Choices
1 Prólogo.
Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=QygQ-wi6vb4
Aqualung & Lucy Schwartz – Cold
Held between heaven and hell...
Aquela era a melhor câmara de todo o castelo, sob ela estava uma confortável cama com lençóis de seda, mas ainda preferiria estar em uma pequena choupana miserável do naquele lugar. Ainda deitada, ela juntava forças para se erguer.
Grandes lágrimas desciam rapidamente por seu rosto, enquanto a dor cobria seu corpo e a humilhação impregnava seus restos. Mordia o lábio inferior para não soltar nenhum ruído, mas ainda sentia a garganta arder por todos os gritos estridentes que rasgaram sua garganta nos últimos minutos enquanto implorava por clemência ao seu carrasco. Quando conseguiu se erguer e sentar, engoliu um gemido e um grito pela dor entre as pernas e o sangue que a manchava. E por mais que lhe enojasse a maneira que ele a olhava, não havia mais razão para esconder sua nudez, nem tinha forças para isso.
De costas, ele vestia suas calças sobre as ceroulas e então se virou, amarrando o laço dela. A dor e a humilhação no rosto dela o fizeram sorrir. Um sorriso perverso, diabólico.
— Não sei por que está chorando, devias se sentir orgulhosa e agradecida de ter a chance de poder servir ao seu senhor, querida. Putas melhores não tiveram essa chance. — ele zombou antes de gargalhar.
Ela não disse nada, se esforçando para controlar os soluços do choro que se acumulavam em sua garganta, mas sem conseguir controlar a água salgada que parecia inundar seu rosto. E finalmente conseguiu forças para puxar o cobertor da cama e segurá-lo sobre seu corpo nu. Fechou e apertou os olhos, implorando para que aquilo acabasse e pudesse se limpar. Ou morrer.
Não sentiu o tempo passar. Mas aquilo não sentia como uma novidade, nos últimos tempos tudo parecia estagnado no pior momento possível. Ela sentia como se tivesse acabar por uma grande tempestade, a pior de toda sua vida, aquela que destruiu e arrasou tudo por onde passou – e ela passara exatamente sobre sua vida –, agora estava na calmaria pós-tempestade, mas o problema é só tinham restado um grande rastro de destruição – todos os destroços de sua vida. O tempo agora parecia passar rastejando e zombando dela.
— Vou comer alguma coisa e você, saia da minha cama e essa limpe sua bagunça repugnante. — ele disse com desprezo
Ao ouvir sua voz, ela lentamente abriu os olhos e ergueu sua cabeça. E todas as emoções desapareceram de seu rosto por alguns instantes. A mistura de desespero e dor se transformou em um quadro branco.
— Você vai pagar por isso. — ela sussurrou.
Mas foi alto suficiente para que ele ouvisse e erguesse uma sobrancelha.
— Oh, eu vou? — zombou e sorriu com escárnio.
E o rosto dela se enrijeceu ao se transformar em um quadro raivoso, com os dentes cerrados e a mandíbula tão rígida que quase chegava a doer. As lágrimas voltaram a se formar em seus olhos, mas dessa vez era de puro ódio. Ignorando os protestos de seu corpo e a dor, ela deixou o lençol na cama e se arrastou para fora dela. Estava suja e se sentindo suja da pior maneira. Seu corpo estava cheio de marcas e lacerações, fluídos corporais e sangue. Suas pernas estavam trêmulas e tinha certeza que andava de maneira estranha, mas se aproximou lentamente.
Os olhos dele estavam brilhando na mais pura maldade, mas ela não recuou.
— Você está feliz, vitorioso e orgulhoso de si mesmo agora. Está se sentindo em um lugar alto, que lhe da à sensação de que nada pode te atingir e muito menos te derrubar porque você tem poder, muros e um exército. — sua voz estava rouca por seus gritos anteriores, mas dura e firme. — Você apenas sorri e aproveita o gosto doce de sua boca rindo daqueles que derrubou. Mas sabe o que? Eu já estive ai... E olhe onde estou agora... Sou o maior exemplo de como as coisas mudam. E um dia as coisas vão mudar e então... Você irá cair. Sua felicidade se transformará em dor, sua vitória se transformará em derrota, seu orgulho se transformará em humilhação e sua boca vai amargar com o gosto de sangue. Você vai se lembrar de tudo que fez e vai saber exatamente porque merece tudo que lhe acontecer.
Ele estava se sentindo obviamente afrontado e tentou lhe calar com um bofetão. O estalo ecoou pelo lugar, enquanto a dor e ardência ecoavam em seu rosto. Ela ficou com a cabeça de lado por alguns segundos segurando o lugar, respirou fundo e engoliu a saliva cheia de sangue. Ignorou a dor e ânsia que o gosto ferroso do sangue lhe causou. Olhou os próprios dedos e o viu o sangue brilhar neles e então voltou a encará-lo. Ele ofegava furioso com sua resistência e petulância.
— Essa é só mais uma pequena coisa para a sua grande dívida comigo e ela já está enorme. Quem bate esquece e você pode até esquecer, mas quando você estiver caído, implorando por sua vida, você vai se lembrar disso. Você vai se lembrar de mim, minhas lágrimas, meu sangue e minhas palavras... E então você saberá que sua dívida está paga.
— Isso é uma ameaça? — ele rosnou.
— Não, senhor, é uma previsão do inevitável resultado de suas escolhas. Seu destino.
...What you are given can't be forgotten.
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