Cinco Minutos
17 Surpresa
Notas iniciais
Lutar por aqueles que você perdeu e por aqueles que você tem medo de perder... Talvez seja assim que todos devam viver... – Rock Lee.
Hinata olhou-se mais uma vez para o espelho manchado do vapor de sua respiração muito próxima. Aquilo não podia estar acontecendo. Quer dizer, não podia mesmo estar acontecendo.
– Será que está de volta? Será que eu... – ela deixou a frase no ar, desviando o olhar da própria imagem e olhando para o vaso sanitário onde há poucos minutos estava vomitando tanto que pensou que fosse desmaiar. – Mas... Sakura disse que estou bem, então o que...? – Hinata cerrou os olhos por um tempo, tentando encontrar uma solução para o que estava acontecendo consigo mesma.
Talvez fosse melhor ir mesmo ao hospital outra vez naquela semana, só para verificar. Aquilo com certeza não era normal; além do mais, não era mais só a sua vida que estava em jogo. Hinata tinha que se preocupar com todo o clã Hyuuga agora. Não que não tivesse que se preocupar antes, mas agora tudo era bem mais real. Suas responsabilidades eram bem mais reais. E agora ela sabia de verdade a importância de ser líder de um clã. Ainda mais o clã Hyuuga.
– Bom, é melhor eu ir logo, antes que todo o conselho resolva me impedir. – ela disse a si mesma. – Mas antes é melhor tomar um banho. – falou, tirando o roupão e indo para o chuveiro.
[...]
– Então está tudo bem mesmo? – o loiro perguntou pela terceira vez, fazendo Sakura perder a paciência.
– Eu já disse que sim, Naruto! – ela exclamou, massageando as têmporas. – A Hinata está ótima. – a Haruno disse o olhando mais atentamente. – A pergunta é como você está. – a rosada enfatizou.
– Eu? Eu estou ótimo. – Naruto disse. E era óbvio que era mentira. Quer dizer, parecia que tinha emagrecido uns quilos e a barba estava por fazer. Sem contar as olheiras.
– Jura? – Sakura disse com voz de tédio. – Você parece muito bem mesmo. – ela disse e Naruto deu uma risada.
– Como você queria que eu estivesse? Quer dizer, a Hinata não me quer mais, tenho uma maluca que mais parece uma psicopata que não me deixa em paz e, além de tudo, a Hinata não me quer mais.
– Você já disse isso. – Sakura disse de sobrancelhas erguidas.
– Eu sei. Mas é o que mais machuca. – ele disse suspirando. Sakura o olhou tristemente, mas não disse nada. – Acho mesmo que ela nunca mais vai me querer. Quero dizer, ela me deu um beijo há alguns dias, mas fora isso...
– A Hinata te beijou? – Sakura perguntou surpresa. Quando Naruto confirmou ela sorriu brilhantemente. – Olha Naruto... – a rosada começou. – No passado eu esperei você perceber que amava a Hinata e obviamente isso não deu certo. Então vou tentar uma estratégia diferente: – Sakura levantou o dedo indicador, apontando-o para Naruto, como se estivesse explicando alguma coisa muito importante. – ela ainda te ama. E acho que ainda te quer. Quero dizer, esse beijo deve significar alguma coisa, ainda mais nesses tempos de crise que vocês dois estão vivendo... – Sakura tagarelou tudo muito rapidamente fazendo Naruto ficar confuso.
– Calma! Sakura-chan, o que está tentando me dizer? – ele perguntou. Sakura suspirou. Seu amigo às vezes podia ser muito lento.
– Estou dizendo que você não pode desistir de jeito nenhum. – ela disse e Naruto a olhou espantado. – Ela te ama e ainda te quer. Provavelmente ainda vai demorar muito para te perdoar, mas acho que ainda existe uma chance. – Sakura disse com um sorriso, fazendo Naruto acompanhá-la no gesto. – Ok! Isso animou meu dia consideravelmente! – ela exclamou batendo as mãos. Naruto sorriu.
– Sabe que você nunca me disse o porquê de querer tanto que eu fique com a Hinata. – ele disse e olhou para a médica curiosamente.
– Eu pensei que estivesse óbvio. – Sakura disse e sorriu com ternura para Naruto. – Vocês são tão diferentes que são perfeitos um para o outro. – ela afirmou. – Você... Bem, você é brilhante Naruto. – Sakura disse e Naruto ficou um pouco ruborizado. – Não no aspecto inteligência, claro. – ela disse e os dois riram. – Mas você é brilhante. Você é como o sol. – Sakura disse. – É quente e ilumina tudo. Dá esperanças, sabe? – ela disse e Naruto ficou ainda mais vermelho. – A Hinata por outro lado, é como o céu. É calma e elegante. Bonita de ver, sabe? – ela disse e Naruto concordou imediatamente. – E apesar de serem totalmente diferentes, vocês não seriam nada sem o outro. O céu precisa do sol para ser iluminado e o sol... Bem, sem o céu ele não teria onde brilhar. – ela disse. – Bom, meio brega, mas é o que eu acho de verdade. – Sakura disse por fim e riu.
– Na verdade, eu acho que seja o contrário. – Naruto disse e Sakura o olhou, curiosa, mas Naruto não ousou explicar sua teoria. Ficaram calados por um instante, até que Naruto teve um sobressalto. – Ela está aqui. – ele disse surpreso. O chakra de Hinata surgiu de repente na área do hospital.
– Quem? – Sakura perguntou confusa.
– A Hinata. – ele disse. O que estava acontecendo? Hoje não era dia de consulta. Será que havia algum problema? – Ela está vindo para cá. – Naruto disse com o coração acelerado.
– E o que você vai fazer? – Sakura perguntou seriamente. – Com certeza tem algo errado. – a médica disse olhando para o loiro.
– Eu vou ficar aqui. – ele disse e Sakura o olhou surpresa. – Mas ela não vai saber que eu estou aqui. — Sakura o olhou, confusa. – Por favor, aja naturalmente. – Naruto disse, antes de se transformar em uma enfermeira.
– Essa é uma ideia muito estúpida! – Sakura exclamou, olhando para enfermeira gorda e velha a qual Naruto havia se transformado. – Muito, muito estúpida! – ela disse. – Sem contar que estarei quebrando pelo menos uma dúzia de regras ao deixar você fazer isso! – Sakura disse desconcertada.
– Não seja chata, Sakura-chan! – Naruto exclamou. – Não tem mais volta, ela já está aqui! – Ele exclamou. Sakura respirou fundo, tentando voltar ao normal.
Após alguns minutos, alguém bateu na porta. Sakura olhou para Naruto como se fosse fuzilá-lo com o olhar.
– Esconda seu chakra. – ela disse a ele antes de se dirigir à porta e abri-la, dando de cara com uma Hinata abatida e preocupada.
– Hi-Hinata? O que faz aqui? Hoje não é dia de consulta... – a médica disse nervosamente, de vez em quando olhando de Naruto para Hinata.
– Desculpe incomodá-la Sakura-san... – a Hyuuga falou baixinho, com a voz falhando um pouco. – Mas acho que tem algo errado comigo. – ela disse.
– O que aconteceu? – a médica perguntou, abrindo espaço para que a Hyuuga entrasse em seu escritório e olhando de soslaio para Naruto, ainda disfarçado, que mal conseguia disfarçar sua excessiva preocupação com a Hyuuga.
Hinata suspirou. Ela não estava se sentindo mal exatamente, mas aquele excesso de vômito não poderia ser normal. Olhou em volta da sala e viu pela primeira vez a enfermeira que acompanhava Sakura, mas não prestou muita atenção nela. Sentou-se na cadeira em frente a de Sakura e esperou a médica sentar-se também para começar a falar. Quando a rosada o fez, Hinata suspirou, sem saber por onde começar.
– Eu... Acho que o câncer está de volta. – Hinata disse baixinho, quase envergonhada. Ela sabia que não era culpa sua estar doente de novo, mas sentiu-se muito fraca de repente. Naruto prendeu a respiração. – E-eu... – a Hyuuga tentou começar a falar novamente, mas sua voz falhou. As lágrimas a quais tanto lutou contra finalmente invadiram seus olhos.
Sakura se assustou. O câncer estava de volta? Fora isso mesmo que Hinata dissera? Bom, isso não era possível. Os testes de Hinata tinham sido há três dias e Sakura estava com os resultados dos exames em mãos.
– Como assim voltou? – o Naruto disfarçado de enfermeira perguntou, parecia muito mais assustado que a própria Sakura. A médica o olhou, dizendo implicitamente para ele não se meter, já que poderia se entregar.
– Hã... Naruko, por favor, deixe isso comigo. – Sakura disse, dizendo o primeiro nome que lhe veio à cabeça, olhando de Naruto para Hinata, que parecia aflita. – Hinata, eu estou com os seus exames em mãos. Lembra que pedi uma bateria de exames? – ela perguntou e a Hyuuga assentiu. – Eu os recebi hoje cedo. – a médica falou. – Mas ainda não tive oportunidades para lê-los. Dê-me licença um instante. – Sakura disse e se levantou, indo em direção a um armário cheio de pastas que ficava em sua sala. Logo que achou a letra “H” procurou pelo nome de Hinata e pegou a pasta inteira. – Estes são todos os seus exames Hinata. Aqui estão desde os seus primeiros exames, até os que eu pedi há três dias. – a médica disse. – Eu os olhei o mais atentamente possível, claro... Digo, você é minha amiga e acho que é a paciente a quem mais considero, então não quis deixar passar nada. E, pelo menos até a penúltima bateria, tudo estava tranquilo. – Sakura disse e Hinata a observou pegando os últimos resultados e olhá-los atentamente.
Naruto olhou de Hinata para Sakura atentamente. A Hyuuga parecia preocupada, apesar de tudo que Sakura havia dito e ele não também poderia estar diferente. Afinal, se ela chegou ao hospital toda preocupada, era porque com certeza algo estava errado. “Por favor...” Naruto pediu aos céus, olhando para cima, sem nem ao menos saber como terminar o pedido, apenas desejando que tudo estivesse bem.
Sakura viu a tomografia e a ultrassonografia que havia pedido para Hinata fazer e suspirou aliviada ao perceber que estava tudo bem. Passou então para o exame de sangue. Quando viu que tudo estava correto respirou profundamente.
Até que viu alguma coisa estranha. Olhou surpresa do exame para Hinata e depois para a “enfermeira”.
– Encontrou alguma coisa errada? – Naruto perguntou aflito, ainda disfarçado de enfermeira.
Sakura pigarreou. Bom, aquilo com certeza era alguma coisa.
– Hi-Hinata. – a médica chamou e a Hyuuga deixou uma lágrima escapar, já sabendo o que estava por vir. – Você pode me dizer o que aconteceu para que achasse que o câncer está de volta? – a rosada perguntou.
– Eu comecei a vomitar muito... Digo, acho que senti o cheiro de algo estragado na cozinha de casa e fiquei com muita vontade de vomitar de repente. – a Hyuuga disse incomodada. – Por quê?
– Você notou alguma coisa estranha? Além disso, quero dizer... – a médica continuou e Hinata ficou pensativa por um instante.
– Não sei... – ela disse finalmente. – Não acho que tenha mais alguma coisa. – a morena afirmou e Sakura suspirou. Finalmente, resolveu mostrar o exame para Hinata.
– Olha, Hinata... – ela começou cautelosa. – Essas são sua tomografia e ultrassonografia, vê? – ela disse mostrando os exames para a Hyuuga que os olhou muito superficialmente sem entender nada realmente. – Estão completamente normais. – Sakura afirmou e tanto Hinata quanto Naruto suspiraram de alívio. – E este aqui é o seu exame de sangue. – a rosada mostrou o resultado para a Hyuuga. – Também está completamente normal, exceto por uma coisa. – a rosada disse e os outros dois sentiram seus corações acelerarem. – Tudo está perfeito, glicose, hemácias, leucócitos, tudo... Todos os seus níveis hormonais estão ótimos também. Mas este... Este hormônio não era para estar aqui. – a Haruno falou ainda surpresa de ter visto justo aquele hormônio nos exames da Hyuuga.
– E o que ele quer dizer exatamente? – Hinata perguntou, já começando a se desesperar. Naruto também não estava diferente.
– Bom, normalmente... – Sakura olhou para Hinata um pouco envergonhada por insinuar uma coisa como essa. – Quando esse hormônio aparece em exames de sangue, quer dizer que a mulher está grávida. – Sakura disse e viu Hinata arregalar os olhos. Depois olhou para a “enfermeira”, que tinha ficado muito pálida de repente. – Mas eu... Bom, para ficar grávida você teria que... Bem, você sabe e... – Sakura parou de falar de repente olhando para a Hyuuga que ficara roxa repentinamente. E depois para a velha a qual Naruto havia se transformado, que começou a tossir descontrolado. A médica arregalou os olhos de repente. – AH MEU DEUS! – ela gritou. – Você... Você... Hinata, você está grávida! — a médica a olhou abismada.
Hinata sentiu que ia desmaiar de repente. Grávida? Como assim grávida? O que ela iria fazer? Como iria contar para seu pai? E os conselheiros? Droga, como estava ferrada. Como iria dizer a todos que engravidara antes de se casar com alguém que não era do clã Hyuuga? Está certo que o filho era do Naruto, o herói de Konoha, mas mesmo assim...
“Estou grávida... Do Naruto-kun...” – era tudo que ela conseguia pensar. Seus olhos molharam-se das lágrimas novamente.
Se o coração de Naruto estava acelerado antes, nunca se compararia com estado em que estava agora. Então Hinata estava grávida? Dele, certo? Só podia ser dele. Então ele iria ser pai? Naruto sentiu seu estômago se contrair.
“Eu vou ser pai?” – ele pensou com o coração aquecendo-se de felicidade. Agora, mais do que nunca, Naruto tinha certeza de que Hinata era sua. Sua mulher. A mãe do seu filho. E ele nunca mais iria deixá-la. Nunca mais iria magoá-la.
– Mas... Mas quando foi que você e o Naruto...? — Sakura perguntou ainda surpresa com a notícia. Hinata ficou vermelha e baixou a cabeça. Como ela não havia notado uma coisa daquelas? Não que fosse óbvio porque não era. Fazia tempo que não ficara menstruada, mas ela sempre pensou que fosse algum efeito colateral da quimioterapia e que com o tempo iria voltar a ser como antes. Mas grávida? Hinata não sabia o que dizer. – Não me entenda mal, Hinata... – Sakura disse com um sorriso, fazendo a morena olhá-la sem entender. – Isso é ótimo! Imagina o que o Naruto vai dizer... – ela disse, embora soubesse muito bem que Naruto estava ali naquela mesma sala, provavelmente tão surpreso quanto elas.
– Por favor... Não conte para ele ainda... – Hinata pediu a Sakura, que a olhou surpresa. – Eu não sei como irá reagir e também tem o clã Hyuuga... – ela disse nervosamente e Sakura entendeu bem o que ela quis dizer. O clã Hyuuga com certeza não iria aceitar bem essa noticia.
– Tudo bem, Hinata, eu não direi. – Sakura disse e se sentiu muito culpada de repente. Tinha violado todas as regras de ética médica ao permitir que Naruto assistisse aquela consulta. – Pode deixar comigo.
– Obrigada. – a Hyuuga disse suspirando aliviada.
– Caramba! – a rosada disse, encostando-se na cadeira alta de sua sala e sorrindo bobamente. – Eu vou ser tia! – ela disse e riu com a ideia. Hinata deu um pequeno sorriso. Hinata olhou de Sakura para a enfermeira, seu sorriso abrindo-se completamente. Naruto – ainda disfarçado de enfermeira – abriu um sorriso similar ao dela.
– Eu vou ser mãe. – ela disse baixinho e aproximando o rosto do de Sakura. – De um filho do Naruto-kun! – ela exclamou, as lágrimas de felicidade escorrendo por seu rosto. — Estou muito ferrada. – Hinata falou rindo.
– Aposto que ele vai ficar muito feliz em saber disso. – a “enfermeira” disse. Sakura o olhou. Era impossível não ver a felicidade em seus olhos, mesmo disfarçado.
– É... – Hinata afirmou, ficando séria de repente. – Não sei. – ela disse e Naruto ficou surpreso. Ela ainda tinha dúvidas? – Acho que ele está se envolvendo com outra pessoa. – ela disse e olhou para a “enfermeira” com os olhos angustiados. Naruto conteve o impulso de ir abraçá-la. Hinata desviou o olhar para baixo. – Não sei por que ainda me importo assim... Não é como se meu pai fosse nos permitir juntos... Não é como se eu fosse perdoá-lo, aliás. – Hinata divagou. – Não sei o que vou fazer. – disse a morena e Sakura agarrou uma de suas mãos, como que para dar apoio.
– Eu sei que não é fácil, Hinata. Mas você sabe que o Naruto precisa saber. – ela disse. Embora Naruto claramente já soubesse, não era como se Hinata soubesse que ele soubesse. Ele precisava ouvir dos lábios dela.
– Eu sei. – ela disse e suspirou derrotada. Mas acho que não posso contar ainda. Vou esperar uns dias... – ela disse baixando os olhos e Sakura assentiu olhando da Hyuuga para o loiro. Naruto assentiu minimamente, como que afirmando que teria paciência.
– Muito bem então. – a médica falou, soltando as mãos de Hinata e sorrindo. – Vamos ter que cuidar desse bebê. – ela falou sorrindo, sendo acompanhada por Hinata.
[...]
Pai. Pai. Ah, meu Deus. Aquilo só poderia ser algum tipo de piada. Naruto Uzumaki: pai. Não que ele não quisesse assumir o filho com Hinata, ou alguma coisa do tipo, mas... Pai?
Ele não poderia mentir: estava perdendo a cabeça de tão nervoso.
Mas Naruto teria que concordar: aquilo era tudo o que sempre quis. Ter uma família. Não acreditava que aquilo finalmente estava acontecendo. E ainda mais com ela. Ainda mais com Hinata. Naruto não acreditava que havia imaginado Sakura como a mulher perfeita. Talvez perfeita como amiga... Ou perfeita para o Sasuke. Mas Hinata? Hinata era tudo que sempre quisera. Linda, meiga. Gentil. E agora estava grávida de um filho dele. Não acreditava na sorte que tinha.
Naruto suspirou. Já fazia algum tempo que tinha deixado o hospital e agora estava voltando para casa. Olhou para o céu, relembrando tudo que Sakura havia dito mais cedo... Tudo que a médica havia dito era verdade, mas Naruto não pôde deixar de discordar de uma parte: Hinata não era como o céu. Ela era como o sol. E ele... Bem, ele era só o Naruto. Não era nada perto dela. Sempre seria dependente dela, assim como todo o seu mundo.
Avistou seu prédio ao longe. Imediatamente, pensou em como seria ter um lar com Hinata. Em como eles criariam o filho. Não seria uma casa muito grande, mas com certeza maior que o seu apartamento. Imaginou Hinata em casa, cuidando do bebê enquanto ele trabalharia em missões e voltaria cansado para casa, para o aconchego da sua família.
Sorriu ao imaginar a cena.
Ele sabia que estava sendo muito bobo ao imaginar aquelas coisas. De fato, muitas coisas ainda precisavam ser resolvidas. Hinata ainda não o tinha perdoado, por exemplo, e parecia que não iria tão cedo. Se é que fosse perdoar. Além do mais, havia também o clã Hyuuga, que nunca aceitaria o fato de que a herdeira e nova líder estivesse grávida de um homem que não fosse Hyuuga, mesmo que fosse ele.
Mas Naruto já havia decidido. Mesmo se Hinata não o aceitasse, mesmo que o clã não o aceitasse, ele iria participar da vida do filho. Não deixaria seu próprio filho crescer sem pai, não quando ele sabia exatamente como era difícil aquela situação.
Finalmente chegou ao portão do prédio. Automaticamente tirou as chaves do bolso e entrou, subindo as escadas em direção ao seu apartamento. Girou as chaves na porta de casa e entrou, ainda imaginando a vida em família.
– AH! – ele gritou, assustando-se ao perceber que não estava sozinho em casa. Suspirou ao perceber quem era. – Mas que droga, Chihiro. Como você entrou aqui? – o loiro perguntou abismado. Era só o que faltava.
– Usei a chave que você deixa dentro do vaso de uma planta, lá em baixo. – ela disse sorrindo para ele. – Vi você usar uma vez, quando esqueceu as chaves aqui. – Chihiro falou.
– Parece que vou ter que trocar as chaves da minha casa agora. Você está completamente maluca. – Naruto disse e suspirou, tirando as chaves do lado de fora da fechadura e colocando-as do lado de dentro. – Por que você não vai encher o saco de outro hein? – ele perguntou, irritando-se com a inconveniência daquela mulher.
– Ah, Naruto-kun, assim você me magoa... – ela disse aproximando-se dele e colando seus seios ao peito dele. Naruto a empurrou com força, fazendo-a sentar-se no sofá de forma desajeitada. – Nossa, que brutalidade. – ela exclamou e o olhou mais atentamente. – Apesar da minha presença, você parece até alegrinho. – ela disse sarcástica, sentindo ciúmes de quem quer que tenha provocado aquela felicidade no loiro.
– Pois é, para você ver que nem você vai estragar o meu dia. – ele disse indo em direção à geladeira. Encheu um copo com água.
– E posso saber o que aconteceu? – ela perguntou, sentindo mais raiva ainda.
– Não, não pode. – ele disse ironicamente, bebendo um gole da água e fazendo Chihiro bufar de raiva. – Mas sabe o que você pode fazer? – Naruto perguntou, sabendo que ia dar esperanças à garota. Chihiro levantou-se do sofá, indo em direção ao amado.
– Pode dar o fora da minha casa, o que você acha? – o loiro falou, colocando o copo na pia. Agarrou o pulso da loira e a guiou até a porta do apartamento. – E quando eu digo fora, eu quero dizer, para sempre. – ele disse e abriu a porta de casa, dando de cara com ninguém menos do que Hinata.
ALGUNS MINUTOS ANTES
Hinata saiu do hospital, nervosa.
Como afinal iria enfrentar seu pai, os conselheiros e todo o clã Hyuuga e dizer que está grávida de um homem que não pertence ao clã? E ao qual não é casada?
Sentiu vontade de vomitar, dessa vez de ansiedade. Como iria contar ao próprio Naruto? Ele não seria capaz de deixá-la desamparada, Hinata sabia muito bem disso, mas será que ela o queria por perto?
“Mas que tipo de pergunta é essa?” – Hinata ralhou consigo mesma. Era claro que Hinata o queria por perto. Mas tinha o seu orgulho. Naruto a tinha magoado muitas vezes e ela não sabia se poderia perdoá-lo. Talvez eles tivessem que aprender a conviver um com o outro, agora que teriam um filho juntos. Ou talvez não. Hinata não tinha certeza de nada.
Tudo seria tão mais fácil se os dois tivessem se acertado naquele hospital. Hinata sabia que ao lado de Naruto teria uma confiança que nunca tivera e que seria capaz de enfrentar o clã, seu pai e quem quer que fosse que ficasse no meio do amor dos dois. Poderiam então criar quantos filhos quisessem ter. A Hyuuga sorriu.
“Que sonho bobo...” – pensou ela, suspirando bobamente.
Mas a realidade, infelizmente, era outra. Naruto tinha outra, afinal. E tudo que Hinata tinha ouvido não passava de mentiras. Talvez Naruto não quisesse nada com esse filho, afinal. Hinata tremeu. Mesmo que não ficasse juntos, sem o apoio de Naruto, ela não iria a lugar nenhum.
Suspirou. Já próxima ao clã Hyuuga, Hinata tremeu, sem confiança. Talvez fosse melhor contar ao próprio Naruto antes de contar ao seu pai. Era melhor saber logo sua reação e se acostumar logo a ela.
“Talvez seja melhor...” – foi o que Hinata pensou, antes de virar as costas e ir à direção oposta. Ao apartamento do Uzumaki.
AGORA
Naruto encarou Hinata com o punho levantado como se estivesse prestes a bater na porta. Seu coração acelerou.
Hinata o encarou, surpresa por um instante. Olhou então de Naruto para a garota a qual ele segurava pelo pulso. Era ela.
Sentiu um gosto amargo na boca e se arrependeu instantaneamente de ter ido vê-lo. Era óbvio que ele não iria querer saber de nada que ela tivesse a dizer, mesmo que fosse em relação a um filho. Ele já estava em um relacionamento com outra pessoa.
– Hinata... – Naruto disse a encarando. Seguiu seu olhar e finalmente se lembrou de que Chihiro também estava ali. – Não é isso que você está pensando! – Naruto disse alto, fazendo Hinata olhá-lo novamente.
– Desculpe, eu não queria atrapalhar... – a morena disse baixo, sem forças para dizer mais alto do que aquilo. Seu coração falhou uma batida.
– Você sempre atrapalha, querida. – disse Chihiro acidamente e olhou para a morena com desdém. Hinata a encarou novamente com uma sobrancelha erguida. – Por que você não vai embora e me deixa aproveitar o dia com o meu namorado? – Chihiro completou e Hinata a encarou pasma.
– Na-namorado? – ela gaguejou sentindo-se completamente estúpida de estar ali com aqueles dois.
– Cala a boca, Chihiro. – Naruto praticamente rosnou para ela e apertou seu pulso com mais força. A garota gemeu de dor. – E cai fora da minha casa. – ele completou e a jogou com certa brutalidade para fora do apartamento. Não antes sem puxar Hinata para perto de si, para que Chihiro não esbarrasse nela.
– Mas que... – Chihiro começou indignada, mas não conseguiu terminar a frase, tamanho foi o ódio que lhe atingiu quando viu Hinata perto de Naruto e este com uma das mãos no ombro da morena. – Sai de perto, Hyuuga! – ela disse, puxando Hinata fortemente pelos cabelos. Hinata ficou muito surpresa para se defender.
Naruto olhou para a cena, abismado. Mas o que aquela maluca estava fazendo? Ela estava realmente agredindo Hinata? Na sua frente?
– Ai! – ele ouviu Hinata exclamar ao cair de joelhos no chão, quando a loira puxou seu cabelo forte demais.
Mas que droga era aquela? Quem aquela idiota pensava que era para agredi-la daquele jeito? Além de roubar o homem da sua vida, de estar em um relacionamento com ele, ela também queria agredi-la?
– Chihiro! O que você está fazendo?! – Naruto perguntou, mais como um rosnado. Estava pronto para separar as duas e dar umas boas bofetadas em Chihiro, mas parou no meio do caminho quando viu que Hinata havia ativado o byakugan.
“Pronto, fodeu.” – Naruto pensou antes de Hinata dar uma rasteira na loira que caiu no chão desorientada. Hinata finalmente havia se levantado do chão e estava com os cabelos – agora na metade dos ombros – livres.
– Quem você pensa que é para tentar me agredir? – disse Hinata em um tom muito frio, que Naruto nunca havia visto a morena usar. Não ousou dizer nada, apenas observou o desenrolar dos fatos. – Você acha mesmo que pode agredir a mim? A líder do clã Hyuuga? – Hinata perguntou aproximando-se mais da loira.
Ela nunca fora esnobe. Quer dizer, sabia muito bem a importância do clã Hyuuga para Konoha e o respeito que os Hyuuga tinham de todos, mas nunca foi arrogante. Mas aquela garota achava mesmo que ela ia baixar a cabeça? Ser humilhada e ainda manchar o nome dos Hyuuga por ser tímida demais ou evitar confrontos? Perder para uma civil? Bom, ela estava redondamente enganada.
Chihiro nunca havia visto o byakugan de tão perto assim. As veias saltadas ao redor dos olhos de Hinata e a ferocidade que via neles agora a assustara.
– Realmente não me importa se você está com o Naruto. Se é a namorada, noiva, esposa... Por mim tanto faz. – Hinata dissera. Não sabia como se atrevera a dizer tamanha mentira, mas não voltou atrás. Naruto se surpreendeu com suas palavras. – Mas se você ousar me tocar novamente... Se tentar me agredir novamente... Eu acabo com você. – Hinata disse ameaçadoramente. Chihiro sentiu seu coração falhar de medo e humilhação. Nem quando fora agredida por Sakura se sentira daquela forma. Mas dessa vez... Bem, dessa vez ela pôde sentir a veracidade das palavras de Hinata.
Mas, como a boa vagabunda que era, teve que revidar.
– É mesmo? Não me parece que uma garota fraca como você possa me fazer alguma coisa. – ela disse, tanto atingir o que sabia ser o ponto fraco de Hinata, já que Naruto, antes de dormirem juntos, sempre conversava sobre ela. – Não é como se você tivesse alguém para defendê-la, não é? Ninguém se importa com você. – ela disse. Os olhos de Hinata se arregalaram de surpresa e ela olhou imediatamente para Naruto, como se houvesse sido traída. De novo.
Então ele contou para ela.
Naruto engoliu em seco quando viu o olhar que Hinata lhe lançou. Era como se ele tivesse traído sua confiança ao contar aquilo para aquela mulher.
Mas ao contrario do que a lógica dizia – ou a antiga personalidade de Hinata – ela não foi embora, chorando, magoada, como uma garotinha fraca. Ela olhou novamente para Chihiro e sorriu, como se ela fosse uma tola ao pensar que aquilo iria atingi-la.
– Querida, se você pensa que vai me atingir com essas alfinetadas você está bem enganada. – disse Hinata, olhando para a garota. Lembrou-se de Neji há muito tempo, no exame chuunin. Viu-se imediatamente na garota caída a sua frente, mas dessa vez Hinata não seria ferida: dessa vez ela iria ferir. – Você age como se fosse muito superior a mim, mas não passa de uma mulher mal amada. Afinal, o Naruto-kun não quer nada com você não é? – ela disse, embora não soubesse realmente se isso era verdade. Mas resolveu jogar o mesmo jogo que Chihiro.
Viu a loira olhando dela para Naruto com um olhar ferido.
Então era verdade? Hinata se surpreendeu, mas não deixou transparecer.
– Você se sente usada e traída toda vez que o olha, mas não consegue largá-lo porque você está apaixonada por ele. – ela disse e viu os olhos da outra arregalarem-se e encherem-se de água. – Você o quer desesperadamente, mas ele não te quer. Porque a única que ele consegue ver sou eu. – ela disse, demonstrando uma confiança e uma certeza que não tinha. – Mas sabe de uma coisa? Toda vez que ele toca você, toda vez que ele beija você – disse ela, tentando não imaginar as próprias palavras – ele vê a mim.
– Cala a boca! – Chihiro disse e olhou para Hinata com o olhar feroz, mas completamente magoado. – Você não sabe do que está falando, Hyuuga! – ela disse e, pela primeira vez, Naruto resolveu se intrometer.
– Claro que sabe. – Naruto disse. – Eu venho te dizendo isso faz tempo Chihiro: eu não quero você. Eu quero a Hinata. – ele disse e a olhou de cima.
Chihiro engoliu o choro. Levantou-se do chão, encarando o byakugan ainda ativo de Hinata e depois os olhos azuis de Naruto.
“Tão lindo...” – a loira pensou. E tão inalcançável. Mas ela não era de desistir fácil.
– Como se você acreditasse mesmo no que está dizendo. – ela disse e os olhos de Hinata tremeluziram uma vez. A loira deu um pequeno sorriso. – Se acreditasse, vocês dois já estariam esfregando essa porcaria desse “amor” que dizem sentir um pelo outro na minha cara faz muito tempo. Mas ainda estão bem separados, não é? – ela disse e Hinata ficou sem ação. – Você pensa que é muito melhor do que eu Hyuuga, com esse seu jeito sonso e sem sal... A garotinha meiga e gentil do clã mais poderoso de Konoha... Mas ainda assim o Naruto transou comigo. Tocou a mim. E não importa se era em você que ele estava pensando. Não era você que estava lá. – disse por fim. Hinata olhou mais atentamente para ela. Era óbvio que essa era ultima cartada que tinha.
– Caramba, que te vê assim nunca iria pensar que você fosse uma vadia. – disse a Hyuuga e Naruto a olhou surpreso. Hinata tinha mesmo dito aquilo? – Não fale isso como se fosse motivo de orgulho, porque não é. Você é só uma substituta e não vai ser nada mais do que isso. – ela disse e viu Chihiro levantar a mão novamente, para agredi-la. Com o byakugan ativado, ela pareceu fazer aquilo em câmera lenta.
Mas Hinata não precisou intervir por si mesma. Naruto fez isso por ela.
O loiro agarrou a mão de Chihiro com força, machucando-a.
– Se você ousar tocar na Hinata – ele começou. – ela não vai precisar mover um dedo, eu mesmo acabo com você. – o loiro disse e Chihiro lhe olhou com uma súplica. – Acho melhor você ir embora. – ele disse e soltou a mão dela. Chihiro olhou para ele e depois para Hinata, virando as costas e saindo dali. Mas Naruto sabia de alguma forma, que aquilo não havia acabado.
O loiro suspirou e Hinata finalmente desativou o byakugan, pronta para se retirar também. Mas Naruto a segurou pelo pulso.
– Hinata... – ele chamou e sentiu o coração aquecer quando ela o olhou. Mas seu olhar estava magoado, como se Naruto não a tivesse traído de forma pior. E não tinha. – Eu juro que não estava acontecendo nada. – ele disse e ela o olhou curiosamente, incitando-o a continuar. – Ela invadiu minha casa e eu estava expulsando-a. – ele disse e riu de sua própria desgraça. – Parece que isso está ficando comum.
Hinata o observou, buscando sinais de alguma mentira. Mas seu olhar só estava cansado.
– Eu tenho que te dizer uma coisa. – ela disse, sem fazer nenhum comentário sobre o que aconteceu. O coração de Naruto falhou uma batida e ele olhou esperançosamente para a amada. Hinata enrubesceu. – Eu... Eu acho que você vai querer saber disso, embora não saiba como vai reagir... – ela completou e Naruto soube que ela ia falar sobre a gravidez. Viu Hinata baixar a cabeça e sorriu minimamente. Ele deveria saber que ele nunca iria abandoná-la. Infelizmente, parece que não sabia.
– Por que não entra e me conta? – ele sugeriu.
Hinata o olhou e concordou com a cabeça.
Aquela iria ser uma longa conversa.
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