Cinco Minutos

15 Especial: Eu te odeio


Notas iniciais
Gente voooooooooooooooltei o////// Não, agora é sério... Eu quero pedir muuitas desculpas pela demora imensa... Desculpem mesmo. Era pra eu ter postado esse capítulo há algum tempo (mesmo assim ainda longe do ultimo post) mas aconteceram algumas coisas aqui em casa... Um membro muito importante da minha família faleceu e eu meio que ainda estou lidando com isso... Mas quero agradecer imensamente a Thais Marques, a Luciana Neves e às outras meninas que me incentivaram a postar... Muito obrigada! E quero pedir perdão também a elas, porque informei que o capítulo sairia numa data prevista e acabou não sendo assim... Mil desculpas! Mas aí está! Espero que gostem dele! Muitas reviravoltas (e eu ainda inventei uma forma de prolongar a história!) Será que Narutinho e Hinatinha vão finameeeente ficar junto? Ou alguém ainda vai fazer besteira? Enjooy ((((:

Uma das coisas estranhas da vida é que só muito de vez em quando a gente tem certeza de que vai viver para sempre. Quando a gente levanta cedinho, antes da hora solene do sol nascer, por exemplo, e fica quieto, sozinho, com a cabeça para trás, olhando para cima, vendo o céu pálido mudar devagar, e coisas brilhantes, desconhecidas e maravilhosas, acontecerem aos poucos, até que o leste quase faz a gente chorar de emoção, diante da majestade imutável e estranha do nascer do sol – coisa que acontece toda manhã, há milhares, milhares e milhares de anos. Aí, por um momento curtinho, a gente sabe. Ou então, também, quando fica sozinha num bosque ao entardecer, e a luz dourada e brilhante se esgueirando através dos galhos parece estar se despedindo e dizendo bem baixinho alguma coisa que não se consegue ouvir, por mais que se tente. Ou então, ao olhar o imenso céu tranquilo, azul-escuro, de noite, com milhões de estrelas. Ou ouvir uma música ao longe. Ou olhar fundo nos olhos de alguém. – O Jardim Secreto

Eu estava feliz. Pela primeira vez, em muito tempo, eu estava feliz. Já estava amanhecendo e eu não havia conseguido fechar os olhos pensando em tudo que ele havia me dito.

Naruto se mexeu e se abraçou mais a mim naquele pequeno espaço da cama do hospital. Sentir seu calor, seu braço forte me envolvendo havia me aquecido muito mais do que fisicamente. Há tempos me sentia vazia por dentro. Quando ele disse que me amava foi como se alguém, lá no fundo, dissesse para mim que eu ainda estava viva, que ainda valia a pena viver. E que viver, só por viver, estava fora de cogitação. Afinal, eu ainda podia ser feliz.

Olhei para Naruto. Ele estava diferente de quando eu havia acordado e o visto daquela mesma maneira, dormindo. Seu rosto parecia tranquilo, em paz. Perguntei-me se tinha algo a ver comigo. Talvez tivesse. E mais uma vez a felicidade ousou me preencher.

Vi seus incríveis olhos azuis se abrirem e me olharem profundamente. Senti minha pele esquentar, mas não desviei os olhos dele.

– Isso não é um sonho é? – ele sussurrou para mim e eu sorri. Talvez estivesse querendo me agradar ou talvez estivesse tão feliz quanto eu. – Se for, eu não quero acordar.

– Eu estou achando que sim. – eu disse e ele sorriu também. Ficamos nos encarando por um instante, sem falar nada. Eu apreciei seu olhar por um instante que me pareceu ser longo. – Você já ficou muito tempo debaixo d’água, tanto, que pensou que nunca conseguiria chegar à superfície? – eu o perguntei e ele somente fez que sim com a cabeça. – Estou me sentindo como se tivesse passado muito tempo sem respirar e sem conseguir flutuar de volta... Estava realmente afundando, para o fundo do mar. – Naruto olhou-me um pouco surpreso. Talvez porque raramente eu falasse sobre a minha própria dor, talvez por, mesmo sabendo do meu sofrimento, fosse um choque me ouvir confessar.

– Desculpe. – ele pediu e me olhou profundamente culpado. – Sei que estava te ajudando a afundar e não sabe como me sinto culpado. O que posso fazer para compensá-la? – ele disse. Eu apenas o olhei, como se ele não tivesse me interrompido.

– [...] E de repente, alguém, um amigo, oferece seu braço e utiliza todas as suas forças para que você volte, para que respire, que viva. – eu disse e ele me olhou um pouco incomodado. Talvez não acreditasse que eu estava falando dele. – E quando você respira, com calma, e olha para quem lhe ajudou a sair da escuridão gelada do fundo do mar, você percebe, com o coração acelerado, que é o amor da sua vida.

– Hinata... – ele começou, mas eu não deixei que continuasse. Ele pareceu perturbado com alguma coisa. Como se não gostasse de ouvir aquelas palavras.

– Você veio aqui todos os dias me ver, não é? – eu perguntei, sorrindo minimamente. Ele me olhou surpreso novamente, não esperando que eu lhe fizesse essas perguntas.

– Sim. – ele disse, mas continuou estranho. – Você está diferente. – ele arqueou uma sobrancelha e me olhou melhor. – O que mudou? – ele perguntou, mais para si mesmo do que para mim.

– Acho que você não sabe o que é se sentir amada pela primeira vez em anos. – eu disse. Não gostei como soou. Pareceu acusatório. Pareceu como se eu estivesse com pena de mim mesma. – Naruto-kun... – eu o chamei e ele me olhou sério, determinado a alguma coisa que eu não pude descobrir o que era.

– Sim? – ele parecia pensativo. Alguma coisa estava o atormentando.

– Você me ama mesmo? — eu perguntei. Eu tentaria descobrir mais sobre seus sentimentos, tanto quanto eu conseguisse.

– Sim. Eu amo você. – ele disse, sem desviar os olhos um segundo sequer dos meus. Mas havia mais alguma coisa. Algo que não consegui identificar.

– Então porque disse tudo aquilo para mim no campo de batalha? – eu perguntei. Eu pensei nisso a noite toda. Pensei em todos os modos de libertar-me daquele sentimento de inútil que eu sempre sentia. Disse a mim mesma que ele me amava de verdade mil vezes. Mas aquilo sempre me assombrava. Era como um lembrete de que algo não parecia certo.

– Hinata... – ele me olhou tristemente, como se não quisesse lembrar daquilo nunca. Desviou o olhar para o lençol e depois se levantou. Tirou seus braços de mim e se sentou na cama, de modo que eu não pude ver seu rosto. Senti frio. – Primeiro de tudo Hinata, eu não quero que você duvide do meu amor por você nunca, entendeu? Nunca. – sua mão se fechou em punho, segurando o lençol com força. – Em segundo lugar... Eu queria pedir perdão. Por favor, Hinata, me perdoe. – eu vi seu corpo tremer um pouco. – Me perdoe... – ele repetiu e eu pude entender que sua voz estava diferente. Naruto-kun estava chorando. Não pude me conter. Abracei-o com força por trás.

– Naruto-kun! Por favor, não chore! Por favor... Não precisa continuar se não quiser, mas, por favor, não chore! – eu disse. Por mais que eu quisesse saber eu não poderia aguentar ele chorando por mim.

Pude sentir seu corpo tremer. Mas dessa vez foi culpa de uma pequena risada que ele deu.

– Eu não mereço você, sabe? É por isso que estou chorando. Não mereço de jeito nenhum. – ele disse. Mas parecia havia algo mais. – Você é perfeita demais pra mim. Sempre foi. Mas não consigo largar você; se largá-la desabo no chão. – ele disse e senti meu coração acelerar. – Eu pensei um milhão de vezes que seria melhor para você não ficar comigo quando acordasse. Que o Kiba seria quem você iria escolher... Depois de tudo que eu fiz você passar não seria nenhuma surpresa. Mas a cada vez que eu imaginava você nos braços dele, formando uma família com ele, amando ele... Isso me matava. Então não pude. Perdoe-me, Hinata. – ele disse realmente culpado. Mas isso não era minha intenção nunca... Kiba-kun sempre seria somente meu amigo. – Sobre aquelas coisas que eu disse a você... Eu passei oito meses atormentando a mim mesmo sobre aquilo. Tendo pesadelos. Não quero que você sinta pena de mim por isso, ao contrário. Sei que mereci tudo. E simplesmente não sei o que me fez dizer algo tão estúpido. Parecia tão banal e inacreditável que eu pensei que nem em um milhão de anos você me levaria tão a sério. Mas parece que eu não te conheço o suficiente. Quando se trata de mim, você sempre leva a sério não é verdade? É só mais um motivo para que eu te ame.

– Naruto-kun... – eu comecei. Não queria que ele continuasse. Por alguma razão aquilo estava me fazendo mal.

– Por favor, deixe-me continuar, amor. – ele pediu e eu instantaneamente me calei. – Na minha cabeça de vento, continuava achando que era a Sakura-chan que eu amava... Mas em meu coração era de você que eu sentia saudade, era o seu cheiro que eu desejava sentir. Era a sua voz que eu desejava ouvir. Eram os seus lábios que eu queria beijar. E mesmo assim, naquele momento eu resolvi escutar minha cabeça ao meu coração. Pela primeira vez na vida eu escolhi razão a emoção. E todo mundo sabe que razão não é meu ponto forte. – ele riu e eu dei um pequeno sorriso. – E como de se esperar... Eu estava errado. Tentei proteger a Sakura-chan e não você. E disse coisas horríveis a você. E quase te perdi. E até hoje, oito meses depois não consegui descobrir o que me fez dizer aquilo; simplesmente não consigo me entender. É muita estupidez, até para mim. E então, no meio da sua tragédia você encontrou forças para me dizer que me amava. Aquilo quase me matou sabe... – olhei para suas costas, confusa. – Não porque não quisesse ouvir aquilo, mas porque eu tinha te feito tudo aquilo e você ainda me amava. Como pode ser tão boa? – ele perguntou, mais a si mesmo do que a mim. – Eu te fiz tantas coisas e ainda assim você continuou me amando. Foi ali que eu percebi. Percebi que a vida não poderia fazer uma pessoa tão boa e tão leal à outra sofrer tanto sem receber nada em troca. O mínimo que poderia acontecer era você ser amada de volta. E foi o que ela fez. E Deus sabe o quanto eu agradeço, até mesmo sofrendo, por ser amado por você, amor.

Lágrimas se formaram nos meus olhos naquele momento. Depois de amá-lo minha vida inteira... Eu finalmente ouvia as palavras que mais desejei ouvir de Naruto. Ele me amava. Ele realmente me amava.

– Naruto-kun... Obrigada. Obrigada. – eu disse com a voz embargada pelo choro. Naruto se virou para mim preocupado e me abraçou com força. Ele riu.

– Pelo que está me agradecendo? Por te amar? Eu acho que você ainda não entendeu Hinata. Você não tem nada que agradecer. Você é maravilhosa. Boa, gentil, linda. E você ama a mim... Eu é que agradeço. – eu sorri, abraçando-me mais a ele. – Você percebe a grandeza do que acontece entre nós dois não é? – afastei-me um pouco dele e olhei seu rosto um pouco confusa. – Eu acredito hoje, que duas pessoas se conhecerem e se amarem são o maior milagre que existe. É como mágica... A probabilidade que justamente nós dois nos encontrássemos e nos amássemos é mínima. – eu ri.

– Está me dizendo que nós dois nos amarmos é um milagre? – eu perguntei risonha. Era engraçado ouvir Naruto falando daquela maneira.

– Sim... E as pessoas acham que Deus não existe. – ele disse sério e instantaneamente eu parei de rir. Nós nos olhamos por instante e ele respirou fundo. – Hinata... Infelizmente eu tenho que ir agora. – ele disse e eu o olhei tristemente.

– Por quê? – eu perguntei o abraçando com mais força. – Por favor, fique comigo.

– Eu gostaria muito, acredite em mim. Mas tenho que avisar ao hospital e ao mundo que Hyuuga Hinata está de volta. – falou e sorriu para mim.

– E por que isso seria relevante ao mundo? – eu perguntei sobrancelha arqueada.

– Porque o mundo nunca mais foi o mesmo sem você.

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E foi isso que ele fez. Aparentemente saiu gritando que eu havia acordado por todos os cantos de Konoha. A cada minuto que se passava novos rostos iam aparecendo no quarto onde eu me encontrava. Alguns demoraram tanto que a Sakura-chan teve que expulsar.

– Nossa, nunca vi esse hospital tão movimentado desde que... – ela disse, mas não continuou. Deu um pigarro. – Enfim. Você sabe. O incidente. – falou. – E com certeza nunca vi o Naruto tão feliz em oito meses. Ele veio aqui todos os dias sabe. Abra a boca. – ela disse enquanto me examinava. Eu assenti. – Não seria nada mais justo do que ele ser o primeiro a vê-la acordada. – ela disse. – Você não faz ideia do quanto ele estava acabado. Respire fundo. – ela mandou. – Tsunade-sama não o mandou em nenhuma grande missão, por que ele se recusava a ficar longe de você por muito tempo. – Ela disse e sorriu ao constatar que meu coração estava acelerado.

– E quanto aos outros? Neji-nii-san, Hanabi? Meu pai? – eu perguntei curiosa.

– Ah... Sua família não veio muito aqui Hinata, eu sinto muito. Hiashi-sama ficou devastado quando soube da sua situação e acho que não gostava de vê-la dessa forma. Hanabi, que agora é uma chunnin, veja só!, – ela disse e eu sorri. Realmente havia perdido muita coisa nesse tempo. – veio aqui muitas vezes, não todos os dias porque as várias missões não deixaram... E o Neji... Bom, ele sim veio todos os dias, assim como o Naruto. Também ficou devastado, mas você sabe como é o Neji, nunca demonstra muita coisa. Ele ficou furioso com o Naruto depois do incidente. E devo avisá-la, Hinata, não vai ser fácil convencê-lo de que é com o Naruto que você deseja ficar... Se é que você deseja isso, claro. – ela disse e deu uma pequena risada.

– Acho que isso está mais do que claro não é? – eu perguntei retoricamente. E quanto aos meus amigos? Shino-kun, Kiba-kun? Kurenai-sensei? – eu perguntei e Sakura me olhou.

– Bom, o Shino veio aqui algumas vezes. Mas é muito solicitado pela ANBU, então não veio muito. A Kurenai-sensei também veio várias vezes. Não veio mais por culpa do bebê... E o Kiba... Bem, o Kiba... Bom, pode-se dizer que ele ficou devastado. De verdade. Quero dizer, o Naruto ficou um caco, mas o Kiba... Falando nisso... O que o Naruto disse? Quando você acordou? – ela perguntou mas eu não consegui falar nada, fiquei roxa de vergonha.

– E-ele não disse nada, por quê? – eu perguntei.

– .....Ele deve estar esperando o momento certo..... – ouvi Sakura murmurar mas não consegui entender realmente.

– O que disse? – eu perguntei e ela ficou um pouco perturbada.

– Eu disse que... O Kiba... Ficou um pouco diferente depois do incidente. Começou a beber muito. Recusa as missões em que é convocado. Ele está diferente mesmo, você tem que ver.

– Você acha que poderia chamá-lo aqui? Gostaria de vê-lo... Esclarecer as coisas... – Eu estava começando a ficar realmente preocupada com o meu amigo.

– Ah, claro... Vou ver se envio um mensageiro do hospital até a casa dele. Mas tenho certeza de que vai melhorar muito quando te vir assim... Bem. Bom, pelo menos até você dar um fora nele.

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E daqui a menos de meia hora eu ouvi a porta do meu quarto sendo aberta. Era ele. Não posso negar que tomei um susto quando o vi. Estava mais magro. Bem mais magro. Os olhos fundos e os cabelos longos. Parecia que não dormia bem há tempos. Mas não parecia triste. Pelo menos não agora que um sorriso enorme iluminava o seu rosto.

– Hinata-chan! – ele exclamou e veio em minha direção rapidamente. Deu-me um abraço apertado e longo. E quando terminou acariciou meu rosto e meu pescoço. – Você está bem, está bem... Perfeita. Parece até com antigamente, com esse cabelo.

– Por que a surpresa? Não me diga que só agora veio me ver em todo esse tempo? – eu perguntei. E, embora meu tom fosse brincalhão, o sorriso do Kiba-kun desapareceu e ele me olhou seriamente.

– Desculpe. Eu não pude vir. Eu... Não podia olhar para você daquele jeito, simplesmente não podia... – ele dizia e pude ouvir sua voz ficando embargada.

– Kiba-kun... Eu entendo, não chore. Não chore. – eu disse e ele se aproximou de mim e abraçou-me.

– Mas não foi só por isso. – ele se afastou e me olhou nos olhos.

– Não? – eu perguntei confusa.

Ele estava aqui todos os dias... Todos os dias. – ele disse com raiva no olhar.

– O que quer dizer com isso? – eu perguntei. Estava começando a me assustar.

– Eu não consigo mais me aproximar dele sem querer matá-lo, você entende? Eu o odeio. – ele disse e fiquei um pouco chocada. Kiba parecia perturbado. – Ele matou você Hinata. – ele disse e olhei para ele confusa. – Você não entende, não é? Eu soube o que aconteceu. Ele disse que não se importava com a sua vida e isso te matou! Ele só veio aqui por culpa... Todos esses meses ele não veio porque se importa com você, mas porque se sentia culpado! E agora ele quer te ter, mas ele não pode! Ele não pode, não é? – ele disse tudo isso muito rápido, como um louco.

– Não, Kiba-kun... Ele não me matou... Eu estou aqui, viva. É verdade que me disse muitas coisas ruins naquele dia... Mas foram da boca pra fora. Ele me salvou.

– Como você pode ser tão estúpida?! – ele gritou de repente e eu estremeci. – Como pode não enxergar?! Ele só fez isso por pena! Ele sente pena e culpa! Mas sou eu quem ama você! Eu que vivi ao seu lado! Como pode continuar amando a ele?! Ame a mim! – ele se levantou da cama e gritou essas palavras para mim. Olhei-o extremamente assustada.

– Kiba-kun... Por favor, acalme-se. – eu disse séria dessa vez. Ele me olhou perturbado e fez o que eu pedi. – O Naruto-kun veio aqui ontem à noite. E me pediu em casamento... Você sabia disso? – eu perguntei a ele, com um sorriso brincando nos meus lábios. Mas não era um sorriso cruel. Eu só queria mostrar a ele que eu estava feliz. – Eu aceitei. – eu concluí e ele me olhou de olhos arregalados.

– Hinata...! – ele tentou me dizer, mas eu o interrompi.

– Não. Deixe-me terminar. – eu disse, agora sem nenhum sorriso. – Como se atreve a vir aqui e me dizer que ele só está fazendo isso porque sente pena e culpa?! Como se atreve a me dizer tais crueldades quando não veio nem ao menos me fazer uma visita?! Ele veio aqui todos os dias... A culpa acaba. A pena não faz a gente pedir outra pessoa em casamento.

– Hinata-chan... – ele tentou me dizer de novo, mas eu o interrompi.

– Não! Você não tem o direito de vir aqui e tentar me fazer sentir dúvidas para continuar com essa vida miserável que eu tenho levado. Já chega! Isso acabou. Não duvido por um único segundo do amor que Naruto sente por mim. Sei que não fez coisas certas, mas ele está tentando consertar. Está tentando provar que me ama. E eu acredito nele. E se você me pede para te amar, vai ser somente pela razão que tanto acha que Naruto-kun está fazendo tudo isso. Por pena e não por amor. – eu disse a ele. Sei que fui dura, mas aquilo tinha que ser dito. Kiba me olhou triste e eu pude ver que seus olhos estavam brilhando pelas lágrimas. – Escute Kiba-kun... – eu disse, dessa vez com a voz mais suave. – Eu estou ciente de seus sentimentos. E me sinto lisonjeada por ser a mulher que você ama. Mas eu preciso tentar com o Naruto-kun. Passei minha vida o amando e agora quando ele demonstra ter os mesmos sentimentos que eu, preciso tentar com ele. Preciso. “‘E’ e ‘se’ são palavras que, por si, não apresentam nenhuma ameaça. Mas, se colocadas juntas, lado a lado, elas têm o poder de nos assombrar a vida toda. E se… E se… E se…” (Cartas para Julieta). Minha vida precisa ser mais que um “e se”. Eu preciso viver, ao menos uma vez, o que eu desejo. E essas palavras servem também para você... Sua vida tem de ser mais do que um “e se” Kiba-kun.

– Mas como eu posso viver, sabendo que nunca terei você ao meu lado? – ele me perguntou e parecia desesperado.

– No fundo, você sabia que nunca me teria ao seu lado. Talvez até tivesse... Mas seria um amor incompleto. Por que é por Naruto que estou e sempre estive apaixonada. E é ele quem eu sempre vou escolher, se tiver essa opção.

– E então, como eu devo ficar? – ele me perguntou.

– Você vai ficar bem Kiba-kun. Melhor do que imagina.

– Não entendo como pode perdoá-lo tão facilmente. Você não pode ser assim tão fácil... – ele disse ácido.

– Fácil? – eu disse rindo. – Você acha que sou fácil? – eu inquiri, mas ele não me respondeu. – Acha que lidar com tudo isso é fácil? Acha que amar o Naruto-kun é fácil? Kiba-kun... Você me pergunta como posso ser tão estúpida, mas agora é você que está agindo como um. – eu disse. Não sabia o que estava me fazendo ser tão maldosa com ele, mas não pude parar. – Passei toda a minha vida amando Naruto-kun e precisei entrar em coma e quase morrer para que ele percebesse que me amasse. E você vem-me dizer que sou fácil? Por não desistir do homem que amo? Ou por me permitir ser feliz ao lado dele? – eu perguntei.

– Não, não por isso. Mas por perdoá-lo tão facilmente por tudo que ele lhe fez. Por não ver quem realmente o Naruto é. Ele é um arrogante, um idiota, ele... – Kiba ia dizendo. Parecia saber de mais coisas que eu. Mas não deixei que terminasse.

– Cale a boca! – eu disse, mas não gritei. – Ele é um homem bom. Ele é muito bom! Ele é bondoso e gentil. Confiante. Tem princípios. Tem palavra. E você não é ninguém para dizer essas coisas dele! Como ousa?! Pensei que ele fosse seu amigo... Pensei que você fosse amigo dele! Como um amigo diz tais coisas de outro apenas para conseguir uma mulher? Para envenená-la contra ele? Como pode dizer tais coisas? Arrogante é você que pensa ser melhor que ele! Idiota é você que pensa que pode me colocar contra ele! Você ainda não entendeu Kiba? Eu o amo. E você... Pensei que fosse meu amigo.

– Não posso! Não posso ser apenas seu amigo, não posso ver você construir sua vida ao lado de outro homem! Ainda mais com um hipócrita feito o Naruto... – ele berrou.

– Então não pode me ver feliz. Você não me ama Kiba. E pior que isso, nem meu amigo é. E agora... Eu também não quero ser sua amiga.

– Hinata...

– Interessante isso tudo que está acontecendo. Você se diz tão melhor que ele... Sabe que o Naruto-kun nunca disse nada contra você. Pode até ter pensado... Mas nunca tentou me envenenar contra você como você está tentando com ele... Ele é leal demais para isso, muito bom amigo... – eu disse e Kiba pareceu, de repente, estar se dando conta do que estava acontecendo. – Não quero mais que você venha aqui. Não o quero mais perto de mim... Não depois disso.

– Porque ele não tem nada a dizer contra mim. – ele disse convicto. — Hinata, por favor, eu... – ele tentou dizer, mas eu o interrompi.

– Você vai ficar bem Kiba... Nós dois vamos. Mas não quero mais estar perto de você. – eu disse e me virei na cama, não olhando mais para o seu rosto. – Por favor, feche a porta quando sair. – eu disse. Ele demorou um pouco a sair. Talvez a ficha ainda estivesse caindo, assim como estava acontecendo comigo.

– Você vai se arrepender disso quando ele magoar você. Por que não pergunta ao Naruto o que ele anda escondendo de você? – ele disse e eu o olhei confusa.

Mas Kiba parecia decepcionado demais comigo. Ele se virou e saiu.

E eu... Eu fiquei sozinha.

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– Então você o expulsou daqui? – Naruto-kun me perguntou surpresa. – Nossa... Você está realmente diferente. – ele pareceu preocupado com isso.

– Acha que errei ao mandá-lo embora? – eu perguntei. Não estava me sentindo bem.

– Não é isso. Não cabe a mim dizer se foi certo ou errado... Apenas estou surpreso. Ele foi seu amigo tanto tempo...

– Eu sei disso, mas... Ele não podia ter me dito tais coisas... Ele não podia ter tentado me envenenar contra você... Isso não se faz... – para minha surpresa, Naruto riu. – Do que está rindo? – eu perguntei confusa.

– De você. Você é tão ingênua e inocente... Hinata... Pelo amor da nossa vida, a gente faz qualquer coisa.

– Mas eu não sou o amor da vida dele... Não posso ser.

– Talvez não. Mas talvez seja. Só aconteceu de você também ser o meu. Mas eu não acredito que haja somente um amor da nossa vida. Quero dizer, pelo menos não para todas as pessoas. Não pode ser... Se fosse, os homens já teriam se extinguido. Mas algumas pessoas sim... Algumas têm de ficar juntas.

– Sabe que eu nunca imaginei você falando esse tipo de coisa para mim... – ele riu novamente.

– Eu realmente não deveria... Não agora. Mas você tem que saber... Nunca falei esse tipo de coisa para ninguém. Somente para você... É você quem eu amo, você entende isso não é Hinata?

– Por que está dizendo essas coisas Naruto-kun? Há algo que eu deva saber? – eu perguntei. Ele parecia me esconder alguma coisa.

– Não... Nada. – ele disse e baixou o olhar. O que estava havendo? Depois de uns minutos em silencio, ele retomou o assunto de antes. — Às vezes me sinto ridículo falando isso sabe. Mas aí olho para você e vejo que nunca riria de mim.

– Por que riria? Você tem uma ideia interessante sobre o amor. – eu disse e ele olhou zombeteiro para mim. – O que foi? – eu perguntei. – Eu realmente acho interessante. Até porque algumas coisas são até um pouco parecidas com as que eu penso.

– Ah é? E para você o que é amor? – ele me perguntou sorrindo aquele sorriso lindo.

– Ok. Eu digo. Mas não vale rir... – eu disse e ele assentiu. – Amor não é mandar flores ou chocolate ou comprar aqueles ursinhos de pelúcia para o dia dos namorados. Até porque eu odeio pelúcia. – eu disse e Naruto riu. – Não sei se tirei essa ideia dos vários filmes que assisti ou se é alguma coisa que eu queria que acontecesse comigo, mas... O amor é quando alguém beija você e ao invés de tentar ficar só naquilo brinca e tira uma da sua cara. – Naruto me olhou atento agora. – Amor é quando você está solitária e a outra pessoa vem (e apesar de não ser seu namorado ou algo do tipo) e te dá um beijo porque ele sabe lá no fundo que você está apaixonada por ele e ele por você... Amor é quando você se sente bem só de estar perto de alguém e sente que tudo que você faz, mesmo sendo errado, ao lado dele é certo. Amor é passar oito meses esperando por alguém que talvez nunca acorde... É querer passar o resto da vida ao lado de alguém... E é desejar que o resto da vida chegue logo para que nenhum segundo mais seja perdido. – eu disse e Naruto respirou fundo. Ele me olhou atentamente e se aproximou de mim dando-me um beijo.

– O resto da vida já chegou amor. – ele sorriu. – E você e eu não vamos mais perder tempo. – ele disse e me beijou mais uma vez.

– Fico feliz. – eu disse e não estava mentindo. Eu realmente estava muito feliz. Beijamo-nos novamente. Daí a pouco alguém bateu na porta. Era Sakura... Ela trazia alguém que eu também teria que enfrentar.

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Ele me olhou sério ao entrar. Não havia mudado muito. Parecia mais fechado do que o normal, mas era só isso.

Neji me encarou mais atentamente. Comecei a ficar nervosa.

– Não vai dizer nada? – eu perguntei.

– Não por enquanto. – ele disse. – Estou apenas apreciando seus olhos abertos de novo. – ele disse e enrubesci.

– E-eu... Soube que veio aqui todos os dias. – eu disse tentando cortar aquele clima estranho.

– Sim... É verdade. O Uzumaki também. – ele disse. Parecia estar ficando bravo, mas não soube por que. – Você quer me dizer por que exatamente você ainda o aceita por perto? Porque pelo que eu soube... Ele não se importa com você. – ele disse. Neji-nii-san tinha a capacidade de me atingir, embora Kiba tivesse dito exatamente a mesma coisa.

– Você sabe por que nii-san... – eu disse com a voz baixa. Mas ele não pareceu se abalar.

– Ele foi falar com o seu pai. – ele disse e eu o encarei surpresa. – Um dia depois do dia em que você deveria acordar. Disse que não iria desistir de você.

– V-viu? Eu disse que... – eu tentei dizer, mas Neji me interrompeu.

– Não, na verdade não vi nada. Vi somente a petulância de um moleque e a sua fraqueza.

– V-você não entende, ele está tentando consertar e...

– Não Hinata! – ele elevou um pouco o tom. – Não importa o quanto ele tente consertar, o que ele fez não tem conserto. Ele te desprezou e quase te matou!

– Neji... E-ele... Pediu-me e-em casamento sabia? E-eu... Aceitei e...

– Ah, Hinata-sama... – ele me olhou e parecia estar decepcionado. – Não tinha ideia que depois de tanto tempo as palavras que eu disse naquela luta ainda fariam sentido. – ele disse maldosamente. Eu estremeci.

– O-o quê? – eu o olhei perplexa. Não imaginava que a essa altura Neji teria coragem de me dizer tais palavras.

– Você me ouviu. Como pode ser tão ingênua e fraca? Tem medo de que se você se mostrar brava ele desista de você? Por que é isso mesmo que vai acontecer.

– N-não... O Naruto-kun... – eu tentei dizer mas ele me interrompeu.

– O Naruto-kun é um idiota. Ele não está apaixonado por você Hinata. Ele só está tentando compensar o que fez... – ele disse e olhou-me sério. – Pergunte a ele... Pergunte o que ele andou fazendo esses meses... Pergunte a ele sobre a Chihiro.

– Chi- Chihiro? – eu olhei pra ele confusa. Ora, mas quem diabos era Chihiro? – Quem é... – eu ia começar mas de repente me lembrei quem era Chihiro. – A garota que ele levou ao baile? O que tem ela? – eu perguntei.

– Eu não vou dizer nada. Apenas pergunte a ele. – ele disse e se levantou para ir embora. – É muito bom vê-la acordada Hinata-sama. – ele disse e deu um pequeno sorriso. Depois saiu.

Bom, essa definitivamente devia ter sido a visita mais importante depois da visita do Naruto-kun. O que será que Neji quis dizer com aquilo.

Alguém bateu na porta. Mandei entrar. Era Sakura novamente.

– Ai, ai você é muito popular Hinata. Finalmente tenho um tempinho para te examinar em paz... Você sabe, eu poderia tê-los expulsado, mas estavam todos tão felizes que não tive coragem. – ele começou a dizer e colocou um estetoscópio no meu peito. – Respire fundo. – eu fiz o que ela pediu. Será que ela sabia sobre o que Neji dissera? – Eu vou ter que fazer algumas tomografias e raios-X em você Hinata, para saber se tudo corre realmente bem... Como se sente? – ela me perguntou.

– Cansada... Não consigo sentir muito chakra também... Sinto-me fraca. – eu disse e Sakura assentiu com cara de quem sabia do que eu falava.

– Bem, isso é normal. Você passou muitos meses sem utilizar sua força, somente deitada nessa cama... Mas daqui a pouco volta ao normal. – ela disse e sorriu. – Mais alguma coisa? Creio que queira descansar, já está anoitecendo e...

– Hum, Sakura-san? – eu chamei e ela olhou para mim curiosamente.

– Sim? Deseja perguntar mais alguma coisa? – ela perguntou-me, provavelmente inferindo do meu olhar confuso.

– Se não for incômodo... Gostaria de perguntar sobre uma coisa que o Neji-nii-san me disse e que me deixou um pouco perturbada. – Sakura-san apenas me olhou mais curiosa. – Ele disse algo sobre o Naruto e a Chihiro... – eu disse de olhos baixos e quando finalmente olhei para a médica ela baixou os olhos rapidamente.

– Chihiro? E-eu não sei o que ele quis dizer com isso. – disse ela rapidamente. – A-acho melhor você conversar com o Naruto sobre isso. – ela disse e pareceu-me aborrecida por um momento. – Ele sempre vem aqui por volta das 21 horas. Se conseguir espere-o acordada e ele lhe dirá... – ela definitivamente estava me escondendo alguma coisa.

– Claro, obrigada. – eu disse. Sabia que ela não ia me dizer nada. Sakura sorriu e logo após saiu do quarto também.

Mas o que será que havia entre Naruto e aquela tal de Chihiro? Por que a Sakura-san não queria me dizer nada?

Fiquei pensando nisso durante horas... Seria algo grave? Como aquilo envolvia a mim? Por que todos estavam tão misteriosos?

Revirei-me na cama várias vezes. Por algum motivo eu sabia que não era nada bom. Aquilo estava me remoendo.

– Você ainda está acordada Hinata? – assustei-me e pulei na cama. Naruto riu. – Já tá tarde. Você deveria estar descansando.

– Não consegui dormir. Fiquei pensando numas coisas... – eu disse enquanto ele tirava os sapatos e deitava comigo na cama. Mas simplesmente não pude retribuir o gesto. Enquanto ele se deitava eu me sentava na cama.

– Algum problema amor? – ele disse começando a se preocupar. Seu semblante e estava sério.

– Não sei se é um problema, mas provavelmente eu estou sendo muito boba... – eu disse e Naruto sentou-se na cama ouvindo-me. – Naruto-kun... O Neji me falou umas coisas... Coisas que envolvem você. – eu disse e vi seu rosto ficar mais pálido, mesmo com a luz fraca do abajur. – O que aconteceu com a Chihiro? Todos parecem saber... O Neji, a Sakura... Pode me dizer? – eu disse, calmamente por fora, mas com o coração muito acelerado. Eu sabia que não era boa coisa.

– Hinata... Primeiro... Eu quero que você fique calma, tá? Não quero que nada aconteça com você, principalmente agora que está tão frágil...

– O que é? Todos me dizem que você está escondendo algo de mim Naruto-kun... Conte-me de uma vez.

– Sobre a Chihiro... Eu escondi mesmo algo de você. Por favor, por favor, não me odeie... – eu olhei e meu coração pareceu acelerar mais. – Eu... Eu meio que... Eu... – ele respirou fundo. – Você tem que entender que eu estava devastado Hinata, com você em coma... Eu não sabia o que fazer com a dor... Eu estava desesperado... – ele disse e eu só comecei a me desesperar mais. – Eu e a Chihiro... Nós meio que temos dormido juntos.

E foi isso. Eu olhei para ele pelo o que pareceu ser muito tempo. Muito tempo mesmo. E simplesmente não pude acreditar. Ele me olhava aflito, mas é como se eu estivesse vendo tudo de cima, fora do meu corpo. E então, as lágrimas invadiram meus olhos.

– Hinata, fale alguma coisa... – ele disse e eu olhei incrédula. Ele parecia sentir dor... Mas eu não senti pena. De fato, nem mesmo acreditei que fosse isso. E quando ele abriu a boca para dizer mais alguma coisa eu o calei com um tapa no rosto. – Hinata...

– Cale-se! – eu disse. Aquilo já estava passando dos limites. – Quantas vezes você pretende me matar Naruto? – eu disse. Os olhos dele brilharam pelas lágrimas. Mas eu... Eu pareci ter uma epifania. – Eles tinham razão... Você só está aqui por culpa... Por quase ser a razão da minha morte e por ter dormido com ela... – eu disse e o olhei com fúria. – Você é um hipócrita!

– Hinata! Não, por favor entenda... Eu não a amo... Eu só fiz isso porque eu precisava...

– Por quanto tempo? – eu perguntei num sussurro e ele e olhou aflito.

– Há... Três meses. – ele disse e pareceu envergonhado com isso. – Hinata, escute, eles não estão certos ok? Eu quero você e somente você, eu...

– NÃO! PARE DE DIZER MENTIRAS! EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ! – eu gritei. – Você é um hipócrita, um mentiroso. Eu... Eu te odeio... – eu disse as lágrimas já escorrendo abundantes pelo meu rosto. Naruto me olhou surpreso. Talvez meu olhar comprovasse minhas palavras, não sei ao certo.

– N-não... Você me ama. Ama. Hinata por favor... Eu te amo. Você me ama.

– Que bela porcaria de amor esse seu... Só me trouxe sofrimento. – eu disse ácida e Naruto se afastou um pouco, como se eu tivesse dado mais um tapa em seu rosto.

Mas eu não senti pena. Eu só sentia raiva. Raiva e dor.

– Não entendo como teve coragem de falar sobre amor comigo quando você nem ao menos sabe o que é isso. Quando por tanto tempo o único sentimento que teve por mim foi desprezo e pena. Quando tinha vergonha de andar ao meu lado. Você disse que me esperou por todo esse tempo e eu acreditei em você. – eu disse e ri sarcasticamente. – Você esperou anos pelo Sasuke e anos pela Sakura, dizendo que a amava. Eu te esperei a vida toda... E você não pôde esperar oito meses... – eu disse mais magoada do que nunca.

– Hinata... O que eu disse era verdade. Sobre o amor e sobre você e sobre nós dois. Por favor Hinata, por favor... – ele estava implorando.

– Eu briguei com o meu melhor amigo por você. E com o Neji... Mas quer saber Naruto, isso acabou. Acabou agora.

– Mas como acabou se nem ao menos começou? – ele perguntou angustiado. Ao menos, era o que parecia.

– E de quem é a culpa disso? – eu perguntei e Naruto olhou-me desolado.

De quem era a culpa disso?

– Eu quero que você saia... Sai daqui e da minha vida. Eu estou casada... Não aguento mais... – eu disse e coloquei as mãos dos lados da cabeça.

– Não! Não, não! Não vou sair do seu lado! Não vou permitir que me tire do seu lado! – ele disse. Estava nervoso.

– Mas eu não fiz nada. Quem fez tudo foi você. Você destruiu tudo antes mesmo que assentássemos os tijolos. – eu disse infeliz. – Você não cansa de me ver sofrer? Por acaso é divertido para você? – eu perguntei e o oco dentro do meu estomago aumentou.

– Hinata... Eu amo você. – ele disse. Parecia dizer isso como um apelo, desesperado.

– Pois agora eu te odeio. – eu disse e ele me olhou triste. – E esse amor que eu sinto por você... Eu vou arrancá-lo do meu coração. E se não conseguir... Arrancarei meu próprio coração. – eu disse e Naruto chorou em desespero.

– Mas eu preciso de você... E quero você... – ele sussurrou.

– Mas eu não te quero mais. – eu disse e Naruto olhou-me devastado. – Vá embora... Por favor.

Mas ele não foi. E parecia que não iria tão cedo. Nem o Naruto real, nem o que morava dentro de mim.

Notas finais
Reviews? *__________*