Charlotte - Why not?
8 Capítulo 8
Respirei fundo analisando o espelho mais uma vez. A garota no espelho sorria para mim, usava um lindo vestido longo em um tom chamativo demais para o meu gosto, a saia brilhava a cada movimento e as mangas iam até os cotovelos, na cintura havia uma longa faixa de seda branca presa apenas por um broche delicado, embaixo dela estava o broche dourado da Nova Inglaterra, a flor-de-lis. Os saltos não apareciam, então eu não me importei com eles, já os cabelos estavam presos em um coque apertado, como na maioria das vezes. No rosto apenas uma maquiagem leve e o batom vermelho. Eu podia ser comparada a uma Rainha do Mal, mas ai continuava linda mesmo assim.
— Fizeram um ótimo trabalho — sorri agradecida para as meninas.
As irmãs B, como eu gentilmente apelidara, devolveram o sorriso com mais intensidade. Elas estavam mais felizes com esse Baile do que eu. Há dois dias eu beijei o príncipe e desde então eu o evito, não sei bem porque, talvez por medo de ser chutada, talvez por vergonha pelo meu ato. Mas eu decidira ignorar qualquer tentativa dele de se aproximar e andava sempre acompanhada para evitar que ele me procurasse.
Mas na manha seguinte ao beijo que eu meio que roubei, Rei Maxon anunciou um baile para acolher todos os visitantes. Sim, visitantes. Várias famílias, de vários países, viriam visitar o Palácio de Illéa. Os Underwood –sim, os mais ricos do continente – seriam os primeiros a chegar, depois seriam os italianos, os Armstrong da Nova Inglaterra, os russos... quase todos do mundo estariam aqui e tivemos que nos preparar em dois dias. Todas as Selecionadas tinham que saber ao menos quem iriam cumprimentar e como cumprimenta-los, então resumidamente, eu não fiz nada além de estudar e ignorar os olhares das outras garotas por causa do ocorrido na frente da Ala Hospitalar.
Depois do ataque finalmente tivemos autorização para mandarmos cartas para nossas famílias. Escrevi uma carta enorme para minha mãe, pedindo desculpas pela demora e que tudo estava bem, que o ataque não foi sério e que eu estava aprendendo coisas novas, pedi que respondesse o mais rápido possível com novidades e noticias de Alba.
Finalmente o Baile chegou e tudo o que eu queria era deitar na minha cama e dormir.
— Ânimo Cris, eu sinto que esse baile fará bem a você — reconfortou Bianca.
Rezei para que ela estivesse certa e dei as costas para o espelho.
— Muito bem, estou pronta.
O baile começaria em uma hora, mas já tínhamos que estar no grande Salão para preparar tudo. Quase todas já estavam lá, Nikki andava de um lado para o outro parecendo nervosa e Haley estava sentada em uma das cadeiras expressando seu completo tédio.
— Você está linda.
Virei-me em direção a voz e encontrei uma garota de cabelos castanhos me encarando com um sorriso doce nos lábios. Amélia Hill sempre me pareceu uma pessoa legal, ela não ria das piadas de Leila e parecia que realmente gostava de James. As vezes eu tinha pena dela, mas sorri agradecida.
— Obrigada Amélia, você também está linda.
Ela se aproximou ainda sorrindo e ficou ao meu lado.
— Nervosa?
— Não tanto quanto eu esperava — respondi, sincera — E você?
— Um pouco — ela ficou corada ao responder.
Por acaso é vergonha se sentir nervosa?
— Vamos! Fiquem à postos! — ordenou Corinne nos apressando.
As garotas que ainda estavam nas escadas correram até Corinne, eu apenas dei de ombros e nos juntamos a elas. Ficamos encarando as enormes portas da entrada até um guarda sinalizar para Corinne que se virou para nós:
— Muito bem garotas, mantenham a calma e a postura. A família real do Reino do Norte está chegando.
Ela mal havia terminado de falar e as portas se abriram.
A primeira coisa que notei foi a quantidade de filhos que os Reis possuem. Seis, para ser mais exata, duas garotas e quatro garotos. É...os livros realmente não estavam exagerando. Depois notei que, em exceção da mãe que é loira, todos possuíam a mesma característica: cabelos escuros e lisos, pele clara, olhos castanhos, pareciam bonecos risonhos. É sério, essas famílias reais devem ser extremamente felizes porque todos que eu vejo estão sorrindo. Essa quantidade de filhos é bem incomum entre os nobres, mas pelas expressões alegres eles não se importavam com isso.
Eu e Nikki ficamos encarregadas de recepcionar essa família já que nos saímos melhor nas aulas. Nikki estava nervosa demais para falar, então eu dei um passo a frente e comecei.
— Sejam bem-vindos ao Palácio de Illéa — saudei sorrindo e agradecendo mentalmente por falarem a mesma língua que eu — Por favor, nos acompanhem. Vamos mostrar os lugares que foram guardados para vocês.
Ela respirou aliviada quando eu passei ao seu lado, sendo acompanhada pelos Underwood. Atravessamos o salão bem organizado até chegarmos na mesa mais próxima dos Reis de Illéa. Ainda bem que as mesas tinham bastante lugares...
— Os senhores ficarão aqui — indiquei ainda sorrindo. Sorrindo sempre, claro. Passei os olhos sobre cada um, até meu olhar recair sobre um em especial. Ele provavelmente tem a minha idade, mas consegue manter a postura e ser sorridente ao mesmo tempo. Um sorriso sincero. Nossos olhos se encontraram e o sorriso dele quase se perdeu, enquanto eu quase me perdi naqueles olhos castanhos. E por alguns segundos eu tive certeza de que estava na Seleção errada... Balancei minha cabeça discretamente e retomei de onde tinha parado, me direcionado ao rei — Precisa de alguma coisa, majestade?
O príncipe ainda me olhava firmemente. Tratava-se do príncipe Thomas, o segundo mais velho dos seis. Mais novo apenas que a princesa Anna, que é a herdeira do trono. Eu e Nikki tivemos que estudar tudo sobre eles, para não cometer nenhum erro estrondoso.
O rei olhou para os filhos e depois sorriu.
— Não senhorita, muito obrigado. Estamos bem acomodados e famintos — todos riram em concordância.
— O jantar será servido em breve, majestade. Estamos apenas esperando os outros convidados. Enquanto isso os criados irão servir alguns petiscos — respondi tentando não soar tão nervosa quanto estou — E a família real de Illéa descerá em alguns minutos para cumprimentá-los.
— E como se chama? — a rainha perguntou suavemente. Até a voz dela gritava que ela deveria ser um poço de bondade.
— Meu nome é Charlotte Adams, majestade.
— É uma das Selecionadas do príncipe James? — uma das filhas perguntou enquanto dois criados começavam a servi-los. Reconheci como sendo a herdeira do trono, Anna.
— Exatamente isso, alteza.
— Deve ser estranho ter que competir com tantas mulheres por um só homem.
— Na verdade fica um pouco mais estranho quando nem todas querem o homem e sim a coroa — tentei parecer indiferente, e pela risada deles acho que consegui.
— Ah claro, a coroa... — um outro, provavelmente o príncipe Kevin, disse em tom brincalhão.
— E você? Luta pelo o quê? — príncipe Thomas perguntou enquanto cortava um pedaço da torta.
Arregalei os olhos e vi seus movimentos quase em câmera lenta. Torta? Por acaso era a torta de castanha? A única coisa no mundo que ele tinha alergia e que estava marcado em negrito na última apostila que Corinne havia nos dado?
— Não! — exclamei assustando a família, mas já havia corrido até o príncipe e arrancado o garfo com a torta de castanha de sua mão — Perdão, alteza. Eu peço mil desculpas — pedi tentando não corar e ignorar os olhares da família. Mas ainda mereciam uma explicação — Eu soube que o senhor é alérgico a castanhas, e essa torta é feita de castanha — engoli em seco, enquanto ele olhava para a torta com o cenho franzido.
— Deve ser algum erro, eu mesma organizei os pratos que irão ser servidos nessa mesa e cuidei para que as castanhas ficassem fora da lista — eu esbocei um sorriso amarelo e retirei o prato do príncipe — Espero que me perdoem pelo erro.
— Está tudo bem senhorita Adams — reconfortou o rei Robert sorrindo gentilmente — Você percebeu o erro a tempo, graças a Deus.
— Perdão novamente, príncipe Thomas.
— Sem problemas — ele respondeu curto e grosso.
Me surpreendi com seu tom de voz tão seco e diferente do que seu sorriso e seu olhar expressavam. Eu já estava me arrependendo de ter gostado ao menos um pouco dele. Então abaixei o olhar, fiz uma pequena reverência, murmurei um pedido de licença e sai em passos rápidos.
Cheguei a sala onde estavam as refeições prontas e me encostei na parede. Por algum motivo estou ofegante e provavelmente corada, e claro, irritada. Príncipe Thomas me pareceu tão gentil e alegre como todo o resto da família, e foi só dirigir a palavra a mim que tudo mudou.
— Tudo bem, senhorita? — uma criada perguntou ao passar por ali.
Acenei com a cabeça, concordando.
Quando ela se afastou eu respirei fundo. O que eu estava fazendo? Prestando atenção demais em um outro príncipe! Meu Deus... preciso parar com isso agora! Preciso ter foco: um príncipe apenas! Um príncipe apenas!
— Cris! — eu pulei de susto — O que está fazendo ai? O que foi aquilo na mesa dos Underwood?
Fitei Nikki quase desesperada, a que situação ela estava se referindo mesmo?
— Acho que foi um erro — comecei pelo assunto obvio — Eu mesma tirei a maldita torta de castanha e-
— Não é disso que estou falando! — ela interrompeu sorridente. Por que os olhos dela estavam brilhando assim? — Estou falando do clima que rolou entre você e o príncipe Thomas!
Ai meu Deus! Alguém notou isso? Não foi fruto da minha mente?
— Espera — pedi arregalando os olhos — Estava tão óbvio assim? Eu tentei disfarçar!
Nikki revirou os olhos, mas sem perder o ar malicioso:
— Vamos dizer que você falhou um pouquinho nesse disfarce... Mas ele nem fez questão de tentar esconder!
— Mas ele foi tão seco comigo!
— Isso se chama bipolaridade masculina, é bem raro, mas existe — Nikki respondeu indiferente — Agora volta lá. O Rei Robert está chamando você. Anda! Vai!
Fui empurrada pela Nikki para fora da sala e me apressei para chegar até a mesa. A família estava conversando animadamente e apenas os Reis pareceram notar minha presença.
— Mandou me chamar, majestade?
No momento em que o Rei Robert sorriu eu soube que ficar ali não daria certo. Ele pareceu notar cada olhar que eu e seu filho trocamos, e o que quer que tivesse rolado naqueles poucos segundos ele havia transformado em muito mais.
— Por que não se senta conosco? — perguntou ainda sorrindo. Quase fechei os olhos e resmunguei — Eu sei que há uma mesa para as Selecionadas, mas eu não acho que o príncipe James irá se importar se minha família roubar um pouco da sua companhia.
— Tem certeza de que não haverá problema, majestade? — questionei com um último de esperança de ele me mandar embora.
— Claro que tenho — o rei concordou convicto — Vamos, sente-se. Há um lugar vago ao lado de Thomas. Fique à vontade.
Um lugar vago ao lado de Thomas? Que estranho... porque eu tinha certeza de que o Príncipe Kevin estava sentado ao lado dele! Que sorte a minha, não?
— Alteza — saudei ao sentar. Não ganhei uma resposta, Príncipe Thomas apenas continuou a saborear seu novo pedaço de torta sem castanhas.
Forcei um sorriso para aqueles da família que ainda me encaravam e decidi me manter ocupada com a comida e observando as outras famílias chegarem. Mas é claro que o Rei não havia me chamado para sentar com eles para apenas comer, não é?
— Então senhorita Adams — chamou o Rei ainda sorrindo — Como está sendo sua estadia no palácio?
— Muito boa, eu posso dizer — respondi no tom mais sincero que consegui — Mas ainda não posso dizer muito, as coisas estão acontecendo tão rápido que eu nem tive tempo para apreciá-lo direito.
— Eu soube que essa Seleção está sendo um pouco diferente das outras, é verdade? — questionou príncipe Thomas me olhando de soslaio.
— Ah sim, com certeza está diferente das anteriores.
— James já está confuso em relação às garotas?
Eu o fitei, mas príncipe Thomas já estava me encarando. Algo em seu tom de voz me fez erguer a cabeça...até o silencio que se instalou na mesa confirmava o que eu pensava: havia toda uma história por trás daquela frase e eu comecei a ficar curiosa sobre ela.
— Miranda me disse que o príncipe James já tem uma escolhida — revelou Princesa Anna chamando nossa atenção — Mas tem que manter a Seleção para dar alguma chance para as outras.
Espera. Ele já tem uma escolhida? Então por que ainda estou aqui? E se eu for A escolhida? A pergunta ainda é válida: se eu sou a escolhida por que estou aqui nessa mesa e não terminando de arrumar minha coroa junto com a família real?
Bufei, o que não passou despercebido pelo Príncipe Thomas.
— O que foi? Acha que vai perder?
— Não, não é isso.
— Então acha que vai ganhar?
Revirei os olhos quando todos os Underwood voltaram a prestar atenção na nossa “conversa”. Eles não podiam ao menos fingir que não estavam escutando e encarar o próprio prato?
— Eu só acho que o Príncipe James é um pouco confuso demais para o bem de quinze garotas — respondi por fim.
— Miranda me disse que James é mais próximo de você, parece que é a favorita dele... — Thomas disse meio sarcástico.
Miranda, um conselho querida: não me envolva em suas fofocas!
— Não acho que ele me veja dessa maneira, como sua favorita — tentei fugir — Já aprontei muito nesse palácio e nossa pouca convivência me mostrou que somos muito bons em brigar e ignorar um ao outro depois.
Eles não vão parar de olhar para a gente?
— Ah então a relação de vocês é meio conturbada — ele brincou, debochando.
— Não, porque não há uma relação.
O príncipe apenas riu do mesmo modo debochado. O que me fez revirar os olhos. Eu me senti atraída por ele? Por que logo ele?
Subitamente ele tocou minha mão, fazendo todos, incluindo eu mesma, olharem assustados.
— Me daria a honra de uma dança? — dessa vez o sorriso era de um convencido.
Eu franzi o cenho. O que foi que ele disse? Quer dançar comigo? Por que raios ele quer dançar comigo?
— É apenas um pedido senhorita. Sim ou não? — ele ajeitou a faixa de seu traje real com a mão livre, propositalmente ou não, mostrando um pequeno broche que está escondido sob ela.
Flor-de-lis!
— Pedido aceito, alteza.
— Que pedido?
Senti o meu coração parar de bater alguns segundos ao ouvir a voz de James bem do nosso lado. Eu e Thomas nos levantamos e lá estava ele, com todos os seus trajes, sua coroa e seu olhar gélido.
— É apenas uma dança James, apenas uma dança... — Thomas respondeu esboçando um sorriso malicioso.
Acredito que todos perceberam o clima tenso que se formou ali, incluindo o olhar de James que fuzilava Thomas. Então seus olhos recaíram sobre a mão de Thomas que ainda segurava a minha.
— Só uma dança? Tem certeza, senhorita Adams? — James acusou com o olhar.
Mantive meu olhar firme no dele. Será possível que ele não conseguia se decidir sobre como me tratar?
— Claro que tenho, alteza.
— Nós precisamos conversar. Sobre o que aconteceu naquele dia.
Tinha uma vaga ideia de que ele estava lembrando o beijo que eu roubei dele, mas eu não queria falar sobre isso agora.
— Qual é James... você tem muitas outras Selecionadas esperando por você e tenho certeza de elas vão cair aos seus pés — provocou Thomas enlaçando minha cintura — Me deixe roubar apenas uma hoje. Prometo devolver em perfeito estado amanhã de manhã.
Se Thomas não fosse um príncipe que eu acabei de conhecer eu com certeza já estaria espancando ele! A fúria do James é visível, assim como sua inimizade com Thomas, mas porque o Underwood estava fazendo isso? Ele queria que eu morresse?
— Na verdade príncipe Thomas — comecei me afastando das mãos dele — Acho que nossa dança fica para mais tarde. É uma promessa — me aproximei de James e arrumei sua coroa e suas medalhas que estavam tortas — E o senhor, Príncipe James, tem muitas Selecionadas para dançar e muitas famílias para cumprimentar, incluindo os Underwood que estão a sua frente.
Me afastei e virei-me para eles que ainda me assistiam. Fiz uma pequena reverencia e os saudei:
— Altezas... majestades, aproveitem o baile e tenham uma ótima noite.
Praticamente corri para longe dali. O que raios tinha acabado de acontecer? Por que os dois agiram daquela maneira?
Um guarda que estava na entrada chamou a atenção de todos e anunciou:
— Senhoras e senhores, por favor recebam sua majestade, o Rei Maxon e sua majestade, Rainha America, sua alteza real Princesa Miranda e sua alteza real Princesa Emma.
As portas foram abertas e todos se levantaram em respeito aos reis e fizeram uma reverencia, em exceção apenas dos outros reis. Me perguntei porque James não teve sua entrada triunfante com eles e porque sempre aparecia nas piores horas... acho que é um dom.
Pela primeira vez olhei ao redor, todas as mesas já estavam ocupadas, o que significava que todas as famílias convidadas já haviam chegado. Com a chegada de America e Maxon o jantar foi servido, mas onde eu sentaria? A mesa das Selecionadas estava lotada, ao que parece algumas já fizeram amigas que agora ocupavam alguns lugares a mais; eu não ia invadir a mesa de qualquer família; voltar para a mesa dos Underwood está fora de questão, eu sai correndo de lá; sentar com a família real de Illéa? Nem pensar, James está lá.
Desisti de encontrar um lugar, então apenas peguei um pedaço de uma torta qualquer e sai do salão, eu não podia ficar em pé ali comendo oras. Achei melhor ir para o jardim, deveria ter algum banco por ali onde ninguém me veria comendo.
Como eu pensei: um banco e bem em frente ao jardim da Rainha. Então apenas sentei e comecei a comer. Eu não pensei muito sobre essa noite, digo... enquanto eu descia aquelas escadas eu não pensei em nada sobre essa noite além de “Sorria, seja educada e cumprimente”. Eu não esperava nada desse baile. Mas quando eu vi já estava sendo atraída por um príncipe convencido, depois estava sentada com a família dele, depois ele se mostrou um completo idiota e então aquela troca de raios entre ele e James. Sem esquecer que esse mesmo príncipe convencido também tinha um broche da flor-de-lis, isso significa que ele está ajudando a Nova Inglaterra. Mas por quê? Pensei que os Doomes eram problemas apenas para a própria Nova Inglaterra e Illéa, por que alguém do Reino do Norte os ajudaria se nem eram aliados?
Eu ainda não era uma especialista no assunto. Ainda. Já li o livro que Blanca me deu e aprendi quase tudo o que eu podia saber da Nova Inglaterra, sobre os Doomes, sobre a milenária família Armstrong e sobre cada problema que acompanha o país há anos. Mas nada me respondia o que raios os Doomes queriam com Illéa? Os países, Illéa e Nova Inglaterra, não eram semelhantes em nada! Então o que eles querem aqui?
— Pensamentos impróprios?
Me sobressaltei de susto.
— Príncipe Thomas? O que faz aqui?
O príncipe estava a poucos metros, com as mãos nos bolsos da calça e esboçando um sorriso sexy. Revirei os olhos, era a perfeita imagem de um ser convencido.
— Eu pergunto o mesmo a você — ele respondeu se aproximando e sentando ao meu lado — Esse é o seu jantar? — indicou o prato com um pedaço de torta que estava agora entre nós dois.
— Todas as mesas estavam completamente ocupadas e eu não ia ficar em pé comendo, então vim para cá.
— Tinha um lugar ao meu lado na mesa.
— Acho que ficar ao seu lado já me causou problemas demais com o James — respondi rindo e sendo acompanhada por ele.
Thomas sorriu como se soubesse cada segredo do mundo e ajeitou uma mecha do meu cabelo.
— Por que aceitou dançar comigo?
Sorri. Quase tinha esquecido o motivo principal.
— Por causa disso — afastei a faixa da roupa dele, revelando o broche prateado da Nova Inglaterra.
Ele me fitou de olhos arregalados e eu levantei uma parte da faixa de seda que está na minha cintura, mostrando o meu broche.
— Você é uma aliada da Nova Inglaterra?
— Estou tentando — respondi rindo — Mas acho que preciso de algumas informações. Estou confusa e perdida nesse assunto.
Thomas me fitou ainda assustado e depois sorriu, então eu soube que ele me diria tudo o que sabe sem qualquer objeção.
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