Cher Maître

5 Filhote do boneco Chuck


Notas iniciais
Hola, mis amores! Como vocês estão? Espero que bem! O capítulo de hoje está carregado de sentimentos, sério, se preparem para ver a Beca bem louca das ideias! Demorei com o capítulo? Demorei sim, perdoem-me. Estou fazendo um trabalho e ele está me deixando maluca, nem aguento mais ouvir o nome de Vinícius de Moraes sem querer dar uma voadora na pessoa. A música que mais ouvi foi Valerie, da Amy Winehouse e estou profundamente feliz com os comentários que venho recebendo, não parem, continuem! Beijinhos e boa leitura ♥

Depois do incidente com Vicente, estava conseguindo me sentir menos pessimista sobre as coisas. Qual era o sentido daquilo? Bem, eu não fazia ideia. Como forma de agradecimento ao loiro alto, decidi que tentaria me tornar uma aluna mais eficiente em sua aula. Infelizmente, não estava dando muito certo.

— Prova surpresa, gente! — Ele anunciou. — São apenas dez questões, então vocês dão conta de fazer em uma aula.

Olhei para o rosto de Monalisa, que parecia tão perdida quanto eu. Em seguida, fitei Luíza, que tinha a audição atrapalhada por fones de ouvido e por fim, notei que Clarice estava inquieta em sua carteira. Todas nós estávamos ferradas. Não que Vicente fosse um professor ruim, ele não era.

Pensava que jamais admitiria, mas ele era muito melhor que a professora anterior. Por outro lado, eu não conseguia pensar direito na sua aula, já que me preocupava com o que ele poderia pensar sobre mim ou se ele acharia graça das minhas respostas. Suas aulas eram preenchidas pelas falas brilhantes de Catarina, que vibrava a cada resposta correta. Eu revirava os olhos e torcia para ela calar a boca.

— Podem separar os grupos, por favor — Ele continuou. — A prova é em dupla: você e o seu conhecimento.

A turma riu, eu continuei séria. Ele notou meu semblante tenso e veio até minha mesa, encostando seu bumbum em uma carteira do lado e encarando-me com seus brilhantes olhos verdes.

— O que foi, Rebeca?

Suspirei. Sua presença estava me incomodando profundamente. Já odiava a matéria e teria que fazer uma prova, ter meu professor olhando para minha cara não estava ajudando em absolutamente nada. Pelo contrário, eu queria sumir dali e nunca mais voltar. Entretanto, não podia demonstrar isso, tinha que fingir ser confiante.

— Nada.

O loiro escondeu um sorriso, eu sabia que ele queria rir. Rapidamente, ele voltou para sua mesa e começou a distribuir a avaliação. Entregou para Catarina, que leu e sorriu em seguida. Tinha como ela ser menos convencida? Ela era irritante, profundamente irritante. A próxima da fileira era Joana, uma boa aluna da matéria, diferente de Catarina, ela pareceu assustada com o conteúdo do texto. A reação de surpresa foi tomando a turma, chegando até mim.

Li e reli a prova duas vezes antes de chegar a conclusão mais óbvia possível: eu não passaria naquilo nem rezando por um ano. As questões eram discursivas, nenhuma objetiva. As observações escritas por Vicente na prova eram claras: respostas completas, sem rasura.

“Tudo bem, vamos lá”.

Olhava para os lados, precisava pensar um pouco mais. Era só uma prova, eu era a aluna número um da escola, eu daria conta. Continuei olhando para os lados, como se pudesse adquirir as respostas observando os tons de vinho da parede. Não era possível, nunca havia visto uma prova tão difícil. Eu não conseguia entender, era isso.

Minha cabeça começou a doer, senti minhas mãos suando e meu coração palpitando. Por que estava naquele estado? Era só uma prova. Disfarçadamente, fitei os olhos de Vicente, que para meu total azar, me observavam de longe. Ele não tinha expressão alguma, só parecia me analisar. Aquele homem era o demônio, com toda certeza. Uma versão bonitinha e inteligente, mas continuava sendo o capiroto.

Perceber que ele estava me observando só piorou minha situação. Ele estava percebendo que era incapaz de fazer uma única questão! Por outro lado, notei que Catarina escrevia sem parar em sua folha. Oh! Por que ela tinha que ser tão irritante? Mas espera aí, ela não estava fazendo nada demais. Por que eu estava com raiva dela assim? Eu estava com inveja, só podia ser.

Tentei me consolar pensando nas matérias que era melhor que ela. Ela não era tão boa em Química, eu já havia decorado a tabela periódica. Ela era péssima em Produção Textual, eu havia tirado a melhor nota da escola na redação do vestibular de uma ótima faculdade no ano passado. Catarina não tinha conseguido conceito A na prova de Geometria Espacial, eu saberia recitar todas as fórmulas dos sólidos. Era isso, ela só era melhor em Filosofia.

Não! Não era! Rapidamente um flash de sua nota muito melhor que a minha em Sociologia me tomou. Por que diabos eu precisava lembrar que ela tinha sido superior? Senti meu coração acelerar ainda mais. Eu não ia passar naquela prova, eu ficaria de prova final com o professor mais carrasco da escola e provavelmente, chamariam meus pais na escola. Meu irmão iria me humilhar, eu estava envergonhando minha família.

Meus pensamentos negativos continuaram me atormentando durante a prova, nada parecia conseguir me tirar deles. Algo conseguiu me tirar do meu mundinho pessoal, a voz da ruiva mais insuportável da face da terra.

— Já terminei, professor — Catarina anunciou, com sua doce voz de garota que finge ser meiga. — Espero que eu tenha passado.

— Você com certeza passou — Vicente a tranquilizou.

Ela continuou parada, olhando para ele, que desviou o olhar. Mexia nos cabelos alaranjados descaradamente, como se pudesse conquistar alguém com tamanha falta de graça. Fala sério, quem diabos gostaria de uma garota tão sem tempero? Talvez ele goste dela, meu subconsciente respondeu e senti novamente a sensação estranha. Não consegui me conter, soltei um forte tossido fingido e recebi a atenção da turma.

— Foi mal, gente — Me desculpei. — Tomei uma chuva semana passada e aqui estão os frutos.

— Continue sua prova, Rebeca — Vicente pediu. — Catarina, já que terminou a prova, espere do lado de fora da sala até que todos tenham terminado e darei as notas.

Aquilo tinha sido uma espécie de fora? Eu esperava que sim. Não gostava da ideia dos dois juntos daquele jeito… Não, não poderia acontecer. A ruivinha nojenta saiu, com a cara mais feia do mundo e bateu a porta com mais força do que era necessário. Revirei os olhos e continuei minha prova.

Depois de colocar as respostas mais sem noção da face da terra, entreguei minha prova, já sabendo que não passaria de forma alguma.

— Esperando por um dez? — Ele questionou.

— Se eu tirar dois, já é um grande avanço — Falei, enquanto caminhava para longe. — Eu odeio Filosofia!

Ele riu e abaixou a cabeça. Em seguida olhou-me com um olhar divertido. Por que ele tinha que me encarar com aquele olhar irônico? Sentia vontade de socá-lo. Ou de fazer outra coisa? Meu cérebro me disse e eu revirei os olhos sozinha, pensando na ridícula possibilidade daquilo acontecer. Não, eu nem deveria cogitar a ideia de …

— Rebeca, como foi a prova? — Olhei de canto e notei a presença da pessoa que eu menos gostaria de ver naquele momento.

Catarina tinha os braços cruzados e um começo de sorriso no rosto alvo.

— Não é da sua conta — Fui grossa. — E não, não quero saber como você foi.

Ela não se ofendeu. Já estava acostumada com minha educação e etiqueta, tão acostumada que ficava impressionada de ela ainda falar comigo. Ela já havia tentado me prejudicar na escola várias vezes, em uma delas até insinuou que eu havia roubado o seu caderno de anotações para ir melhor que ela na média final. Tinha vontade de apertar seu fino pescoço e chutar suas longas pernas. Ridícula.

— Você tem muita audácia para uma garotinha tão pequena — Ela respondeu.

— Sabe o que mais eu tenho de sobra? — Ironizei. — Vontade de vomitar cada vez que a vejo, filhote do boneco Chuck!

— Cala a boca, oitava anã de jardim que fugiu da floresta — Ela fingiu passinhos com os dedos. — Aprende a tratar as pessoas com o mínimo de educação, quem sabe assim suas notas em Filosofia não subam, a gente não está estudando ética?

Precisava sair dali ou esmagaria o seu lindo narizinho fino como o de uma senhora alemã.

— Vá te catar, Catarina!

— A inveja é uma coisa horrível, não é mesmo? — A voz da garota era quase tão insuportável quanto ela mesma.

Sua suposição de que eu tinha inveja dela era estúpida. Sempre foi o contrário, ela tinha inveja de mim.

— Sabe o que é horrível? Essa sua cara de atriz pornô mal sucedida! Tem até uma seção para “ruivas com cara de sonsa”, que tal se você visitasse e se inspirasse um pouco? Idiota! — Me retirei no mesmo instante.

*/*

Repassando minha discussão com Catarina, percebi que eu era definitivamente infantil. Por que diabos tinha caído na provocação dela? Af, eu estava regredindo mentalmente. Fazia anos que não tinha uma discussão de Chiquititas dessa, será que eu estava mesmo perdendo a maturidade que havia adquirido?

— Rebeca, Rebeca! — Alexandre chamou. — Parabéns pelo primeiro lugar, sabia que você arrasaria!

Ponto para o Ale. Ele tinha acabado de me lembrar do maldito ranking. Estava possessa de raiva, acabaria descontando nele.

— Alexandre, você poderia ficar quieto?

— Nossa, Beca, tá tendo um dia ruim?

— Não, estou tendo um dia péssimo!

Mesmo sendo mais novo um ano, Alexandre era muito mais alto que eu. Desconfiava que havia poucas pessoas menores que eu, pelo menos Marta era.

— O francês de novo?

Como ele podia saber? Estava escrito na minha testa: pensando no maldito professor de Filosofia?

— Sim, mas não é só ele… A Catarina me tirou do sério!

Ale parecia prestes a gargalhar. Qual era a graça da situação? Não estava entendendo. Ele era maluco, era isso.

— Qual Catarina? Catarina Bucker, a ruivinha?

— Essa mesmo. Ela é uma idiota!

Ele sorriu de lado.

— Eu acho ela bem boa para falar a verdade… Aquelas sardinhas, nossa! Pegava fácil…

Aquilo não podia ser sério. Então Alexandre a achava atraente? Será mesmo que existiam adeptos de ruivas sem um pingo de carisma? Não era possível. Existia gosto para tudo mesmo. Não queria, mas me senti mal novamente. Eu estava virando o que? Uma vadia invejosa? Nunca fui disso.

— Você está falando sério?

— Sim, por que não estaria? Ela é mó gata, Beca! — Ele afirmou. — Mas dizem que ela nem nunca beijou na boca.

— Não apareceu nenhum doido ainda, é isso!

— Fala sério, Rebeca! Aposto que todos os garotos da escola ficariam com ela facilmente, ela não é feia.

— Mas também não é bonita! Ela é sem sal!

E foi aí que Alexandre começou a rir descontroladamente.

— Você está com ciúmes dela? É isso? — E voltou a rir. — Poxa, Beca! Não precisa disso… Você também é linda.

Franzi o cenho.

— Eu não tô com ciúmes de ninguém! — Quase gritei. — Só não acho graça nela.

— Fica tranquila, você tem muito mais graça que ela! Mas ela também tem lá sua beleza.

Não queria mais falar sobre a idiota, por isso dei as costas ao meu amigo.

*/*

Depois que o último aluno terminou sua prova, Vicente nos chamou de volta para a sala. Ao lado de Luíza, Clarice e Monalisa, entrei na sala.

— Então o Alexandre acha a Catarina bonita? — Clarice revirou os olhos. — Esses meninos não podem ver uma ruiva, eu fico chocada!

— Realmente, isso é tão idiota! — Luíza comentou.

— Ela é bonita mesmo — Monalisa afirmou.

Nós todas olhamos para Monalisa, que continuou com o rosto imparcial.

— O que foi? Não posso dar minha opinião? Ela não é só ruiva, ela é bonita sim — Ela disse. — Me admira que a Rebeca esteja falando mal dela apenas por ciuminho infantil.

Levantei no mesmo instante e sentei na outra ponta da sala. Não era obrigada a ficar ouvindo aquele tipo de coisa. Conhecendo bem Monalisa, sabia que ela estava falando exatamente o que pensava. Ela era sincera, dificilmente mentia sobre algo. Eu estava com ciuminho infantil? Meu Deus, precisava rever meus atos.

Presa em meus devaneios sobre estar sendo uma idiota, continuei parada e sentada em minha carteira. Precisava respirar, a escola estava me deixando maluca e um certo professor de Filosofia não estava melhorando as coisas. Senhor, me ajuda.

— Então, aqui estão os resultados — Vicente declarou. — Parabéns, Catarina, você teve o melhor desempenho da turma.

Catarina lançou-me um olhar de desprezo, desdém.

Eu esperava por aquilo, mesmo assim, foi como uma faca atravessar meu corpo. Não entendi o motivo, nunca tinha me acontecido. As lágrimas formaram-se em meus olhos. Por que eu tava chorando? Era só uma prova. As lágrimas foram descendo sem parar, não consegui conter. Então levantei e saí da sala, torcendo para ninguém notar o que estava me acontecendo.

Infelizmente, alguém me seguiu.

— Você está bem, Rebeca? — Ouvi a voz grossa de Vicente.

Notas finais
Não vai embora ainda, ajuda aqui! Tô com um grupo no Whatsapp para os leitores da fic e gostaria que vocês participassem, quem quiser, basta deixar o número nos comentários ou me mandar mensagem! Espero que vocês curtam a ideia, beijocas!