Chasteté
4 Alvorecer

{Capítulo III: Aube}"Toda alvorada traz consigo a esperança de mais um belo dia.Lucas Serafim"
— Essa princesa é uma bruxa. — A jovem falou emburrada, Marinette ficou ligeramente impressionada com a atitude da moça.
— Porém, ainda era a princesa e ainda era a esposa dele. — Marinette disse a contragosto. — Fiquei bastante magoada ao saber de tudo.
— É compreensível, se ele queria tanto se aproximar deveria ter sido de forma honesta. — Disse a donzela olhando compreensiva para a madre. Nunca julgou a mulher por ter amado um homem casado, sempre imaginou que todas as formas de amor eram encantadoras ao seu modo, estava honrada por ter a confiança da mais velha, mesmo nunca a visto antes. — Como reagiu a notícia?
— Fiquei descrente no início, tentava, a todo custo, negar o que estava acontecendo, queria escutar a resposta da boca do próprio e, bem, depois que soube da morte da Madre Bustier na fogueira, após ser acusada de bruxaria, as coisas foram de mal a pior, inclusive meus sentimentos. — Marinette olhou para a menina. — Nunca senti tanta ira, tristeza e decepção em toda a minha vida. Porém, por mais incrível que fosse, a saudade e o desejo de tê-lo por perto ainda era demasiado.
— É normal. — A menina falou dando de ombros, sempre lia coisas parecidas em livros, frases como "Quem ama perdoa". — Isso quer dizer que o perdoou?
— Dizer que o perdoei imediatamente seria um equívoco. — A madre ressaltou suspirando em seguida. — Mas, mesmo por trás da tristeza e da raiva, conhecendo-me bem, seria questão de tempo e muita perseverança para que ele mudasse a situação. — Sorriu sentindo-se nostálgica, foram tempos sofridos, mas foram tempos de muitas emoções inesquecíveis. — E tempo e perseverança ele tinha aos montes...
“E você continua voltando, voltando novamente(And you keep coming back, coming back again)Continua correndo em volta, correndo em volta, correndo em volta da minha cabeça(Keep running round, running round, running round my head)E tem certas coisas que adoro(And there's certain things that I adore)E há certas coisas que eu ignoro(And there's certain things that I ignore)Mas tenho certeza que sou seu(But I'm certain that I'm yours)Certo que sou seu(Certain that I'm yours)Certo que sou seu(Certain that I'm yours)”
Vinte dois anos antes...
Marinette escovava seus cabelos diante do espelho. Seus olhos estavam vazios, cansados de tanto chorar. Nem mesmo ela sabia mais os motivos de suas lágrimas.
Talvez por amar um homem comprometido? Talvez por ter sido ludibriada pelo homem que amava? Talvez por nunca poder ter o amor dele? Talvez por seu coração estar partido naquele momento? Ou talvez por que a pessoa que ela amava como uma mãe, morreu queimada como uma bruxa?
Haviam tantas possibilidades.
Sentiu as lágrimas caírem mais uma vez enquanto a escova passava por seu longo cabelo. Suspirou, sentia um peso enorme em seu peito, quase a queimando por dentro, um raiva, um desejo, uma bipolaridade gigantesca. Parte de si quería odiá-lo. Parte de si quería amá-lo. Não queria ouvir nenhumas das partes, queria a paz que tinha antes de conhecê-lo, seu maior tormento e seu motivo para continuar respirando.
Fechou os olhos sentindo as lágrimas caírem por seu rosto quente, enquanto lábios frios tocavam uma parte exposta do seu pescoço. Sabia que era ele, não podia ser outra pessoa. Sabia que em algum momento ele viria, mas aquele não era o melhor momento. Sua cabeça estava confusa, principalmente seus sentimentos. Guardava uma enorme fúria em seu peito e um enorme desejo em todos os seus sentidos. Mesmo querendo afastá-lo, seu corpo ainda reagia a um simples toque dele. A pele tocada ainda formigava levemente. Marinette podia sentir seus pêlos se arrepiarem só de sentir a respiração dele em seu pescoço.
Segurou a escova con força. Não sabia o que seria capaz de fazer se ele ainda mantivesse contato. Podia afastá-lo aos tapas ou podia abraçá-lo aos beijos. Não entendia mais nada. E tinha medo do que havia para ser entendido.
— Vá... vá para casa, Chat. — Marinette tentou manter a sua voz, mesmo com a respiração acelerada e o rosto completamente vermelho, o coração lhe traia batendo tão rápido que parecia querer sair pela boca. Tinha medo que ele escutasse, tinha medo que ele lesse as estrelinhas de seus movimentos e de suas palavras. Tinha medo que ele soubesse de suas vantagens sobre ela, de seu poder tremendo para fazê-la mudar de humor, mesmo quando ela estava extremamente triste e decepcionada.
— Mas eu acabei de chegar. — Ele rebateu com sorriso ladino que fazia Marinette sentir-se ainda mais nervosa. Não podia deixá-lo se aproximar mais, porém não conseguia mexer um músculo com ele tão perto. Sentia falta daquela presença, daquele calor, daqueles beijos. — É a primeira vez que lhe vejo com os cabelos soltos, são lindos, tudo em você é lindo pra mim. — Sentiu os lábios dele passarem por todo seu pescoço enquanto ele lhe abraçava por trás. Céus, podia ficar anos daquele jeito e não se importaria com mais nada. Seus olhos marejaram mais uma vez, as lágrimas caíram descontroladas. — Está chorando. O que houve? — A voz preocupada dele foi que tirou Marinette de seu transe.
— Por favor, vá para casa, Sua Alteza. — Marinette disse. Chat afastou-se naquele mesmo momento, tentou pensar de várias formas as quais Marinette poderia ter descoberto, mas não conseguiu imaginar nenhuma viável.
— Como soube? — Perguntou preocupado, quase receoso de escutar a resposta.
— Sua esposa veio para o convento com um inquisidor, levaram a Madre Bustier e a queimaram acusando-a de bruxaria. Nas palavras da princesa, uma bruxa enfeitiçou-te e rogou uma praga nela. Ela fez questão de me dizer quem tu eras e o que querías de mim. — Marinette olhou para ele com lágrimas nos olhos e a voz embargada, queria mostrar-lhe raiva, mas somente conseguiu um rosto patético de tristeza. — Eu preferia ter ouvido a verdade de você, estava tão cega que te perdoaria tão fácil se você me dissesse.
— Prin...
— Por favor. — Marinette interrompeu-o altou. — Não me chame assim.
— Marinette. — Chat corrigiu-se para que ela não se sentisse pior. — Eu não sei o que Lila disse, e, sinceramente, imagino o que ela deve ter dito. Talvez eu fosse um canalha com as outras mulheres, mas com você sempre foi diferente. Eu não viria todas as noites mascarado por apenas uma conquista, eu fiz por amor e até tentei me iludir dizendo que não era, mas você mudou tudo em mim. Eu nunca entrei em uma briga por outra mulher, eu nunca fiquei pendurado em uma varanda só para ver alguém, eu nunca tentei me explicar para alguém como eu estou fazendo agora.
— Sua Alteza, vá para casa. — Marinette respirou fundo tentando conter as lágrimas. — Eu não quero dizer coisas ruins para você, por favor, vá, Adrien.
Aquela foi a primeira vez que ela havia pronunciado o seu nome. Carregou uma certa alegria em seu peito ao mesmo tempo que sentia-se triste por ela falar com tanta decepção em sua voz. Adrien foi até a varanda, não podia culpá-la, ele sempre acabava estragando as coisas se alguma forma.
— Você pode negar tudo o que eu disse, mas não pode negar que eu te amo. — Então ele foi embora.
Enquanto ela desabava no chão sentindo rios de lágrimas em seu rosto.
⚔
— Você não vai passar! Será que o senhor se faz de surdo ou não entendeu? Marinette ainda está muito magoada, e com razão, então eu não vou deixar você entrar nesse quarto só pra confundir a mente da minha amiga em defesa do seu príncipe metido a galanteador. — Alya falou com os braços cruzados em frente à porta do quarto de Marinette. Sua amiga não saia do cômodo para mais nada além de rezar a missa matinal, do contrário, nem mesmo para as refeições a mestiça decidia sair.
Ficou surpresa ao saber das tais visitas noturnas que Marinette recebia, mas não ficou tão surpresa quando ouviu que o príncipe estava metido naquilo. Via como ele a olhava, sabia que em algum momento ele machucaria ela de algum jeito, do mesmo modo que o seu guarda-costas queria fazer consigo, ele que, aliás, era a pessoa com quem Alya falava naquele exato momento.
Nino apareceu de repente querendo forçar uma entrada no quarto de sua amiga, obviamente para defender o amigo e dizer coisas bonitas para que Marinette repensasse sobre a situação. Por isso, Alya havia tomado para si a missão de não deixar homem algum ultrapassar aquela porta. Principalmente se fosse o príncipe e o seu guarda-costas. Não deixaria mais nenhum homem machucar a sua amiga, mesmo quando não conseguia parar de pensar naquele homem irritado com a sua interferência.
— Você simplesmente não consegue entender? Eles se amam. Eu nunca vi Adrien apaixonado na minha vida, Marinette faz um bem para ele que mais ninguém conseguiu fazer, além de sua mãe. — Nino falou tentando de todo modo convencer a mulher a deixá-lo passar. — A rainha Emilie fazia Adrien humano, depois que ela morreu ele não sabia mais o significado de amar alguém tão intensamente quanto ama Marinette, isso dá para saber apenas olhando para ele.
— Achas que vou impressionar-me com isso? Sabes o quanto nós estamos sofrendo por este erro que ele cometeu? Uma vida inocente foi tirada, sabes a gravidade disso? — Alya falava despejando tudo que havia de ruim em seu peito, sentia-se imensamente triste pela morte da madre, nem sequer notou quando as lágrimas saíram de seus olhos. — Eu a amava como se fosse minha mãe, Marinette pensas da mesma forma, por isso que não conseguimos acreditar nisso tão fácil.
Nino ficou sem reação, seu instinto natural foi abraçá-la, mas, tinha medo de ser rejeitado. Apenas colocou uma mão em nos ombros dela e a olhou fixamente.
— Eu sei que é difícil acreditar, Adrien sempre tem o costume de demonstrar amor de um jeito torto, mas isso não significa que ele não a ama, não podem deixar que as intrigas da princesa acabem com o amor deles, tenho certeza que a Madre Bustier também não iria querer isto. — Nino falou firme, tentando suprir sua necessidade de ter Alya em seus braços, Deus sabe o quanto a queria também, mas não era o momento para pensar em si.
— Que provas tens de que o que Príncipe diz sobre seus sentimentos seja verdade? Que garantia eu tenho que Marinette não vai sofrer? — Alya perguntou, ela ainda estava bastante desacreditada mas ela queria poder acreditar, era fácil para Nino falar sobre Adrien já que convivia com o mesmo desde quando se conhecia por gente, então era compreensível que pessoas de fora, como Alya ou Marinette, não entendessem completamente os sentimentos dele.
— Adrien vai pedir a anulação do casamento. — Isabele chegou soltando a notícia após perceber a agitação em frente à porta do quarto de Marinette, fazia um bom tempo que o príncipe estava considerando aquela opção e somente agora ele finalmente teria coragem.
— É possível? Uma anulação de casamento. Achava que o matrimonio era algo eterno, afinal, o homem não pode separar o que Deus uniu. — Alya falou um pouco descrente com aquela novidade.
— A uma possibilidade de Adrien conseguir uma anulação com o consentimento da igreja, é compreensível que algumas pessoas não saibam porque o clero não recomenda esse tipo de coisa. — Nino falou pensativo. — Mas, se uma mulher demonstra-se infértil, o homem pode solicitar uma anulação de casamento. É bastante comum com alguns nobres que desejam herdeiros.
— Isso não significa que o reino vai aceitar Marinette, principalmente a família real. — Alya comentou.
— Ei! Eu já aceitei a Marinette como a minha cunhada assim que coloquei os olhos nela, tenho certeza que minhas irmãs e meu pai vão gostar dela, mesmo que o matrimônio com uma moça de convento não seja algo estrategicamente bom na política. — Isabele cruzou os braços emburrada, odiava a política. — Isso depende da força de vontade dos dois.
Quando Alya ia falar algo, a porta abriu revelando uma Marinette normal diferente de como todos ali imaginavam como ela estava. Seus olhos estavam levemente inchados, mas mesmo assim ela não demonstrava qualquer outro sinal diferente de algo comum, como se ela nunca tivesse se trancado em seu quarto por tanto tempo.
— Nino. — Ele deu um passo a frente demonstrando ter a escutado. — Diga a Adrien para vir.
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Adrien entrou no jardim olhando em volta, aquele lugar não mudou muito. Riu internamente, vinha a quase todo momento para aquele convento, mas apenas uma vez pisou naquele pequeno jardim. Não era nada grandioso, como aqueles que tinha no palácio, era um espaço pequeno e simples com alguns canteiros de flores, uma pequena trilha e uns poucos bancos.
Em um desses bancos, estava ela, o motivo pelo qual ele veio para aquele convento, não como Chat Noir, mas como Adrien Agreste, Príncipe herdeiro do reino de Lutetia, ou pelo menos era assim que o reino se chamava antes de seu pai, atualmente, decretar que o reino chamaria-se Paris, a cidade luz, a cidade do amor.
Era irônico tal coisa acontecer em tal momento de sua vida. O rei não deu muitos motivos para tamanha decisão, mas o príncipe também não procurou saber muito. Seus pensamentos estavam voltados à apenas uma pessoa, Marinette Dupain-Cheng. A menina sentada no banco no centro de jardim, vestida com um simples hábito religioso totalmente branco, característico de noviças, que apenas deixava o seu rosto e um pequeno pedaço de cabelo amostra.
— Está decidida a fazer seus votos? — Adrien perguntou assim que chegou perto dela, sua voz carregava certa hesitação, talvez fosse o medo de ouvir a resposta que ela tinha para lhe dar. Ela lhe olhou. Da última vez que a viu, seus olhos estavam vazios e confusos, ela não sabia por qual caminho seguir ou qual sentimento sentir. Mas, naquele momento em questão, havia decisão e determinação em seus olhos, o que aumentou o medo de Adrien, não sabia se aquela determinação todo significava algo bom ou algo ruim.
— Isso vai depender do rumo de nossa conversa. — Ela lhe respondeu. Havia firmeza em sua voz, mantinha a postura, como a donzela que era, enquanto se levantava do banco. — Sua irmã comentou que está disposto a anular o seu casamento, isto é verdade?
— Eu nunca pensei em acabar com o meu casamento, mesmo, perante a lei, tendo os meus direitos, queria não ter de recorrer a motivos tão injusto para solicitar uma separação, mas vendo do que Lila é capaz, do que eu sinto por você é capaz, eu tenho que ter coragem. — Adrien pegou a mão de Marinette, sem se importar se acabariam sendo vistos. — Não existe motivos para eu assumir responsabilidades que não são minhas, qualquer uma de minhas irmãs sabe bem como é casar-se por motivos tão triviais, favoritismo político ao invés do bem-estar do povo, ainda com uma pessoa tão fútil e que visa apenas suas próprias necessidades.
— O quer dizer com isso? — Marinette ficou assustada com até onde Adrien podia chegar com todo aquele discurso.
— Assim que eu conseguir anular o meu casamento, meu pai vai querer imediatamente casar-me com alguma moça de sangue nobre que firme laços políticos no reino, eu percebo que ele tem a vontade de trocar a minha esposa desde quando as pessoas começaram a comentar sobre a infertilidade de Lila. — Adrien respirou fundo e olhou para Marinette decidido. — Eu quero casar-me com você antes que isso aconteça, será uma cerimônia simples e com poucos convidados, vou apenas dizer ao meu pai que pretendo resolver alguns conflitos na fronteira. Lá mesmo nos casamos em uma pequena paróquia e, de preferência, voltamos contigo grávida. Isso, no mínimo, faria você aceita pelo povo.
— Queres casar-se comigo? — Marinette perguntou por reflexo tentando digerir tanta informação ao mesmo tempo, ele afirmou com a cabeça e ela sorriu. — Ter filhos comigo? — Ele afirmou novamente. — É um plano arriscado.
— Nino irá conosco, se quiser ele já pode ir na frente com Alya, serão nossas testemunhas, ninguém vai ter o direito de reclamar nada. — Adrien sorriu. — Vão haver pessoas que vão querer mudar isso, mas, eu não vou deixar ninguém interferir na nossa felicidade.
— Está falando sério? Faria essas coisas... por mim? — Marinette perguntou esperançosa, nunca imaginou que alguém pudesse chegar a ir tão longe por ela. Principalmente um príncipe, por alguém sem família ou sem sangue nobre, como ela.
— Eu faria qualquer coisa para poder te dar a família que você tanto deseja, filhos, netos, bisnetos, o que for. — Ele sorriu colocando a mão no rosto dela. — Faria qualquer coisa pelo seu sorriso, pela sua felicidade, porque você é a única pessoa que faz com que eu me sinta vivo. Eu quero ver-te envelhecendo, ver-te brava, ver-te envergonhada, ver-te feliz. — Ele a beijou, ela sentia a euforia passar pelo seu peito e dançar com as batidas rápidas do seu coração a cada minuto que o beijo se passava, sentia o seu sorriso e o sorriso dele quebrarem o beijo diversas vezes.
— Prometes que desta vez é para valer, prometes que não estas a enganar-me novamente. — Ela encostou a sua testa na dele sentindo a respiração alheia bater em seu rosto.
— Prometo, prometo por tudo que há de sagrado em minha vida, nada no mundo vai mudar o que eu sinto por você. Amo-te muito. — Adrien sorriu enquanto retornavam com os beijos.
Ficaram daquele jeito por mais algum tempo, tentavam evitar os olhares curiosos de algumas pessoas no convento. No final, Adrien não ficou por muito tempo, mas foi o suficiente para que matassem a saudade um do outro. Com ela, ficou a promessa de vê-lo em breve. Já contava os minutos para finalmente casar-se e ter a sua desejada família ao lado do homem amava.
Estava disposta a enfrentar tudo e todos.
Se isso significasse que eles tinham a permissão de serem felizes juntos.
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Sentou-se no pequeno banco de pedra que a escondia dos guardas ou de qualquer outra pessoa que pudesse passar ali no meio da noite. No estreito lugar, ela podia ver o céu noturno que, em alguns momentos, começaria a clarear.
Arquitetaram o plano minuciosamente para que não houvesse erro.
Alya e Nino já seguiram viajem até o local, provavelmente já fizeram todos os preparativos para que, assim que Marinette e Adrien chegassem, pudessem casar-se. Marinette fugiu do convento com a ajuda de Isabele e de alguns guardas fiéis ao Príncipe e contra a Princesa Lila. Não foi uma experiência fácil, quase foi pega por algumas freiras que faziam a vigilância em alguns horários noturnos. O que estava fazendo era errado, mas valeria a pena, todavia ainda seguiria tudo de um jeito certo, casaria-se e formaria uma família.
Estava ansiosa, seu coração quase saia pela boca por tamanho nervosismo. Respirou fundo, tudo terminaria bem, era só ter fé.
Sorriu ao imaginar Alya e Nino naquele exato momento, provavelmente estariam brigando feito cão e gato. Seria uma bênção se ambos também assumissem logo os sentimentos que possuiam.
Juntou as mãos e soprou para que pudesse esquenta-lás. Estava bem agasalhada, mas as noites ainda eram bastante frias. Torcia para que Adrien chegasse logo, gostava da adrenalina, mas ainda estava receosa por tudo que poderia acontecer.
Algo dentro dela dizia que ela só poderia ter certeza de que tinha permissão para ficar com o seu amor, se estivessem casados. Bem, não era só permissão que ela queria, talvez fosse coragem, talvez ela precisasse daquela garantia para poder ser corajosa dali em diante. Para seguir em frente, com Adrien, sem mais nenhum empecilho. Mesmo que o reino ficasse contra eles. Mesmo se a realeza ficasse contra eles. Mesmo se a igreja ficasse contra eles. Ela não se importaria de abandonar tudo para apenas viver Adrien. Nem que fosse em um lugar afastado, simples mas aconchegante.
Sorriu, imaginava até como seria. Podia ouvir os gritos das crianças, sentir os abraços surpresas de Adrien, já podia ficar feliz por ter uma casa tão animada e uma família tão unida. A família que sempre desejou ter. O seu único pedido a Deus, durante toda a sua vida.
Talvez estivesse divagando demais, ainda nem tinha certeza se conseguiria sair da sua "lua-de-mel" grávida. Seria uma bênção, e faria com que as pessoas a aceitassem depressa. Mas cada coisa se planeja uma de cada vez.
Olhou para o céu. O Sol já dava os primeiros indícios de sua existência. Sorriu ao ver o dia começar a amanhecer.
Talvez aquilo fosse algum tipo de analogia para o que viria a seguir.
Um novo dia.
Uma nova história.
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