Chasing The Sun
13 Love Me Like You Do.
Notas iniciais
Love Me Like You Do
Primeiro, Annabeth bocejou. Abriu os olhos e sentiu as pernas pesadas, ainda afastadas uma das outras, talvez tivesse pensado que fora sua primeira vez. Ela sentiu o cheiro de terra molhada devido à chuva e fungou, resmungando. Estava pensando como chovia demais em Nova York, então olhou para o teto.
Não estava em seu apartamento e sim, em uma casa em Montauk. Virou-se com certa dificuldade para a direção da sacada, vendo seu acompanhante/amante tomando café e olhando a chuva calmamente. Annabeth não conseguia ver seu rosto, contudo supôs que ele estivesse com uma daquelas expressões pensativas. Puxou o edredom pesado até seu queixo e continuou olhando o rapaz encostado na soleira da porta de vidro, que dava acesso a sacada.
Percy virou o rosto pelo que parecia a centésima vez e finalmente, suspirou ao ver os olhos nublados.
– Pensei que nunca ia acordar, Bela Adormecida. – brincou, bebericando seu café com creme
– Estava esperando meu príncipe me acordar com um beijo. – se espreguiçou – Eu nem acredito que está chovendo em Montauk. Que horas são?
Ele avaliou seu corpo e depois olhou o relógio de parede.
– Sete horas. – lhe disse e sentou-se na cama – Vou pegar seu café, tudo bem? Não tenho boas noticias. – foi direto
Annabeth suspirou e sentou-se, com certa relutância na cabeceira da cama, suas pernas doíam demais.
– Eu disse que... – ele tentou começar
– Quais são as noticias? – cortou
– Vou pegar seu café, primeiro.
Annabeth o viu sair pela porta e suspirou, massageando as coxas, forçou-se a suportar o peso do corpo e se rastejou até a porta do banheiro. Deixou a água tirar todo o suor que grudara em seu corpo na noite anterior e ficou bastante tempo, sentada no chão frio, poderia achar nojento, mas ela mesma não se agüentava. Enrolou-se no roupão felpudo, colocou um moletom e um casaco verde de Percy com o cheiro inconfundível do mesmo.
Deitou-se na cama fofinha, sentindo-se aliviada por não precisar carregar o peso do próprio corpo e começou a desembaraçar os cabelos com sua escova.
Percy chegou, todo atrapalhado, com uma bandeja. Suco, torradas, requeijão, queijo, iogurte. Depositou a bandeja em frente à ela e fez mesmo consigo.
– Você está bem? – ele perguntou
– Acho que sim. – ela olhou, confusa para a bandeja – Você fez o mesmo com Calypso, não foi?
Percy revirou os olhos.
– Até quando você vai ficar com isso? – ele lhe entregou o copo de suco de laranja – Ela já passou. Eu nem sei onde ela vive mais.
– Você queria saber. – os olhos dela estavam baixos, tristonhos – Fala sério, eu vi as fotos dela.
– Quando você vai parar com isso? Eu estou com você agora e isso que importa, não uma garota da minha adolescência, Annabeth. Eu sou seu, se lembra? – Percy apertou os dedos esguios entre os seus – E fim.
Annabeth riu do que dissera.
– Ok, me desculpa, eu só estou com...
– Ciúmes. – ele completou
– Não. Com raiva dela.
– Por quê? – perguntou, passando requeijão em uma torrada e fazendo-a comer
– Por nada.
Sentiu suas bochechas corarem pensando no porquê. A chuva caindo pesadamente, o tempo estava fechado, e Percy percebeu que aquilo parecia com os seus olhos, uma coisa irônica já que quando Annabeth olhou para o mar revolto, lembrou-se dos olhos de Percy. Bem irônico.
– E qual é a noticia?
– Eu vou ter que ir a Nova York.
Os lábios vermelhos dela se transformaram em um beicinho.
– Por quê? Não tínhamos tirado férias?
– É. Por isso mesmo. Silena me ligou. Eles disseram que as pessoas estão se perguntando para onde eu fui e você sabe, Silena não pode dizer nada. Mas ela disse que eu tinha viajado, só não disse onde. Ou seja, eu e você viajando. Bom, pega mal. – explicou
– Ah... É mesmo. – ela se esquecera completamente disso – Tudo bem, então. Eu fico aqui. Sozinha. Neste frio. Sem ninguém.
– Isso é tortura, Annie. – inclinou-se sobre a bandeja
– Não, não é. Mas tudo bem, eu fico aqui sozinha. – deu de ombros, bebendo o suco e afastando-se dele
No mesmo momento, ele começou a procurar o telefone e discou números decorados.
– Para quem está ligando?
– Para pessoas que nos devem uma. – sussurrou – Oi? Olá, bom dia, Atena, como está? Ah, sim, eu estou bem, Annabeth está muito bem também, obrigada. Meu pai está por ai? Aham, claro. Beijos para você também.
Annabeth ergueu a sobrancelha pra ele, confusa. Percy fez um sinal de silencio, entretanto.
– Ei, pai, tudo bom? É, eu estou precisando de sua ajuda. Férias em Montauk, as pessoas precisam de mim no Olimpo, dá pra dizer alguma coisa? Falar que eu não posso ir... Sabe, um motivo que todo mundo acredite? Ótimo. Eu também te amo, pai.
A ligação foi encerrada e a garota à sua frente, arregalou os olhos.
– O que foi isso?
– Eles também tiveram um caso, devem saber como mentir bem sobre pressão. Mas agora, o que você estava dizendo sobre ficar sozinha? – sussurrou, sugando seus lábios contra os seus
– Podemos assistir um filme. – respondeu, gemendo ao sentir os lábios quentes dele contra seu pescoço – Algo assim, sabe.
– E não aproveitar nossos dias? Não mesmo.
– Você se esqueceu que eu estou mega dolorida?
Percy se afastou, tão rápido quanto tinha se aproximado.
– Eu disse! Eu te avisei. Mas, nããão. Se solte, eu prometo e blábláblá. – ele tentou imitar a voz dela – Tudo isso por ciúmes. Oh, meu Santo Deus. – levantou as mãos para o céu
– Agradeço se parar de ser idiota. – reclamou e levantou-se – Vamos para a sala, você tem que ter algum filme bom, não é?
– Eu não sei se tenho realmente. – murmurou
Percy se arrastou para fora da cama e ofereceu a mão para Annabeth que com um revirar de olhos, a ignorou levantando-se com um sorriso, mesmo que suas pernas doessem. O moreno segurou sua cintura por trás dela e começaram a descer as escadas, cambaleando e rindo. O telefone de Annabeth começou a tocar histericamente no andar de cima.
– Quem será? – ele perguntou pondo o queixo em seu ombro
– Ah... – ela sussurrou e agarrou sua camisa regata branca na gola com as duas mãos, transformando um beicinho – Deixa tocar. Não é ninguém de importante.
Percy bufou e acariciou sua cintura.
– Eu já disse que estão desconfiando? Bom, estão. Eu vou pegar.
No mesmo instante, desvencilhou-se dos braços finos de Annabeth e correu até o quarto, a mesma ficou sem saber o que fazer, talvez estática e surpresa, um pouco de raiva, mas não tanto quando ele desceu apressado.
– É melhor atender. – avisou
Os olhos tempestuosos localizaram o nome em negrito na tela, Luke. Todo o corpo de Annabeth estremeceu, talvez pensando que fosse pega na mentira.
– Eu não vou falar.
– Você tem que falar. – reforçou ele – Seja calma. Natural. E não fale sobre o clima, não sabemos se em Los Angeles está realmente chovendo.
– Percy, eu não vou conseguir...
– Annie... – ele encarou seus olhos profundamente – Atende.
Seus pulmões carregaram uma boa dose de oxigênio, sua mente trabalhando ardorosamente, tentando se manter calma. Seria melhor se ele não ficasse me olhando, pensou raivosa virando as costas para os olhos nervosos verdes que lhe fitavam, começou a caminhar pela sala enquanto pela segunda vez, o telefone vibrava em suas mãos, Percy ia falar alguma coisa, mas ela atendeu ao telefone no mesmo momento e abriu a janela deixando o barulho da chuva cair. O homem escondeu o rosto entre as mãos, tentando entender o motivo que ele tentara evitar uma maior suspeita.
– Oi, amor. – sua voz parecia trêmula, entretanto estava passando uma firmeza, ele não conseguia entender como ela conseguia fazer isso
– Annie. – Luke suspirou do outro lado da linha, como se estivesse aliviado – Estou com muita saudades, como você está, meu amor?
Annabeth tossiu e enrolou os braços ao redor do corpo.
– Estou muito bem, querido. Como estão as coisas por aí?
– A mesma coisa de sempre. O que é isso? Chuva? Eu vi no telejornal que ia fazer muito sol em Los Angeles e...
– Não. – Annabeth deu um riso sem graça – Não está chovendo, sabe. Eu estou tomando uma ducha, o calor de Los Angeles é insuportável. Também estou com muitas saudades.
– Uma ducha? Sim, só queria saber como você estava.
– É, estou muito bem.
– Ótimo, à noite eu te ligo para conversarmos mais. Até mais, querida.
– Tchau, tchau.
Annabeth suspirou feliz quando a ligação encerrou.
– Você foi bem. Mas você sabe que ainda deu alguns deslizes. – Percy beijou seu pescoço
– Resolvemos isso quando voltarmos. – a loira sussurrou – Vamos procurar o filme seu besta.
Algum tempo depois, o sol resolveu aparecer, Annabeth se esticou na espreguiçadeira suspirando enquanto Percy nadava feliz entre as ondas, seu biquíni rosa com flores não chamavam tanta atenção quanto o seu acompanhante, algumas meninas passaram cochichando e rindo quando ele saía da água e a chamava para entrar. A loira puxou a garrafinha de água e bebeu no canudo, subindo a revista da Vogue e tentando, inutilmente esquecer Percy e o jeito que ele adorava brincar com a água.
– Eu não acredito que você ainda está aqui. – ele se jogou na areia ao seu lado
– Percy, eu estou lendo.
– Você não gosta de moda.
– Mentira, é sempre bom saber o que eu posso usar ou não. Olha, — ela apontou – dizem que blazer está na moda, de todas as cores.
Percy riu.
– O que foi?
– Nada, só me lembrei de uma amiga. Tive um jantar com ela um dia desses e ela usava um blazer amarelo, eu achei estranho, mas teve algumas pessoas que a elogiaram.
Annabeth deu de ombros e não escutou mais nada depois de jantar e amiga.
O moreno a olhou de novo. Os óculos escuros cobriam seus olhos perfeitos, o chapéu de palha cobria parcialmente os cabelos dourados que eram impedidos de brilhar, ela usava um blusão de botões aberto mostrando o biquíni nenhum pouco provocador, mas atraente. E Percy queria vê-la no lugar que ele mais amava: o mar. E precisava de um fotógrafo para tirar fotos dessa deusa.
O moreno sentou em suas pernas meio esticadas e ela gemeu.
– Você pesa, Perseu.
Percy virou-se de frente para ela e tirou a revista jogando-a na areia.
– Você, definitivamente, vai quebrar a espreguiçadeira.
– Não importo. Deve ter umas cem escondidas por aquela casa.
O homem tirou um pouco do seu peso e segurou as bochechas, dando-lhe um beijo lento, como aquele de filmes, aos poucos, tirou o chapéu e os óculos escuros, afastando-se dela.
Annabeth piscou os olhos. Colocou as mãos sobre os mesmos e se encolheu.
– Meus olhos são frágeis. É horrível, o sol está horrível.
– Os meus são tão claros quanto os seus.
– Mas, você já se acostumou. E os seus são verdes, os meus se você não percebeu são cinzas e azuis!
– Também não precisa esfregar na minha cara que é perfeita. – ele colocou algumas mexas para trás da orelha e se levantou, oferecendo a mão para Annabeth – Vamos dar um mergulho.
– Não quero. – ela cruzou os braços sobre os seios
– Annie...
– Você não vai me obrigar.
– Claro que não.
Em poucos minutos, Percy a segurou pelas pernas e a jogou sobre o ombro, os braços finos e frágeis batiam com toda a força que conseguia nas costas másculas e musculosas dele, gritando e pedindo socorro, mas ninguém se importava, ou estavam longe demais, ou achavam que aquilo era uma brincadeira.
Percy deu leves tapas em sua bunda e lhe deu um sorriso torto, esquecido que suas pernas ainda estavam um pouco doloridas. E ela forçou-se a esquecer disso..
– O que adianta ter férias e fazer o maior sacrifício do mundo quando você não está disposta a brincar?
Annabeth não se lembrava com clareza o que aconteceu depois, apenas que água muito salgada entrou pela sua boca, ela tentou gritar, mas se impediu de fazer a coisa assim que sentiu o corpo em contato com a água incrivelmente morna. Braços fortes a abraçavam pela cintura e quando emergiu, os lábios quentes dele estavam sobre seu colo.
– Impressionante, não é?
Annabeth lhe deu um soco no peito e ele soltou um “ai”.
– Isso é por ter me feito passar vergonha. – ela levantou o joelho e quando ia acertá-lo em cheio, sentiu pena e apenas lhe deu mais um soco leve na barriga – E eu sinto compaixão.
Percy lhe deu um beijo na bochecha e abraçou.
– Olha, você está no paraíso.
A loira não tinha percebido, no entanto o sol começava a se pôr, o céu no seu melhor toque de laranja, rosa e as nuvens rondando, como se fossem a melhor pintura que alguém conseguira tirar. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, aquilo era tão lindo, as ondas lhe batiam um pouco acima da cintura, calmas sem muita agitação, de vez em quando, uma onda cinco centímetros maior que as outras ousava passar por eles, mas aquilo não era nada demais.
– É lindo, não é? – Percy abraçou sua cintura, depositando o queixo no ombro curvo dela – E eu não mostrei isso para Calypso se é o que está se perguntando. – ela revirou os olhos
– Sim, é lindo. – concordou – E não, eu não estava pensando nisso.
– Eu costumava ver isso sozinho, em cima de uma prancha. Minha companhia está melhorando.
Annabeth riu, abraçando os braços protetores que lhe passavam segurança. Nunca se sentira tão bem, tão segura e feliz. Um simples pôr-do-sol e um bom abraço lhe fazia ficar toda meiga.
– O que temos para o jantar? – Percy perguntou fazendo cócegas perto do seu ouvido
– Jantar?
– Bom, é, antes de eu dar um caldo em você.
A loira não pensou muito e já estava de novo embaixo da água, Percy a afundava e voltava a superfície com ela de novo. Fizera isso tantas vezes e sempre lhe perguntava se estava bem o suficiente para continuar, seus gritos e socos eram uma afirmação que ele poderia fazer o mesmo. Annabeth pulou nas costas dele depois de um longo tempo sendo maltratada e mimada. Percy riu e a ajeitou em seus braços, apertando suas cochas, Annabeth ria, como nunca tivesse feito isso.
Uma garota estava parada com uma câmera fotográfica e um sorriso fofo. Ela era ruiva com cabelos longos até a metade das costas e usava jeans e uma camisa folgada.
– Olá. – ela disse quando Percy conseguiu chegar à areia reclamando o quanto Annabeth pesava.
– Ah, oi. – ele disse, Annabeth apenas sorriu
– Bom, vocês são um casal, certo? – ela não os deixou responder – Eu sou estagiária de uma revista em Nova York e eu precisava tirar fotos de casais e eu não achei nenhum, quero dizer, claro que achei, mas vocês estavam tão felizes hoje, brincando, olhando o pôr-do-sol, na verdade, vocês estavam lindos. E eu tirei algumas fot...
– Não. – Annabeth interrompeu com os braços ao redor do pescoço de Percy – Não. Não somos um casal.
– Mas, vocês se beijaram! – ela argumentou
– Não quer dizer que somos um casal.
– A foto do pôr-do-sol. Eu posso, por favor, colocar a foto do pôr-do-sol, vocês estão de costas então...
– Tudo bem. – Percy deu aquele sorriso-de-confiamos-em-você e esse sorriso era tão lindo quanto qualquer outro que ele ousava dar, Annabeth até ficou com um pouco de ciúmes, mas só um pouquinho
– Obrigada. Eu prometo que não vou divulgar nenhuma das outras fotos.
– E se fizer isso, somos advogados, colocamos você na cadeia e ainda podemos te dar uma cadeia não muito agradável. Então, tome cuidado, garota. Melhor, — Annabeth disse, ameaçadora tentando sair de cima de Percy, o que ele não deixou – apague as fotos na nossa frente.
– Annabeth, não se preocupe, qual é o seu nome?
– Emma. – a menina respondeu, insegura
– Ela pode estar mentindo.
– Nah. – Percy duvidou – Emma...
– Emma White.
– Ok, Srta. White, sinta-se condenada caso publicar nossas fotos além do pôr-do-sol. – Percy disse em um tom de voz calmo, mas arrepiante, lhe mandou um último sorriso antes de passar por ela com Annabeth em suas costas.
A garota deslizou das costas másculas e bateu os pés na areia. Retirou a blusa totalmente molhada e procurou os óculos de sol mesmo que estivesse quase anoitecendo, apostava que seus olhos estavam vermelhos e não gostava disso.
– Por que colocou esses óculos?
– Vamos entrar. – Annabeth pediu recolhendo tudo que estava na areia – Fome e frio juntos não são uma boa combinação.
– Não na cama. – Percy concordou, beijando-a ligeiramente, Annabeth prolongou o beijo, mas o moreno se afastou – Eu realmente estou com fome.
Annabeth riu antes de entrarem no chalé. Percy deixou tudo bagunçado na pequena biblioteca, antes de começarem a nova brincadeira “concentrar-se em fazer o jantar”.
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