Charlotte - Why not?
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ver o príncipe James de perto foi o primeiro choque do dia. É, parece que estou mesmo em uma Seleção para lutar pelo coração de um homem com quem nunca falei e, ah, não podemos esquecer que ele é um príncipe e que está a procura não só de uma esposa, mas também de uma Rainha para Illéa. Nada demais, claro.
Ele não seguia nenhuma ordem ou lista, simplesmente caminhava a nossa frente e apontava o dedo para uma de nós. Não conseguíamos ver o lugar onde a entrevista ocorria, mas eu podia notar os suspiros toda vez que ele passava a nossa frente.
— Patéticas — murmurou Haley, revirando os olhos.
Não consegui esconder um sorriso.
— Você.
Meu sorriso sumiu. Olhei para os lados, todas me olhavam, incluindo Nikki e Haley. Era minha vez? Fitei o príncipe e este me encarava sorrindo. Sim, acho que era minha vez. Respirei fundo e me levantei, arrumando meu vestido em seguida. Fiquei a uma certa distância dele até chegarmos no sofá onde a entrevista ocorria. Mal havia me sentado quando ele começou a falar.
— Você é Charlotte Adams, é um prazer conhece-la.
Meu Deus, até ele sabia meu nome. Quase disse a ele para me chamar apenas de Cris, mas não, isso poderia não ser bom.
— Também é um prazer conhece-lo Alteza — respondi tentando controlar minha voz.
E pela primeira vez eu o olhei, digo, realmente olhei para ele. Notei os cabelos loiros em um tom escuro, meio bagunçado, os olhos castanhos claros e aquele sorriso que com certeza ele ganhara do pai. Conseguia ser mais bonito que o Rei, deve ser por causa da Rainha. Suas roupas pareciam normais, nada típicas de um príncipe, uma blusa branca social que estava meio amassada e com as mangas compridas enroladas, e um jeans comum.
— Tudo bem? — ele perguntou suavemente.
— Sim, e com você?
Ele me olhou surpreso. Eu disse algo errado?
— Estou bem, só um pouco cansado.
— Eu compreendo.
Claro, porque ter vinte e cinco garotas caindo aos seus pés é cansativo. E ter que falar com todas elas? Nossa. Que vida cruel.
— Me diga um pouco mais sobre você, sua família, o que você fazia antes de ser Selecionada? O que já aconteceu na sua vida?
Minha Província foi atacada justamente no local onde eu estava, quase morri. E ainda tive que salvar o seu pai? Acredita nisso?
— Eu morava em Kent, minha mãe é arquiteta e tenho uma irmã de seis anos chamada Alba — respondi, engolindo em seco, não queria falar sobre meu pai e nem sobre Enzo — Como eu ainda não posso trabalhar oficialmente, apenas fazia alguns...bicos por ai. Em alguns dias da semana eu ajudo a cuidar de uma livraria e nos finais de semana fico na escola com algumas crianças.
É, também era melhor omitir a parte da loja de Thomas e dos projetos.
— E seu pai?
Ele tinha que perguntar, não é?
— Morreu logo depois que minha irmã nasceu — respondi indiferente.
— Sinto muito pela sua perda.
O sorriso dele era reconfortante, mas não, eu não iria mais reparar nessas coisas.
— Obrigada — forcei um sorriso — Desculpe perguntar, mas como sabe meu nome?
— Eu disse que seus olhos me atraíram, eu não a esqueceria.
E como faço para ignorar o charme dele?
Corinne lançou um olhar significativo para ele, que sorriu novamente.
— Parece que não podemos mais nos demorar, de novo, foi um prazer conhece-la senhorita Adams — ele beijou minha mão e complementou — Com certeza você vai se sobressair nessa Seleção.
***
“Ele disse que com toda certeza vou me sobressair nessa estadia no Palácio”.
Essa era a frase mais dita entre as Selecionadas. Sim, ele foi suficientemente cara de pau a ponto de dizer a mesma coisa para todas nós. Mais que...
— Idiota. Como ele pode ser assim?
— O que você esperava? — questionou Haley de braços cruzados — Ele é um príncipe, foi educado para agradar a todo mundo.
— Ah mais eu duvido muito que tenham criado ele assim — devolvi irritada.
Eu me recusava a acreditar que os Reis o haviam criado assim. Juntando tudo o que eu via, mais os momentos em que eu conversara com o Rei e o que falavam da Rainha, eu duvidava e muito que algum filho deles tenha sido criado para ser tão idiota a esse ponto.
— É muito gratificante ver que todas elas sabem disso e ainda sim suspiram por ele — notou Nikki sorrindo marota — Só mostra o quanto são fúteis.
E eu ainda fiquei feliz quando ele disse aquilo para mim. Por favor! Como eu fui burra. É claro que ele ia fazer o mesmo com todas as outras. Ele não pode dizer nada de carinhoso se ainda nem nos conhece direito. Ah mas é claro que ele tinha que tentar!
— Credo! O que eu estou fazendo? A última coisa que o príncipe merece é que eu pense nele.
— Ainda bem que sabe disso — concordou Nikki.
Me calei. Nem havia percebido que tinha dito aquilo em voz alta. Esse era um defeito meu.
Depois de terminada a entrevista, todas ainda babavam pelo príncipe, provavelmente relembrando as coisas lindas e gentis que ele havia dito. Corinne nos mostrou o caminho para o Salão onde as refeições ocorriam. Ambos, ela e o príncipe, foram a nossa frente conversando amigavelmente. Será que nenhum deles via que havia uma briga atrás para ver quem ficava mais perto dele?
Assim que entramos, cada uma fez uma pequena reverência aos Reis e às princesas que já nos esperavam. Não lancei nenhum olhar ao Rei, eu sabia que tinha que fingir que nada havia acontecido ou todas começariam a falar asneiras.
— Boa tarde garotas — saudou o Rei sorrindo — Espero que tenham aproveitado a estádia até agora e a companhia do meu filho. Bom almoço a todas.
Assim que sentei, rapidamente passei os olhos sobre a família real e todos eles estavam sorrindo, até mesmo a pequena Emma. O que havia de errado com aquela família? Por que diabus todos os Schreave possuem aquele sorriso charmoso e encantador?
— Qual é o problemas deles? — sussurrei para Nikki — Por que estão sempre sorrindo?
— Talvez porque eles sejam a família mais rica de Illéa — brincou ela.
— Ou do continente — completou Haley no mesmo tom de voz.
É claro que o almoço foi ótimo, mas eu estava tendo uma grande dificuldade em manter quieta. Haley perguntou duas vezes se eu estava bem e Nikki achou estranha a pequena quantidade de comida que coloquei em meu prato. A verdade é que eu não estava bem. Parecia que alguma coisa revirava meu estômago, não como borboletas e sim como quando cada célula do seu corpo diz que algo vai dar errado. Por que eu me sentia assim? Por que eu não conseguia parar de tremer? Por que eu não conseguia controlar esse medo que me dominava sem motivo?
***
O meu quarto não poderia ser mais assustador. Não de um modo ruim, eu acho. Era tão grande e organizado, sem esquecer que parecia que minha própria mãe tinha decorado cada pedaço dele. Eu me sentia em casa, e isso era ruim. As criadas – sim, agora eu tinha criadas!- já estavam a minha espera e se apresentaram de um modo profissional demais. Bia, Brenna e Blanca.
— São irmãs? — foi a primeira coisa que perguntei. E eu tinha que perguntar!
Elas se entreolharam e sorriram envergonhadas.
— Sim, senhorita — responderam em uníssono.
Eu estava começando a gostar delas, quando descobrir que queriam me dar banho. Imagina? Até parece que não sei tomar banho sozinha.
— Garotas, eu aceito tudo de vocês. Podem me vestir, me maquiar, fazer o que acharem melhor. Mas eu tomo banho sozinha.
Sorri ao perceber que elas não iam fazer nada além de resmungar.
A semana passou tranquilamente e sem qualquer transtorno. Quando o dia do Jornal Oficial de Illéa chegou, eu nem fiz questão de sair do quarto. Não estava com a mínima vontade de ver a atuação de todas elas. Começamos a ter aula de etiqueta e de história um dia depois da nossa chegada. Acabamos descobrindo que os Schreave não são a família mais rica do continente, como brincara Haley, esse titulo pertencia aos Underwood, do Reino do Norte. Fomos avisadas que havia uma possibilidade de sermos apresentadas a eles no futuro, Nikki pareceu gostar da ideia.
As aulas de etiqueta foram monótonas, eu não tinha nenhum real problema com a maneira certa de sentar ou agir, as pernas que não podiam ser cruzadas, a ordem dos talheres, os horários, as regras. Tudo era apenas questão de organização e foco, mas realmente cansava. Tudo aquilo tirava o brilho da vida a cada dia. Mas confesso que adorava ver as outras sofrendo.
— Ajeite essa coluna senhorita — ralhou Corinne para uma garota que eu conhecia apenas como Marlene.
A garota ao lado, Paige Lee, segurou o riso. E com razão, eu acho. Lee era uma Seis e sabia se portar melhor do que a Quatro. As castas haviam sido abolidas oficialmente há dez anos, mas é claro que a interação entre elas e os modos de se tratarem não mudara em completamente nada. Então fiquei feliz porque aquela situação entre Paige e Marlene mostrava que a educação dada em casa não dependia de uma Casta. Mas é claro que justamente uma Dois iria se sobressair e era tão obvio, que justamente ela fosse a mais convencida e irritante de todas.
— Lá vem a platinada... — sussurrou Nikki enquanto forçava um sorriso ao ver a garota se aproximar.
Leila Edwards era uma Dois, e fazia questão de jogar isso na cara de todo mundo. Nikki e Haley a chamavam de platinada e tinham toda a razão do mundo. O cabelo daquela garota era tão loiro que beirava ao branco, sempre bem cuidado e brilhoso, e então vinha a pele extremamente branca dela para deixa-la ainda mais incomum e sem sal, mas tudo isso ela quebrava destacando muito os olhos azuis e a boca com um batom exageradamente vermelho. Cada gesto, palavra e sorriso falso mostrava que ela perdia e muito na personalidade.
— Olá querida — ela falou esboçando mais um de seus sorrisos falsos — Que tal você ser minha parceira nessa aula?
Nikki e Haley arregalaram os olhos e esperaram minha reação. Por que não?
Quando levantei ainda pude ouvi-las praguejando baixo.
A tarefa consistia em um questionário simples. Sentaríamos em uma mesa uma de frente para outra, uma faria perguntas seguindo uma lista e a outra somente respondia, depois os papéis se investiam. Enquanto isso Corinne andava entre as mesas para avaliar nossa maneira e a etiqueta.
Leila abriu um sorriso assim que eu comecei a perguntar. Era obvio que ela sabia da maioria das coisas. Ou de tudo. Mas depois de algumas perguntas surgiu a chance de cutucar a fera.
— De onde surgiu o nome de Illéa?
— Do fundador Gregory Illéa — ela respondeu prontamente.
— Que nação foi responsável pela maior invasão contra Illéa?
— Rússia.
Não consegui evitar sorrir.
— Na verdade foi a Nova Ásia. O maior ataque da Rússia foi contra o Estado Americano da China, só depois disso o Estado Americano sumiu e se tornou Illéa.
— Exatamente senhorita Adams, parabéns — elogiou Corinne ao passar do nosso lado.
Leila contorceu os dedos em um ato controlado de irritação. E em seguida sorriu.
— Minha vez.
Ela pegou sua própria lista e começou a vasculha-la avidamente.
— Por que a China invadiu os Estados Unidos?
— Porque os Estados Unidos deviam muito dinheiro para a China, mas já estavam falidos demais para pagar.
— Como a realeza surgiu em Illéa?
— Gregory casou com alguém da realeza e se tornou rei.
— Por que a Província de Carolina tem esse nome?
— Por causa de uma criança chamada Carolina que se sacrificou para salvar centenas de pessoas.
— Por que Gregory Illéa perdeu o trono?
— Porque ele se tornou um bêbado descontrolado.
— Assim como seu pai?
O quê?
— O quê?
Leila abaixou o papel discretamente e sussurrou:
— Eu soube que seu pai batia em você, é verdade?
— Do que você está falando sua maluca? — rosnei entre dentes.
— Perdão, acho que estou enganada — ela sorriu maliciosamente — Creio que a vitima era sua mãe.
— Escuta aqui sua platinada escamosa — rosnei me levantando — Não admito que fale da minha família!
— O que está havendo aqui?
Imediatamente fitei Corinne que se aproximava rubra de raiva.
Preferi ficar calada enquanto a platinada manteve aquele sorriso debochado. Eu não iria dar esse gostinho a ela. Vadia.
— Ninguém vai dizer nada? — insistiu Corinne ainda irritada.
Nem precisei olhar ao redor para saber que todas assistiam a cena. E nem precisava ser vidente para saber que eu seria o assunto preferido delas durante dias.
— Pois bem, senhorita Adams, acho que uma visita ao Rei Maxon vai lhe mostrar que uma princesa nunca deve aumentar o tom.
Revirei os olhos. Era esse o castigo dela? Será que ela nunca percebeu que o Rei era um rio de gentileza?
— Esperem aqui senhoritas, enquanto eu mostro o caminho do escritório do Rei.
Mais um minuto com essa mulher? Nem pensar!
— Não precisa senhora Guillot, eu me viro — garanti lhe lançando um sorriso falso que com certeza ela notou — Com licença.
A primeira coisa que pensei foi em encontrar um guarda.
Apressei meus passos e sai dali o mais rápido possível. É claro que nem tudo devia ser tão calmo. Eu deveria saber. Aquela semana começara bem, se eu ignorasse aquela sensação de que alguém ia manter durante a noite. Mas aquela Vadia-Mor tinha que pisar na minha tranquilidade! Ela não tinha o direito de falar aquelas coisas sobre minha família! E pior, como ela sabia? Como ela sabia sobre a morte do meu pai e que ele não passava de um bêbado descontrolado? Eu não havia contado a exatamente ninguém. Nem mesmo ao príncipe ou no formulário onde perguntava sobre meu pai. Apenas marquei “falecido”.
E não havia mais guardas nesse Palácio?
Durante seis anos eu me esquivei de perguntas sobre Joshua Adams. Onde está seu pai? Como ele era? O que era? Trabalhava em que? Como ele morreu? É verdade que ele batia em você? A curiosidade das pessoas nunca tinha fim! Não importa quanto tempo passe, sempre haverá alguém que deixe uma pergunta sobre aquele assunto no ar. Demorou muitos meses até os moradores da nossa rua esquecerem as brigas, as confusões, os guardas na minha casa e principalmente o triste e merecido fim do Chefe da família Adams. E desde então eu nunca mais toquei no assunto com alguém, o mesmo valia para minha mãe. E agora, essa garota arranca esse assunto do inferno e espalha para todas as Selecionadas. Sim, porque quem estava ao redor com certeza ouviu. E essas espalhariam para as outras.
— Está tudo bem senhorita?
Era só o que me faltava. Virei-me para trás e encontrei o tão famoso e lindo príncipe James me encarando. Nem havia percebido que ele havia passado por mim.
— Sim, Alteza — afirmei controlando minha irritação e fazendo uma pequena reverência — Estou apenas procurando o escritório do Rei.
Recomecei a andar. Eu não queria lidar com ele logo agora. E afinal, onde estavam os malditos guardas?
— Espere — parei respirando fundo, até sentir ele se aproximando — Está com algum problema? Por que quer falar com meu pai?
Eu quase revirei os olhos, estava impaciente. Mas eu não conseguia parar de olhar para aqueles olhos castanhos tão incomuns em um loiro.
— Nenhum problema, Alteza. Foi só senhora Guillot que ordenou que eu conversasse com ele sobre os meus modos.
O príncipe riu e colocou as mãos para trás das costas, como se estivesse escondendo algo.
— Nesse caso senhorita, o que acha de me conceder um passeio ao invés de enfrentar meu pai?
Eu queria dizer que o pai dele era o menor dos meus problemas e que não queria ser a garota educada e gentil agora. Mas algo no tom dele me fez hesitar em recusar.
— Tudo bem Alteza — sim, eu aceitei.
— Antes de tudo — ele segurou minha mão delicadamente — Eu preciso que para de me chamar de Alteza. Eu, sinceramente, não aguento mais ouvir isso.
Ah, eu estava começando a gostar um pouco mais dele.
— E eu preciso que pare de me chamar de senhorita pelos mesmos motivos.
— Ótimo, temos um acordo então.
Conversar com o príncipe? Eu com certeza estava precisando disso. Irônico, não? Eu o chamei de idiota antes e agora digo que precisava dele. Mas ele não exigiu nada e aos poucos deixei de ser educada e gentil por obrigação, e comecei a ser apenas eu. De braços dados nós caminhamos pelos corredores até chegarmos ao jardim. Não consegui ignorar muito bem os olhares que os guardas nos laçaram, mas James parecia extremamente concentrado em nossa conversa que não se resumia a nada, ou melhor, a nenhum assunto em particular. Conversávamos sobre tudo o que surgia em nossas mentes.
— Frutas! — exclamei fazendo-o me fitar, confuso — O que me diz sobre frutas?
— Que elas são deliciosas, menos maçã — ele respondeu em um tom divertido.
— Não — neguei rindo — Você gosta de quais frutas?
Ele sentou-se na grama e me puxou para sentar ao lado dele.
— Bem, não gosto de maçãs — ele deitou-se, colocando as mãos atrás da cabeça — Mas eu adoro uvas e morango.
— Eu não suporto morango — respondi fazendo uma careta da qual ele riu — Que tipo de pessoa não gosta de maçãs?
— Que tipo de pessoa não gosta de morango? Tem tanto morango em Illéa que deveria ter um dia em homenagem a eles. Ou uma semana inteira. Imagina quantos doces e comidas feitas com morango surgiriam nesses dias?
Não consegui reprimir mais uma careta. Eu não comia morangos desde a morte do meu pai.
— O que foi? — James questionou sentando de repente.
— O quê? — o que eu perdi?
— Você ficou triste de repente — ele disse me olhando... preocupado?
Ei Cris, não pense nessas coisas!
— Ah, não, não é nada — neguei rapidamente.
— Lembrou de alguém? — ele questionou desconfiado.
Desde quando sou tão transparente?
Respirei fundo. Foi a minha vez de me jogar na grama.
— Sim. Lembrei do meu pai.
— Pode me dizer o que aconteceu com ele?
Não...melhor não.
— Por enquanto não, vamos deixar como está — respondi tentando soar indiferente.
O silêncio se instalou, como eu sabia que aconteceria. Mas ele tinha que ficar me encarando daquela forma?
— Algo errado? — questionei já desconfortável.
— Meu pai disse que eu deveria te mandar embora — ele disse de repente.
Como assim?
— O quê? — levantei abruptamente, ficando a centímetros dele — Por que ele disse isso?
— Ele disse que você não merece estar na seleção — James respondeu rouco.
O quê? Como assim não mereço estar aqui?
— E por que não mereço?
— Isso ele não disse.
Foi ele que incentivou a me inscrever!
— O seu pai é louco.
Arregalei os olhos, tapando a boca em seguida. Droga!
— Desculpe, eu não quis dizer isso-
Mas James já tinha se afastado de mim e se levantado.
— Acha que ele é louco só porque disse que você não merece estará aqui? — a voz dele expressava a pura irritação que sentia.
Rapidamente me levantei para ficar frente a frente com ele.
— Não, não. Você entendeu errado, não falei de um modo ruim — tentei explicar, nervosa — Não falei de um modo literal, apenas me escute-
— Eu já escutei o suficiente Charlotte.
James já estava começando a se afastar quando eu o segurei pelo braço.
— Por favor me escute, não fiz por mal. Eu juro — tentei novamente — É que seu pai sempre me parece tão gentil e disse algo assim de quem nem conhece-
Ele soltou seu braço e me encarou furioso.
— Meu pai é o homem mais sábio que eu já conheci — disse entre dentes — Quem sabe ele não disse isso por algum motivo e talvez até esteja certo, talvez você não mereça estar aqui.
Não tive escolha a não ser vê-lo se afastar cada vez mais em direção ao Palácio. Por que eu sempre faço algo errado e não percebo isso?
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