Chewbacca Feelings
2 I Do Believe That It Will Be Okay
Notas iniciais
Laura's POV
Depois de mais ou menos meia hora brigando pela cama, Danny e Dougie finalmente se conformaram e eu pude ir tomar banho tranquilamente.
– Legais esse "vizinhos", né Duda? — Falei, inconsequemente, enquanto pegava minhas roupas e bagulhos na mala. Só pude ouvir o grunhido do velho do Danny resmungando. Ai, só rindo dele mesmo.
– É né. Também achei. A gente bem que podia chamá-los pra sair um dia desses. — Ahn, boa Laura, ouriça mais a menina. Acho que a única coisa que passou pela minha cabeça no momento foi a vontade de virar para o Dougie e pedir desculpa por ter comentado. Porque eu conhecia a minha amiga, e o quanto mais ela torturasse o Dougie, melhor. O que funcionou, porque o coitado se levantou da cadeira e foi até a sua parte do quarto quieto, até de cabeça abaixada.
Eu olhei feio para a Duda e ouvi Danny grunhir de novo. Mas que menino irritante, hein.
– Danny, se você não parar de grunhir feito uma cadela no cio trepando num macho, eu juro que encontro uma passagem secreta pra minha mão ir parar na sua cara.
Sabe aquela velha conversa? Das coisas que você gostaria de não ter feito/dito?
Pois é. Caí no velho clichê.
Meu coração apertou só de ver Danny se levantando, do mesmo modo do Dougie, só que, dessa vez, saindo porta afora. E levando Dougie junto.
Me irritei mais ainda com a minha estupidez e peguei minhas roupas, batendo a porta do banheiro num estrondo. Duda não ousava abrir a boca.
Liguei o chuveiro e entrei debaixo dele, deixando a água gelada cair, causando vários choques no meu corpo.
Me doía tanto vê-lo daquele jeito e saber que foi por culpa de um ato estúpido meu. Quer dizer, ele era meu melhor amigo/irmão mais velho. Era ele que me tirava de encrencas e muitas vezes me colocava nelas. Ele que estava sempre ao meu lado. Ugh, TPM não é controlável e ele já deveria saber. O mesmo vale para o fato de você se sentir um lixo depois de praticamente incitar a sua melhor amiga a esquecer o amor da sua vida e começar a sair com estranhos com apenas uma frase inconsequente.
Saí do chuveiro e comecei a me vestir. Tinha separado "roupas para sair", mas acho que o programo tinha furado um poquinho depois daquela cena. Mas, mesmo assim, vesti a calça skinny preta e rasgada, a regata extra ggg dos ramones (Não, gente, eu não sou gorda. Só comprei desse tamanho pra poder ficar bem larga, porque eu não gosto de nada apertado.), com uma camiseta azul por baixo.
Quando terminei de me arrumar (Depois da maquiagem e todos aqueles breguetes de mulher), sai do banheiro e dei de cara com uma duda pensativa deitada na cama.
Como assim?
Uma Duda pensativa não existia. Principalmente pela razão de que a Duda era hiperativa. Ela tinha altos estágios de hiperatividade. Ás vezes, ela ficava igual a baiano no carnaval, que liga a tomada na bunda e você nem entende metade do que a pessoa fala. Parece até que você está falando com o carinha do tomelherola (Google it!).
Mas enfim, como eu sabia que esse momento reflexão não estava no sangue da minha pequena gafanhota, me sentei ao seu lado e comecei o interrogatório (monólogo) básico.
– O que houve contigo? Tá, eu sei o que houve contigo, esse problema aí tem nome e sobrenome. Mas, mesmo assim, você tem que se decidir né Duda? Eu sei que voce gosta dele, mas também não pode ficar mais de dois meses parecendo que dorme em pé. Quer dizer, eu nem preciso mais te avisar pra tomar o remedinho. Isso é frustrante, sabia? — Eu consegui tirar um sorrisinho dos labios dela, Laura wins! — O que eu mais queria era te ver bem de novo. Com ou sem dougie. Mas você tem que admitir que o coitado está tendo uma certa dificuldade nas tentativas de te ter de volta.
– Laura, não é possível! Eu devo ser masoquista. Aquele baixinho me faz amá-lo como eu nunca amei alguém na minha vida, e depois me deixa chorando por meses por causa dele e eu continuo cismando em sentir calafrios quando vejo aqueles olhos lindos em cima de mim. Eu não consigo. — Ela falou, se deitando no meu colo. — Simplesmente não consigo tirá-lo da minha cabeça. Mesmo ele fazendo esse mal enorme pra mim.
– Já pensou que esse mal aí que você sente pode ser amor? E já pensou que ele pode estar sofrendo desse mal tambem?
– Se ele estivesse sofrendo, viria falar comigo, me pedir de volta.
– Mas nós duas sabemos como Dougie é orgulhoso. E estúpido também.
– Ah, mas que merda laura! Tô me sentindo o Edward agora. Parece até que ele é uma espécie de droga que só a idiota aqui consegue viciar e não largar de jeito algum.
– Ih, não. Não não não não não. Edward é gay. Pára de gayzisse e vai logo tomar um banho pra gente descer e convencer aqueles dois marmanjos a nos levarem para sair. — Eu comecei a bater na cabeça de Duda e ela se levantou em pulinhos, rindo de mim.
Me deitei na cama e peguei o celular para mandar uma mensagem ao meu pai, avisando que já havia chegado.
– Ei, Laura.
– Fala gafanhota.
Duda estava parada no batente da porta do banheiro e me olhava com um misto de confusão e riso.
– Eu estava pensando. O que houve hoje? Entre você e o danny? Quer dizer, sei porque você gritou com ele. Isso foi um pouco culpa minha, admito. Mas, hm, nunca vi ele tão irritado. Ele estava tão bem antes. E mais, ele sabe, mais do que eu até, que você dá esses ataques de vez em quando.
– Hm, eu não sei. Sinceramente. Acho que eu peguei muito pesado também, né, vamos combinar.
– Hm, não sei não hein. Acho que ele tava com ciúmes.
– Ah que ciúmes Duda! De mim? Ah pára, só se for ciúmes bobo de irmão.
– Olha posso não ser expert, mas conheco o Danny o bastante para saber que aqueles resmungos e aquela irritação toda eram mais do que ciúmes bobo de irmão.
– Ah Duda, vai lavar a boca e aproveita pra cuspir toda essa merda que tu tá falando aí no banheiro vai. — Eu falei e joguei o travesseiro nela, que fechou a porta Like a Ninja.
Eu ri da idéia estúpida dela. O Danny? Com ciúmes de mim? Ah, tá bom então! Acho que a Duda tem que conhecer a Cláudia.
Ele não estava com ciúmes de mim. Era só ciúmes de irmão. Bobo.
Né?
Duda's POV
Ai, a Laura é estúpida mesmo, só pode ser. Aliás, aqueles dois ali são estúpidos. E, bom, acho que eu também sou.
Foi como a Laura disse, eu tenho que voltar a ser feliz. Com ou sem o Dougie.
Por isso, tomei um banho bem demorado, pra acabar com a água da casa do Bob (Esponja), coloquei um vestido justinho e tomara que caia, fiz uma baita maquiagem e arrumei meu cabelo, com o pensamento de que eu tinha que voltar a ser como era antes, a Duda hiperativa, segundo a minha querida amiga.
Operação Xô Masoquismo, mode on.
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