Cidade Luz - Fremione
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Fred caminhava distraidamente pela famosa Rua Royale observando sem grande interesse as vitrines das lojas de grifes de luxo dos trouxas. Aproveitaria que já estava no caminho e passaria na pâtissierie Ladurée, os melhores macaron eram dali, segundo sua cunhada Fleur... Um cheiro doce que lembrava baunilha invadiu seus sentidos assim que uma jovem trombou em seu corpo quase caindo, institivamente, passou seus braços ao redor da cintura fina para ajuda-la se equilibrar novamente.
— Excusez moi, monsieur. – A garota que usava uma boina vermelha sobre diversos cachos pediu desculpas, com timidez e leve curiosidade, ela olhou para cima, uma vez que o estranho era bem mais alto do que ela.
O ruivo arregalou seus olhos, completamente surpreso... Hermione Granger!
A morena alargou seu sorriso ao reconhecer o bonito homem que tinha a salvado de uma queda. Fred Weasley!
Então seus braços estavam ao redor dele e o apertava quase com desespero. Seu rosto estava encostado em seu peito ouvindo as batidas aceleradas do coração de seu antigo e tão estimado amigo. O bruxo levou uns segundos para corresponder o contato, porém, quando percebeu que aquilo era real e não outro devaneio seu, quase a esmagou entre seus braços.
— Nunca mais faça isso, Granger. – Brigou sem saber se gargalhava ou chorava por tê-la encontrado. — Não acredito que a reencontrei aqui. – Riu com algumas lágrimas descendo por seu rosto.
— Oh, Freddie! — A bruxa não se importou com o aperto possessivo em sua cintura ou com os rostos dos parisienses que lançavam olhares curiosos para o espetáculo que estavam protagonizando ali, simplesmente, enfiou seu nariz no terno que ele usava e aspirou a maior quantidade possível do perfume que tanto a inebriou no passado. — O que faz em Paris? Como está sua família? Vocês me odeiam? – Disparou, afoitamente, diversas perguntas.
— Negócios. — Explicou afastando-se suavemente para observa-la. — A família está bem. — Ele segurou, gentilmente, o rosto dela. — E ninguém a odeia, pelo contrário, nós sentimos muita saudade sua. — Encarou os olhos repletos de lágrimas que refletiam sua própria emoção.
Fred segurou a mãos dela na sua, pois precisavam conversar. Eles caminharam até as escadarias da Igreja Madeleine, a impressionante construção neoclássica similar aos templos gregos. A dupla se sentou nos degraus e sorriram mutuamente ainda impactados com o reencontro. Hermione tinha partido repentinamente alguns meses após a conclusão da guerra: não conseguia superar a morte de Harry Potter e o relacionamento instável com Ronald somente piorou tudo.
— Você está tão bonita. — Elogiou Fred com sinceridade. — Inclusive... – O ruivo estendeu a mão, Hermione se levantou ruborizada, incapaz de negar qualquer coisa para o Weasley que a girou com lentidão admirando cada novo detalhe da garota que tinha virado uma belíssima mulher. — Eu me enganei... Você está deslumbrante! – O bruxo afirmou. E ela estava mesmo: pele aveludada, cabelos longos e brilhantes, corpo curvilíneo e os olhos com o mesmo brilho que o cativou em Hogwarts.
— Só você mesmo. – Hermione não conseguia parar de sorrir. — Eu também exijo uma avaliação minuciosa sua. – Ele piscou, sedutor, girando em seu próprio eixo e quase desequilibrando naquela escada. — O Weasley mais bonito. – A bruxa bajulou risonha, bem humorada.
— A ausência da sua sinceridade foi dilacerante, docinho. – Comentou, convencido. — Para aonde você estava indo? — Indagou com curiosidade, já querendo descobrir cada novidade da vida dela.
— Eu sou dona de uma livraria, Magie des Lettres, então estava a caminho de lá. – Hermione revelou orgulhosa, verificando rapidamente seu relógio. — Você ficará até quando na cidade? — Estava quase atrasada e sua sócia ficaria irritada com ela, contudo no momento Frederick era mais importante.
— Eu ficarei por duas semanas. — Respondeu tocando a ponta do nariz arrebitado e sorrindo daquela maneira espontânea e aberta que praticamente obrigava a outra pessoa a suspirar e retribuir, pois os sorrisos Weasleys eram irresistíveis. Especialmente os de Fred — Ainda não acredito que isso é verdade... – Exclamou roucamente puxando-a para outro abraço saudoso.
— Eu senti a sua falta e de todos da família todos os dias, eu... — Hermione inspirou ansiosamente, sem saber como continuar aquele diálogo.
— Eu compreendo porque nunca voltou para a Grã-Bretanha, entretanto não entendo porque jamais escreveu ou mandou seu endereço. – O ruivo reclamou realmente aborrecido, seus olhos perdendo levemente o brilho.
— Poxa, você não tem noção o quão triste mamãe ficou com sua partida e como ela nunca perdeu a esperança de revê-la...
— Eu sinceramente sinto muito. — Encolheu os ombros, envergonhada. — Tudo foi tão doloroso: a depressão, a briga com Ron, eu... – Suspirou, com novas lágrimas represadas. — Não tinha coragem de enfrenta-los. O tempo passou e só foi ficando mais difícil... Eu não sabia qual a reação de vocês.
— Ronald se arrepende, aquela cenoura imatura... — Contou com um sorriso ligeiramente tenso. — Ron estava tão devastado na época quanto você. No entanto, Hermione, ele verdadeiramente te ama.
— Eu também, apesar de não romanticamente. – Não conseguiu evitar chorar, Fred limpou suas lágrimas com delicadeza. — Eu estava tão quebrada, fui tão culpada quanto ele pelo nosso afastamento... Todavia, ele sempre foi e será meu melhor amigo.
— Mione. – O homem segurou o rosto dela entre suas mãos. — Volte para nossa família... O seu lugar sempre permaneceu lá. – Sorriu calorosamente e beijou sua testa. — Não posso imaginar solta-la novamente e você desaparecer para sempre. — Confidenciou baixinho e a abraçou apertado.
E eles ficaram longos minutos somente desfrutando daquele contato carregado de diversos sentimentos.
Após quarenta minutos, a bruxa inglesa entrava apressada em sua livraria. Fred vinha atrás com as mãos nos bolsos e uma expressão de curiosidade quase infantil. Analisou com crescente encantamento o estabelecimento, tudo ali tinha a identidade de Hermione.
— Graças a Merlin! — Audrey exclamou erguendo seus braços, as feições impacientes. — Onde estava, Hermione? – Indagou.
— Eu reencontrei um amigo. — Explicou, corada, e apontou para o ruivo que segurava o riso.
— Fred Weasley essa é minha sócia Audrey Gauthier.
— É um prazer, Srta. Gauthier. — Fred beijou levemente a mão da bruxa e sorriu galanteador, no que Hermione revirou seus olhos.
— É um maravilhoso motivo para atrasar. – A bonita loira exclamou totalmente encantada pelo bruxo de cabelos flamejantes. — O prazer é meu, Sr. Weasley.
— Audrey, foco! – Brigou Hermione, levemente enciumada. — Os fornecedores já chegaram?
— Sim, apenas aguardando no escritório por ti. – Explicou ainda admirando o Weasley. Era um belíssimo bruxo, afinal.
— Hermione. – O ruivo segurou sua mão, sua atenção totalmente focada na morena. — Agora que sei onde trabalha, eu venho busca-la às 18h. — Avisou com um sorriso maroto. — Também tenho uma reunião para comparecer. — Ele piscou, tocando um dos cachos macios, seus olhos tinham um brilho misterioso que causava arrepios na jovem empreendedora.
— Estarei te esperando. – Sorriu tentando disfarçar o quanto estava mexida com a súbita vontade de mantê-lo perto, bem perto de seu corpo. Trocaram um último abraço. — Até mais, Freddie.
— Até mais, docinho. — Fred a beijou demoradamente no rosto, sua mão dando um ligeiro aperto na cintura, sorriu maliciosamente ao notar o rosto ruborizado. — Tchau, Audrey. – Acenou e aparatou.
Hermione se apoiou na parede mais próxima não confiando em suas pernas no momento... As mãos no peito, a respiração irregular, o coração acelerado, o rosto afogueado. Estudou o sorriso provocador da sócia que já deveria ter criado uma tremenda história em sua fértil mente... Como poderia convencer sua amiga que o lindo e bem-sucedido ruivo não a via dessa forma? Apesar disso, bem queria que ele a visse mais do que a ex-namorada do irmão.
— Se não pega-lo para você, eu farei isso. – Audrey provocou. — Agora vá trabalhar, chérie. – Piscou, divertida.
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