Choices
9 Oitavo.
O Clã Cullen estava agitado, mas não do jeito que gostavam. Não era uma agitação feliz para a organização de alguma festa, mas sim a organização de uma luta, uma guerra.
O senhor dos Hale e sua senhora, Jasper e Alice Hale, estavam hospedados no castelo com cinco de seus homens de maior confiança, enquanto um grupo maior, uma centena de soldados, estava acampado nas montanhas ao redor, pois não caberiam todos dentro dos muros do Clã, já cheio por seu próprio povo e soldados. Mas ainda assim, os Hale eram bem tratados e recebidos, tinham barris de água e cerveja fresca e pão servidos todos os dias, caçavam junto aos Cullen para ter carne e também treinavam juntos para a possível futura luta.
No dia seguinte ao que recebeu a mensagem dos Cullen, Jasper chegou às terras de seu cunhado com a esposa e seus cinco homens. Não tiveram tempo de organizar ou planejar nada, apenas juntaram algumas roupas, armas e subiram em seus cavalos; Alice foi em uma carruagem para não se cansar na montaria, mas na mesma velocidade. Apressados, desesperados e furiosos com a ideia de que Royce estivesse com um dos seus. O resto do grupo de soldados se juntou a eles no dia depois, com o resto de suas armas e todo material necessário para ficarem dias ali, esperando o dia tão esperando – o ataque aos King.
Edward não podia deixar de admirar o quanto os Hale eram organizados e o quanto Jasper era um bom comandante. Os Cullen eram bons, mas graças ao conjunto Carlisle como um bom senhor enquanto Emmett e Edward cuidavam do treinamento de seus soldados, já Jasper era completo, conseguia fazer os dois ao mesmo tempo e com maestria.
Jasper Hale tinha experiência pelo tempo que atuou no exército da coroa e Edward já ouvira histórias sobre seu talento e condecorações, mas ver ao vivo a maneira como seu cérebro funcionava, analisando cada detalhe, prevendo cada possível desencadear e contratempo para aquela situação então logo depois encontrar uma solução era fascinante.
Graças às informações que Seth tinha lhes passado sobre os homens de Royce e seu castelo, agora tinham um plano básico.
A noite estava sobre as terras, todos precisavam de uma refeição reforçada então uma noite completa de sono para que tivessem suas forças ao máximo para a viagem que fariam até as terras médias, de encontro aos King.
Após o jantar agitado pelas conversas entre Jasper, Emmett e os soldados Hale, Edward agradeceu e se despediu de todos; pronto para se recolher. Tanto quanto estava pronto para uma luta, precisava descansar sua mente e corpo.
Antes de ir para a sua câmara, passou pela de Seth, para se certificar de que tudo estava bem. Ele era pequeno e jovem, mas também corajoso. Muitas vezes falava mais do que a boca e outros ficava calado, pensativo. Não falava muito sobre seu passado ou família, mas era óbvio o quanto se preocupava com eles. Nos poucos dias em que ele estivera ali, tinha aprendido a gostar do garoto.
Seth estava encarando a janela, com os olhos erguidos para o céu escuro enfeitado por estrelas, e na cama estava sua bandeja com sua comida.
— Você está bem, Seth? — perguntou cautelosamente. E ainda assim, o menino se virou sobressaltado, assustado com a sua voz. — Lamento, não queria assustá-lo.
— Está tudo bem, eu estou bem.
— Você tem certeza? Não lhe agradou a comida? Quer que eu peça para Siobhan lhe preparar outra coisa?
— Não, senhor, está tudo ótimo, eu jamais iria reclamar da hospitalidade que me oferecem não me entenda mal, por favor. — ele disse rapidamente. — Não estou com muita fome agora, mas guardarei para comer mais tarde.
— Eu sei disso, Seth, é que você é sempre tão cheio de apetite, vê-lo sem fome é um pouco estranho. — Edward brincou e o garotou riu.
— Quando você já passou fome passa a apreciar ainda mais a comida.
Edward assentiu com o coração apertado. Mesmo pelas épocas difíceis que seu Clã tinha passado, seu pai nunca deixou que ninguém sob seus cuidados passasse fome, lamentava que Seth, tão jovem quanto era, tivesse passado por tantas coisas horríveis.
— O que há em sua mente que lhe tirou até a fome, Seth?
— Estou pensando sobre minha família, senhor.
— Você sente falta deles?
Seth hesitou, olhando novamente para a janela.
— Isso faz de mim um fraco? Que eu sinta falta da minha mãe?
— Não, filho. Eu me sentiria da mesma forma se tivesse que ficar longe da minha. Como mais velho, o Emmett é o herdeiro da posição de senhor dos Cullen e por isso eu sempre disse que jamais me casaria com uma mulher que fosse herdar algum clã porque não quero sair de perto da minha mãe. — Edward riu suavemente. — E eu também me preocuparia com a minha família se ela estivesse nas mãos do King.
— Eu... — Seth voltou a olhar para Edward e parou, sem saber o que dizer.
— Vou te dizer algo que meu pai sempre disse a mim e meu irmão. — Edward se aproximou. — Jamais pense que o amor e preocupação que sentes pela sua família é uma fraqueza, eles são a sua base, é o que te dá coragem e forças para lutar todos os dias. Foi o amor pela sua família que te trouxe até nós, Seth, eles foram a sua força.
— Eu não tenho coragem, estou aqui quase chorando de medo — bufou. — Eu sou uma farsa.
— E você acha que ninguém mais está com medo, filho? Emmett está com medo de perder sua esposa e filho; Jasper está com medo de perder a irmã e de não voltar para a esposa; meu pai está com medo de que algo aconteça comigo, meu irmão e minha cunhada; eu estou com medo de que algo aconteça com todos e com a minha família. No fim do dia, todos nós estamos com medo de algo. Não há coragem sem medo, filho, nós apenas encontramos algo mais forte que o medo, algo que está nos dando força para superar esse medo e lutar. Hoje essa força é a vontade de proteger aquele que amamos.
Seth enxugou rapidamente uma lágrima que desceu por seu rosto.
— Senhor, eu posso te pedir algo?
— Claro. Se estiver ao meu alcance, farei tudo para ajudá-lo.
— Você pode trazer a minha família pra cá, senhor? — e completou rapidamente: — Eu não estou pedindo que receba a todos nós no seu Clã, os Cullen já fizeram muito por mim e jamais serei capaz de demonstrar toda minha gratidão por vocês, nós iremos embora assim que estivermos juntos, sobrevivemos como nômades uma vez e podemos fazê-los novamente, só precisamos da nossa liberdade novamente.
— Eu me certificarei pessoalmente de cuidar da sua família e os trarei para cá, Seth, você tem a minha palavra. E quando aqui estiverem, todos vocês serão livres para partir assim como serão todos bem vindos a ficar.
— Obrigado, senhor. Muito obrigado. — agradeceu abaixando a cabeça.
— Tudo ficará bem, Seth. Agora coma e descanse porque os próximos dias serão longos e cansativos.
. . .
Estavam todos prontos para partir. Aqueles que ficariam no Clã já se despediam daqueles que estavam partindo – alguns homens ficariam para trás para proteger as mulheres, crianças e anciões.
Edward viu Emmett sair do abraço de sua mãe e então ir para o seu cavalo com a carranca preocupada que não saía de seu rosto nos últimos dias, então foi a vez de seu pai se aproximar dela.
Tinha certeza que eles tinham se despedido de maneira adequada quando estavam sozinhos e Esme tinha chorado com medo por seu marido e filhos, mas agora ela estava firme e passando força para as outras mulheres do Clã, como uma boa senhora devia fazer, afinal, ela governaria tudo na ausência de seu marido e filhos.
Edward não conseguiu tirar os olhos dos pais, admirava o que eles tinham, o amor que transpassava por seus olhos e gestos quando estavam juntos – ele não duvidava que eles se olhavam ainda da mesma maneira apaixonada dos primeiros encontros; seu pai olhando sua mãe como se ela fosse a coisa mais linda e preciosa de sua vida, sua mãe olhando para seu pai com amor, admiração e orgulho. Esperava um dia encontrar uma boa mulher a quem olhasse da mesma maneira e que retribuísse o olhar, então ele saberia que ela era a única, aquela com quem teria filhos que levariam seu sangue e sobrenome.
Carlisle segurava as mãos de Esme e olhando em seus olhos jurava que tudo iria ficar bem, então ele beijou as duas mãos dela, sua testa e seus lábios.
Tudo iria ficar bem, não existia outra opção.
Iria até o Clã King, recuperariam Rosalie e acabariam com Royce, não existia outra opção.
Jasper Hale se despedia de sua senhora, Alice, ao mesmo tempo em que Esme terminou de abraçar seu marido e foi ao encontro do filho mais novo.
Esme tinha um sorriso doce com duas adoráveis covinhas – que apenas Emmett herdara – no rosto. Edward pegou as pequenas mãos delicadas de sua mãe e as beijou com cuidado, assim como seu pai fizera.
— Cuide-se e cuide de seu pai e irmão, meu filho. — Esme pediu apreensiva.
— Sou o filho mais novo, não acha que eles que deveriam cuidar de mim? — Edward brincou tendo fazê-la relaxar.
Esme riu suavemente.
— Se você fosse outro, sim, mas eu sei que você é o único que pode cuidar deles. Seu pai é um pacificador e compassivo demais, seu irmão é impulsivo e passional demais, um pode hesitar e o outro se precipitar, enquanto você... — ela pousou a mão em sua bochecha e sorriu. — Você é um pouco de ambos, meu filho mais sábio.
— Eu sempre soube, minha mãe.
— Soube o que?
— Que eu sou o seu filho favorito. — Edward sorriu divertido.
— Não seja bobo, não tenho filho favorito, amo os dois com toda a minha alma e coração. Eu amo você, meu filho, vá com a minha benção e volte para casa em segurança, meu coração e orações estarão com vocês todo o caminho.
— Obrigado, minha mãe. — beijou a testa dela suavemente antes de abraçá-la.
Quando a soltou, ele viu Seth observando tudo a distância e o chamou com um aceno. O menino se aproximou hesitante.
— Você, cuide de minha mãe. — Edward pediu.
Seth arregalou os olhos e olhou para Esme depois para Edward.
— Eu?
— Sim. Você é esperto e corajoso, é uma boa companhia, fique com a mãe. Cuide como se ela fosse a coisa mais preciosa da sua vida, porque ela é a coisa mais preciosa da minha.
Esme sorriu para o filho entendo o que ele estava fazendo. Seth estava se sentindo culpado e até inútil por não acompanhar o grupo por ser jovem demais, Edward estava dando a ele uma missão, uma razão para ficar, fazendo-o se sentir útil e parte de algo; talvez por fora Edward tivesse um jeito mais fechado e duro que o irmão, mas tinha um bom coração, seu filho mais sábio.
Seth assentiu freneticamente.
— Sim, senhor. Nada acontecerá a Senhora Cullen, a protegerei com a minha vida, eu prometo.
— Bom. — Edward esticou a mão e Seth a apertou, agitando suavemente no ar.
— Vamos partir! — Emmett rugiu montado em seu cavalo.
Edward beijou a mão de Esme mais uma vez antes de ir ao seu cavalo.
Um cavalo negro chamado Midnight, que estava selado e pronto para a viagem. Um dos homens mais velhos do Clã, que ficaria ali exatamente por sua idade e que ajudava a cuidar dos cavalos de todos, lhe entregou as rédeas assim como seu cinto, onde estava presa sua espada. Edward rapidamente o prendeu na cintura, com a longa espada na lateral junto a sua coxa (e não era sua única arma, tinha um punhal preso em cada bota) então subiu no cavalo.
Agarrou as rédeas e girou o cavalo para direção em que partiriam.
A distância entre as terras altas das montanhas onde estava o Clã Cullen até as terras médias onde estava o Clã King era cansativa, pelo menos um longo dia de montaria. Ainda que estivessem partindo na primeira luz da manhã ainda chegariam lá talvez – se fossem a velocidade e mantivessem um ritmo forte nos cavalos – no início da noite.
Uma das grandes preocupações deles era o desgaste que isso causaria, temiam a possibilidade de estarem cansados demais da longa viagem para terem forças suficientes caso houvesse a necessidade de um combate físico com os soldados de Royce King, mas os Cullen tinham confiança em seus homens, assim como Jasper tinha nos dele, eram todos fortes, resistentes e bem treinados, prontos para qualquer sacrifício e esforço pela segurança de Rosalie, além do mais, uma aproximação a noite poderia ajudar no ataque surpresa.
Em uma conversa que tivera em particular com Jasper, Edward disse a ele que ninguém seria capaz de segurar Emmett de ir a frente e por isso Jasper concordou de cuidar da retaguarda com Carlisle e grande parte dos homens, então a frente ia Emmett com Edward ao seu lado e cinquenta dos melhores homens dos Cullen e dos Hale.
Edward não sofria para manter o ritmo forte e furioso de seu irmão, enquanto Emmett era mais forte fisicamente, Edward sempre fora o mais veloz, mesmo quando os dois estavam sobre cavalos igualmente bem treinados. Pararam apenas duas vezes durante todo o percurso e isso porque Edward insistiu muito, usando o cavalo contra o do irmão para que parasse para beber água, morrer de cansaço e desidratação não era uma boa estratégia.
Mas Edward não podia julgar o irmão, nem saberia o que faria se sua esposa grávida de seu filho fosse capturada por algum inimigo. Nem ele conseguiria ser sábio em uma situação dessas. Já era difícil manter a cabeça livre da fúria se tratando de sua cunhada – a quem amava como uma irmã mais nova, nem podia imaginar o que faria se estivesse no lugar dele. Por isso não o julgava, estaria ao seu lado independente de qualquer coisa. Acima de qualquer coisa.
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Quando chegaram nas fronteiras das terras de Royce, eles diminuíram o ritmo. Já conseguiam ver os grandes muros de pedra que cercavam o Clã e as torres do castelo. Apenas o pequeno grupo guiado por Edward e Emmett, enquanto o grupo maior guiado por Jasper e Carlisle seguia atrás, ainda fora da visão deles. O sol já tinha se posto há algumas horas, a noite já colocara seu manto negro sobre eles e estava tudo calmo. Calmo demais.
Os homens se separam e espalharam em linha para checar o perímetro, enquanto Emmett, Edward e Garrett seguiam a frente, se aproximando do castelo. Eles cavalgaram um pouco mais rápido até metade do caminho então diminuíram o ritmo novamente.
Não havia nenhum soldado ou homens de Royce King. Ninguém os observando, ninguém os esperando.
Edward pensou no próprio Clã. Tal despreocupação com a segurança jamais seria permitida nos Cullen – e Edward tinha certeza que nos Hale era da mesma maneira.
Nenhum guarda na fronteira, ninguém que avisasse aos King que um exército se aproximava. Jamais alguém se aproximaria tanto das terras dos Cullen sem ser percebido e recebido por homens do Clã, que jamais deixariam qualquer um se aproximar de seus portões antes de se identificar, por isso o número de ataques contra o Clã era zero, qualquer ameaça era neutralizada antes mesmo do possível ataque.
Os King abusavam da sorte ou eram comandados por um homem arrogante que se achava bom ou poderoso demais para sofrer um ataque.
— Está tudo calmo demais. — Garrett comentou seguindo ao lado esquerdo de Emmett enquanto Edward estava no direito.
— É. — Emmett concordou sério, com a voz sombria. — Como se não estivessem nos esperando.
— Eles não estão nos esperando, Emmett. — Edward disse.
— Como não, Edward?
— Seth nos disse isso que eles não sabiam que ele iria até nós.
— Se você tivesse algum cativo, Edward, iria ficar assim tão tranquilo? Mesmo que não soubesse que alguém iria revelar seus planos a família dessa pessoa, ninguém tem o sangue assim tão frio. Ter alguém de outro Clã sob seu poder deveria ser o suficiente pra lhe fazer reforçar a proteção de suas fronteiras, mas isso? — Emmett olhou ao redor. — Não há nada. É como se... Ele não tivesse Rosalie.
—Você acha que Seth mentiu para nós? — Garrett perguntou confuso.
— Não, Seth não o fez. — Edward garantiu firme. E ele realmente acreditava nisso. Mesmo o conhecendo por pouco tempo, Edward confiava em Seth e sabia que tinha sido sincero; não era ingenuidade sua, apenas via sinceridade em seus olhos e como seus instintos acreditavam nisso, acreditaria em seus instintos.
— Talvez não. Mas e se ele já se.... Livrou — Emmett disse a palavra relutante, como se trouxesse um gosto ruim a sua boca. — dela? Rose... Eu não sei o que farei se algo aconteceu com ela, eu...
— Para. — interrompeu o irmão com firmeza e apressou seu cavalo um pouco apenas para se colocar na frente do irmão e fazê-lo parar. — Se ele a quisesse morta sem deixar rastros a teria matado ainda nas montanhas e deixado o corpo, não iriamos desconfiar dele. Mas ele não o fez. Royce é arrogante; sequestrar Rosalie nas nossas terras e então não aumentar a segurança de seu Clã mostra isso, ele não acha que pode ser atingido. Mas ele pode. Ele acha que está tão no alto que não pode ser alcançado que não percebeu que isso faz dele um alvo maior. Vamos recuperar sua esposa em segurança e voltar para nossa casa, irmão.
Emmett assentiu, enquanto Edward em seu coração pedia para que os céus lhe permitissem estar certo, não podia imaginar o que aconteceria se algo acontecesse a Rosalie.
Olhando para frente, eles esperavam. Estavam seguindo o plano. Tinham o melhor escalador do Clã agindo. Não havia lugar algum que o jovem veloz e corajoso não pudesse escalar, até mesmo o muro de um Clã; invadir sorrateiramente, abrir os portões e assim permitir a invasão do Clã King.
Minutos pareceram horas enquanto todos esperavam protegidos pela escuridão.
–
Riley sorriu quando pousou os pés no chão do Clã King. Estava dentro. Aquilo tinha sido mais fácil do que escalar as árvores ao redor de seu Clã, os Cullen. Fazia isso desde criança, levava todos a loucura com sua necessidade por lugares altos e aventura. Já tinha conseguido muitos ferimentos com suas quedas e, ainda assim, nada o impedia de continuar fazendo isso. Agora seu talento era útil ao seu senhor e nada poderia lhe fazer mais orgulhoso do que servi-los.
Olhando ao redor, ele estranhou a falta de recepção. Tinha uma espada curta presa a sua cintura, que tinha lhe incomodado um pouco durante a escalada, para o caso de ter anfitriões lhe esperando, mas não havia ninguém. Aquele lugar parecia morto. Havia um soldado na frente dos portões do castelo, mas ele parecia dormir em pé. As cabanas pareciam cair ao pedaço, assim como o castelo. Os muros que lhe pareciam tão firmes agora pareciam proteger apenas destroços.
Os grandes portões de madeira dos muros eram frechados apenas com uma enorme tranca também de madeira. Parecia pesada, mas ainda assim, estava desgastada e não parecia muito segura. Aquele lugar todo era um convite para invasores, era surpreendente que ainda estivessem em pé.
Foi quando viu a primeira pessoa do Clã e a única que lhe notou. Parecia ter saído de algum lugar aos fundos do castelo. Mesmo com as roupas largas que não lhe deixava perceber suas curvas femininas, ele não tinha dúvida que era uma mulher. A não ser que os homens King usassem saias. Sua pele era morena e seus cabelos tão negros quanto a noite escorriam tão lisos que pareciam brilhar até a altura de seus ombros. Riley viu a surpresa no rosto dela enquanto ela cambaleava para trás, estava pronto para que ela gritasse, mas para sua surpresa, ela não o fez. Apesar dos olhos arregalados, ele jurava que tinha uma sugestão de sorriso em seus lábios, então ela se virou e correu para o fim do vilarejo que cercava o castelo.
Sem entender nada, Riley foi terminar sua missão antes que mais alguém o percebesse.
–
Um alto assovio ecoou na noite. Era um sinal deles.
Portões destrancados. Edward viu seus homens descerem dos cavalos e juntos empurraram os portões dos King.
Edward e Emmett trocaram um olhar de cumplicidade, então bateram os pés nas laterais de seus cavalos e gritaram comandos para que corressem, então galoparam juntos seguidos por Garrett na direção dos portões dos King. Quem desceu de seu cavalo, voltou a subir e entrou também. Logo atrás, o resto do exército formado de Cullen e Hale se aproximavam.
Pela primeira vez escutaram a voz de um King, o soldado parado em frente ao castelo gritou de surpresa enquanto eram invadidos.
Gritos de homens e mulheres e choro de criança. Edward tentava não deixar que esses sons o fizesse fraquejar. Esperava que Royce tivesse o mínimo que consciência e se rendesse antes que inocentes fossem feridos.
Emmett, Edward e Garrett desceram de seus cavalos, empunharam suas espadas e seguiram na direção do castelo. Logo todos os Cullen e Hale estavam com suas espadas erguidas mesmo que ainda montados assustando e impedindo que qualquer King se aproximasse de seus senhores.
— Nenhum de vocês tem que morrer hoje! — Emmett gritou. — Eu só quero o seu senhor! Chame Royce King!
— Vá para o inferno. — um soldado de Royce vociferou e avançou para cima de Emmett com sua espada.
Edward se preparou para ajudar o irmão, mas não foi preciso. Quando o homem brandiu a espada no ar e tentou acertá-lo, Emmett ergueu a própria espada e interceptou o golpe, as espadas se chocaram no ar e Emmett usou sua força para empurrar a espada de seu oponente, logo depois outro golpe na espada dele e ela foi ao chão.
O medo encheu os olhos do homem desarmado, mas seu irmão não usou a espada contra ele, usou o próprio punho com um soco certeiro em seu nariz que o jogou ao chão com o rosto ensanguentada e então pousou o pé em seu peito e a ponta de sua espada em sua garganta.
— Eu disse, nenhum de vocês tem morrer hoje e não que não matarei qualquer um que estiver no meu caminho. — rosnou para o homem e ergueu o rosto para o homem na porta do castelo. — Chame o seu senhor. Agora!
O homem assentiu rapidamente e abriu as portas do castelo, entrando apressado. Emmett tirou o pé do homem e subiu os poucos degraus que levavam ao castelo, seguido por Edward e Garrett.
O pouco que tinha visto do exterior do Clã mostrava miséria, mas o interior do castelo era óbvio o luxo, uma grande lareira estava acesa e aquecia o salão que devia ter dado muitas festas para os mais influentes senhores e pessoas das planícies regadas a muito vinho. Era quase um palácio.
Edward sentia repulsa de um governante que deixava seu povo passar fome enquanto tinha a barriga mais cheia do que precisava.
— O que no inferno está acontecendo?! — eles escutaram o grito.
Royce veio seguido por cinco soldados empunhado espadas. Ele não era o que esperava. Talvez por saber quem ele era realmente esperava alguém de aparência selvagem, mas não era de se surpreender que Royce King II tivesse uma aparência polida, como um cavalheiro de sangue nobre. Era alto e com um corpo atlético, mas não parecia pronto para combate, Emmett – enorme, musculoso e bem treinado como era – poderia terminar com ele usando apenas os punhos em cinco minutos. Seu cabelo estava preso em um pequeno rabo-de-cavalo em sua nuca e um cavanhaque perfeito cobria seu rosto; suas roupas eram boas, obviamente de tecido nobre e espalhafatosas, com uma calça justa e uma túnica vermelha com detalhes dourados e um cinto em sua cintura. Pelo canto do olho, ele viu Garrett bufar uma risada e ele entendia o sentimento, o homem parecia ridículo.
— Quem diabos são vocês e como ousam invadir minha propriedade? Posso matar todos vocês apenas por esse desrespeito! — Royce voltou a rosnar aos gritos.
— Eu sou Emmett Cullen e você sabe exatamente porque estou aqui, Royce. Eu quero minha esposa de volta. Agora. — Emmett rosnou furioso. Sua voz era mais grave e usando o seu tom duro era muito mais assustadora e poderosa que a de Royce.
O rosto furioso de Royce relaxou e passou a ser frio, com desprezo.
— Pra você é Senhor King. E eu não tenho ideia de quem é sua esposa, agora saia do meu castelo e das minhas terras antes que eu ordene que matem vocês três.
— Não somos apenas nós, Royce. — Edward disse calmamente. — Temos homens lá fora, ninguém vai entrar. E temos o resto do nosso exército se aproximando. Cullen e Hale. Nós só queremos Rosalie de volta e talvez sua morte seja rápida.
— Rosalie? — Royce bufou com um riso debochado. — Minha querida e amada prometida Rosalie? Não ficaram sabendo das novidades? Ela está morta.
— Seu bastardo maldito! — Emmett esbravejou e foi para cima de Royce com a espada erguida. Os cincos soldados que acompanhavam Royce foram a sua frente com as espadas erguidas, Edward e Garrett tomaram o lado de Emmett.
— Isso é algum tipo de piada? Você está me atacando por algo que aconteceu há anos e foi um lamentável acidente? — Royce perguntou rindo.
— Você sabe que ela não morreu no acidente, desgraçado.
— Eu sei? — ergueu uma sobrancelha inclinando a cabeça suavemente. — Não sei do que você está falando, Cullen. Tudo que eu sei sobre minha querida Rosalie é que ela sofreu um trágico acidente e lamentavelmente nunca foi encontrado seu corpo, apenas destroços de sua carruagem. E agora você diz que ela estava viva? E com você?
— Ela é minha esposa. — Emmett vociferou.
— Talvez ela fez com você o mesmo que fez comigo, companheiro. Ficou um tempo com você então forjou o próprio desaparecimento e morte para arranjar um novo marido. — Royce sorriu debochado.
— Seu...
— Então — Edward interrompeu o irmão e o impediu de avançar sobre os homens de Royce. — Você não vai se importar se olharmos ao redor, certo?
— Ficarei profundamente ofendido que minha palavra não seja suficiente para os senhores, assim como já estou ofendido pela invasão do meu Clã, mas se isso dará paz a mente de vocês, fiquem a vontade. As portas do meu Clã estão abertas aos senhores. — ele sorriu e abriu os braços para ilustrar o que dizia.
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