Charmer
1 Justo
Notas iniciais
–A ré tera de cumprir três messes de trabalho voluntario no Hospital Municipal.-o juiz disse e bateu com o martelho na mesa.
–Se quiser podemos recorrer.-Jhow disse, ele era o meu advogado, mas balancei a cabeça negativamente, poderia ter tido uma setença bem pior e muito mais longa que essa.
Me levantei da mesa e comecei a andar para fora da sala.
–Espere.-Jhow veio atras de mim.- consigo diminuir sua pena para dois messes se quiser.
–Não, tudo bem Jhow, a pena é justa.- disse parando já na entrada do tribunal.
–Bom, então vou pegar os papeis e amanhã passo na sua casa para nós irmos até o hospital.
–Nossa, já vou ter que começar amanhã- disse franzindo o cenho e Jhow deu uma risada.-Obrigado por tudo Jhow, de verdade, vou tentar arranjar dinheiro o mais rápido possível pra te pagar.-Até hoje não havia pagado um honorário dele, mesmo sendo amigo da minha família e meu amigo não achava justo não paga-ló.
–Seu irmão já fez isso e você sabe que não precisaria me pagar, mas como não estou podendo recusar dinheiro aceitei o dele.-disse um pouco chateado.
–Ele te pagou? Mas eu pensei que ele nem soubesse de nada.- disse para mim mesma, surpresa.
–Seu irmão se preocupa com você, eu procurei ele e o mantive informado de tudo o tempo todo, e ele fez questão de pagar, me desculpe por não ter falado nada antes mas achei que era o certo a se fazer.-disse um pouco cauteloso.
–Você deveria ter me falado.-bufei.- De qualquer jeito vou ter que arranjar dinheiro pra pagar ele.-disse e estava um pouco irritada e ainda surpresa com aquilo.Não que meu irmão fosse um mal irmão mas ultimamente tinha perdido contado com ele e toda minha família e ainda o fato que meu advogado/amigo mentiu pra mim.
–Você não precisa me pagar Sam.-disse uma voz de homem atras de mim, quando me virei vi que era meu irmão, tinha esquecido de como a voz dele era grave.
–Matt.- disse surpresa novamente, me perguntei se tinha mais algo por vir hoje.
Ele passou por mim e foi cumprimentar o Jhow com um a braço.
–Bom vou pegar os papei e deixar vocês conversarem um pouco.- Jhow disse olhando alternadamente para mim e Matt.-tente fazer com que ela não fique com raiva de mim.-falou baixo como que só quisesse que meu irmão ouvisse e saiu.
Matt virou para mim e ficou me olhando e parecia um tanto preocupado.
–Por que você pagou os honorários dele?-perguntei antes que pudesse falar qualquer coisa ou se desculpar.
–Você é minha irmã, isso já é um bom motivo.-começou ele.- e também sei que esta sem emprego.
–Meu deus.-exclamei indignada.- agora quem me dedou? O cozinheiro?-falei e comecei a andar em direção a duas poltronas que tinha em um canto do tribunal.
Me sentei em uma e Matt na que estava do meu lado.
–Tenho os meu contatos-ele disse com um sorriso no canto da boca.
–Então foi o cozinheiro?-semicerrei os olhos.-nunca fui com a cara daquele gordo.
Meu antigo emprego era em uma lanchonete e eu era a balconista, fui demitida pela confusão que havia me metido e que me levou aos tribunais e porque o cozinheiro maldito roubou dinheiro do caixa e com minha fixa nada limpa eu fui a acusada da vez.
–Isso não importa.-Matt disse ainda rindo do que eu falei.- Então, qual foi a sentença?
–Trabalho voluntario no Hospital Municipal.-disse dando de ombro.- no meu caso, trabalho voluntario obrigatório no Hospital Municipal.
–Não é tão ruim.-Matt disse rindo.
–Não mesmo, pra falar a verdade é até justo.Se você for pensar em tudo que eu já fiz, ajudar alguém talvez diminua a minha sentença no céu, se é que existe.
Matt não riu dessa vez, eu sabia que ele odiava quando eu começava a falar assim, mas eu simplesmente não conseguia evitar.
–Não comece com isso Sam.-ele disse serio.-Você não tem culpa de nada e você sabe disso.
–Mamãe e papai não acham o mesmo.-retruquei.
–A quanto tempo você não vê eles?.-Matt perguntou e segurou minha mão.-Vocês deveriam conversar sobre tudo isso e esclarecer a situação.
As vezes o lado psicologo dele me irritava.
–Não há o que esclarecer.- disse soltando minha mão da dele.- já ouvi tudo o que eu precisava.
Matt suspirou e se encostou na poltrona.
Mesmo depois de três anos eu me lembrava exatamente das palavras da minha mãe.
'Não posso culpa-lá Max' ela dizia entre os choros e soluços para o meu pai 'mas ela que estava lá, ela que o levou, ela que tirou ele de mim, ela, ELA'
–E quando começa?-Matt interrompeu meu pensamento.
–Hã?.-perguntei confusa.
–O trabalho...
–Aaaah.-disse puxando o ar.-Amanhã.- e o soltei.
–Mas já.-disse surpreso.
–Pois é, parece que eles não perdem tempo pra alguém trabalhar de graça pro estado.
Matt riu de novo e se levantou.
–Tenho que ir.-disse olhando pro relógio.-quer uma carona?
–Não, valeu-.me levantei também.-to com minha moto.
–Eu vou te dar um carro.
–Hã?Tá locou?.- perguntei sem entender nada.
–Motos são perigosas.-comecei a revirar os olhos para ele enquanto falava.
–Não vem com isso não Matt.-comecei a andar pra fora do tribunal.
–Você sabe que é.-tentou argumentar.
–Hoje em dia tudo é perigoso, até andar é perigoso e você sabe que a unica coisa que meda alguma alegria é essa moto.Sabe você algum dia tinha que sentir a sensação de andar em uma.Eu vou te levar pra andar.- falei com um sorriso quando vi que ele fez careta com a ideia.
–Tudo bem.-ele disse e fiquei surpresa.-desde que você vá comigo a Juliet e as crianças para a casa de praia no final de semana.
–Serio? Tá eu apareço por lá-disse ainda duvidando de que ele deixasse eu o ensinar a andar de moto.
–Mas apareça mesmo.-veio em minha direção e me deu um abraço de despedida.-as crianças estão com saudades, a Juliet também.
–Pode deixar Matt, eu apareço.-falei e ele me soltou.
–Se cuide.- disse se afastando de mim.
–Se cuide também...
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