Notas iniciais
Demorei, mas voltei!

Eu e America corríamos pelos corredores o máximo que os saltos e o vestido dela permitiam. Três guardas nos cercavam, dois atrás e um na frente mostrando o caminho para o abrigo mais próximo. Eu podia ouvir os gritos de alguns criados e tiros dos guardas – pelo menos esperava que fosse eles – que pareciam ecoar para todo lugar.

— Onde estão meus filhos? — America perguntou para o guarda da frente.

— Já estão no abrigo, majestade — ele respondeu prontamente.

— E Maxon?

— Está com eles, majestade.

Apesar de estarmos correndo, eu percebi que ela respirou aliviada ao ouvir sobre sua família. Mas eu só conseguia pensar em Nikki e Haley, eram as pessoas mais próximas de mim aqui eu nem sabia onde estavam. Estariam no abrigo?

Subitamente eu parei, fazendo um dos guardas de trás trombar em mim.

— O que está fazendo? — questionou America parando também — Precisamos correr!

— Eu preciso saber onde estão Nikki e Haley.

— Devem estar no abrigo, senhorita — um dos guardas respondeu.

E se não estiverem?

Contrariada, voltamos a correr. Se elas não estivessem no abrigo eu iria atrás delas. De repente a parede do nosso lado explodiu, lançando-nos para o chão. Tossi por causa da poeira e tentei me levantar, mas logo senti tudo rodar, levei uma mão para a testa e conclui que deveria haver um furo na minha cabeça. Olhei em volta e arregalei os olhos ao notar que America estava desacordada. Procurei pelos guardas, mas os três estavam no chão – o responsável pela explosão foi um maldito sortudo! – apenas um estava acordado e não parecia ter condições de andar. Eu poderia ajuda-lo, mas era ele ou a Rainha. Me arrastei até ele e perguntei:

— Consegue se salvar?

Ele notou minha presença e arregalou os olhos:

— A Rainha!

— Consegue se salvar? — perguntei mais uma vez aumentando a voz.

Ele engoliu em seco e assentiu.

— Onde fica o abrigo mais próximo?

— Siga pelo corredor, quando chegar perto da escada vai encontrar uma estatua pequena grudada na parede. Aperte o olho dela.

Certo, é tudo o que eu preciso dele. Forcei-me a levantar e me aproximei de America, minha visão ficou turva, mas eu apenas sacudi a cabeça para que tudo voltasse ao normal. Ouvi mais tiros e senti o desespero crescendo em mim. O que eu deveria fazer? Eu não conhecia nada ali! Okay. Okay. Seguir pela escada e apertar o olho da estatua. Deve ser fácil. A escada está logo ali.

Comecei a arrastar America até encontrar forças para puxa-la para cima e a apoiar no meu corpo. Depois disso tentei andar o mais rápido que consegui, mas minhas pernas pareciam feitas de chumbo!

Então ouvi um tiro perto demais. Paralisei. Será que eu tinha sido atingida? Ou America? Virei devagar e hesitante, até encontrar um rebelde morto no chão e um guarda correndo em nossa direção. Eu quase desmaio de alivio.

— Me dê a Rainha — ele pediu guardando a arma e esticando os braços. No mesmo instante eu passei a ruiva desmaiada para ele, no ato conseguindo notar o pequeno broche embaixo da gola de sua blusa.

— Flor-de-lis — sussurrei ainda mais aliviada. Ainda temia estar entregando a Rainha para um Doome.

O homem sorriu e compreendeu a situação.

— Vamos, precisamos ser rápidos. Os rebeldes estão vindo para esse andar pela escadaria sul.

Não precisei de outro incentivo. Tentei correr tão rápido quanto ele e meros minutos depois já estávamos de frente para a estatua. Ele apertou o olho dela e imediatamente uma porta surgiu na parede, revelando algumas cabeças inquietas.

A família real quase gritou ao ver America inconsciente e logo ela estava nos braços do Rei. Logo que o guarda sumiu e a porta se fechou eu passei os olhos pelo lugar. As Selecionadas estavam ali junto com a família real, incluindo Nikki e Haley que correram ao meu encontro.

— Cris! — elas gritaram, ambas me abraçando ao mesmo tempo.

— Ficamos tão preocupadas — choramingou Haley.

— Cris! Você está sangrando! — assustou-se Nikki arregalando os olhos.

Foi só ela falar e eu senti toda a adrenalina deixar meu corpo. Minha visão voltou a ficar turva e tudo começou a rodar, senti que estava caindo.

— Cris!

— Alguém ajuda aqui!

Elas tentaram me segurar, sem muito sucesso.

— Estou bem, só um pouco tonta — falei, mas minha voz saiu mais como um sussurro, o que não me ajudou.

Alguém segurou minha cabeça, eu tentei olhar para ver quem era e logo a mesma pessoa me pegou no colo, só assim consegui ver o rosto de James.

— Já disse que estou bem, caramba — insisti, tentando não achar que ali estava confortável demais.

— Calada — ele me colocou em alguma coisa macia e segurou meu rosto com as duas mãos dizendo alguma coisa.

— O quê?

— Eu disse que você deve ter batido a cabeça muito forte, tem que ficar acordada.

— Acordada?

Olhei ao redor vendo tudo passar em câmera lenta, Nikki e Haley estavam um pouco distantes, mas ainda me olhavam preocupadas.

— Olhe para mim — James pediu, sentando na beira do que eu supus ser o colchão — Fique acordada.

— Você é um idiota — Eu precisava falar isso!

— Eu sei, eu sei — ele concordou sorrindo.

Pela primeira vez não me perdi no sorriso dele e sim nos olhos. Não estavam frios ou inexpressivos, expressavam claramente o desespero e a preocupação.

— Como está sua mãe?

— Ela vai ficar bem, já está recebendo cuidados — ele olhou por cima do ombro, provavelmente para onde ela estava — E você? Como se sente?

— Como se tivesse um buraco na minha testa — fechei os olhos desejando que tudo aquilo parasse logo.

— Não, não. Abra os olhos Charlotte! Abra os olhos!

Foi difícil abri-los novamente, mas o tom de voz dele me pegou desprevenida.

— Do que tem medo? — perguntei focalizando seus olhos que agora estavam brilhando de um jeito estranho.

James me encarou por alguns segundos a mais do que eu queria.

— Agora estou com medo de perder você — sua voz saiu trêmula.

Arregalei os olhos. Queria gritar que não, ele não podia dizer isso! Nem nos conhecíamos, não trocamos mais do que algumas palavras e depois uma espécie de briga, então tudo desandou. Tanta coisa aconteceu tão rápido e em tão pouco tempo, então não! Ele não podia dizer algo assim! Como se sentisse algo por mim!

Mas por que eu não conseguia dizer nada?

— James...

— Não, não diga nada. Só me escute — ele pediu se aproximando ainda mais e segurando minhas mãos — Eu sei que errei, o que eu fiz não passou de... uma explosão minha. Naquele dia eu estava me sentindo tão pressionado, tão sobrecarregado... eu não devia ter jogado tudo em você. Por favor, me perdoe, me perdoe por desconfiar de você, me perdoe por tudo.

Por que ele parecia tão desesperado?

O que eu poderia dizer? Posso perdoa-lo? Eu conseguiria perdoa-lo?

Deixei escapar mais uma lagrima e o puxei para um abraço.

— Me perdoe James...

E então a escuridão.

***

Não foi difícil abrir os olhos. Pelas cortinas e pelo cheiro eu estava na Ala Hospitalar do Palácio e não havia muita nem dentro e nem vinda das janelas. Deve ser noite agora. Descobri que difícil mesmo foi me mexer, meu corpo estava completamente dolorido e minha cabeça latejava até quando eu piscava os olhos. Senti minhas mãos suadas e fui um esforço maior para me sentar. Paralisei ao ver James ali, sentado ao lado da maca e com a cabeça perto da minha mão que estava bem segura entre as mãos dele. Ele tinha olheiras profundas e seu cabelo estava mais bagunçado que o normal. Não resisti a tentação de passar a mão por ali, mas assim que nossas mãos se separaram ele acordou em um pulo, me fazendo pular de susto também. Imediatamente resmunguei devido a dor de cabeça horrível.

— Merda! Médico! Tem algum médico ai? Ela acordou!

— Calma...

— O que aconteceu? — perguntou o médico aparecendo do além. Seus olhos assustados encontraram o príncipe e depois focaram em mim, só assim ele compreendeu — Ah sim, senhorita Adams, que bom que acordou...

Espero que não tenha só isso para me falar.

— Quando posso sair daqui? — perguntei rapidamente.

— Eu prefiro que fique aqui até amanhã senhorita, para termos certeza de que não haverá nenhum dano permanente.

Dano permanente? Foi só uma pancada na cabeça!

— Estou aqui há quanto tempo? — perguntei para James.

— Um pouco mais de 24 horas...

— Ok. Eu quero sair daqui agora.

Ameacei me levantar, ignorando completamente toda a dor que eu sentia, mas James me segurou pelos ombros e me olhou suplicante.

— Doutor, deixe-me a sós com ela, por favor.

Não, não deixe!

— Claro, alteza.

O médico desapareceu e só me restou ficar e escutar o quer que James tenha a dizer. Fitei-o ansiosa. Lembrava perfeitamente bem da nossa conversa antes de eu desmaiar e parar aqui. O que mais ele queria dizer? Ou só queria uma resposta?

James retirou as mãos dos meus ombros e segurou minhas próprias mãos, fazendo algo no meu estomago se contorcer. Era uma sensação estranha, mas boa, eu só não sabia direito o que era.

— Eu sei que ainda está com raiva de mim — ele começou sem conseguir olhar em meus olhos, mas eu logo tive que interrompê-lo.

— Do que está falando? James eu não estou com raiva de você — minha vontade era dizer: sim! Estou com uma puta raiva de você. Como pôde desconfiar de mim e do seu próprio pai daquele jeito? Seu estupido!

Mas eu não conseguia ficar com raiva dele. E eu odiei esse fato. Mas era só ele me olhar daquele jeito, agir daquela maneira... e ainda segurar minhas mãos daquele jeito? Meu Deus, alguém por favor tranque meu coração!

— Não está? — ele questionou confuso, mas ao mesmo tempo parecendo mais leve.

Sorri, tentando parecer calma:

— Não James. Admito que fiquei magoada com a situação. Não nos conhecemos muito bem...mas eu não esperava que pensasse aquilo de mim, ou do seu pai! Como pôde pensar aquilo do seu pai?

— É que... — ele engoliu em seco e manteve o olhar em nossas mãos unidas — Eu percebi os olhares que vocês trocavam e antes da briga você tinha recebido um bilhete, não me disse de quem era e...depois Paige disse aquilo. Eu não sabia o que pensar!

Respirei fundo e agarrei suas mãos:

— James, olhe para mim — devagar demais nossos olhos encontraram e lá estava a apreensão e o nervosismo dele — Não importa o que digam ou mostrem a você, deve sempre permanecer ao lado da família, confiar nela. Nunca tome decisões precipitadas sobre eles, não conheço seus irmãos, mas seus pais são maravilhosos e não merecem passar por algo assim novamente. Sua mãe se preocupou com o que o povo ia pensar disso, mas o maior medo dela era o que você e seus irmãos iam pensar.

— Acha que ela está com raiva?

— De você? — não pude deixar de rir — Talvez só pelo modo agiu em relação a mim. Acreditar na Paige e essas coisas.

— O meu pai conversou comigo sobre isso — James disse parecendo constrangido — Fez questão de dizer o quanto eu fui idiota e imaturo.

E foi mesmo!

— Já me perdoou por isso?

É claro que não! Olhei em seus olhos mais uma vez. Azul no castanho. Medo no medo. Espera. Medo de quê? Não, não estou com medo de nada. Isso aqui é só uma Seleção na qual não estou me saindo muito bem e por favor, eu não me importo em ser chutada daqui.

— Sim, James, está perdoado.

Subitamente ele me abraçou e não pude evitar sentir os batimentos acelerados do seu coração. Não, espera. Esses batimentos pertencem ao meu coração! Oh Deus, o que está acontecendo comigo?

— Obrigado Charlotte — disse quando se afastou.

Eu só consegui esboçar um leve sorriso, o que mais eu poderia fazer? Ah sim...

— Parece cansado, por que não vai dormir um pouco?

Por que você está expulsando ele sua idiota?

James riu e voltou a sentar na cadeira ao lado da minha maca.

— Eu não vou deixar você sozinha.

— Por que não?

— Por que um príncipe não pode fazer companhia a uma dama? — ele insistiu sorrindo daquele jeito que eu estava começando a odiar.

— Porque há outras quatorze damas esperando por você em algum lugar do palácio parece ser uma boa resposta — falei sarcástica.

— Mas quem está precisando da minha companhia agora é você e além disso, todas devem estar dormindo. São três horas da manhã.

Arregalei os olhos. Eu pensava que o amanhã que o médico disse se tratava de menos horas que isso.

— Espera, então vou ter que ficar mais esse dia inteiro?

James acenou concordando, parecia estar se divertindo, mas eu bufei com a ideia de ficar tanto tempo parada. Não consegui voltar a dormir e ele tampouco, apesar dos meus pedidos para que ele ao menos tentasse. Por longos minutos ficamos em silêncio, sem qualquer assunto. Na verdade eu tinha muitas perguntas, sobre sua família, sua vida, sobre si mesmo. Mas nada saia. E parecia que ele estava pensando o mesmo, mas provou ser bem mais determinado que eu.

— Me conta um pouco mais sobre sua família. Como é sua irmã?

Eu sorri, agradecendo por dizer algo:

— Bom, já falei que ela tem seis anos, mas é muito esperta para essa idade. Alba parece comigo, só que tem os olhos verdes da minha mãe e adora ler. Todos os dias eu tinha que arrumar a estante de livros porque ela fazia uma bagunça só para escolher um.

— Eu passo por uma situação parecida com a Emma, a mais nova da família — ele sorriu ao se lembrar dela — Só que no lugar de livros são papeis e lápis, ela adora desenhar. E para que ela não desenhe na parede, temos que ter um papel por perto sempre.

— Já tentou dar doces? Minha irmã, pois irônico que seja, sempre fica quieta depois de ter um pouco mais de açúcar no sangue.

James mordeu o lábio, achando graça de alguma coisa.

— Emma não gosta de doces.

Arregalei os olhos, surpresa.

— Sua irmã de seis anos não gosta de doces?

Ele negou, ainda rindo da minha reação. Mas oras...temos aqui uma criança que não gosta de doces!

— Com todo respeito, mas acho que sua irmã tem problemas sérios.

— Eu disse isso para minha mãe na primeira vez que Emma recusou um creme de morango.

— Vamos admitir que morango não foi uma boa escolha — comentei rindo. Eu já sabia que ele não concordava com isso — Mas sua irmã iria mudar de ideia assim que provasse os cookies da minha mãe.

— E por que os cookies da sua mãe são diferentes dos outros?

— Porque ela sabe fazer recheios maravilhosos.

Foi a vez dele arregalar os olhos.

— Os cookies da sua mãe tem recheio?

— Talvez algum dia eu possa fazer alguns para você.

Os olhos de James brilharam com a possibilidade. Aparentemente ele gostava de doces e me fez prometer que iria mesmo fazer os cookies, concordei, mas achava que eu teria sorte se me deixassem fazer isso.

Depois ele começou a contar da própria família. Como todos sabiam os Reis tem duas filhas e somente ele do sexo masculino; Miranda, a mais velha com vinte anos e herdeira nata do trono, abdicou ao direito de ser Rainha o que transformou James no príncipe-herdeiro; a mais nova, Emma, tem seis anos assim como Alba e era a única filha que herdara os cabelos ruivos da mãe; assim como James, Miranda é loira como o pai.

— Acho surpreendente que ninguém tenha forçado sua irmã mais velha a se casar ainda.

— O meu pai bem que tentou — James respondeu rindo — Mas minha mãe quase o expulsou do palácio só por comentar isso.

Ri junto com ele. Não conhecia muito a Rainha ou seu temperamento, mas devia ser engraçado o Rei tentando acalmá-la quando estava só piorando as coisas mesmo. Ao mesmo tempo admirava Miranda, e pela forma como James falava dela também a admirava. Miranda era apenas dois anos mais velha que ele e ainda estava ali, com a família e ajudando na parte econômica do país, não estava casada e tendo filhos como acontece com a maioria das princesas com essa idade. Quando dei por mim James estava perto demais, eu podia sentir sua respiração se misturando com a minha. Eu não conseguia decifrar nada do que seus olhos diziam, mas eu sabia que ainda não era a hora de avançar nada.

— Princesa Miranda seria uma ótima rainha — comentei.

— Eu concordo, mas ela disse que o trono sempre pertenceu a mim e que não saberia o que fazer com ele.

É, eu também pensaria assim se ganhasse um trono agora.

— Ela não um namorado ou coisa assim? Um príncipe magnifico com quem queira se casar?

— Ela namorou um guarda uma vez — franzi o cenho com a resposta — O que quase matou os meus pais do coração, mas foi só. Ninguém mais, nenhum príncipe.

— E você?

Sou curiosa oras.

— Eu o quê? — James questionou se fazendo de desentendido.

Revirei os olhos para a atitude dele.

— Com que já namorou?

Ele ficou vermelho e abaixou a cabeça, rindo envergonhado.

— Ah não, não me venha com essas bochechas vermelhas querido, porque eu tenho certeza que pelo menos já beijou alguém e agora estou curiosa para saber quem é.

O vi paralisar por alguns segundos e depois respirar fundo, passando as mãos pelos cabelos em um tique nervoso. Qual era o problema?

— Eu já dormi com a filha de um soldado.

Dormiu? Como assim dormiu? Espera. Dormiu com ela? Arregalei os olhos e paralisei.

— Vocês...?

— Sim.

— Ah meu Deus! — exclamei indignada e comecei a estapeá-lo fazendo-o recuar assustado. E acredite, se eu conseguisse ficar de pé ele ainda estaria apanhando!

— O que foi?

O príncipe de Illéa havia burlado uma das mais importantes leis do país! E eu me importava com isso!

— Só estou fazendo o que sua mãe faria se descobrisse! — exclamei me mexendo para me aproximar dele e continuar a estapeá-lo.

Dane-se o que a Rainha faria. Eu quero mata-lo!

— Não foi nossa culpa! — ele tentou se defender se afastando um pouco mais — Estávamos bêbados e... aconteceu! Eu nem a conhecia direito!

Isso, piore sua situação príncipe!

— E agora conhece muito bem, não é mesmo?

— Por acaso isso é ciúme? — James perguntou com os olhos brilhando.

— Ciúmes?! — Talvez, só talvez! — Só estou mostrando como isso foi uma grande irresponsabilidade sua James. E se ela tivesse engravidado? Como acha que seria a vida dela depois disso? E do bebê?

Ele se assustou com minha reação.

— Nós nos cuidamos!

Oh não!

— Ah, claro. Então não estavam tão bêbados assim! Sabiam perfeitamente o que estavam fazendo — bufei — E eu tendo que negar esse ato para todos os namorados que eu tive só pelo medo de que alguém descobrisse!

Tudo bem que tínhamos como evitar a gravidez, mas só uma desconfiança e você ganhava uma noite na cadeia. E se o medicamento falhasse e surgisse uma gravidez antes do casamento, toda a sua vida seria destruída. Mas é claro que um príncipe não se importa com isso!

— Negou muitas vezes? — ele perguntou de olhos arregalados.

Bufei e joguei um dos meus travesseiros nele, que desviou com facilidade.

— Me deixa sozinha antes que eu decida ir atrás de todos eles só para provar a você que eu também posso fazer isso sem ser descoberta.

— Mas-

— Tchau, James!

E foi assim que eu perdi um travesseiro e ganhei a noticia de que sim, eu morria de ciúmes pelo James.

— Droga!