Chasing The Sun
11 Extraña Sensación.
Notas iniciais
Extraña Sensación
Quando chegaram lá, o sol se abria entre o mar glorificante que se estendia diante deles. Annabeth se espreguiçou no banco, sentindo suas pernas formigarem, em seguida, fez um coque rápido nos cabelos loiros.
Percy atravessou uma ponte curta, andou mais dois quilômetros e pararam em uma estrada deserta. As casas eram afastadas uma das outras, como se cada uma fosse privada. Finalmente, os dois saíram do carro. Percy bocejou.
– Então, chegamos ao castelo, princesinha.
Annabeth revirou os olhos.
– Ok. Vamos lá. – disse com o tom cansado
Percy pegou sua mochila e carregou a mala de Annabeth que descia as dunas fundas até a casa, a cada passo que dava sua sapatilha afundava, três minutos depois conseguia levantar-se e continuar o mesmo caminho. Minutos depois, ambos estavam em frente à uma das casas mais simples que se encontravam ali. Tinha uma tintura azul desgastada, ao seu redor uma cerca de madeira se prendia, parecendo uma casa de boneca. Era de dois andares, Annabeth percebeu e atravessou os dois degraus que davam para a porta de entrada. Virou-se para seu acompanhante e arqueou a sobrancelha.
– Onde estão as chaves?
Percy pareceu pensar e enfiou a mão no bolso retirando um molho de chaves, jogou para ela que as pegou no ar e abriu a porta.
A loira ficou surpresa com o que viu.
A sala era impressionante. O piso era de madeira, como se fosse oco porque a cada passo que davam, ele fazia aquele barulho agradável, uma poltrona azul de veludo estava colocada ao lado do sofá da mesma cor e material, virados para a televisão enorme. A cozinha e a sala eram separadas por um semi-balcão, até as próprias paredes eram de madeira e tudo ficava mais bonito. Uma escada de madeira dava abertura para o próximo andar e Annabeth não ficou curiosa em saber o que era. Ela virou-se para a direita e uma biblioteca pequena estava posta, como se tivesse acabado de ser inaugurada. Cheia de livros que provavelmente ele nunca teria tocado em sua vida, mais duas poltronas de veludos, uma mesinha com chocolates e um monte de doces, e se Annabeth andasse mais dois passos, ela encontraria muitos eletrônicos esperando para serem usados.
– Então, o que achou? – ele perguntou, ofegando com a mala dela – Aliás, são só duas semanas.
– É bem legal. Eu gostei. Uma boa decoração. – afirmou
– Ótimo. – ele colocou as mãos no joelho, respirando pesadamente. – Pode ficar no primeiro quarto. Vamos ficar lá. Hm, eu vou comprar alguns alimentos, pode ir se acomodando e depois eu volto. Deve ter alguma coisa na geladeira, mas não aconselho comer. E não me diga que não sou cavalheiro, estou cansado. Vou comprar as coisas, pode ir se acomodando.
Annabeth riu da escada.
– Sem problemas, comandante. Pode ir indo. Vou avaliar o local.
O moreno sorriu enquanto ela subia com passos rápidos e foi procurar o mercadinho mais próximo.
Annabeth entrou no primeiro quarto. Todo de madeira. Uma porta de correr de vidro mostrava a paisagem e seu encontro com a areia branquinha, ela se imaginou correndo por ali, fazendo fogueira e comendo marshmallows, suspirou. Abriu o guarda roupa e começou a fuçar tudo que tinha ali. Muitas roupas. E o cheiro de maresia se misturava com o cheiro de mofo, abafando-o. Todas as roupas eram de Percy, blusas, regatas de todas as cores, bermudas soltas e bermudas jeans pesadas. Lençóis grossos e casacos, moletons, touca de frio e cachecol, Annabeth não conseguia entender porque tanta coisa para frio. Eles estavam no litoral. Bufou. Abriu as gavetas e encontrou as cuecas, as meias e mais cuecas. Bufou novamente e se sentou no chão, uma abertura do tamanho de uma televisão em pé se encontrava ao lado das gavetas, cheia de teias de aranha e pó. Uma caixa de sapatos suja se escondia ali, ela pensou em todos os segredos que poderia estar escondido ali, mas riu. Percy não esconderia seus segredos mais profundos em uma caixa de sapato, era tão infantil.
Ela pegou-a no colo, fechou as portas e encostou-se ao guarda roupa, abrindo a caixa.
Tinha muitas fotos, a primeira era dele e de uma menina de cabelos cor de mel com um sorriso, estavam encapuzados em uma cama como se fizesse muito frio, os dois sorrindo calorosamente. Annabeth não soube o que sentiu, mas queria rasgar as fotos. A próxima era da mesma garota com a suposta mãe de Percy, cabelos pretos bem longos e olhos verdes clarinhos, ela sorriu, mas a garota estragava a foto. Das três fotos seguintes que encontrara, todas eram com a mesma garota. Desistiu de ver as fotos, se fosse para ficar com raiva que fosse por uma coisa maior.
Tirou todas as fotos e a jogou no chão, embaixo de todas elas, um caderno de capa dura azul marinho se encontrava cheia de poeira. A tosse dela preencheu o lugar em silêncio, e ela se sentiu com medo, mas abriu.
A caligrafia com certeza era de Percy, talvez de alguns anos atrás. Estava escrito com calma e Annabeth passou as pontas nos dedos sobre as letras em itálico, sentindo a maciez e a textura do papel amarelado.
Querido diário,
Isso é extremamente ridículo. Não sei porquê estou escrevendo, mas isso não é importante agora. Então, como Calypso disse, eu acho que tenho que me apresentar, não é? Bom, eu sou Perseu Jackson, mas me chame de Percy, ah, desculpa, eu me esqueci, você não sabe falar. Tenho dezessete anos, mas você também não quer saber disso.
Ela riu da idiotice que escrevera e passou a página.
Hoje faz seis meses que eu conheci Calypso, minha atual namorada, e ela é um anjo. E simplesmente perfeita. E eu tenho um segredo, sim, eu tenho. Algo bem constrangedor que jamais imaginaria que um garoto de dezessete anos teria, mas isso também não te importa agora.
Annabeth arqueou as sobrancelhas e puxou seus joelhos contra os seus peitos, olhando atentamente todas as palavras. Ela percebeu que dificilmente ele escrevia no suposto diário, descobriu que aquela namorada deu de presente de namoro para ele. Percy não escrevia como todas as pessoas, todas as noites, todos os dias, todos os minutos. Uma vez por mês, talvez. Ela chegou ao mês de julho. Quando faltava poucos dias para ele fazer aniversário.
Querido diário,
Hoje eu estou em Montauk com os meus pais e estamos fazendo um acampamento. Não está tão legal porque Calypso não pode vir, mas tudo bem, quer dizer... Estou com a minha família, não é? Deveria me sentir muito feliz. Meus pais devem estar fazendo qualquer besteira lá em casa para comermos, mas eu preferi ficar vendo o mar e pensando na minha garota. Eu não sei como ela está e ainda estou ansioso para saber o que ela vai me dar de aniversário. Ah, e aqui é tipo... Um aquecimento para o próprio.
Annabeth novamente não entendeu o que aquilo queria dizer. Na próxima página, se sentiu atraída pela força com que ele escrevera, a letra estava marcada de forma bruta na página, fazendo com que fizesse pequenas ondinhas quando topava em sua caligrafia. Ela suspirou, rezando para que ele não encontrasse tão cedo qualquer coisa que estivesse procurando.
Querido diário,
Eu me sinto abençoado por Calypso ter me dado isso. Hoje é meu aniversário de dezoito anos e finalmente, recebi a surpresa dela.
E acho que posso revelar o meu segredo. A minha primeira vez foi com quinze anos, com uma garota no meu colégio que morreu em um acidente de carro. E isso foi muito sinistro, desde então, eu senti que era como uma maldição e que nenhuma garota queria namorar comigo. Mas tudo bem, porque isso me fez encontrar Calypso. E eu sei que eu nunca disse como nos encontramos para você, mas outro dia, direi.
Enfim, ontem... Eu e ela tivemos a melhor noite da minha vida.
Foi perfeito. Ela disse palavras perfeitas e disse que eu poderia me soltar com ela, fazer tudo que eu quisesse fazer, o que me deixou mais à vontade ainda. Embora eu esteja me sentindo culpado.
Por quê? Bom, nós estamos em Montauk, meus pais nos liberaram a casa porque confiam muito em mim e cara! Hoje é meu aniversário. E ela está morrendo de dor nas pernas, eu não sei o que fiz direito, porque bebemos algumas bebidas que não deveríamos, mas isso não importa também. Ela conseguiu dormir agora, sem conseguir andar direito, no entanto.
Calypso disse que estava muito feliz por eu ter feito isso com ela, mas eu não entendo o porquê, ela riu de mim e falou que eu tinha “um poder impressionante” e que poucas garotas conseguiriam usá-lo. Eu estou feliz com isso, diário. Não importa o que seja isso, mas eu estou muito alegre e vou fazer uma promessa, diário: só Calypso poderá usar meu “poder impressionante” enquanto eu vivesse.
A boca de Annabeth se transformou em “o” completou. Começou a se perguntar se nessa idade, Percy era tão ingênuo e revirou os olhos. Estava com ciúmes, admitiu. Ela queria sentir o que essa namoradinha tinha sentido, queria sentir tudo que eles fizeram naquela noite. E se sentiu com mais raiva quando percebeu que nunca tinha provado desse poder impressionante.
Atravessou mais algumas páginas que se encaminhavam em palavras de depressão, um ano tinha se passado e ele estava entrando na faculdade, ainda com o diário, cheio de palavras de saudades e amor. Vinte anos. E ele se esquecera de escrever, só uma página estava preenchida neste ano, no entanto.
Querido diário,
Hoje você está aposentado. Sério. Você pode fazer o que quiser.
Eu ainda amo Calypso, mas não me importo mais com ela. Estou feliz com meus primos na faculdade de advocacia. Não é tão legal quanto biologia marinha, mas estou fazendo o que posso.
Espero que se esqueça de todas as palavras que eu escrevi aqui.
Tenha um bom dia, cara
Percy Jackson.
Foi um pequeno texto e ela queria jogar aquela merda no mar para que nunca mais voltasse. Bufou e apertou as folhas na mão, tentando não rasgá-las nem amassá-las.
– Você está bem? – a voz masculina falou, atônico, na porta do quarto
Annabeth fechou o diário e colocou atrás de si, levantando-se em um pulo. Sabia que ele tinha visto, mas não sabia o quanto ele tinha visto. Seus olhos estavam marejados e mesmo que não percebesse, lágrimas de fúria tinham descido pelas suas bochechas. Ela mordeu um dos lábios e limpou o rosto, tentando parecer alegre.
– Eu amei o quarto. Ele é lindo. Vamos ficar aqui mesmo? A vista é perfeita, não é? – enrolou
Ele soltou a mochila no chão e deu passos hesitantes até ela.
– Annabeth, você está bem?
– Por que a pergunta? – ela deu passos para trás, relutante – Eu estou bem, certo? Estou. – gaguejou
– Me dê isso. – ergueu a mão, ela não soube o que fazer – Annabeth,me dê isso. Agora.
Foi uma ordem ou pedido? Ela não soube definir, mas deixou o diário cair no chão e atravessou até a porta.
– Vou ver o que temos para comer.
Então, ela desceu como um raio até a cozinha, fungando.
– Que merda você está fazendo, garota? Suas férias. – respirou fundo e se apoiou na pia vendo as bolsas plásticas em cima da mesa de mármore
Começou a tirar tudo que ele tinha comprado. Comidas congeladas. Lasanha de quatro queijos, hambúrgueres, lasanhas de carne, iogurte de frutas vermelhas, pasta de amendoim, pães integrais, nutella, pasta de amêndoas, amêndoas, morango, framboesa, entre outras frutas, legumes e comidas congeladas.
Annabeth adicionou tudo à geladeira e algumas coisas ao armários, como os biscoitos de leite e de chocolate que ele comprara. Colocou um pouco de água no copo, tentando controlar a respiração de ter sido pega no flagra.
Pensou que agora ele passaria pela porta e nunca mais falaria com ela.
Percy se encostou à soleira da porta, olhando-a beber água. Pensando o que faria agora.
– Então, — ele deu um sorriso, mexendo as mãos nervosamente nos bolsos – O que quer fazer agora?
– Eu não sei. Sabe, eu vim acordada com você toda a viagem e estou com um pouco de sono, ainda.
– É, eu também estou. Mas acho que vou ficar um pouco no mar, tá afim de ir? – ele apontou para fora
– Não. – ela terminou de tomar a água, e deixou o copo cair suavemente na pia – Não, obrigada. Banho e cama.
– Banho e cama. – ele repetiu baixinho – Pode me encontrar na praia. Está um sol infernal. – resmungou enquanto tirava a camisa, a jogava no sofá e saía como se nada tivesse acontecido.
– Poder impressionante. – Annabeth sussurrou para o ar e rastejou até a janela ao lado da poltrona na mini-biblioteca
Percy andava calmo pela areia e quando finalmente, entrou em contato com a água, mergulhou. Ela não o viu por bons segundos até ele aparecer bem longe do que deveria estar. Suspirou, voltou para o sofá e deitou-se ali. Olhou para o teto repleto de teias de aranha, murmurando como seria se aquilo acontecesse e dormiu.
Extraña sensación, podría ser amor [...] Quiero sentir el calor que hay entre tú y yo, [...] porque te siento, porque te siento, sé que va a suceder, porque te siento, porque te siento, muy dentro de mi piel...
Notas finais
Bem, obrigada pela atenção e espero que todos tenham gostado.
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