Cinco Minutos
14 Especial: Eu sempre vou estar aqui por você
Notas iniciais
UOOOOOOL! Pessoal! Voltei voltei voltei! *flashes de câmeras*
UHUUUU!!! *pedradas*
Eu sei, eu sei! Demorei sééééééculos )): mas entendam que eu estava estudando pro vestibular! Fiz prova esse final de semana passado, então fiquei pensando... Tá na hora de mais um capítulo de cinco minutos! Tava devendo a vocês!
Espero que não tenham me abandonado, embora eu tenha merecido muuuuito! Mas eu sei que vcs são pessoas boas *.*
Bom, capítulo especial! Não sei se ficou bom, mas eu tentei né... E é pelo ponto de vista do Naruto, depois que a Hinata quase morreu... Vamos ver o que ele sentiu??
BOA LEITURA! o/
Eu não lembro muito bem o que aconteceu depois de ela ter sido ferida. Quero dizer, até que eu lembrava algumas coisas... As que eu considero importantes ou até mesmo estúpidas e imprudentes, mas, principalmente, aquelas que me machucaram.
Eu me lembrava, por exemplo, de ter levantado cedo no dia seguinte àquele estúpido incidente que quase a matara. Lembro-me de não ter dormido, pensando se ela iria me perdoar, se ela ainda iria me amar... Fiquei pensando em nós dois, juntos. Agora que meus olhos tinham sido abertos, na marra, aquilo parecia tão simples, tão correto, que me perguntei como não havia pensado nisso antes. É claro, eu não sou a pessoa mais inteligente do mundo... Mas aquilo me pareceu óbvio demais. Tanto que até um tolo como eu não teria como não notar.
Mas eu fui muito idiota. Cheguei até mesmo a ter vergonha de andar ao lado dela. Quando pensava nisso, tinha até vontade de rir. Era ela quem devia ter vergonha, não eu. Afinal, ela era a pessoa mais brilhante e maravilhosa que alguém poderia querer. E eu? Eu era somente eu. Cabeça oca, arrogante... Eu me achava muito melhor que ela, mais forte, quando ela era mil vezes superior a mim.
E então, eu descobri que ela me amava. E que eu a amava de volta. Infelizmente, tarde demais. Porque ela já havia sido esfaqueada e beirava à morte.
Às vezes, quando me lembrava disso tinha vontade de rir de mim mesmo. Ou me chutar. Ela sempre esteve perto de mim, bem na minha frente... E eu simplesmente fui arrogante demais para notar seu amor por mim e meu próprio amor por ela.
E então, quando ela estava morrendo, eu implorei a Sakura-chan que a salvasse, porque agora que eu reconhecia meus sentimentos, eu não poderia viver sem ela. E não poderia mesmo, porque Hinata se tornara uma parte tão importante de mim, que eu sentia que um buraco se abriria dentro de mim, se ela partisse.
Eu era mesmo um estúpido arrogante. Um egoísta.
Quando eu cheguei ao Hospital de Konoha aquela manhã, sem poder me controlar tamanha a ansiedade, a Sakura-chan me recebeu de bom grado. Lembro-me de ela parecer cansada. Também pudera! Havia passado mais de oito horas na cirurgia, tentando salvar a mulher da minha vida.
E não fora uma cirurgia simples, sabe. Na verdade, não fora nada fácil. Ocorreram diversas complicações. E o pior de tudo: a descoberta de que Hinata tinha câncer. Aquilo quase me matara. Lembro-me de ter perdido o fôlego, tamanha era a dor que tinha se abatido sobre mim. As minhas esperanças estavam quase no fim, depois daquilo.
Mas a Sakura-chan deu um jeito, graças a Deus. E ela havia sobrevivido, ela iria voltar para mim.
- Sakura-chan! – eu falei, baixo demais. Não era normal para mim, falar tão baixo assim, mas eu simplesmente não consegui falar mais alto. Tudo parecia tomar as minhas forças, até mesmo aquilo. — Quando eu posso entrar para vê-la? Ela já acordou? – eu perguntei. E, embora falasse baixo, eu agitava as mãos, afobado. Eu ainda era eu mesmo afinal.
- Não, Naruto, desculpe, mas ela ainda não acordou. — Sakura riu um pouco. Acho que do meu jeito de ser. Ela visivelmente não havia dormido, assim como eu mesmo. — Você vai ter que esperar mais um pouco. — disse ela, dando um bocejo.
- Tudo bem, eu espero. – eu disse, sentando na frente dela, ainda sorrindo, sem poder me controlar. Sakura me olhou, também sorrindo. No entanto, eu vi esse sorriso logo desaparecer, dando lugar a um olhar de preocupação.
- Naruto... – ela me chamou e eu a olhei para ela. — Você se lembra do que eu disse não é? Você se lembra do que eu encontrei nela... — disse Sakura, olhando-me apreensiva.
Eu não poderia esquecer. Afinal, aquela era a notícia mais horrível que eu já havia recebido. A notícia de que Hinata estava com câncer. Ela só podia estar de brincadeira comigo.
- Sim... — eu disse meu sorriso desaparecendo na hora. — Você disse que ela tem câncer. – eu completei, e devia parecer destruído por fora, porque era exatamente como eu estava me sentindo.
- É. — Sakura falou, desviando seu olhar para sua escrivaninha, triste. Ao mesmo tempo, eu desviei meu olhar para o chão. — Ela vai precisar muito de você Naruto. Vai precisar de todos nós. Não é uma doença simples. — Sakura completou. Senti que ela me olhava, mas mesmo assim não levantei os olhos.
- Eu não vou abandoná-la... Não mais. Eu a amo. Agora eu sei disso. – eu disse, finalmente olhando para cima. De repente, eu tive vontade de me chutar novamente. Por que eu não falara isso olhando nos olhos da Sakura? Eu não estava mais com vergonha da Hinata. Não, não estava. Talvez fosse vergonha de mim mesmo, por ter descoberto aquilo numa hora totalmente inoportuna.
Eu suspirei. Olhei para a Sakura atentamente e sorri meu melhor sorriso.
— Afinal, não se abandona quem se ama. No máximo nós vamos por aí, cumprir nosso objetivo... Mas nós sempre voltamos porque, em primeiro lugar, nunca devíamos ter ido, certo, Sakura-chan? – eu disse, claramente dando uma indireta para ela. Ela ficou vermelha, entendendo o que eu queria dizer. Mas ela devia saber, todos deviam saber... O Sasuke sempre a havia amado. Ele era apenas muito orgulhoso para admitir. Mas ele tinha sido melhor do que eu. Ele havia conseguido a mulher de sua vida sem que ela tivesse que estar à beira da morte para isso.
- Você acha mesmo isso? — perguntou Sakura para mim, baixando os olhos para o chão.
- Acho o quê? – eu me fiz de desentendido. Vi minha amiga olhar para mim, confusa, como se eu fosse louco. Eu ri um pouco.
- Você é louco. — disse a Haruno, olhando-me desconfiada. Eu somente ri mais.
- Mas, me diga, quando eu posso entrar para vê-la? – eu mudei totalmente de assunto, nervoso. Mal conseguia me controlar. Quando os olhos dela se abrissem, eu sabia que não conseguiria parar de olhá-los.
Sakura-chan suspirou, resignada. Mas ela devia saber, mais do que ninguém, que quando eu colocava uma ideia na cabeça, nada me fazia tirá-la de mente. E ela que me agradecesse: foi isso que trouxe o Sasuke de volta. Mas é claro que eu não falei isso em voz alta.
- Eu acho que vou deixar você vê-la. Vou abrir uma exceção, embora o horário de visita seja só mais tarde. — disse ela, o que me fez sorrir abertamente.
[...]
Nós nos dirigimos para o quarto onde ela estava internada. Quando entrei, meu coração bateu acelerado, ao vê-la. Nunca a vi mais frágil e destruída como parecia estar ali. Estava cheia de agulhas intravenosas, respirando lentamente. O barulho irritante das máquinas me confortou um pouco, já que indicavam que ela estava viva.
Eu praticamente corri para o lado dela, sentando-me em uma cadeira que tinha por ali – provavelmente usada por alguma enfermeira de plantão – e segurei uma de suas mãos. Ela estava um pouco fria, mas eu decidi não me preocupar com isso.
- Sakura-chan, falta muito para ela acordar? – eu perguntei, ainda olhando para Hinata. Eu simplesmente não podia desviar meus olhos do rosto dela.
- Daqui a pouco... Se você quiser, pode esperar aqui. – ouvi a Sakura dizer, atrás de mim, sem me virar. – Eu tenho que ir para a minha sala... Você ficará bem sozinho? – ela me perguntou e eu somente assenti. Ouvi a porta ser aberta novamente, indicando que ela havia saído.
Suspirei. Olhei para Hinata, novamente, e não dominei o impulso de acariciar seu rosto. Ela era tão linda... Quase perfeita. Não, ela era perfeita, eu que fui muito estúpido para perceber isso. E ela me amava.
Eu sorri ao me lembrar deste fato. Fiquei fantasiando novamente. Quando ela acordasse, eu a pediria em namoro... E eu poderia beijá-la sempre que quisesse, na frente de todos. E nós faríamos mais piqueniques... Nadaríamos juntos. Ficaríamos felizes, mais do que eu nunca consegui ser. E eu a faria feliz. Eu nunca mais a magoaria. Nunca.
- Quando você acordar, Hinata... E ficar completamente boa... Nós vamos viajar, que tal? Pra qualquer lugar que você queira. Praia, campo. O que você me diz? – eu sorri, olhando para os seus olhos ainda fechados. – Você escolhe amor. Eu somente quero estar com você. – eu disse, e acariciei sua face novamente.
- Talvez nós possamos ir a algum lugar com cachoeiras... Eu sempre achei que combinasse com você. – eu disse novamente. Nada de ela abrir os olhos, sorrir ou ficar corada como sempre acontecia. – Vamos lá, Hinata, acorde... Assim nós poderemos planejar juntos... Acorde, acorde... – eu repeti algumas vezes. Sem poder me controlar, deitei a cabeça na beira da cama dela.
— Acorde... – eu ainda murmurava, antes de adormecer profundamente.
[...]
“Socorro...”
- Hinata! – eu acordei sobressaltado, olhando para todos os lados, atordoado. Olhei pela janela, que dava para a rua, e vi espantado, que já estava anoitecendo. Olhei para Hinata, confuso. Ela estava do mesmo jeito que eu me lembrava, antes de ter adormecido.
- Sakura-chan! – eu chamei, mas não ouvi resposta alguma. Levantei da cadeira, desconfiado e me dirigi à sala dela. Bati na porta algumas vezes. Depois de algum tempo, que mais perecera uma eternidade, finalmente a rosada atendera ao meu chamado.
- Naruto! – ela exclamou ao me ver, parecendo esperar alguma coisa. – E então? Como foi com ela? – ela me perguntou e eu olhei para ela meio irritado.
- Sakura-chan, você viu que horas são? – eu perguntei meio rude. O rosto dela estava meio amassado, o que me fez pensar se ela também não estivera dormindo como eu.
Instintivamente, ela olhou o relógio em seu pulso. Aparentemente, o que ela viu a deixou surpresa, pois ela me olhou confusa e até meio constrangida.
- Nossa, eu devo ter adormecido e... – ela começou a falar, mas eu simplesmente não tinha mais paciência para aquilo.
- Ela não acordou. – eu disse, na defensiva, como se estivesse a acusando de alguma coisa. É claro que eu sabia que ela não tinha culpa alguma, mas eu não estava nem ligando. Afinal, Hinata não havia acordado. O que aquilo poderia significar?
- Como assim, não acordou? – Sakura me perguntou, meio desconfiada.
- Quero dizer que ela ainda estar dormindo. – eu disse, calmamente, mas quase explodindo por dentro. Não via motivo para a dúvida dela.
Sakura me olhou, um pouco raivosa e saiu marchando pela porta. Eu a acompanhei é claro. Queria, mais do que respirar, saber o que estava acontecendo... Afinal, Hinata não havia acordado e isso com certeza não era normal.
Observei a Sakura entrar no quarto branco e, de alguma forma, macabro. Entrei logo atrás dela. Eu não estava me sentindo bem... Sentia de novo aquela maldita angústia, como uma faca que sempre estivera atravessada em meu peito e que sempre doía, como que para me lembrar da minha culpa no estado de Hinata.
Vi a Sakura pegar o pulso de Hinata e apertá-lo de leve, olhando para o próprio relógio. Depois, ela pegou alguns papéis em cima da cabeceira da cama, olhando, preocupada. E após isso, olhou para a tela de uma pequena máquina, aquela que indicava os batimentos cardíacos e o nível de atividade cerebral. Eu a vi estremecer um pouco, olhando especificamente para essa parte. Não sabia o que aquilo poderia dizer, mas senti que não era boa coisa.
- E então? – eu perguntei já impaciente. – Por que ela continua dormindo?
- E-eu acho que... Que a anestesia ainda não passou completamente... – ela disse com a voz tremida. Ela era uma péssima mentirosa. – Por que você não vai para c-casa? Amanhã e-ela v-vai estar aqui pra você... – ela continuou a mentir horrivelmente. O que poderia ser tão ruim que ela não queria me falar?
Eu a olhei, desgostoso. E então, eu percebi que não queria saber. Não queria ter mais uma péssima notícia, porque eu não iria aguentar, eu sabia. E então, eu fingi acreditar na mentira dela. Eu fingi emburramento, embora eu soubesse muito bem que algo estava terrivelmente errado.
- Oh, droga. Droga, Sakura-chan, você não pode fazer alguma coisa para mudar isso? – eu perguntei, embora já soubesse muito bem a resposta. Vi Sakura olhar-me tristemente e balançar a cabeça negativamente. – Então eu acho que terei mesmo que voltar amanhã, certo? – eu disse, sorrindo fracamente.
[...]
Eu era mesmo um estúpido egoísta. Eu sabia que devia ter exigido que Sakura parasse de mentir, mas simplesmente não aguentei, por que eu sabia que me causaria mais dor. E, mais uma vez, eu estava pensando em mim mesmo, quando era Hinata a coisa mais importante a se preocupar agora.
E então, no outro dia eu estava lá novamente, ansioso e apreensivo, tentando não transparecer a minha agonia, a minha dor, porque eu sabia que as notícias não eram nada boas.
E, só para confirmar as minhas suspeitas de que aquilo não podia ser bom, todos estavam lá. Quero dizer, o pai de Hinata, o Neji e até mesmo o otário do Kiba. Eu não poderia saber como aquele idiota sabia de Hinata, mas me dera uma súbita raiva dele. Eu já sabia o que era: ciúme. E então eu me peguei pensando que Hinata estar ali não era da conta dele. Que eu deveria cuidar dela, não o Kiba.
E lá veio novamente a minha vontade de me chutar. Porque mais uma vez eu pensava somente em mim mesmo, quando toda a ajuda, todo o apoio que Hinata conseguisse seria importante para a sua recuperação. Mas meus olhos se fecharam pelo ciúme.
Eu vi Kiba me olhando raivosamente. Aparentemente ele também deveria estar irritado com a minha presença. Ou talvez ele tivesse inferido que tudo aquilo ela minha culpa. Eu preferia ficar com a primeira opção. Não porque era mais cômoda para mim, mas porque era a mais obvia. Neji não poderia ter-lhe dito, porque Neji praticamente odiava a todos e não era amigo de ninguém, particularmente. E Kiba era muito estúpido para pensar algo como isso. Não, não mesmo. Ele estava era morrendo de ciúmes de mim.
Eu ri internamente com aquilo. Aparentemente, nenhum de nós dois, egoístas, merecíamos ficar com a Hinata.
A Sakura-chan apareceu logo depois de eu ter pensado sobre isso. Junto dela estavam vovó Tsunade e Shizune, que pareciam tristes e nervosas. Mais uma vez o sentimento de angústia se abateu sobre mim. Primeiro porque, se não fosse grave a vovó Tsunade não estaria ali, ou Shizune.
Elas nos levaram para o quarto de Hinata, dizendo que precisavam falar com todos em um local mais particular. Eu andei rápido atrás delas, querendo que o suspense acabasse de uma vez.
E quando chegamos eu queria subitamente voltar. Não queria saber daquilo, não queria saber de mais péssimas noticias. Tudo parecia que iria desmoronar na minha cabeça e eu senti meu estomago embrulhar de medo.
- Primeiro, eu... Gostaria que todos se sentassem... – eu ouvi a vovó Tsunade dizer e, como se já pertencesse àquele lugar, eu me direcionei para a cadeira ao lado da cama de Hinata. Não sei onde os outros se sentaram, não me importei ao menos. Eu queria mesmo era que tudo acabasse que eu saísse daquele pesadelo e que Hinata acordasse logo, dizendo que tudo não passara de uma brincadeira de mau gosto.
- Não tenho boas notícias, pessoal. – quem disse dessa vez foi Sakura. Meu desespero aumentou. – A Hinata deveria ter acordado ontem, pela manhã... Mas, já estava anoitecendo quando o Naruto veio me chamar, dizendo que ela ainda estava dormindo. – disse a Sakura. – Eu... Olhei alguns exames, vi seu prontuário... Medi seus batimentos cardíacos e tudo parecia normal, ela deveria acordar ontem... – Sakura disse e sua voz me pareceu embargada, como se ela estivesse chorando. Eu não saberia com certeza, eu estava de costas para ela, de frente para Hinata. – M-mas... Quando eu fui ver sua atividade cerebral... Eu... Eu vi que algo não estava normal... – disse Sakura e agora ela chorava verdadeiramente, até soluçava um pouco. Meu coração bateu acelerado, sabendo que aquilo era muito pior do que eu imaginara. – Chamei a Tsunade-sama e a Shizune-san, para que elas confirmassem as minhas suspeitas ou, melhor, que as exterminassem. Mas elas confirmaram... – Sakura suspirou forte, como se doesse o que ela ainda iria nos dizer. – Elas confirmaram que Hinata está em coma.
Eu arregalei os olhos, mais surpreso do que nunca havia me sentido. As lágrimas logo os invadiram e tudo ficou nebuloso. Meus ouvidos pareciam estar tampados com algodão, porque eu não estava conseguindo escutar nada. E, de repente, eu senti. A dor se alastrou pelo meu corpo de forma que eu nunca pudera imaginar. Não era nada como eu havia sentido antes. Era como se brasas me queimassem por dentro, juntamente com choques elétricos. Eu me senti tonto e mal pude segurar a vontade de vomitar.
- Co-como? Como isso aconteceu? – eu ouvi a voz do Kiba perguntar. Mas parecia que ele estava longe, pelo menos uns vinte metros de distância.
- Eu não sei... – disse Sakura novamente. Bom, eu sabia. Tinha sido minha culpa. O que mais importava, além disso? – O máximo que pudemos fazer foram suposições. Não é exatamente comum que uma cirurgia no peito e no estômago cause coma... Mas enquanto fazíamos a cirurgia Hinata teve uma parada cardíaca, mais ou menos cinco minutos sem oxigênio no cérebro. Pelo que eu sei, é tempo suficiente para causar lesões. – Sakura completou. Cinco minutos. Eu odiava esse número. Cinco minutos de uma aposta ridícula e Hinata tinha sido esfaqueada. Cinco minutos sem oxigênio e ela estava em coma. Cinco minutos... Eu simplesmente odiava aquele número.
- Mas... Há alguma chance de ela acordar? – perguntou o pai de Hinata. A voz dele estava estranha. Estava mais baixa do que o normal e não me causava mais calafrios como naquele dia no restaurante com Hinata.
- É claro que existem... – disse a vovó Tsunade e eu me senti um pouco melhor. Não exatamente bem, mas melhor, com certeza. – Como também há a possibilidade de ela não acordar mais. – ela falou. E mais uma vez eu vi meu mundo desmoronar na minha frente. COMO ASSIM ELA PODERIA NUNCA MAIS ACORDAR? – Ela pode acordar amanhã, como pode acordar daqui a dez anos... – disse a vovó.
E então, subitamente, minhas esperanças foram afastadas de mim. Eu senti as brasas me incendiarem de novo. Eu mal podia respirar. Não sei o que me deu em seguida, mas eu simplesmente tinha que sair dali. Eu não conseguia nem olhar para o rosto sereno de Hinata, porque eu sabia que a culpa de ela estar assim era totalmente minha.
Eu me levantei nervoso e abri a porta com força e raiva. Senti que todos me olhavam, mas não me importei, simplesmente segui para fora do quarto, tentando fugir da dor.
— Naruto! – alguém me chamou, mas eu não lhe dei ouvidos. Eu continuava tentando não sucumbir à dor. – Naruto... – era Sakura. Droga, porque ela não me deixava em paz?
- Me deixe em paz! – eu praticamente rosnei, mas ela não ficou com medo de mim. Ao contrário. Sua voz me chamou novamente parecendo ainda mais preocupada. – Me deixe em paz... – eu repeti dessa vez baixo e com a voz embargada pelo choro, as lágrimas saindo tão abundantes que eu não conseguia enxergar um palmo a minha frente. Ela tocou meu braço e eu senti que ela me puxava para algum lugar. Eu não tive forças para dizer nada, nem para relutar, porque sabia que ela não iria me deixar sozinho com a minha dor. Nós paramos em algum lugar mais longe do quarto de Hinata. Não consegui distinguir onde era, não me importei em ao menos olhar ao redor.
- Naruto, eu sei que é doloroso... – ela começou a dizer. Eu olhei para ela, incrédulo. Não, ela nunca entenderia. – Eu sei por que quando o Sasuke foi embora, eu me senti tão vulnerável e inútil... Tão culpada... Eu não tinha conseguido nem ao menos impedi-lo... Fazê-lo ficar aqui, comigo... – ela disse. E eu nunca senti tanta raiva da Sakura como eu senti naquele momento. Cada palavra que ela proferia não parecia ser nem um milionésimo da dor que eu estava sentindo. Ela continuou dizendo alguma coisa que eu não entendi. Consumido pela raiva, eu explodi, interrompendo-a.
- Cale a boca! – eu disse, mas não gritei. Ela parou de falar, olhando-me incrédula. – O que você está fazendo, Sakura? – eu perguntei frio. Era a primeira vez na vida que eu a chamava somente de Sakura, sem o usual sufixo no final. – Comparando sua dor à minha? Você não sabe de nada. Não entende nada. – eu disse completamente furioso. — Fui eu o culpado de Hinata estar nesse estado. Fui eu que a deixei... Vegetando em uma cama, talvez para sempre! Você nunca vai entender essa dor. – eu disse a raiva se apossando de mim de tal forma, que eu não me importei de ver que ela estava com lagrimas nos olhos. – Afinal, você não conseguiu parar o Sasuke. E daí? Eu o trouxe de volta. Eu me humilhei na frente de líderes de outras aldeias para que não o matassem. Eu cheguei a implorar. Eu quase causei uma guerra. E tudo isso para quê? Para fazer você feliz. E aí está você, feliz e sorridente. – eu disse mais arrogante e frio do que eu nunca fui. Lágrimas escorreram pelo rosto dela, mas eu pouco me importei. – Então não me venha dizer que entende minha dor, porque não entende. Você nunca sentiu ou irá sentir um milésimo da dor que eu senti por toda a minha vida e que parece estar me matando agora. – eu disse e, dessa vez, eu pude sentir lágrimas invadirem os meus olhos. – Você nunca carregará o fardo de saber que a pessoa que você mais ama no mundo e que sempre te amou está semimorta em uma cama por sua culpa. Então, por favor, não fale comigo como se entendesse alguma coisa. – eu disse e, por fim, saí de perto dela, praticamente correndo.
Não sei como, mas meus pés me levaram para fora do hospital. Estava chovendo forte. Estranho. Eu não escutei nada dentro do hospital. Devia estar muito envolvido com a dor.
Eu saí na chuva mesmo. Não me importei de ficar encharcado. Na verdade, até gostei. O cheiro da Hinata era exatamente como aquele. A dor se acentuou no meu peito. Mas eu pouco liguei. Continuei andando na chuva, quase que apreciando. Eu era um masoquista.
Naquele dia, eu andei por aí por um longo tempo. Não sei dizer quanto, nem muito menos por onde andei. Eu simplesmente meti as mãos nos bolsos e andei para lá e para cá, sem rumo. Parecia que minha vida estava assim agora. Sem Hinata tudo parecia estar errado e diferente.
E então, eu parei de andar, finalmente observando aonde meus pés tinham me levado. Era a cachoeira. A cachoeira na qual eu levara Hinata uma vez, num piquenique. Eu quase sufoquei quando percebi aquilo. Aquele era um lugar só nosso cheio das nossas lembranças. As lágrimas encheram meus olhos mais uma vez. Lembranças. Não era possível que tudo ficaria só nas minhas lembranças, que nada iria se repetir, ou era?
Senti meus joelhos ficarem fracos e caí sentado no chão. Eu soluçava incapaz de me controlar.
- HINATA! – eu gritei, como um garotinho idiota, querendo a mãe. – Hinata... – eu chamei novamente, infeliz. Por que eu tinha que ser tão estúpido? Por que eu não notei uma coisa tão obvia como aquela? Ela me amava e eu a amava de volta. O quão difícil era de se entender isso? – Hinata... – eu disse novamente, debilmente, sentindo a tristeza e a raiva se apossarem de mim. Como um idiota, comecei a me debater pelo chão.
- AAAAH! – eu tentei extravasar a minha dor. Dei chutes e socos nos solo encharcado pela chuva. Bati uma, duas vezes, cinco, dez. Meu suor pingava e se misturava com a água incessante da chuva. Quando minhas mãos estavam vermelhas e inchadas eu parei.
- O que foi que eu fiz com você Hinata? – eu perguntei, olhando para a palma das minhas mãos machucadas, com lágrimas saindo abundantes de meus olhos. O que eu tinha feito? Será que eu nunca mais iria vê-la sorrir novamente? Será que eu nunca mais iria vê-la corada? Será que eu nunca mais veria aquele brilho em seu olhar quando me via? Aquele brilho tão lindo, tão reconfortante, que eu finalmente descobrira o que era?
- Hinata... – eu disse, por entre soluços. Eu me sentia febril. A chuva forte ainda caía sobre mim e, sem mais forças, eu me deitei no chão, com os olhos voltados para o céu nebuloso, a gotas frias da chuva caindo diretamente sobre o meu rosto.
“- Naruto-kun”... – ela dissera tantas vezes e, quando ela finalmente parou de falar o sufixo, eu senti tanta falta que chegou a doer.
- “Sabe, foi o sorriso dele que me salvou.” – ela dissera uma vez a um de seus alunos. Agora eu sabia que ele era eu. Não pude deixar de pensar na ironia daquilo. Eu a tinha salvo? Não, Hinata. Eu condenei você.
- “Eu o amo, vivo por ele. Luto por ele. E ele nem sabe disso. Mas eu não me importo. Contando que ele nunca deixe de ser quem ele é... A pessoa mais brilhante do meu mundo... Não importa se ele não saiba. Eu sempre vou amá-lo.”. Será que você nunca vai ouvir a resposta dessas palavras? Eu também te amo, Hinata. Eu te amo mais do que a minha própria vida.
- Eu nunca disse a você... Eu nunca imaginei isso... Mas... Se eu dissesse que... Eu amo você... Você iria... Querer me beijar... Porque eu perdi muito sangue? – Eu beijarei você sempre... Eu beijarei você quando você quiser... Apenas acorde e peça... Eu faço tudo por você.
Quantas provas de amor ela já tinha me dado? Eu a humilhei, a destratei, eu até senti vergonha de andar ao seu lado. Mas ela sempre esteve lá por mim. E quando chegou a minha vez de mostrar capacidade, o que eu tinha feito a ela? Eu a tinha matado. Isso mesmo, matado. Não só uma, mas inúmeras vezes. Por que agora eu sabia que, a cada vez que eu a magoava, eu matava uma pequena parte de Hinata. E quando ela não pôde mais suportar, quando ela chegou ao limite, ela desejou mesmo parar de viver. E de quem era a culpa?
Eu me sentia um lixo.
“- Eu avisei, não avisei garoto?” – a voz da Kyuubi disse dentro da minha cabeça. Senti uma súbita náusea e a vontade de vomitar me atingiu de novo. Se eu já não estivesse deitado, com certeza teria caído. Aquela escuridão, aquela contra a qual eu sempre havia lutado, estava me cercando rápida e ligeira, como uma serpente. Eu estava caindo nas trevas de novo.
Ainda sob a chuva, minha vista escureceu. E então, eu desmaiei.
[...]
Estranhamente, acordei seco e quente. Abri os olhos um pouco confuso quando me dei conta disso. A luz me cegou um pouco, mas logo me acostumei o suficiente pra saber onde estava. Hospital. Ótimo. Sakura com certeza pedira ajuda a alguém a me ver correr daquele jeito.
Levantei da cama meio cambaleante. Não tinha nada preso ao meu corpo, então deduzi que não era tão sério. Fui até um cabide que tinha ali perto e peguei minhas roupas. Tirei aquele traje ridículo de hospital, pateticamente aberto onde não deveria e vesti minha calça. Ao mesmo tempo em que eu vesti minha camisa alguém abriu a porta.
- Dobe. – era Sasuke. Ele não disse nada, além disso, mas eu pude ver que ele estava irritado com algo pelo modo com que falara. – Você não pode ser um pouco mais inteligente? – disse ele, sarcástico, coisa que eu nem liguei. Eu parecia não me importar mais com nada, especialmente com as gracinhas idiotas do Sasuke.
- Eu não pedi para ninguém vir atrás de mim. – eu disse baixo. Minha voz surpreendeu até a mim. Estava morta, sussurrante e completamente fria.
- Pois é não é? – ele disse ainda sarcástico. Suspirei. – Quando eu fui embora também não pedi para ninguém vir atrás de mim. E você, como um idiota intrometido, veio mesmo sem ser chamado. Bom, pois eu vim dar uma de Naruto. De nada. – ele completou. Eu sorri de canto. Mas meu sorriso logo desapareceu.
- O que você quer Sasuke? – eu disse. Eu já estava cansado dessas gracinhas dele. Sempre se fazendo de superior a mim, me insultando e jogando. Bom, eu até aceitava. Mas não naquele momento.
- Sakura me pediu para ir atrás de você. – ele disse e confesso que ri um pouco. Não muito alto, mas com certeza foi um riso. Não foi um riso bonito, confesso. Foi cheio de ironia e até um pouco de desprezo.
- Sakura, Sakura... Tsc tsc... Parece que é o destino dela mandar os outros irem atrás de alguém... Pergunto-me porque ela não vai por si própria. – eu disse e quase pude ouvir os dentes de Sasuke trincarem atrás de mim. Aparentemente era seu ponto fraco. – É claro que para você foi bem mais simples. Afinal, eu nunca fugi ou tentei destruir a minha vila... – eu disse. Nem eu mesmo sabia o que estava acontecendo comigo. Minhas palavras saiam carregadas de acidez sem que eu pudesse me controlar. Eu queria ferir a todos. Queria que sentissem dor, como eu estava sentindo.
Sasuke se moveu rápido aproximando-se de mim. Ele segurou-me pela gola, irritado. Eu pouco me importei. Olhei-o frio, sem sentir nada. Quer dizer, a dor ainda se apossava de mim, mas fora isso eu não sentia mais nada.
- Seu idiota! – ele vociferou. – O que há com você? Foi isso que disse para ela? Foi isso que disse para que ela viesse até mim chorando? Por que se você a fez chorar eu juro que...
- Ah, pelo amor de Deus. – eu disse, já sem paciência, soltando-me das mãos dele. – Você a fez chorar mais do que todo mundo, seu grande imbecil, então não venha me julgar. – eu disse e ele me olhou raivoso, sem resposta para aquilo. – O que você quer Sasuke? Que eu vá até ela e me desculpe? Que eu me desculpe com você? Que eu me desculpe com a puta que pariu? – eu quase rosnei nessa ultima frase. – Pois saiba que eu não vou me desculpar, não vou atrás de ninguém. Não vou fazer mais nada por ninguém. Sabe por quê? Sabe por quê? – eu inquiri e ele me olhou frio.
- Não. – ele respondeu. Eu sorri. Era claro que não sabia.
- Porque eu não me importo. – eu disse e por um instante ele me pareceu um pouco surpreso, mas logo controlou sua expressão. Maldito Uchiha. – A única pessoa com a qual me importo nesse momento está em coma. E eu não posso fazer nada. Então, para o inferno você e a Sakura. Porque eu não me importo com nenhum de vocês. Porque a Hinata está em coma. – eu disse tão frio e ríspido que me surpreendi comigo mesmo.
- E de quem é a culpa? – ele disse conseguindo ser mais frio do que eu estava sendo naquele momento. Acredite, não era muito fácil.
- Você quer me ferir com essas palavras? – eu disse e ri da cara dele. Dessa vez ele ficou confuso. – Você não pode me ferir, sabe. Não se fere quem já está morto. – eu disse e o Sasuke ficou realmente surpreso com essas ultimas palavras. – Eu só queria que vocês me deixassem descansar em paz. – eu completei e saí do quarto o mais rápido que pude dessa vez sabendo muito bem aonde eu iria.
[...]
Cheguei em casa exausto. E, assim que fechei a porta atrás de mim, senti como se o mundo estivesse caindo. E eu que me virasse para segurar. Senti as tão familiares lágrimas alcançarem meus olhos e chorei. Chorei como nunca. Chorei como um bebê, desamparado, inútil, quebrado... Chorei, porque assim que fiquei sozinho novamente, tudo que eu conseguia me lembrar era dela. Do sorriso dela, do rosto dela, dos beijos dela... Tudo que eu conseguia era me culpar e a cada vez que essa culpa se abatia sobre mim, eu chorava com força total.
Eu me dirigi ao meu quarto pequeno e imundo. Deitei na cama e enfiei o rosto no travesseiro ainda chorando sofregamente. Eu a queria tanto ao meu lado. Queria tanto ter sabido logo que ela me amava... Ter sabido logo que eu a amava... Teria poupado tanto sofrimento... Tanta dor... Tanto minha como dela. Principalmente dela. E agora ela estaria aqui comigo... Nos meus braços.
Mas nada disso havia acontecido. Porque ela não estava comigo. Estava deitada em uma cama fria de hospital, com máquinas mantendo-a viva. Máquinas. Até as máquinas a mantinham viva, coisa que eu fui incapaz de fazer.
Fiquei deitado por um longo tempo. Até que adormeci.
[...]
Já havia amanhecido quando a campainha tocou. O som me deixou irritado. Será que ninguém jamais iria entender que eu queria ficar sozinho? Pelo amor de Deus.
Coloquei o travesseiro no rosto, tentando abafar o som. Não funcionou. Aparentemente, a pessoa do lado de fora não iria desistir facilmente.
- Droga... – eu disse baixinho. – Já vou! – gritei, irritado. Quando abri a porta, qual não foi a minha surpresa ao ver o Ero-sennin encostado na parede?
- Ero-sennin? – eu perguntei confuso com a sua presença.
- Olá, pirralho. – ele disse, sorrindo um pouco de canto. – Não vai me convidar pra entrar? – ele perguntou retoricamente. Abri espaço para ele entrar.
- O que faz aqui? – eu perguntei. Fazia meses que eu não o via. Devia ser mais alguma de suas missões mirabolantes. – Se for mais alguma missão pode esquecer... – eu ia dizendo, mas ele me interrompeu.
- Não estou aqui por causa de missão alguma. – ele disse direto. – E eu acho que você sabe muito bem sobre o quê eu vim falar. – ele disse. Eu não tinha muita certeza, mas tinha uma ideia. Eu não sabia como ele sabia, no entanto.
- Hinata. – eu disse, mas como uma pergunta. Ele me olhou sério. – Não quero falar sobre isso. – eu disse logo me levantando e me dirigindo à pequena cozinha, fingindo que iria beber um copo d’água. O que eu queria era me manter longe dele, sem contato visual, me manter ocupado com algo. Porque aquele velho idiota tinha esse dom de me fazer sentir muito mais frágil, como uma criança. Talvez fosse porque ele era a pessoa mais parecida com um pai que eu tinha.
- Eu não ligo. – ele se levantou e eu o senti vindo até mim. – Pare de fingir que está ocupado, você não engana ninguém moleque. – ele disse arrancando o copo de água da minha mão e o depositando na pia próxima a nós. Depois disso, Jiraya-sensei me virou bruscamente para ele, segurando firmemente em meus ombros. – Olhe para mim, Naruto. – ele disse segurando meu queixo com força e me forçando a olhá-lo. Eu olhei meu velho querido sensei por apenas um minuto antes de meus olhos ficarem embaçados. Como ele fazia aquilo?
- Eu a matei, sensei. Eu matei o amor da minha vida. – eu disse e eu vi os olhos dele ficarem tristes. Ele me abraçou e foi aí que eu comecei a soluçar. – Eu a matei. – eu disse novamente, meio que gaguejando.
- Você não a matou. Ela está viva. Ela está viva, Naruto. – disse ele, mas eu só conseguia chorar mais e mais. Ele separou-se do abraço e me segurou pelos ombros, apertando levemente.
- Ela está em coma. A vovó disse que talvez ela nunca mais acorde... Como você quer que eu fique depois disso? Ela talvez nunca mais acorde...
- Ouça o que você está dizendo, Naruto! Tsunade disse talvez! Talvez! O que houve com você? Não era você que nunca perdia a esperança? Que não desistia nunca? Você não é Naruto Uzumaki? – ele me perguntou. Eu apenas ri com aquilo.
- Acontece que eu estou cansado de ser como sou. – eu disse e vi meu sensei me olhar surpreso e decepcionado. – Estou cansado de viver nesse mundinho e de ser infantil como sou. Estou cansado de perder as pessoas e de ter de trazê-las de volta... Estou cansado de lutar. – eu disse e Jiraya sensei me olhava cada vez mais surpreso com as minhas palavras.
- Não faça isso, garoto. Não caia nas trevas de novo... – ele disse e eu desviei os olhos para o chão. As trevas já haviam me envolvido há muito tempo. – Sabe... Todo mundo sabia que a Hinata te amava. – ele disse e eu o olhei com ainda mais dor. Ele queria fazer com que eu me sentisse pior? – Não olhe assim para mim. É verdade. O que todo mundo se perguntava era por quê. Por que ela amava você. – ele disse essa ultima frase com um pouco de desprezo e eu me senti pior que nunca. Mas eu também me fiz essa pergunta: por quê? Por que logo eu? – Afinal, você é garoto-demônio, certo? A escória da vila. Naruto Uzumaki. – o que ele estava fazendo? Será que ele sempre pensou isso de mim? – Mas eu sei por que a Hinata te amava. – disse o meu sensei, sorrindo carinhosamente para mim. — Não, eu sei por que ela te ama. Não seja estúpido, Naruto. Ela sempre te olhava, até mesmo eu sei disso. Estava sempre seguindo você. Não se lembra de nada? Será possível que não sabe nada sobre ela? Ela te ama por quem você é.
- E quem eu sou? – eu perguntei, com o peito dolorido. Com o coração em pedaços.
- Você é Naruto Uzumaki. – ele disse simplesmente, sorrindo ternamente. Mas depois ele me olhou sério. – Quando tinha cinco anos, Hinata perdeu a mãe. Seu pai nunca foi muito carinhoso, disso você deve saber. Ela cresceu tímida e retraída, como você bem a conhece. Mas aí veio você. Ela ficou admirada com seu jeito de ser, Naruto. Ela admira você. Por quem você é. Não se lembra de nada que ela tenha feito? Nada que o tenha lembrado de si mesmo?
Cinco anos atrás (Luta entre Hinata e Neji)* — Episódio 47 do Naruto Clássico.
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- Hinata-sama, essa diferença entre nossas imutáveis forças é a diferença que separa a elite dos fracassados. Essa realidade não pode ser mudada. Você foi destinada a se arrepender quando disse que não iria fugir. Deve estar desesperada agora. – Neji falou ameaçadoramente. — Este é o meu ultimo aviso: desista!
- Eu... Não vou... Voltar com... A minha... Palavra... Porque esse é o meu jeito ninja. – respondeu a Hinata tímida, impressionando a todos. Ela olhou Naruto por um segundo e sorriu, agradecendo internamente seu grande amor.
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Cinco anos atrás (Luta entre Hinata e o clã das abelhas)** — Episódio 151 do Naruto Clássico.
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- Não pode ser! Aquele Jutsu... A Hinata consegue fazer aquilo? – Perguntou Naruto surpreso, admirado com o que parecia ser uma nova Hinata.
- A Hinata que você conhece é de muito tempo atrás. – disse Shino, enigmático.
- Do que está falando? – perguntou Naruto, confuso.
- Já faz algum tempo desde a prova chunnin e vocês aprenderam muitos jutsu novos de lá para cá. A Hinata se desenvolveu também. Ela tem treinado muito duro. – Shino disse orgulhoso da companheira de equipe. — Ela estava muito preocupada com o seu objetivo como ninja... Queria oferecer alguma coisa nova... E, após meses de treinamento, Hinata descobriu seu novo estilo. Seu próprio jutsu especial. – disse o Aburami, apontando para a Hyuuga, que ainda lutava. — O que você está vendo é o resultado daquele treinamento. – disse Shino. – Devido ao seu treinamento intensivo o controle de chakra da Hinata melhorou bastante. E você acaba de ver o jutsu que ela criou e aperfeiçoou. Oito trigramas, sessenta e quatro golpes de defesa. Ela usou sua flexibilidade superior e combinou com o controle preciso de chakra, para desviar ataques de todas as direções de uma só vez. É o supremo jutso de defesa. É diferente da do Neji, porque é o jutsu pessoal da Hinata. – disse o garoto. — Ela deu o maior duro e finalmente foi compensada. Ela queria ganhar o respeito do pai... O respeito dos seus companheiros shinobi... E especialmente... O seu respeito Naruto.
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Cinco anos atrás (Missão de proteção à princesa)*** — Episódio 190 do Naruto Clássico.
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- Naruto-kun... Chouji-kun... Yurinojou-san... Todos vieram me salvar… — Hinata disse emocionada.
- Mas é claro! Somo amigos, certo? – Naruto riu. – E o que aconteceu com aquele ímã maldito?
- Acho que provavelmente foi sugado para o fundo da areia... – Hinata.
- O quê?! Hinata, você venceu? – Naruto.
- Sim, dei o melhor de mim. – Hinata.
- Isso é incrível! E contra alguém que não consegui derrotar... – Naruto sorriu, sendo seguido por Hinata. Mas esta logo ficou séria.
- A missão ainda não acabou... – disse ela para Naruto. — Vá! Você tem que proteger a princesa!
- Claro! – disse ele, com seu típico brilho no olhar. Determinação. — Juro pela minha bandana que a protegerei! Assim como também... Não posso perder você, Hinata.
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- Você é um velho muito metido a sabichão. – eu disse a ele, sorrindo de canto. Era claro que eu me lembrava. Tudo que ele tinha dito era mesmo verdade.
- Não, na verdade, eu sou muito sabichão. – ele brincou. – Você viu o que eu quero dizer? Viu por que não pode desistir? Ela nunca desistiu, por você. Eu acho que já é hora de você fazer o mesmo por ela.
Eu olhei para o meu sensei... Falar era fácil.
- Sensei... Não é tão simples assim... Você não a viu... Não viu como ela estava depois... Do incidente. Eu nunca a vi mais frágil. Nunca me senti tão culpado e inútil ao mesmo tempo. Você não sabe como é isso... Não é tão fácil. – eu disse, olhando para o chão, tentando não chorar.
- Você está certo. – ele disse, para minha completa surpresa. – Não é tão fácil. – meu sensei suspirou. — Olhe para mim, Naruto. – ele disse e eu olhei. Respirei fundo. – Eu nunca disse que seria fácil filho. – ele disse essas palavras calma e ternamente, como um pai explicando algo importante ao filho. As lágrimas invadiram meus olhos novamente. – Você é Naruto Uzumaki. Filho do quarto Hokage, Minato Namikaze. Meu aluno e de Kakashi. Amigo de Sakura Haruno e Sasuke Uchiha. Preferido de Tsunade. Você também carrega a Kyuubi dentro de si. – ele ia dizendo, como se fosse a coisa mais banal do mundo. – Mas você é mais do que isso. Você é Naruto Uzumaki. O ninja número um hiperativo e cabeça-oca. O ninja mais forte do mundo. Que conseguiu dominar o modo sennin mais perfeitamente do que eu, um sennin. Que derrotou Neji Hyuuga, Zabuza, Gaara, Sasuke, Pain. Que salvou Konoha... Mas isso ainda não diz muito de você não é? – ele sorriu para mim, as rugas envolvendo seus olhos. Ele parecia mais velho, o Ero-sennin. E, de alguma forma, mais sábio também. – Você é Naruto Uzumaki. Não volta atrás com a sua palavra. Não desiste nunca. Faz o possível e o impossível para ajudar um amigo. Seu sonho é virar o Hokage mais poderoso já visto em Konoha. Você é um garoto tolo, ingênuo, sorridente e, acima de tudo, é um ninja estranho e de alguma forma, sábio. Você é diferente dos outros, Naruto. Você é sorridente e confiante, mesmo que já tenha sofrido mais do que qualquer outro. Você é Naruto Uzumaki. Você é Naruto Uzumaki. O ninja número um hiperativo e cabeça-oca. E foi por você que Hinata se apaixonou. E é você quem ela ama.
Bom, ele conseguiu me fazer chorar. Apesar de tudo, Hinata me amava. E eu a amava de volta. Afinal, era muito simples. Eu ri, em meio ao choro. Gargalhei. Por mais que eu sentisse dor, culpa e o que quer que fosse, eu nunca iria conseguir desistir dela. Nunca. Porque ela nunca conseguiu desistir de mim. E era o mínimo que eu poderia fazer por ela.
- Você é mesmo um velho muito sabido, sensei. – eu disse e ele riu com as minhas palavras. — Eu nunca iria desistir dela. Nunca conseguiria. – eu disse e Jiraya sorriu ainda mais abertamente para mim. – Você sabe, não se abandona quem se ama.
- Sei. – disse ele, com uma sobrancelha erguida para mim. Eu sorri, agradecido.
- Obrigado.
[...]
Eu fui vê-la mais tarde naquele dia, depois que o sensei se despediu. O dia estava claro, depois da tempestade. As pessoas continuavam suas vidas. Fazendo compras. Brincando no parque. Pareciam alheias a toda a minha tragédia. Mas eu não fiquei com raiva. Não era culpa de ninguém. Nem era inteiramente minha culpa. A vida continuava. E a minha iria continuar, com sorte, ao lado de Hinata. Se não, eu iria esperá-la para sempre. Ela me esperou por toda sua vida. O mínimo que eu poderia fazer era esperá-la pelo resto da minha. Não me sentia preso ou mal com essa possibilidade. É claro que me deixava triste demais saber que ela nunca mais poderia acordar, mas eu faria tudo por ela, o que quer que fosse. Porque era ela quem eu amava. E eu não iria desistir disso. Eu seria o Naruto por quem ela se apaixonou.
Sorri, andando solitário na rua a caminho do hospital.
- Você é mesmo um insensível. – eu ouvi aquela voz. Era Kiba. – Como consegue sorrir com tudo que está acontecendo? Com a Hinata no estado em que está... Em coma no hospital? Você não deve mesmo se importar com a vida d... – ele ia dizendo, mas eu o interrompi antes que terminasse aquela frase estúpida. Corri rápido para perto dele e o segurei pela gola, olhando ameaçadoramente para ele.
- Não ouse terminar essa frase, seu idiota. – eu disse, como um sibilo. – Ou eu juro que mato você. – eu sussurrei para ele. Ele me olhou com desprezo e me empurrou, fazendo-me largá-lo.
- Como fez com ela? – ele disse, com desdém. Ergui uma sobrancelha.
- O que você quer realmente Kiba? – eu perguntei, cansado daqueles joguinhos. Cansado de Kiba e seu ciúme.
- Eu vim porque quero que deixe a Hinata em paz. Quero que pare de ir vê-la. Quero que pare de fingir que se importa, porque ambos sabemos que não, certo? – ele disse. Já deveria estar sabendo de toda a história. Mas não me pergunte como.
- Não sei quem te contou esta história. E não ligo. O fato é que o que você está me pedindo é tão absurdo que chega fica incoerente pedir isso. – eu disse e já ia me virando para voltar ao meu caminho para ver Hinata.
- Incoerente? Você a matou! Você disse a ela que não se importava com sua vida! Você a rejeitou todos os anos da vida dela! E sabe quem estava sempre lá por ela todas as vezes que ela chorou por você? Eu! Porque eu sempre a amei! Fui sempre eu quem ficou ao lado dela! Não você! – Kiba gritou, chamando um pouco de atenção na rua. Eu me virei para ele novamente. Esse cara devia abrir os olhos.
- E mesmo assim... Mesmo sendo você a ficar ao lado dela todos esses anos, mesmo sendo você a estar lá todas as vezes pelas quais ela chorou por mim... Ela continuou escolhendo a mim e não a você. Ela continuou amando a mim, não a você. Ela continuou por mim, não por você. – eu disse e, de súbito, vi os olhos de Kiba se encherem de lágrimas pela verdade que havia acabado de falar. – Eu sinto inveja de você Kiba. Você teve Hinata ao seu lado, por grande parte da vida dela. Você quem a viu crescer, não eu. Mas ela me escolheu por algum motivo. E agora, eu a escolho de volta. Ela me ama. Eu a amo. Lide com isso. – eu disse um pouco duro. Mas alguém tinha que abrir os olhos dele.
- Você perdeu sua chance! – ele disse num sussurro. – Você estragou tudo... Ela não vai querer você. Não mais... – ele disse e me senti um pouco incomodado... Mas, de alguma forma, eu sabia que tinha aquela chance de Hinata não me querer mais.
- Talvez. Talvez ela escolha você quando sair do hospital. Talvez ela não me queira mais... Mas ainda existe uma chance. E mesmo se houver um por cento de chance de ela ainda me querer... Eu vou lutar por essa chance. Mais do que nunca lutei por algo em toda a minha vida. – eu disse, com o olhar feroz. Aquele meu olhar de que, se eu lutar pra valer, ninguém tem chance contra mim.
- Você é um arrogante, Uzumaki. Você não a merece. Nunca mereceu. – ele disse raivoso, tentando suas ultimas cartadas contra mim. Respirei fundo.
- Sabe... – eu comecei. – Há algum tempo, o Sasuke veio até mim me dizer que ele amava a Sakura. Eu sabia que ela amava o Sasuke de volta, sempre soube... E mesmo assim eu o trouxe de volta, porque ela assim o quis. Mesmo sabendo que ela poderia acabar junto dele. E foi o que aconteceu. Naquele dia eu senti raiva dos dois, porque parecia que tinham me traído. Eu achava que era ciúme. Mas agora não penso que fosse. Acho que era inveja. Inveja do Sasuke que tinha alguém que o amava. Inveja da Sakura que também que tinha alguém que a amava de volta. E eu não tinha ninguém que se sentisse assim por mim, pelo menos era o que eu pensava na época. Então, eu desisti dela. Dei-a de mão beijada para o meu melhor amigo, com a desculpa de que ela nunca iria me amar, mesmo se eu lutasse muito... Quando a verdade era que eu nunca a tinha amado. Porque se eu a amasse de verdade, nunca teria desistido dela. Você iria ver amigo, todas as brigas que eu iria arrumar com o Sasuke por ela. Mas eu não o fiz. Porque de alguma forma eu sabia que não era de verdade... – eu disse meio resignado de contar aquilo logo para o Kiba... Mas eu sabia que era importante que ele soubesse. – Mas agora é diferente. Eu sinto que é. Eu amo a Hinata, Kiba. Amo-a tanto que chega a doer. E não há jeito de eu desistir dela. Então desista de me fazer desistir. E lide com isso. – eu disse finalmente me virando para sair dali e vê-la, como a muito desejava fazer.
[...]
-... E então eu disse para ele que te amava e que nunca que eu desistiria de te ter ao meu lado. – eu disse para uma Hinata de olhos fechados sobre a cama, um lençol branco a envolvendo até a cintura. – Mas eu não o culpo, sabe. Eu o odeio não me entenda mal. – eu falei meio que brincando. – Nunca senti tanto ciúme como quando vejo você ao lado dele. Aquilo me mata. Mas eu meio que senti pena dele, sabe. Tipo, eu tive colocar o cara no lugar dele, que, aliás, é bem longe de você, mas eu senti que você sempre fez isso... Sem quer, mas fez. Porque mesmo que ele estivesse lá por você, ele nunca passou de um amigo, certo? – eu fiz cara de cachorrinho pidão, mesmo sem ela poder me ver. – Pelo menos é nisso que eu quero acreditar. – eu disse e sorri para ela. Estava tentando agir o mais normal possível, como se estivesse apenas conversando com ela.
- Sabe de uma coisa? Amar você é uma das coisas mais complicadas que eu já fiz em toda a minha vida. Você é Hinata Hyuuga... O seu pai é o cara mais durão que eu conheço. Seu primo é o segundo. Você tem o Kiba, que te ama... Bom, pelo menos esse eu sou capaz de colocar em seu devido lugar. – eu disse, segurando uma de suas mãos e com a outra, acariciando seu cabelo. – Definitivamente, é muito complicado amar você... Mas, se você quer saber... Também é a coisa mais fácil ao mesmo tempo. Você torna tudo mais fácil. – eu disse a ela e sorri com ternura. – Afinal, você é Hinata Hyuuga... E isso torna tudo muito simples... – eu disse sorrindo. — Mas, sabe de uma coisa? Ainda tem alguém que eu tenho que confrontar, além do Kiba, é claro... E esse vai ser realmente difícil... Que dica você me daria? Seu pai é um pouco amedrontador... – eu disse tenso. Depois de ver Hinata quase morrer na minha frente, com certeza essa seria a coisa mais difícil a se fazer. – Amanhã eu posso demorar um pouco para chegar amor.
[...]
Fui à casa de Hinata no dia seguinte. O nunca havia estado de verdade no clã Hyuuga. Era um conjunto de casas, a maioria grande e elegante. Bom, não era para menos... Era o clã mais poderoso de Konoha. E parecia ser o mais rico também.
Eu estava em frente ao portão principal sem saber exatamente o que fazer. As pessoas do clã que passavam por ali me olhavam meio desconfiadas. Tinham um ar superior e austero, como se quisessem saber o que um cara como eu estava fazendo ali, parado, olhando para o interior de sua propriedade.
Também havia algumas crianças. Gostaria de dizer que estavam brincando, como seria de se esperar, mas eu estaria mentindo. Elas estavam treinando. Aquela luta corpo a corpo, como eu me lembrava de ter visto, há alguns anos, Hinata e Neji fazendo. Algumas delas também me olhavam superiores e rígidas. Fiquei pensando em como deve ter sido a infância de Hinata. Aquilo não parecia correto.
Vi uma menina, com o Byakugan ativado, acertar alguns golpes em um garoto que me pareceu ser da mesma idade que ela. Acertou um, dois... Sem parar, sem dar chance ao oponente, até que o garoto estivesse caído no chão, ofegante e com dor.
- Foi uma boa luta, Yagura. Será um prazer lutar com você uma próxima vez. – disse ela e curvou-se, em sinal de respeito ao oponente. Aquela garota me parecia familiar. Tinha certeza que já a tinha visto antes.
Como se escutasse meus pensamentos sobre ela, a menina de repente olhou para mim, agora sem o byakugan ativado. Ela pareceu-me séria, embora não tão rígida como o resto do clã. Ela veio até mim.
- Você é Naruto Uzumaki, não é? – disse ela para mim. Fiquei surpreso que ela soubesse quem eu era.
- Sim... – eu disse, até um pouco constrangido.
- Não deveria estar aqui. – ela me disse, embora seu olhar parecesse mais compreensivo que o dos outros. – Você deseja alguma coisa? – perguntou-me simplesmente e eu fiquei um pouco surpreso com a sua simplicidade. Definitivamente, eu já a conhecia de algum lugar.
- E-eu... Gostaria de falar com o senhor Hiashi. É muito importante. – eu disse a ela.
- Meu pai é um homem ocupado. – ela disse e eu fiquei mais surpreso. – Se desejar, posso chamá-lo, mas é difícil que ele queira atendê-lo. Está um pouco abatido com os últimos acontecimentos. Todos nós estamos. – ela terminou de dizer com um suspiro.
- Então você é a irmã de Hinata? – eu perguntei e ela somente assentiu. Eu sorri. – Você é muito parecida com ela. Exceto pelos cabelos... E pelos olhos. – eu disse e ela olhou para mim confusa.
- Nossos olhos são idênticos. – ela me disse com a sobrancelha erguida, como se eu fosse louco.
- Não, você está enganada. São completamente diferentes. – eu disse e sorri para ela. Ela sorriu também.
- Hum. Mas é claro. – ela disse e sorriu mais abertamente. Ela olhou para mim mais atentamente, bem no fundo de meus olhos. – Seus olhos... São iguais aos dela. – ela completou e eu sorri ainda mais. – Têm o mesmo brilho que os dela.
- Eu sei que tem. – eu disse e suspirei, com uma súbita vontade de olhar para os olhos de Hinata. – Qual o seu nome?
- Hanabi... – ela disse simplesmente. Baixou os olhos por um instante, pensativa, e depois olhou para o meu rosto, parecendo ter tomado uma decisão importante. – Venha. Eu vou lhe levar até o meu pai.
[...]
O caminho até o escritório de Hiashi Hyuuga foi surpreendentemente longo. A propriedade dos Hyuuga parecia uma pequena vila autossuficiente. Aparentemente eles queriam mesmo se isolar do resto da vila.
Conforme eu andava, ao lado de Hanabi, as pessoas me olhavam como um intruso. Fiquei imaginando o que poderiam estar pensando sobre mim. Não devia ser nada bom.
- Quantos anos você tem, Hanabi? – eu perguntei, tentando iniciar uma conversa.
- Doze. – disse ela simplesmente. Cinco anos mais nova que Hinata. Ela baixou a cabeça um instante, triste por um momento. – Sabe... Meu pai nunca foi muito carinhoso com Hinata... Eu sei que ama por que... Bem, não sei por que, mas tenho certeza que sim... – ela disse subitamente. Eu não sabia o que responder àquilo. – Não me entenda mal... Nunca concordei com o jeito com que ela a tratava e não o estou defendendo... Mas tente levar isso em consideração... Sei que a conversa de vocês não vai ser das mais pacíficas... – ela disse isso e riu, sem achar graça realmente. – Ele também está sofrendo, eu sei disso. – ela terminou, com um suspiro.
- Eu vou levar em consideração. – eu disse e sorri para ela.
- Obrigada... – ela sorriu para mim também. – Você é um cara legal, Naruto... Posso ver porque minha irmã ama você. – ela disse e sorriu mais abertamente.
- Você também é uma garota legal, Hanabi. Obrigado por estar me trazendo aqui. Sei que deve estar quebrando algumas regras.
- Na verdade, acho que uma dúzia delas... Mas isso vai valer a pena. Além disso, somente meu pai e aqueles velhos conselheiros teriam coragem de me falar algo ou me aplicar alguma punição. Mas com eles eu me entendo. – ela disse. Hanabi me pareceu durona.
Nós andamos mais um pouco. Quando finalmente chegamos à casa principal, Hanabi abriu a porta e entrou. Eu a segui, receoso. Aquela casa parecia fria, embora fosse a casa mais bonita em que eu já havia estado. Mas não me pareceu ser um lugar aconchegante.
Nós dobramos mais em alguns corredores e finalmente paramos em frente a uma porta de madeira pesada e ornamentada.
– Bom, chegamos. – Hanabi disse, virando-se para mim e suspirando profundamente. Devia estar nervosa também. – Vou deixá-lo sozinho agora. Por favor, lembre-se do que eu disse... Boa sorte. – ela completou e saiu, deixando-me sozinho de frente ao escritório de Hiashi.
Suspirei algumas vezes tentando tomar coragem para o que viria a seguir. Ele provavelmente já deveria saber que eu estava aqui, parado em frente à porta, mas isso não fez com que eu me acalmasse muito.
Finalmente tomei coragem e bati na madeira.
- Entre. – a voz saiu abafada pela porta, mas eu entendi claramente. Sua voz tinha força e pareceu tremer todo o meu corpo. Então, eu entrei.
- Com licença, senhor... – eu disse, acanhado. Não. Não, eu teria que tomar coragem. Não poderia falar com o pai de Hinata medroso como estava. Suspirei mais uma vez. – Meu nome é Naruto Uzum...
- Sei quem você é. Senti sua presença desde que estava no portão do meu clã. – ele disse. O pai de Hinata estava virado para o outro lado do escritório, de frente para uma lareira que havia atrás de sua grande mesa lotada de papéis, de modo que eu não podia ver seu rosto. – Tem muita coragem de vir aqui. Ou é apenas muito estúpido. – ele disse para mim friamente, imaginei como seu rosto devia estar agora. Sem expressão nenhuma.
- Tenho que lhe falar sobre... – eu ia dizendo, mas ele me interrompeu mais uma vez.
- Sobre Hinata? Se veio falar sobre isso, perdeu seu tempo. Não desejo tocar nesse assunto agora. – ele disse e o ouvi dar um suspiro. – Você pode se retirar agora Uzumaki.
Eu suspirei e ergui uma sobrancelha. Mas de jeito nenhum.
- Desculpe senhor, mas não irei embora. Não sem antes conversar com o senhor. – eu disse confiante. Foi o suficiente para o homem virar-se, ainda sentado em sua cadeira e olhar para mim friamente. Não senti medo.
- O que quer de mim, Uzumaki? – ele me perguntou, parecendo cansado dessa vez. Seus olhos estavam vermelhos. Ou ele estivera bebendo ou chorando. Ou os dois. Mas acho que só chorando.
- Eu a amo senhor. – eu disse e, para minha surpresa, o senhor Hiashi riu um pouco.
- Não foi essa a história que Tsunade me contou. – ele disse sério de novo. – Quando o vi no hospital, ao lado dela, lembro-me de ter pensado exatamente isso. “Esse garoto ama minha filha.” Mas mudei de ideia depois que a Hokage me contou a história toda, mais tarde. Você a condenou, Uzumaki. Não tem o direito de estar aqui e dizer tamanha mentira. Se ela está do jeito que está a culpa é inteiramente sua. – ele disse raivoso, olhando-me com desprezo.
- Desculpe-me Hiashi. Mas isso não é verdade. – eu disse seu nome de propósito sem qualquer tom respeitoso para que ele soubesse que ele era exatamente tão culpado quanto eu nessa historia. – Quando vi Hinata, depois de voltar de uma missão, há algum tempo atrás – isso me pareceu ser a tanto tempo que parecia estar contando lembranças de outra pessoa – Vi dor em seus olhos. Ela me pareceu doente e frágil, embora eu não soubesse o porquê.
- Aonde quer chegar com isso? – ele disse sua voz mais baixa. Ele sabia exatamente onde eu queria chegar.
- Você sabe aonde. – eu disse duramente. Aparentemente, alguém tinha que abrir os olhos daquele cara também. – Ela estava definhando muito antes de eu entrar em sua vida, de eu começar a me apaixonar por ela. – eu disse e ele me olhou frio. – Você sabe que estou certo. Afinal, não foi você quem a humilhou na frente de todo um restaurante? – eu disse. Joguei na cara dele, como ele estava tentando jogar na minha cara.
- Seu moleque...! – ele rosnou para mim.
- Eu não sou a melhor pessoa para julgar, mas... Hiashi, você a está matando muito antes de mim. – eu disse e ele arregalou os olhos. – Hanabi me disse que você nunca foi muito carinhoso e eu mesmo pude comprovar naquele dia. Sei que é verdade.
- Moleque, é melhor retirar o que está dizendo ou...
- Não vou retirar nada. Sei que é duro, mas é a verdade. – eu disse. Não estava mais com receio, queria falar tudo que estava preso em mim já fazia algum tempo. – Você a humilhou e nunca a reconheceu, como eu fiz por um bom tempo antes de enxergar a realidade. Não tente jogar toda a culpa disso em mim, quando você foi um dos principais culpados. – eu disse e respirei fundo. Eu estava cansado de tudo aquilo. Mas o que me surpreendeu mesmo foi ver os olhos de Hiashi ficarem vermelhos e cintilantes. Ele estava tentando segurar as lágrimas. – Mas eu sei que você a ama, apesar de tudo. Sei porque... Bem, você é o pai dela. Sei porque a salvou da morte quando ela tinha cinco anos e depois de novo quando ela tinha doze. Sei porque vejo sua cara agora, tentando não chorar na minha frente, com o rosto cheio de culpa e remorso, como eu mesmo. Sei porque você é o pai dela... E, meu Deus!, não me entra na cabeça um pai que não ama a própria filha. – eu completei. O senhor Hyuuga me olhou tristemente. Afinal, era só um homem com medo pela filha. Era só um pai sofrendo.
- Eu estava certo, afinal. – ele disse. Entendi o que ele quis dizer. Sobre o que pensou quando me viu ao lado de Hinata no hospital.
- Sim. E sei que também estou certo... – eu disse e olhei em seus olhos. – Eu a amo senhor. – eu disse novamente. – Sei que o clã Hyuuga é uma família tradicional. Sei que Hinata provavelmente já está prometida para outro cara – eu fiquei com raiva só de imaginar – Sei de tudo isso. Mas vim pedir para que o senhor nos desse uma chance.
- Se minha filha acordar, você acha que ela ainda vai querer você depois de tudo o que aconteceu? – ele me perguntou desdenhoso.
- Não. – eu disse e ele me olhou um pouco surpreso. – Quando sua filha acordar, sim, eu acho que ela ainda vai me querer. – eu disse e vi o velho Hyuuga sorrir de canto. – Só estou pedindo porque acho que o senhor deveria saber de minhas intenções... Mas se não aprovar, eu não ligo. Não há jeito de eu não ficar com Hinata. Nem por um segundo penso em desistir dela. – eu disse corajoso.
- Você é um rapaz corajoso, Naruto. – ele falou e me surpreendi pelo fato de ter falado meu primeiro nome. – Vejo porque Hinata se apaixonou por você. – ele disse e depois disso baixou os olhos, parecendo pensar em algo. – Depois do que aconteceu com minha filha, o mínimo que posso fazer é aceitar que ela o ama. Mas cabe a ela decidir se ainda o deseja próximo, não a mim.
- Sim, senhor. – eu disse e subitamente senti alívio se abatendo sobre mim. – Obrigado, senhor.
- Eu confio nela, você deveria saber... Se isso é tudo, você já pode ir agora, Uzumaki. Desejo ficar sozinho. – ele disse, parecendo cansado com tudo, assim como eu.
- Sim senhor. Obrigado. – eu disse e já ia saindo quando ele me chamou de novo.
- Naruto? — ele me chamou e eu respondi. – Você não pode magoá-la de novo, entendeu? – respondi um “sim” alto, para que ele soubesse que eu nunca faria isso de novo. – Onde está indo agora? – ele me perguntou.
- Ao hospital, senhor. – eu disse. Ele sorriu um pouco, olhando para baixo, preocupado. – Não se preocupe Hiashi. – eu disse e ele me olhou surpreso. – Eu sempre vou estar aqui por ela.
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