Cinderela
10 E o capítulo dez
Notas iniciais
Há coisas que só fadas madrinhas podem fazer
10
Cinderela despertou ao raiar do dia, deitada no colo de Edgard.
— Bom dia, raio de sol. — sussurrou ele.
Apesar de continuarem na pequena sacada da torre, muito havia mudado: o príncipe louco já estava são e a Gata Borralheira estava a um passo de se tornar princesa.
— Era isso que Truddy queria... Nós dois. É ela que anda resgatando nossas lembranças: tenho certeza. Ela queria que fosse desse jeito. — ele disse.
— Ela queria que tivéssemos um elo, uma dor em comum. E Truddy optou por nos dar a chance de realmente conhecer o passado, de forma dolorosa, porém, eficiente.
— Truddy é tão... TRUDDY!
— Ela é mesmo única. E eu a amo.
— Tanto quanto você me ama?
— MAIS. Porque depois desse comentário retardado, acho que você e Charmin são realmente almas gêmeas.
Ele riu.
— Também te amo. — ele parou e o sorriso se desfez se transformado em uma careta — Cinderela... Ouviu alguma coisa?
— Não. Não ouço nada... Nem mesmo os pássaros cantando, nem a fonte gorjeando ou Zofia gritando.
Tudo estava imóvel, silencioso e bucólico. Nem mesmo o fedor circulava.
— Truddy!
— Oh, Edgard! Sabia que notaria. — disse Truddy, revelando-se detrás das persianas.
Cinderela automaticamente ruborizou.
— Você viu TUDO?!
— Não se preocupe, Cinderela. — ela riu— sei guardar segredo.
— O que veio fazer aqui, Truddy?— Edgard perguntou— O que é tão importante a ponto do tempo precisar esperar?
— Só vim avisá-los de que suas jornadas não acabaram. O fim está próximo, porém algumas surpresas os aguardam. E talvez algumas verdades tornem-se mentiras deslavadas e apesar de agora contarem com a ajuda e com o carinho um do outro, o caminho permanece árduo e repleto de armadilhas.
— Humm, mas as histórias não são assim, — disse Cinderela torcendo o nariz— o príncipe precisa de uma princesa, ele conhece uma garota pobre, se apaixona por ela e eles vivem felizes para todo o sempre. Deveria ser assim!
— Cinderela, isso aqui é a sua vida, não mais uma daquelas histórias empoeiradas. E a vida normalmente conta com enredos um pouco mais intricados.
— Você está dizendo que vamos ter mais lembranças?— questionou o príncipe.
— Adoraria dizer que não, que contarei tudo que sei a vocês porque seria muito menos difícil, Edgard. Porém, devo dizer que sim. Devo admitir para vocês e para mim mesma que a vida de vocês é um terror. Uma linda história de horror, Cinderela. Aproveitem esse tempo, ou a falta dele. Daqui algumas horas a magia perderá o efeito. O príncipe deverá estar no palácio e sair de seus aposentos oficialmente. Cinderela deverá estar preparando o café da manhã de Zofia.
Ela desapareceu deixando as dúvidas pairando no ar.
— O que mais eles podem tirar de mim? O que mais pode ser transformado em mentira, Edgard?! Por que isso? Por que conosco?— Cinderela gritou, arregalando os olhos.
Ela sentia as pernas ficando bambas e a fadiga a consumindo: não queria uma história tocante e enigmática; tudo o que sempre desejou era um final feliz.
Seria pedir demais?!
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