Charlotte - Why not?
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Dias depois de receber a flor-de-lis das mãos de Blanca eu finalmente consegui voltar para a minha rotina normal. Ou quase. Querendo ou não, eu acordara tendo uma nova visão do presente, de onde estava, do que estava fazendo e do que estava acontecendo. Hoje, depois muito pensar durante o banho, decidi quer era melhor deixar as coisas como estão entre eu, Haley e Nikki. Não era necessário fazer nada ainda, então continuei fingindo que não sabia de nada.
Há mais ou menos uma semana o clima começou a ficar tenso entre as Selecionadas. Quase um mês havia se passado e o James ainda não eliminara ninguém. As garotas já começavam a temer pelo futuro delas dentro do palácio.
— Tenho certeza que essa Seleção é totalmente diferente das outras — comentou Haley convicta — Minha mãe sempre falou como foi a Seleção dela e essa aqui nem está parecida.
— Sua mãe foi uma Selecionada? — questionei curiosa.
— Ela não ficou muito, mas já sabia de quase todos os processos antes de sair.
— E aqui não sabemos nem o dia de amanhã direito — complementou Nikki, soando irritada — Nem mandamos cartas para os nossos parentes ainda.
— E nem tiramos fotos com o príncipe. Essas coisas acontecem logo nas primeiras semanas — Haley prosseguiu impaciente.
— Na verdade quase nem o vemos — comentei. Era a verdade, além das refeições nós não o víamos muito.
— Essa Seleção está é muito desorganizada, isso sim — reclamou Nikki emburrada.
Depois da minha conversa com o príncipe, ele nem se quer olhara para mim novamente. Durante as semanas que se passaram ele convidou apenas três garotas – Melissa Lewis, Paige Lee e Mia Scott — para sair e como estamos sendo obrigadas a ficar no Salão das Mulheres, eu tive que aguentar elas suspirarem toda vez que narravam o maldito encontro, isso só não ocorria da parte de Paige, o que a fez subir um pouco no meu nível. Tudo bem que eu não o amava, mas eu odiava ser ignorada. E odiava ter que assistir aquelas reações patéticas. E pior, muitas ainda me encaravam por causa do ocorrido com a Leila Eu Sou Uma Dois Edwards.
— Patéticas — murmurei enquanto passava para a próxima pagina da revista.
— Vejo que está aprendendo comigo — respondeu Haley sorrindo.
— É sério, eu não aguento mais ouvir elas falando sobre ele — reclamei crispando os lábios — E suspirando, e babando e quase tendo um orgasmo só em falar no nome dele.
— Acho que alguém acordou meio estressada — comentou a garota do meu lado.
Olhei para ela sem hesitar. Era Paige Lee e ela não estava suspirando pelo James. Ela tinha um cérebro! Minha relação com a Lee até que era amigável, conversamos as vezes e ajudávamos uma a outra em algumas tarefas.
— Muito obrigada por não estar como elas — indiquei Melissa e Mia com a cabeça — Pelo menos uma se salvou.
— Não sou de ficar babando por qualquer homem — Paige salientou pegando uma revista — E por que eu faria isso? Tem outras vinte garotas fazendo isso por mim.
Ela lançou uma piscadela e voltou a ler a revista.
Finalmente o príncipe entrou. O motivo de estarmos ali. Na noite anterior Corinne avisou que haveria uma sessão de fotos com o príncipe hoje, para serem publicadas nos jornais e nas revistas. Pois bem, aqui estávamos, algumas lindas, outras sorridentes e algumas simplesmente nervosas, como eu. Olhei para meu vestido novamente, era simples, branco com alguns detalhes em vermelho.
— Atenção senhoritas — chamou Corinne vindo logo atrás do príncipe e sendo seguida por alguns guardas, cada um carregando uma pequena caixa — A partir de hoje vocês iram usar uma tiara prateada simbolizando um novo nível da Seleção. Cada uma receberá sua tiara agora.
“Um novo nível da Seleção”, na minha cabeça, isso significava que algo iria mudar e a julgar pelo numero incompatível de guardas e Selecionadas, eu diria que o numero de garotas iria mudar. Subitamente me senti nervosa, por algum motivo eu não queria sair agora, mas eu chamei o Rei de louco na frente de James. Para mim isso não era grande coisa, mas com certeza tinha um significado muito maior para ele.
Quando um guarda se aproximou de mim eu senti minhas mãos tremerem.
— Senhorita Adams, sua tiara — assim que ele abriu a caixa eu paralisei.
Quando Corinne falou em tiara eu imaginei que seria uma descartável ou simples, não uma de verdade, com entalhes e diamantes.
— E um bilhete.
Eu o fitei confusa e peguei o bilhete, logo vendo o homem de afastar.
Espero que goste da tiara. America que escolheu. Não é muita coisa, mas não posso te mimar muito. Mas America disse que você ia adorar. Encontre-me em meu escritório logo depois da sessão de fotos, nem um minuto a mais. Vamos começar a trabalhar hoje mesmo. M.S.
Não é muita coisa? Pelo amor de Deus! Era linda!
— De quem é o bilhete?
Rapidamente dobrei o papel e o escondi atrás das minhas costas. O príncipe sabe a hora certa de aparecer.
— Apenas de uma das minhas criadas que está perguntando sobre vestidos de novo — respondi esboçando um sorriso amarelo.
— E por que ela não vem aqui? — James perguntou ainda desconfiado.
— Ela não gosta de deixar um vestido incompleto só por causa de uma duvida.
Ele me lançou um olhar sério e desconfiado me fez estremecer.
— Eu odeio segredos.
Oras! E o que eu tenho a ver com isso?
— E eu não sou obrigada a falar tudo do meu dia a você — respondi cruzando os braços.
Tantas outras e ele vem justamente me questionar? Vi os olhos dele brilharem de um jeito sombrio. Ah sim, ele está com raiva de mim.
— Por que não recebi minha tiara? — perguntou Paige em um tom que arrepiou até os pelos da minha nuca.
James pigarreou e se afastou de mim, vi a chance de amassar o bilhete e esconder dentro do sutiã. Acho que finalmente ele vai eliminar alguém!
— Para aquelas que não receberam a tiara — ele começou parecendo extremamente calmo — Eu quero lhes desejar as maiores felicidades. Que encontrem seu verdadeiro par. Sinto muito, estão eliminadas e-
Ele não conseguiu terminar. Paige avançou em cima dele, cobrindo-o de tapas e arranhões. Eu arfei de susto enquanto os guardas se aproximavam dos dois às pressas para segurar Paige.
— Controle-se senhorita! — ralhou Corinne.
Então Paige conseguiu soltar uma de suas mãos e acertou o rosto de Corinne em cheio, fazendo-a cambalear para o lado.
— Saia da minha frente sua vadia, eu tenho contas a acertar com o príncipe! — gritou a garota.
Paige ainda estava descontrolada e eu não entendia muito bem o motivo. Ela nunca pareceu muito interessada em James ou na coroa, e sempre parecia bem controlada. E agora atacara duas pessoas e ainda tentava morder os guardas! Respirei fundo e me adiantei para me aproximar dela. Alguém tinha que fazer alguma coisa além de ficar olhando.
— Paige, Paige! — exclamei ficando na frente dela, tentando segurar seus braços — Por favor! Fica calma!
— Sai da minha frente sua vagabunda! — gritou Paige arranhando meus braços.
— Do que foi que me chamou? — eu precisei de muito para me controlar, lancei um olhar mortal que não teve efeito, elas apenas riu parecendo uma doente mental — Como se atreve a me chamar assim sua descontrolada? Estou apenas tentando te ajudar!
— Não preciso da sua ajuda — ela agarrou o meu braço e gritou ainda mais — Por que não volta para o quarto do rei e continua satisfazendo ele?
Todos pareceram prender a respiração, até mesmo eu.
— O que foi que disse? Do que está falando sua idiota?
Paige riu diabolicamente me fazendo recuar o máximo que o braço dela permitia.
— Pensa que eu não notei que vocês se olham o tempo todo quando estão no mesmo lugar? E ainda trocam bilhetes? O seu pai nunca te ensinou que é feio ficar com um homem casado?
Eu disse que ela tinha cérebro? Pois eu estava errada!
— Ora sua vaca!
É claro que eu avancei para cima dela. A primeira coisa que eu fiz foi agarrar aquele pescoço magrelo. Eu queria torcê-lo até escutar o som dos ossos se soltando. Mas, obvio que ela tinha que revidar! Paige se soltou dos guardas e me jogou no chão.
— O que foi? Se sentiu ferida agora que todos sabem a verdade?
Eu encontrei uma força do além para me virar e prendê-la no chão com meu próprio corpo. O primeiro soco que dei fez eu me sentir realizada.
— Lave a sua boca imunda antes de falar sobre mim sua peste bubônica!
Ela ainda riu depois de levar o soco.
— Você é ultrajante, princesa. Tudo isso é por causa da reputação do Rei? Não se preocupe, a Rainha não se importa!
— Não ouse falar deles sua pilantra — recomecei a ataca-la, tentando acertá-la com alguns socos a mais — Vadia, lambisgoia, puta repugnante!
Alguém me segurou por trás e me afastou dela. Por que fizeram isso?!
— Me solta! Eu quero rasgar aquele rosto estúpido até eu achar a vergonha na cara que ela devia ter!
— Por favor, acalme-se senhorita — alguém pediu meio desesperado.
— A senhorita está de férias no inferno agora! — exclamei ainda me debatendo — Me deixa fazer o que a rainha não pode fazer agora.
— Chega Charlotte! — James gritou, fazendo todos se calarem.
Respirei fundo, tentando controlar a ira dentro de mim. Eu disse que era explosiva? Pois agora todos sabem. O guarda me soltou apenas quando teve certeza de que eu permaneceria no mesmo lugar. Outros guardas pegaram Paige e a levaram embora, acredita que ela ainda estava rindo?
Ah eu devia ter rasgado aquela boca podre...
— O que foi isso Charlotte?
Eu abaixei a cabeça envergonhada, mas ainda ofegante de raiva. De qualquer forma, eu não conseguia encará-lo. No ato eu pude perceber as consequências da briga. Um dos meus saltos estava quebrado e o meu vestido estava quase completamente destruído e sujo com o meu próprio sangue que saia dos arranhões feitos por Paige, mas havia um corte ainda maior e mais fundo no meu pulso esquerdo, só então percebi que estava tremendo violentamente.
Senti o príncipe se aproximando e me preparei para ouvir maior a eliminação na história de Illéa.
— O que ela disse é verdade? — ele foi direto, curto, grosso e inexpressivo.
E nada me preparou para ouvir aquilo. Era verdade que não havíamos conversado muito e que depois ele ficou com raiva, mas mesmo depois de tudo o que ele ouviu ali a primeira coisa que tinha a dizer é “O que ela disse é verdade?”. Pelo amor dos céus! O que eu fiz para merecer isso?
— Acreditou nela? — rosnei entre dentes. Aquela vadia estava falando do pai dele e ele acredita!? Assim, fácil?!
James não respondeu e nem esboçou alguma expressão. Apenas continuou me encarando, esperando uma resposta.
Bufei e comecei a tirar meus sapatos.
— O que está fazendo?
— Eu quero — entreguei a ele os meus sapatos — Que você vá para o inferno junto com a porra da sua desconfiança.
Ele me olhou assustado, abrindo e fechando a boca várias vezes. Pelo menos agora expressava algo.
— Não precisa falar nada Alteza — joguei a tiara em seu peito — Fique com a tiara também. Eu não mereço estar na Seleção, não é mesmo? — disse me afastando.
— Espera! Você está sagrando!
— Pois eu prefiro morrer sangrando a ter que ficar aqui.
Fechei a porta do Salão com um estrondo, sim eu sabia ser dramática. Um grande defeito meu agora estará guardado na mente de todos aqueles que estavam no salão. Quando eu dizia que sou explosiva, as pessoas pensavam o básico. Gritos e mais gritos. Nada mais podia ser esperando de uma Três. Mas de três eu só tinha a casta. Eu não só gritava, batia, tomava decisões precipitadas – e geralmente erradas, eu também xingava e muito. Todos os xingamentos e palavrões que eu engolia nos meus momentos de mais calma, eu soltava quando explodia. E geralmente não me arrependia depois.
Eu tentei! Tentei ser a princesa, tentei ser perfeita. Tenta uma conversa com o príncipe e não deu certo. Então foquei na maldita coroa. Se não fosse ter o amor do príncipe, queria pelo menos tentar algo pela coroa. Fazer alguma diferença como rainha. Mas claramente eu também não servia para isso.
Senti meus olhos arderem ao lembrar o olhar frio de James. Senti os olhares de todos me acusando. Como se eu realmente tivesse feito aquilo! Eu raramente olhava para o Rei e muito menos ele para mim, trocamos bilhetes apenas uma vez além de hoje, onde ele apenas perguntava se eu estava conseguindo me dar bem no Palácio. Paige pegou uma situação simples e aumentou tudo com sua loucura.
— Está tudo bem Cris?
Eu simplesmente fechei os olhos e deixei as lagrimas caírem. Como ele conseguia esse efeito sobre mim? Me fazia lembrar das vezes que eu superava uma dor durante o dia todo, mas quando minha mãe perguntava se eu estava bem, eu apenas desabava em seu colo.
Então apenas me virei e corri em direção ao Rei, abraçando-o em seguida.
— Ei... o que houve?
Ah... droga! Eu estava abraçando-o de novo e logo depois de uma situação daquelas!
— Ah Deus! Perdão, majestade — perdi me afastando — Eu não deveria fazer esse tipo de coisa-
— Ele não se importa querida — disse uma voz doce.
Recuei ainda mais, assustada. Rapidamente enxuguei minhas lágrimas e fiz uma reverência à Rainha, que estava bem ao lado do marido.
— Majestade, desculpe-me por isso — pedi ainda com a voz embargada — Eu sei que ultrapassei os limites, não foi minha intenção.
— Está tudo bem Cris — reconfortou a Rainha, afagando meu ombro — Posso chama-la assim?
Você é Rainha, pode qualquer coisa!
— Claro, majestade.
— Por favor, me chame de America.
Ela estava brincando comigo?
— Tem certeza senhora? Não seria... inapropriado?
O rei e a rainha se entreolharam como se entrassem em um acordo silencioso, então sorriram de forma cumplice.
— De forma alguma — ela respondeu no final.
Eu funguei e tentei sorrir. Mas uma lágrima teimou em cair.
— Quer conversar sobre isso? — perguntou o Rei de modo sugestivo.
***
O vaso, provavelmente raro e caro, havia sido jogado contra a parede e agora tudo o que restava dele era os cacos no carpete.
— Eu não acredito nisso! — exclamou a Rainha.
— Meu amor, acalme-se — o Rei pediu enquanto via a mulher andando de um lado para o outro no escritório.
Eu simplesmente me apoiei na parede e deixei que meu corpo escorregasse até o chão. Observei a cabeleira ruiva se misturando ao rosto extremamente vermelho da Rainha.
— Me acalmar? — ela desacreditou, elevando a voz — Aquela garota disse horrores sobre você! Como espera que eu fique calma Maxon?
— Sabe que tudo é mentira, não é? — o Rei questionou hesitante.
— É claro que eu sei! — ela gritou em tom ofendido — Mas isso não muda o que ela falou! E imagina como vai ser nossos dias daqui para frente! Todos comentando, apontando, cochichando!
— Pensei que não se importasse com que os outros falam.
— E não me importo quando falam de mim. Mas isso se trata do nosso casamento! De você! — ela rosnou levando as mãos a cabeça — O que James deve estar pensando? O que será da vida da Cris depois disso? Ela ainda nem é rainha e já tem que passar por algo assim! Nem eu quero lidar com isso!
“Ela ainda nem é rainha...” Ela esperava que eu fosse rainha um dia?
— Eu falarei com James — o Rei disse mantendo a calma. Aproximou-se da rainha e segurou suas mãos, beijando cada uma em seguida — Eu cuidarei de tudo America, confie em mim.
Essa é a hora certa para dizer que quero ir para casa?
Eu nunca gostei de desistir. Mas também não era muito fã de lutar por algo assim. A verdade é que ainda estávamos nas primeiras semanas da Seleção e eu já sentia falta da paz que só minha casa tinha. Aquela paz onde Alba não calava a boca e onde sempre havia o cheiro de algo delicioso no ar.
— Olha como você está Cris... — a Rainha lamentou enquanto se aproximava de mim — E está sangrando! Venha, vamos cuidar disso.
— Não, majestade — tentei fugir, ganhando um olhar repreensivo dela — Estou bem.
— Você salvou a vida do meu marido, pelo amor de Deus! Me chame apenas de America e me deixe cuidar de você.
Sem muita escolha eu aceitei e ela me ajudou a levantar.
Então a porta se abriu repentinamente, revelando um James todo descabelado e ofegante. Ele logo me encontrou e se aproximou de mim quase correndo, mas na mesma velocidade eu tentei me afastar.
— Eu preciso falar com você.
Eu não conseguia decifrar o que estava no olhar dele, em suas expressões. Mas eu não queria falar com ele e a Rainha percebeu isso, impedindo-o de se aproximar mais.
— A única pessoa com quem falar agora é o seu pai — ela avisou, séria, depois virou-se para o Rei e o fuzilou com o olhar — Nem pense em bancar o pai bonzinho agora Maxon.
***
— Tudo pronto — ela disse colocando o último curativo no meu pulso.
Mas eu não conseguia parar de olhar ao redor. Estávamos no quarto dela, digo, no antigo quarto dela. O quarto da Princesa, aquele que por acaso tinha uma linha direta com o quarto de James. Estávamos sentadas na enorme cama fingindo que eu prestava atenção no que ela fazia e não nos detalhes do quarto. Eu queria guardar cada detalhe, cada curva das grossas cortinas, cada entalhe da parede e dos moveis, cada cor.
— Por que me trouxe aqui...America?
Percebi que ela sorriu e se ajeitou sobre a cama, parecendo muito menos presa agora.
— Porque eu quero muito conversar com você.
Eu a fitei confusa. O que ela poderia querer conversar comigo?
— Eu sei que há protocolos, mas eu quero, eu peço, que por um momento me trate apenas como America, como uma amiga e não como uma Rainha — ela pediu segurando minhas mãos.
Então eu decidi ser sincera com ela:
— Se eu me acostumar com isso, nunca mais voltarei a trata-la como Rainha. É isso que quer?
— É exatamente isso que quero.
— Então sobre o quê quer conversar America?
Ela sorriu ainda mais. É sério, eles não paravam de sorrir?
— Eu acompanhei as anotações de Corinne sobre suas aulas, seus modos e suas ações. É claro que ainda não tenho muito, mas eu notei algo muito importante.
America me fitou ansiosa e complementou:
— Você parece a Rainha perfeita aos meus olhos.
O quê? Do que você está falando?
— Como é?
Ela pigarreou e continuou:
— Eu nem sei o que você sente pelo meu filho, mas eu sei que ele sente algo por você – Como assim? Não tivemos mais do que uma conversa! — Desde o momento em que ele colocou os olhos na sua foto, eu soube que algo havia mudado dentro dele.
— America, desculpe — pedi com toda a delicadeza que consegui — Mas eu e o seu filho nem nos falamos direito, não conversamos mais de uma vez e-
— Ouça, Cris, eu conheço meu filho e sei o que se passa na cabeça dele — ela salientou com um certo brilho nos olhos — Eu só peço uma coisa... quando ele pedir uma chance, aceite, dê uma chance a ele. É tudo do que ele precisa.
Eu queria dizer que as coisas não eram tão fáceis assim e que seu filho não ia me pedir uma chance, mas naquele momento um som estridente tomou conta do Palácio.
— O que é isso? — gritei para que minha voz se sobressaísse ao som.
America já me puxava para longe da cama, indo em direção a saída.
— É um ataque, venha!
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