Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura :)

No dia seguinte, Bella estava nas sombras novamente escutando Royce contar o plano aos seus homens de confiança e então dar suas ordens. Ele tomou os créditos e se vangloriou enquanto era saudado por toda sua astúcia e inteligência.

Tanto quanto a fez querer vomitar, ela não podia estar mais feliz pelo modo como as coisas estavam indo. Podia não estar mais lutando contra a maré, mas sabia exatamente qual era a onda certa para se deixar ser levada.

Sorrindo, ela saiu silenciosamente das sombras e foi para a cozinha procurar algo para comer.

Foi recebida com olhares de desprezo das mulheres que trabalhavam ali, mas já estava mais do que acostumada com esse tratamento por todos naquele lugar. Eles jamais a trataram com respeito ou um pouco de compaixão, mesmo quando chegou ali com todos os outros, sempre a olhavam com desdém e cuspiam comentários desagradáveis, como se fosse uma puta barata com alguma doença contagiosa. Assumia que no começo aquilo a magoava e não entendia o que tinha feito contra qualquer um deles para receber tal tratamento, mas agora não podia se importar menos, o que mais queria era distância daquele bando de miseráveis. E ela não pensava isso apenas por eles serem parte do Clã King, poderia ter dado uma chance se eles tivessem mostrado que a mereciam e que eram diferentes, mas eram exatamente como o senhor a quem serviam; ela não sabia se tinham ficado assim pelo tratamento que recebiam de Royce e por todas as dificuldades por quais passavam, mas eram todos cruéis e amargos, inclusive entre eles mesmos, mas principalmente com aqueles que não eram do clã. Nem os jovens, nem os velhos, nem as mulheres, não se salvava um – por ela, todos poderiam queimar na mesma fogueira até que passassem a queimar no fogo do inferno. Fogueira que ela mesma fazia questão de acender.

— O que você quer aqui? Não quero nenhuma puta imunda nessa cozinha. — a velha cozinheira ladrou.

— Então quem vai cozinhar para o senhor King e todos os outros? Quer dizer, se todas as putas imundas estão proibidas de entrar na cozinha, melhor começar a treinar os homens para a cozinha, não achas? — disse com seriedade e então sorriu zombeteira.

Adorou ver o rosto gordo e suado da cozinheira ficar vermelho de ódio, assim como todas as outras mulheres lhe ajudando. E todas olharam para a porta, ultrajadas ao escutar uma rouca risada masculina.

Bella sorriu ao ver Jacob ali parado, com uma saca de farinha sobre o ombro. Tinha escutado a pergunta da cozinheira e a resposta de Bella, agora fazia um péssimo trabalho para esconder o riso, mas com a diversão brilhando em seus olhos. Ele lhe lançou uma piscadela e carregou a farinha na direção da dispensa, no corredor fora da cozinha.

— Se achas muito engraçada não é, puta? — uma ajudante da cozinheira lhe perguntando.

— Hum... Talvez. — deu ombros e se aproximou da mesa de madeira no centro da cozinha, onde eles se dividiam entre cortar legumes e fazer massa de pão. Olhou para uma cesta com pão cortado no centro dela. — Só vim pegar um pedaço de pão e então levarei toda a minha graça para longe de vocês.

— E quem lhe deu permissão para isso? — a cozinheira perguntou cruzando os braços sobre os peitos. — Que eu saiba, não é permitido que os animais coma da nossa comida e muito menos na nossa mesa.

— Primeiro vocês não podem cozinhar e agora vocês não podem comer? — Bella arregalou os olhos e fingiu horror. — Vocês realmente deviam lutar por uma condição de existência melhor, senhoras.

O rosto dela agora pareceu tomar um tom de roxo, o que divertia Bella. Rapidamente se esticou sobre a mesa e pegou um pedaço de pão na cesta, não era fresco, mas servia, estava morrendo de fome.

— Sai já daqui, puta, não te quero infestando minha comida com sua sujeira.

— Então espero que vocês estejam tomando cuidado para não falar cuspindo sobre a comida ou o veneno pode contaminá-la. Se comida suja é ruim, imagina comida envenenada, não é mesmo? — riu e mordiscou seu pão.

Jacob voltou e parecia ainda mais divertido com os comentários dela.

— Isabella?

A voz de Royce a fez se enrijecer em seu lugar e engolir o pão rapidamente, lambendo os lábios para limpá-lo de qualquer migalha. As outras mulheres voltaram a fazer seus afazeres, enquanto Jacob parou na porta, desconfiado do que ele podia querer.

Bella queria gritar para que ele fosse embora, sabia como Jacob era e que ele iria falar ou tentar protegê-la se Royce avançasse e isso poderia lhe custar à vida.

— Sim, senhor? — se virou para ele e sorriu sem mostrar os dentes.

— O que está fazendo aqui?

— Uh, vim buscar algo que comer. — ergueu o pão. — Estava faminta.

— Claro. Miranda?

— Sim, senhor? — a cozinheira se aproximou rapidamente.

— Pegue queijo, maçã e pão fresco para Isabella, tudo do que comi hoje. — Royce mandou.

Bella fez um esforço para não engasgar com a própria saliva ou demonstrar sua surpresa. E todos pareciam estar da mesma forma, mas eles não mascararam sua surpresa a ordem do senhor.

— Que? Desculpe senhor, mas ela...

— Você está contestado minha ordem? — Royce rosnou estreitando os olhos para sua cozinheira.

— Claro que não senhor, eu irei providenciar agora mesmo uma bandeja com seu pedido para a... Isabella.

Bella olhou para a cozinheira e foi inevitável sorrir vitoriosa para o espanto em seu rosto vermelho e maneira como ela engasgou com seu nome. Quase riu, mas preferia fazê-lo quando Royce não estivesse por perto.

— Ótimo. E você, Janice, esquente água e prepare um banho em minha tina.

— Claro. Devo separar alguma roupa em especial para o senhor?

— Sim, pegue um dos vestidos claros do dia-a-dia que eram de minha mãe para Isabella e peça para alguma das mulheres que for boa com agulha e linha venha fazer os ajustes para que ela o use. E levem tudo para o meu quarto, onde ela estará.

— Cla-claro senhor.

— Ótimo. Vamos Isabella? — Royce lhe estendeu a mão.

Bella se deliciou mais um pouco com as caras de espanto e incredulidade no rosto daquelas mulheres idiotas. Como queria ficar sozinha com elas novamente, apenas por alguns segundos pra poder cantar sua vitória.

Mas então seus olhos foram para a porta... E Jacob ainda estava lá.

O ar ficou preso em sua garganta e o sorriso desapareceu de seu rosto. Jacob encarava tudo com horror e nojo. Seus olhos arregalados pareciam exigir uma explicação, mas sua boca entreaberta mostrava que estava sem palavras. Parecia que tinha tomado um tapa na cara... Ou descoberto uma grave traição.

— Isabella? — Royce a chamou novamente, desconfiado.

Bella engoliu seco e tentou ao máximo dizer o quanto sentia muito com seus olhos, então se virou sorrindo novamente e tomou a mão de Royce.

Sem soltar sua mão, Royce a levou novamente para sua câmara, sob os olhares perplexos, curiosos e confusos de todos por quem passavam. Ele fechou a porta e ficaram sozinhos, esperando que suas ordens fossem cumpridas.

— Por que está fazendo tudo isso? — ela perguntou o mais suave possível.

— Você está reclamando?

— Não. Muito pelo contrário, senhor, eu sou muito grata pelas graças que estás me oferecendo, só... Pegou a mim e a todos os outros de surpresa, devo dizer.

— Eu sei. Seremos motivos de fofoca, mas eu não ligo. Eu sou o senhor desse maldito lugar, eles me devem obediência e respeito. E você deve me ser grata mesmo, porque poucas têm a honra de me servir e ser servida por mim. — Royce se aproximou e segurou seu queixo, acariciando com o dedão. — Estou te mostrando que sei agradecer aqueles que me servem bem. Você me foi muito útil, querida. Continue assim e só tem a lucrar com isso. — ele beijou seus lábios suavemente e deslizou a mão para seu pescoço lentamente, então o apertou usando as duas mãos.

Ela ofegou de surpresa e arregalou os olhos, enquanto era sufocada.

— Royce... — balbuciou, agarrando os pulsos dele para que soltasse.

— Minha gratidão se vai tão rápido quanto chega. Nunca se esqueça disso, Isabella. Se você me trair, eu te mato. — a soltou.

Bella cambaleou para trás, tossindo duro e esfregando seu pescoço, ofegante.

— Senhor Royce? — duas batidas na porta chamou atenção de Royce.

Ela deu as costas e continuou esfregando o pescoço, tentando controlar suas lágrimas. Não iria chorar na frente dele e nem na frente de quem estava trazendo sua comida.

Uma das coisas que tinha aprendido em todo o tempo presa naquele maldito clã é que demonstrar fraqueza ou dor na frente deles, um bando de porcos sádicos, era dar prazer a eles – viam suas lágrimas e sorriam. Já tinha cometido esse erro antes, agora se recusava piamente a isso, nunca mais. Então respirou fundo, mascarou qualquer emoção com um olhar superior e arrogante.

Uma das serventes da cozinha entrou e colocou a bandeja com a comida sobre a cama, fez uma pequena à reverência a Royce e saiu do quarto, então uma nova mulher entrou com um vestido salmão no braço.

— Meu senhor, deseja que prepare o banho de Isabella agora ou depois que ela terminar de se alimentar? — Janice, a mulher segurando o vestido, perguntou.

— Isabella está aqui, se é a ela que vais servir, é a ela que deves perguntar. — Royce disse com desdém.

Bella abafou uma risadinha colocando a mão sobre a boca, mas ficou sorrindo. Encarando a mulher com um sorriso, esperando que ela perguntasse. Até que isso era divertido.

— A... — Janice pareceu engasgar, então respirou fundo e recomeçou: — A senhorita prefere que prepare seu banho agora ou quando terminares de comer?

— Agradeço sua preocupação comigo, mas coloque o vestido sobre a cadeira, vou comer primeiro. — Bella disse zombeteira.

— Claro, senhorita Isabella.

Com óbvio desgosto, a mulher colocou o vestido dobrado na cadeira, fez uma reverência e saiu da câmara. Quando a porta foi fechada, Bella não resistiu e soltou uma gargalhada.

— Gostando de causar mal estar em meus servos, Isabella? — Royce perguntou com uma sobrancelha erguida, obviamente se divertindo com a situação tanto quanto ele, mas puramente por se satisfazer com o sofrimento, mesmo que de pessoas de seu clã.

— Digamos que eles tiveram muito prazer com o meu mal estar, acho que posso me divertir um pouco com o retorno. — deu ombros e foi para a cama comer.

— Que seja, tente apenas não causar problemas. Eu tenho algumas coisas para resolver com meus homens, então quando terminar de comer, apenas mande para que levem a bandeja e chamem as mulheres para arrumar o vestido e preparar seu banho.

Antes que ele saísse da câmara, Bella o chamou.

— Será que posso pedir para que Sue e Leah arrumem o vestido e preparem meu banho? Por favor? — pediu suavemente.

— Só porque eu estou deixando você comer e vestir algo melhor do que esses trapos não quer dizer que vou deixar que o resto da corja venha para dentro do meu castelo também, Isabella, mesmo que a escória seja sua família. — Royce rosnou.

— Eu sei, eu sei. — ela se levantou rapidamente e foi para perto dele. Pousando as mãos sobre seu peito, manteve os olhos dóceis nos dele. — Eles não são minha família e nunca foram. São apenas nômades que meu pai abrigou no castelo e deixou ficar por algum tempo, nada mais. Mas eles gostam de mim ao contrário das pessoas do seu castelo, então prefiro que eles cuidem de mim, por favor. E eu não quero que as mulheres do seu castelo algumas das... Marcas que você deixou em mim. Já teremos muitas fofocas ao meu respeito sem toda a especulação que isso pode levantar. Por favor, Meu Senhor. — sussurrou.

— Eu nunca tinha percebido o quão bonita você é, querida. — Royce disse olhando seu rosto, acariciando seu queixo com o dedão. — Como um anjo.

— Obrigada. — sorriu timidamente, como se estivesse envergonhada com o elogio.

— Se isso fizer você se sentir mais confortável, vou ordenar que chamem Sue e Leah pra você.

— Obrigada, meu Senhor. — sorrindo, ergueu a mão lentamente e acariciou a bochecha de Royce. — Não vejo a hora de poder mostrar toda minha gratidão ao senhor.

— E como você pretende fazer isso?

Erguendo-se nas pontas dos pés, Bella beijou os lábios dele lentamente.

Royce sorriu.

— Meu tipo preferido de agradecimento. — agarrando a cintura dela, ele empurrou a língua em sua boca e a beijou com força. Encerando o beijou com uma mordida, ele segurou seu rosto entre as mãos. — Apenas diga-me se alguém fizer ou disser alguma coisa que a faça desconfortável, querida. Você agora é minha e eu matarei quem te tocar.

Lentamente, Bella sorriu. Ele beijou sua boca novamente antes de deixá-la sozinha.

Quando a porta se fechou novamente, ela voltou para a cama limpando a boca e sentou junto a sua bandeja. As lágrimas se formaram rapidamente em seus olhos.

. . . . .

— Eu não sei o que você pensa ter visto, mas só pode ter entendido errado, Black, porque a Bella jamais iria nos trair dessa maneira. — Leah rosnou depois que Jacob contou tudo que tinha visto na cozinha.

Assim que viu Isabella ir com King, Jacob sentiu vontade de vomitar e saiu o mais rápido que podia daquele castelo.

Terminou seus afazeres e voltou para o casebre onde moravam e, aproveitando que estavam todos ali, contou a história.

Ninguém disse nada até que terminasse então Leah defendeu a amiga. Ninguém queria acusar ou acreditar na traição de Isabella, mas o que Jacob tinha visto era suficiente para questionar sua fidelidade.

— Eu sei o que eu vi Leah. — Jacob cuspiu as palavras, com desprezo e nojo enchendo sua voz. — Eu vi a Isabella sendo tratada como a senhora do castelo pelo demônio, então pegar a mão dele e ir de bom grado.

— Deve ter alguma explicação, Jacob! — ela insistiu. — Você conhece a Bella tão bem quanto eu e sabe que isso não pode ser possível, tem que ter alguma explicação.

— Oh, deve ter mesmo. — Paul zombou com escárnio. — Ela vai abrir as pernas para o senhor e garantir a própria segurança.

Furiosa, Leah se virou e jogou o braço contra Paul, acertando um forte tapa direto em sua face.

— Cala a boca, seu idiota! Você não tem ideia de tudo que a Bella já fez pra sobreviver e pra nos manter vivo! Ela sacrificou mais do que você jamais poderá imaginar, então lava a boca antes de sujar a honra dela!

Paul ofegou de raiva e apenas duas coisas o impediram de avançar em Leah – primeiro: Rachel ao seu lado, segurando e afagando em seu braço; segundo, ele não batia em mulheres, muito menos uma que era de sua família, mesmo que não compartilhassem o mesmo sangue.

— Parem com isso agora mesmo! — Sue disse firme. — Nós somos uma família, se lembram disso? Só temos a nós mesmo e por isso temos que permanecer unidos, acreditar um nos outros, defender uns aos outros. E isso incluí a Bella. Não vamos julgar ou condenar antes de ouvir a versão dela dos fatos, vocês estão me ouvindo?

— Sim, senhora. — os três disseram juntos.

— Bom.

— E então, qual poderia ser o motivo pra Bella ir assim com o Royce? — Paul disse sem nenhum sarcasmo em sua voz, apenas curiosidade.

— Eu... — Leah suspirou. — Não sei. Mas... Ela é minha amiga, minha irmã, eu não vou condená-la sem antes ouvir seu lado.

Duas batidas forte – que na verdade foram dois chutes – na porta os interromperam e então um dos soldados do Royce entrou.

— O que você quer? — Jacob rosnou.

O soldado o ignorou e olhou para Sue:

— Você vem comigo, velha, o senhor exige sua presença.

— Tudo bem.

— Eu vou também. — Leah disse prontamente.

— O senhor disse a velha, não você. — o soldado rosnou.

— A minha mãe não vai a lugar nenhum sem mim. — Leah rebateu firme.

O homem pareceu pronto para discutir, mas então apenas deu as costas e saiu do lugar. Sue e Leah foram logo atrás.

O soldado as levou para dentro do castelo sob os olhares de todos os membros do Clã e então subiram pelas escadas de pedra, pelo corredor escuro, até chegarem à câmara de Royce.

O soldado abriu a porta e apontou para que entrassem, ficando do lado de fora. Leah franziu o cenho, mas não disse nada.

E o que viu ali doeu mais do que qualquer um dos tapas que tinha recebido de Royce ou das humilhações que aguentava calada pelo bem de sua mãe e seu irmão. Bella estava sentada na cama de Royce, com uma bandeja a sua frente e tomando seu café da manhã.

— Então era verdade o que o Jacob disse... — Leah disse com nojo estampado em seu rosto franzido e engoliu seco. — Como você pôde?

Bella se levantou, limpando as mãos no vestido.

— Leah...

— Esse desgraçado matou o meu pai. — vociferou furiosa, mantendo a voz baixa apenas pra que o soldado de Royce não a escutasse. — E matou o seu pai também ou você se esqueceu disso? Como você pôde?

— Leah...

— Eu tenho nojo de você. — Leah murmurou com a voz quebrando no final. Mais do que raiva ou nojo, tinha dor em seu rosto e nas lágrimas se formando em seus olhos. Enxugou os olhos com as costas da mão com violência. — Vai pro inferno, Isabella.

Bella encarou Leah sair do quarto furiosa e então se virou para Sue. A mulher mais velha não disse nada, não expressava nojo ou raiva, mas ela podia ver o julgamento em seu rosto.

— Sue...

— O senhor King exigiu minha presença e aqui estou para servir. — Sue disse friamente. — O que desejas?

— Sue, por favor... — pediu baixinho com as lágrimas ardendo atrás de seus olhos.

— Isabella, eu não quero discutir ou te julgar, até porque eu nunca fui de fazer isso, acho que sua cabeça deve ser a sua sentença. Então, só quero realizar minha função e sair do castelo.

Bella abriu a boca pra falar, mas parou.

— Tudo bem. Eu... — respirou fundo e deu as costas para Sue, aproveitando para enxugar os olhos ao mesmo tempo em que caminhava para os vestidos. — Preciso que você arrume esses vestidos para o meu tamanho. Tenho alfinetes, linha e agulha aqui.

— Certo. Os vista para que eu marque o seu tamanho. — Sue disse e foi fechar a porta da câmera.

Bella se despiu silenciosamente. Teria vergonha de fazê-lo na frente de qualquer um pelas marcas deixadas por Royce, mas não por Sue, sabia que ela jamais iria julgá-la. Vestiu o primeiro vestido; ele era vermelho e feito com tecido nobre cheio de detalhes em pedras brilhantes, sua manga indo até seu cotovelo e um decote em U. Ele ficava perfeito no cumprimento, mas largo nos seios, cintura e braços, então Sue veio marcar com os alfinetes para que soubesse onde teria que costurar.

Sue não disse nada e não ergueu os olhos pra cima enquanto colocava os alfinetes cuidadosamente para não machucar Bella e isso era o que mais torturava. Claro que a raiva de Leah era difícil, mas o silêncio condescendente de Sue podia ser ainda pior. Tentava manter o controle da respiração e erguia os olhos para o teto a cada segundo para não começar a chorar, como gostaria.

— Sei que o que você está pensando. — Bella disse.

Sue ergueu os olhos, encarou-a por alguns segundos e voltou a olhar seu trabalho.

— Não, você não sabe.

— Eu sei. Você deve estar pensando que o traí vocês, que mudei de lado e que me vendi para Royce por um pouco de conforto.

— Não, criança. — Sue olhou em seus olhos. — Eu estou pensando o que há de tão importante que te faça abandonar seus princípios.

— Nossa liberdade, Sue.

Sue não respondeu, continuando a arrumar seu vestido.

— Pronto, terminei. Tire e coloque outro vestido para que eu marque.

Bella não disse nada, tirou o vestido com a ajuda de Sue pra que não soltasse os alfinetes e colocou outro. Era no mesmo estilo, só que amarelo. A mãe de Royce devia ser alguém que gostava de luxo e coisas chamativas, Bella detestava aqueles vestidos. E Sue voltou a marcar o vestido com alfinetes.

— Sue? Sue, olha pra mim.

Sue hesitou, mas ergueu o rosto. Bella segurou suas mãos, mesmo que ela segurasse um palheiro com alfinetes também.

— Confia em mim, por favor. Diga aos outros que eu não os traí, Sue, eu só... Eu não posso mais viver assim. Confia em mim e peça pra que eles confiem também.

— Jogo perigoso esse que estás jogando, Isabella, espero de coração que saiba que o está fazendo e que não se arrependa no futuro.

Bella não respondeu. Sabia que era perigoso, mas era a única solução. Não tinha medo de morrer lutando, tinha medo de morrer sem nem ao menos tentar.

Podia cair, mas no caminho iria libertar a todos e arrastar Royce com ela.