Chasteté
5 Castidade

“E tem certas coisas que adoro(And there's certain things that I adore)E há certas coisas que eu ignoro(And there's certain things that I ignore)Mas tenho certeza que sou seu(But I'm certain that I'm yours)Certo que sou seu(Certain that I'm yours)Te adoro(I adore you)Certo que sou seu(Certain that I'm yours)Te adoro(I adore you)”
O céu já estava quase claro, podia perceber que estava amanhecendo. Naquele horário, provavelmente as freiras e os frades acordariam primeiro para preparar a missa. Logo depois, as moças e os rapazes mais novos iriam direto para a paróquia e rezariam todas juntas até as seis da manhã. Quando a hora chegasse, fariam seu desjejum no simples refeitório do convento.
Lembrava-se de quando era mais nova. Ela e Alya ficavam impacientes na hora da reza, vez ou outra abriam os olhos e compartilhavam caretas enquanto as freiras, os frades, as noviças, os noviços e as poucas donzelas e poucos rapazes que haviam sido colocados no convento por seus pais, rezavam alheios ao que as meninas faziam.
Madre Bustier era a única que as notava e as repreendia, fazendo-as voltar a rezar, ou, no caso, ficar de olhos fechados enquanto o padre falava algo em latim. Eram crianças, então não entendiam o que estava sendo dito, bem que, sinceramente, nem mesmo quando Marinette tornou-se uma donzela, ela passou a entender aquelas palavras.
Depois do desjejum, corriam pelo jardim deixando a madre Bustier nervosa com tanto alvoroço. Era feliz, não preocupava-se com muitas coisas. Brincava e rezava a maior do tempo, às vezes ajudava na pequena horta e em alguns eventos de caridade que o convento organizava. Olhava para as freiras com admiração, mas nunca quis ser uma, queria ter uma família, filhos, marido, netos, queria ser a mãe que nunca teve ou a mãe que Madre Bustier havia sido para si.
Era um sonho relativamente simples. Não tinha obrigações para com o convento, se quisesse casar e ter uma família, as freiras abençoariam a sua decisão. Quando completou seus dezoito anos, achava que era uma questão de tempo até se apaixonar.
E realmente foi.
No mesmo dia conheceu aquele que mudou completamente sua visão de mundo, alguém de fora, raramente conversava com as pessoas de fora do convento, as freiras sempre diziam que trazia má reputação para as moças que ficavam de conversa com homens desconhecidos. Mas com ele foi conexão instantânea. Percebeu em seu olhar enquanto ele entrava na paróquia e não desviava os olhos verdes de sua pessoa. Achava que não era o suficiente para poder lutar pelo amor do princípe.
Nunca esteve tão certa.
Tentou se iludir dizendo que talvez pudesse dar certo, mas, convenhamos, essa história não trata-se de um conto de fadas. Ela não queria ser princesa, só queria uma família. Ela não queria um príncipe, só queria ser amada. Ela não precisava de um final feliz, só não queria ser abandonada de novo.
Certa vez, uma das freiras lhe disse que Deus escrevia certo por linhas tortas. Talvez fosse aquilo mesmo. Ou talvez Deus fosse apenas um péssimo escritor. Riu seca. Quem ela queria enganar? Essa história nunca tratou-se de religião, nunca tratou-se de diferenças sociais, nunca tratou-se de diferença de gênero, nunca tratou-se, nem mesmo, de uma história de amor.
Tudo o que havia acontecido foram resultado das suas escolhas, e as dele também.
Ele escolheu não anular o casamento antes.
Ela escolheu continuar amando independente de tudo.
Eles escolheram esse final.
Seja ele bom.
Ou ruim.
— Um gatinho no telhado, tá sozinho sem sua gata. — Ela cantarolava enquanto via o céu finalmente clarear de vez.
Era um novo dia.
{Epílogo: Chasteté}Castidade: Abstinência completa dos prazeres do amor.
“Vamos ignorá-los(Let's ignored them)Vamos ignorá-los(Let's ignored them)Eu te adoro, eu te adoro(I adore you, I adore you)Eu te adoro, eu te adoro(I adore you, I adore you)Vamos ignorá-los, vamos ignorá-los(Let's ignored them, let's ignored them)Vamos ignorá-los, vamos ignorá-los(Let's ignored them, let's ignored them)”
Vinte dois anos depois...
— Acho que é mais que óbvio dizer que, se tivéssemos terminado juntos, nós não estaríamos aqui. — Marinette suspirou com um sorriso triste em seu rosto, a jovem ao seu lado havia derramado-se em lágrimas, sabia que a madre tinha razão.
— Mas... porquê? Ele disse que queria ficar com você, para qual propósito passar por tanta coisa apenas para não comparecer? Apenas para fazer as coisas terminarem piores? Não há sentido algum nisto. — A moça perguntou indignada com aquele final, não era possível, não havia explicações pra tal ato cruel.
— Eu também fiquei indignada no início, na verdade, assim que dei-me conta de que ele não viria, estava quase indo até o castelo tirar satisfações. — Marinette olhou para o altar pensativa. A jovem não compreendia, como ela conseguia falar sobre aquela história com um sorriso tão gentil em seu rosto? Como ela podia suportar aquilo? — Porém, Isabele e um guarda fiel ao príncipe vieram buscar-me um pouco após o amanhecer, ela tentava conversar comigo mas... eu não estava muito... sã para escutar algo e analisar com calma. Durante o resto da manhã fiz as minhas atividades como se nada tivesse acontecido, por sorte, ou algum milagre, ninguém havia notado a minha saída, foi... menos humilhante. Logo depois, quando estava mais calma, fiquei sabendo da grande novidade.
Marinette abaixou a cabeça, foi o único momento em que ela demonstrou fraqueza ao contar aquela história. Ela tremia. A moça podia perceber que aquela parte em específica da história mexia com ela. Segurou a mão trêmula da mulher mais velha, não sabia o porque, talvez fosse pela história, ou pelo tempo que passaram conversando, mas sentia-se compadecida com aquela mulher. Quase como se a devesse algo.
— A anulação foi negada, ele não pode sair do casamento pois a Princesa Lila... estava grávida. — A menina arregalou os olhos ao ouvir aquele nome. — O Reino inteiro festejou a chegada do primeiro herdeiro do príncipe, eu os vi sorrir para a população. Ela sabia. Ela sempre soube que, algum dia, ele não ficaria mais satisfeito com aquela união. Ela nem precisava adivinhar os nossos planos para ter certeza daquilo, então ela se garantiu, e que garantia melhor para se arranjar do que um filho?
— Meu Deus! Essa mulher, Lila... Lila Agreste? — A menina perguntou-se sentindo as lágrimas caírem de seus olhos e um queimar em seu peito. Havia pensado na possibilidade ao ouvir o nome Adrien, porém era um nome tão comum que não percebeu durante todo aquele tempo. — A Princesa... Não! A Rainha Lila Agreste? Minha mãe?
— Emma! — Ouviram uma voz masculina na entrada da paróquia, uma voz grave e máscula, porém velha.
Naquele momento, houve um dejá vù.
A iluminação da paróquia era clara, como a iluminação do início manhã ao contrário da luminosidade baixa e alaranjada do fim da tarde. Ao lado de Marinette estava Alya, ao contrário da jovem Princesa Emma, estavam mais jovens e mais ingênuas. Na entrada da paróquia, estava a Madre Bustier, Nino, Isabele e ele. Adrien. Seu Adrien.
Levantaram-se e fizeram uma reverência perante Sua Alteza, ao invés de Vossa Majestade. Quando ela levantou a cabeça, estavam os dois sozinhos, ainda com a mesma aparência de antes. Marinette com os cabelos negros azulados presos em uma trança, os olhos azuis curiosos olhando para o príncipe, vestida com roupas comuns e extremamente comportadas graças aos padrões do convento. Adrien com os cabelos loiros sempre bagunçados, os olhos verdes que nunca desgrudavam da menina, vestido com roupas nobres porém um pouco menos padronizadas para a época.
Era uma ilusão deles.
E somente deles.
Um mundo imaginário para eles.
Mas, a realidade, em algum momento, sempre chegaria.
E não foi diferente daquela vez.
Marinette não usava mais as roupas simples de uma plebéia. Usava um hábito religioso preto e branco com um terço em seu pescoço. Em seu rosto, havia as marcas severas de idade, mesmo que tivesse 40 anos. Fazia um ano que havia tornado-se uma Madre Superior, e fazia mais de vinte anos que decidiu fazer os seus votos. Prometeu com a vida, perante a Virgem Maria que continuaria intocável. Que se manteria casta. Não por Adrien. Mas por ela.
Adrien também não mudou tanto, apenas envelheceu e engordou um pouco, característica clássica dos nobres. Ou pelo menos de pessoas ricas. Seus cabelos não eram mais loiros, eram completamente brancos. Mas ele ainda tinha aqueles mesmo olhos, aqueles que nunca desviam um segundo sequer sua atenção de Marinette. Nem mesmo para olhar sua filha, está estava ao lado da mulher com lágrimas nos olhos e olhando para os dois. Não queria colocar Emma em um convento, mas, por hora não tinha escolha.
— É uma honra que Vossa Majestade tenha vindo deixar Sua Alteza pessoalmente em nosso convento. — Marinette pronunciou-se com um sorriso meigo.
— Por quê? Porque você está agindo assim? É ele, não é? — Emma olhou para o pai deixando as lágrimas caírem. — Por que você não faz nada? É ela! Você a ama? Por que nunca disse nada?
— Emma. — Adrien tentou dizer algo, mas Marinette foi rápida em colocar as mãos sobre o rosto da menina, limpando suas lágrimas, enquanto ela estava resmungava perguntas. Indagações as quais nem mesmo Adrien ou Marinette tinham respostas.
— Está tudo bem, as coisas mudam, a história também. Não precisa assumir as nossas dores, isso não tem nada a ver com você, é apenas uma história triste. — Marinette sorriu soltando o rosto da menina. — Mas não precisa ter medo, ele te faz ir atrás de escolhas seguras, que não vão te machucar. Mas a vida não trata-se apenas disso, se você não arriscar por algo, você nunca vai saber se vai dar certo. Houveram muitas tristezas em nossas vidas, mas nunca houve falta de amor, pelo menos isso fez com que nós fôssemos felizes de algum jeito.
Emma acalmou o choro aos poucos. Adrien apenas as observava de longe, Marinette teria sido uma boa mãe se tivesse tido oportunidades. Abaixou o olhar, durante tanto tempo, tentou compensar-lá, tentando ser um grande rei já que não foi o melhor dos homens. Provavelmente isso também não fez dele o melhor dos pais.
— Com licença, Madre Dupain-Cheng, Sua Alteza e Vossa Majestade. — Uma freira entrou na paróquia por uma entrada ao lado do altar, estava alheia a situação e não queria se meter mais do que necessário. — O quarto da princesa já está pronto, se Sua Alteza permitir, posso levá-la para seus aposentos.
Emma acalmou-se mais um pouco recebendo um belo sorriso da Madre. Olhou para os dois antes de sair da paróquia com a freira. Nunca imaginou que algum dia escutaria uma história como aquela, principalmente quando envolvia sua mãe, seu pai e, agora, a madre superior do convento onde viveria. Procuraria saber mais detalhes com a Madre quando tivessem mais tempo.
Assim que ficaram sozinhos, Adrien e Marinette permaneceram em silêncio. Não era a primeira vez que se viam após tudo o que havia acontecido. Adrien tinha feito questão de falar com ela dias antes dela fazer seus votos com a igreja. Choraram muito, brigaram, espernearam e, por último, trocaram um beijo de despedida.
A necessidade de ultrapassar para além de um beijo era imensa, porém não passou de um beijo. Claro, tiveram suas recaídas, beijos roubados mesmo após os votos de Marinette. Mas, quando o rei Gabriel morreu, Adrien não podia mais agir como um garoto e tinha que virar um homem, um rei.
Teve, ao todo, seis filhos com Lila, a maioria mulheres, como também aconteceu com seu pai. Em um golpe irônico do destino, teve que colocar a caçula no convento para preservar os tesouros do reino e não ter que gastar com mais um dote em um casamento. Ao contrário do seu pai, pelo menos teve longas conversas com seus filhos antes de pensar em casa-los, disse-lhes que não se opunhava ao casamento por amor, mas precisa, pelo bem do reino, de uniões políticas. Não os faria casarem sem consentimento, e, mesmo que os unisse em matrimônios políticos, ainda lhes dariam o poder de escolha.
A maioria aderiu por casamento planejados, um ou dois pediram permissão para casar-se por amor. Obviamente, ele investigou sobre os pretendentes de cada um, não podia deixar que possíveis exploradores enganassem seus filhos. Rendeu-lhe boas discussões, mas ainda tinha terminado da melhor forma.
— Contou para Emma? — Era uma pergunta tola, mas ainda precisava de certeza.
— Ela estava receosa com a vida em um convento, apenas lhe disse que estar presa aqui não a impediria de amar e... ser amada por alguém. — Marinette não saiu do lugar, nem mesmo para olhá-lo. Aquilo sempre acontecia quando o via, não era do mesmo jeito de quando era jovem, mas acontecia. Atualmente, não havia fervor naquele amor, ele tornou-se mais calmo, mais sábio e menos impulsivo.
— Ela vai odiar Lila. — Respirou fundo, não que se importasse com Lila, mesmo estando tanto tempo casado com ela, a mesma não havia mudado nada, porém, a verdade incontestável era de que ela era mãe de Emma e passar a vida odiando os próprios pais era algo triste, principalmente quando tratava-se de mães, mesmo Lila não sendo a melhor delas.
— Não, não vai, ela odeia as atitudes de Lila, mas não odeia a mãe, ela vai superar. — Marinette suspirou e finalmente olhou para Adrien. — Criou uma menina forte, parecida com você.
— Não apenas ela parece forte, os outros parecem duros feito pedra. — Ambos sorriram. Marinette até que gostava quando ele falava sobre seus filhos, era triste que eles também fossem filhos de outra mulher, mas ela gostava de crianças, bem... atualmente eles não mais crianças, mas havia adquirido um carinho especial por eles. Talvez fosse muito empática ou muito tola.
— Vossa Majestade quer passear pelo jardim comigo? — Perguntou sabendo que ele aceitaria, antigamente talvez ele até mesmo jogasse uma piada sem graça para deixá-la envergonhada com o convite.
— Já disse para chamar-me de Adrien, você e Nino tem essa péssima mania de serem tão formais. — Adrien sorriu andando ao lado de Marinette até a saída da paróquia.
As coisas não mudaram somente com eles.
Isabele havia casado-se, já fazia um bom tempo, provavelmente um pouco mais de um ano. Tinha sido com um jovem andarilho que acabou caindo nas graças da mulher. Vez ou outra ela voltava para o convento, dava noticias a Marinette e depois visitava o palácio. Tornaram-se ainda mais próximas com o decorrer dos anos, mesmo depois de todas as coisas que aconteceram. Marinete sempre foi a maior apoiadora de sua felicidade, mesmo quando o rei ficou uma fera com a menina que havia casado-se sem consultá-lo, ainda mais com alguém sem sangue nobre.
A menina sempre achou um exagero tal coisa, tanto a questão de árvore genealógica quanto a questão de precisar pagar seu noivo para casar-se. Isabele era uma moça além de seu tempo, talvez se tivesse feito mais alvoroço teria chamado a atenção da inquisição. Marinette rezava para que a menina tomasse cuidado, enquanto Adrien evitava a todo custo que a igreja não tentasse nada com a sua irmã.
Com Alya e Nino as coisas foram bem previsíveis. Chegaram da viajem brigando, provavelmente porque Nino sempre defendia o lado de Adrien e Alya sempre defendia o lado de Marinette. A mestiça teve raiva de Adrien por um tempo antes de saber seus motivos para deixá-la, mas sabia que aquela situação não era culpa de ninguém. Provavelmente era das escolhas mau feitas no passado, mas o que passou já passou, não tinha como mudar ou como adivinhar o futuro.
Depois de muitas brigas, muitos choros, muitos risos. O maior passatempo de Marinette tornou-se em juntar logo aquele casal problemático, e, quando já estavam todos cansados de tanta discussão, Marinette e Isabele deixaram os dois presos em um cômodo do convento por um dia inteiro. Inicialmente, ambas ficaram hesitante com aquela decisão, mas não voltaram atrás. Por incrível que pareça, deu certo. As brigas diminuíram e foi questão de tempo até ambos assumirem relacionamento e virarem um casal.
Alya deixou o convento após casar-se com Nino, há mais de dez anos atrás. Aliás, foi um pouco depois da cerimônia de casamento que Adrien e Marinette tiveram uma de suas recaídas, era maravilhoso e horrível. Amava a sensação de tê-lo perto, mas sabia que nunca seria algo durável.
Não perceberam quando a relação deles evoluiu até aquele ponto. Sabiam que ainda se amavam, mesmo depois de tanto tempo, se amavam. Um amor mais consciente, mais silencioso e mais simples, mas ainda era amor. Sempre se pegavam imaginando como teria sido a vida se tivessem ficado juntos.
Ninguém garantia que as coisas terminassem bem se tivessem tido sucesso.
Mas... o que importava naquele momento não era o antes e nem o depois. Era o agora. E somente agora, eles podiam esquecer o resto.
— Perdão. — Marinette ficou surpresa ao ouvir ele falar aquilo. — Eu não consegui te fazer feliz.
— A felicidade é o que? Uma sequência de momentos maravilhosos? Um sentimento agradável? Um acaso? — Marinette sorriu. — Ninguém é feliz todo momento, Adrien, isso também não significa que eu fui infeliz a minha vida toda.
— Mas você queria uma família, eu queria ter te dado uma, do que adianta ser rei e ter tantas coisas, poder dar tantos presentes e festas, mas não poder cumprir uma promesa? — Adrien sentou-se no banco ainda olhando para ela. — Mesmo que eu quisesse, eu nunca poderia ter te dado uma família. Esse tempo todo eu só fingia suspeitar, mas eu sempre soube dos casos de Lila, até porque eu mesmo tinha os meus, porém, o tempo que ela demorou para engravidar, e somente logo depois de ficar "doente" ela finalmente engravidou, eu fiquei meio descrente no início, mas nas seguintes gravidezes que eu consegui entender. O infértil nunca foi ela, sempre fui eu.
— Isso quer dizer que... — Marinette colocou as mãos na boca surpresa. — Pretende contar para eles?
— Não, independente de qualquer coisa, são meus filhos, provavelmente nem Lila quem são os pais biológicos. — Adrien suspirou. — Mas... eu nunca poderia cumprir o que prometi, agora dei-me conta o quão difícil as coisas poderiam ter sido para nós, para você, eu nunca poderia trazer honra ou felicidade para nós dois.
— Ei! Você prometeu que nada mudaria o que sentia por mim, você cumpriu. A minha definição de família, naquela época, baseava-se apenas naquilo que eu não tive, eu devia ter percebido o que eu já tinha, e justo o que tenho agora, eu posso chamar de família, Isabele, Alya, Nino, Emma, as pessoas do convento, as meninas que eu ajudei a criar e você — Marinette sentou-se ao lado dele, ambos pegaram nas mãos um do outro. — Obrigada por me apresentar o amor, isso é bem melhor do que viver sem ele.
Adrien abaixou a cabeça, sentia que podia chorar a qualquer momento, mas não queria fazer isso ali. Tinha muitos arrependimentos em sua vida, nunca viveu de verdade antes de conhecer Marinette, amá-la foi uma das poucas coisas certas que fez. Nunca conseguiria ser inteiramente de outra pessoa, como foi e sempre será dela.
— Quem devia agradecer era eu, você me apresentou várias formas de amar que eu nunca consegui pensar antes. — Adrien sorriu.
Conversaram por horas. Como faziam antigamente na varanda do quarto de Marinette. Ela sabia que não duraria para sempre, tudo com Adrien era momentos. Curtos ou longos.
Apenas momentos.
Mas, afinal, era aquela a sua definição de felicidade.
Pequenos momentos que a fazia sorrir.
“Certo que sou seu(Certain that I'm yours)”
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