Chills
1 Look lost.
Notas iniciais
Eu fiquei o observando se despir. Meus olhos passeavam por seu corpo lentamente, atenta a cada detalhe. Ele era perfeito, o garoto mais lindo que já conheci. Além disso, era super fofo comigo, desde quando nos conhecemos, anos atrás. Quando se tem uma amizade desde a infância que dura até hoje, não há problema em ver seu melhor amigo ficar só de cueca, há?
- Você não vem, Alice?
- Ah, claro. — Despertei de meus pensamentos e tirei minha roupa.
Ele pulou na água e demorou um pouco a voltar a superfície, então balançou os cabelos da forma mais sexy que já vi. Eu coloquei a pontinha do meu pé na água, e como estava muito gelada, tirei-o rapidamente. Ele riu.
- Deixa de ser fresca!
- Tá muito fria. — Ele negou e veio nadando até a borda, onde eu estava.
- Vem.
-Não Tomás... — Ele saiu da água e se aproximou de mim, não sabia muito bem o que ele ia fazer até ele me colocar sobre seu ombro e se jogar na água.
Muita fria, congelante.
Me agarrei em seu corpo quando senti o vento gelado bater no meu. Ele riu e me abraçou.
- Não ri, tá muito fria!
- Não tá não.
- Tomás, são mais de duas da manhã, você acha que a água ia ficar quentinha?!
- Acho. — Bufei e ele gargalhou. Homens. — Vamos sair?
- Mas já? Eu nem aproveitei!
- Perdeu tempo resmungando da água. — Me soltou e saiu novamente. Eu fiquei o olhando possivelmente com a cara mais patética do mundo. Ele foi até onde estava minhas roupas e as pegou. — Não vai sair? Ok, mas suas roupinhas vão ficar molhadinhas.
- NÃO! — Tentei sair que nem uma louca, mas acabei caindo de volta na água. Ele riu e começou a correr em volta da piscina. Eu, muito idiota, começei a correr atrás dele.
Imaginem a cena: Duas crianças, uma de dezoito e o outro de dezenove, correndo em volta de uma piscina, de madrugada. Lindo né?
E o mais provável que aconteceria aconteceu: eu o alcançei e o segurei pelos cabelos, ele se virou e eu acabei escorregando. E como naqueles filminhos clichês eu caímos deitados no chão. Mas pelo contrário, eu fiquei por cima dele. Nossas respirações ofegantes nos fizeram ficar calados por alguns segundos.
- Devolve. A. Minha. Roupa. — Falei pausadamente quando recuperei o ar.
- Não, você vai voltar pra casa de calcinha e sutiã.
- Idiota.
- Toma. — Me deu a minha roupa, eu pouco úmida. — Vamos voltar? São quase três.
- Ok. — Ele se vestiu e eu também.
Saímos de mãos dadas pelas ruas desertas. A piscina ficava no quintal de uma casa, não sabíamos de quem era. E toda madrugada de Sexta pro Sábado nós iamos pra lá. Caminhamos por uns quinze minutos até pararmos em frente a minha casa.
- Até amanhã, tchau.
- Tchau... — Deu um beijo no canto da minha boca e foi embora.
Fui pro meu quarto na ponta dos pés, não queria que ninguém acordasse e fosse me encher de perguntas. Acabei me deitando e adormecendo, pensando... nele.
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