Cinderela
3 Só o capítulo três
Notas iniciais
Há coisas que não devem acontecer
3
Os aposentos do príncipe eram pintados de azul, uma enorme cama de dossel com colchas marinho estava ao lado das janelas, uma escrivaninha de carvalho exibia belas pinturas e algumas anotações, havia livros e pergaminhos espalhados por todo o cômodo.
O príncipe estava sentado em uma pesada almofada e lia sobre alquimia quando Cinderela entrou.
— Olá, Cinderela. — disse ele fechando o livro.
— Oi...
— Eu estava lendo sobre alquimia, e acho que te entendo. E que talvez você esteja correta.
— Sério?
— Sim. Truddy pode ser uma alquimista, ou até uma fada madrinha. Não é mágica de verdade, mas...
— Espere um pouco, antes que você me afogue com informações aleatórias, o que é uma fada madrinha?
— É uma espécie de alquimista que elege alguns favoritos e lhes dá ajuda, proteção e cuidados especiais.
— É bem a cara de Truddy... Mas, como você explicaria o PUF?
— Imaginação fértil. Eu não sei. Nada faz sentido, Cind.
Ela revirou os olhos.
— É porque não é pra fazer, Edgard, já te disse isso um milhão de vezes, você ainda não entendeu? Nada faz sentido DE PROPÓSITO. Tudo está ligado, a morte súbita de Ariana, o sumiço de Truddy, o baile... seu casamento.
— Como assim?
— Isso me cheira a trapaça. Alguém queria que você se casasse com Charmin, ou que pelo menos houvesse um baile. Não é coisa de gente normal. E para entender gente louca não se usa matemática.
— Você se refere à Zofia?
— Não, ela não. Ela parecia aflita ao selar o acordo.
— Pode ter sido Truddy.
— Mas tudo deu errado quando o louco do seu pai decidiu que casaria você com uma das filhas de Zofia. — ela pontuou
— E com quem Truddy queria que eu me casasse? Sem querer ser insolente, acho que não era com Charmin. Não acho que ela faça meu tipo.
— Não sei. Talvez, Truddy não ligue para o seu tipo. Talvez ela queira te casar com aquela sua prima, qual o nome dela? Pansy. — ela riu.
Ambos pensaram, conversaram, provocaram, encararam um ao outro e dormiram com a pergunta ainda martelando na cabeça.
Cinderela acordou aborrecida consigo mesma. Já era dia (de novo), ela havia adormecido no colo de um príncipe comprometido (de novo) e a madrasta já devia estar tendo um de seus chiliques matutinos (de novo).
Qual seria a desculpa da vez? Ela pegaria alguns pães na cozinha do castelo e diria ter ido comprá-los?
Teria de servir.
Ela levantou, pegou um papel na escrivaninha e escreveu:
Edgard, isso não é certo, de agora em diante nos veremos durante o lusco-fusco. E tive um breve vislumbre do que Truddy pode ter ansiado. Se te contasse... Ah, esqueça. Durma bem... NÃO SE ESQUEÇA DE SONHAR COM PANSY.
Cinderela
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