Cinco Minutos

16 Ainda não acabou


Notas iniciais
Minha geeeeeeeeeeente! Demorei mas tô de volta 8D Sem muitas enrolações, vamos ao capítulo! Boa leitura!

Se for algo realmente precioso para você, não importa o quanto seja difícil, não importa o quanto esteja triste, você deve tentar e tentar, mesmo que custe a sua vida, deve proteger aquilo que é precioso para você, com a força de seus próprios braços. –Naruto.

TRÊS DIAS ANTES DE A HINATA ACORDAR.

A garota nua se mexeu na cama, espreguiçando-se. Mais uma vez ela não tinha ideia de como aquilo havia acontecido. Ela e Naruto. Juntos.

Bom, não necessariamente juntos. Ela não sabia dizer o que era aquilo, mas com certeza era bom. Bom demais. Parecia que toda aquela raiva e tristeza dele serviam para alguma coisa, afinal. Ele era ótimo de cama. Chihiro suspirou. Tudo perfeito, com exceção de uma coisa... Parecia que tudo que ele conseguia pensar e dizer se referiam à Hinata. Aquela maldita. Chihiro odiava admitir, mas estava começando a se apaixonar por Naruto. O problema é que Naruto já amava Hinata.

– Você não vai voltar? Já estou começando a me excitar de novo. – ela disse. Não se importou de parecer oferecida. O que eles tinham era só sexo e ela gostava de pensar que Naruto gostava quando ela falava assim.

– Em um minuto. – ele disse. Lá estava ele, de novo, transando com aquela garota. Naruto suspirou e encostou a cabeça nos braços, que estavam apoiados no parapeito da janela. Depois do que tinha acontecido, ele simplesmente levantou da cama e foi para a lá, observar a noite. Já estava lá há muito tempo.

– Bom, pelo menos se você ficar aí mais tempo eu posso admirar a sua bunda... Você é meio que gostoso, sabe disso. – ela disse e mordeu o lábio, na esperança de Naruto se virar para vê-la e finalmente voltar.

E ele virou. Um metro e noventa de puros músculos. Encostou os cotovelos no parapeito, apoiando-se e olhou para ela sem nenhuma expressão. Chihiro levantou-se da cama, fazendo o lençol que cobria seu corpo deslizar para o chão e caminhou até ele.

– É um desperdício nós dois assim, pelados, sem fazer nada um com o outro, você não acha? – ela disse e passou a mão pelo peitoral dele e finalmente massageando seu membro, a fim de excitá-lo. Mas Naruto a parou por aí.

– Você realmente acha que falando e agindo como uma puta vai me agradar? – ele disse grosso, e Chihiro se afastou como se houvesse levado uma tapa. Mas ela tentou não demonstrar muito a sua decepção abrindo um novo sorriso, mais safado.

– E como você quer que eu aja? Pode dizer, eu faço tudo que vo... – ela ia dizendo, mas parou quando Naruto abriu um sorriso maldoso. – O que foi?

– Você é uma graça. – ele disse doce, mas o olhar não continha mais do que pena. – Escute Chihiro... – ele disse mais sério dessa vez e a garota sentiu seu coração acelerar com o que vinha a seguir. – O que acontece aqui não me importa. Você sabe disso não sabe? – Naruto disse firme e Chihiro se afastou dele.

– Como não importa? Então por que me chama aqui? – ela perguntou furiosa.

Naruto não respondeu imediatamente. Ele não tinha certeza de porque a chamava à sua casa. Talvez fosse porque precisava sentir algo mais que não raiva e dor e saudade. Por um momento até valia a pena, mas depois... Quando acabavam... Naruto sentia uma raiva tão grande de si mesmo e tanta culpa que se odiava a cada dia por não conseguir ser fiel à Hinata, nem nesse curto espaço de tempo. Mas Hinata estava em coma há quase oito meses agora e ele estava começando a se desesperar tanto que mesmo tendo certeza da culpa que sentiria, ele precisava sentir alguma coisa além.

– Já está ficando tarde... E você sabe que eu tenho compromisso às nove. – ele disse e ela lhe olhou com uma mistura de fúria e pena.

– Vai vê-la de novo, não é? Ai, Naruto, Naruto... Como pode ser tão imbecil? – ela falou e Naruto levantou uma sobrancelha para ela. – Ela não vai acordar. – Chihiro disse com convicção e Naruto a odiou por isso.

– Você não sabe disso. – ele disse, simplesmente, mas a garota não se abalou.

– Na verdade, está mais do que óbvio. Não sei como a Sakura não falou em desligar os aparelhos ainda. – ela disse provocativa e Naruto sentiu-se encher de raiva.

– Ela não ousaria... – ele disse virando-se de costas e indo em direção ao banheiro. Dormir com outra já era ruim o suficiente, ir cheirando como outra para visitar Hinata era demais. Mas Chihiro o seguiu até o banheiro, tentando entrar no box junto com ele. – Será que você pode me dar licença? – Naruto disse grosso e ela saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si.

[...]

Naruto ligou o chuveiro e entrou na água quente, somente para continuar pensando no que Chihiro havia dito.

Sakura não ousaria... Desligar os aparelhos? Ela nunca pensaria nisso... Não é? O pior de tudo naquela situação é que Naruto sabia que se aquele assunto fosse abordado não cabia a ele decidir se Hinata viveria ou não, caberia a sua família. Será que eles seriam capazes de desistir dela?

“E por que não garoto? Você já desistiu quando começou a transar com essa vagabunda”.

– Cale a boca. Eu não desisti da Hinata. E a Chihiro não é uma vagabunda. – e ainda tinha mais essa. A raposa de nove caudas agora não lhe deixava em paz; não somente nos seus sonhos ela aparecia como se manifestava durante o dia também. – Deixe-me em paz.

“Ah, já está defendendo a namoradinha, que fofo... Mas você vai ter que me perdoar, porque ela é, sim, uma vadia”.

– Você não sabe de nada. – Naruto disse, embora não tivesse muita certeza do tipo de garota que Chihiro era.

“Ah, ela te conquistou com aquele jeitinho de garota comum que tenta fazer o que pode para se enturmar? Poupe-me. Achei que você fosse mais esperto que isso. Que tal uma análise, hã? Vamos lá. A Chihiro fez o que pôde para juntar você e a Hinata, confere. Até aí uma santa. Foi a uma festa que você convidou, não quis te beijar, saiu de um joguinho infantil. Mas acabou aceitando ir ao baile com você. Lá fez de tudo para atrapalhar o Kiba. Mas aí vem a melhor parte: a Hinata fica em coma. Chihiro, como uma boa amiga que é, oferece seu ombro amigo. Você chora nele. Mas como a vida é o que é vocês acabam dormindo juntos. Você explica que nunca deveria ter acontecido e ela entende. Mas aparece de novo dois dias depois e vocês dormem juntos de novo. Parece que em algum lugar no meio dessa história ela se apaixonou por você”.

– Ela não se apaixonou por mim... – disse Naruto sem muita convicção. Mas o que a raposa de nove caudas dissera fazia muito sentido. Por que, afinal, se ela era tão a favor do romance entre Naruto e Hinata continuava a fazer sexo com ele? Por que não o impedia de trair a melhor garota do mundo se queria tanto ajudá-los?

Você me deixa nauseado. Como não percebe nada que está bem debaixo do seu nariz? Como não percebe que essa garota será o grande problema, que ficará entre você e a Hinata? Por que não para de agir feito um idiota e acaba com essa história de uma vez? Você não cansa de fazer a mulher que ama de idiota”?

– Não tenho essa intenção. – Naruto disse com a voz embargada e colocou as mãos de cada lado da cabeça. – Mas não consigo mais... Não consigo mais suportar... – ele disse e se agachou debaixo do chuveiro sentindo-se sufocar com a água quente. – Eu preciso sentir mais do que dor você não entende? – ele perguntou com a voz agoniada.

“Por que não me deixa ajudá-lo com isso? Eu posso acabar com isso para você”...

E, de repente, Naruto sentiu seu corpo inteiro relaxar. O chakra da raposa de nove caudas envolveu-o como um manto e ele se sentiu muito bem rapidamente. Tirou as mãos dos lados da cabeça e sentou-se no chão respirando aliviado de olhos fechados. Quando os abriu, porém, pode-se ver o tom vermelho macabro que estava no lugar do azul suave de seus orbes.

“É só você deixar”... – a raposa disse com a voz suave e sedutora, incitando-o a deixá-lo penetrar sua mente e dominar seus sentidos. Foi aí que Naruto percebeu suas reais intenções. O azul de seus olhos voltou quase instantaneamente. Naruto cerrou os olhos, irritado pelo que a Kyuubi quase fizera.

– Vai se foder. – ele disse raivosamente. Levantou-se do chão e desligou o chuveiro. A raposa riu divertida.

“Eu já me fodi. E você também”. – disse por fim e finalmente o deixou em paz. Naruto secou os cabelos rapidamente com a toalha e logo em seguida enrolou-se nela, saindo do banheiro em direção ao quarto.

– Mas que merda! – ele disse ao chegar ao cômodo. Assustou-se, pois Chihiro ainda estava lá, agora totalmente vestida.

– Fiquei aqui para o caso de você mudar de ideia. – ela disse e sorriu, indo em direção a ele. De surpresa, arrancou a toalha de Naruto de uma vez, deixando-o totalmente nu a sua frente e parcialmente molhado.

– O que porra você pensa que está fazendo? – ele perguntou furioso e tomou a toalha de volta das mãos dela. Virou-se para a cômoda e respirou fundo, tentando se acalmar. – Você tem que ir embora, Chihiro. Agora. – ele disse, ainda de costas, enquanto vestia uma cueca.

– Por quê? – ela disse e o abraçou por trás. Sua voz estava estranha, mas Naruto não soube exatamente por quê.

– Você sabe muito bem. – ele disse e tirou as mãos dela do seu corpo, vestindo a calça e finalmente a camisa. – Eu tenho que ver a Hinata agora. – ele disse finalmente se virando e olhando nos olhos dela.

– Mas que droga Naruto! – ela exclamou dramaticamente. – Você não cansa de se iludir? Essa garota não vai acordar! Ela já está morta! E se acordar ela não vai mais te querer. – ela disse maldosamente e ele estreitou os olhos.

– Qual é o seu problema, garota? – ele perguntou. – Não me lembro de você ser assim tão vadia quando nos conhecemos. – ele disse e foi a vez dela virar de costas. Chihiro abraçou os próprios braços, como se estivesse tentando consolar a si mesma.

– Agora tudo mudou... – ela disse, embora soubesse que tudo havia mudado já fazia algum tempo. Ela não percebeu quando se apaixonou por Naruto, simplesmente aconteceu. E isso a estava tornando uma completa idiota. Não só idiota, o que era pior: egoísta também. Estava sinceramente desejando que Hinata não acordasse. Estava começando a odiá-la por ser por ela que Naruto estava apaixonado. – Eu estou diferente. – ela de repente se virou para ele e o abraçou pelo pescoço desesperada. Colocou uma das mãos dele sobre seu peito. – Vê? Meu coração dispara quando estou perto de você. E eu fico bem mais egoísta quando se trata de você. O que você acha que é? – ela perguntou com os olhos fincados nos deles, brilhantes e esperançosos.

– Você só pode estar brincando comigo. – ele disse e riu da cara dela. Ela queria mesmo dizer que aquilo ela amor? Amor que ela sentia por ele?

– Eu te amo! Amo! É tão difícil assim acreditar? – ela perguntou e Naruto a afastou de si, ainda rindo.

– Não, na verdade era até provável. – ele disse. Naruto não se lembrava de ter virado um canalha, mas aparentemente isso aconteceu. – Já haviam me alertado. – ele falou, lembrando-se da raposa de nove caudas. Ele olhou nos olhos dela e fingiu não ter visto nada. Nenhum tipo de angustia. – Olha, Chihiro, eu realmente sinto muito por você sentir o que está sentindo... Mas eu não posso retribuir. – ele disse vendo lágrimas se formarem nos olhos dela. – Ah, pelo amor de Deus. Não chore agora, ok? – ele completou sem pena alguma. – Você sabia disso desde o inicio. Isso nunca significou nada para mim.

– E como você quer que eu lide com isso? – ela disse, agora, parecendo furiosa com ele.

– Eu realmente não sei. E não tenho tempo para isso agora. Tenho que ir ver a Hinata. – o loiro disse e saiu do quarto e depois da casa, sendo seguido por Chihiro o tempo inteiro.

Naruto estava começando a se irritar de verdade com ela. Por que ela não parava de agir como uma criança? Por que agora não aceitava que tudo que eles tinham não significava nada para ele?

“Não sei por que vocês dois não acabam juntos... Vocês são uns amores”. – disse a raposa acidamente e Naruto a xingou em pensamentos.

“O que quer dizer”? – Naruto perguntou em pensamentos, já que Chihiro o acompanhava de perto.

“Vocês dois se merecem. Sem falar que você adora encontrar desculpas para o seu comportamento canalha. Aí está a vagabunda. Ela servirá bem para o papel”. – disse a raposa, cruelmente e Naruto não se sentiu mais incomodado pelo apelido nada carinhoso que a Kyuubi impusera a Chihiro.

“Inventar desculpas?” – Naruto perguntou. A raposa riu.

“Poupe-me dessa historinha de: ‘eu preciso sentir alguma coisa’. Você simplesmente não aguentou esperar a Hinata. Você insiste em dizer que a ama e que vai esperar por ela, mas eu conheço você, garoto... Você não acredita que ela vá acordar mais... Você já desistiu dela”.

“Eu não desisti dela”! – Naruto gritou em pensamentos, embora a raposa tivesse atingido o ponto certo.

“Eu não me lembrava de você ser tão hipócrita”. – a raposa disse ironicamente. – “Eu me lembro como se fosse hoje... Você desesperado para encontrar aquele traidorzinho do Sasuke... Desesperado. Aflito”. – a raposa continuou a narrar suas convicções. – “Laços? Era isso que você dizia ter com ele? Laços”? – a Kyuubi repetiu como se estivesse refletindo. – “Acho que é isso... Talvez você tenha chegado à conclusão de que não tenha um laço tão forte com Hinata, apesar de amá-la... Afinal, quanto tempo você realmente dedicou a ela? Quanto tempo passaram juntos? Que eu saiba, metade do tempo do qual você se lembra foram somente mágoas e decepções que você causou a ela... E agora mais uma...” – a nove caudas concluiu sombriamente.

“Como pode dizer que não tenho laços com ela? Hinata sempre foi minha amiga e agora é a mulher que amo”. – Naruto disse em pensamentos.

“Então talvez por que... Sim! É isso! Eu posso ver agora...” – a nove caudas disse e Naruto pôde ver claramente o sorriso cheio de dentes afiados que ela lhe mostrou. – “Pobre Naruto...” – a raposa cantarolou. “Pobre menino-demônio”. – ela cantarolou mais forte e Naruto sentiu-se ficar tonto. De repente em sua cabeça apareceram muitas imagens ao mesmo tempo.

Naruto, você virou meu melhor amigo... É por isso que eu tenho que te matar”. – ele ouviu Sasuke dizer nitidamente em sua cabeça. Por que Sasuke? Eu te trouxe de volta... De volta para casa.

O que eu odeio é o Naruto”. – Sakura? Por que ela estava dizendo isso? Por que dizia isso? Ele sempre fez tudo por ela.

Bem, no mundo real os talentosos ofuscam os barulhentos”! – Kakashi lhe disse com certo desprezo, comparando-o com Sasuke. Mas ele sempre tentou ser o melhor... O melhor possível com o seu sensei.

Quem você pensa que é”? – Tsunade lhe disse olhando como se ele não fosse ninguém. Por que todos estavam falando aquilo?

Por que estavam todos lhe dizendo aquelas coisas? Por que estavam tão cruéis? Uma lágrima escapou de seus olhos. Então, no meio de tudo, ele a viu. Lá atrás, atrás de todos, estava Hinata. Ela se aproximou dele, quando chegou a sua vez de alfinetá-lo.

Eu queria ser como você. Eu queria estar com você. Obrigada, Naruto-kun, o seu sorriso me salvou. Por isso, eu não tenho medo de morrer aqui, por que... Eu amo você”! – disse Hinata. Diferente do que ele pensava, ela não lhe disse nada ruim. Porque Hinata nunca seria capaz de lhe dizer nada ruim. Não a ele. Nunca a ele. E foi essa constatação que fez Naruto sentir mais dor com suas palavras do que com as de todos os outros. “Não, Hinata! Não! Você é boa demais, preciosa demais... Não”!

Chihiro viu Naruto parar subitamente de andar e colocar as mãos na cabeça como se estivesse tonto. Ela correu para sua frente para ver o que estava se passando com ele e sentiu o coração apertar quando viu o rosto atormentado do amado.

– Naruto-kun? Você está bem? – ela perguntou apreensiva. Eles estavam perto de um local muito barulhento. Música alta e alguns gritos animados podiam ser ouvidos da rua. Era a frente de uma boate. Chihiro olhou preocupada para Naruto e sinceramente um pouco irritada para frente da boate, como que julgando a música alta, que parecia estar atormentando ainda mais o loiro.

Quando Naruto caiu de joelhos no chão, Chihiro deu um gritinho e tentou segurá-lo pelo braço, sem sucesso.

– PAREM! PAREM! – Naruto gritou para ninguém aparentemente. Pelo menos foi o que Chihiro pensou.

– Naruto! Pare de gritar! Com que está falando? – ela perguntou colocando as duas mãos em seus ombros e agachando-se, ficando de frente para ele na mesma altura em que ele estava. – Naruto! – ela chamou mais algumas vezes, mas o rapaz não respondia.

– Hinata... – ele chamou baixinho, atormentando. – Não, Hinata, não... – ele disse. As vozes se repetiam em sua cabeça, sempre as mesmas palavras. Mas eram as de Hinata que mais atormentavam o loiro.

“Awn, pobre garoto-demônio...” – disse a raposa com falsa pena. – “As palavras da Hyuuguinha te deixam nervoso”? – a Kyuubi perguntou maldosamente. Mas Naruto não respondeu. Estava tentando se concentrar em não enlouquecer. – “Mas são as únicas palavras boas, Naruto-kun... Por que te atormentam tanto”? – a Kyuubi perguntou, com falsa preocupação na voz. É claro que ela já sabia. “Você tentou me esconder isso, não é garoto”? – a raposa praticamente rosnou. “Você sabe que não pode esconder nada de mim. Achou que eu iria torturá-lo com isso”? – ela perguntou divertida. – “Ah, mas você é mesmo um estraga prazeres”.

– VAI SE FODER! — Naruto gritou com toda força. Chihiro se assustou, mas de alguma forma soube que não era com ela. Ela gritou novamente seu nome, começando a ficar seriamente assustada, mas Naruto não a olhou.

“O que houve com o discurso sobre não desistir dela que você disse ao Inuzuka? O que houve com toda aquela coragem que mostrou ao pai dela quando foi visitá-lo? Arrependeu-se”? – perguntou a raposa, agora parecendo indignada. – “Você não acha que mereça ficar com ela não é”? – a raposa inquiriu e Naruto sentiu mais lágrimas escorrerem por sua face. – “Por que”? – a raposa realmente pareceu curiosa com essa ultima parte. Parecia não ter descoberto os motivos de Naruto quanto a isso.

– Porque ela é boa demais... Ela é boa demais... – ele repetiu muitas vezes e Chihiro ouviu surpresa, sem saber o que fazer.

– Quem é boa demais? – ela perguntou mesmo sabendo que ele não estava falando com ela. E já sabendo de quem provavelmente ele estava falando.

“Pobre Naruto...” – a raposa lamentou falsamente de novo.

– Ela foi a única pessoa que me amou desde o inicio e desde o inicio eu somente a magoei... Ela não me merece, não merece... – ele murmurou atormentado. – Todos me condenaram desde o começo... Todos me decepcionaram e mesmo assim eu lutei por todos. Mas não lutei por ela... Por ela que sempre me amou... Não lutei... – Naruto murmurava balançando-se para frente e para trás no meio da rua. Chihiro o amparava do melhor jeito que podia. Por sorte, as pessoas daquela boate pareciam entretidas demais para se importar com um homem caído no meio da rua, chorando. Provavelmente mais um bêbado. – Ela merece mais do que eu... – ele continuou a murmurar e Chihiro olhava cada vez mais desolada. – Eu não lutei por ela... – ele murmurou novamente e a Kyuubi finalmente entendeu o que ele quis dizer.

“Então simplesmente desista”. – ele ouviu a Kyuubi dizer, sem paciência para aquilo. – “Aliás, ao que me parece você já desistiu... Você é patético, garoto”.

E então, de repente, ele pareceu ser puxado para outro mundo. Um mundo que ficava dentro de sua própria mente. Sentiu tanto enjoo que seu corpo real quase vomitou. Ao longe, Chihiro ainda chamava seu nome, mas ele simplesmente não conseguiu lhe dar atenção.

Envolvido com a dor, com a solidão, com a culpa e com a angústia, Naruto viu-se envolvido também, pela escuridão que estava a sua mente.

– Por que lutar, garoto? – ele ouviu a voz da raposa dizer e finalmente entendeu o que estava acontecendo.

– Você não cansa de mexer com a minha mente? – Naruto perguntou e a raposa mostrou todos os seus dentes afiados, sorrindo. Ou rosnando. Ele não fazia ideia. E mais uma vez, ela se transformou num homem loiro, muito parecido com Naruto. Exceto pelos olhos, que eram vermelhos.

– Se você se cansasse de ser idiota, eu me cansaria de te atormentar. Mas nenhum de nós dois está propenso a isso. – disse a raposa maldosamente e Naruto revirou os olhos.

– Por que me trouxe aqui dessa vez? — o loiro perguntou entediado.

– Não trouxe. – a raposa disse e Naruto ergueu uma sobrancelha em resposta. – Foi ela. – o rapaz viu seu eu raposa apontando para um canto atrás do seu eu verdadeiro.

E o que ele viu estremeceu todos os seus músculos e eriçou todos os seus pelos.

A garota de longos cabelos azulados estava parada atrás de si, sorrindo singelamente. Vestia uma túnica branca, com um decote retangular que mostrava a maioria do seu peito e parte de seus seios. A túnica era apertada em todas as curvas de Hinata. Seu cabelo liso e longo estava penteado normalmente, a franja curta caindo em cima de seus longos cílios. E seus olhos... Seus grandes olhos perolados olhavam Naruto docemente. Com amor.

– Hi- Hinata... – ele gaguejou e a viu mexendo seus pés descalços nervosamente no chão, fazendo círculos, como se estivesse constrangida.

– Olá, Naruto-kun. – ela disse e sua voz deixou Naruto encantado.

– Por que está aqui? – ele perguntou e a viu indo a sua direção. Seu coração disparou, alegrando-se com sua vinda até si. Hinata parou muito próxima de Naruto, colando seus seios no peito dele. Naruto instintivamente pôs suas mãos na cintura de Hinata, fazendo com que ela descansasse a suas no peitoral do loiro. Naruto baixou a cabeça, encostando sua testa a de Hinata e fechando os olhos.

– Porque você precisa de mim. – ela respondeu num sussurro, como se estivesse contando um segredo. – Você me chamou aqui. – ela disse, tirando uma de suas mãos do peito de Naruto e acariciando seu rosto. Naruto suspirou com o carinho singelo e Finalmente abriu os olhos, sem se afastar dela ainda.

– Você é uma ilusão. – ele disse e seus olhos lacrimejaram. – Eu preciso de você... Do seu eu real. – ele sussurrou angustiado e Hinata sorriu minimamente.

– Eu sou real. – ela disse calmamente, ainda acariciando a face do loiro.

– Como pode ser real se sei que daqui a pouco não te terei assim, perto de mim? – ele perguntou confuso e abalado. Por mais que não fosse real, Naruto desejou com todas as forças que aquele momento nunca acabasse.

– Eu vivo em você. Eu existo em você. Isso já torna tudo real. – ela disse com carinho e Naruto a olhou de repente muito triste.

– A raposa trouxe você aqui? – ele perguntou, mais para mantê-la falando do que por outra coisa. Não importava quem a tinha trazido ali, o importante era que ela estava ali.

– Não. Você me trouxe aqui. – ela respondeu com a voz embargada. Hinata estava chorando.

– Por que está chorando? – ele perguntou e se surpreendeu quando ouviu sua voz. Naruto também estava chorando.

– Porque você está chorando? – ela sussurrou a pergunta. Naruto respirou fundo, mas não conseguiu controlar-se... O choro estava vindo mais forte. A dor estava mais forte. Hinata afastou seus rostos e o olhou tristemente.

– Por você. Estou chorando por você... – ele disse com a voz fraca.

– Por mim? – ela perguntou e ele assentiu. – Por quê? – ela perguntou e Naruto a olhou com muita dor.

Eu realmente sinto muito, Hinata. – ele disse e mais lágrimas molharam seu rosto. – Sinto muito por tudo. Por tudo. Perdão. – ele disse, a voz estava fraca pelo choro, mas as palavras não perderam a força.

– Você acha que eu devo te perdoar? — ela perguntou e Naruto pensou um instante antes de responder.

– Não, eu acho que não. – Naruto disse e Hinata riu com sua revelação. Naruto a olhou com a sobrancelha erguida.

– Você acha que meu eu real irá te perdoar? – ela perguntou ainda risonha e Naruto pensou mais um pouco.

– Espero que sim. Mas não tenho muitas esperanças. – ele disse e Hinata colocou a outra mão em seu rosto, segurando-o firmemente e olhando Naruto nos olhos sem desviar nem por um instante.

– Você realmente acha isso. – ela afirmou e de repente parou de rir. Naruto sentiu seu coração acelerar e segurou a cintura dela mais firmemente. – O que você acha que eu sou? Este meu eu? – ela perguntou, esperando realmente que ele soubesse a resposta.

– Um presente. – ele afirmou sem pestanejar. Hinata riu e ergueu uma sobrancelha esperando pela resposta real. – Não sei... – ele finalmente disse e Hinata o olhou com um sorriso.

– Aquilo... – ela disse e apontou para a raposa de nove caudas (ainda transformada em um Naruto de olhos vermelhos), que assistia àquilo tudo sem dizer nenhuma palavra. – É o que você chama de escuridão. – ela disse. – Eu sou aquilo que você chama de luz. – disse Hinata simplesmente, sem prepotência. – Eu não sou a Hinata de verdade. Mas por algum motivo você imagina a luz nesta forma. – ela disse e apontou para si mesma.

– Porque eu te amo. – ele disse como se aquilo fosse muito simples.

– Não. Porque eu te amo. – ela disse, mas Naruto não entendeu realmente. – Você ama muitas pessoas Naruto. A Sakura, o Sasuke, Tsunade, Jiraya... Todos são importantes para você. E você é importante para todos. Mas somente para mim você foi importante desde o início.

– O que quer dizer? – Naruto perguntou ainda sem se afastar de Hinata.

– Você está minimamente lúcido agora porque tem fé no meu amor por você. Mais do que no seu amor por mim. Sou eu quem te está te impedindo de desabar todos os dias. Você me ama porque eu te amo. – ela disse devagar, como que explicando algo a uma criança. – A minha condição te faz sofrer porque sem mim você não tem base alguma. – ela disse e Naruto a olhou estranhamente.

– Você não parece a Hinata falando. – ele disse com os olhos cerrados.

– Eu não sou a Hinata. Eu sou você. Faço parte de você. – ela disse com carinho. – Você não entende Naruto-kun? – ela perguntou. Seus olhos eram astutos.

– Não muito. – ele disse. – Se não é a Hinata, por que age como ela? A maior parte do tempo pelo menos... – ele perguntou confuso. Hinata sorriu singelamente.

– Porque é assim que você imagina tudo que há de melhor em si mesmo. – ela disse e sorriu abertamente dessa vez, fazendo Naruto ficar encantado. – O seu melhor, hoje, você supõe que seja por mim. Estou errada? – ela inquiriu e Naruto a olhou firmemente.

– Não. – ele respondeu.

– Antes você imaginava o que há de melhor na forma dos seus melhores amigos. Por muito tempo foi assim. Mas agora... Agora o que você mais ama sou eu. Agora você imagina a mim. – ela disse Naruto sentiu seus olhos lacrimejarem. – Eu sou a melhor coisa que te aconteceu. Mas você ainda duvida que seja a melhor coisa que me aconteceu, não é? – ela perguntou e Naruto assentiu, sem palavras. – Naruto-kun, eu só consegui te salvar porque você me salvou primeiro. – ela disse Naruto a encarou surpreso.

Ele a olhou nos olhos.

– Por que está aqui, Hinata? – ele perguntou.

– Porque você está perdendo a luta, Naruto-kun. – ela disse e o olhou tristemente. – Você está se deixando levar pela dúvida, pelo medo, pela angústia e pela culpa. Você está caindo na escuridão de novo... E eu realmente não quero que isso aconteça.

– Você se refere à Chihiro? – ele perguntou se sentindo muito estúpido de repente.

– Também. Mas estou me referindo à forma com que vem agindo. O que está havendo? Você está desistindo de mim. – ela disse com medo na voz.

– E-eu não sei... Eu não estou. – ele respondeu gaguejando. Não tinha certeza sobre nada.

– Naruto-kun... Você não percebe que se desistir de mim estará desistindo de você também? – ela perguntou de novo e Naruto a olhou desolado.

– Eu realmente sinto muito. – ele disse. – Mas eu mal estou suportando a dor... – ele baixou os olhos. Hinata o olhou seriamente.

– Por favor, olhe para mim. – ela pediu e ele prontamente a obedeceu. – Essa moça... Chihiro. Você não pode continuar com ela. – ela disse e Naruto a olhou sem dúvida de que aquilo não poderia mais acontecer. – Naruto-kun, olhe bem para mim. – ela pediu e ele olhou atentamente para Hinata. Arfou percebendo somente naquele momento que ela estava transparente.

– Mas... O-o quê... – ele tentou perguntar, mas ela o interrompeu.

– Eu estou desaparecendo. – ela disse séria e Naruto segurou mais firmemente sua cintura. – Você está me perdendo... Você está escolhendo a escuridão e não a mim, não a luz. – ela disse e pareceu muito preocupada. – Você ainda me quer Naruto? – ela perguntou.

– Mas que tipo de pergunta é essa? É claro que ainda te quero, amor...

– Então pare com isso. Pare com isso! – ela disse autoritariamente. – Pare de agir assim! Escolha a mim! Dessa vez, escolha a mim! – ela disse. Naruto entendeu o que ela quis dizer.

– Você sabe que eu sempre escolherei você. – ele disse e Hinata pareceu entrar mais em foco com aquilo. Ela sorriu para ele.

– Finalmente... A luz. – ela disse. Mas Naruto não teve muito tempo de admirar seu sorriso, porque de repente Hinata não estava mais lá.

[...]

Kiba Inuzuka estava perdido. Completamente. Já fazia quase oito meses que o amor da sua vida estava em coma. Oito malditos meses de que ele não se lembrava de absolutamente nada.

O tempo inteiro parecia um borrão. Um borrão agitado e barulhento. Barulhento porque nesse tempo que passou, Kiba ficara a maior parte do tempo de bar em bar, enchendo a cara, às vezes dormindo com algumas garotas. Mas sempre voltando bêbado para casa.

Ignorava as missões que a Hokage lhe passava, não via mais seus amigos. Estava no fundo do poço. Hoje havia escolhido ir a uma boate movimentada em Konoha. Sabia que não seria reconhecido ali, ninguém que conhecesse frequentava esses lugares.

Ele entrou facilmente, indo em direção ao balcão, onde a bartender servia bebidas. Sentou-se em um dos bancos altos vazios e chamou a moça.

– Você está um caco. – disse a mulher. Era uma mulher bonita, Kiba percebeu. Tinha cabelos escuros e longos até a cintura e pele branca como papel. Era tão parecida com...

– Eu acho que você vai precisar de alguma palavra pior para o meu estado atual. – ele disse e riu secamente. A mulher sorriu de forma singela e ele a odiou instantaneamente por se parecer tanto com ela.

– Eu poderia dizer fodido, mas esse não é o tipo de linguagem que eu uso. – ela disse ironicamente. – O que vai querer? – ela perguntou e Kiba olhou em sua direção.

– O que você tiver de mais forte. – ele disse e a mulher sorriu, pegando uma garrafa e um copo para servir a bebida mais forte que tinha para Kiba.

– Isso parece ser uma decepção amorosa das brabas. – ela tentou puxar assunto e Kiba assentiu, bebendo a dose de uma só vez.

– Não é uma decepção amorosa, embora possa chegar a ser. – ele disse e a mulher o olhou, confusa. Kiba suspirou. – A mulher da minha vida está em coma no hospital há quase oito meses agora. E se algum dia ela acordar... Bem, digamos que eu não sou a primeira escolha dela. – ele disse e a mulher o olhou com pena. Encheu mais uma dose para ele que bebeu prontamente.

– Bom, ela deve ser uma idiota por não te escolher. – ela disse tentando confortá-lo. Kiba riu.

– Provavelmente. – ele disse e a mulher encheu mais uma dose. – Escolheu o cara mais idiota de toda a vila... Eu sempre vivi ao lado dela... Que idiota. – ele disse, sentindo um pouco de sua raiva extravasar xingando Hinata. Bebeu mais um pouco.

– Ah é? E quem ela escolheu? – ela perguntou, mais uma vez virando a garrafa no copo de Kiba e despejando o liquido incolor.

– Você por acaso conhece Uzumaki Naruto? – Kiba perguntou; a voz já arrastada pela bebida. Sentia-se tonto, mas não queria parar de beber. Bebeu mais uma vez o líquido, que desceu rasgando a sua garganta.

– É por ele que ela está apaixonada? O herói da vila? – ela perguntou. – Não me admira. – a mulher disse e Kiba a olhou raivosamente. Odiou aquela mulher com todas as forças.

– Hinata, você é uma estúpida. – ele disse a ela e virou a dose mais uma vez. A mulher o olhou surpresa. Hinata? Com quem ele estava falando?

Kiba olhou novamente para a mulher. A cada dose que bebia ela parecia se transformar mais um pouco na Hyuuga. Elas eram tão parecidas que Kiba se deixou levar pela sua imaginação. “Talvez não seja imaginação... Ela pode estar aqui... Ela está aqui. Sim”.

– Tão, tão idiota. – ele cantarolou e a mulher riu com seu comportamento estranho. – Ele te matou e você ainda vai ser capaz de escolhê-lo no meu lugar? – ele quase rosnou e a bartender se assustou de repente. Kiba levantou e se inclinou no balcão, olhando-a furioso. – Sua fraca. – ele disse e a segurou pelos braços a apertando.

– Ai! Me larga seu maluco! – ela gritou, mas Kiba em nenhum momento a soltou.

– Eu te amei a vida toda! Como pode ser tão egoísta? Escolha a mim! Eu sim posso te fazer feliz! – ele gritou com a voz enrolada pela bebida. – Sua idiota! – ele gritou quando a mulher conseguiu finalmente se soltar.

– Kato! Kato! Tire esse maluco daqui! — ela gritou para o segurança mais próximo, que veio imediatamente atendê-la.

– Ah, Hinata, você sempre parte meu coração... – Kiba disse fazendo um biquinho como se estivesse muito magoado.

– Vamos rapaz. – o segurança finalmente o alcançou e o segurou firmemente pelo braço, arrastando-o para fora da boate.

– Você acredita que ela não me ama? – ele perguntou ao segurança que o olhou, mas não respondeu. – Ela ama aquele idiota do Naruto. Por que ela não pode simplesmente me amar? – ele perguntou amargamente. Sentia raiva de Naruto. Raiva de Hinata. Raiva de si mesmo.

O segurança olhou-o novamente e não pôde deixar de sentir pena do rapaz. Parecia devastado.

– Tenho certeza de que encontrará outra que ame você. – o segurança disse e Kiba riu.

– Não vou não. – ele disse com muita certeza, mas o homem só deu de ombros, sem saber o que dizer mais. Chegaram finalmente do lado de fora da boate e o homem o largou ali. Kiba cambaleou um pouco, andando na direção oposta da boate.

– Tente beber menos da próxima vez. – o segurança aconselhou, mas Kiba não pareceu ouvir. E, se sim, não deu importância alguma.

Cambaleou mais ainda para o mais longe que pôde da entrada, mas ao chegar a certo ponto não aguentou mais. Vomitou. Tanto que sentiu a garganta arder. E depois disso afastou-se um pouco do vômito fétido e sentou-se. Estava cansado. Mas o que viu pareceu despertar-lhe de repente. Era Naruto. O idiota Uzumaki e ao seu encalce... Chihiro.

[...]

– Naruto-kun! Naruto-kun! – Chihiro o chamou, sacudindo de leve seu ombro.

Ele estava “em outro mundo” já havia muito tempo e ela já começa a ficar desesperada. Mas pareceu que seus esforços estavam dando certo, pois depois de algum tempo, Naruto piscou repetidamente os olhos, como se estivesse tentando voltar a enxergar.

– Ah, meu deus! Você me deu o maior susto Naruto... – ela exclamou e tentou acariciar seu rosto, mostrando que estava preocupada, mas ele não deixou que ela o tocasse. Chihiro sentiu mais uma vez seu orgulho se ferir, mas tentou não demonstrar seu desgosto diante de Naruto. – O que aconteceu? – ela perguntou finalmente, quando ele se levantou passando a mão na cabeça como se tentasse fazer com que ela parasse de doer. Chihiro também se levantou.

– O que quer dizer? – Naruto fez-se de desentendido.

– Como assim o que eu quero dizer? – ela perguntou abismada. – Você ficou uma meia hora passando mal e ainda me pergunta... – ela disse olhando-o realmente preocupada.

– E daí? — ele disse e a olhou sarcástico. – Que idiotice. – Naruto disse cruelmente e Chihiro sentiu seu coração apertar.

– Mas o que há com você? – ela o perguntou sem entender porque ele estava assim de repente. Naruto suspirou. Teria que acabar tudo agora. Ele sabia que estava agindo feito um idiota com a Chihiro, assim como estava agindo feito um idiota com todos ultimamente, mas ele realmente não estava se importando com isso, não ultimamente. Estava muito envolvido na sua própria dor para ter que se preocupar com a dos outros também.

– Chihiro, escute... – ele começou dizendo, meio inseguro de como deveria continuar com aquilo. – Isso tem que acabar. Agora. Eu e você.

– N-Naruto-kun... – ela gaguejou, olhando-o nos olhos. – Não... Não faça isso...

– Eu preciso... Por Hinata, eu preciso... – ele tentou explicar para ela do melhor jeito possível e até ser gentil. – Chihiro, você não entende?

– Entender o quê? Naruto... Ela não vai acordar... – ela disse numa tentativa desesperada de tê-lo para si, mas isso só fez com que Naruto perdesse toda a vontade de ser gentil com ela.

– Você não sabe disso! – ele praticamente rosnou, entre dentes.

– Sim, eu sei! TODOS SABEM! – ela gritou, de repente, assustando Naruto. – VOCÊ QUE É MUITO IDIOTA PARA PERCEBER!

– Psiu! Cale-se! – Naruto disse olhando para os lados, perguntando-se se alguém estava ouvindo. – Alguém pode ouvir você!

– Que ouçam ok? Que ouçam que o grande Naruto Uzumaki estava transando com alguém que não é sua preciosa Hinata! – ela berrou novamente e Naruto agradeceu internamente pela música alta da boate.

– Cale a boca! – ele berrou novamente, começando a se irritar de verdade com ela. – Que merda, quando foi que você virou essa vagabunda? – ele perguntou baixo, maldosamente. – Não entende que não importa o que você faça... Não importa que grite por toda Konoha, eu nunca vou amar você! – ele rosnou. Chihiro deu um passo para trás, cambaleante. Seus olhos ficaram úmidos, mas apesar da clara rejeição, a única coisa que ela conseguiu sentir foi a humilhação.

Naruto olhou para ela uma última vez e finalmente lhe deu as costas, indo em direção ao hospital o mais rápido que podia. Já estava muito atrasado, mas não importava. Ele nunca deixaria de visitar Hinata. Não agora.

– Naruto! Não ouse me dar às costas! – Chihiro gritou quando ele já estava muito longe. Mas ela não ia deixar por isso mesmo, nem pensar. Correu atrás de Naruto por um bom tempo, até que finalmente pôde alcançá-lo, já muito próximo ao hospital.

Mal sabia ele que alguém tinha os ouvido, sim.

[...]

Sakura Haruno estava terrivelmente cansada. Cansada de como tudo parecia estar dando errado naqueles últimos tempos. Com Hinata em coma, Naruto se fechou quase totalmente para o mundo. Não o via nunca, a não ser no horário de visitas, quando ele vinha visitar a amada.

Ele não havia tentado contatá-la e ela também não. Sentia-se extremamente mal com estado do amigo, mas também não tinha coragem de se aproximar. Não estavam nos melhores tempos de amizade, por assim dizer, desde o dia do anúncio do coma de Hinata, pelo menos. E isso foi quase há oito meses.

“Que ódio! Que tipo de amiga eu sou?” – era o que ela vinha pensando quase todos os dias agora, porque apesar de ver Naruto todo dia nos corredores do hospital nunca se dignava a falar com ele de verdade.

Ela e Sasuke já haviam feito diversos planos sobre como se reaproximariam do amigo, mas parecia que nenhum era bom o suficiente. Não quando o que eles realmente precisavam era de coragem.

E Sakura realmente se odiou por isso. Naruto realmente precisava de apoio nesses últimos tempos, mas parecia que nem ela nem Sasuke seriam capazes de dá-lo. Talvez, afinal, o amigo tivesse motivos verdadeiros para ter ressentimentos dos dois.

– Doutora! – alguém gritou abrindo a porta de repente. Sakura tomou um susto e pulou na cadeira em que estava sentada quando uma das enfermeiras do hospital entrou repentinamente na sua sala.

– Sim, Tomoko! – ela se levantou imediatamente quando viu o rosto preocupado da enfermeira. – Aconteceu alguma coisa?

– Sim, senhora! Está acontecendo alguma coisa lá fora, na entrada do hospital... É o seu amigo... Naruto.

[...]

– Eu disse para não me dar às costas! – Chihiro rosnou e segurou Naruto pelo braço, impedindo-o de entrar no hospital. Naruto suspirou, aquela garota estava pedindo por uma surra.

– Isso só pode ser castigo. – ele falou e ouviu a risada da Kyuubi em sua mente. – Chihiro, eu acho que já deixei tudo claro entre nós. – Naruto disse, mas a garota não queria nem saber.

– Não! – ela berrou. — Não deixou nada claro! Quer dizer que mesmo se eu gritar por Konoha inteira você nunca será capaz de me amar? – ela perguntou ainda aos berros. – Bom, pois veremos o que acontece se eu gritar nos portões do clã Hyuuga. – ela disse e sorriu minimamente. Naruto congelou, de repente sentindo todos os seus pelos eriçarem.

– Você não ousaria! – ele disse alto, mas em claro tom de ameaça.

– Vamos ver se não! – ela o desafiou e olhou para ele como se fosse muito mais esperta. – Vamos ver se a famosa Hinata ainda vai te aceitar, isso se ela acordar, claro, – ela fez questão de deixar bem claro. – quando souber que você transou com outra! – ela berrou.

– O quê? – disse alguém atrás de Naruto, na porta do hospital. Chihiro e Naruto olharam para trás e viram Sakura olhando para os dois, abismada. – O que você disse garota? – ela perguntou novamente, olhando raivosamente de um para o outro.

– Ora, quem diria, temos uma plateia! – Chihiro exclamou, raivosamente. – A doutora realmente tem tempo de ficar espionando uma briguinha de casal? – ela perguntou cinicamente e fez Sakura arregalar os olhos.

– Casal? Como assim casal Naruto? – ela perguntou, olhando de Chihiro para o loiro.

Naruto suspirou. Bom, pior que isso não ficava. Passou as mãos pelos cabelos e suspirou novamente. Chihiro estava conseguindo estragar tudo. Ninguém podia saber daquilo e olhe só! Agora Sakura também sabia.

– Ah, ele não te contou? – Chihiro perguntou e olhou pra Naruto como que desaprovando a atitude dele. – Ai, amor! Não acredito que manteve segredo da gente até para sua melhor amiga! – ela disse e Naruto desejou com todas as forças que ela se calasse. – Ele não te contou que agora nós somos um casal? Estamos dormindo juntos faz três meses, já. – ela disse e sorriu, mas seus olhos só continham raiva. Naruto ia pagar por tê-la humilhado.

– Muito interessante. – eles ouviram agora uma voz masculina, que não pertencia a Naruto. Os três olharam para trás e viram Neji, olhando para Naruto com um olhar de desdém.

Ele havia ficado um tempo a mais com a prima hoje, já que ninguém viera lhe avisar que Naruto chegara. Tinha até pensado que o bastardo não vinha hoje. Mas para Neji não era nenhuma surpresa, sempre soube que Naruto decepcionaria. E qual não era sua satisfação ter uma maluca gritando na portaria do hospital que estava transando com Naruto? E já há três meses? Neji sorriu minimante.

– Que inferno! – Naruto exclamou. Maldita hora em que disse que não poderia piorar. “Pronto, agora fodeu!” – ele exclamou em pensamentos. Agora que Neji sabia não tinha mais volta.

– Quer dizer que todo aquele discurso sobre amar a Hinata e nunca desistir dela não vingou nem oito meses? Que feio Naruto. – Neji disse sarcasticamente, como se o repreendesse. – O que a Hinata vai pensar disso quando acordar? – ele perguntou como se realmente estivesse superpreocupado.

– Ai meu deus! A Hinata! – Sakura exclamou horrorizada, olhando de Chihiro para Neji e depois para Naruto. – Naruto, como pôde fazer isso? Mas que merda! – ela disse, preocupando-se de verdade. O que ia acontecer depois disso? – Será que você não cansa de fazer merda, seu idiota? – Sakura exclamou e foi em direção ao amigo, segurando-o pela gola. – Que droga Naruto! – ela disse e Naruto olhou para o lado, envergonhado. Não conseguiria dizer mais nada.

– Ai, gente! Mas que escândalo! O Naruto obviamente não quer mais a Hinata, só quer ficar comigo agora, certo Naruto-kun? – Chihiro perguntou e embora soubesse que aquela era uma mentira deslavada queria mesmo era que o circo pegasse fogo. Nunca havia percebido que era tão vingativa assim, mas Naruto merecia.

– Cale a boca, sua vadia de beira de estrada! – Sakura exclamou, enquanto largava Naruto e ia em direção da loira. A rosada a segurou pelos cabelos loiros e deu-lhe uma tapa segura no rosto, manchando a pele branca com uma marca vermelha. Chihiro caiu no chão tamanha a força colocada por Sakura.

Neji revirou os olhos. Não ficaria ali nem mais um minuto. Já tinha a informação mais valiosa sobre Naruto, então não fazia sentido. Viu mais uma vez Sakura dar outra tapa na garota. Foi a ultima visão que teve, antes de virar as costas e sair dali.

[...]

Naruto viu o primo de Hinata indo embora e se desesperou. Ouviu Sakura gritando alguma coisa com Chihiro e perguntou-se se devia ficar ali e apartar aquela briga. Não. Não dessa vez. Dessa vez ele escolheria seu futuro com Hinata ao invés de uma garota qualquer. Deu uma ultima olhada na briga das duas mulheres e se virou para sair atrás de Neji.

[...]

Quando Chihiro viu Naruto lhe dando as costas mais uma vez, sentiu de novo seu coração despedaçar. Nem ao menos tivera a decência de defendê-la daquela maluca cor-de-rosa! Colocou as mãos no rosto, tentando se defender da Haruno.

– E eu pensando que você era uma garota legal não? Daquelas que te ajudam quando você quer juntar dois amigos, mesmo sendo uma novata no grupo. – Sakura disse. – Mas parece que você é só uma vadia! – disse a Haruno, desferindo uma nova tapa em Chihiro. Este foi tão forte que a loira caiu no chão. Mas dessa vez, não se levantou.

– Cala essa boca, Sakura! – ela gritou. Tinha lágrimas nos olhos pela dor da tapa da rosada e principalmente pela humilhação que estava sentindo. Parecia que todos eles – aqueles ninjas idiotas – resolveram se juntar para acabar com toda a dignidade que tinha. – Eu não o obriguei a nada, está bem? As coisas simplesmente aconteceram! – La gritou. Estava com o rosto virado para o chão. Não queria olhar para a médica.

– “As coisas simplesmente aconteceram”! – Sakura fez uma vozinha fina, como que para imitar a outra. – Ah, vá para o inferno, sua vagabunda! – ela exclamou e contou mentalmente até dez para tentar se acalmar. –Há quanto tempo está apaixonada por ele? – ela perguntou entre dentes.

– E o que isso importa? – perguntou a outra, ácida.

– Há quanto tempo? – Sakura insistiu, levantando seu tom de voz, mas sem gritar realmente. Chihiro não respondeu imediatamente. Mas respondeu.

– Eu não sei... – ela finalmente disse. – Acho que desde a primeira vez em que ele foi me procurar para conversar sobre... Sobre ela. – disse a loira. Sakura riu. Mas foi um riso de puro ódio.

– Você não sente vergonha? – Sakura perguntou e Chihiro finalmente a olhou, agora confusa. – Ele vai até você para desabafar sobre outra mulher e você simplesmente dorme com ele?

– Não foi assim que as coisas aconteceram! – a loira exclamou, quase chorando. – Nós... Ele... Ele estava tão frágil... Eu... Eu não planejei nada... Quando vi já estava acontecendo. – Chihiro falou. – Nós dois concordamos que era ruim e que não deveria acontecer de novo... Mas... Mas eu... Eu comecei a...

– Começou a desejá-lo. Começou a amá-lo. – Sakura completou e Chihiro se calou, como se fosse aquilo mesmo que quisesse dizer. – Olha garota... – Sakura começou e respirou fundo para não bater naquela mulher de novo. – A Hinata... A Hinata é a melhor pessoa do mundo. E eu sei que você não é a pior, mas se comparada a Hinata... Você não é ninguém. Eu me considero amiga dela e posso dizer com todas as letras que sou a melhor amiga do Naruto. Você deveria se envergonhar... Tenho certeza que desejou que a Hinata nunca mais acordasse para que você ficasse de vez com o Naruto... – a rosada viu Chihiro baixar a cabeça de novo. – Eu sei como são essas coisas... Mas o Naruto ama a Hinata e vice-versa. E você... Você é só um empecilho no relacionamento desses dois. Então escute meu conselho: — a Haruno ia dizendo com tanto desprezo que Chihiro sentiu um gosto amargo na boca. – fique longe do Naruto ou eu mesma me encarrego de acabar com você. – Sakura disse finalmente. Deu uma ultima olhada para Chihiro e voltou para o seu posto no hospital.

Chihiro levantou o rosto finalmente e viu Sakura lhe dando as costas. Cerrou os dentes e se levantou indo em direção a sua casa. Isso ainda não havia acabado.

[...]

– Neji! Neji! – Naruto gritou antes de alcançar o primo de Hinata. – Espera aí, por favor! – ele gritou de longe, quase implorando.

– O que você quer Naruto? – Neji finalmente parou quando o Uzumaki lhe tocou o ombro.

– Eu... Eu queria pedir que... Eu... – Naruto sabia que era muita cara de pau pedir para Neji não mencionar nada para Hinata do que ele tinha ouvido na porta do hospital. Mas seu estágio de desespero era grande. – Por favor, não conte o que ouviu para a Hinata. – ele pediu de uma vez, rápido, torcendo para que Neji aceitasse.

Este, no entanto, apenas o olhou incrédulo. E depois riu.

– Como é que é? – Neji perguntou mais uma vez, só para ter certeza. – Você quer que eu faça a minha prima de idiota, assim como você está fazendo? – Neji perguntou acidamente. – Você não deve ter o mínimo de respeito por ela mesmo.

– Neji... Você... Você quer mesmo que a Hinata sofra mais uma vez? Eu... Eu sei que não, claro que não... Por favor... Eu imploro... – Naruto disse ficando cada vez mais desesperado.

– Você devia ter se feito essa pergunta antes de começar a transar com qualquer uma por aí. – Neji disse. Olhou para o Uzumaki mais uma vez e suspirou. – Eu posso ver nos seus olhos que ama mesmo minha prima, Naruto. – ele disse e Naruto começou a sentir um pouco mais de esperança. – Mas isso não significa que eu irei esconder algo tão importante de Hinata-sama. – ele disse finalmente e Naruto sentiu seu peito apertar. – Se ela escolher ficar ao seu lado depois disso tudo, eu a apoiarei. Mas ela tem que saber da verdade. E muito me surpreende você vir aqui me pedir uma coisa dessas... Agindo feito um covarde. Se errou encare as consequências do seu erro e lute para consertar. Além do mais, você está pedindo uma lealdade que eu já devo a outra pessoa. – Neji disse por fim. Finalmente virou-se para voltar ao seu clã, deixando um Naruto completamente desesperado para trás.

HOJE

Já fazia quase um mês e meio desde que Hinata havia acordado do coma. E sua vida estava um completo caos. Nesse meio tempo havia acontecido a cerimônia de posse dos Hyuuga e agora era a mais nova líder do clã.

Treinava sem parar para conseguir produzir maior quantidade de chakra (pois já que havia ficado oito meses em coma e não o havia utilizado para nada, seu corpo simplesmente parara de produzir a quantidade normal), tinha que tomar as decisões do seu clã e pelo menos uma vez por semana passava no hospital de Konoha para fazer suas sessões com Sakura.

Mas mesmo com seu tempo tão lotado, Hinata até que gostava. Ficava sem tempo para pensar em Naruto, na sua mágoa, na dor... E de noite quando finalmente ia se deitar, estava tão exausta que simplesmente desabava na cama e dormia profundamente.

Esse estava sendo o seu remédio. Não pensava nele. Não se permitia pensar nele. E quando começava a ao menos cogitar em pensar nele, ia se ocupar de outra coisa.

Essa era sua nova vida.

Foi também nesse meio tempo que Hinata fez as pazes com Kiba. Ele não estava mais tão esquisito sobre ela como estava no dia em que se encontraram no hospital. Talvez porque dessa vez não houvesse perigo algum de que Hinata se entregasse de vez a Naruto. E até que casasse com loiro.

Mas, mesmo assim, eles não se encontravam mais com tanta frequência. Não porque algum resquício de mágoa tivesse sobrevivido entre os dois, mas porque Hinata simplesmente não tinha mais tempo para sair com os amigos. A pessoa a que via com mais frequência era Neji, claro, e agora Sakura, já que ela era sua médica oficial.

Mas nenhum dos dois falava sobre Naruto. E Hinata agradecia internamente por isso. Agora estava no antigo escritório de seu pai, antigo líder, e que agora a pertencia, lendo alguns papeis referentes ao clã Hyuuga.

Ela havia perdido seu time também. Depois de oito meses em coma, os garotos tiveram que ser ensinados por outro sensei, claro. E como Tsunade-sama sabia que Hinata teria muitas ocupações a partir de agora, decidiu por manter o outro, no lugar de Hinata. Foi um chororô só por ambas as partes – tanto Hinata, quanto as crianças – mas todos sabiam que era melhor assim.

– Hinata-sama. – ela ouviu alguém lhe chamar e tirou seus olhos dos papeis por um instante. Era Neji.

– Sim, Neji-nii-san? – ela respondeu, tentando ficar totalmente atenta a ele, mas vez por outra lia os papeis e os assinava.

– Está na hora da sua consulta. – ele disse e Hinata olhou mais atentamente para ele dessa vez. Neji sempre tinha que ir ao seu escritório lembrá-la dos seus compromissos.

– Mas é claro. – a moça disse e bateu na testa, sorrindo fracamente. – Obrigada por me lembrar, irmão. – ela disse finalmente levantando-se. – Você me acompanhará?

– Dessa vez não posso, Hinata-sama. Tsunade-sama convocou-me para uma missão e devo partir agora. Mas antes passei aqui para lembrá-la, porque sei que você sempre esquece. – ele disse e Hinata jurou ver um pequeno sorriso de afeto nos lábios de Neji.

– Claro. – disse Hinata também sorrindo para ele. – Não sei o que faria sem você. Mas anda, você deve ir agora.

– Sim. Devo pedir para alguém acompanhá-la? – ele perguntou. Hinata fez que não com a cabeça, respondendo que iria sozinha. – Muito bem, então. Já estou indo. Cuide-se. – ele disse e antes de sair deu um beijo na testa da moça e saiu apressado da sala.

Hinata sorriu para o primo que saía apressado da sala. Foi para frente de um espelho que existia ali e se ajeitou um pouco antes de sair. Quando se deu por satisfeita retirou-se do escritório e finalmente do clã.

Caminhava lentamente pelas ruas de Konoha. Apesar de já serem quase dez meses depois de ter sofrido o ataque, Konoha estava exatamente igual. Talvez por umas casas a mais aqui ou acolá, mais com certeza não mudara muita coisa.

Hinata olhou o céu. Estava muito azul naquele dia. Parecia que o universo estava tentando lhe pregar uma peça. Agora, que não tinha nada que pudesse distraí-la, aquele céu tinha que estar tão igual aos olhos dele?

E como se o universo gritasse “Sim! Sim!” com todas as forças, no momento em que Hinata baixou seus olhos brigando consigo mesma por estar pensando nele, foi com ele que Hinata se deparou.

Ao longe, sentado numa barraca do Ichiraku. Parecia que sua rotina não havia mudado muito afinal. Ele conversava com alguém, parecia nervoso. Mas como se seus olhos chamassem por ele com um simples olhar, ele também a olhou.

Mas sua visão dos olhos de Naruto foi cortada de repente. Alguém entrou na frente dele. Olhando diretamente para Hinata. Era ela. “Ótimo.” Foi o que Hinata pensou. Sentiu o gosto amargo dos ciúmes a invadindo e desviou o olhar, caminhando mais rápido para a direção oposta a eles.

Quando sabia que não poderia ser vista, correu. E correu mais quando percebeu que estava sendo seguida. Correu o mais rápido que pôde. Mas não conseguiu despistá-lo. E quando deu por si, lá estava ela no lugar no qual menos queria estar. Ainda mais com aquele perseguidor.

– Pare de me seguir! — ela gritou com todas as forças. – Por que me atormenta assim? – ela perguntou desesperada, querendo voltar logo para casa, para onde conseguia não pensar nele.

– Desculpe. – Naruto disse. – Não é minha intenção atormentar você, amor. – ele disse e Hinata sentiu seu mundo desabar quando ele a chamou assim.

– Não me chame assim! Não sou seu amor! – ela disse com os olhos ferozes.

– Claro que é. – ele disse simplesmente. – Não é porque você me rejeitou que eu parei de amar você. Até acho que te amo mais. Você sabe o que dizem... Quanto mais você apanha... Mais você ama.

– Mas sempre existe uma hora que a gente cansa de apanhar. – ela disse, com rancor. Naruto a olhou tristemente.

– Desculpe. – ele disse novamente, como se aquilo fosse consertar alguma coisa.

– Eu não quero suas desculpas, Naruto! – ela disse severamente, mas Naruto não pareceu se abalar com isso.

– Mas por enquanto é tudo que eu posso oferecer a você. Pelo menos até você me perdoar.

– Eu já te perdoei. Mas não te quero mais perto de mim... – ela disse, olhando para os pés. – Dói muito... – praticamente sussurrou.

– Não, você não me perdoou. Eu sei que não. Por isso saiu correndo quando me viu, quando viu a Chihiro... – ele disse.

– Não fale o nome dela! – ela disse e se controlou muito para não perguntar o que ele fazia ali com ela... Se eles continuavam juntos...

– Desculpe. – ele pediu mais uma vez. – Deve estar se perguntando por que eu te segui. – ele disse e a olhou profundamente. Hinata levantou a cabeça, esperando que ele continuasse. – Achei que te devia uma explicação. – ele continuou. – Se você quer saber, eu não estou com ela, só estávamos esclarecendo alguns pontos.

– Ah, é? Como o quê? – Hinata perguntou sarcasticamente, claramente com ciúmes. Naruto sorriu minimamente ao perceber isso.

– Como o fato de ela ter que parar de me perseguir, porque eu mesmo já tenho outra pessoa para seguir e com ela no meu encalço simplesmente não dá. – ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hinata ficou vermelha e se odiou por isso. – Não fique tão surpresa. – ele disse e abriu um grande sorriso. – Nas raras vezes que você sai eu sempre te sigo.

– E como sabe quando eu saio? – ela perguntou embora a resposta fosse muito óbvia. Era claro que ele a observava.

– Eu sempre te observo no clã Hyuuga. – ele disse simplesmente. Hinata sorriu minimamente.

– Isso não é nada saudável, você sabe. – ela disse e Naruto sorriu mais abertamente ao ver que ela achava graça.

– Eu sei disso, mas é o mais perto que eu posso chegar de você. – ele disse e baixou os olhos de repente. – Por mim eu já teria invadido seu quarto muitas vezes e conversado com você, mas a Sakura me disse que era melhor te dar um tempo. Por mim já teria te procurado há muito tempo.

Hinata o olhou seriamente quando ele disse isso. Não podia negar que se sentia um pouco lisonjeada com isso, mas era muito perturbador. Não era nada saudável.

– Naruto-kun... – ela chamou, quase tristemente e Naruto a olhou surpreso por ela o chamar pelo apelido. – Você tem que parar com isso. Não é bom. Não é saudável. Está se martirizando. E agora que sei disso, estará me martirizando também. E isso não é justo.

– Eu sei... Eu sei de tudo isso, amor, mas eu preciso de você... – Naruto disse e olhou nos olhos dela quase como uma súplica.

– Eu quero esquecer você. E quero que você me esqueça também. Se quiser fique com aquela moça... – disse Hinata, por mais que doesse, era o que precisava ser feito.

– Isso não é possível. – ele disse, aproximando-se definitivamente dela e a segurando pelos ombros.

– Sim, é... Tem que ser. – ela disse sem afastá-lo. Baixou o olhar um segundo e depois o olhou nos olhos. – Que este seja o ultimo. – ela disse e selou os lábios de Naruto num beijo singelo e um pouco demorado. Quando acabou, Hinata se afastou dele, indo na direção oposta. – Adeus Naruto-kun. – ela falou e acenou para ele uma ultima vez, antes de desaparecer.

– Você sabe que não é. – ele disse e sorriu tristemente, agora já sozinho.

Notas finais
Mereço reviews? *____________________*