Choices
1 Capítulo 1 - Um ano depois
Notas iniciais
POV Helena
Amanhã fará exatamente um ano que minha mãe tinha sido morta. Um ano desde que eu cometi o maior erro da minha vida, que foi deixar a vingança tomar minha alma. Um ano que tudo mudou.
As coisas não estavam indo nada bem para Griffen. Por conta da guerra, perdemos muito dinheiro, pois tivemos que ajudar as famílias necessitadas, mas esse não era o real problema. Os reinos aliados a nós estavam nos abandonando, tanto que só tínhamos contratos com Tíron e Promatéria.
Meu pai se recusava a me dizer o que estava acontecendo, e cada vez mais me excluía dos assuntos de Griffen. Arthur também não falava nada, de forma que eu sabia que os dois escondiam algo.
Somado a isso tudo havia a ordem de meu pai, a qual me proibia de voltar para a Terra. Ele alegava que eu devia esquecer esse mundo e me afastar do portal, e para não ter jeito de eu desobedece-lo, ele mandou soldados vigiá-lo vinte quatro horas.
Eu me sentia uma pessoa desonesta, pois prometi a Taylor e Lupa que voltaria se sobrevivesse ao confronto com Erik. Falando nele, aquele demônio agora apodrecia na cadeia, recebendo as piores torturas que um criminoso pode receber no reino.
Arthur foi muito nobre em não mata-lo, eu não teria feito isso oito meses atrás.
Ágata não deu mais as caras, e isso me preocupava. Ela era apenas uma adolescente de 13 anos que perdeu a mãe, assim como eu era ano passado, mas ela tinha um assassino como conselheiro.
Não conseguia entender a razão de ela ter fugido com Ryan, mas compreendia seu ódio por mim, afinal para ela eu tinha matado Morgana. E, mesmo contra minha vontade, muitas vezes eu me pegava pensando se realmente não tinha uma parcela de culpa na morte de minha tia. Talvez, se eu tivesse esticado um pouco mais o braço...
Não, eu não era culpada, não podia ficar carregando isso em minhas costas.
Balancei a cabeça, tentando clarear meus pensamentos e focar em Flora, a qual me mostrava diversas fotos de arranjos de flores.
— Senhorita Helena, o que acha dessas? – ela perguntou pela vigésima vez, agora apontando para algumas flores amarelas.
— Não sei Flora, ainda prefiro rosas negras.
— Mas Alteza, é o seu casamento, é preciso uma decoração alegre...
— E é possível ficar alegre em meio a todos esses problemas? – corto-a levantando-me de minha poltrona e indo até a janela – Tem certeza de que preciso ver as flores hoje?
Minha dama olhou-me com pena e negou com a cabeça.
— Claro que não Alteza, perdoe-me por insistir nisso, entendo que não esteja bem por... sabe... amanhã ser...
— O aniversário de morte de minha mãe?
— Sim.
— Eu estou bem Flora, mas não estou com cabeça para pensar nas flores que decorarão uma cerimonia que só acontecerá em sete meses. Por favor, deixe-me sozinha e, caso o encontre, traga Wolly para ficar comigo.
Ela assentiu e saiu de meu quarto, voltando pouco depois com meu cachorro nos braços. Abracei-o e permiti que algumas lágrimas caíssem assim que minha dama se retirou novamente.
POV Cameron
Mamãe estava brava comigo. Eu sabia disso pelo olhar que ela me dava durante o almoço. Não gostava de vê-la assim, mas será que ela não entendia a pressão que eu estava tendo?
Assim que me tornei rei já comecei a carregar os inúmeros problemas de Tíron nas costas, e eles eram muitos por conta da guerra. Havia muitos feridos e desabrigados, mas o dinheiro era insuficiente.
Decidi, aconselhado por meu conselheiro, a tomar uma medida drástica. Os pacientes de casos terminais não deveriam mais ser atendidos nos hospitais públicos. Sei que parece cruel, mas eles iriam morrer de qualquer jeito, e como rei eu devo salvar cidadãos que irão ajudar a economia de Tíron futuramente.
Grande parte do povo, principalmente os mais pobres, se revoltou. Fizeram algumas revoltas, mas meus guardas conseguiram controla-las. Mesmo assim, saber que meu povo não está feliz me incomoda, ainda mais não tendo o apoio de minha mãe.
Após fazer o decreto diante da imprensa, ela veio falar comigo, indignada com minha atitude. Defendi-me, dizendo que era o melhor para Tíron, mas ela retrucou, afirmando que eu estava seguindo o primeiro caminho apontado por Sebastian, meu conselheiro.
Odiei ouvir aquilo. Em outras palavras, ela disse que eu não estava tomando decisão alguma, e sim Sebastian. Discutimos e acabei dizendo que eu era o rei ali e ela devia acatar minhas ordens. Recebi um tapa como resposta.
Ela não fala comigo há um mês, e isso vem me machucando, como sei que ela também não gosta de estar longe de mim. Mas tentar convencê-la de que estava certo não iria adiantar, então teríamos que continuar assim.
Hoje de manhã o pai de Helena ligou-me e disse que precisava falar comigo urgentemente. Respondi que nos falássemos por transmissão de vídeo às 14 horas e meu “sogro” concordou. Estava curioso para saber o que ele queria, afinal não trocávamos muitas palavras (ele não gostava muito de mim) e Helena tinha dito que César estava agindo estranho há algum tempo.
Quando deu a hora dirigi-me até a sala de transmissão, um mordomo ligou o projetor enquanto eu me sentava na poltrona em frente à câmera. Em poucos minutos a imagem do Príncipe Regente de Griffen apareceu em minha frente.
César tinha uma aparência cansada demais para um homem de 35 anos, porém eu também não apresentava ter apenas 16, era parte do ofício de se governar um reino.
— Boa tarde Cameron. – ele cumprimentou com voz firme, aparentando preocupação. Ele nunca me tratou por majestade.
— Boa tarde senhor, o que queria falar comigo?
— O seu casamento com minha filha. – ele estreitou os olhos – Ainda não tivemos uma conversa sobre isso.
Aquela famosa conversa de sogros e genros... Merda.
— Quero ter certeza que ela será bem tratada em vossa companhia. Aliais, muito bem tratada.
— Senhor, tratarei Helena da melhor forma possível. Farei de tudo para que ela se sinta em casa aqui, e que a transição seja o mais tranquila possível.
— Ótimo, pois se ela reclamar de algo, qualquer coisinha mesmo, juro que corto sua cabeça fora. – arregalo um pouco os olhos – E, caso minha filha, não esteja... À vontade para consumar o casamento, não a force.
— Mas senhor, um casamento deve ser consumado para ter va...
— Pouco me importa, se tocar em minha princesinha sem o seu consentimento, vai se ver comigo! – ele exclama com raiva apontando o dedo para mim.
— Compreendo, não farei nada que ela não queira. – realmente essa conversa estava se saindo mais constrangedora do que pensei.
— Então estamos entendidos. – seu rosto, antes com expressão bravia, agora era sombrio – Agora nós temos que conversar sobre a segurança de Helena. Ela é uma alfa, e tem algumas coisas sobre esse fato que você deve saber...
POV Taylor
Incomodava-me não saber a razão daquele mal tempo que assolara Nova Iorque até dois meses atrás. Tempestades estranhas, ondas gigantes, tudo bem anormal parar humanos, mas para mim se tratava de uma divergência entre os deuses.
Eu, Hector e Karen, meus melhores amigos, fomos enviados para descobrir o que estava acontecendo, mas não conseguimos nada. O tempo voltou ao normal, mas eu ainda sentia que algo não estava bem.
Queria continuar a investigar, mas os pretores não concordaram, alegando ser algo apenas do interesse dos deuses.
Entretanto, não consegui ficar na minha e acabei fazendo pesquisas por conta própria. Acabei me ferrando por isso, pois alguns moleques da Primeira Corte ficaram sabendo e me denunciaram.
Agora estou aqui, catando merda de unicórnio como castigo por ter desobedecido meus superiores.
Pego mais um monte de cocô na pá para jogá-lo em um balde, quando ouço passos vindo em minha direção. Viro-me e vejo Karen parando na porta do estábulo.
Sorrio e caminho até ela, mas quando me aproximo ela faz uma careta.
— Eca! Fica longe, está fedendo.
— Para de frescura Karen, não tô nada.
— Tá sim, e não me responda Willians. – ela tira uma maçã de sua bolsa e a joga para mim – Coma, faz tempo que almoçamos.
Dou uma mordida na fruta enquanto observo minha amiga, que se fosse por mim seria muito mais. Não sou de me apegar a uma garota, já fiquei com diversas e sou considerado um cafajeste no acampamento, nada que afaste mulheres de mim.
Mas desde que essa brasileira chegou aqui, eu estou sentindo algo que não sei explicar. Ficamos amigos logo de cara, e para Karen isso parece ser o suficiente.
Pena que ela não pode saber o que sinto.
Na verdade, nem eu sei o que sinto.
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