquenta? –Ele inqueriu na sua voz normal, juntamente com seu sorriso sarcástico. –Pude sentir seu cheiro do corredor. Qual o seu nome, criança da noite?
–Diga-me primeiro quem é você.
Ele puxou a arma que estava escondida na parte de trás do short, carregada apenas com balas comuns revestidas em prata. Não era o suficiente para matar um vampiro, porém bastaria para assustar.
–Armas não são permitidas aqui. –Ela arrancou a arma da mão dele usando seus poderes. –Agora, responda-me!
Ele fechou a cara.
–Eu não gosto que grite comigo, não é assim que se trata uma criança. Se te pegarem fazendo isso você será exonerada de seu cargo.
–Responda-me!
Ele riu alto.
–Por que acha que pode mandar em mim? –Ele estendeu a mão para onde a arma foi atirada e a recuperou. Jogou a diretora pela sala, fazendo-a bater com tudo na mesa. Caminhou até ela, seu sorriso renascendo como uma fênix enquanto ela dava um olhar que o lembrava dos otomanos que estavam prestes a morrer. Alucard se abaixou e, com o rosto quase colado ao dela, continuou a falar. –Eu sou o Rei da Não-Vida, aquele que caça os da própria espécie. –Encaixou o buraco de saída da bala no queixo da vampira, levantando a cabeça dela. –Eu não vou perguntar mais uma vez. Diga-me seu nome.
–É Helena. Helena Dubrovnick.
–E o que faz aqui?
–Caso não tenha percebido, eu sou a diretora desta escola. –Alucard destravou a arma. –Entrei aqui para substituir o antigo diretor, ele tinha câncer e, depois de oito anos, ele acabou morrendo e eu tive de assumir como diretora permanente. Trabalhava para o Ministério da Educação e, quando ele ficou doente pediram para que eu assumisse temporariamente o cargo. Depois da morte dele me desliguei do Ministério.
–Por quê?
–O salário era melhor, enquanto eu estivesse ligada ao governo receberia o salário estipulado por eles, além disso, não posso ter dois empregos segundo o governo.
–Entendo. –Ele baixou a arma e se afastou dela. De costas, perguntou: — Quantos mais?
–Uma das cozinheiras, um jardineiro e dois monitores.
–Quantos anos cada um?
–A cozinheira tem 70, o jardineiro tem 47 e os monitores por volta de 150, 160 anos.
–Não os quero perto das crianças.
–Você não manda em mim.
–Vamos ver...
Alucard abaixou a mão e atirou na barriga mulher. Mas o barulho fora quase totalmente abafado pelo barulho das crianças e das sirenes de carros de polícia que passavam do lado de fora da escola.
Ela sufocou o grito com a mão, quase a arrancando de dor.
–Quem manda aqui agora? –Ele esperou uma resposta. Não a obtendo, agachou-se perto dela e começou a aumentar o rasgo do tiro com os dedos. Helena gemia de dor.
–É... É... É... Você. –Ela finalmente conseguiu responder.
–Você vai deixá-los perto das crianças?
–Eu... –Ele aumentou o tamanho do buraco. –NÃO! Não vou! Por favor, pare!
Ele retirou os dedos do buraco, levantou-se e foi em direção a um aparador com uma jarra de água e biscoitos perto da porta. Limpou os dedos e guardou a arma, enquanto a vampira levantava-se com dificuldade.
–Não se preocupe, as balas são comuns, revestidas com prata apenas. Vai demorar uns dias, mas vai se recuperar. –Ele virou-se para Helena. –A partir de agora irei frequentar as aulas desta escola como um estudante normal, irei fazer provas, atividades escolares e interagir com outros alunos e também com funcionários. Você não deverá interferir. Para garantir isto, você será minha subordinada, caso discorde disso eu a eliminarei e darei um jeito de colocar alguém que concorde no seu lugar. Resumindo: se tem amor a sua vida ou a qualquer outra coisa, obedeça minhas ordens.
Alucard saiu e, com todo o cuidado, verificou se não havia ninguém no corredor. Saiu de mansinho e voltou à sala de aula, pôs o cartão de Dia dos Namorados dentro da caixinha da carteira de Integra e deslizou para fora da sala.
Foi até a cantina com uma lancheira qualquer preta, sem nenhum desenho ou enfeite, que achou numa sala com objetos antigos da mansão. Estava em bom estado e Alucard achou melhor do que sair por aí só para comprar uma.
Sentou-se numa mesa iluminada pelo sol, ao lado de sua mestra.
–Desculpe, não havia nenhuma outra. –Ela disse graciosamente.
–Não faz mal, terei de me acostumar a ele de qualquer forma se quiser continuar te acompanhando.
Ela sorriu.
–E o seu amigo? Ele não veio hoje?
–Veio, ele só foi comprar um suco numa máquina perto da área do ensino médio. Olha ele ali!
Um garoto loiro, dois tons mais claros do que o de Integra, magricelo, sorridente, lábios pintados de rosa por causa do suco de morango, olhos azuis claríssimos e roupas largas caminhava em direção à mesa onde Alucard estava sentado.
–Demorei? –Ele sentou-se de frente para a diretora da Hellsing.
–Não, nem um pouco. Michael, este é Jack Sullivan. Ele é o aluno novo que te falei.
Então aquele era o adversário de Alucard? Ele riu por dentro.
–Ah, sim. A senhorita Integra contou-me muito a respeito de você, se é que me permite chamá-lo assim. Eu estou muito interessado em como conseguiu uma bolsa aqui. –Alucard fechou a cara por dentro. Aquele thrombosis já estava enchendo o saco.
–O diretor do orfanato conversou com a diretora daqui, mostrou as minhas notas e meu histórico escolar. Não sei explicar direito, pois eu não estava lá, ele só me disse que tinha sido aceito.
–Oh. Tem se adaptado bem?
–É uma escola normal. Não vejo porque não me adaptaria. –Integra o chutou de leve. Não que ele estivesse sendo rude ou algo assim, contudo, segundo ela própria, a mente de Michael era um tanto misteriosa e muitas vezes ninguém sabia dizer ao certo o que se passava ali.
Passaram um tempo discutindo as origens de Jack. Alucard então percebeu que Michael não gostava dele e desconfiava de seu personagem, todavia ele já tudo ensaiado e não hesitou em nenhuma resposta, mas Michael continuava desconfiando.
Ele também notou que Michael ficava meio corado quando Integra entrava na conversa. Ele quase revirou a mesa em cima do Crocodilo Dundee. Aquilo era inaceitável e já tinha passado dos limites. A mestra era de Alucard, A-L-U-C-A-R-D, e de mais ninguém! NINGUÉM!
Agora era GUERRA!
Felizmente, pelo menos para o loirinho, o sinal tocou e todos voltaram para suas classes. Alucard, por dentro, chutava tudo que via pela frente e socava portas e paredes.
Por fora, era expressão perfeita de um menino que tinha encontrado um novo amigo.
Ah, sim... Um amiguinho novo para brincar de Jogos Mortais...
E Alucard seria o Jigsaw.
Integra logo notou o cartão dentro da caixinha e sorriu. Puxou para fora e abriu, ao terminar de ler deu para Alucard junto com um bilhetinho que dizia: “Olha que fofo que Michael escreveu!” e dois coraçõezinhos do lado.
O céu desabou sobre o vampiro.
O resto já não tinha graça e ele nem reparou nas aulas ou na comida nojenta do almoço.
A viagem de volta tinha sido muda, o silêncio interrompido apenas por notas musicais de uma estação de rádio qualquer.
A menina estava cansada e logo subiu para uma rápida soneca.
O vampiro não queria ser incomodado por ninguém, deitou-se em seu caixão e tentou dormir um pouco.
Levantou cerca de uma hora depois e, ainda em forma de criança, foi andar por aí.
Encontrou Integra distraída, levando uma toalha e uma calcinha embolada num pijama nas mãos no corredor, obviamente indo tomar banho. Alucard estava atrás dela, caminhando de modo que sua presença fosse imperceptível. Ele rapidamente alcançou-a e levantou a saia com tudo, revelando a roupa íntima da loirinha.
–Rosa com bolinhas brancas e babados. –Ele sorriu.
–Ei! Pare com isso Alucard! –Ela tentou cobrir-se, porém já era tarde demais.
Ele saiu correndo sorrindo e mostrando a língua. Ela começou a correr atrás dele, ameaçando-o de trancá-lo no caixão durante alguns dias. Mas o que eram dias para quem tinha sido trancado por décadas?
Quando ela desistiu e foi tomar banho, o vampiro caminhou sem fazer barulho até a porta do banheiro, abriu-a, despiu-se e dobrou as roupas. Ela tomava uma ducha dentro da banheira com uma cortina escura, o vampiro tomou cuidado de não fazer barulho para entrar.
Ele pegou uma bucha cor-de-rosa e o sabonete líquido enquanto ela lavava o rosto, e começou a passar nas costas dela.
–WALTER! –Integra gritou o mais alto que pôde.
Walter veio correndo, quase escorregando no azulejo do banheiro. Pegou o vampiro e o arrastou para fora do banheiro junto com suas roupas.
Alucard se agitava, gritando que queria tomar banho com sua mestra. Afinal, ele merecia por protegê-la tão bem. E por não ter quebrado a cara de Michael "Thrombosis" Chase.
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