Charlotte - Why not?
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Se eu dormi? Não, claro que não. Como dormir depois de admitir que estou começando a sentir algo por um príncipe? Passei a noite toda me revirando na maldita maca até que decidi que olhar para o teto seria bem mais útil. Erro meu. Tudo o que eu consegui pensar foi naqueles olhos castanhos, naquele sorriso que sempre está presente ou em como aquele cabelo loiro deve ser macio, e claro, naquele maldito projeto de coroa que estava em cima da cabeça dele. Tudo seria bem mais fácil se ela não existisse, primeiro que não haveria outras garotas de olho nele. Ou teria... vamos admitir que ele não é feio ok?
Tudo isso resultou no meu castigo: para mim cada hora na verdade equivaliam a cinco. Nunca o sol demorou tanto para nascer! E assim que nasceu eu disse a mim mesma: tudo bem, só mais dois séculos e estarei fora daqui. Podia ser drama, mas eu realmente odiava hospital ou qualquer coisa que o lembrava. Se ferir, machucar, passar mal, quebrar alguma coisa, tudo isso assinava o contrato de que você ficaria fazendo absolutamente nada por horas ou dias. É por isso que eu sempre me cuidei muito bem, então eu entro em uma Seleção e fico no meio de um ataque. Olha onde estou agora.
No decorrer do dia comecei a notar que James não voltaria a me visitar e a noite tive certeza. Não que eu esperasse ele aparecer depois do meu ataque de ciúmes não oficial, mas o meu lado esperançoso esperou por ele. Bufei ao perceber que estava abrindo o meu coração demais, deixando ele se aproximar demais. Se apaixonar não é ruim, mesmo que tenha o risco de magoar e de sofrer, mas se apaixonar por um príncipe que tem que escolher uma entre quinze garotas que convivem com ele no mesmo espaço com certeza não é uma boa ideia. É uma péssima ideia.
— Cris?
Arfei. Só um homem dentro desse Palácio me chamava assim.
— Majestade?
Rapidamente me sentei e tentei me deixar o mais apresentável possível. Por favor, é o Rei!
Rei Maxon apareceu segundos depois através da cortina que me impedia de ver a entrada, usava trajes sociais, mas ainda tinha a coroa na cabeça.
— Algum problema, majestade?
— Eu só vim visitar você e colocar algumas coisas em dia, se importa? — ele disse sorrindo daquele jeito que só os Schreave sabiam fazer.
— Claro que não — respondi imediatamente, tentando sorrir — Que coisas seriam essas?
O rei ergueu as mãos, mostrando as enormes pastas e uma caixa que segurava e que eu não tinha notado.
— Ah, sim — foi minha resposta muito inteligente.
Ele se aproximou e sentou na cadeira que ficava ao lado da maca, arrastando-a para ficarmos mais próximos.
— Então? Como você está?
— Bem melhor — respondi sem hesitar — As dores passaram e o corte na testa já está quase cicatrizado. E America? Como ela está?
— Só ganhou alguns arranhões, não que ela se importe — ele riu suavemente — Mas está realmente brava por terem destruído as flores dela. Eu nem sabia que ela cuidava de flores.
Eu não conseguia imaginar aquela mulher com raiva de rebeldes por causa de flores.
— Ela está preocupada com você — Rei Maxon revelou franzindo o cenho — E concordamos que você merece ter isso de volta.
Ele colocou a caixa sobre minhas pernas cobertas e a abriu, revelando a linda tiara que eu havia ganhado no dia da sessão de fotos com o James.
— Ai meu Deus! — exclamei surpresa, eu nem tinha agradecido pela tiara — Me perdoe, eu não cheguei a agradecer a nenhum dos dois por isso. Ela é linda, muito obrigada mesmo majestade. E antes que eu esqueça, isso é muita coisa sim. Imagina se descobrem esse presente...
— Por favor Cris, era o mínimo que nós podíamos fazer por você ter salvo a minha vida — ele fez questão de lembrar — E agora nós temos outra divida com você, porque salvou America também. Imagina o problema que vamos ter se você um dia salvar toda a nossa família.
— Mesmo assim majestade — intervi, ele tinha que lembrar a real situação — Estamos no meio de uma Seleção e os Reis estão mais próximos de uma Selecionada em especial. Isso não vai contra alguma regra?
Havia regra para tudo, por que não para aquilo também?
Mas o rei apenas riu:
— Talvez as outras garotas se importem com isso, mas não vemos problema nenhum, os outros precisam saber que você é nossa favorita.
Paralisei. Eu sou o quê?
— A favorita de vocês?
O rei acenou, concordou. Mas eu só me perguntava: por que?
— Só por que eu salvei vocês?
— Não, mas saiba que isso influenciou muito. Qualquer outra nos salvaria e correria para contar ao James, só para ganhar alguns créditos a mais. Mas com você... ele nem ao menos desconfia!
E esses “segredos” já estão começando a complicar minha vida, não é?
— Majestade... James me disse que eu não merecia estar na Seleção, imitando suas palavras.
— Por favor, você já salvou a minha vida e a da minha mulher, pode me chamar de Maxon — ele continuou — Nem você, nem James, entenderam o que eu quis dizer. Eu realmente disse que você não merecia estar aqui. E não merece — eu o olhei confusa e o rei tratou de esclarecer — Você não merece passar por nada disso. Não merece estar nesta guerra de vestidos lutando por uma coroa que já devia ser sua.
Pigarreei tentando dar fim ao meu desconforto. Muda de assunto Charlotte. Muda de assunto!
— Maxon — recomecei alternando meu olhara da tiara para ele — Eu sei que vocês dois são muito gratos, você e America, mas eu não acho que me aproximando de vocês as coisas possam melhorar. Olha o que aconteceu com a Paige... Quando as outras descobrirem que os Reis são simplesmente Maxon e America para mim, o que vão pensar?
O rei, ou melhor, Maxon (se eles insistiam no primeiro nome, então quem sou eu para negar tal ato) respirou fundo, parecendo mais cansado do que minutos antes. Retirou a coroa e passou as mãos pelos cabelos, exatamente como James fazia. Eu disse que a genética foi forte!
— Cris, eu peço que esqueça que há um rei na sua frente, pode ser? — eu concordei e ele colocou a própria coroa sobre minhas pernas, perto da tiara. Então abriu uma das pastas e retirou uma boa quantia de papeis de dentro — Quando James tinha dez anos... Miranda foi sequestrada por rebeldes da Nova Ásia — arregalei os olhos — Naquela época eles só queriam assustar, mandar um aviso e eu e America estávamos certos de que teríamos nossa filha de volta. Mas James não entendia isso. Temeu pela vida da irmã mais do que qualquer um, até nós mesmos. Desde então ele parou de fazer qualquer coisa que gostasse na época, qualquer hobby foi esquecido... Esgrima, piano, violino, luta e principalmente desenho — ele me entregou um desenho feito a lápis de Miranda — James adorava desenhar Miranda, dizia que ela era perfeita e merecia ser desenhada. Nada disso voltou a acontecer nesses oito anos, até agora — recebi o desenho de um par de olhos e imediatamente os reconheci: eram meus.
Os próximos desenhos que Maxon me deu era todos de mim, dos meus olhos, do meu rosto. E são simplesmente perfeitos, James conseguia fazer um desenho tão perfeito em detalhes quanto uma fotografia. Na minha opinião cada um deles deveriam estar em um quadro e não em uma pasta. Mas o objetivo principal de tudo aquilo ainda era surreal demais.
— Ele voltou a desenhar... por mim?
Maxon concordou e recolheu os desenhos, para minha total frustação.
— Desde aquele dia em que viu sua foto durante o Jornal Oficial James voltou a desenhar, o primeiro foi os olhos. Esses daqui são apenas cópias, é muito arriscado tirar os originais do quarto dele. James os guarda como um tesouro.
Suspirei, meu Deus, o que está acontecendo aqui?
— Precisa entender que tanto eu quanto America... não a vemos como uma Selecionada, nós vemos como alguém que só fez o bem a nossa família — Maxon declarou me fazendo respirar fundo, sim, eu estava emocionada — Salvou nossas vidas, fez James querer voltar a aproveitar tudo ao seu redor, querer fazer seu melhor. E só não causou uma mudança em Miranda e Emma porque ainda não conversaram.
Pensei em algo para falar, mas ele continuou:
— Pela primeira vez eu concordo com America nesse quesito... James não precisa de uma boa rainha, precisa da melhor esposa para que ele também possa dar o melhor para o país. Tenho quase certeza de que você será uma ótima rainha, mas não tenho duvidas de que seria a melhor escolha para ele.
Maxon pegou a tiara da caixa e colocou sobre minha cabeça, uma lagrima teimou em cair, eu rapidamente a enxuguei enquanto ele dizia:
— Merece cada ato e presente que possamos dar a você, Cris.
Eu não aguentei e o abracei, completamente feliz por cada palavra dele. Nunca eu me senti tão transparente e tão ligada a uma pessoa como estou me sentindo agora com os Reis de Illéa. Eles me conheciam por tão pouco tempo e ainda sim enxergavam mais coisas em mim do que eu pude enumerar em todos os meus dias de vida. Jamais pensei que salvando o rei naquele dia no mercado e me inscrevendo para uma Seleção idiota eu pudesse receber tudo o que estou recebendo agora. E eu só o conseguia apertar cada vez mais naquele abraço que deveria expressar tudo o que eu não consigo dizer em palavras exatas. Não acho que eu possa ser rainha um dia, ou mesmo a princesa de Illéa, aprendi que a vida pode ser revirada e bagunçada em apenas um ato ou uma frase, mas eu estava insanamente agradecida pela confiança que estava recebendo ali.
— Estou interrompendo alguma coisa Cris?
Eu e Maxon nos separamos abruptamente para fitar James, que estava tão inexpressivo e sério quanto naquele dia da sessão de fotos.
E agora? O que eu devia fazer?
— James... eu posso...
— Pode explicar? — ele questionou seco.
Maxon se levantou e tentou amenizar a situação.
— Filho, nos precisamos conversar.
— É mesmo pai? Pode começar me dizendo por que está sendo tão carinhoso com uma das Selecionadas? Mamãe sabe disso? Sabe que está sendo esfaqueada pelas costas?
Em questão de segundos a expressão de Maxon passou de cauteloso para letal:
— Eu exijo respeito James. Ainda sou seu pai. E não gosto que me acuse! Já conversamos sobre isso...
— E parece que tudo é mentira — então James deu às costas e saiu da Ala.
Ah não... dessa vez ele vai me escutar.
— James!
Me levantei em um pulo e logo notei que minhas pernas ainda não estavam exatamente fortes, mas mesmo assim eu o segui cambaleante.
— Cris, não deve fazer isso. Está fraca.
Eu nem dei ouvidos e atravessei as portas. Para meu completo azar havia algumas Selecionadas no corredor, esperando o resultado de algum exame que eu tinha esquecido completamente. Todas me olharam surpresas e começaram a cochichar, mas eu só queria explicar tudo a ele. Ou pelo menos tentar.
— James! — gritei novamente — Por favor me escute!
Mas ele não parou, nem sequer hesitou na sua caminhada. Minhas pernas falharam por alguns segundos e fui forçada a me apoiar na parede, segundos depois os braços de Maxon já me seguravam.
— James, volte aqui! Precisa nos escutar!
— Já escutei demais! — James devolveu sem parar para nos olhar — Eu não quero mais qualquer coisa que envolva essa vadia que está em seus braços, majestade. Se a escolheu, o problema é todo seu! E o problema é dela também se quer se entregar ao primeiro que vê.
Eu paralisei. Ele me chamou de vadia? Por que isso doeu tanto?
— James! — tentei dar mais um passo, mas Maxon me impediu.
— James Schreave, pare agora ou nunca mais vai voltar a pisar nesse Palácio!
Todos nós viramos, alguns metros atrás estava America, completamente vermelha de raiva. Ela passou pelas Selecionadas sem qualquer pose de Rainha, havia somente a pose de mãe furiosa. James virou-se para fitar a mãe e se aproximou alguns passos.
As Selecionadas presentes alternavam o olhar assustado entre eu e Maxon para America. Com certeza estavam pensando no que Paige disse naquele dia, mal sabia elas que a raiva da Rainha era outra. E ela provou isso ao passar ao nosso lado e ir direto para James, dando-lhe um tapa.
Todas as garotas arfaram. James fitou a mãe, assustado. E America ainda estava completamente rubra de raiva.
— Como ousa James? — ela questionou elevando a voz — Como ousa chamar a garota dessa maneira? Ao menos sabe o significado de ser vadia? Porque nós mulheres sabemos muito bem e o quanto doí ouvi-la. E eu não criei você para magoar uma garota como Charlotte!
— Mas mãe-
— Calado! — James recuou ainda assustado, America subitamente virou-se e se aproximou de mim, tirou delicadamente a tiara da minha cabeça e voltou para perto do filho em passos largos e quase esfregou a tiara na cara — Sabe essa tiara? Eu mesma escolhi para dar a ela — ouvi alguns arquejos de surpresa. Ai Deus me ajude — Está vendo como seu pai a segura? O modo protetor? Está me vendo agora? O quanto estou furiosa pelo o que fez? Sabe o motivo de tudo isso? Tudo é porque ela merece. No dia do ataque em Kent, seu pai estava lá e foi Charlotte que o salvou — ela revelou fazendo James arregalar os olhos — Lembra do último ataque? Foi ela que me salvou.
— Eu...eu não sabia, não tinha... como...
— Isso não importa — America o cortou — Só estou contando porque a partir de hoje não quero mais que você mague nenhuma garota, especialmente Charlotte. E só para avisar que não vou mais tolerar sua desconfiança. Somos sua família! Se você viu ou alguém contou algo que não o agradou, converse com a gente! Não saia batendo o pé como uma criança mimada e birrenta! E da próxima vez que ousar desconfiar da sua família eu garanto, James Schreave, que mesmo sendo meu filho eu farei da sua vida um inferno!
A rainha se aproximou de mim e tentou me chamar:
— Vamos Cris, você precisa descansar e o James precisa pensar — então virou-se para as Selecionadas que estavam presentes — E que isso sirva de aviso a todas. Não permitirei que James magoe qualquer uma de vocês, mas também não permitirei que vocês ataquem umas às outras de forma tão baixa e mesquinha. Se eu encontrar mais alguma situação que se encaixe nisso podem ter certeza de que eu tenho autorização para manda-las para casa.
Confesso que eu precisei ser conduzida pelos reis. Ainda estava tentando processar tudo o que acontecera e principalmente cada palavra de James. Fui mesmo chamada de vadia? Nunca alguém tinha conseguido me afetar tanto quanto James conseguira em algumas palavras.
— Espera.
Senti alguém segurar meu ombro e não precisei virar para saber que se tratava do príncipe.
— James, não é a melhor hora — alertou America em tom séria.
Ele ignorou as palavras da mãe e me pegou no colo, fazendo-me exclamar de susto.
— O que está fazendo? — questionei sem conseguir olhar em seus olhos.
— Não posso deixar meus erros interferirem na nossa vida de novo — ele respondeu mantendo o olhar no caminho que pegava — Eu quero te mostrar uma coisa.
Tentei não perceber como ele disse nossa vida de forma tão significativa e o quanto eu me sinto bem em seus braços, ou no perfume dele que estava começando a me inebriar. Droga! Estou me deixando levar de novo...
— Onde estamos indo?
Ele apenas continuou andando, sem me responder. Eu bufei e tentei não pensar no que acabara de acontecer. Porque se eu pensasse com certeza não estaria nos braços dele, provavelmente já estaria fazendo minhas malas.
— James... por favor, preciso de um tempo sozinha — pedi contrariada.
Eu estava confusa, isso é um fato. Eu não tinha certeza do que sentia por ele e nem sabia se ele sentia algo por mim. E depois de tudo o que aconteceu, o ataque, as palavras do rei, a tiara, e depois as palavras da rainha na frente de todos... eu não queria e provavelmente era a pior coisa a se fazer, mas eu precisava pensar. Precisava ficar sozinha.
— Eu só te peço mais uma chance Charlotte.
Ele abriu uma porta e entramos. A primeira coisa que notei foi a cama e o tamanho do cômodo. É um quarto enorme e completamente decorado, não de um modo exagerado, mas de um modo que dizia “eu tenho muito dinheiro”.
— Bem-vinda ao meu quarto — anunciou James dando um mínimo sorriso.
Decidi não responder, então ele me colocou na própria cama e deu as costas, começando a procurar algo nas gavetas.
— O que eu estou fazendo aqui? — questionei olhando ao redor de modo desconfiado.
— Eu só quero te mostrar uma coisa, por favor, tenha paciência — ele pediu ainda revirando a primeira gaveta.
Decidi dar um voto de confiança e me sentei melhor na cama, se eu escutar algo do homem que me chamou de vadia e ainda não tinha batido nele, que pelo menos eu esteja confortável.
— Achei! — ele exclamou erguendo o objeto.
— Uma chave?
— Calma, calma.
Ele andou em passos largos até perto da porta do banheiro, onde havia um quadro abstrato na parede. Então me fitou sério.
— Eu vou mostrar que, apesar da minha dificuldade em confiar e nos meus erros diários que tanto estão te magoando, eu confio plenamente em você.
Franzi o cenho com aquelas palavras e esperei pelo o que viria.
James virou-se para o quadro e o tirou, passou a mão na parede lisa e em seguida bateu de leve. Com um leve click um pedaço da parede do tamanho do quadro se mexeu, revelando um cofre. Arregalei os olhos. Eu não quero ver isso.
— Não, não — neguei já me levantando e ficando de costas para ele — Eu não quero ver isso James. Parece um cofre e com certeza deve ser tipo um segredo do palácio.
— Não tenha medo Charlotte — ele tentou me acalmar.
— Não é medo, é precaução. Com a sorte que eu tenho, algo pode acontecer e a culpa vai cair em cima de mim. Não, não precisa fazer isso. Já fui chamada de vadia, não quero ser chamada de ladra também.
Ouvi ele bufar e notei que ele se aproximava. Fechei os olhos quando as mãos dele alcançaram meus braços, ele os esfregou como se quisesse me acalmar e em seguida me abraçou por trás, fazendo-me suspirar.
— Charlotte... por favor — ele sussurrou no meu ouvido, eu me arrepiei com o tom rouco de sua voz — Preciso que confie em mim. Não há nada de valor material nesse cofre, eles são importantes apenas para mim — James me virou para encará-lo e eu lamentei tanta proximidade — Apenas confie em mim, okay?
Eu queria pedir para ele parar de me olhar dessa forma, como se estivesse apaixonado por mim. Eu não era como as outras garotas, eu sei a diferença entre se entregar a alguém e se deixar iludir. E eu não iria me iludir com James, ele é um príncipe em uma Seleção... se eu me entregasse tão fácil, só iria me machucar. No entanto, mais uma vez as palavras faltaram e eu apenas consegui concordar com a cabeça. Ele se afastou para se aproximar do cofre e eu lamentei tanta distancia. Eu precisava me decidir!
Mas todos os meus pensamentos ruíram quando o cofre se abriu. O que, exatamente, eu estou vendo?
— James... o que são?
Ele sorriu e retirou os objetos. Em suas mãos há vários livros, livros antigos e desgastados, caixas no mesmo estado e alguns papeis velhos. James os espalhou sobre a cama e indicou que eu me aproximasse. Sentamos na beirada da cama e ele começou a apontar os itens:
— Esses livros... são diários, de Gregory Illéa. A existência deles não é nenhum segredo, em exceção desse — ele pegou um que tem a capa mais clara, quase bege e me entregou — Aqui Illéa conta sobre suas salas subterrâneas.
Arregalei os olhos. Salas subterrâneas?
— O que tem nessas salas? — perguntei folheando o diário.
— Ainda não sei. Quero que vá comigo.
Imediatamente o olhei, assustada.
— O quê?
James se aproximou lentamente e fiquei tensa. Próximo demais. Você está próximo demais príncipe.
— Apenas me acompanhe. Por favor.
— Mas e se houver algo valioso nessas salas. Ou algo que não querem que alguém descubra?
Ele balançou a cabeça, sorrindo levemente.
— Isso não importa. Eu confio em você. E sei que, se for necessário, você guardará segredo.
Meu sorriso apareceu e estava enorme. Era simples e incomum, mas era um voto de confiança. Poderia ser o primeiro de muitos?
Quando dei conta eu já estava o beijando. Não foi calmo ou gentil, foi urgente. Suas mãos apertavam minha cintura e me puxavam para mais perto, minhas mãos estavam presas em seu cabelo. Simplesmente fechei os olhos e o beijei tão inesperadamente que nem eu entendi o que me levou a fazer isso. Eu aceitaria as consequências depois? Seria expulsa?
Bom, a única certeza que eu tinha é que quando nos separássemos... eu sairia correndo dali.
Fale com o autor