Era sábado. Rachel via a chuva pela janela. Preparava-se para encontrar-se com Finn. Olhava o guarda-roupa—nada—a cômoda— nada— tudo era imperfeito. Precisava achar seu casaco rosa choque. Era a única roupa que serviria naquele dia chuvoso. Não podia mais demorar, Finn estava esperando por ela. Rapidamente, pegou uma calça que não usava há meses e uma blusa qualquer, vestiu-se correndo e passou batom—vermelho.

Como chovia muito, pediu uma carona para seus pais. Hiram ofereceu-se para levá-la ao restaurante New Song, onde todo sábado havia uma competição de karaokê. O trânsito estava congestionado. Demoraram mais de meia hora e Rachel estava muito impaciente. Pensou em ligar para Finn, mas percebeu que havia deixado o celular em casa, por conta da pressa.

Quando chegou, deu um rápido beijo na bochecha de seu pai e desceu do carro com pressa. Será que Finn ainda estaria lá? Esperando por ela por tanto tempo? Ela entrou no restaurante e logo o viu, sentado em uma das primeiras mesas com um terno cinza e um buquê de flores vermelhas. Ela o abraçou com força, feliz por estar ali naquele momento com o amor de sua vida. Notou seu semblante preocupado e nervoso.

– O que aconteceu? perguntou Rachel.

–Nada. O que quer comer? ele indagou com a voz trêmula.

Ela sabia que algo estava errado. Finn estava nervoso, trêmulo e frio. Pediram uma salada verde e um bife para Finn. Durante o jantar, Rachel viu uma lágrima escorrer do canto do olho esquerdo de seu amado e perguntou:

–Finn, o que está escondendo? Por que você está chorando?

–Eu fui ao médico ontem.

–O que ele disse? O que acontece

–Primeiro quero dizer que te amo mais do que tudo e que você é a mulher da minha vida.

–Meu Deus, Finn! Eu também te amo! Você é tudo para mim! disse Rachel já em lágrimas.

–O médico disse, Finn gaguejou, disse que eu não tenho mais do que dois meses de vida.