Eles se posicionavam no campo de batalha, fazendo suas orações em línguas antigas e recitando votos anciões, e logo a batalha começava.

E logo Laura voltava a ter suas visões. Eles trocavam cortes de energia, esferas luminosas, raios focalizados e entre outras coisas, mas ela desviava de tudo. Ela chamava o poder de seus ancestrais, podendo ver suas vidas na batalha, reconhecendo táticas esquecidas pelo tempo, sabendo como desviar, defender, contra atacar da maneira perfeita.

Ela movia as mãos e o cajado, imaginando e criando suas técnicas, recriando as técnicas dos espíritos ancestrais que estavam na batalha, até que Zack ficou de saco cheio.

Ele parou de lançar seus golpes contra ela, e avançou com o seu cajado, pegando-a desprevinida. Ele tentou lhe dar uma pancada no lado esquerdo do corpo, que ela defendeu com o seu cajado, mas ela ainda sentiu o golpe do outro lado! As mãos dele se multiplicavam, seu cajado assumia formas exóticas e seu rosto se alterava, até que ela demorou para lembrar da lição mais importante que lhe deram.

Como era uma Bispo do Sangue, ela tinha o poder de chamar seus ancestrais para darem avisos, poder e força nas batalhas, e essa era a mesma razão pela qual ela sempre perdia para Bispos da Perfeição. Eles criavam ilusões, enfraquecendo sua mente ao atrapalhá-la, e logo eles poderiam entrar nela, fazendo memórias reprimidas voltarem a tona, ou usar do seu dom e ver não só os próprios ancestrais, mas também os ancestrais dela. E foi isso que ele fez.

Ela chorava, agora em seu corpo de 6 anos, vendo a violência que acontecia em sua casa. Seu irmão lhe batia por desobedecer as ordens que ele deu, que já eram impossíveis para ela. Sua mãe discutia com o seu pai, com a mão sangrando por uma facada e um ombro acertado por um tiro. E foi nesse exato dia que ela se decidiu.

Ela correu, ou pelo menos tentou, sendo parada por um chute de sua própria mãe, agora no chão, desesperada por ajuda, mas ela não podia fazer nada, e logo seu pézinhos começaram a correr para longe daquela casa de tortura, seus olhos cheios de horror, seus ouvidos completos de gritos e lamentos, e sua boca falando as primeiras maldições que ela já proferiu na vida. Ela correu por incontáveis horas, que depois ela estimou por um dia e meio, quando finalmente desmaiou, e encontrou a pessoa que lhe apresentou a tudo que ela conhecia, seu Reino.

Ela estava ajoelhada no campo de batalha, seus olhos manchados de lágrimas enquanto seus ombros eram sacudidos em uma tentativa vaga de despertá-la. Ela focou no rosto dele, enquanto sua expressão se transformava em raiva e ela lhe dava um tapa.

Eles continuaram a discutir o assunto, mas logo eles se desculparam, e perceberam o quão famintos estavam, indo para a cozinha.