Cidade de Alvorada
1 Sexta-Feira Santa – 1999
Lilian Mendonça, uma jovem de 18 anos está no auge da alegria. Passando da fase adolescente para a fase adulta. Focada nos estudos, boa filha, mas ainda uma adolescente no fim das contas... E como tal, teimosa.
Lilian gostava muito de ir a bailes, festas com amigos, shows, pagodes, tudo que envolvesse estar com amigos. Rir e se divertir era o seu lema: Lilian ia com tudo.
Na última sexta-feira santa do milênio, foi quando tudo aconteceu e Lilian descobriu que desafiar a crendice e a fé, às vezes pode ter um custo alto e sem volta.
Era dia 02 de abril de 1999, última Sexta-Feira Santa do Milênio. A avó de Lilian, Dona Maroca, estava com medo, muito medo. Para ela esse seria o dia em que as forças do mal estariam frenéticas para arrebatar almas, porque para eles, o prazer de roubar almas em um dia santo tornava tudo mais prazeroso.
Lilian, pela manhã, foi chamada por sua mãe, Marta, para ir até o centro da cidade comprar coisas para o almoço que sua avó estava preparando.
— Lilian! – chamou Marta
— Diga, mãe! – Lilian falou, já esperando a repreensão da mãe, sorrindo.
— Diga, não, senhora, viu garota! – brigou Marta com a filha, exatamente do jeitinho que Lilian sabia que ela faria.
— Diga, senhora mãe, o que desejas? – Lilian, ainda brincando com a mãe.
— Engraçadinha você. Vá até o centro da cidade comprar os últimos itens para o almoço que sua avó está preparando.
— Mas não dá para comprar aqui no mercadinho, não? – Lilian questiona.
— Não, porque aqui não vende a travessa que ela precisa para usar no forno – diz Marta
— Ok, ok, vou lá! – Lilian já se arrumando para sair rapidinho.
No centro da cidade, Lilian vai rapidamente até a loja que fecharia mais cedo naquele dia. Compra a travessa e corre para ponto de ônibus. Ela reparou em um homem vestido com um roupas escuras distribuindo uns panfletos para alguns jovens, e toda vez que os jovens se afastavam, ele dava um enorme sorriso. O misterioso homem começou a vir em sua direção e ela sentiu um arrepio estranho, mas culpou o vento frio que estava soprando naquele momento. Ele chegou perto e ela pode reparar seu rosto e viu que ele era um homem bem bonito. Pele bronzeada, olhos castanhos claros, sorriso branco e largo e um corpo forte e magro.
— Olá, moça, bom dia. – diz o homem.
— Bom dia. — Responde Lilian olhando por cima do mesmo para ver se seu ônibus vinha, deixando claro que não queria conversa.
— Moça bonita, olha aqui, – o homem sorriu e lhe estendeu o panfleto — quem sabe você consegue ir com alguns amigos.
Ele entrega o panfleto, dá uma piscadela e se afasta rapidamente.
Ela olha o panfleto e vê que é um convite para uma festa naquela noite em uma área afastada da cidade. O convite dizia que a pessoa em posse dele, poderia levar quantas pessoas quisesse. Lilian logo se interessou e já planejava chamar seu namorado, Douglas, sua amiga Ana e, logicamente ela estaria acompanhada por seu namorado Cristian. Estava contente e animada com a tão incrível festa, até porque se podia convidar quantas pessoas quisesse, seria uma festança daquelas. Só tinha um único problema...
— Ah, droga! Sexta-Feira Santa? Nunca que meus pais vão permitir, muito menos minha vó! – Lilian lamenta, e logo vê que seu ônibus se aproxima. Ela guarda o panfleto na bolsa, já pesando em uma maneira de convencer seu pai, porque se ele deixasse, ela iria com toda a certeza.
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