Chasing The Sun
37 Coleccionista de Canciones.
Notas iniciais
Coleccionista de Canciones
Três meses. Doze semanas. Oitenta quatro dias. Quinhentos e oitenta e oito horas. Parecia muito tempo perdido, talvez usado de boa maneira, mas tudo que Annabeth vinha fazendo todo esse tempo fora evitar Percy, sair com Silena – o fato de que Beckendorf ainda não tinha descoberto nada, também era uma grande surpresa para as duas e Silena ainda estava com medo de qualquer reação que ele viesse a ter –, tomar café da manhã no Starbucks, virar uma louca desesperada por trabalho, cuidar de si própria, fazer com que os papéis do divórcio saíssem mais rápido – o que, em fato, aconteceu mais rápido do que esperava, já que ele ajudou no processo – e a coisa que mais queria fazer com afinco: evitar uma conversa cara a cara com Thalia, porque se conseguisse ficar cara a cara com ela, a única coisa que ia fazer seria fazer uma daquelas brigas de meninas no colegial que brigam por homem e realmente, Luke não precisava de mais nenhuma gota de sua preocupação.
Passou a mão pelos cabelos desfazendo o coque preso por um lápis que caiu no chão. Seu natal não fora o melhor do mundo, com certeza. A casa de sua mãe não era o melhor lugar para se passar quando ela parecia uma adolescente com seu novo marido, Poseidon. O jantar foi curto, a mesa estava cheia de comidas deliciosas, um peru enorme que apenas de ver seu estomago revirava, sobremesas que Annabeth nunca pensou que sua mãe fazia até ver todas aquelas variedades de doce, a salada sem graça não fazia mais sentido quando começou a comer o pudim, em seguida doce de leite e os variados sabores de mousse.
Quando Percy chegou todo molhado, empacotado em três casacos, aumentando o aquecedor, a loira educadamente, deixou a mesa. A cena se repetia toda vez que aquele nome persistente surgia em sua cabeça. Ele deu um daqueles sorrisos contagiantes que fez com que Atena pulasse de sua cadeira felpuda e fosse ajudá-lo a retirar todos os casacos, abanando a mão sobre o cabelo que pingava e ralhando com ele por ter molhado sua casa, Percy apenas ria de cada coisa que ela falava. Annabeth sentiu um pouco de ciúmes ao ver que ela o tratava como um filho, como se ele fosse mais vezes visitá-la do que a própria filha.
A loira se inclinara quando sua mãe fazia um coque alto com o loiro platinado de seus fios e sentava no lugar de antes.
– Eu estou meio indisposta... Feliz Natal. – murmurou, ao colocar o guardanapo ao lado de seu prato e levantar-se da cama
– Você não está saindo por minha causa, está? – falara, assim que ela dera as costas
– Por que faria isso?
– Não sei. – o moreno a encarou por alguns segundos e desviou o olhar, percebendo que sua madrasta e seu pai os avaliavam – Por que está me ignorando?
Annabeth dera de ombros e fez menção de dar um sorriso sem mostrar os dentes, lembrou e subiu as escadas, trancando a porta, suspirando várias vezes até que o mal-estar temporário passasse. Lembrou, também, que no mesmo dia ele batera em sua porta, pedindo por uma explicação.
– Por favor. Eu não sei porque você está me evitando e... – ele suspirou do outro lado da porta, colocando a testa na madeira fria – Também não sei se isso é drama da minha parte, mas... Me dê alguma palavra.
A loira respirou fundo antes de responder.
– Eu ia dormir. Estou com um mal-estar. Boa noite e feliz natal.
– Annie... – ele deu um soco na porta, Annabeth fechou os olhos com força sentada na cama, pensando se abria a porta ou não – Desculpa, por favor... Fala comigo.
– Estou cansada, Percy. – gritou, apertando as unhas nas coxas desnudas – Boa noite!
O ano novo não fora muito parecido. Trancada em casa, assistindo a Times Square pela televisão com Taylor Swift, Justin Bieber e Carly Rae Jepsen cantando. Uma boa panela de brigadeiro e não precisava mais de nada.
Melanie abriu a porta, timidamente, interrompendo a linha de pensamentos que Annabeth tinha posto sem rumo em sua mente, colocando os cabelos, agora com mechas douradas para dentro de seu escritório, ela puxou o corpo até restar apenas uma fresta da porta aberta.
– Senhora, senhorita, — corrigiu-se — desculpas. – Annabeth balançou a cabeça indiferente
– Se for Sr. Jackson, eu estou ocupada, Mel.
– Não, é o garoto novo. O substituto da Silena, a senhorita vem evitando ele também, mas parece que ele precisa falar muito com você.
A loira balançou a cabeça, com raiva. Esquecera totalmente daquele garoto. Escolheu-o de acordo com a assistente da agência que a empresa contratara. Nem se lembrava do nome, ou do rosto dele.
– Tudo bem, pode deixá-lo entrar.
Melanie assentiu, saindo da sala e em poucos segundos, o homem loiro adentrou á sala. Ele era lindo, percebeu. Os cabelos eram dourados e apontavam para todos os lados, bagunçados, usava uma blusa azul de botões sem blazer nem nada do tipo, uma calça jeans, como se fosse sair com os amigos. Annabeth revirou os olhos, lembrando a si mesma que ele era apenas o designer, lembrando como Silena se vestia à uma modelo quando trabalhava. Pigarreou e se levantou, puxando a blusa branca de botões para baixo.
O homem veio com um sorriso, sem mostrar os dentes, talvez tímido, talvez sério demais. Lentamente, se abaixou quando Annabeth erguia a mão para apertar a dele, como se fosse um cliente. A loira arregalou os olhos, recolhendo a mão rapidamente e a apertando em sua cintura. Ele voltou do chão, com uma expressão peculiar, dessa vez sorrindo abertamente.
– Tinha um lápis no chão. – ele balançou a silhueta fina laranja ao lado de seu rosto esculpido – Desculpas. – inclinou-se e deixou-o rolar até que parasse ao lado de uma imensidão de papéis postos um em cima do outro
– Certo. – ela disse com a voz séria.
– Thomas Jones. – ergueu a mão sobre a mesa de carvalho, esperando alguma reação
Annabeth pigarreou e apertou a mão febril dele, convidando-o a sentar-se com a cabeça.
– Pois bem. – iniciou, segurando o lápis que ele pegara e batendo na mesa incansavelmente – Não sei o que você está fazendo aqui, mas preciso que seja breve, Sr. Jones.
– Pode me chamar de Thomas, ou... Tom, mesmo. – deu de ombros, olhando para a ponta da mesa, sem encará-la
– Não, Sr. Jones. Somos uma empresa de advogados e se já lhe foi informado, pela sua assistente, trabalhamos de modo formal, chamando cada um de senhor, senhora ou senhorita.
– É... Mas, você chama a Melanie de Mel.
Annabeth estreitou os olhos, mirando a cabeça baixa, o queixo esculpido e as maçãs do rosto levemente cheias e coradas. Thomas levantou o rosto, liberando os olhos cor de mel extremamente claro para a avaliação que os seus faziam. Tentou fazê-lo não perceber que o ar escapara de seus pulmões ao ver o tamanho da beleza que continha ali. Tímido, alto, loiro, bom estilo... Não sabia se era verdade, mas tinha quase certeza que ele saíra de uma capa de revista.
Respirou fundo antes de continuar.
– Sr. Jones, — frisou – o que deseja aqui?
– Bem... Parece que ninguém aqui tem tempo para um mero designer que cuida do marketing, eu tentei marcar uma reunião com os chefes... Sr. Di Ângelo, Sr. Jackson e Sra. Grace, certo?
Assentiu, estremecendo apenas de ouvir o ultimo nome.
– E todos disseram que não tinha tempo suficiente para me atender, então minha assistente disse que existia você... Sócia-chefe, ou algo do tipo, então...
Inclinou-se sobre sua mesa de carvalho, depositando o queixo nas mãos cruzadas.
– Então, Jones, o fato de você estar me atrapalhando ainda não me diz o que você quer.
– Talvez conhecer quem manda aqui?
Arqueou a sobrancelha, tentando parecer intimidadora.
– Ok, para com isso, eu sei que você é advogada. Parece mais uma juíza. – revirou os olhos e cruzou o tornozelo no joelho – Hm... Sra. Chase, certo?
– Se quiser me chamar de senhorita, seria bem melhor.
– Tudo bem. Annabeth?
– Não. Chase.
– Você não brinca, não é?
Annabeth revirou os olhos e bateu as mãos no carvalho, impaciente.
– O que você quer?
– Tudo bem... Eu queria opiniões sobre a nova logomarca. Silena me deixou explicações totalmente rígidas do modo que queria, mas quando tentei ligar pra ela, disse que estava ocupada demais e parecia estar chorando, então – ele deu de ombros, encerrando o assunto
– É... Sei. Ela está grávida. – declarou, Thomas emitiu um som de concordância, assentindo – Então, você está com elas ai?
– Não, não. Mas agora eu vou ter que sair. Sabe, dois empregos. – ele mexeu as mãos. – Mas, se quiser almoçar comigo. Eu vou estar no Sofia’s.
– Você está me obrigando a ir?
Thomas riu, levantando-se da poltrona de visitantes.
– Não, de nenhuma maneira. Só vou esperar se decidir ir. Nada pessoal, juro. Quero dizer, você é muito linda, mas não quero estragar a oportunidade incrível de estar trabalhand...
– Eu entendi, Jones. – revirou os dedos, passando os dedos sobre os fios – Onde é esse restaurante?
Thomas sorriu, apoiando as mãos nas costas da poltrona, erguendo a cabeça, encarando o teto, como se estivesse pensando.
– Sofia’s of Little Italy. 143, Mullbery St.
– Ceerto. – Annabeth terminou de escrever o endereço em um bloco de notas aberto
– Posso te esperar?
A loira ergueu os olhos, reprimindo um sorriso educado quando um sorriso grande aparecia no rosto bronzeado.
– Melanie, me solte, porque você sabe que não pode me impedir de entrar em uma propriedade m... Annie?
Annabeth bufou antes que pudesse assimilar qualquer coisa que fosse dizer à Thomas. Ergueu as sobrancelhas, confusa e mirou Percy caminhando lentamente ao lado de sua visita. Podia ver o corpo musculoso de Thomas se retrair com os olhos esverdeados o fitando, ele o encarou também como se estivesse começando uma briga entre homens.
Estremeceu ao ver que os dois a olharam no mesmo tempo. Saiu da cadeira e sorriu para o loiro que voltava a sorrir.
– Pode colocar mais uma cadeira em sua mesa, Jones.
– Vou levar as logomarcas.
– Claro que vai. – ergueu a mão, apertando-a novamente, antes que ele se virasse
Afundou na cadeira, apoiou os cotovelos na mesa e escondeu o rosto entre as mãos, em seguida levantou parcialmente o rosto, arrastando a cadeira presidencial até poder ver o rosto contraído de Percy na cadeira que antes Thomas estava ocupando.
– O que foi isso que eu acabei de presenciar?
– É esse o garoto novo?
– Isso foi uma briga de quem mija mais longe?
– Não, isso foi uma briga por uma mulher muito, muito gostosa que agora ele acha que está competindo.
– Eu não sou troféu, Perseu.
– Claro que não, porque você não está em competição. Ele não percebeu isso? – bufou, descontente
– Você não marcou território em mim.
Bufou novamente.
– Claro que não. E se for uma competição de quem mija mais longe, tomara que ele esteja pronto para perder, porque... Como?
– Você não marcou território em mim. – repetiu, com mais convicção do que antes
– Então quer dizer que você realmente vai sair com ele? Você não estava iludindo o garoto?
– Por que o iludiria?
– Porque... Porque isso é uma competição! Ele está atrás de uma c... Pessoa que eu já estou atrás há muito tempo... Annabeth, se isso for uma competição, não será apenas por quem mija mais longe, vai passar muito mais do que isso.
– Você vai segui-lo?
A loira revirou os olhos e pegou o lápis, prendendo os cabelos em um coque alto, voltando a trabalhar no que tinha deixado aberto no seu computador.
– Se for preciso. – deu de ombros – Annie, ele é... Eca. Aliás, eu não vim aqui para falar dele ou da tentativa inútil de te seduzir com um suposto jantar ou almoço.
– Almoço.
– Eu vim pra falar da nossa situação.
– Situação. – saboreou a palavra antes de inclinar-se sobre a mesa, procurando um papel que fora esquecido, fitando o homem a sua frente – Situação. Pode falar sobre nossa situação.
– Você vem me evitando.
– Sim.
– No natal, você simplesmente me ignorou.
– Certo.
– E no ano novo, eu te implorei pra passar comigo nos Times Square e você simplesmente me ignorou, de novo.
– Absolutamente.
Annabeth se levantou e colocou o blazer sobre os ombros, gritando para Melanie.
– Imprima tudo isso que está aqui. E fale com aquele cliente daquela empresa enorme, diga que às três, eu estou livre e que não tenho mais nenhum dia pra ele, tudo bem?
– Sim, senhora.
– E, de novo, você vai me ignorar. – Percy suspirou
– Não, não vou. Eu quero que a gente resolva isso o mais rápido possível. Se eu passo pela primeira etapa, consigo passar pela segunda, certo?
– Você realmente vai me ouvir?
– Realmente.
– Certo. – ele levantou-se e ficou de frente para ela, abaixando os olhos para que conseguisse fitar a mistura de azul claro e cinza, depositou a mão em seu pescoço acariciando a bochecha com o polegar – Annie, você acabou de terminar com seu ex, eu entendo, mas...
– Não vai rolar nada entre a gente. – disse antes que ele continuasse – Isso que eu queria dizer. Que... – ela franziu os lábios, deleitando-se internamente com o toque que sua mão tinha – Sempre que eu estou com você... Eu me lembro. Lembro de quando fugia de Luke, quando fugia de casa para te encontrar, quando... Tudo isso. E é demais. Eu não vou conseguir ficar com você de novo, sem lembrar disso.
– Você só precisa de um tempo.
– É. – ela confirmou – Você sabe o quanto eu adoro você e... Sinto lhe informar, — Annabeth desviou o olhar e retirou a mão de seu pescoço – mas esse tempo terá que ser muito longo.
Percy suspirou, passando os dedos sobre os próprios cabelos, voltando a olhar na tempestade nublada que se erguia em seus olhos.
– Acho... Eu acho que posso esperar.
– Não, você não pode.
– Eu posso. É só você me dizer o que quer que eu seja. Vamos, — ele riu, abafadamente – você sabe que sou o melhor amigo que alguém pode ter.
Annabeth riu e socou seu peito de leve.
– Então, você é oficialmente meu amigo.
– Amigo? – bufou, segurando os ombros finos contra seu peito – Melhor amigo, minha querida amiga. Você vai se divertir muito comigo.
Depositou um beijo estalado em sua bochecha enquanto ela ria, boba.
– Não posso me divertir agora, idiota. – ela se afastou de seus braços protetores e se olhou no pequeno espelho ao lado da estante, soltando a cascata de cachos e virando-se com o olhar sério novamente – Eu vou para uma reunião em uma empresa agora. Sobre direitos dos funcionários, essas coisas. – piscou os olhos, depois de passar o delineador e um leve gloss sobre os lábios
Percy franziu o cenho e enfiou as mãos nos bolsos.
– Posso almoçar com você?
– Não.
– Mas, eu sou seu amigo.
– Não.
– Isso não é uma competição, você sabe, não é?
– Não. E não. Você não vai.
– E você sabe que eu mijo mais longe.
– Percy. – repreendeu-o
Annabeth rolou os olhos, caminhando até sua bolsa e dando um tchauzinho enquanto saía da sala e o via plantado lá, encarando-a chamar o elevador e então, desaparecer de seu campo de visão.
Amiga. Podia se acostumar com isso, se ela conseguisse achar um novo significado para os dois, com essa mesma palavra. Suspirou e puxou seu telefone, procurando na agenda, a única pessoa que conseguiria fazer com que acabara de planejar parecesse uma coisa normal.
Tú, la dueña de mis sueños...
Notas finais
Enfim, eu to pessima em quimica e em matematica, provavelmente vou passar um tempo sem postar E CARALHO O QUE DEU EM VCS QUE QUASE NINGUEM COMENTOU NO CAPITULO PASSADO?
Hm, to pensando em fazer maratona porque vou passar muito tempo sem postar, mas isso se vcs deixarem reviews, sim, isso ai
Enfim, GOSTARAM?? Amei esse capitulo por motivos do Percy tá um fofo, bebe e a Annie tá a babaca de sempre, mas enfim e AMEI O TOM!! AMEM ELE!
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