Cinco Minutos
13 Nem tão morta assim
Notas iniciais
Estou eu aqui mais uma vez, com um capitulo fresquinho de Cinco Minutos! E esse contem hentai! Hehehe. Bem foi meu primeiro hentai, então, se tiver ficado ruim, milhoes de desculpas. E nesse o Naruto vai fazer uma coisa certa!
Aeeee! Bom, espero que gostem!
Boa leitura!
Eles corriam rapidamente em cima das árvores. Faltava menos de vinte minutos para que eles chegassem a Konoha, o que era praticamente um recorde. Naruto e Sakura nunca tinham percorrido uma distância tão grande em tão pouco tempo. Mas eles não estavam pensando nisso. Chegar a Konoha era o objetivo principal de toda aquela velocidade. Ou eles chegavam, ou eles chegavam, porque nesse caso, era mesmo uma questão de vida ou morte. Era a vida de Hinata que estava em jogo, a vida da pessoa que Naruto mais amava no mundo. E ele pretendia lutar com unhas e dentes para salvá-la daquela situação.
Naruto olhou novamente para Hinata. O pálido de sua pele começava a ficar cada vez pior. Seus lábios — a única parte que nunca mudava mesmo que Hinata ficasse muito doente — começavam a apresentar uma perda contínua de cor, ficando cada vez mais acinzentados, dando a ela um ar de... Cadáver. Naruto estremeceu. E o pior de tudo era que ela começava mesmo a parecer cada vez mais como uma morta, a cada minuto ficando mais e mais fria.
- Nós temos que nos apressar. — disse ele, duro, segurando Hinata com mais força em seus braços. — Ela está começando a... — ele não conseguiu terminar a frase, mas Sakura sabia exatamente o que ele ia dizer. Ela via que, lentamente, a respiração de Hinata começava a falhar, ficando cada vez mais fraca.
- Eu concordo. — disse ela, apressando o passo o máximo que podia, sendo acompanhada por Naruto. Sakura olhou para frente e, logo após para o melhor amigo. Ele olhava para Hinata com olhos vazios e inexpressivos. Ela soube, naquele instante, que Naruto não iria suportar uma possível perda de Hinata. E ela soube também, que ele não teria que suportar. Porque cabia a ela, Sakura Haruno, salvar a amada de seu melhor amigo. E ela não pretendia, de modo algum, deixar Hinata morrer.
- Naruto... — ela chamou, pulando velozmente de árvore em árvore, assim como o Uzumaki ao seu lado. — Você se lembra da promessa que me fez... Da promessa de trazer o Sasuke de volta, não lembra? — perguntou ela, vendo Naruto olhá-la, sem expressão alguma, dizendo implicitamente que era claro que se lembrava. — Bom, eu nunca te agradeci o suficiente por isso. — ela disse, olhando para ele com um sorriso terno, como se olhasse para um irmão. E ela estava olhando mesmo.
- E o que é que tem isso? — ele perguntou, olhando novamente para Hinata, pensando onde Sakura queria chegar com aquilo.
- Eu nunca pude fazer ou dizer nada realmente significante para você, mas... Acho que agora eu posso... — disse ela, vendo Naruto olhá-la nos olhos, ainda confuso. Sakura finalmente olhou para frente, dessa vez sorrindo mais abertamente. — Eu não vou deixá-la morrer, nii-chan, essa é a minha forma de te agradecer. Essa é a minha promessa a você. — disse ela. Sakura não olhava para Naruto enquanto falava, mas sentiu os olhos dele em si quando terminou. Naruto a olhava com as lágrimas mais uma vez enchendo seus olhos, realmente agradecido. Depois de algum tempo, ele olhou novamente para Hinata, para só aí conseguir falar alguma coisa.
- Obrigado, Sakura-chan... — disse ele, baixinho, mas foi o mais alto que conseguiu dizer. Isso só fez Sakura sorrir ainda mais abertamente.
[...]
Os enormes portões de Konoha os esperavam como sempre: Abertos. A vila estava muito movimentada, afinal, ainda era de manhã. Mas Naruto e Sakura não tiveram tempo de admirar o quão bela parecia estar Konoha aquela manhã, porque para eles, nada estava tão bem assim.
Eles passaram pelos portões rapidamente, sem cumprimentar nenhum dos vigilantes da vila, como geralmente faziam, indo em direção ao único prédio que realmente lhes importava agora: O Hospital de Konoha.
Ao chegar lá, abriram as portas com força, passando para dentro do saguão principal rapidamente e chamando a atenção de enfermeiros, zeladores e médicos que passavam por ali.
- Doutora Haruno, o que está acontecendo? — perguntou uma das enfermeiras, olhando atentamente para a rosada e logo depois para Naruto, que segurava uma Hinata ensangüentada nos braços.
- Hinata Hyuuga foi ferida gravemente em missão e precisará urgentemente de cirurgia. Eu quero que vocês mandem alguém chamar a Hokage imediatamente ao hospital, além de Shizune. Quero que reúnam a melhor equipe de médicos que se encontrem no hospital. Quero que reservem a melhor sala de cirurgia. E quero isso para agora! Rápido, por que ninguém está se mexendo? — ordenou Sakura, grossa. Imediatamente, todos pareceram despertar de um transe e seguiram as ordens dadas pela Haruno.
Algumas enfermeiras juntaram-se e levaram uma maca com rodas até onde Naruto estava parado, ainda segurando Hinata nos braços.
- Senhor, nós precisamos levá-la agora para a sala de cirurgia. Não é um caso em que se possa esperar. — disse uma delas. Naruto assentiu e colocou Hinata na maca, observando as enfermeiras levarem Hinata para a sala de cirurgia. Junto a elas, uma grande quantidade enfermeiras e auxiliares seguiram para a sala de operações, assim como a própria Sakura.
Naruto sentou-se em um dos bancos de espera e pôs as mãos no rosto. Ele olhou para o relógio. “Ela vai ficar bem, ela vai ficar bem...” Ele pensou, balançando o corpo para frente e para trás. Mas ele não podia ficar só sentado lá. Ele precisava ver saber como ela ficaria. “Eu preciso...” De repente, Naruto levantou-se, seguindo para onde as enfermeiras haviam levado Hinata.
Ele passou por uma, duas salas de cirurgia, mas nada. No que pareceu ser a ultima sala do corredor, um grande movimento pôde ser ouvido.
- Vamos, coloquem-na na mesa, agora! Nós precisamos abrir logo seu peito e ver se a lâmina perfurou algum órgão vital. — ele pode ouvir a voz de Sakura dizer. Notando uma grande janela que dava para o quarto, Naruto teve a idéia de afastar-se um pouco da porta da sala escondeu-se detrás de uma grande planta que decorava o lugar, no canto da parede. Dava para ver e ouvir perfeitamente o que diziam lá dentro.
- Onde está Tsunade-sama?! — gritou Sakura, nervosamente para um dos enfermeiros que se encontravam ali, um dos que auxiliariam na cirurgia que estava prestes a começar.
- Um de nós foi chamá-la, doutora. Ela já deve estar a caminho. — disse um enfermeiro, um pouco acanhado pela impaciência da rosada.
- Eu não posso esperar mais... Nós temos que abri-la... — disse a Haruno. — Eu preciso que você ache na antiga ficha da Hinata o tipo sanguíneo dela... Ela já fez uma cirurgia aqui anos atrás. Quando você encontrar traga o máximo de bolsas de sangue que puder carregar, entendeu? — o enfermeiro assentiu rapidamente. — O que está esperando?! — Sakura praticamente gritou, fazendo o enfermeiro correr rapidamente em busca da ficha e de bolsas de sangue.
Neste instante, enquanto o enfermeiro saía, Tsunade apareceu, junto a Shizune, entrando pela porta que ainda permanecia aberta depois da saída do enfermeiro.
- O que houve Sakura? — perguntou a loira, olhando para Hinata em cima da mesa de cirurgia. — O que aconteceu com a Hinata? — perguntou ela novamente, horrorizada pela imagem que viu da Hyuuga.
- Ela foi esfaqueada. — disse Sakura, contando a Tsunade e Shizune como aquilo tinha acontecido. Shizune colocou a mão na boca. — Tsunade-sama, desculpe, mas com isso nós não pudemos completar a missão. — completou a rosada, sem realmente se importar com isso.
- Não se preocupe Sakura... Isso não é tão importante quanto isso. — disse a loira, olhando para Hinata em cima da mesa com o olhar triste.
Nesse momento, o enfermeiro que saiu a procura de bolsas de sangue retornou, com algumas bolsas de sangue.
- Aqui está, doutora. — disse ele, colocando-as em um tipo de “cabide”. Logo após isso ele enfiou uma agulha numa veia do pulso de Hinata. O sangue começou a pingar, entrando no corpo da jovem.
- Nós vamos nos preparar. — anunciou Tsunade, referindo-se a si mesma e a Shizune. Sakura assentiu nervosa.
- Muito bem. — ela respirou fundo. — Está na hora de começar a cirurgia. — disse Sakura, olhando para Hinata tristemente. — Alguém me passe o bisturi. — mandou Sakura e quando sentiu o objeto entre os dedos, ela o posicionou corretamente e começou a cortar ainda mais a pele da Hyuuga onde estava o ferimento feito pela lâmina do inimigo. — Sucção. — ela disse, e um dos ajudantes posicionou um tipo de mangueira dentro de Hinata, sugando o sangue para que Sakura pudesse ver melhor.
- Eu não consigo enxergar nada... — ela disse, tentando olhar dentro de Hinata através do corte. — Droga! — disse desesperada. Sem ter mais opções Sakura resolveu colocar a mão dentro da garota. — Eu estou sentindo... Estou sentindo a hemorragia. — disse Sakura e de repente ficou completamente pálida. — É-é-é-é perto da aorta... — disse ela. Nesse momento, Tsunade e Shizune apareceram já preparadas para a cirurgia.
- O que você já descobriu? — perguntou ela, olhando para uma Sakura pálida e logo depois para Hinata.
- Ela... Ela está com uma hemorragia perto da aorta... — disse Sakura, respirando mais rapidamente. — Sensei... Isso é só um dos reparos mais difíceis do mundo! — disse Sakura, começando a suar frio.
Tsunade olhou para ela receosa. Ela sabia que Sakura já havia feito cirurgias muito mais complicadas que aquela. Mas ela também sabia que nunca havia feito uma operação daquele porte em alguém tão próximo. A carga de saber que a vida de alguém amado, a vida de uma amiga, ainda mais uma amiga por quem seu melhor amigo estava apaixonado... Bom, não é a carga mais leve de se carregar, sabe.
- Sim, mas eu sei que você consegue. — disse Tsunade, tentando fazer com que a sua discípula relaxasse. — Você é a melhor ninja médica de Konoha. Superior até a mim. Tente ficar calma, que tudo vai se acertar. — disse ela e Sakura assentiu, tentando relaxar.
- Eu consigo... Calma, Sakura, você já fez cirurgias mais difíceis... Você não vai decepcionar o Naruto... Ele confia em você. — disse Sakura, para si mesma. Ela colocou a mão mais fundo, tentando encontrar mais algum tipo de problema. — Há também uma hemorragia perto de um dos pulmões. E um hematoma enorme. — disse Sakura, olhando firmemente para os outros. De repente ela fechou os olhos, tentando pensar na melhor maneira de consertar aquilo. Ela respirou fundo. — Grampear e suturar. — disse, como se tivesse tido uma luz. — Me passe a pinça. — disse e quando sentiu o objeto entre os dedos, começou realmente a cirurgia.
- Shizune, eu preciso que você grampeie a entrada e tente controlar a hemorragia, para que eu consiga ver o que estou para fazer. — disse e Shizune prontamente fez o que ela pediu.
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A recepcionista do hospital olhou mais uma vez para o computador ligado a sua frente. O prédio estava relativamente vago. A única cirurgia de alta escala que estava acontecendo no prédio era na sala número dezessete, na jovem Hyuuga Hinata. A recepcionista tinha a ligeira impressão que a Hyuuga já tinha estado ali.
Pensando nisso, a mulher procurou a ficha da jovem e constatou que ela realmente tinha estado. Há cinco anos, Hinata havia estado naquela mesma sala de cirurgia também para uma operação de emergência. A mulher arrepiou-se. Era muita coincidência. Na primeira vez ela tinha estado por algum tipo de ferimento interno, causado por um dos membros do próprio clã Hyuuga. Ela tinha chegado quase morta. Dessa vez, a mulher não tinha certeza do que tinha acontecido com ela. Ela sabia que ela também estava quase morta ao chegar, tinha visto a garota, mas não tinha sido informada adequadamente sobre qual era seu estado. Mas pelo modo como a doutora Haruno havia falado com eles mais cedo, não poderia ser nada bom.
Ela suspirou. Olhou novamente para a ficha de Hinata. “Clã Hyuuga...” De repente, a recepcionista se deu conta de que nenhum dos parentes da moça que estava em cirurgia foi devidamente avisado de seu estado. Ninguém teve tempo para pensar em algo que poderia ser a coisa mais importante depois da própria cirurgia: avisar a família.
Preocupada, a mulher pegou o telefone em cima do balcão e discou somente um número, que dava para uma linha dentro do próprio hospital.
- Oi... Haku? — ela perguntou, para ter certeza de que era mesmo a pessoa com quem ela desejava falar. — Aqui é a Koumei. — ela disse. — Eu gostaria que você enviasse para o clã Hyuuga um pergaminho... Sim, sim. — ela disse impaciente com as perguntas que o outro fazia. — Olhe, eu preciso que você mande uma mensagem para o clã Hyuuga avisando-os de que hã... Hinata Hyuuga está sendo operada neste exato momento. — disse ela, agora ouvido o que a outra pessoa que estava do outro lado da linha. — Eu realmente não sei como está sendo a cirurgia ou sobre qual é o seu estado, mas é importante que você faça o que eu lhe pedi. — disse ela e com um sorriso ouviu o que o outro dizia. — Obrigada, Haku, fico lhe devendo essa. — disse a mulher, desligando o aparelho.
[...]
Neji treinava agilmente e solitariamente quando teve um mau pressentimento. Não era sempre que tinha desses sentimentos estranhos, mas sempre que tinha, com certeza havia algo errado. Ele olhou para a entrada do clã e depois para o prédio principal dos Hyuuga, cerrando os olhos.
Ouvindo um pio acima de sua cabeça, Neji olhou para cima e viu o mesmo pássaro vermelho fogo que tinha estado ali no dia anterior, mais ou menos naquela mesma hora. Por alguma razão, o pássaro só fez aumentar-lhe a desconfiança.
Como percebendo ser observado, o pássaro olhou para o chão e pousou a alguns centímetros de Neji, olhando-o atentamente. Rapidamente, o rapaz pegou o pergaminho que estava preso em uma das patas do animal. Quando ele o fez, o pássaro alçou vôo.
Depois de observar o animal sumir no céu, Neji finalmente lembrou-se do pergaminho que estava em suas mãos e o desenrolou, lentamente. O rapaz suspirou e começou a ler o papel.
Do Hospital de Konoha.
Aos membros do clã Hyuuga, nós, do Hospital de Konoha, desejamos informar que um de seus membros, Hinata Hyuuga, sofreu um acidente em batalha e está, nesse exato momento sendo operada. Lamentamos informar que os detalhes não foram informados à nossa equipe e por isso não podemos divulgá-los.
Pedimos encarecidamente que os membros do clã mais próximos da paciente compareçam imediatamente ao hospital.
Atenciosamente,
A recepção.
Neji terminou de ler o pergaminho com os olhos arregalados e o coração acelerado. Ele leu de novo para ver se tinha lido certo. Sim, ele tinha. Hinata estava mesmo em uma cirurgia. O que diabos tinha acontecido?!
Neji parou de olhar o pergaminho e jogou-o no chão da área de treinamento do clã, correndo, em seguida, para o hospital.
[...]
Chegando ao hospital, Neji quase derrubou as portas, de tão nervoso que se encontrava. A recepcionista, que estava olhando distraidamente para a tela do computador, pulou tamanho foi o susto.
- Onde está a Hinata? — perguntou o rapaz nervoso, tentando a todo custo não gritar com a recepcionista, que não tinha culpa de nada.
- E-e-ela está em cirurgia, senhor. — disse Koumei, nervosa, olhando medrosamente para Neji. — Quem deseja vê-la? — perguntou a mulher para Neji.
- Meu nome é Neji Hyuuga. Sou primo dela. — disse ele, olhando para a recepcionista como se ela fosse louca. Como poderia se preocupar com uma formalidade daquelas quando sua prima, sua irmãzinha, estava em uma operação?
- Primo? Desculpe, mas nós só podemos deixar os familiares mais próximos passarem para vê-la. E isso somente quando a cirurgia estiver terminada. — disse ela, olhando para Neji com uma típica cara de “são as regras.”
- Olhe aqui... — disse ele, curvando-se sobre o balcão e olhando ameaçadoramente para a mulher. — Eu sou a família mais próxima que você vai encontrar para ela. Então, quando essa porra de cirurgia acabar, sou eu quem vai entrar para vê-la, entendeu? — disse ele, curto e grosso.
- S-sim. — respondeu a moça, acanhada. — Eu só achei que... — ela tentou dizer, mas foi interrompida pelo Hyuuga.
- Está bem, está bem, não me importa o que você achou... Olha, eu só estou preocupado com ela... — Neji suspirou, tentando se acalmar. — Você pode me dizer, por gentileza, que houve, afinal? — ele disse menos duro, mas ainda assim um pouco frio.
- Desculpe, mas não sei dos detalhes... — a mulher engoliu em seco ao falar isso. — Só posso lhe dizer que quando a moça chegou aqui ela estava muito mal. Estava toda ensangüentada e estava até desmaiada. Um rapaz loiro estava carregando ela... — disse a moça e ela parecia que tinha mais alguma coisa a dizer, mas Neji não deixou com que ela terminasse.
- Um rapaz loiro? Como ele era? — perguntou Neji, ficando, de repente, furioso. Era ele. Tinha que ser ele. E se tivesse sido...
- Ele era mais ou menos dessa altura... — disse a moça, levantando a mão até certo ponto no ar. — Os cabelos eram um pouco arrepiados e os olhos eram azuis... Bem azuis mesmo. Ele parecia estar sofrendo. — disse a moça, ela lutou contra a vontade de dizer que ele era muito lindo também. Não queria parecer fútil para aquele homem tão grosso.
- Naruto... — Neji falou, como um ameaça para o loiro, embora ele não estivesse ali. Ele tinha certeza que isso tinha sido culpa dele. Toda dele. Neji ficou furioso. — Você viu para onde ele foi? — perguntou, tentando não descontar sua raiva na recepcionista.
- Ele estava sentado ali. — a mulher apontou para um dos bancos de espera do hospital. — Mas já faz algum tempo que ele se levantou e saiu. — disse a moça para Neji que só conseguiu ficar com ainda mais raiva do loiro.
- Ele não teve nem a decência de ficar... — disse Neji, a raiva consumindo-o. Por fim, ele suspirou, tentando ficar mais calmo. — Obrigado. — disse e se virou, indo em direção à ala de espera.
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BIP-BIP-BIP! BIP-BIP-BIP!
Já fazia muito tempo que Sakura estava naquela sala. Ela podia sentir. Seus pés estavam lhe matando. Mas não era esse o maior problema. Sakura estava começando a dar as ultimas suturas no peito de Hinata quando a tela de informações vitais começou a fazer um barulho irritante de “bip”. Sakura estava realmente começando a odiar aquele barulho.
- Que droga! O que está acontecendo? — ela olhava de Hinata para a tela, rapidamente, não querendo costurar errado o peito da garota e nem perder o que dizia a tela.
- É a pressão dela! Está subindo! — disse um dos ajudantes, olhando para o monitor e anunciando o que estava acontecendo com a Hyuuga.
- Provavelmente é uma hemorragia interna... — constatou Tsunade, olhando para Sakura acusatória. — Sakura, você tem certeza que você fez tudo corretamente? — perguntou a loira.
- Sim! E-e-eu tenho certeza. — Sakura olhou para Tsunade um pouco ofendida. — Não se preocupe mestra... Eu... Eu acho que sei o que fazer para descobrir onde ela está sangrando... — Sakura concentrou-se e levou um pouco de chakra até os ouvidos, visando escutar onde estava ocorrendo o vazamento de sangue no corpo da jovem.
Pedindo para todos ficarem em silencio, Sakura levou seu ouvido até o peito de Hinata e escutou seu coração. Ela ouviu-o bater sem nenhum tipo de chiado, que denunciaria o vazamento. “Não, eu fiz tudo certo, aqui...” Ela pensou consigo mesma, baixando o ouvido por toda a extensão do corpo de Hinata, parando finalmente quando chegou à barriga. Escutando o estômago. “É aqui!” Ela descobriu e levantou-se rapidamente, olhando para todos, alarmada.
- É no estômago... — ela disse completamente confusa. — Eu não entendo... O ferimento dela foi no peito, não na barriga... — disse Sakura.
- Talvez ela tivesse algum outro tipo de problema antes da cirurgia... — comentou Shizune, tentando saber do que se tratava aquilo.
- Talvez eu saiba. — disse alguém que até agora não tinha falado nada. Isso porque ele não havia estado na sala até aquele momento. Naruto entrou na sala no momento em que percebeu ter alguma coisa errada. E talvez ele soubesse alguma coisa sobre aquilo.
- Anda Naruto, fala logo! Nós não temos muito tempo! — exclamou Sakura, afobada.
- E-e-eu não sei exatamente... Mas já faz algum tempo que a Hinata não come direito. Uma vez ela até desmaiou... Eu sempre tive que me esforçar muito para fazê-la comer... — disse Naruto. Isso não ajudava muito, mas era o suficiente para saber que Hinata tinha mesmo algum problema no estômago. E que ela sabia que tinha esse problema.
- Nós vamos ter que abri-la para saber com certeza. — disse a Haruno, pegando novamente o bisturi. Sakura começou a perfurar lentamente a carne da barriga de Hinata. Ao fazê-lo, grande quantidade de sangue hemorrágico escapou. — Droga, coloque outra bolsa de sangue! — ela gritou e o enfermeiro prontamente a atendeu. — Sucção! — quando o ajudante sugou o sangue hemorrágico de Hinata, Sakura pôde ver claramente o problema. Ela ficou completamente pálida.
- O que houve Sakura-chan? Diga! — gritou Naruto, já desesperado. O olhar de Sakura denunciava que ela não estava vendo nada de bom.
- E-e-e-ela tem um tumor... — disse a rosada, com os olhos arregalados. O suor frio desceu por sua testa.
Naruto arregalou os olhos e engoliu em seco. Ela tinha o que?! Seus olhos se encheram de lágrimas.
- Meu deus! Ela está com câncer! — exclamou Sakura, as lágrimas invadindo seus olhos e escorrendo ligeiras por suas bochechas.
- I-i-i-isso não pode estar certo... — disse Shizune. Como assim Hinata estava com câncer? — Como foi que isso surgiu? Hinata sempre foi tão saudável... — perguntou Shizune para Sakura que olhava surpresa para o estômago da Hyuuga.
- Eu não sei... As células do corpo dela simplesmente começaram a se reproduzir de maneira errada... — disse a rosada, completamente chocada. Mas ela não podia se dar ao luxo de ficar espantada. Hinata estava sangrando demasiadamente. — Nós temos que parar o sangramento, agora. Temos que retirar esse tumor... Talvez não seja maligno... Talvez seja somente superficial... — disse Sakura, começando a cortar o tumor. De repente, ela pareceu cortar mais que isso. Mais sangue começou a jorrar. — Ai, meu deus! — Sakura disse, começando a se desesperar. Afinal, não era um tumor benigno.
- O que aconteceu?! — perguntou Tsunade, olhando para Sakura aflita. — O que aconteceu? — perguntou novamente, nervosa.
- Não é um tumor benigno. É câncer de verdade. Dos maus. — disse Sakura, as lágrimas escorrendo rapidamente e seus olhos. — Está todo entrelaçado com as suas veias... Está corroendo-a por dentro... — disse Sakura. — Merda! Não poderei cortar todo o câncer, terei que combater o resto com quimioterapia. — disse. — Vamos, ainda tenho que controlar a hemorragia e reparar a veia cortada. Sucção. — prontamente todos obedeceram. Mas nada parecia estar dando certo.
O monitor de funções vitais estava novamente “apitando”. Sakura já estava começando mesmo a ficar desesperada.
- O QUE HOUVE DESTA VEZ?! — ela gritou, não conseguindo se controlar. Estava tudo desmoronando.
- Taquicardia ventricular! — gritou um dos enfermeiros ajudantes. — O coração dela não está suportando! Ela vai ter um enfarte! — disse ele para a médica.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip...
- Porra! Carregue o desfibrilador em duzentos! — gritou Sakura para um dos auxiliares.
[...]
Hinata não sabia onde estava. Parecia que já tinha visto aquele lugar muitas vezes, mas simplesmente não conseguia se lembrar. O sol estava alto, o céu sem nuvens, os pássaros voavam lindamente pelo céu. Mas Hinata não se sentia bem. Ela se sentia, por alguma razão, nauseada. Aquela dor, aquela que sempre a perseguira por toda sua vida, estava mais forte, por alguma razão. Mas Hinata não se lembrava como tudo havia ficado fora de controle. Ela não se lembrava nem mesmo como aquilo havia surgido, para começo de conversa. Ela só sabia que estava pior.
Olhando para frente, Hinata avistou uma árvore grande, com um balanço simples amarrado em um de seus galhos. Hinata achou aquilo estranhamente familiar, mas não conseguiu distinguir onde já vira aquilo antes. Olhando mais profundamente, Hinata conseguiu ver, com mais clareza, que havia alguém sentado nele. Ela correu rápida, tentando alcançar quem quer que fosse que estivesse ali. Sentiu seu coração acelerar ao se aproximar. Era ele. Dele Hinata lembrava claramente.
Ela parou, na frente dele, olhando-o profundamente. Naruto levantou a cabeça, sorrindo para ela e se levantando do balanço.
- N-N-Naruto-kun... — foi só o que ela conseguiu dizer, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas.
- Hinata. — ele sorriu, olhando para ela ternamente.
- On-on-onde nós estamos? — perguntou ela, olhando em volta, desviando o olhar do dele, que parecia deixá-la quente demais.
- Você não se lembra? Essa é a academia, Hinata. — disse ele, agora também desviando o olhar dela e olhando em volta, para a escola em que ele, um dia, também havia estudado. Hinata olhou em volta. Ah, era verdade. Era a academia.
- O que estamos fazendo aqui? — perguntou ela, voltando a olhar para ele, confusa.
- Realmente, você não devia estar aqui. — disse ele, olhando preocupado para Hinata, que somente o olhou ainda mais confusa.
- Naruto-kun... Eu... Eu estou com medo. — disse ela, olhando profundamente para ele e, logo depois, desviando o olhar, tentando não chorar.
- Não se preocupe. Eu estou aqui para você. — disse ele, sorrindo lindamente para ela. Hinata o olhou um pouco corada.
- Você está? — perguntou ela, desconfiada.
- Eu sempre vou estar aqui para você, Hinata. Você ainda não entendeu? — perguntou ele, olhando-a com carinho e falando como se ela fosse uma criança aprendendo a ler, suavemente. Ele abriu os braços, pedindo implicitamente para que ela o abraçasse.
Hinata o olhou. De seus braços para seu rosto. Depois de alguns segundos, hesitante, ela finalmente correu até ele, tentando abraçá-lo. Mas ela não conseguiu. Naruto também pareceu ficar confuso no começo, mas depois de alguns segundos ele pareceu compreender o que havia acontecido.
- O que houve? Por que não consigo tocar em você? — perguntou ela, desesperada. Ela não havia percebido até agora, mas Naruto parecia estar diferente. Ele estava... Brilhando. Como se fosse feito de pura energia.
- Isso é porque eu não estou aqui. — disse ele, com as sobrancelhas erguidas, olhando-a, mais preocupado. — E você também não deveria Hinata. Você realmente não deveria estar aqui. — disse ele, olhando-a ainda mais aflito.
- Mas eu quero estar aqui. Eu quero estar com você. — disse ela, como uma criança pedindo doce. A voz manhosa.
- Eu também. Eu quero muito estar com você... E é por isso que você deve voltar. — disse ele, olhando-a temeroso.
- Você promete? Você promete para mim que, se eu voltar, você vai ficar comigo, que não vai me deixar? — perguntou ela, ainda indecisa se deveria voltar ou não.
- É claro que eu prometo... Se você ainda me quiser, eu nunca vou deixar você. — disse ele, olhando para ela profundamente e ligeiramente preocupado. — Mas você tem que voltar, Hinata. Você tem que voltar agora. — ele disse, mas duro, começando realmente a ficar mais aflito.
- S-s-sim... — ela gaguejou, também ficando nervosa pelo modo como ele havia falado. — M-m-m-mas... Por onde eu vou? — perguntou ela, olhando para um lado e para o outro, sem a mínima idéia de para onde devia seguir.
- CORRA! — gritou ele, olhando para ela, desesperado. — CORRA HINATA! AGORA! — gritou. Hinata, assustada correu de volta, por onde havia vindo, o mais rápido que pôde, sem saber realmente para onde estava indo, só correndo sem rumo, como Naruto havia pedido para que ela fizesse. Em certo ponto, uma grande quantidade de luz, luz quente, pareceu envolvê-la. E foi aí que Hinata caiu.
[...]
O enfermeiro entregou o aparelho à Tsunade, que logo o descarregou em Hinata.
- Afaste! — gritou ela, mas nada aconteceu. — Droga! Carregue em duzentos e cinqüenta! — gritou ela novamente. — Afaste! — exclamou, mas nada aconteceu novamente.
- Estamos perdendo-a! — gritou Tsunade, novamente. Naruto se desesperou.
- Sakura-chan! Faça alguma coisa! — ele implorou. Hinata estava morrendo. — Faça alguma coisa, por favor! — ele gritou completamente desesperado, as lágrimas escorrendo por seus olhos.
- Carregue em trezentos! — disse Tsunade e foi o que o ajudante fez. Ela descarregou novamente em Hinata. Novamente, nada aconteceu. — Merda, merda, merda! — xingou a Senju. Hinata não estava reagindo.
O “bip” continuo ainda podia ser ouvido. O coração de Hinata já estava parado fazia três minutos.
- Não desista! Não desista! — implorou Naruto, olhando para Tsunade e depois para Sakura. — Você prometeu para mim! Você prometeu que ia salvá-la! — gritou Naruto, olhando para Sakura acusador. — Você prometeu pra mim que não ia deixá-la morrer! Você prometeu! — Naruto gritou, chorando e soluçando compulsivamente.
- Alguém o tire daqui! — pediu Sakura, também chorando compulsivamente pelas palavras do Naruto. — Alguém o tire daqui agora! — ela exclamou, observando dois dos enfermeiros mais fortes que a estavam auxiliando irem em direção a Naruto para o tirarem da sala de cirurgia.
- NÃO! NÃO! — gritou Naruto, tentando se soltar dos braços dos enfermeiros, que o seguravam um de cada lado de si. — EU NÃO QUERO SAIR DO LADO DELA! EU NÃO VOU SAIR! ME SOLTEM! NÃO! HINATAA! NÃO! — Naruto gritava, debatendo-se, tentando soltar-se. Mas os enfermeiros foram fortes e não o soltaram, levando-o para fora da sala de cirurgia.
- Tsunade-sensei! — ela gritou para a Senju, que estava chocada com a cena e esquecera-se de Hinata. — Tsunade-sensei... — ela chamou novamente, cansada de como tudo parecia estar dando errado. — A Hinata... Tente de novo... Tente de novo, por favor... — disse a rosada e foi o que Tsunade fez. Ela tentou novamente. Duzentos trezentos...
Bip... Bip... Bip... Bip...
- Ela... Ela está viva... Ela... -Sakura olhou para Hinata, que estava incrivelmente pálida antes, enquanto seu coração estava parado. Agora, Hinata parecia estar voltando a sua coloração normal. — Obrigada... Tsunade-sensei... — exclamou ela, realmente agradecida. Ela estava bem. Ela não estava morta. — Muito obrigada... — ela chorou, tremendo um pouco. Tsunade sorriu e foi em direção a sua discípula.
- Sakura... Eu assumo daqui. — disse Tsunade e Sakura rapidamente assentiu e entregou seus equipamentos para ela, saindo da sala e indo em direção a sala de espera, avisar sobre Hinata a Naruto. Assim, Tsunade começou a cortar rapidamente o tumor, deixando o mínimo possível, o mínimo que ela não podia cortar para que depois pudesse combater pela quimioterapia.
- Essa garota... Ela estava terrivelmente... Terrivelmente... — Tsunade ia dizendo, enquanto costuravam a barriga de Hinata e fechava completamente a Hyuuga. Mas ela não conseguiu achar uma palavra adequada.
- Ferida. — disse Shizune, olhando para a Hokage preocupadamente. — Eu temo que ela já sabia de sua doença, Tsunade-sama. Eu creio que Hinata estava tentando esconder de todos para que ninguém a preocupasse sobre se tratar... E temo também que ela tenha escondido porque estava tentando morrer mais rápido. — completou Shizune, olhando para a Hokage, que suspirou. Era isso que ela também estava pensando. — Mas, a pergunta é: por quê?
- Motivos são o que não faltam. — disse Tsunade. — Mas nós só descobriremos quando ela acordar, depois da anestesia. Por enquanto, nós só temos que esperar e torcer para que nada dê errado. — disse ela para Shizune, que só confirmou com a cabeça. — Vocês podem levá-la para a UTI, por favor, quero que ela fique em observação. — disse Tsunade, agora se dirigindo aos outros que se encontravam na sala. Eles confirmaram e prepararam Hinata para UTI. A loira suspirou. — Foi uma cirurgia longa. — disse Tsunade, olhando para as pessoas que haviam sobrado na sala de operações. Ela olhou o relógio e constatou que havia se passado mais de oito horas. — Todos estamos cansados... Eu só desejo que alguém fique de plantão, observando Hinata. O resto pode ir para casa.
Alguns minutos antes:
- Não! Me soltem! Me soltem! — gritava Naruto, agora mais fraco. Ele estava extremamente cansado. Mas o pior de tudo ainda era o medo. O medo de Hinata morrer o estava aterrorizando.
- Acalme-se, senhor. As médicas vão fazer o possível para salvá-la. — disse um dos enfermeiros que estavam segurando Naruto. Eles o colocaram sentado em um dos bancos na sala de espera.
- Por favor, eu só quero voltar lá... Eu preciso saber da Hinata... Preciso saber como ela está... — disse o loiro, quase implorando.
- Desculpe. Nós pedimos encarecidamente que o senhor espere aqui. Nós temos que voltar para a sala de cirurgia. — disse o outro, vendo Naruto confirmar. Ele não tinha mais energia nem para discutir. Além disso, os homens só estavam fazendo seus trabalhos.
Naruto colocou a cabeça entre os joelhos, sentindo as lágrimas descerem mais abundantes. Ele se lembrou de Hinata deitada, inconsciente, sangrando... Morta. Naruto começou a tremer compulsivamente, soluçando.
- NARUTO! — alguém gritou. Naruto olhou em direção a voz, seu olhar totalmente devastado. Ele não soube de onde veio, mas simplesmente não deu tempo de ver quando Neji surgiu, o segurou pela gola da camisa e lhe deu um soco. Naruto caiu a alguns metros de distância do Hyuuga prodígio.
A recepcionista, que estava um pouco mais longe fazendo seu trabalho na recepção, gritou. Ela rapidamente pegou o telefone e falou alguma coisa sobre chamar os seguranças. Ela correu rápida para o local onde estava havendo a briga.
- Senhores, por favor! — ela gritou, olhando de Neji para Naruto, tentando acalmá-los enquanto os seguranças não chegassem. — Isso é um hospital!
Naruto olhou para Neji confuso, os olhos inchados pelo choro constante. Agora, além de tudo, seu nariz escorria sangue, quebrado pelo soco que Neji acabara de lhe dar. Ele levantou-se, olhando para o moreno sem entender realmente o porquê daquilo.
- Eu não... — ele tentou dizer, mas Neji o interrompeu, olhando para ele furiosamente, parecendo transbordar ódio.
- ISSO É CULPA SUA, NÃO É?! VOCÊ FEZ ISSO A ELA! — gritou Neji, parecendo que a qualquer momento daria outro soco em Naruto. O loiro somente o olhou com o estomago revirando. Ele sentiu um nó se formar em sua garganta. As lágrimas se formaram novamente em seus olhos, caindo abundantemente de seus olhos.
- Neji, eu juro que... — ele tentou dizer, mas foi novamente interrompido pelo primo de Hinata.
- CALE-SE! NÃO OUSE FALAR MENTIRAS SOBRE ISSO, VOCÊ OUVIU? OU EU JURO QUE MATO VOCÊ! — o moreno gritou seu peito subindo e descendo rapidamente, tamanha era sua raiva. Nesse momento, os seguranças chegaram. Eles perguntaram o que estava havendo para a recepcionista, que nada respondeu hipnotizada com a briga dos dois ninjas.
- Senhores, o que está havendo aqui? — perguntou um dos seguranças, dessa vez dirigindo-se para Naruto e Neji.
- Não está acontecendo nada por aqui. — disse o moreno, ainda olhando para o loiro. — Só um verme maldito, que merecia estar no lugar da minha prima. — disse ele, praticamente cuspindo as palavras na cara do loiro. Naruto estremeceu, sem realmente discordar das palavras do outro.
- É bom que saiba... Se algo de ainda mais grave acontecer a ela, considere-se o culpado. Você a machucou mais do que qualquer pessoa, saiba disso. Mais até que o seu próprio pai. — disse Neji, agora com menos raiva no olhar, que estava preenchido por outro sentimento: desprezo.
- Neji, você pode não acreditar... Mas eu a amo. Eu a amo muito. — disse Naruto, respirando lentamente, tentando controlar mais uma onda de lágrimas.
- É você tem razão. Eu não acredito mesmo. — disse ele o moreno. — Mas você deve saber... Quando ela acordar... Eu não vou deixar você encostar um dedo nela. E deve saber também que nem ela mesma vai querer saber de você. — disse ele e o coração e respiração de Naruto aceleraram. O medo o atingiu. — Você não a merece Naruto. Você deve saber disso também. — ele completou.
Nesse momento, Sakura chegava, correndo, sorrindo por alguma razão. Mas Naruto não a havia visto. Ele olhava para o chão, ainda processando as palavras que Neji havia lhe dito. “Se algo mais grave acontecer a ela, considere-se o culpado.”
- Naruto! — Sakura gritou, ainda sorrindo. Mas seu sorriso desapareceu quando ela viu o estado do amigo. Sangue já seco estava embaixo de seu nariz. Sua camisa estava suja de sangue. — Meu Deus! O que aconteceu a você? — ela perguntou, preocupada, parecendo finalmente notar Neji ao lado do loiro. Um pouco mais longe estavam dois seguranças e a recepcionista. Sakura podia muito bem imaginar o que havia acontecido. — Não precisa responder. — ela disse, olhando ternamente para o loiro. Ela também podia imaginar o que Neji havia dito a Naruto.
Mas Sakura não se importou com isso no momento. Porque ela tinha a noticia que faria Naruto também não ligar para qualquer coisa que tivesse acontecido entre ele e Neji.
- Naruto. — ela chamou, novamente sorrindo. Naruto olhou para ela, sem entender o motivo de seu sorriso. — Ela está bem. Ela está viva. — disse Sakura, o sorriso mais aberto do que antes. Naruto olhou para ela por um instante, sem entender direito suas palavras. “Ela está bem. Ela está viva.” Essas palavras se repetiram milhares de vezes em sua cabeça. Um alivio sobrenatural se abateu sobre Naruto. Mais lágrimas, dessa vez lágrimas de felicidade, chegaram aos seus olhos e caíram abundantes de seus olhos. Ele soluçou fortemente, o rosto totalmente distorcido pelo pranto, sentindo uma coisa estranha em seu peito. Não era ruim. Era como se seu coração estivesse mais aquecido, maior. E Naruto entendeu o que era. Pela primeira vez ele soube de primeira, o que estava sentindo. Tão estúpido tão simples e tão maravilhoso que Naruto riu em meio ao choro. Gargalhou. Porque é isso que o amor faz as pessoas.
- Obrigado, Sakura-chan... Muito obrigado... — ele agradeceu e a abraçou, ainda rindo de felicidade. Sakura gargalhou, juntamente a ele. Mas alguém resolveu interromper esse momento. Neji pigarreou, olhando friamente para a cena que se passava a sua frente. Naruto e Sakura se separaram. Sakura devolveu o olhar frio dele.
- Eu odeio interromper esse momento lindo. — disse Neji, sarcástico. — Mas você realmente me deve uma explicação, Sakura. — disse ele, dessa vez deixando de lado a ironia e olhando para a médica, realmente preocupado.
- Bom, eu acho que devo mesmo. — disse a rosada, suspirando. — Você pode vir comigo ao meu escritório? — ela pediu e Neji assentiu já pronto para segui-la. Mas Sakura ainda não havia terminado com seu amigo.
- Você deveria ir para casa, Naruto. — disse ela, vendo Naruto pronto para contestar. — Não discuta. Olhe, a Hinata está na UTI agora, ela deve acordar pela manhã. Não há nada que você possa fazer agora, a não ser esperar, em casa. — disse, olhando para loiro, que não discutiu. — Venha amanhã, cedo. Ela vai esperar por você. — completou a Haruno.
- Tudo bem. — disse o loiro, cansado demais para discutir com a melhor amiga. — Eu espero em casa. Mas se houver alguma coisa, qualquer coisa, você me avisa, não é? — ele perguntou esperançoso.
- Sim. — disse ela, olhando Naruto assentir e se despedir, indo finalmente para casa. — Bom, acho que já podemos ir para a minha sala. — disse e Neji confirmou com a cabeça.
- Sim, nós podemos.
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Já era manhã. Afinal, quem Naruto estava tentando enganar? Ele nunca iria conseguir dormir. Não com aquela ansiedade em que se encontrava. Afinal, era hoje que Hinata acordaria. E era hoje que ele diria a ela que a amava. Era hoje que talvez, só talvez, ela o perdoaria. Ele suspirou. Hoje era o melhor e o pior dia de sua vida.
Ele olhou para o relógio. Ainda ia dar seis horas da manhã, mas ele não ligava. Levantou-se e se dirigiu ao banheiro, parando em frente ao espelho. Ele olhou para o reflexo de si mesmo. Estava horrível. De olhos inchados, sangue seco embaixo do nariz — a essa altura já curado — cabelo desgrenhado e roupas amarrotadas, Naruto estava um caco. Mas, ao contrário do que dizia a lógica, ele somente sorriu para a imagem do espelho. Porque, apesar de toda a aflição, todo o medo, ele estava feliz. Porque Hinata estava bem. Estava viva. E isso era tudo o que importava.
Naruto suspirou. Tirou a roupa inteira e se dirigiu para o chuveiro. A água quente relaxou todos os músculos ainda tensos da noite anterior. Ainda assim, não pareceu ter o efeito total em seu corpo. Ele lembrou-se de toda aflição do dia anterior. Hinata em cima da mesa, aberta, sangrando... Lembrou-se das palavras de Sakura. “E-e-e-ela tem um tumor...” Ficou totalmente arrepiado. Então, Hinata tinha câncer? Naruto estremeceu. Então era isso que ela tinha... Era essa a doença que ela carregava. Era por isso que nunca comia... Ele só queria saber como tudo havia começado.
Naruto suspirou, parando de pensar em como tudo havia se iniciado e saindo do chuveiro. Quando Hinata acordasse, ela lhe contaria tudo. Pelo menos era o que ele esperava. Enrolou-se na toalha e saiu do banheiro. Enxugou-se e vestiu roupas limpas. Quando terminou, Naruto finalmente saiu de casa, trancando a porta.
[...]
Naruto entrou no hospital. O lugar estava quieto. Afinal, ainda eram seis horas da manhã. A maioria dos pacientes — que não eram muitos — estava dormindo. E os médicos que não estavam de folga, estavam de plantão. Mas Naruto pareceu não perceber isso. Ele dirigiu-se ligeiro para a sala de Sakura, pensando em como tudo ficaria certo depois que ela o levasse para o quarto de Hinata. Ela acordaria e tudo ficaria bem.
Naruto sorriu e correu em direção ao escritório da amiga, chegando lá rapidamente. Ele bateu na porta, esperando a autorização para que pudesse entrar. A voz abafada pareceu vir muito tempo mais tarde para um Naruto ansioso. E, quando ela finalmente veio, ele entrou sem hesitar.
- Sakura-chan! — ele falou não muito alto, mas alto o suficiente para que Sakura escutasse. — Quando eu posso entrar para vê-la? Ela já acordou? — perguntou o loiro, afobado.
- Não, Naruto, desculpe, mas ela ainda não acordou. — Sakura riu um pouco. Ela visivelmente não havia dormido, assim como Naruto também não. — Você vai ter que esperar mais um pouco. — disse ela, dando um bocejo.
- Tudo bem, eu espero. — disse ele, sentando-se na frente da amiga, ainda sorrindo, sem poder se controlar. Sakura o olhou, também sorrindo. No entanto, esse sorriso logo desapareceu, dando lugar a um olhar de preocupação.
- Naruto... — ela chamou e ele olhou para ela. — Você se lembra do que eu disse não é? Você lembra-se do que eu encontrei nela... — disse Sakura, olhando apreensiva para o loiro.
- Sim... — ele disse seu sorriso desaparecendo na hora. — Você disse que ela tem câncer. — completou o loiro, sua alegria diminuindo consideravelmente.
- É. — Sakura falou, desviando seu olhar de Naruto, triste. — Ela vai precisar muito de você Naruto. Vai precisar de todos nós. Não é uma doença simples. — completou a rosada, finalmente olhando para cima e vendo um Naruto distraído, olhando fixamente para o chão.
- Eu não vou abandoná-la... Não mais. Eu a amo. Agora eu sei disso. — disse Naruto, olhando finalmente para cima e encarando Sakura. Um sorriso lindo surgiu em seus lábios. — Afinal, não se abandona quem se ama. No máximo nós vamos por aí, cumprir nosso objetivo... Mas nós sempre voltamos, porque, em primeiro lugar, nunca devíamos ter ido, certo, Sakura-chan? — disse Naruto, vendo Sakura ficar vermelha.
- Você acha mesmo isso? — perguntou Sakura, baixando os olhos para o chão.
- Acho o quê? — perguntou o loiro, fingindo-se de desentendido. Sakura olhou para ele, confusa, fazendo Naruto rir um pouco.
- Você é louco. — disse a Haruno, olhando-o desconfiada. Naruto riu mais.
- Mas, me diga, quando eu posso entrar para vê-la? — perguntou ele, ansioso. Ele queria vê-la logo, mais do que qualquer coisa.
Sakura suspirou. Quando Naruto colocava uma coisa na cabeça, nada o fazia tirar a idéia de mente.
- Eu acho que vou deixar você vê-la. Vou abrir uma exceção, embora o horário de visita seja só mais tarde. — disse ela vendo o melhor amigo sorrir.
[...]
A cor branca do quarto deixava tudo com um ar melancólico. E, embora fosse claro, tudo parecia triste e obscuro. Talvez fosse pelo fato de estar um silencio sepulcral. Só se ouvia o barulho irritante das máquinas do recinto. Mas Naruto não ligava para esse ruído. Ele até gostava, já que era isso o sinal de que a garota de sua vida estava viva, embora inconsciente.
Hinata estava deitada na cama de lençóis brancos, é claro. Uma agulha intravenosa atravessava a veia de sua mão e lhe introduzia soro. Outra agulha, também intravenosa, lhe introduzia sangue. Ela ainda estava pálida da cirurgia realizada a pouco tempo.
- Sakura-chan... Vai demorar muito tempo pra ela acordar? — perguntou o loiro, olhando para Hinata com os olhos brilhantes e quase adoradores.
- Daqui a pouco. Se você quiser, pode esperar aqui. — disse a rosada e Naruto assentiu, sem olhar para ela. Sakura bocejou. — Eu acho que vou tirar um cochilo. Estou morta de cansada. — disse ela. — Você ficará bem sozinho? — perguntou a Haruno, olhando para o loiro preocupada.
- Eu ficarei bem. — disse Naruto, aproximando uma cadeira que tinha no quarto da cama de Hinata e sentando-se ao lado da Hyuuga. Ele pegou a mão dela, acariciando-a.
Mas ele não ficou nada bem.
Oito Meses Depois
Hiashi Hyuuga já estava sentado fazia algum tempo em seu escritório, no clã Hyuuga. Ele lia e assinava alguns papéis, trabalhando para manter a ordem em sua família. Mas Hiashi não via realmente o que estava fazendo. Sua cabeça estava longe, em outro lugar. Mais precisamente no hospital de Konoha, onde sua filha primogênita estava internada já fazia oito meses.
Ele lembrava claramente, como se tivesse ocorrido a apenas alguns minutos atrás. Ele voltava de uma missão para a Hokage. Quando ia entregar seu relatório a Tsunade, ele teve que esperar um pouco, pois, de acordo com alguns informantes, a Senju estava em cirurgia. Hiashi lembrava-se de ter ficado irritado e de até ter pensado alguns palavrões contra a Hokage. Afinal, era sua obrigação proteger e zelar pela vila em geral, não pela vida de somente um ninja qualquer.
Mas Hiashi guardou a raiva mais algum tempo e esperou. Quando pareceu serem horas depois, ele ouviu a sala a porta do escritório de Tsunade se abrir, revelando que sua dona acabara de chegar. A Hokage estava visivelmente exausta. Ela só pareceu notar o líder dos Hyuuga depois de algum tempo, parecendo ficar preocupada de repente.
- Tsunade-sama. Estou a algum tempo esperando-lhe para lhe dar meu relatório. — disse ele, sem emoção, educado demais. Tsunade só o olhou, tristemente.
- Eu agradeço sua paciência, Hiashi. — disse ela, também educada. — E peço, por favor, que espere mais um pouco. Tenho algumas noticias para informar a você. — disse Tsunade, sentando-se em sua própria cadeira e vendo Hiashi dirigir e sentar-se na cadeira em frente.
- Alguma coisa referente ao clã? — perguntou Hiashi, já começando a também se preocupar. O que poderia ter acontecido?
- Sim e não. — disse Tsunade, vendo Hiashi a olhar confuso. Ele já estava começando a se irritar novamente com essa evasão da loira. — Tem a ver com Hinata. — disse ela, olhando Hiashi e percebendo seu olhar ficar mais frio do que antes. Com certeza a filha lhe envergonhara mais uma vez. Dessa vez até a Hokage resolvera intrometer-se.
- O que Hinata fez dessa vez? — perguntou Hiashi, decepcionado.
- Na verdade, Hinata não fez nada. Foi o que fizeram a ela em missão. — disse Tsunade, meio ofendida com o descaso do pai par com a Filha. — Hiashi... Hinata foi gravemente ferida em missão. — disse ela, vendo Hiashi olhá-la sem realmente entender o que lhe foi dito. — Eu estava na cirurgia dela, neste exato momento. — disse a mulher, observando o Hyuuga piscar um pouco confuso. “Hinata foi gravemente ferida em missão.” Essas palavras repetiram-se várias vezes em sua mente. E foi aí que ele realmente deu-se conta do acontecido. Hiashi sentiu seu coração acelerar, medroso. Mas ele não deixou que Tsunade percebesse. Ele nunca deixava que ninguém percebesse, nem a própria Hinata. Mas ele a amava é claro. Ela era sua filha. Sua primogênita. E, se ele falava coisas que a magoavam... Bom, essa não era a real intenção. Ele queria que ela fosse a melhor, sempre.
- O que aconteceu? — ele perguntou sua voz mais baixa.
- Sakura ainda não me deu os detalhes dessa parte. Mas era a missão dela entregar um relatório de paz entre Konoha e a Nuvem. Temo que foram eles que a feriram. — disse Tsunade. Hiashi cerrou os olhos, com ódio. Aqueles... Desgraçados. Quantas vezes eles ainda iam feri-la? Quantos deles Hiashi teria que matar, para que parassem de perseguir Hinata? Hiashi sentiu o coração acelerar ainda mais, dessa vez de raiva. Ele cerrou os punhos.
- Como ela está? — perguntou a voz ainda mais baixa.
- Ela foi atingida no peito, perto de um vaso importante. Nós conseguimos reparar o dano, mas ela teve um enfarte durante a cirurgia. — disse Tsunade, vendo Hiashi ficar branco com a ultima parte. — Felizmente, depois de alguns minutos, conseguimos fazer seu coração voltar a bater, um pouco mais de cinco minutos. — disse ela, olhando para o homem a sua frente e constatando, surpresa, que os ombros de Hiashi ficaram visivelmente mais relaxados. — E, Hiashi, mais uma coisa... — disse Tsunade, olhando para as mãos entrelaçadas em cima da mesa.
- O que? — perguntou ele, ficando mais aflito. Pela expressão de Tsunade, não era nada bom.
- Hinata estava com... Câncer. — disse a Hokage, olhando para o líder Hyuuga. Ele ficou extremamente mais pálido. — Nós... Nós o descobrimos quando o equipamento denunciou hemorragia interna. E, lamento dizer que... Bem, é um tumor maligno. — completou a loira, com um suspiro. — Nós... Conseguimos remover algumas partes por cirurgia, mas devo dizer que teremos que combater o resto com quimioterapia.
Hiashi olhava para a Hokage, surpreso. Ela tinha câncer? Desde quando? Ele olhava para a Senju agora sem entender nada do que ela lhe falava. Seus lábios se moviam, mas ele não conseguia escutar nada do que ela lhe dizia. Ele escutou alguma coisa sobre seus cabelos começarem a cair e suas células imunitárias começarem a morrer, juntamente com as cancerígenas.
A partir daí, Hiashi não conseguia se lembrar de mais nada referente aquele dia. Não que não tivessem sido coisas importantes as coisas que a Hokage lhe falara. Ele simplesmente não conseguia lembrar. Mas a memória, a memória de Hinata deitada naquela cama, semimorta, quando ele tinha ido vê-la depois... Essa sim estava vívida, intacta em sua mente. Assim como aquela onde, um dia depois do dia em que Hinata deveria acordar, quando ele foi visitá-la novamente, a médica de estranhos cabelos rosados disse que ela não iria acordar. E que não sabia quando acordaria, porque, segundo ela, Hinata estava em coma. Que era extremamente raro que, em cirurgias como aquelas, um paciente entrasse em coma. Mas que também era compreensível, já que o coração dela parou por um tempo e nenhum oxigênio circulara pelo cérebro
Hiashi se lembrava perfeitamente de cada detalhe daquele dia, da estranha vontade de chorar que lhe abateu. Estranha porque já fazia alguns anos que não sentia. Não depois de Yoko ter morrido.
Ele se lembrava também de ver Naruto Uzumaki, o tal herói de Konoha, no mesmo quarto que ele, tão chocado quanto ele, só que, diferentemente, ele chorava realmente. Hiashi lembrava-se de que, naquele momento, pensou no quanto o Uzumaki deveria amar Hinata. Não pelo olhar, ou pelo choro. Pelo simples fato de que ele segurava-lhe a mão, acariciando-a levemente. Neji também estava lá. Ele não se lembrava se o sobrinho chorara, mas lembrava-se que ele também estava triste. Afinal, quem não estaria não é? Até a médica chorara...
E então, veio a quimioterapia. Que, alias, pareceu deixar tudo pior. Com Hinata em coma, aquela médica de cabelos rosados teve que fazer sessões especiais, que fizessem com que o corpo dela resistisse ao tratamento. E agora, oito meses depois, a doutora Haruno tinha dito que Hinata reagiu muito bem às sessões e que estava livre do câncer. Uma noticia boa pelo menos. Ainda assim, ela ainda tinha que fazer, pelo menos uma vez por semana, tomografias que comprovassem a cura total de Hinata.
É claro que nem tudo são flores. Hinata ainda estava em coma.
Hiashi suspirou fortemente, parando de assinar aqueles documentos. Uma lágrima escorrendo por seu rosto. Aquilo não estava certo. Não era ele quem deveria estar ali. Não era ele quem deveria assinar aqueles papeis e decidir o que era melhor para o clã. Porque Hinata agora era maior de idade. Seu aniversário viera e passara. Mas ela não pode assumir seu cargo, o cargo que ele sabia que ela tinha lutado para merecer. Porque ela estava em coma. Semimorta em um hospital, há oito meses.
- Mas isso vai estar aqui para você filha, quando você acordar. Isso será seu, como você sempre lutou para que fosse para merecer. Isso será seu quando você voltar... — ele disse, sussurrando, como um segredo, como se Hinata pudesse escutar.
Mas, quer saber? Talvez ela pudesse mesmo.
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Já fazia algum tempo que Hinata se encontrava naquele lugar. Ela não sabia quanto, mais parecia ser uma eternidade. Hinata só lembrava-se de ter sido encoberta por uma luz branca que a tinha feito desmaiar. Quando acordou, ela se encontrava em um lugar escuro, estranho e infinitamente frio. Ela estava sozinha, mais uma vez, presa naquela escuridão. E Hinata simplesmente não conseguia se mexer. Não conseguia sequer andar, achar um caminho que a tirasse daquele lugar horrendo. Parecia que alguma coisa a prendia ali.
- Oi, sou eu de novo. — disse uma voz. Voz essa que a fez parar de respirar um instante. Ela sentiu-se arrepiar, mas não do frio do local. Ela conhecia aquela voz. Hinata a escutava às vezes. Era uma voz bonita e grave, falava com carinho com ela. Mas, mesmo que Hinata quisesse muito responder, ela simplesmente não conseguia. Ela tentava com todas as suas forças falar com ele, responder, mas parecia ser impossível.
- Você já deve estar cansada de mim, não é? — perguntou a voz. Não. Era claro que não. Hinata nunca iria se cansar daquela voz. Aquele som que a fazia se sentir menos sozinha. Ela suspirou forte, tentando lhe falar alguma coisa.
De repente, ela sentiu alguma coisa. Era como um afago, um carinho. Ela tentou mexer os braços, segurar a mão que lhe fez esse carinho, mas não conseguiu.
- Eu sinto tanta a sua falta, Hinata... — disse a voz. Ele sempre dizia aquilo, o que só fazia Hinata ter vontade de gritar que estava ali, gritar para que ele a ajudasse a sair daquele lugar. Porque, por alguma razão, Hinata também sentia sua falta. Sentia falta de alguém que sequer reconhecia, de uma voz a qual não sabia de quem era.
- Você está demorando... — disse ele. Hinata reconheceu uma ponta de tristeza. — Mas, quer saber? — ela o ouviu perguntar, curiosa. — Eu vou esperar você, Hinata. Eu vou esperar quanto tempo for necessário. — disse ele e Hinata sentiu o coração bater mais rápido, tanto que ela quase conseguiu se mexer.
Hinata se esforçou, tentando mexer as mãos e os pés ao mesmo tempo. Tentou mexer os braços e as pernas. Hinata ofegou. Todo aquele esforço estava, enfim, valendo à pena. Ela sentia suas mãos e seus pés movimentando-se, sentia que seria capaz de se levantar. E foi o que ela fez. Ela levantou-se, vagarosamente, acostumando-se novamente aos movimentos. Ela sorriu feliz. Gargalhou até. Algumas lágrimas saíram de seus olhos, lágrimas de felicidade. Hinata olhou de um lado para o outro, tentando achar um caminho que a levasse aquela voz. “Vamos, fale comigo! Só mais uma vez! Fale comigo para que eu possa te seguir!” Ela praticamente implorou em pensamentos.
- E... Mesmo que você não me queira mais... — disse a voz, fazendo Hinata sorrir. Dessa vez ela sequer prestou atenção no que ele falava. Só queria seguir o som. — Eu vou estar sempre aqui para você. — ele completou e Hinata sorriu com suas palavras, lembrando-se, finalmente, de quem era aquela voz. Ela já tinha escutado aquela frase antes. Ele havia dito aquilo para ela.
- Eu acho... — ela falou, a voz rouca, a muito tempo não usada. — Acho que você não vai ter que esperar muito mais, amor. — ela disse, correndo rápido, seguindo a voz dele. - Eu estou chegando, Naruto-kun. — disse. Quando estava chegando em certo ponto, Hinata sentiu, mais uma vez, aquela mesma luz envolvê-la. Ela caiu novamente.
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Naruto chegou mais tarde hoje ao hospital para vê-la. Ele não queria topar com Neji, que ele sabia que estaria visitando-a mais cedo.
Mesmo assim, mesmo que chegasse tarde, Naruto nunca deixaria de visitá-la. Ele nunca deixara em oito meses. E não seria agora que ia acontecer.
E, alias, deve-se dizer que esses foram os piores oito meses de sua vida. Ele estava visivelmente acabado. A barba estava mal feita. O cabelo estava mais longo e os olhos... Aqueles olhos que sempre expressavam alegria e travessuras estavam vazios e sem brilho.
No entanto, mesmo que ele estivesse um lixo por dentro, sempre quando chegava e a via, Naruto sempre tentava parecer mais alegre do que estava realmente. Ele sempre conversava com ela e, se ela por acaso Hinata pudesse ouvi-lo, ele não queria parecer triste. Aquele ambiente já era melancólico demais.
- Oi, sou eu de novo. — disse ele, olhando para ela com um sorriso. Ele estava visivelmente se esforçando para sorrir daquela maneira. — Você já deve estar cansada de mim, não é? — ele perguntou, olhando para um Hinata sem reações na cama. Ele levou, involuntariamente, sua mão até seus cabelos, hoje curtos por causa da quimioterapia, fazendo-lhe um leve carinho.
Já fazia alguns meses que Hinata estava curada do câncer. Os cabelos curtos foram uma conseqüência do tratamento. É claro que já estivera bem pior antes. Ele se lembrava quando ela estivera completamente careca. Não que estivesse feia, mas ele preferia muito mais seus cabelos longos. Agora, depois de algum tempo sem o tratamento químico, os cabelos de Hinata já estavam perto do queixo, assim como quando ela era criança, mas sem nenhum tipo de corte, é claro.
Naruto suspirou. Quando ela acordasse — ele jamais se permitia pensar “se ela acordasse” — iria ter uma surpresa com seu novo penteado. Ele olhou para seus olhos fechados e depois para o cabelo dela. Ele até que gostava daquele cabelo. Lembrava da Hinata criança.
- Eu sinto tanta a sua falta, Hinata... — ele disse dessa vez demonstrando toda a tristeza que estava sentindo. — Você está demorando... — disse ele, meio acusatório, lembrando-se, de repente, que a culpa de tudo aquilo era sua. Ele fechou os olhos. Quando os abriu, um brilho quase nunca visto no olhar dele nesses últimos tempos reapareceu. Determinação. Aquele brilho eu não desisto nunca, típico de Naruto. — Mas, quer saber? Eu vou esperar você, Hinata. Eu vou esperar quanto tempo for necessário. — disse olhando para ela e dando um sorriso fraco. — E... Mesmo que você não me queira mais... Eu vou estar sempre aqui para você. — completou ele dando um beijo na bochecha da Hyuuga. Depois de algum tempo olhando-a, Naruto afastou-se e deitou-se em um sofá — já familiarizado, pois já havia dormido ali várias vezes -, adormecendo quase instantaneamente.
Mal sabia ele que não iria esperar muito mais mesmo.
[...]
Hinata abriu os olhos rapidamente, como se estivesse saindo de um pesadelo. Ela não gritou. Isso porque, ao mesmo tempo em que abria as pálpebras, uma incrível dor de cabeça a atingiu. Mas foi só por um momento. A dor quase instantaneamente passou e Hinata só ficou lá, parada, olhando para o teto.
Ela não sabia onde estava. A ultima coisa de que se lembrava era de ser atingida por uma espada e de se declarar para Naruto — o que a fez ficar incrivelmente corada. Depois disso, ela não se lembrava mais de nada.
“Então, talvez eu esteja morta.” Pensou ela. Analisando melhor o lugar e a si mesma, ela pareceu finalmente reconhecer o lugar. Hospital. Mas Hinata ainda ficou com duvidas. Afinal, aquilo era um sonho, ela estava morta de verdade, ou ela estava viva e no hospital de Konoha? “Talvez estar morta seja como estar viva. Só que estando morta.” Pensou ela, fazendo em seguida uma careta de confusão e rindo com sua filosofia quebrada.
Hinata retirou um aparelho que estava em seu nariz, respirando, finalmente, mais aliviada. Depois disso, com um pouco de esforço, ela sentou-se na cama desconfortável do hospital. Retirou algumas agulhas de sua mão e uns estranhos “adesivos” que estavam colados em seu peito, livrando-se de toda a parafernália, finalmente.
Ela olhou pelo quarto, cada vez mais certa de que estava viva sim, que não era sonho algum. Foi quando seus olhos recaíram sobre a figura de alguém dormindo no sofá das visitas ao lado de sua cama. Foi aí que Hinata soube. Ela estava mesmo morta. Aquilo era uma ilusão e não tinha como não ser. Afinal, o que ele estaria fazendo ali não é? Ela lembrava-se perfeitamente do que ele havia dito. Ele não se importava. Não se importava se ela estava viva ou morta. Então, que outro modo pensar, senão que aquilo era uma ilusão? Se ela tivesse sobrevivido ele não estaria ali. Só podia ser coisa de Deus, do paraíso que se destinara a ela. Ou talvez do demônio, do inferno que sempre a perseguira. De qualquer forma, Hinata não se importou. Ele estava ali. Ela podia vê-lo, então tudo deveria ficar bem.
Ela saiu da cama com as pernas um pouco bambas no inicio. Depois de finalmente conseguir se equilibrar, ela suspirou e se aproximou de Naruto, sentando-se no chão e passando a observá-lo dormir, seu rosto na altura do rosto dele. Ela ficou tentada a tocá-lo, mas não ousou. Já tinha tido um sonho em que não podia tocar em Naruto. Talvez aquela ilusão fosse somente aquilo. Uma ilusão. Hinata, então, achou melhor somente olhá-lo.
Ele estava diferente. Uma barba mal-feita agora se fazia presente em seu rosto perfeito. E, mesmo dormindo, ela podia ver que ele estava com olheiras. Seus cabelos estavam maiores e mais arrepiados. Hinata o olhou mais profundamente, achando-o agora mais lindo do que nunca. Seu peito forte subia e descia lentamente, em um sono que parecia calmo ao seu ver. A mão repousava no peito, subindo e descendo no seu ritmo. Sem conseguir resistir, Hinata, sem tocá-lo realmente, passou a mão pelo contorno de seu rosto, admirada. Ele não podia ser mais perfeito.
De repente, a mão de Naruto, que estava repousada em seu peito, bateu fortemente contra a sua, segurando-a e produzindo um barulho semelhante a uma palma. O coração de Hinata bateu acelerado, tamanho foi o susto. Ela ainda olhava de olhos arregalados para sua mão presa na mão de Naruto. Depois de um tempo ela finalmente olhou de volta para seu rosto, percebendo finalmente que ele a olhava agora. “ Então eu posso tocar em você...” Foi a única coisa que ela conseguiu pensar antes de seus pensamentos se perderem completamente. Os olhos de Naruto a olhavam com tamanha profundidade que Hinata se perdeu completamente neles.
Naruto levantou-se rapidamente, agora olhando surpreso para Hinata, com se ela fosse algum tipo de assombração. Ele olhou para a cama onde antes ela repousava e depois para ela, maravilhado. Ele ainda segurava seu pulso, agora mais forte, como que para ter certeza de que estava mesmo ali.
- Ai... — ela exclamou. Ele apertava seu pulso forte demais. Naruto olhou para a boca dela, deslumbrado, como se aquele simples som fosse musica para seus ouvidos. E era mesmo. Fazia tempo demais que ele não ouvia Hinata falar.
- Desculpe. — ele disse, afrouxando a mão do pulso dele, sem soltá-la.
- Bom, não foi grande coisa... — ela começava a ficar corada pelo modo como ele a estava olhando.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!- Você não faz idéia do quanto está enganada. Foi a melhor coisa que já aconteceu em oito meses. — ele disse, olhando para ela e sorrindo lindamente. Era o sorriso mais lindo que Hinata já havia visto ele dar.
- Oito? — perguntou Hinata, curiosa. Ela não entendia sobre o que ele estava falando.
Naruto olhou para ela, seu sorriso desaparecendo de repente, dando lugar a um olhar preocupado. Ele estava com medo dessa parte. Ele sonhara todos os dias com Hinata acordando e com ele lhe dizendo que lhe amava. Mas ele também tinha pesadelos sobre isso. É claro que quando Hinata acordasse seria o melhor dia de sua vida. Mas ele também tinha medo do que poderia acontecer. Medo de ela não lhe querer mais. E parece que o mais provável era que o segundo caso ocorresse, levando em conta seu histórico com a Hyuuga. Não era nada bom.
- Hinata... — ele chamou, vendo-a olhá-lo curiosamente, esperando o que ele tinha a dizer. — Como você está se sentindo? — perguntou Naruto, olhando para ela com a sobrancelha erguida.
- Estou ótima. — disse Hinata casualmente, sem entender o porquê da pergunta dele. — É claro que eu estou morta, mas mesmo assim... — ela não pôde completar a frase, pois Naruto a interrompeu, confuso.
- Morta? — perguntou ele, agora a olhando estranhamente. Hinata estava delirando ou o que? — Hinata, do que você se lembra?
- Bom, eu estava naquela batalha com você e a Sakura-san. Então eu meio que levei uma facada e daí eu meio que me declarei para você e... — foi somente quando disse que Hinata pareceu notar o que havia dito. Ela ficou extremamente corada, e ainda mais quando Naruto a olhou malicioso, com um sorrisinho de lado. — Eu... Bem... Quero dizer... — ela tentou dizer, desconcertada e Naruto riu; Hinata deu-lhe uma tapa no braço. — Pare de rir de mim! -ela disse, na defensiva, o que só fez Naruto rir mais. — Bom, como eu ia dizendo... — ela mudou completamente de assunto, o que pareceu fazer efeito, pois Naruto a olhou mais serio. — E então eu morri. — disse Hinata como se fosse a coisa mais simples do mundo. Naruto a olhou como se ela fosse doida.
- Hinata, o que te faz pensar que você está morta? — perguntou ele, com a sobrancelha erguida visivelmente preocupado com ela.
- Bom, na verdade, eu fiquei meio em dúvida se estava morta ou viva. — ela começou e Naruto prestou total atenção nela. — Eu pensei que talvez estivesse viva, pelo fato de que estou aqui, no hospital. Mas depois eu pensei... Bom, talvez estar morta seja como estar viva. Talvez Deus tenha feito algo parecido com o que os homens fizeram, para que quando a gente chegasse no paraíso não ficasse tão chocado, sabe. — ela disse, como se estivesse expondo uma idéia há muito tempo formada. Naruto olhou para ela com uma careta descrente. — Não me olhe assim. Quanto mais eu pensava nisso eu percebia que só podia estar ficando louca, ou algo do tipo, e que estava viva mesmo. Foi quando eu vi você. — disse ela, olhando com um sorrisinho fraco para ele. — Foi o que me fez ter certeza de que estou realmente morta e que isso, na verdade, é uma ilusão.
- E por que isso? Por que somente minha simples presença fez você pensar em uma coisa tão horrível? — perguntou Naruto, sentindo-se um lixo de repente.
- Bom, eu me lembro do que me fez morrer, em primeiro lugar. — ela disse e o Uzumaki a olhou confuso. — Das suas palavras. Você disse que não se importava com a minha vida Naruto-kun. — disse ela, ficando triste. Naruto olhou para baixo envergonhado. — O que te faria vir aqui, se eu estivesse viva? Você claramente não viria aqui, já que não se importa. Então conclui que estou morta. Que isso é uma ilusão. — ela concluiu, tentando reencontrar os olhos dele, que estavam abaixados, em sinal de culpa.
- Me desculpe, Hinata... — ele disse, sussurrando. Uma lágrima desceu de seus olhos. A imagem fez alguma coisa dentro de Hinata se parir.
- Naruto-kun... — ela tentou chamar, dizer alguma coisa para ele, mas ele não deixou. Naruto sabia muito bem que a culpa era dele.
- Você é boa demais para mim. — disse ele, olhando para ela novamente e sorrindo tristemente. Ela estava visivelmente preocupada com ele. — Mas não precisa se preocupar, eu sou só uma ilusão, certo? — ele riu um pouco, olhando para ela travesso. — Mas ainda tem uma coisa que eu não entendi. — ele falou e Hinata o olhou esperando ele continuar. — Você disse que Deus fez o paraíso parecido com a vida de verdade... O que te faz pensar que você está no paraíso? — disse ele. Ele logo se arrependeu da pergunta. Para onde mais Hinata iria, senão para o céu? Era uma pergunta extremamente estúpida.
- Bom você está aqui. — disse ela e Naruto a olhou surpreso, ficando um pouco corado. Mas Hinata não pareceu perceber. — Além disso, isso não tem cara de inferno. Suponho que seria extremamente... Mau. — disse ela, olhando para ele com convicção. Naruto sorriu para ela. Ele pegou seus pulsos e a puxou para si mesmo. Pega de surpresa, Hinata levantou-se rapidamente e do chão, onde ainda estava sentada e sentou-se no colo de Naruto. Sentada de frente para ele, com as pernas separadas por seu tórax, Hinata ficou extremamente corada. Naruto encostou sua testa na dela, sem se importar com sua vergonha.
- Eu acho que deveria te dizer... Você não está morta, Hinata. Eu não sou uma ilusão. E esse não é o paraíso. — disse ele, olhando-a nos olhos profundamente. Hinata somente o olhou descrente. — Você não acredita?
- Sinceramente não. — disse ela, sem se afastar. Apreciando o contato entre eles. Ela colocou suas mãos ao redor do pescoço dele, acariciando sua nuca. Ela fechou os olhos.
- O que eu posso fazer para você acreditar? — ele perguntou, também fechando os olhos, acariciando as costas dela. — Eu estou aqui para você Hinata. Eu vou sempre estar aqui para você. Não sei o que mais posso dizer. — disse ele, finalmente abrindo os olhos e dando de cara com uma Hinata surpresa. Ela tinha os olhos arregalados.
- Você o que? — perguntou ela, o coração batendo acelerado de repente. Ela já tinha ouvido aquilo.
- Vou sempre estar aqui para você, Hinata. — disse ele, sorrindo ternamente. — Você ainda não entendeu? Eu amo você. — ele disse e Hinata somente conseguiu olhá-lo sem resposta. Agora ela tinha certeza absoluta de que era uma ilusão.
- Agora eu tenho certeza de que estou morta. Isso não pode ser real. — disse ela, o coração mais acelerado do que nunca. Ele batia tão alto e tão forte, que Hinata pensou que Naruto pudesse escutar.
Naruto a olhou, com as sobrancelhas erguidas, pensando numa forma de fazê-la acreditar. De repente ele pareceu ter uma idéia.
- Eu já sei o que fazer para você acreditar em mim. — disse ele e Hinata ia contestar o que ele ia dizer, mas Naruto não deixou. Isso porque ele beijou-lhe tão profundamente que Hinata perdeu o fôlego logo de inicio.
- Naruto-kun... — ela sussurrou, quando ele separou seus lábios minimamente, para depois reiniciar o beijo rapidamente.
Os corpos de ambos estavam quentes. Naruto puxou Hinata mais para perto de si, se é que era possível. Hinata agarrou-se o máximo que conseguia em seu pescoço, aprofundando cada vez mais o beijo.
- Hinata... Se você não me parar agora, eu não vou conseguir mais tarde... — ele disse, ofegantes, observando uma Hinata corada e de lábios inchados pelo beijo ardente que haviam dado. Seu peito subia e descia rapidamente enquanto Hinata arfava tentando levar de alguma maneira ar aos pulmões.
- Eu não quero que pare... — ela disse sussurrando. Depois de um beijo daquele, Hinata não tinha mais tanta certeza se aquilo era uma ilusão ou não. Os mortos não deviam sentir aquelas sensações tão prazerosas, mesmo no paraíso.
Naruto a olhou por algum tempo e depois retomou o beijo, dessa vez ainda mais ardente que o anterior. Naruto levantou, com Hinata em seus braços e dirigiu-se para a cama do quarto. Não era a maior cama do mundo, mas ele não se importava. Ele só queria ter Hinata. Ele queria que ela fosse dele e de mais ninguém.
Ele deitou-a na cama e olhou para ela por um tempo, tirando a camisa logo depois. Hinata ofegou. Ela já havia visto Naruto sem camisa antes, mas parecia que isso sempre faria o mesmo efeito nela. Ele era totalmente perfeito. Não era forte demais e muito menos fraco demais. Seus músculos eram definidos na medida certa. Ela observou Naruto deitar-se em cima dela, beijando-lhe novamente. Logo depois, ele passou a beijar-lhe o pescoço. Hinata acariciava seus ombros largos, querendo mais daquelas sensações. Quando ele deu uma mordidinha em seu pescoço, Hinata não se conteu e gemeu um pouco.
Ele parou de beijá-la por um instante, somente para lhe tirar a camisola do hospital, que ela estava vestida a tempo demais. Por baixo dela, é claro, Hinata estava completamente nua.
A Hyuuga ficou completamente corada quando ele a viu despida e tentou cobrir-se com os braços. Naruto sorriu para ela e lentamente a tirou seus braços de cima de seu corpo.
- Você é linda. Não tem por que se envergonhar. — ele disse e Hinata só corou mais. Naruto riu. Ele beijou-a novamente no pescoço, descendo lentamente para a clavícula. Enquanto fazia isso, Naruto acariciava com as mãos os seios grandes de Hinata, o que fazia a garota se contorcer e, involuntariamente movimentar o quadril em direção ao pênis já intumescido do loiro. Hinata gemeu ao sentir sua excitação.
- Hum... Naruto-kun... — ela falou, sem realmente perceber suas palavras. Hinata já não pensava em mais nada. Mas Naruto entendeu o que ela queria dizer, ele voltou a olhar para ela profundamente, encostando sua testa na de Hinata. Ela também o olhou, o desejo explicito em seus olhos. Mas havia outra coisa também. Hinata estava com medo. Ela nunca tinha feito nada como aquilo antes. Ela nunca fora de homem nenhum.
- Você nunca...? — ele não terminou a pergunta, mas Hinata entendeu. Ela corou forte e rapidamente, desviando o seu olhar do dele. — Eu entendo. — disse Naruto e sorriu. Era bom saber que Hinata ia ser sua e somente sua.
Ele ficou girou para o lado e rapidamente tirou as calças, juntamente com a cueca Box preta que usava. Hinata corou quando o viu. Era incrivelmente... Grande. Mesmo assim, ela não pôde desviar o olhar dele. Ela pensou em como seria quando ele estivesse dentro dela. Naruto percebeu e sorriu malicioso.
- Você está me deixando encabulado, Hinata. — disse ele, o que só fez a menina ficar ainda mais constrangida. Naruto riu um pouco.
Ele voltou a beijá-la intensamente, descendo por toda a extensão de seu corpo. Ele lambeu e chupou cada um de seus seios, fazendo Hinata gemer e ficar ainda mais excitada. Ela arqueou os quadris contra ele, pedindo implicitamente que ele a tomasse de uma vez por todas. Isso tudo só fazia aumentar sua própria excitação.
- Naruto-kun... Eu preciso... — ela tentou dizer, mas simplesmente não sabia do que precisava. Ele a olhou e viu o olhar desejoso de Hinata.
- Eu sei... — disse ele. — Eu também preciso. — ele completou, posicionando-se entre as pernas de Hinata, que as abriu um pouco mais. Sem esperar um segundo mais, Naruto a penetrou de uma vez.
Hinata arfou surpresa. Mas ela não sentiu dor. Ela só sentiu um pequeno incomodo que logo começou a passar dando lugar à outra coisa. Uma coisa muito melhor. Um prazer imensurável. Naruto gemeu, com prazer. Hinata era quente e apertada.
Ele começou a movimentar-se lentamente, mas sentiu que não conseguiria se controlar por muito tempo. Hinata gemia, com prazer, querendo que ele fosse mais fundo, mais rápido. Bombeando seus quadris entre suas pernas, ele sentiu Hinata tentar agarrar suas costas enquanto elevava seus quadris fora da cama para encontrar cada golpe. Seus músculos internos pulsavam ao redor de seu pênis, o segurando apertado. Eles se encaixavam perfeitamente.
Naruto angulou suas investidas mais altas assim ele esfregava seu clitóris enquanto ele entrava e saía de seu corpo. As mãos de Hinata desceram por suas costas até que ela cavou suas unhas em seu bumbum. Aumentando seu ritmo, ele a empurrou mais perto do orgasmo. Hinata gemeu quando seu clímax a atingiu. Com suas paredes internas apertando pênis dele, Naruto enterrou seu pênis bem no fundo seu corpo. Naruto gozou forte, derramando seu esperma dentro de Hinata.
Ele pousou sua cabeça na curva de seu ombro com o pescoço — sem sair dela — ofegante, assim como a própria Hinata. Girando para o lado, ele saiu de dentro dela e a abraçou. Hinata girou e deitou em seu peito.
- Eu acho... Eu não estou morta, não é? — perguntou ela, corada e suada pelo que eles tinham acabado de fazer.
- Eu creio que não. A não ser que os mortos façam amor. — disse Naruto, dando uma risadinha sarcástica.
- Amor? — perguntou ela, ainda sem acreditar realmente em suas palavras. Naruto a afastou um pouco, tirando-a de cima de si e olhando-a repreensivo.
- Você não ouviu nada do que eu disse? Eu não posso fazer nada mais além de amor com você, porque eu te amo Hinata. É tão difícil assim de acreditar? — perguntou e Hinata assentiu meio envergonhada. Era impossível de se acreditar. — Hinata, nesses oito meses eu praticamente... — ele começou a falar, mas foi prontamente interrompido pela morena.
- Oito meses... Você já falou isso antes, e até agora eu não entendi o que você quer dizer com isso. Que oito meses? — ela perguntou confusa. Naruto a olhou tristemente.
- Pode parecer estranho para você, Hinata... Mas você esteve aqui nesse hospital por oito meses, em coma. — ele disse, sussurrando, como se só lembrar-se desse fato tão recente o machucasse como nada mais.
- E-e-em coma? — perguntou ela, extremamente surpresa. Ela passara oito meses em coma?! — E-e-eu passei todo esse tempo “dormindo”? — perguntou ela, olhando para ele descrente. Ela o viu assentir. — E ninguém nunca pensou em desligar as máquinas? É realmente muito tempo em para se ficar em coma... — disse ela, com convicção, o que fez Naruto ficar um pouco irritado.
- Eu nunca permitiria isso Hinata. — ele disse um pouco duro, o que fez a garota se encolher. — Você morrer é uma coisa fora de cogitação. Eu simplesmente não posso suportar te perder. — ele disse dessa vez mais calmo, acariciando o rosto dela suavemente. Hinata sorriu, mas pareceu ficar triste de repente.
- E você não cogitou o fato de eu poder nunca mais acordar, Naruto-kun? Você nunca desejou esquecer isso de vez e conhecer outra pessoa? — ela perguntou a voz triste, o olhar baixo.
- Eu nunca pensei em outra pessoa, por que “se você acordasse” não era uma possibilidade. Para mim foi sempre “quando você acordasse.” Além do mais, eu não poderia, não conseguiria amar outra pessoa o quanto eu te amo. — disse ele e Hinata fez um bico enciumado de repente.
- Você já amou a Sakura. — disse ela, fazendo um bico e olhando para o lado pelo canto do olho.
- Não. Eu nunca amei a Sakura-chan. Eu sempre a considerei uma irmã. Mas como eu sou muito idiota, eu confundi tudo. — disse ele. Hinata o olhou sorrindo.
- Bom saber disso. — ela falou e lhe deu um beijo suave. Naruto riu fracamente e acariciou seus cabelos. Foi aí que ele se lembrou de outra coisa. Tão ou mais importante que o coma de Hinata.
- Tem outra coisa também, Hinata. — disse ele, olhando preocupado para ela. — Quando você estava fazendo a cirurgia, a Sakura-chan encontrou uma coisa em você. Um tumor. Um câncer no estomago... — disse ele e Hinata arregalou os olhos.
- Câncer? Eu tenho câncer? — perguntou ela, levantando-se aflita, mas Naruto a acalmou.
- Não, não! Acalme-se. Você tinha câncer. Já foi devidamente tratada. A Sakura-chan arranjou um jeito de conciliar a quimioterapia com o seu estado de coma. Alias, não sei se você percebeu, mas o seu cabelo... — Naruto não terminou a frase. Hinata passou a mão pelo cabelo. Estava relativamente mais curto, quase do tamanho de quando ela tinha doze anos. Ela suspirou. Ela adorava seu antigo cabelo. Ela ficava parecida com sua mãe.
- Bom cabelo cresce, não é? — perguntou, ela, mas parecia, para Naruto, que ela ia chorar. Ele a abraçou fortemente. Com isso, ela começou mesmo a chorar, forte. Era muita informação. Ela tinha câncer, ficou em coma. O que mais podia ter acontecido nesse tempo?
- Shiii, acalme-se Hinata, tudo já passou. Você está bem agora, você está completamente curada. Shiii.- ele a balançou um pouco, tentando fazê-la parar de chorar.
- Eu estou... É que... Bem, é muita informação para mim. — disse ela, fungando. Tudo estava tão estranho.
- Eu sei. Eu sei. — disse Naruto. Ele sorriu, de repente. Ele já havia pensado nisso há muito tempo, não exatamente do jeito como aconteceu, mas ainda assim...
- Hinata. — ele chamou, olhando para ela com um sorriso. Hinata o olhou, esperando para saber o que ele queria. — Não sei se é a melhor hora... Mas eu preciso te perguntar uma coisa.
- Pode falar Naruto-kun. — ela disse, desconfiada. Ela observou Naruto levantar da cama e enrolar-se em dos lençóis que tinha no colchão. Ele ajoelhou, com um pouco de dificuldade por causa do lençol. Hinata arregalou os olhos, o coração batendo acelerado. O que ele estava fazendo?!
- Eu não sei se essa é a melhor hora, porque você acabou de sair de um coma. Eu sei que te magoei que foi culpa minha você quase ter morrido. Eu sei que está confusa com toda a informação que acabei de dar a você. Eu sei de tudo isso. Mas eu também sei que você me ama. Você disse isso para mim. E agora eu descobri que te amo. Eu sei que está recente e não acho que você confie inteiramente em mim depois de tudo que eu te fiz passar. E eu entendo se você não quiser, ou se você quiser pensar... Mas ainda assim eu tenho que perguntar a você: Hinata Hyuuga, você aceita se casar comigo?
Aquilo devia mesmo ser uma ilusão.
Notas finais
Se tiver quaquer erro me avisem, que eu corrijo na hora.
Bom, se gostaram deixem reviews! Se não, deixem também!
Um beijo, pessoas, até a próxima!
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