Cidade dos Ratos
3 Se divirta no festival de São Roque!
Capitulo 3
“10 de Setembro de 1766”
“"Eu espero que São Roque ouça minhas orações, sinto que fomos abandonados nessa terra por Deus, espero que eu esteja errado."
18/02/1991 — Segunda-feira
Já tinham se passado duas semanas desde que conheci meus novos amigos. Os dias, que antes pareciam cinzentos, agora tinham ganhado cor. Eu vou perder muitos pontos de comportamentos, eu não paro de conversar com eles durante a aula.
Naquela segunda-feira, o assunto da escola era um só: o festival anual da cidade. Nem meus amigos falavam de outra coisa. Assim que me sentei, o Alefh veio correndo na minha direção.
– Você vai, ne, Aly?
– Você diz, no evento?
– SIIM
– Aa, não sei ainda.
– Poxa, vamoos, vai ser divertido lá vai ter vários jogos, brinquedos e comida.
Samantha veio logo se aproximando.
– E ELES VÃO SORTEAR O RATO DA SORTE!
Franzi a testa e disse — Um.. rato?
Thomas que sentava ao meu lado, ouvindo a conversa disse:
– Todos os anos eles sorteiam um rato, minha irmã ganhou um rato pelado três anos atrás, ele era muito feio.
– Para, eles são uma gracinha — disse Samantha
– Bem se você acha que um saco é fofo, quem sou eu para discordar — disse Thomas dando uma leve risada
– Relaxa Aly, esse ano eles devem sortear um rato “normal” — disse Alefh
– Vou pensar bem, eu ligo para vocês avisando que eu vou.
– Cara, metade da cidade vai estar lá, ce tem que ir. — disse Alefh
***
Ao chegar em casa me deparo com minha mãe.
– Oi, filho, como foi a escola?
– Foi bem, estou começando a gostar daqui.
– Que bom filho, sabia que você ia gostar. Vai mais tarde com a gente no evento?
– Vocês vão? Pensei que iam ficar em casa.
– Seu pai anda muito estressado com o trabalho e o Alex está ficando maluco para pode ir.
– Bem, eu vou com meus amigos se não tiver problema.
– Tudo bem, mas saiba que vou ficar te vigiando.
– Calma mãe, lá devem estar lotado de policiais.
– Cuidado em dobro nunca é ruim.
Acho que por todo mundo ir, eu deveria ir também, se não me arrependeria, pode ser bem divertido ainda mais que vou estar com meus amigos. Fui correndo para o telefone e comecei a discar o número de telefone da casa de Alefh.
– Ah, oi Ale, eu vou.
– SÉRIO? AEE CARA VAI SER MUITO DIVERTIDO.
– Onde você vão ficar esperando? e que horas?
– Vamos ficar na primeira barriquinha da entrada as 2h te esperando, bele?
– Beleza, a gente ce vê mais tarde.
– Atée
BIP
Logo que desliguei o telefone meu irmão ja veio correndo em minha direção, ele me deu um abraço e disse:
– Maninho, temos que comer tudo lá ta bom? O que você não for comer me dá!
– Calma aé carinha, vai ficar buxudo se comer muito.
– Mamãe, me disse que vão dar um ratinho, eu quero, eu quero. — disse Alex enquanto pulava de ansiedade.
– Tem um monte nos esgotos vou pegar um para você heh.
Alex fechou a cara e disse — Ahhh não, esse eu não quero não.
Após eu brincar com ele, ele se afastou e foi para o sofá.
– Coloca desenho!
– Ta bom, ta bom.
Coloquei um desenho para Alex e subi para o meu quarto.
O tempo foi passando e chegou 1h30, me arrumei rapidinho e desci para baixo.
– Ei, você já vai? — disse meu pai, segurando um copo de café na mão.
– Sim pai, vou encontrar meus amigos.
– Espera, vou pegar um dinheiro para você.
– Sério? obrigado pai.
Ele subiu em seu escritório e logo ele voltou com sua carteira. Ele me deu 10.000 Cruzeiros, quando peguei em minha mão eu disse:
– Caraca pai, muito obrigado, obrigado mesmo.
Ele botou sua mão em minha cabeça e disse -Por nada, agora vai se divertir vai.
Coloquei os cruzeiros no bolso e fui em direção ao parque onde aconteceria o evento, ao chegar lá tentei passar na catraca.
– Ei, garoto espera! Toma aqui seu número da sorte. — disse o funcionário.
– Número da sorte?
– Sim, para poder ganhar o rato.
Ele me entregou um papel — Tenha uma boa tarde e se divirta.
Eu recebi um número, era 616, será que eu ganho esse rato? Passei pela catraca e enquanto ia em direção a primeira barraca em busca dos meus amigos, fiquei me perguntando por que eles estão fazendo um sorteio enorme para apenas um rato bobo, como um rato pode dar sorte? Logo cheguei na primeira barraca e encontrei eles.
Alefh me viu de longe e começou a acenar, quando cheguei perto ele disse — OIII, ainda bem que você veio!
Thoma deu um tapa em minha mão – Eai cara — disse Thomas.
Samn estava com um grande sorriso. – AEEE Aly, sabia que você vinha.
– Oizinho Aly — disse Luiz.
– Oi galera.
– Vamos nos divertir velho, tem um monte de jogos aqui. — disse Alefh
Todos concordamos e fomos a procura de um jogo que todos queria jogar. Enquanto procurávamos consegui ver melhor como era o evento, o espaço era grande, nas laterais havia diferentes tipos de barraquinhas, para o meio havia um grande palco, havia um monte de pessoas fantasiadas passeando no meio das pessoas, as principais fantasias era de ratos e corvos.
Eu não parava de pensar sobre por que um evento sobre ratos. – Ei, ces sabem por que existe um evento para... comemorar ratos?
Alefh fez uma cara de dúvida. – Na verdade, nem eu sei, sempre foi assim sabe, desde que eu era criança essa festa existia. — disse Alefh.
– É... meu pai apenas me disse que antigamente as pessoas achavam que os ratos davam sorte e por isso comemoram isso, mas não sei se isso é verdade — disse Luiz.
Eu franzi a testa e disse:
Que troço esquisito.
Samn apontou para um cara vestido de rato e abriu um grande sorriso. – Gente, olha, olha.
Todos olhamos para o cara e então ela disse:
– VAMOS TIRAR UM FOTO COM ELE.
Fiz uma cara de confuso — Guê?
Ele pegou sua câmera e disse – Vai gente, para gente registrar esse momento.
Todos concordamos, afinal uma foto não ia matar ninguém.
Samn chegou de mansinho. – Eiii moço, podemos tirar uma foto com você?
...
Ele não respondia, ele estava parado e não mexia um centímetro sequer.
Samn cutucou o home – Moço??
Eu cruzei os braços e disse:
– Ei cara, se você não quer tirar uma foto apenas diga, não precisa ignorar a gente.
Samn tentou novamente chamar o Rato. – Por favor moço, tira uma foto com nós.
Ele continuou calado olhando fixamente para o nada. Sua fantasia parecia meio surrada e dele vinha um cheiro horrível de podridão. Deu para ver a felicidade de Samn sumir rapidamente.
Thomas e Luiz trocaram olhares confusos com a situação. Até Alefh que achava qualquer situação engraçada começou a achar estranho.
Comecei a me estressar e disse:
– AlOOOO? VOCÊ ESTÁ NÓS OUVINDO?
Luiz segurou em meus ombros – Calma Aly, vamos embora.
Thomas pegou na mão de Samn. – Vem, Samn, vamos tirar foto com outro rato.
O rato continuo quieto sem dizer uma palavra, seu corpo começou a se inclinar enquanto andávamos para longe, eu pensei: “que porra é essa, que cara estranho”. Logo começamos a reclamar.
– Que cara manê — disse Thomas.
Luiz andava abraçado com Samn — Pois é, que sem educação.
Alefh cruzou os braços – Como os caras contratam um cara assim, tenho dó das criancinhas menores.
Não dei muita bola, mas a Samn pelo visto não ficou muito alegre com essa situação. O sorriso de Samn sumiu rapidamente.
– Não se preocupa Samn, vamos tirar foto com outro. — disse Luiz tentando consolá-la.
– É Samn, deixa aquele bosta para lá. — disse Thomas
Alefh apontou para um rato enorme perto do palco – Olha lá, tem outro ali, aquele é até mais bonito que o outro heh.
Fomos até ele, ele usava um óculos escuros, boné para trás e correntes de ouro em seu pescoço.
– Ei Mc Ratão, podemos tirar uma foto com você? — disse Alefh
– MC RATÃO? HEHEH — riu Samn
Luiz abriu o sorriso após ver Samn rir. – Arrasou Ale.
Ele levantou os braços. – Ei criancinhas, claro que tiro sim!
Samn parou uma mulher aleatória e pediu para ela tirar a nossa foto. Samn finalmente voltou com seu sorriso, ela abraçou o Ratão, fiquei ao lado dele, ele logo me puxou para que eu pudesse abraça-lo também, Thomas cutucou Ale, para me ver abraçado o Rato. Alefh viu e começou a segurar o riso, Luiz ficou ao lado de Samn com um sorriso enorme pela Samn estar feliz de novo.
Ale abriu um sorriso de canto – Muito obrigado, MC Ratão.
– Por nadaa criançada, estou sentindo que vocês vão ganhar o rato da sorte esse ano ein.
Samn se afastando do abraço – Eu espero muito que sim heh.
Ele levantou a mão — Toquem aqui!
Batemos em sua mão e logo nós afastamos dele.
A barriga de Thomas roncava – Ai cara, estou morto de fome.
– Vamos na barraquinha de ratos fritos. — disse Alefh
Eu olhei perplexo depois de ouvir isso.
– O QUE? RATOS FRITOS?
– HEHEHE Estou brincando Aly, se tinha que ver sua cara HHE. — disse Alefh enquanto rachava o bico.
Todos começaram a rir.
– HEHEEHE Meu Deus Ale — disse Samn
Luiz botou a mão na testa e se inclinou para rir em silêncio — Muito bom Ale hehe.
Enquanto eles riam fomos em direção a barraca de comidas. Havia várias barracas de comidas, e todas tinha comidas em forma de.... rato? Que fetiche é esse meu Deus.
Samn pegou bolinhas de queijo, Luiz e Alefh pegaram Polenta com queijo, Thomas e eu pegamos uma porção de batata frita. Decidimos sentar em uma das mesas que estavam disponível. Quando no palco aparece um homem. Esse homem era o prefeito da cidade.
– Aló galeraaa, Bem vindos novamente ao nosso evento anual, em breve teremos nosso queridissimo sorteio do rato da sorte, agora fiquem com uma música para poderem aproveitar melhor.
Então de repente vem dois homens em nossa direção, um deles era meu pai! e o outro homem desconhecido segurava uma câmera.
Olhei confuso para meu pai e ao homem ao seu lado – Pai? O que ce ta fazendo?
Meu pai colocou a mão na testa – O jornal me mandou cobrir o evento.
– Ah.. então se esta trabalhando.
– Infelizmente, mas vim ver se vocês estão bem. Vocês tão se divertindo?
Thomas segurando um bloquinho de desenhos disse. – Heh estamos sim pai do aly
Samn sorrindo para meu pai disse – Hehehe Oiii pai do aly.
– Estamos pai... Cadê a mamãe e Alex?
– Eles estão por ai, preciso voltar para o trabalho, a gente se encontra em casa. Tchau galera!
Todos demos tchau e terminamos de comer, ficamos sentando conversando, Samn disse que estava quase na hora de sortear o rato, então decidimos esperar e ir depois nos brinquedos e jogos. Minha mãe e Alex, me encontram sentando e vieram até nós.
– Ahh, finalmente te achei Alysson. Ei pessoal!
Samantha acenou animada, Thomas apenas levantou a cabeça do caderno que estava em mãos, Alefh respondeu com um sorriso e Luiz deu um "oi" baixinho.
Alex me abraçou. – Oii irmãozinho.
Olhei para minha mãe. – Eai, andaram bastante?
Alex olhou para cima – Hehe, joguei vários jogos e comi um monte!
Cutuquei a barriga de Alex.. – Que bom hah!
Samn veio em direção ao meu irmão – MEU DEUS, esse é seu irmão?
– É sim...
Ela apertava suas bochecha – AI QUE GRACINHA! Ele é muito parecido com você Aly.
De repente, um som grave e estridente tomou conta do local, era o prefeito novamente, ele segura o microfone em uma mão e na outra uma gaiolinha com um rato dentro, ao seu lado estava uma mulher segurando uma caixa com apenas um buraco em cima.
Alex abriu um grande sorriso – É O SORTEIO MANINHO, É O SORTEIO.
Olhei para Alex e segurei em seu ombro – Se vai ganhar o rato carinha.
Samn me encarou e disse – EII EU TAMBÉM QUERO.
Ale dando socos no vento disse – Heh vai ter que disputar com o irmão do Aly Samn.
– Bem pessoal, finalmente chegamos ao horário do sorteio, todos receberam seu número certo? Quem não recebeu pode vir aqui na escada pegar um número e ja vamos começar.
A medida que esperávamos, senti algo mudar, cachorros presentes não paravam de latir para o palco, parecia que o vento soprava tão forte que dava para ouvir o som das árvores com suas folhas balançando e um leve cheiro ruim começou a subir, talvez seja o lixo das barraquinhas.
– Então acabamos pelo visto, o sorteio finalmente vai começaaar.....
Ele dizia em um tom de suspense enquanto girava a mão dentro da caixa. Ele finalmente pegou um número e pós sua boca ao microfone.
– O número..... é......
Depois de um suspense enorme ele finalmente disse. – É 616, O GANHADOR POR FAVOR VENHA BUSCAR
O que? Eu ganhei? Me levantei e a Samn percebeu na hora que eu era o vencedor.
Samn me deu um rápido abraço e disse – ALY? É VOCÊ? NÃO CREIOO.
– Luiz batia palmas. — Parabéns Aly
Ale dizia segurando o riso. – UUHUU Vai pode comer um rato frito de verdade, hein Aly?
Thomas parou de desenhar na hora – HHE Cara parabéns, estou chocado que você ganhou mano.
Alex me deu um abraço bem forte– ARRASOUUU MANINHO, EU VOU COM VOCÊ, EU VOU COM VOCÊ!!
Alex parecia bem mais animado que eu, ele pegou em minha mão e foi até em cima do palco comigo.
Ele pegou o papel de minha mão e disse — TEMOS UM GANHADOR.
Ele me olhou com um olhar sério – Parabéns....
Ele estendeu a gaiola e tentei pegar ela, mas ele não queria soltar, fiquei puxando, por que ele não solta a gaiola? Depois de um tempo de insistência ele finalmente cedeu e me deu a gaiola.
Olhei para ele com uma cara de confuso, e ele acenava para a multidão com um sorriso parecendo forçado... Ele me estendeu a mão para um aperto e um cara veio correndo tirar um foto. Meu irmão me olhava com uma cara super feliz e ansioso.
– Agora pode ir se divertir, rapazinho, que o rato te der sorte!
Assim que segurei a gaiola, o rato correu para o canto mais distante e ficou imóvel, encarando a multidão. Ele era branco com os olhos vermelhos. Desci as escadas e eu passava pela multidão, eu notei que todos estavam me encarando com um certo olhar de ódio, eu estava me sentindo desconfortável e logo me veio a cabeça: “Eles estão realmente putos por que ganhei um rato?” Finalmente cheguei até a mesa e botei a gaiola na mesa.
– HIHI QUE GRACINHAAA — gritava meu irmão.
– Caramba filho, você conseguiu mesmo — disse minha mãe.
Todos olhavam o rato dentro da gaiola. Ele parecia estar muito assustado e não saia do canto da gaiola.
Samn encarando o rato disse – EU QUERO APERTAR ELE.
Dando um riso de canto Thomas disse – Graças a Deus ele não é pelado Aly.
– Ufa mesmo, imagina ele parecer um saco heh — Alefh começou a rir em silêncio.
– Deixa eu tocar, deixa eu tocar — dizia Alex
Tirei a gaiola de perto do Alex – Melhor não, ele pode fugir.
Minha mãe olhou para Alex e disse – Filho está tarde acho melhor irmos embora
Peguei a gaiola e coloquei em meu colo– Mãe, cê tem como levar o rato com você? Vou ficar aqui mais um pouco e não posso ficar cuidando dele.
Antes que ela pudesse dizer algo, Alex pegou a gaiola em seus braços e o abraçou firmemente.
Alex indo embora disse. – Vamoooos mamãe.
Minha mãe acenou – Tchau galera!
Todos disseram “tchau” praticamente juntos.
– Hehe, qual vai ser o nome dele Aly? — perguntou Samn
Cocei minha cabeça tentando pensar – Ainda não sei, quando eu chegar em casa penso melhor.
Thomas se levantou – Agora agora que o sorteio acabou, a gente podia ir jogar algo.
Passamos o final da tarde e o começo da noite, jogando alguns jogos. Thomas perdeu várias vezes no jogo de argola, e Alefh ria toda vez que ele errava. Samn gastou quase seu dinheiro todo tentando pegar algum rato de pelúcia no jogo de jogar bola na boca do palhaço. Alefh e Luiz continuaram comendo, enquanto o resto do pessoal jogava. Eu tentei a pescaria e era muito fácil, acho que descobri um novo dom.
O sol logo se foi completamente, e Luiz veio até mim.
Luiz me cutucou – Você que ir embora? Está ficando tarde.
Eu olhei para cima – Ah.. pode ser.
Ele puxou minha mão – Então vamos.
Tínhamos marcado de ir embora juntos durante os jogos, afinal morávamos perto um do outro. Nós despedimos do pessoal, eles queriam que a gente ficasse mais um pouco porém estava tarde, e minha mãe ia ter algum ataque do coração ce eu demorasse para chegar.
***
Durante o caminho de casa, o clima estava mais calmo e gostoso, o vento frio da noite balançava as árvores e o silêncio da rua vazia era confortável. Logo eu e Luiz começávamos a conversar sobre um assunto mais sério. Com Alefh eu ria. Com Samn eu me distraía. Com Thomas eu sempre acabava ouvindo alguma piada. Mas, estranhamente, era com Luiz que as conversas pareciam durar mais.
– Gostou do dia, Aly?
– Foi incrível, é muito divertido passar o tempo com vocês.
– Heh, fico feliz em ouvir isso. Tem algum plano para o futuro?
– Bem, chegar em casa vou tomar banho e deitar na cama.
– Digo, sobre o que você quer fazer depois de terminar a escola.
– Eu não sei ao certo.... Eu queria muito cursar psicologia, mas sei lá... Acho que as pessoas só fazem para se ajudarem ao invés de ajudarem os outros, também pensei em seguir carreira militar, já que tenho um costume fácil com isso, mas acho que o que mais quero é focar em alguns hobbies.
– Heh, que legal, está meio indeciso, sei que você logo vai saber o que quer fazer.
– E você Luiz? O que gostaria de fazer?
Luiz deu uma virada no olhar como se estivesse com um pouco de vergonha – É meu sonho cursar medicina veterinária, sei que não demonstro adorar e amar animais igual a Samn, mas é uma área que sinto que vou me sentir bem, sabe.
Olhei para ele sorrindo – É realmente combina com você, acho que você seria um ótimo veterinário hehe.
– Pois é, sinto que os animais são mais puros e precisem de mais cuidados que os seres humanos. Vejo tanta desgraça nesse mundo causada por mãos humanas, eles não nós merecem...
Fiquei em silêncio, Luiz era o único que eu conseguia ter uma conversa mais séria.
Luiz coçou a cabeça – Hehe perdão o desabafo Aly, eu estou meio exausto de tudo sabe, eu... Só queria conversar um pouco entende...
Coloquei a mão em seu ombro – Não tem problema Luiz, eu estou aqui para o que você precisar, pode contar comigo para tudo.
Logo, chegamos a frente de minha casa.
– Você quer dormir aqui Luiz? Acho melhor do que você ir para casa sozinho.
Luiz olhou para o resto da rua – Não está tudo bem, tenho que resolver algumas coisas em casa ainda.
– Hum tudo bem então, até amanhã!
Luiz parecia cansado, ele olhava o fim da rua como se procurasse algo na escuridão, ele logo voltou seus olhos à mim e disse:
– Obrigado por me ouvir Aly, até amanhã...
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