Chasing The Sun
29 Mistake.
Notas iniciais
Mistake
Percy olhou para porta de madeira e ainda podia escutar as risadas e as músicas altas da festa pré-Ação de Graças. Ele não sabia o que significava essa festa, mas achava que era para as pessoas se desvirtuarem antes da Ação de Graças onde todo mundo deveria agradecer a Deus e coisas assim.
Chegaram há dois dias ao resort. Todo mundo tinha se divertido o bastante e ele parecia ser o único que continuava cabisbaixo. Não sabia se fora o surto maníaco de Rachel, ou se fora a pequena distância que Annabeth começava a manter dele ou... Bufou, e ainda tinha o problema de Silena. Não pensou que as Ações de Graças seriam tão entediantes e cheias de surpresas assim.
Ele suspirou e colocou a almofada sobre sua cintura, mexendo-se desconfortável enquanto assistia ao filme que passava à uma hora da manhã. E essa festa ainda está rolando, ele pensou ressentindo. Ainda mais porque ninguém viera lhe procurar ou nada do tipo, porque Nico, Beckendorf e Lee realmente não contam. A não ser que eles se transformassem em uma mulher alta, loura, olhos nublados e sorriso tímido, enquanto isso não acontecesse, ia ficar se mastigando sozinho em um quarto de chalé.
Em um curto espaço de tempo, a porta se abriu revelando em quem vinha pensando nas últimas cinco horas.
Annabeth franziu a testa e estreitou os olhos, Percy não entendia o porquê daquela expressão, mas não se importou e continuou assistindo a televisão.
– Por que está escondendo seu pênis? – ele se surpreendeu com a pergunta feita assim que ela fechou a porta.
– Não estou escondendo meu pênis.
– Está escondendo, sim.
– Ah, então você quer que eu saia com as calças nos joelhos com ele balançando por aí? – arqueou as sobrancelhas grossas
Annabeth deu um meio sorriso, aproximando vagarosamente. Ela estava linda, ele percebeu enquanto ela andava como uma leoa pronta para dar o bote. Os cabelos estavam bagunçados, mas ela tratou de fazer um coque, a blusa prata amassada, a calça de couro deveria ser a única peça neutra e os sneakers estavam sendo jogados no chão enquanto caminhava.
– E como foi as demonstrações de carinho com seu marido?
Percy percebeu que seu tom de voz era ressentido, como se a estivesse culpando-a de algo e que ela ia começar a tirar a blusa e então, o mesmo deitou-se de bruços, emburrado. Ouviu a risada baixinha dela.
– Bem, — ela sentou-se de pernas abertas em sua bunda e deixou a barriga lisa tocar suas costas – foi um pouco chato porque ele não sabia o que fazer além de beber whisky e falar com os outros sobre coisas chatas.
– Coisas chatas. – resmungou – Tipo? – disse sentindo os dedos finos passeando pela lateral do seu corpo e brincando com a barra da calça do moletom cinza
– Tipo economia, trabalho. – ela aproximou os lábios e sussurrou em seu ouvido – Acho que prefiro ficar aqui com você.
– Ou usar meu corpo. Hm, boas opções. – Percy fez um beicinho
– Você está brincando ou está me provocando de verdade? – perguntou deitando a bochecha em seu ombro
– Não sei, me diga você.
Annabeth bufou e então, ele se remexeu embaixo do seu corpo até estar de frente para ela. Percy não deixava de sentir seus braços se amolecerem e sua barriga ter uma pressão sempre que via aqueles olhos nublados e azuis, ela estava de lábios franzidos e lentamente deixou sua mão grande passear pelas costas frias dela e então, arrastá-la até a nuca e desfazer o coque. Era como um monte de fios dourados caindo sobre sua visão e então, um anjo aparecia com aquela expressão preocupada.
– Você imagina um futuro? – dessa vez, ela arqueou a sobrancelha dourada – Juntos, eu e você?
Então, ela deu um sorrisinho desconfortável, deixando o corpo mexer-se por vontade própria em cima dele.
– Por que está fazendo essa pergunta?
– Você se imagina deixando Luke? Saindo comigo de mãos dadas?
– Percy... – ela riu, dessa vez um riso muito desconfortável – O que você está tentando fazer? É outro jeito de fazer sexo?
Ele não sorriu, nem deu nenhum sinal que iria fazer.
– Você vê?
Ela não respondeu, voltou a expressão séria e deixou de passear os dedos esguios pelo corpo dele. Não sabia se estava nervosa, surpresa ou apenas afetada com essas perguntas súbitas que ele começara a fazer.
– E filhos?
Dessa vez, deixou seu maxilar cair.
– Filhos? – piscou os olhos repetidamente e claramente, confusos – Filhos, Percy?
– Não comigo. Com qualquer outra pessoa, com Luke, com... Sei lá, com um puto de uma esquina, com qualquer outra pessoa.
– Não sei. Quer dizer, eu já parei para pensar nisso quando casei com Luke, mas... – o rosto dele era uma careta pura, mas ele conseguiu esconder em poucos segundos – Eu esqueci. Luke não queria ter filhos.
– E então, você também não quer ter filhos.
– Eu não achei o cara certo pra ter filhos. Percy, ter filhos é uma decisão muito importante, é uma vida dentro de você, uma vida que você não quer que ela vire um lixo, é...
– Eu sei. – ele a interrompeu – Você pensa em nós dois, como nossos pais? – ele pôs as duas mãos na bochecha dela
Os olhos verdes eram tão escuros e mesmo que sentisse medo daquilo agora, queria se proteger em seus braços, não sabia o porquê das perguntas, não sabia o porquê da seriedade e muito menos o porquê de ele estar tão estranho. Só queria sentir os braços fortes envolvendo sua cintura, lhe aninhando e fazendo as piadas bobas de sempre. Rindo de suas piadas bobas de sempre. Sendo o bobo de sempre.
– O mundo não gira ao meu redor e tem Luke. Não pode acabar de uma hora pra outra, a resposta é indefinida.
Percy piscou. Não sabia se seu coração estava estraçalhado pelas respostas frias ou pela resposta que envolvia Luke, tudo se resumia a uma pessoa: Luke. E seu coração doía mais em pensar que ela era tão ingênua em perceber que ele a traía. E ela fazia o mesmo.
– Annie. – ele chamou e sentiu que seu estômago era um nó – E se hoje, só hoje, fosse a última vez?
Percy estava de olhos fechados, não queria ver aqueles olhos nublados olhando para os seus; o que provavelmente o faria chorar e, ele não gostava dessa ideia, para variar. Aquele pensamento de terminar tudo e contar à ela, renascia sempre, começou a passar como um vulto em seus pensamentos, em seguida, iniciou a pensar mais calmamente.
– O que tem? – ela tocou seus lábios
Ele relaxou o corpo contra a cama fofinha.
– O que você faria?
– Pediria para você ficar.
– Só isso?
Ela silenciou.
– Você acabaria com o Luke?
Ela não respondeu de novo, e ele resolveu desistir de discutir esse assunto com ela. Annabeth aninhou-se em seu peito enquanto Percy abraçava suas costas.
Elas não tinham um defeito, talvez alguns cravinhos espalhados e isso fazia com que ela ficasse mais atraente. Aquele cheiro de morango de seus cabelos parecia infectar o quarto, o seu perfume em si era inebriante e ele não conseguia ficar muito tempo longe dele. As pernas dela estavam entrelaçadas com as de Percy, seu rosto era fino e com a nobreza clássica que ele sempre admirava.
De novo, ela alcançou o rosto dele, aproximando-os, ele afundou mais no travesseiro.
– Sim ou não?
– Sim ou não o quê?
– Você sabe o quê.
– Não sei.
– Sim ou não?
– Eu quero muito ficar com você.
– Implore.
Ela riu.
– Sim.
Percy se embolou com seus próprios pensamentos, não sabia se isso significava o que perguntara sobre Luke, ou sobre o caso de implorar, mas cinco horas longe dela era demais. Fez seu corpo ficar por cima dele rapidamente e então, a beijou, tirando o sutiã em menos de três minutos e então, sua calça estava longe.
A noite se resumia a gemidos baixos, juramentos esquecidos, suor, sorrisos, alguns orgasmos e muitos gritos.
The lights flashing giving me all the dangers signs, someone to save, to save, but it don't work that way...
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