Choices
2 Primeiro.
Notas iniciais
Há um ano...
Era fim de tarde e o céu escurecia enquanto Isabella caminhava erguendo o vestido puído para não sujá-lo no chão lamacento do vilarejo que rodeava o castelo do Clã King.
Odiava aquele lugar com todas as suas forças, o único lugar no mundo que devia odiar mais era o interior do castelo. Mas no geral, odiava tudo e qualquer coisa que lhe remetesse aos King.
Aquele era um dos Altos Clãs das terras médias – como chamavam as terras entre as planícies e as montanhas. Aos olhos dos outros clãs espalhados por Volterra, os King ainda era um clã rico e importante, mas quem fazia parte dele e vivia aquela realidade sabia que o lugar viva de passado e aparência.
Dentro dos muros, restava apenas algo que parecia um vilarejo fantasma, pobre e caindo aos pedaços, parecendo estar sempre sob uma áurea sombria e melancólica. Todas as construções eram feitas de pedras, madeira e palha; desde as pequenas cabanas e choupanas onde alguns moravam até os estábulos e galpões. Não podia negar que até o castelo parecia velho e desgastado, mas aquela área era ainda pior, parecendo ter sido uma zona de guerra ou os restos de um grande incêndio.
Eram apenas cinzas do que tinham sido em seus dias de glória, quando Royce King I era o senhor do lugar.
E uma única choupana, na menor e mais pobre, a última das casas, era usada de abrigo para os sobreviventes do Clã Swan.
Sem contar com Isabella, eram quatorze sobreviventes; uma anciã, cinco mulheres, quatro homens e quatro crianças entre cinco e dezesseis anos – de um enorme clã de quase quinhentas pessoas. O lugar era de apenas um cômodo com uma pequena janela na lateral e a porta, tudo que tinha dentro era o que os sobreviventes tinham conseguido trazer durante a mudança forçada para as terras dos King.
Fazia seu coração doer só de se lembrar de como viviam antes, quando faziam parte do Clã Swan. Seu pai e senhor do clã, Charlie Swan, tratava todos com respeito, dando algum conforto e, acima de tudo, respeito e dignidade a todos os que moravam dentro dos muros dos Swan. E assim eles viviam felizes.
E agora apenas subsistiam as margens do clã, obrigados a viver na miséria e humilhados para continuarem vivos.
Bateu na porta duas vezes antes que ela fosse aberta por Jacob, um dos homens sobreviventes. Apenas ele, Paul, Embry e Quil, que fizeram parte de um grupo de nômades até entrarem para os Swan. Eles tinham entre vinte e vinte e três anos; tinham se tornado homens há pouco tempo e agora eram os únicos do grupo, sentindo-se responsáveis por todos. Os únicos se não contassem com Seth, como todos preferiam fazer, já que apesar de se sentir tão homem e responsável quanto os dois, Seth só tinha dezesseis recém-completados anos.
— O que aconteceu? — Bella perguntou preocupada.
Jacob apenas apontou para dentro com a cabeça.
Entrando lentamente, Bella olhou ao redor. No canto estavam as crianças assustadas com Angela e Claire tentando acalmá-los sentados no chão, com Embry e Quil em pé ao seu lado. Leah estava andando de um lado para o outro, parecendo furiosa. Paul estava deitado no chão, Rachel segurava sua mão, enquanto Sue e Emily faziam alguma coisa nele.
Quando se aproximou mais, pode ver o que faziam. Paul parecia desacordado, seu rosto estava horrivelmente inchado – seu olho esquerdo parecia ter sido engolido pelo inchaço roxo, sua boca estava ferida e também inchada, seu nariz parecia quebrado, tinha um corte inchado sob o olho direito e em sua sobrancelha. Sue cuidava dos ferimentos de seu rosto, Emily cuidava dos ferimentos do seu tronco, enquanto Rachel segurava suavemente sua mão e chorava junto ao corpo de seu amado.
— O que aconteceu com ele? — Bella repetiu horrorizada.
— O que você acha? Aqueles desgraçados. — Leah rosnou ofegante de raiva.
— Ele... Ele... Só me protegeu. — Rachel conseguiu dizer entre soluços e desabou a chorar novamente, beijando a mão de Paul.
— Eles tentaram agarrar a Rachel, é claro que Paul iria intervir. — Jacob defendeu seu melhor amigo e passou a mão no cabelo. — Esse bando de covarde nunca atacam sozinhos ou quando estamos juntos, por isso combinamos de não andarmos sozinhos por aí. Como colocaram a Rachel na cozinha hoje, também fomos trabalhar lá e estávamos descarregando os barris de cerveja, levando-os para a dispensa, assim Paul podia manter os olhos nela. Eu estava colocando o barril na dispensa, ele voltou pra pegar outro, então eu voltei e ele tinha sumido. Uma das mulheres tinha dado a Rachel à missão de levar alguma coisa para os guardas do King, na parte de trás do castelo. Foi por maldade, eu vi nos olhos dela que foi de propósito e ela sabia o que acontecer. Corri atrás deles, mas quando cheguei Rachel já estava no chão com o vestido rasgado e gritando com a boca cortada, enquanto os guardas chutavam o Paul no chão. Cinco malditos guardas.
— É minha culpa... — Rachel balbuciou entre o choro.
— Não, não foi, Rachel! — Leah rosnou. — Aqueles... Desgraçados são os culpados.
— Nenhum homem deve ferir ou forçar uma mulher a nada. Paul estava certo em te defender. Eu faria o mesmo. — Jacob disse mais suavemente, tentando contar sua raiva.
— Ele vai ficar bem, Sue? — Bella perguntou hesitante.
— Ele já acordou e voltou a desmaiar de dor, então não deve ter tido nenhum ferimento sério na cabeça. Mal temos água limpa, quem dirá ervas medicinais ou leite de papoula para a dor, não temos com o que tratá-lo aqui. — Sue lamentou.
— E não adianta em nada pedir algo no castelo. — Emily bufou.
— Não mesmo. — Bella concordou. — Mas eu sei onde eles guardam esse tipo de coisa, eu vou pegar pra vocês.
— Você está louca? — Leah se aproximou. — Royce acaba com você se descobrir que você está roubando alguma coisa deles para dar a nós.
— Ele não pode fazer nada que já não tenha feito antes.
— Ele pode te matar!
— Mas ele não vai, sabe por quê? Porque me matar seria fácil, seria um ato de bondade. E Royce não tem ideia do que significa isso.
— Bella, ele vai...
— Eu não me importo Leah! — Bella exasperou. — Eu perdi tudo e muitas pessoas, eu me recuso a perder mais uma, está bem? Enquanto eu puder ajudar, vou fazer isso e vou manter vocês vivos. Eu posso lidar com isso. Será que você consegue entrar no castelo e sair com as coisas? Duvido que eles me deixem sair mais de uma vez.
— Claro.
— Ótimo, vou conseguir ervas pra vocês cuidarem do Paul. Agora parem de me olhar como se eu estivesse me oferecendo para um sacrifício humano, sei que não estou fazendo nada que vocês não fariam por mim.
— Você é tão boa quanto seu pai, querida. — Sue disse com a voz trêmula e lágrimas brilhando em seus olhos. — E sim, faríamos tudo isso por você, então se lembre de que é tão importante quanto qualquer um de nós, não faça nada que vá arriscar sua vida.
Bella assentiu sentindo as lágrimas crescerem em seus olhos também. Respirou fundo e piscou algumas vezes para afastá-las.
— Não façam mais nada, está bem? E isso é com vocês dois, Leah e Jacob. — virou-se pra eles. — Não vão atrás de justiça ou vingança, porque eles são covardes e vão pra cima de vocês em bando, vocês não podem vencê-los.
— Eu só quero... — Jacob começou, mas parou parecendo sufocado pela raiva.
— Matá-los. — Leah completou.
— Acredite, não tanto quanto eu. Ninguém os quer mais morto do que eu. Mas estamos em desvantagem, não podemos simplesmente ir para cima deles e rezar para que um milagre aconteça.
— Eu sei, mas eu estou cansada, Bella. — Leah exasperou. — Olha o que eles quase fizeram com a Rachel e o fizeram com o Paul! Estamos aqui há meses! Quanto tempo você acha que eles vão demorar a tentar fazer o mesmo com a gente? Eu estou cansada disso. Cansada de aguentar tudo de cabeça baixa, cansada de engolir ofensas e humilhação para sobreviver nessa merda de vida!
— Leah... — Sue a repreendeu suavemente.
— Eu sei Leah. Não é fácil pra você ou pra ninguém aqui, muito menos para mim. — disse amargurada. Leah pareceu se encolher em seu lugar, ninguém ali negava que era tudo pior para Bella. — Mas não podemos agir de cabeça quente e liderados pela raiva, isso só vai nos levar a morte ou pior, aguentar mais torturas desses bastardos. Precisamos esperar, precisamos saber exatamente onde pisar, achar nossas forças e as fraquezas deles, escolher o momento certo.
— E então? — Jacob ergueu uma sobrancelha.
— Usamos isso ao nosso favor.
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...Dias atuais.
Isabella estava na câmara principal do castelo do Clã King. A enorme cama com dossel em madeira escura era coberta por lençóis de seda e travesseiros com penas de gansos, no chão estavam os luxuosos tapetes de tapeçaria tecido a mão, decorando estavam à mobília da melhor madeira encontrada, tudo iluminado pela grande e única janela na parede de pedra. E, ainda assim, Isabella estava sentada em um canto esquecido e escuro da câmara, esperando.
Sentada no chão de pedra polida, com os joelhos junto ao peito e os braços sobre eles, descansando o queixo sobre as mãos, Isabella esperava. Nunca soube exatamente pelo que esperava... Alguma coisa... Alguma oportunidade... Alguma pessoa... Mas sempre soube que esperava por alguma coisa, há quase dois anos – um ano e oito meses, exatamente.
Àquela hora, Royce King II, o senhor daquele Clã, devia estar na ponta da grande mesa de pedra do salão de refeições, alimentando-se de queijo e pão fresco com o melhor vinho, enquanto o resto do clã se alimentava das suas sobras duras e velhas. Mas claro que ninguém ousava ir contra ele ou sua autoridade, claro que ele sempre estaria certo e pensando no melhor, sua tirania e o orgulho dos King não deixava que os outros criticassem ou implorasse por mais.
Mas Isabella não era uma King, vivia dizendo ao vento, a si mesma, aos céus, a quem quisesse ouvir. Não era e nunca seria uma King.
Era uma Swan. Era Isabella Marie Swan. Ou Bella Swan, como preferia. Mesmo que o Clã Swan não existisse mais, mesmo que quase nenhum Swan existisse mais, mesmo que tivessem sido destruídos e mortos pelos King, ela ainda era uma Swan.
— Eu ainda sou uma Swan. — sussurrou pra si mesma com os olhos fechados, como fazia todos os dias.
— E eu ainda sou uma Clearwater. — escutou alguém sussurrar. — E uma Swan.
E ergueu a cabeça, dando um sorriso cansado a Leah Clearwater... Swan.
Como mais ninguém ao redor Leah entendia a sensação de esperar por alguma coisa e mesmo assim não receber nada. E também entendia como era perder toda uma família e ser forçada a ser uma "King".
Mas diferente de Isabella, Leah nunca tivera um Clã. Os pais, o irmão mais novo e mais um grupo de pessoas – ou tribo, como se autodenominavam – eram nômades, pessoas sem Clã ou sobreviventes de Clãs exterminados em batalhas por terra e poder que se uniam e lutavam para sobreviver juntos, por ser sempre mais difícil fazê-lo sozinho. O líder desse grupo era Billy Black e o segundo no comando era Harry Clearwater, pai de Leah, eles conseguiam sobreviver bem, sempre vivendo a margem dos outros Clãs, se escondendo e vivendo nas poucas terras sem dono, comendo apenas o que a terra lhes pudesse oferecer e o que pudessem conseguir com a caça. Mas então uma estranha doença começou a atingi-los – principalmente os anciões e as crianças –, fazendo-os pedir ajuda nos portões do castelo do Clã Swan e foram recebidos de braços abertos pelo senhor da terra, Charlie Swan, pai de Isabella. Os Swan tinham um bom curandeiro que ajudou a salvar todos que podiam ser salvos, depois ofereceram a tribo de nômades comida, bebida e descanso, assim como um lugar para ficar. Com a amizade formada por Charlie, Billy e Harry, eles ficaram com os Swan por mais tempo que pensavam, mas estavam felizes. E foi nesse tempo que Isabella conheceu Leah e não demorou a serem amigas, afinal, tinham interesses em comuns – eram as únicas moças que preferiam aprender a usar uma espada e um arco, ao invés de uma agulha e os serviços da senhora de um castelo. O que era fácil para Leah fazer, afinal, não tinha a pretensão de ser senhora de nada, ao contrário de Isabella, que nasceu destinada a ser a senhora do Clã Swan, quando se casasse e seu marido se tornasse o senhor.
E isso tudo até o dia que Royce King II passou pelos portões dos Swan e entrou em suas vidas.
Naquele momento, a única diferença entre elas é que Isabella podia manter a cabeça erguida e gritar que nunca deixaria de ser uma Swan, porque já não podiam fazer nada mais contra ela, enquanto Leah engolia o próprio orgulho e abaixava a cabeça quando necessário pela segurança de sua mãe e seu irmão mais novo, assim como os dos outros sobreviventes de sua tribo e do Clã.
Afastando aquela linha de pensamento que não lhe traria nada mais do que dor – dor que tentava manter escondida, no fundo de seu coração –, Isabella se levantou lentamente, escorando-se na parede. Sentia dor no baixo ventre, assim como entre as pernas; engoliu e abafou os próprios ruídos e soluços.
— Você está bem, Bella? — Leah perguntou desconfiada.
— Sim. — sussurrou sem convicção alguma, mas balançou a cabeça. — O que você está fazendo aqui? Essa é a câmara de Royce, sabe que pode arranjar problemas por estar aqui.
— Eu sei, mas ele está lá em baixo, tendo um grande ataque com os soldados e um dos homens que voltou de viagem com uma notícia, no mínimo, surpreendente. — Leah disse divertida.
— O que? O que aconteceu?
— Rosalie Hale, a prometida de Royce, está viva.
— O que?!
— E foi exatamente essa a reação de Royce. — Leah riu.
— Você está falando sério, Leah?
— Sim, eu estou. — riu novamente. — Só não vou dizer que ela está tão viva quanto eu e você, porque ela está muito melhor do que nós duas, Bella. Ela está viva e vivendo com o Clã Cullen. Pelo visto, ela foi esperta e se casou com um dos irmãos Cullen.
— Vamos sair daqui e você pode me contar essa história melhor.
Agarrando a mão de Leah, Bella a puxou para fora da câmara de Royce e foram pelo corredor até a última câmara, um cômodo escuro e sem nenhuma coisa além de uma esteira de palha no chão e uma vela pela metade.
Estava curiosa a respeito disso, não sabia muito sobre a história, só o resumo do que espalhavam por ai.
O Clã Hale era muito importante e poderoso, principalmente por sua ligação tão forte e próxima com o rei; a senhora tinha morrido logo ao dar a luz a sua última filha e o senhor criou seus dois filhos com a ajuda de seu clã, eram eles Jasper e Rosalie. Assim como muitas famílias queriam casar suas filhas com Jasper, muitos homens cortejavam Rosalie que, pelo que diziam, além de vim de berço de ouro e ter um grande dote, era uma das mulheres mais lindas de todo o reino – e assim Royce se interessou por ela. Foi ao senhor Hale e pediu a permissão para cortejá-la, o que foi concedida e ele incentivou o casamento dos dois. Pouco tempo depois estavam noivos. Algumas semanas depois, Rosalie desapareceu. As buscas foram feitas pelos Hale e pelos King, mas só encontraram uma quinzena depois alguns destroços de sua carruagem caída de um barranco na beira de um rio; nunca a encontraram, então apenas concluíram que estava morta e o corpo tinha sido devorado ou levado por lobos ou leões das montanhas, talvez corvos e animais pequenos, então as tempestades que caíra nos dias seguintes limpou e levou o resto com o rio.
E tinham se passado quase dois anos. Desde então, o senhor Hale tinha morrido, Jasper Swan assumido o controle do clã e casado com Alice Brandon, uma mulher de família importante das planícies.
Os Hale já não tinham nenhuma ligação com os King, isso Bella tinha certeza. E os King tinha entrado em sua vida.
As duas sentaram na esteira e ali Leah lhe contou o que tinha conseguido escutar:
— Não consegui escutar muito, mas, pelo que escutei, ela não morreu no acidente com a carruagem. Quase morreu, mas sobreviveu. Quem a encontrou, muito ferida, foram soldados dos Cullen e Emmett Cullen, o primeiro filho. Ela foi levada para o castelo, cuidada pelos curandeiros e sobreviveu. Acho que os dois se apaixonaram e ela ficou por lá mesmo, em segredo. O viajante disse que ela está com eles desde aquele tempo e só avisaram aos Hale há um par de meses.
— Por que ela não avisou a família antes? Ela tinha uma boa vida. — Bella murmurou.
— Ah, isso eu não sei, vai ver ela não queria casar com Royce, eu acho isso motivo suficiente. A mãe dela está morta há tanto tempo e o pai era quem fazia gosto desse casamento e junção dos King e os Hale, pelo que dizem. Vai ver ela não sabia que o pai morreu e que o Clã agora está sob o controle do irmão dela, Jasper. Seja lá qual o motivo, faz dela uma moça esperta por ficar longe de Royce.
Olhando as mãos sobre o colo, Bella não podia discordar, era realmente esperta por não casar e se tornar a Senhora Royce King II.
Não sabia quem eram os Cullen, nem conhecia os Hale, mas de uma coisa tinha certeza, não podiam ser piores que Royce. Só o próprio demônio seria tão cruel e perverso.
— Mas você já pensou que... — ergueu a cabeça e olhou o rosto de Leah. — Se ela não tivesse fugido, nós não estaríamos aqui?
— Bells...
— Tudo aconteceu meses após o desaparecimento da Hale. Se Royce tivesse casado, talvez...
— Talvez sim, talvez não, quem sabe o que se passa na cabeça de Royce, Bella? Você pode não ir por essa linha de pensamento. Sinceramente? Eu não vejo Royce como um homem que pudesse ser fiel a apenas uma mulher.
— Sim, mas se ele tivesse uma esposa, uma senhora oficial, ainda mais uma de família tão importante, suas extravagâncias teriam que ser mais... Discretas. Não com a filha de outro Clã importante.
Leah colocou a mão sobre a sua e Bella abaixou a cabeça, não queria ver a piedade e tristeza nos olhos de sua melhor amiga.
— Eu sinto muito, Bells.
— Eu também, Lee. — Bella sorriu com tristeza.
— Eu tenho que ir, hora de voltar para cozinha e ser invisível.
Bella assentiu. Essa era a tática de Leah, algo que devia ser um sacrifício, pois sempre fora uma mulher de língua afiada e pronta para se defender, mas tinha que ser cuidadosa para não causar a fúria de ninguém que pudesse machucar sua mãe ou seu irmão. E ser invisível para evitar avanços dos homens do clã.
E Bella não era boa nessas coisas. Em nenhuma delas, e nem precisava ser. Apesar de tentar proteger e ajudar o máximo que podia os outros sobreviventes, nenhum deles era realmente Swan, apenas nômades que seu pai tinha recebido de braços abertos no clã. E nenhum homem ousava mexer com ela. Nenhum outro homem.
. . . . .
Desde que tinha recebido a notícia de Leah, Bella ficou com aquilo martelando em sua cabeça. Era como se tivesse algo por trás daquela informação e só precisasse saber o que exatamente, então usá-lo ao seu favor.
Em sua câmara escura, ela ficou sozinha o dia inteiro, sentada na esteira, sem fome ou vontade de sair, queria apenas saber o que tinha ali e como poderia usar isso. Então repassou tudo mentalmente.
Rosalie Hale, a prometida de Royce estava viva. Casada, vivendo alegre e livremente com o Emmett Cullen.
Clã Hale e Clã Cullen.
Agora Rosalie era uma Hale de berço e Cullen por casamento.
Tudo bem.
Respirou fundo, deitou na esteira sobre o chão duro e fechou os olhos.
O que sabia sobre o Clã Hale?
Tinha Jasper Hale como o Senhor, ele tinha sido major do exército da coroa, mas então largou tudo e voltou para ser o senhor de seu clã. Pelo que falavam de Jasper, era o melhor lutador e estrategista que existia, assim como tinha treinado o seus homens a ser tão bons quanto ele.
O que sabia sobre o Clã Cullen?
Tinha Carlisle Cullen como senhor, que era conhecido por ser justo e pacificador, assim como um bom amigo e conselheiro do rei. Casado com a senhora Esme tinham dois filhos, Edward e Emmett, com fofocas espalhadas pelas mulheres de que eram os homens mais bonitos do reino; tinham o segundo mais temido exército, perdendo apenas para os Hale, mas eram ainda mais perigosos com espadas.
Dois Clãs grandes, importantes, orgulhosos, com exército pronto para ir à batalha contra qualquer um e vencer...
Quando o pensamento lhe bateu, ela abriu os olhos rapidamente, mesmo que ainda estivesse tudo escuro.
E ligados por uma peça importante, irmã de Jasper e esposa de Emmett, Rosalie.
O nome dela ecoou em sua mente, então Bella achou o que tanto esperou.
Pela primeira vez em muito tempo sentiu o doce gosto da esperança e escolheu arriscar tudo que tinha, ou melhor, a única coisa que tinha, naquela busca por liberdade, a própria vida.
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