Cinderella - Depois do felizes para sempre
20 Liza - Lar
Notas iniciais
Após o almoço, estávamos todos desfrutando da companhia uns dos outros quando ouvimos o som da porta se abrindo. Seth entrou na mansão, acompanhado de dois homens que eu não reconheci imediatamente. Eles estavam vestidos de maneira formal, e percebi que deviam ser policiais. Meu estômago deu um nó, e uma sensação de ansiedade voltou a me dominar.
Renesmee percebeu minha inquietação e segurou minha mão com carinho. — Vamos ao seu quarto, querida. Tenho algo para te mostrar. — Disse ela, guiando-me gentilmente escada acima.
Entramos no meu antigo quarto, e Renesmee pegou alguns álbuns de fotografias de uma prateleira alta. Sentamos na cama, e ela abriu o primeiro álbum, revelando fotos antigas e cheias de memórias.
— Aqui estão algumas fotos suas quando era bebê — disse ela, folheando as páginas com cuidado.
Eu olhava as imagens, absorvendo cada detalhe. Vi-me como um bebê nos braços de Renesmee e Jacob, rodeada de amor e felicidade. Em uma das fotos, algo chamou minha atenção. Era a pulseira de berloques que eu estava usando.
— Essa pulseira... — sussurrei, tocando a imagem.
Renesmee sorriu, com os olhos brilhando de ternura.
— Foi um presente do seu pai. Ele a escolheu com tanto carinho. Sempre quis que você tivesse algo especial para lembrar do nosso amor por você.
Sorri de volta, sentindo uma onda de emoções. O peso do tempo perdido começou a se dissolver, substituído pelo calor do amor incondicional dos meus pais. Enquanto continuávamos a folhear o álbum, conversávamos sobre as memórias das fotos, e eu me sentia cada vez mais conectada a minha família.
Jacob entrou no quarto, interrompendo o momento com um olhar sério, mas gentil — Jassie, eu sei que este é um momento de comemoração e que estamos todos muito felizes por você estar de volta. Mas infelizmente, você precisa falar com a polícia. Eles precisam fazer algumas perguntas. — A voz dele era suave, mas a preocupação era evidente.
Eu suspirei, sentindo o peso da realidade retornar. Sabia que esse momento era inevitável e que, para entender completamente o que aconteceu e garantir que justiça fosse feita, eu precisaria enfrentar essas perguntas.
— Eu entendo, pai. Estou pronta. — Respondi, tentando transmitir uma confiança que não sentia.
Jacob assentiu e me envolveu num abraço reconfortante.
— Estamos todos aqui com você, Jassie. Não precisa enfrentar isso sozinha. — Ele me beijou na testa antes de nos guiarmos de volta para o andar de baixo.
Quando chegamos à sala, Seth e os dois policiais esperavam pacientemente. Eles se levantaram ao nos verem e se apresentaram de forma educada.
— Jassie, sabemos que este é um momento muito difícil para você, mas precisamos entender melhor o que aconteceu para podermos ajudá-la e garantir que aqueles responsáveis sejam punidos — disse um dos policiais, sua voz cheia de empatia.
Assenti, respirando fundo.
Jacob conduziu os policiais e a mim até o escritório dele. O ambiente era acolhedor e elegante, cheio de estantes de livros e memórias familiares. Sentei-me em uma cadeira ao lado de Renesmee, que segurava minha mão com força, enquanto Jacob apresentava os policiais.
— Jassie, estes são os detetives Mitchell e Harrison. Eles estão aqui para nos ajudar a entender o que aconteceu e garantir que os responsáveis sejam punidos.
Os detetives assentiram com seriedade, e Jacob continuou:
— Assim que descobrimos que você era nossa filha, começamos a investigar tudo. A diretora da escola passou para mim a sua ficha, e foi aí que descobrimos que Maeve Dywer era a sua responsável.
Senti um aperto no peito ao ouvir o nome da tia Maeve. Ainda era difícil para mim acreditar que ela havia me separado de minha família, e porque ela havia feito isso. Confirmei com a cabeça e acrescentei: — Sim, minha tia Maeve sempre disse que meus pais morreram quando eu tinha três anos.
Os detetives trocaram olhares e um deles, o detetive Mitchell, retirou uma foto de um envelope. Ele a colocou sobre a mesa, virando-a na minha direção.
— Jassie, esta é a mulher que você conhece como Maeve? — Perguntou, a voz calma e gentil.
Olhei para a foto e, com um nó na garganta, confirmei:
— Sim, é ela. Essa é a minha tia Maeve.
Renesmee ficou rígida ao meu lado, seus olhos se enchendo de raiva e tristeza.
— Maeve... — ela murmurou, a voz carregada de dor. — Não bastou o que ela fez no passado, forjando a morte da mamãe e me expulsando de casa. Agora ela fez mal à minha filha!
Jacob colocou uma mão reconfortante no ombro de Renesmee, tentando acalmá-la. O detetive Harrison tomou a palavra:
— Entendemos que isso é extremamente doloroso. Maeve Dywer está sendo procurada, e com o seu testemunho, Jassie, temos provas suficientes para levar o caso adiante. Precisamos saber mais detalhes sobre os anos que você passou com ela. Isso será crucial para a investigação.
Suspirei, sentindo o peso das lembranças dolorosas. Renesmee apertou minha mão, oferecendo suporte.
— Eu vou contar tudo o que sei — disse, minha voz firme apesar da dor. — Maeve sempre me disse que meus pais morreram em um acidente. Ela dizia que eu não tinha ninguém além dela, mas sempre senti que algo estava errado. Ela não me deixava falar sobre o passado e nunca mencionava outros familiares.
— Você morou em Fynn, correto? Perguntou o detetive.
Eu confirmei — Nos mudamos para Fynn quando eu tinha sete anos, antes eu morava em um lugar distante, como uma ilha, não havia vizinhança.
Os detetives anotaram tudo enquanto eu falava. Cada detalhe, por mais pequeno que fosse, poderia ajudar na investigação. Renesmee, ainda revoltada, olhou para mim com olhos cheios de lágrimas.
— Fomos a Fynn — Disse Jacob, mas Maeve não estava mais lá.
Olhei para ele surpresa — Você foi a Fynn?
Ele confirmou — Faz algumas semanas que procuramos por Maeve.
— Meu amor, eu nem consigo imaginar o que ela pode ter feito a você. Prometo que faremos tudo para garantir que Maeve pague por tudo o que fez — disse, minha mãe tocando uma mecha de meu cabelo.
Jacob assentiu — E faremos todo o possível para que você nunca mais tenha que passar por algo assim. Você está segura agora, com sua família.
Terminada a entrevista, os detetives se levantaram, agradecendo-me pela cooperação. Antes de saírem, prometeram que fariam tudo ao seu alcance para trazer justiça.
Quando a porta do escritório se fechou, Renesmee me puxou para um abraço apertado. — Você não está sozinha, meu amor. Nós vamos superar isso juntos — sussurrou ela, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
Jacob se aproximou e nos envolveu em um abraço coletivo, sua presença forte e reconfortante. — Somos uma família novamente — disse ele. — E nada nem ninguém vai nos separar de novo.
Saímos do escritório, ainda absorvendo o peso da conversa com os detetives. Ao entrar na sala de estar, vimos Antony e Adam conversando animadamente com Seth. Eles levantaram a cabeça quando entramos, e Adam me deu um sorriso encantador.
— Lá fora está uma loucura, cheio de repórteres — disse Adam, tentando aliviar a tensão com um sorriso.
Sorri timidamente de volta, desviando meu olhar do dele. Renesmee apertou meu ombro de leve e sugeriu — Jassie, acho que seria melhor você ficar aqui na mansão esta noite. Não precisa voltar para a escola agora. Amanhã de manhã, com mais calma, podemos resolver isso.
Assenti, aliviada com a sugestão. A ideia de enfrentar repórteres e curiosos parecia esmagadora no momento.
— Concordo. Ficar aqui parece uma boa ideia — respondi.
Renesmee virou-se para Lucy, que estava por perto — Lucy, pode preparar o quarto de hóspedes para Jassie? Pelo menos até arrumarmos o quarto dela.
Antes que Lucy pudesse responder, intervi com um sorriso.
— Não, tudo bem. Eu quero dormir no meu quarto, mesmo que esteja cheio de brinquedos e com uma cama de solteiro.
Renesmee sorriu, os olhos brilhando com lágrimas de alegria — Está bem, querida. Seu quarto será sempre seu quarto. — Ela me puxou para um abraço apertado.
Apos o jantar, Jacob disse que tinha alguns assuntos para conversar com Adam e Renesmee me puxou para o andar de cima, onde meu quarto me esperava, cheio de lembranças e histórias ainda por contar. Enquanto subíamos as escadas, sentia-me cercada pelo amor e pelo apoio incondicional da minha família.
Entramos no quarto e, apesar de estar cheio de brinquedos antigos e ter uma cama de solteiro, senti uma onda de conforto e nostalgia. Renesmee ajudou-me a arrumar algumas coisas, enquanto conversávamos sobre as mudanças que poderíamos fazer para torná-lo mais adequado.
— Amanhã, começaremos a transformar este espaço. Mas, por agora, vamos deixar tudo como está. Afinal, é parte de você — disse Renesmee, acariciando minha bochecha.
Concordei, sentindo-me cada vez mais em paz. Antony e Adam apareceram na porta, trazendo alguns cobertores e travesseiros extras.
— Que gentil – falei ao vê-los na porta.
—Lucy nos obrigou— disse Antony, entregando-me os itens com um sorriso e Adam deu um tapa na nuca dele me fazendo rir novamente.
— Não é nada disso – Disse Adam me entregando o travesseiro.
— Obrigada — respondi.
— Se precisar de algo, sabe onde nos encontrar — acrescentou Adam.
Eles saíram, e Renesmee ficou um pouco mais, arrumando os cobertores e me ajudando a me preparar para dormir. Como ainda estava de uniforme escolar ela me emprestou um baby doll dela que coube perfeitamente em mim, após tomar um banho e me vestir ela se despediu com um amor que eu nunca imaginei que pudesse existir.
— Boa noite, minha Jassie. Estaremos aqui de manhã. Durma bem.
— Boa noite, mãe. Eu te amo — respondi, sentindo as palavras saírem do fundo do meu coração.
Ela sorriu e saiu do quarto, deixando a porta entreaberta. Deitei-me na cama, sentindo o conforto dos cobertores e a familiaridade do ambiente. Apesar de tudo o que havia acontecido, sabia que estava exatamente onde deveria estar. Envolta pelo amor da minha família, adormeci com um sorriso, pronta para enfrentar o que viesse a seguir.
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