Charlotte - Why not?
2 Capítulo 2
Notas iniciais
A noite não foi tão ruim. No dia anterior, depois de toda aquela confusão no mercado, um guarda me trouxe para casa e fez questão de explicar tudo para a minha mãe que estava histérica. É claro que, por ordem maior, ele escondeu a presença do Rei na história, mas não havia como esconder as marcas no meu pescoço, a mordida e, portanto, o ocorrido no beco.
A minha mãe me abraçou tão forte que eu senti todos os meus ossos saírem do lugar. A primeira coisa que fiz depois disso foi tomar um longo banho, só para depois me jogar na cama. Dona Aurora apareceu minutos depois com um sorriso aconchegante e um prato repleto de cookies.
— Vai acabar me engordando com tudo isso — eu disse rindo.
Ela riu ainda mais e respondeu:
— Esse é o dever de toda mãe.
Depois disso eu tentei dormir. Mas não consegui pelo simples fato de que ainda estava tentando assimilar o que acontecera. Eu salvei o Rei. Ainda o abracei e chorei na frente dele. Houve uma explosão e depois outra, e havia sangue no braço dele e eu só comecei a agir no automático. Pelo menos não fiz nenhuma idiotice. Porque é o que faço quando estou bêbada.
— Você não estava bêbada Cristina, só assustada. Houve explosões lá! — eu disse a mim mesma já me levantando da cama.
Bufei e fui dar uma olhada nos estragos. Meu Deus. Eu estava horrível. Eu sempre gostei de me olhar no espelho só para analisar a maneira como meus cabelos ficavam comportados e dizer a mim mesma pela centésima vez, como meus olhos eram grandes. Grandes e azuis. Era a única coisa que me impedia de ser idêntica a minha mãe, os olhos azuis. Era muito comum encontrar alguém com essa cor de íris, mas minha mãe quis ser diferente e agora tinha olhos verdes. Passando isso para Alba também.
Ainda sentada comecei a perceber as consequências dos meus atos da noite anterior. Marcas roxas e doloridas no meu pescoço e uma bela mancha horrível no meu ombro. Nada que maquiagem e uma blusa de manga não possam resolver. Estava decidida a esquecer do que acontecera.
Pelo reflexo notei as pastas com os projetos que o Rei havia me dado. Um guarda meio atrasado conseguiu resgatá-los. Aquilo me lembrava que nosso acordo ainda estava de pé. Isso destruía minhas chances de esquecer qualquer coisa. Mas algo me chamou atenção, dentro da primeira pasta havia algo, talvez um bilhete. Virei-me e abri a pasta num fôlego só. Era do Rei.
"Espero que se inscreva.
Conhecendo o meu filho como conheço...
Tenho certeza de que será Selecionada.
Espero que esteja bem.
M.S."
Dizer que quase gritei com aquilo é pouco. Eu não esperava mesmo um bilhete do Rei. Mas oras... eu o salvei!
Fitei a carta da Seleção que ele enviara junto com o bilhete e respirei fundo. Mas... por que não?
— Mãe!
Minha mãe surgiu na porta segundos depois de ouvir meu grito.
— O que foi menina? Está tudo bem?
— Arrume a Alba, nós vamos sair.
***
— Tem certeza disso Cristina? — perguntou minha mãe pela décima vez.
Já havíamos chegado ao local da inscrição, onde as garotas entregariam suas cartas e tirariam uma foto para enviá-las ao príncipe.
— Claro que sim mãe, ou não estaria aqui — respondi mais convicta do que estava — Eu posso até não ganhar, mas não fará mal algum tentar.
— Mas e o seu trabalho com o senhor Harris?
— Já falei com ele, avisou que caso eu for Selecionada ele vai esperar eu voltar ou encontrar outra pessoa.
Eu não tinha falado com ele coisa alguma, mas sabia que não era necessário. Se eu fosse Selecionada não precisaria mais ir ao Palácio às escondidas.
Tremi levemente ao ver a fila enorme de garotas, uma mais arrumada que a outra, uma mais bonita que a outra. Olhei em volta, eu não tinha muitas amigas na Província, não me importava, mas nunca me sentir tão sozinha quanto estou me sentindo agora.
— Tudo vai dar certo querida — minha garantiu ao perceber meu nervosismo.
Eu estava tentada a acreditar nela. De verdade. Mas toda aquela convicção de que eu deveria me inscrever estava indo pelo ralo. Eu tinha plena certeza de que entregar aquela carta de inscrição mudaria a minha vida completamente, eu só não sabia se isso era bom ou ruim.
Então quando chegou minha vez, eu apenas esbocei o sorriso mais sincero que consegui. E a sorte estava lançada.
***
Era hoje. Era hoje que o Jornal Oficial de Illéa revelaria o nome das trinta e cinco garotas. E eu estava muito nervosa. Não sabia bem o motivo, mas não conseguia nem ficar sentada.
— Fique calma — pediu minha mãe sorrindo.
Eu também não sabia o motivo de ela ainda não estar curtindo com a minha cara.
— Boa noite Illéa!
Virei minha cabeça tão rápido que até senti meu pescoço doer. Gavril Fadaye apareceu sorridente na televisão. Atrás dele estava toda a família real, Rainha America, Rei Maxon, os filhos, Miranda, a mais velha, James e a mais nova, Emma, que mesmo tendo seis anos já tinha um trono só dela.
— É muito bom estar de volta essa noite com grandes novidades e com os nomes das vinte e cinco Selecionadas. Sim, exatamente o que ouviram. Dessa vez haverá apenas vinte e cinco lutando pelo coração do príncipe James — Gavril disse alegremente — Mas antes de tudo, passo a palavra para o nosso querido Rei Maxon.
Se eu tinha pouca chance com trinta e cinca garotas, imagina com dez a menos.
O Rei sorriu do jeito que só ele sabia fazer e se aproximou do microfone.
— Boa noite Illéa. Infelizmente as noticias que eu tenho não são muito boas — o sorriso dele sumiu — Ontem, durante a tarde, duas Províncias foram atacadas por rebeldes. Na Província de Sota tivemos três mortos e mais de dez feridos, e na Província de Kent tivemos mais de sete mortos e inúmeros feridos. Ainda não sabemos o que os levou a atacar diretamente essas Províncias e nem o que eles querem. Mas quero que saibam que estamos trabalhando para que a paz volte a reinar em Illéa, até lá, peço que tomem bastante cuidado. É apenas isso. Obrigado.
— Ouviram o Rei povo de Illéa — complementou Gavril — Tomem cuidado. Agora chegou a hora. Estou me sentindo velho nesse momento. Parece que foi ontem que eu estava me preparando para anunciar as Selecionadas para o Príncipe Maxon, e olhem só! Vinte anos se passaram, agora ele é Rei, já está com sua doce e elegante Rainha, e estou me preparando para revelar ao filho deles novas garotas. Então vamos lá!
Eu respirei fundo, era a hora.
— Charlotte Adams, de Kent!
O quê?!
Se eu estivesse comendo algo com certeza estaria morrendo engasgada agora.
— Começamos bem Alteza, é uma moça linda — elogiou Gavril sorridente.
— Os olhos dela me atraem, com certeza — revelou o Príncipe James.
Tudo bem que eu estava conformada com a possível ideia de ser selecionada, mas ser a primeira da lista? Será que o Rei seria capaz de influenciar na escolha? Imediatamente fitei a imagem do Rei, ele parecia igualmente surpreso e cochichava apressadamente com a Rainha, fazendo-a ficar surpresa e sorrir com o que ele disse. E o que ele disse?
Não. Mesmo que ele pudesse influenciar, não seria tão obvio a ponto de me colocar como a primeira da lista.
— Parabéns filha! Eu sabia que se tentasse iria ser selecionada — exclamou minha mãe enquanto me esmagava em um abraço.
Mas eu ainda estava surpresa demais para ter alguma reação.
— Cris vai ser uma princesa mamãe? — ouvi Alba perguntar.
— Claro que sim e vamos fazer bolo para comemorar!
Tinha uma vaga ideia da celebração da Alba ao saber do bolo. E nem prestei atenção nos nomes das outras trinta e quatro garotas. Tudo o que eu conseguia ver era minha vida virando de cabeça para baixo.
***
Tudo estava indo rápido demais em minha opinião. Em um dia assinei um acordo de sigilo com o Rei, depois o salvei, no outro decido fazer minha inscrição para lutar pelo coração de um Príncipe, depois sou Selecionada e agora vários guardas lotavam minha casa, alguns pegando minhas malas, outros dando instruções para minha mãe, e havia uma mulher irritante dando instruções a mim.
— Preciso que preencha esse formulário. Precisamos saber se possui alguma doença, alergia ou qualquer coisa que precise de cuidado. Depois faremos suas medidas para que seus vestidos sejam feitos com perfeição e que nenhum sapato fique perdido por ai. Aqui está o que precisa — ela colocou três potes de remédios sobre a mesa, onde eu me preparava para preencher o formulário, arregalei os olhos para ela — Não me olhe assim, estamos apenas cuidando para que esteja perfeitamente saudável ao entrar naquele Palácio. Depois que terminar de preencher isso ai e tirar as medidas, vamos recolher uma amostra de sangue para termos uma maior clareza do seu organismo.
— E a senhorita precisa assinar este contrato, alegando ainda ser...pura.
— O quê? Eu preciso assinar um papel só para eles terem certeza de que ainda sou virgem?
Eu precisa lembra-los que a relação sexual antes do casamento era proibida?
— Apenas assine senhorita, por favor.
Bufei. Não sabia o nome daquela mulher, mas eu já não gostava dela. Não importa se ela só está cumprindo ordens.
Depois de muito tempo ouvindo a tagarelice daquela mulher, formulário entregue, sangue colhido e medidas tiradas, finalmente estava na hora. Olhei-me no espelho uma última vez antes de agarrar as pastas com os projetos e sair do quarto. Optei por prender os cabelos em um coque apertado e coloquei uma calça preta simples, uma blusa branca e enfiei a flor da minha Província no cabelo. Esse era o padrão de toda selecionada: blusa branca, calça preta e flor da Província. Mas é claro que eu não abriria mão das minhas botas, mesmo sabendo que já estavam com os dias contados.
Tudo já estava no carro, Alba e mamãe me acompanhariam até a celebração de despedida que cada Província estava fazendo por sua Selecionada. A minha não seria diferente.
O caminho foi calmo, Alba não parava de falar e mamãe apenas ria da expressão que o guarda fazia ao ouvir as histórias dela. Quando finalmente chegamos a paz acabou. Havia uma multidão me esperando perto de um pequeno palco improvisado. Os guardas mantinham o caminho aberto para que pudéssemos passar. Mas eu realmente achava que aquilo tudo não era necessário. Quando subi ao palco pude ver todos com mais clareza e perceber a importância da situação. Havia muitos cartazes como por exemplo “Estamos torcendo por você”, “Estaremos com você até o fim!” e uma que me deixou sem ar por alguns segundos “Quando ganhar, não se esqueça da onde veio e quem nos ajudou”. Aquilo era uma clara mensagem a lá America Singer, a Rainha, que depois de se tornar Rainha, ajudou a todas as Castas possíveis. Aquela mensagem mostrava que o povo acreditava que eu iria ganhar, e que eu não deveria esquecer de nenhuma casta, pois mesmo uma Três não era nada sem o trabalho de um Seis ou Oito.
— Alguma mensagem para o povo senhorita Adams? — perguntou o Prefeito todo sorridente. Ele parecia mais feliz do que eu.
— Eu só quero agradecer a cada um que está aqui torcendo por mim, acreditando mais em mim do que eu mesma. Eu estou, com certeza, indo muito mais forte para essa Seleção por causa de todos vocês. Prometo que mesmo não sendo a Escolhida, farei o meu máximo para fazer a diferença.
Ouvir os aplausos e os gritos de alegria quase me fizeram chorar. E por um momento eu pensei: como seria se eu chegasse até o fim?
Dei um último abraço em Alba e me despedi da mamãe.
— Me escreva sempre que for possível querida — ela pediu chorosa.
— Claro que sim mãe.
— E leve isso com você, com sorte deixarão que faça lá ou simplesmente fuja para a cozinha e faça.
Eu a fitei confusa e abri o papel que ela me dera. Sorri ao perceber que se tratava das receitas dela.
— Obrigada mãe.
Acenei para os que assistiam e desci do palco, sorrindo para todos que estavam no caminho até o carro. Assim que sentei no banco de trás do carro real, eu senti falta da tagarelice de Alba e do sorriso da minha mãe.
— Pronta? — perguntou o guarda me fitando pelo espelho retrovisor.
Com um sorriso notei que era o mesmo guarda que me levava em casa.
— Pronta.
***
É claro que o caminho foi silencioso. Mas não demorou muito para que chegássemos no centro de Illéa onde eu me encontraria com outras Selecionadas. Fui a primeira chegar, tentei ignorar o tapete vermelho e as câmeras que focavam em mim, e procurei passar o tempo com quem estava ali. Havia muito mais pessoas do que na minha Província, e fiquei feliz porque algumas delas até torciam por mim.
— Ei. Ei!
Olhei ao redor procurando a origem da voz e não demorou para que eu notasse que era necessário olhar um pouco mais para baixo para encontrar. Um garotinho que aparentava uns seis ou sete anos tentava desesperadamente se sobressair entre a multidão, até que conseguiu a ajuda de um outro garoto que eu julguei ser o irmão dele.
— Olá senhor, o que deseja? — perguntei sorrindo bobamente enquanto me aproximava. Adorava crianças.
— Pode me dar um autógrafo? — ele pediu sorrindo.
— Oh o meu primeiro autógrafo! — sorri ainda mais ao pegar a caderneta e o lápis gasto das mãos dele — E qual é o seu nome?
— Kevin Blanc.
Eu fiz minha melhor letra e beijei o papel, deixando a marca do meu batom ali, fazendo ambos rirem.
— Ei eu também quero um autógrafo — pediu o mais velho.
— E qual é o seu nome senhor?
— Caleb Blanc.
Beijei o papel novamente e entreguei.
— Aqui está senhor Caleb. Espero que não percam isso.
Passou só mais alguns minutos até as outras começarem a chegar. Não prestei atenção no nome delas, então estava em desvantagem, pois aposto que todas elas viram minha foto e ouviram o meu nome. Muitas passaram e ignoraram minha existência. Apenas duas pararam e conversaram comigo.
— Oi, Charlotte não é? — perguntou uma loira. Eu apenas concordei com a cabeça — Meu nome é Haley Bass, de Tammis.
— E eu sou Nikki Blake, de Carolina — apresentou-se a castanha.
— E vocês já me conhecem — respondi corada.
— Claro, foi a primeira da lista quando todo mundo esperava pelo próprio nome — Nikki declarou, rindo.
— Mas, por favor, me chamem de Cris.
Elas concordaram indiferentes.
— Vamos — Haley chamou — Já estão entrando no carro.
No caminho eu percebi que Haley e Nikki com certeza seriam minhas amigas. Primeiro porque não se importavam com que os outros pensavam, depois porque eram ótimas em xingar as concorrentes.
— Deus, vocês viram o que aquela loira platinada estava usando? Parecia que ia a uma boate — lançou Nikki rindo.
— E aquela ruiva falsa? Será que ela pintou o cabelo só por causa da Rainha? — Haley pensou em voz alta.
Eu ria dos comentários delas e do fato de nem se importarem com as outras três Selecionadas que dividiam o carro com a gente.
***
O Palácio não era nada menos que deslumbrante. Assim que coloquei os pés no piso bem encerado, respirei fundo e olhei em volta, guardando cada detalhe. Os murmúrios sobre a beleza interna e externa do lugar logo foram se espalhando, mas segundos depois fora cortado.
— Bom dia senhoritas — saudou uma mulher de cabelos loiros que estava a nossa frente — Meu nome é Corinne Guillot e eu serei a governanta de vocês até o fim da Seleção. Darei aulas e ensinarei a como se portarem como uma verdadeira princesa. Mais tarde eu as levarei ao corredor onde estão os quartos das Selecionadas, o nome de cada uma está em sua devida porta. Lá haverá três criadas as esperando para ajuda-las e arrumá-las sempre que necessário. Antes disso, as levarei para o Salão das Mulheres, onde poderão se preparar. Uma pergunta: estão cansadas?
Todas negaram, claro.
— Ótimo. Assim que entrarem no Salão das Mulheres terão uma hora para se arrumarem para uma entrevista com o príncipe, depois disso eu as levarei para o almoço que sempre ocorre ao meio-dia em ponto. Apenas um aviso: eu não tolero desacato e muito menos atrasos. Compreenderam? Agora vamos.
O Salão das Mulheres estava no nível do restante do Palácio, em minha opinião ele deveria ser mais bonito sem tantas araras de roupas, espelhos e uma multidão de mulheres atropelando umas as outras enquanto desviavam das câmeras.
— Senhorita Adams, por aqui, vamos cuidar de você — disse uma mulher enquanto me puxava para sentar em uma cadeira.
Logo eu estava sentada e rodeada por umas cinco mulheres.
— Como vai querer seu cabelo?
— Alguma cor especial para as unhas?
— Qual vestido?
— Esses saltos ou esses?
— Vai querer algum corte?
— Esses dois vestidos chegaram agora.
— Ei, acalmem-se — pedi impaciente — Eu preciso respirar também.
Elas se afastaram e se entreolharam confusas.
— Não quero nada especial nas minhas unhas, não gosto que elas chamem atenção. Apenas cuide delas. Eu gosto de botas, mas se for pra usar saltos eu quero aquele preto ali. O vestido... preciso de um que não seja nem muito claro e nem muito escuro. Tem algum por ai? E quanto ao cabelo, amarrem só uma parte e me surpreendam com o resto.
Elas sorriram e começaram a trabalhar.
No final, eu hesitei em olhar no espelho.
— Vai em frente senhorita Adams, está linda — uma delas disse me apressando gentilmente.
E sorrindo eu finalmente olhei. Arregalei os olhos. Sim, ainda era eu. Mas era uma versão de mim mais bonita e mais confiante. Metade do meu cabelo estava na parte de cima, formando um pequeno coque, e o restante cobriam parte das minhas costas como ondas. Havia uma pequena e discreta trança de cada lado e algo brilhante no pequeno coque. O vestido me surpreendeu. Ia até os joelhos e possuía mangas três quartos largas, não brilhava tanto quanto os vestidos das outras Selecionadas, mas com certeza chamaria atenção pela saia que começava em um tom azul claro, a cor do resto do vestido, e em degradê mudava para um tom bem mais escuro nas pontas. Por causa dele abandonei os saltos opacos por um preto simples, feito de um tecido não muito maleável e enfeitado com algumas pedras brilhantes. Parecia inocente demais para mim. A maquiagem era leve, dispensei sombra e blush, mas aceitei de bom grado o batom mais escuro, quase um vermelho vinho. Então sim, eu gostei do que estava vendo.
Um homem passou e focou a câmera bem em mim, enquanto uma mulher se colocava ao lado dele.
— Sorria!
Antes que eu me desse conta ela já havia tirado inúmeras fotos.
— É para o antes e depois de vocês — ela explicou, indiferente.
— Está na hora de ir meninas — anunciou a Sra. Guillot, batendo palmas para chamar atenção — Todas prontas? Acompanhem-me.
Agradeci as mulheres que me ajudaram e respirei fundo, juntando-me as outras em um aglomerado pouco organizado.
— Você está linda Cris — elogiou Nikki surgindo ao meu lado.
A fitei sem muita cerimonia, eu estava curiosa sobre o que ela vestiria. Nikki escolheu um vestido verde-esmeralda todo brilhoso que também ia até os joelhos, como todos os outros, não reparei em seus sapatos, porque sua maquiagem carregada já chamava bastante atenção.
— Você também está linda e brilhante Nikki, adorei os olhos enormes — respondi rindo — Tudo isso é para o príncipe?
— Não, é para mim — ela respondeu indiferente — Não estou nem ai para o príncipe, mas já que estou aqui... é obvio que vou aproveitar ao máximo!
Ela jogou os cabelos bem feitos teatralmente para trás, fazendo-me rir.
Devido a bagunça no Salão das Mulheres, fomos direcionadas para o Salão ao lado onde o Príncipe nos esperava. Corinne nos mandou sentar no enorme sofá e esperar que o Príncipe chamasse nosso nome para uma pequena entrevista antes do almoço. Segundos depois Haley apareceu e sentou do meu lado, usava um vestido rosa-claro e um sapato bem...
— O que é isso no seu sapato? — perguntou Nikki se aproximando.
Haley sorriu de modo convencido.
— São borboletas. Enormes borboletas.
Únicos. A palavra que eu estava procurando para descrever os sapatos dela era “únicos”. Mas claro que “exagerados e chamativos” também serviam.
— Deixe-me adivinhar... você também não está nem ai para o príncipe? — questionei.
— Nem um pouco — Haley respondeu jogando os cabelos castanhos teatralmente para trás — Só vim pela comida e por novos amigos.
— Acho que vocês são irmãs — conclui apontando de uma para outra — Só não sabiam disso ainda.
Elas apenas riram e voltamos a ficar em silêncio. O príncipe havia chamado o primeiro nome.
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