Christmas Lights

2 Faixa 2: Verão dos infernos


Eu estava completamente bêbada e Hugo, meu cúmplice de sempre, dirigia o carro do vovô. Um Ford Anglia encantado para voar, mas cuja função havia sido desligada. Ele sabia que o estrago seria horrível caso eu enjoasse com as voltas ao redor do céu. Meu irmãozinho de repente havia se tornado meu irmão mais velho ao me resgatar do fundo do poço (no caso, um bar do mundo não-mágico). Eu chorava feito uma criança e naquela noite parecia mesmo o fim do mundo.

Ao estacionar no meu lugar favorito, uma hospedaria aleatória em Cornelia Street, Hugo fez a pergunta que já existia silenciosa por todo o trajeto.

― Quem fez você chorar?

― Ninguém, Hugo ― respondi, repousando a cabeça na janela. ― Eu estou chorando porque o destino é injusto, porque eu odeio mentiras e porque está muito, muito, calor!

Acho que essa última parte quase fez Hugo rir. Quase.

― Sim, está um verão dos infernos, Rose, mas isso não é o bastante para te causar uma tempestade de choro por quarenta minutos.

Quanto mais ele falava, mais piorava.

― Rose, se foi aquele filho de trasgo do Scorpius de novo…

― Não, ele não fez nada. Muito pelo contrário.

― Então o que foi?

― Hugo, eu quero ir embora. Pra qualquer lugar. Não aguento mais viver essa mentira todos os dias. Nunca gostei de ser uma bruxa, nunca gostei desse fim de mundo onde moramos, nunca gostei de ser a filha ou a sobrinha de alguém importante. Eu quero ser eu, Hugo, eu quero ser famosa por ser eu! Entende isso?

― Olha, Rose, não me leve a mal…

― Eu quero ser cantora, Hugo! É o que eu nasci para ser!

E veio o choro todo de novo. Hugo me abraçou e ficamos em silêncio por quase toda a noite, até ele finalmente me convencer a dormir.