Entramos na mansão e um turbilhão de emoções continuava a dominar meu coração. A casa era grandiosa, mas ao mesmo tempo transmitia uma sensação de acolhimento e calor. Meus pais me conduziram até o sofá na sala de estar, e Renesmee não soltou meu braço por um segundo sequer. Sentada ali, sentia o conforto de estar envolta no carinho e nas palavras doces dela.

— Minha querida Jassie, eu sonhei tanto que esse dia chegaria. — Renesmee dizia, suas lágrimas misturando-se com sorrisos. Ela me acariciava o rosto, os olhos brilhando com um amor imenso e incontido.

Jacob se aproximou, ajoelhando-se na minha frente. Ele me abraçou com força e, com a voz carregada de culpa, começou a falar.

— Jassie, durante todos esses anos, a culpa me consumiu. Eu me culpei por ter voltado a Bruges, por ter assumido a presidência da empresa e te deixado desprotegida. Eu falhei com você. — As lágrimas escorriam pelo rosto dele, e eu podia ver o peso do arrependimento em seus olhos.

Segurei suas mãos e o puxei para mais perto, envolvendo-o num abraço firme.

— Pai, eu sei que você não foi culpado. Embora eu precise entender o que aconteceu, sei que você me ama e que sempre fez o melhor que podia. — Minha voz tremia, mas eu queria que ele sentisse a verdade nas minhas palavras.

— Pai? A emoção dominou seu rosto e Jacob sorriu, um sorriso cheio de alívio e gratidão, e beijou minha testa.

— Sim — Dei um sorriso enxugando minhas lagrimas — Vou precisar me acostumar com isso.

Jacob e Renesmee sorriam, foi então que percebi a presença de uma mulher na sala. Ela sorria, mas as lágrimas escorriam por seu rosto. Ao vê-la, uma lembrança antiga e confusa voltou à minha mente. Era ela quem estava na praça comigo, anos atrás. Meu coração deu um salto, reconhecendo-a de imediato.

— Lucy, venha aqui — disse Renesmee, a voz ainda embargada pela emoção.

Lucy se aproximou, ainda chorando e sorrindo ao mesmo tempo.

— Jassie, esta é Lucy. Ela sempre esteve à nossa procura, nunca desistiu de te encontrar. — Renesmee apresentou-a com carinho.

Lucy me olhou, e nos seus olhos eu vi uma dor profunda, mas também uma esperança que nunca morreu.

— Eu me lembro de você. Você estava na praça comigo, não estava? — perguntei, minha voz cheia de surpresa e emoção.

Lucy assentiu, enxugando as lágrimas.

— Sim, Jassie. Eu estava lá. Eu tentei te proteger, mas não consegui. E desde então, não parei de te procurar.

Eu me levantei e a abracei, sentindo que, de alguma forma, ela também fazia parte dessa história. — Obrigada por nunca desistir de mim — sussurrei, sentindo uma onda de gratidão e alívio.

Enquanto estávamos ali, todos juntos, senti que, finalmente, as peças do meu quebra-cabeça estavam se encaixando. Embora ainda houvesse muito a entender e superar, o amor e o apoio da minha família me deram a certeza de que não estava mais sozinha. Estava em casa, com as pessoas que me amavam e que sempre me buscaram, e isso era tudo o que eu precisava.

Enquanto nos abraçávamos, senti o calor e o apoio da minha família ao meu redor, dissipando um pouco da dor e da incerteza que me acompanharam por tantos anos. Renesmee e Jacob se afastaram um pouco, e meu pai falou com suavidade:

— Jassie, temos muito o que conversar. Há tantas coisas que você precisa saber e entender.

Renesmee segurou minha mão, o toque dela reconfortante e cheio de amor.

— Querida, preciso te mostrar algo. Venha comigo — disse minha mãe, com um brilho nos olhos que misturava alegria e alívio.

Lucy, que ainda estava próxima, sorriu calorosamente e disse: — Vou providenciar o almoço. Será especial, pois será o almoço do retorno de Jassie. O que você mais gosta de comer, querida?

— Eu gosto de macarrão — respondi, lembrando-me das refeições simples, mas reconfortantes, que sempre me trouxeram alegria.

Antony, que até então havia ficado em silêncio, abraçou Lucy e disse com entusiasmo: — Lucy faz um macarrão delicioso. — Ele me deu um beijo no topo da cabeça e acrescentou: — Preciso de um banho. — Então, ele começou a correr subindo as escadas, mas parou no meio do caminho e olhou para mim com um sorriso cheio de carinho. — Bem-vinda de volta, irmãzinha.

Eu sorri de volta, sentindo uma onda de felicidade e pertencimento.

— Obrigada, Antony — disse com um sorriso.

Ele continuou subindo as escadas, e eu me virei para Renesmee. Nós começamos a subir as escadas de mãos dadas. Cada degrau parecia nos levar mais perto de um novo começo, de respostas e de uma vida que eu sempre deveria ter tido.

Quando chegamos ao andar de cima, minha mãe me conduziu por um longo corredor, repleto de quadros de família. Paramos diante de uma porta, e Renesmee a abriu lentamente, revelando um quarto que parecia congelado no tempo. Havia brinquedos, livros infantis e uma cama ao fundo.

— Este era o seu quarto, Jassie. Nós mantivemos tudo exatamente como era, esperando pelo dia em que você voltaria para casa — disse ela, a voz tremendo de emoção.

Olhei ao redor, absorvendo cada detalhe, sentindo uma conexão profunda com aquele espaço. As memórias eram vagas, mas a sensação de familiaridade era inegável.

— Eu me lembro de alguns desses brinquedos — sussurrei, tocando um ursinho de pelúcia com o qual sonhei tantas vezes.

Renesmee apertou minha mão com mais força.

— Jassie, não vamos apressar nada. Vamos contar tudo a você no seu tempo. Mas saiba que te amamos e que sempre estivemos à sua procura.

As lágrimas voltaram aos meus olhos, mas desta vez eram de gratidão. Eu sabia que o caminho para entender tudo seria longo, mas com minha família ao meu lado, eu não tinha dúvidas de que conseguiria.

Após alguns minutos, descemos as escadas mais tarde, o aroma delicioso de macarrão no ar. Lucy estava na cozinha, e Antony tinha acabado de descer, com os cabelos ainda úmidos do banho. Sentamos juntos à mesa, e pela primeira vez em muitos anos, senti que estava exatamente onde deveria estar.

Nos sentamos à mesa para o almoço, e o aroma delicioso de macarrão preencheu a sala, trazendo uma sensação de conforto e alegria. O ambiente estava cheio de risos e histórias, todos felizes por estarem juntos novamente. Eu estava começando a me sentir em casa, cercada pelo amor e carinho da minha família.

De repente, ouvi uma voz familiar vinda da porta. Olhei na direção de onde o som vinha e vi Adam entrando na sala, animado e com um sorriso largo no rosto. Meu coração deu um salto, e senti minhas bochechas corarem ao ouvi-lo me chamar de Jassie, dando as boas-vindas de forma carinhosa.

— Cheguei a tempo do almoço da Jassie? — Disse Adam, sua voz cheia de entusiasmo.

Apesar dos meus sentimentos por Oliver, não podia negar que Adam era incrivelmente atraente. Seus olhos claros contrastavam lindamente com sua pele morena, e seu corpo atlético e musculoso mostrava a disciplina e o esforço de alguém que se dedicava ao esporte. Seus cabelos, com um corte despojado, completavam o visual de alguém que parecia perfeito sem esforço.

— Claro Filho — respondeu Jacob, apesar de não entender porque ele o havia chamado de filho.

Tentei disfarçar minha reação, concentrando-me no prato à minha frente, mas era impossível não sentir o calor subindo pelo meu rosto. Adam se aproximou, puxando uma cadeira ao meu lado e sentando-se com um sorriso que iluminava toda a sala.

— Estamos tão felizes que você está de volta, Jassie. Se precisar de qualquer coisa, estou aqui, ok? — Ele falou com tanta sinceridade e gentileza que meu coração se derreteu um pouco mais.

— Obrigada, Adam — respondi, tentando manter a voz estável. — É bom estar de volta. Realmente bom.

Ele assentiu, e percebi que Antony e os outros observavam a interação com sorrisos cúmplices. Renesmee começou a servir o macarrão, e o cheiro delicioso me fez perceber o quanto estava faminta.

Lucy trouxe a salada e pães frescos, enquanto Jacob enchia os copos com suco. Sentados juntos, a conversa fluiu naturalmente, e eu me sentia cada vez mais parte dessa família que tanto havia me procurado.